CRÍTICA : LA LA LAND CANTANDO ESTAÇÕES

              Todos sabemos das atribulações da vida, e de como muitas vezes parece até criminoso ter um sonho que se quer realizar, mesmo quando a realidade ao nosso redor parece dizer “Não”. Alguns filmes tem essa capacidade de inspirar nosso espírito a continuar a acreditar no que nosso coração diz. É para quem busca essa mensagem que “La La Land – Cantando Estações” se transforma em uma agradável experiência cinematográfica.

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            Confesso que quando o assistir, tentei esquecer da avalanche de prêmios recebida desde que o filme foi exibido pela primeira vez em agosto do ano passado no Festival de Veneza, passando pelo Golden Globe, SAG Awards, Bafta e em breve o Oscar. Os superlativos quase sempre impedem a construção de uma visão mais imparcial e o filme de Damien Chazelle tem o desafio de se dirigir a uma geração para a qual o musical é de difícil apreciação. Apesar de não ser o melhor do gênero, o filme de Chazelle consegue cumprir sua missão: entreter e arrancar de nós a vontade de crer que nossas vidas podem ser algo mais além do mundano. O filme tem outros atrativos, no entanto: Serve de um divertido cartão postal de Los Angeles, como um tour por lugares icônicos para a história de Hollywood. Em dado momento, Mia (Emma Stone) está conversando com Sebastian (Ryan Gosling) quando ela aponta para um prédio e revela “foi naquela janela que Humphrey Bogart e Ingrid Bergman” filmaram uma cena em Casablanca”. Em outro momento, o casal faz uma romântica visita ao planetário do Griffith Observatory (recriado em estudio, apesar das tomadas reais do exterior), o mesmo onde se passa parte da ação de “Juventude Transviada”, clássico de James Dean.

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               Mia abandonou a faculdade  e quer ser atriz enquanto Sebastian alimenta o sonho de ter um clube para tocar jazz, sendo ele um excelente pianista clássico, que possui um banquinho que – como o próprio afirma – pertenceu a Hoagy Charmichael grande nome do jazz. Ryan Gosling passou seis semanas aprendendo a tocar piano, conseguindo arrancar elogios do cantor e compositor John Legend, que aparece no filme como guitarrista da banda de Sebastian. O filme é cheio de referências, prato cheio para os que as reconhecerem a medida que a história segue o passar dos meses, representado pelas estações do ano.

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              As coreografias são dignas de elogio a começar pelo numero que abre o filme gravado sob um sol de 42ºC na auto-estrada de Los Angeles. O diretor se posicionou embaixo de alguns carros para dar instruções aos dançarinos e abre o filme mostrando que apesar dos constantes engarrafamentos da cidade, esta ainda pode inflamar o espírito e nos convencer ao ver a encantadora Emma Stone e o carismático Ryan Gosling dançando no alto de uma colina tendo os céus como cenário natural. Não perca seu tempo comparando “La La Land” aos musicais clássicos que homenageia. Tudo bem que Gosling e Stone não são Gene Kelly e Cyd Charisse e nem precisam. O cinema mudou, as plateias mudaram e os ícones serão sempre sagrados, exemplos a serem seguidos, a inspirarem jovens atores a fazer algo como Chazelle se arriscou. O roteiro é dele e foi escrito em 2010, antes mesmo dele dirigir “Whiplash – Em Busca de Perfeição” (2014) que curiosamente trazia no elenco J.K.Simmons que em “La La Land” faz o patrão descontente de Sebasitian.

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            Voltando aos recordes de premiações e indicações (14 para o vindouro Oscar), o filme faz juz a estas por justamente se propor de forma honesta a homenagear a arte cinematográfica, as belos pontos turisticos de Los Angeles, e a apostar na simplicidade de uma história que não guarda rebuscamentos, nem os promete. Mesmo o amor que nasce entre Mia e Sebastian é um clichê assumido, mas não o foco maior do filme, ao menos para mim, até mesmo o relacionamento de ambos serve a algo maior, a concretização do sonho de ser algo mais do que a vida parece impor. O escapismo pretendido se alcança com a certeza final de que Hollywood é – conforme Luçinha Lins cantou – um apaixonante sonho de cenário.

IN MEMORIAN: DEBBIE REYNOLDS

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O ANO DE 2016 ESTÁ SE ENCERRANDO DE FORMA CADA VEZ MAIS LAMENTÁVEL. DEPOIS DE PERDERMOS CARRIE FISHER, AGORA RECEBEMOS A NOTÍCIA DA MORTE DE SUA MÃE, A ATRIZ DEBBIE REYNOLDS. FAMOSA PELO PRINCIPAL PAREL FEMININO DO CLÁSSICO “CANTANDO NA CHUVA” (SINGIN’ IN THE RAIN) , O DA ASPIRANTE A ATRIZ E CANTORA KATHY SELDEN, QUANDO ENTÃO TINHA 2O ANOS. MARY FRANCES REYNOLDS (SEU VERDADEIRO NOME) NASCEU EM 1º DE ABRIL DE 1932 NO TEXAS E FEZ PARTE DA ELITE DE HOLLYWOOD. DESCANSE EM PAZ.

IN MEMORIAN : CARRIE FISHER

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ESTA É UMA NOTICIA QUE EU GOSTARIA DE NUNCA TER QUER POSTAR AQUI, MAS COMO TODOS JÁ DEVEM ESTAR SABENDO, PERDEMOS A ATRIZ CARRIE FISHER. APESAR DE MINHA TRISTEZA, NOSSA TRISTEZA, FICA PARA A ETERNIDADE O TALENTO DE UMA ATRIZ QUE MESMO VINDO DE UMA FAMILIA DE ARTISTAS, SENDO FILHA DE DEBBIE REYNOLDS (ATRIZ DO CLÁSSICO “CANTANDO NA CHUVA”) E DO CANTOR EDDIE FISHER, TRILHOU SEU PRÓPRIO CAMINHO SEJA COMO SEU ICÔNICO PAPEL DE PRINCESA LEIA ORGANA OU COMO ESCRITORA. SEU LIVRO “POSTCARDS FROM THE EDGE” NO QUAL NARRA SEUS CONFLITOS COM A MÃE FAMOSA VIROU O FILME “LEMBRANÇAS DE HOLLYWOOD” (1990)ESTRELADO POR MERYL STREAP E SHIRLEY MACLAINE. RECENTEMENTE PUBLICOU ” MEMORIAS DE UMA PRINCESA: OS DIARIOS DE CARRIE FISHER”, SEU OITAVO LIVRO, NO QUAL REVELA TER TIDO UM CASO COM HARRISSON FORD DURANTE AS FILMAGENS DE STAR WARS. RESPIRANDO POR APARELHOS DESDE SEXTA FEIRA PASSADA QUANDO FOI SOCORRIDA, CARRIE TEVE UMA SEGUNDA PARADA CARDIACA QUE A LEVOU DESSE PLANO. PARA MIM É COMO SE EU TIVESSE PERDIDO AQUELA NAMORADINHA DE INFÂNCIA, QUANDO AOS 19 ANOS ESTRELOU O PRIMEIRO FILME, ENTÃO CHAMADO DE “GUERRA NAS ESRELAS”, E EU COM 8 ANOS QUERIA SER HAN SOLO, EMPUNHAR UM SABRE DE LUZ COMO LUKE E BEIJAR A BELA PRINCESA QUE SALVOU AQUELA GALÁXIA HÁ MUITO MUITO TEMPO ATRÁS. SAUDADES FICAM E ANO QUE VEM SEU ULTIMO FILME, O OITAVO EPISODIO DE STAR WARS. QUE SUA PASSAGEM SEJA DE LUZ BELA PRINCESA. VOCÊ NOS DEU A FORÇA E ESTA JAMAIS A ABANDONARÁ.