CAPITÃES AMERICA

CA 77 - 01                     Algumas coisas sobre o Capitão América que nem todos conhecem: Ele não foi criado por Stan Lee, mas sim por Joe Simon & Jack Kirby. Datado de Março de 1941 (embora tivesse sido distribuído no final do ano anterior), a revista “Captain America” #1 foi publicada quase um ano antes do bombardeio japonês em Pearl Harbor que levou os Estados Unidos a entrar na Segunda Guerra. Também não foi o primeiro a explorar um caráter ufanista já que antes já havia sido publicado o herói “O Escudo” (The Shield) na revista “Pep Comics” #1, publicada vários meses antes, e que já trazia um uniforme baseado na bandeira norte-americana. Chris Evans não é o primeiro ator a viver o herói, e sim o quarto ator a personificá-lo.


Em 1944, um ano antes do fim da Segunda Guerra, Dick Purcell estrelou um seriado da Republic (Aqueles que eram divididos em 15 capítulos antes do filme principal) onde seu nome não era Steve Rogers, mas sim Grant Gardner, um promotor público. Seu uniforme não trazia as asinhas da máscara e empunhava um revólver em vez do vistoso escudo. Seu inimigo era o vilão Escaravelho, cuja identidade era conhecida do público para criar envolvimento da plateia. O orçamento do seriado “Captain America” (1944) era maior que as produções do gênero e foi o último trabalho de Purcell, que falecera de ataque cardíaco poucos meses depois de terminadas as filmagens. Essa versão é possível de ser encontrada em DVD. Demorou um longo tempo para uma nova adaptação, e mesmo nos quadrinhos o herói passou por um período de baixas. Com o fim do conflito mundial, os comunistas substituíram os nazistas como vilões, mas mesmo assim o gênero parecia cair em decadência até que o título do herói foi cancelado.

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Capitão America : Dick Purcell nos anos 40

Somente em 1964 em “Avengers” #4 que Stan Lee ressucitou o sentinela da liberdade substituindo o ufanismo do passado pelo anacronismo. Despertado de sono criogênico, Steve Rogers é um homem deslocado no tempo, representante de um ideal de liberdade utópico e com valores morais ultrapassados. Lee foi genial em trazer o herói em uma época em que a America perdia a inocência depois das mortes de Kennedy e Martin Luther King e, entrando a década de 70 em que teve um elogioso arco de histórias escrito por Steve Englehart e desenhado por Sal Buscema no qual enfrenta a organização “Império Secreto”, reflexo direto da década do escândalo de Watergate e da queda de Nixon.

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Capitão America na TV dos anos 70

Em 1979, a Universal gozava com o sucesso da série de Tv do Incrível Hulk, estrelado por Bill Bixby e Lou Ferrigno, uma adaptação inspirada no material impresso da Marvel, mas absolutamente livre das referências originais do personagem. Pensava-se em fazer o mesmo com o Capitão América e, assim a CBS levou ao ar dois filmes pilotos estrelados pelo ex jogador de futebol americano Reb Brown, então com quase 30 anos. Os telefilmes “Captain America” e “Captain America II – Death Too Soon” traziam Steve Rogers como desenhista publicitário sem nenhuma relação com o exército ou com a segunda guerra. Após sofrer em um atentado devido às relações de seu falecido pai com o governo, Steve tem a vida salva por um soro que lhe dá super força e velocidade. Seu uniforme parecia com o das HQs (ficou melhor no segundo filme) mas tinha dois detalhes: Sua máscara era composta por um capacete de motoqueiro e seu escudo era transparente. O resultado foi abaixo do esperado para justificar a produção de uma série, mas trazia um atrativo a presença do veterano Christopher Lee (Drácula) no segundo filme. Apesar do orçamento restrito, as cenas de ação conseguem empolgar e foram para os que como eu, assistiram na TV Globo quando criança, uma aventura no mínimo agradável. Na França o segundo telefilme chegou a ser exibido nos cinemas. Aqui no Brasil, foi pelo SBT.
Precisou de mais de dez anos para um novo filme. Nas HQs, Steve Rogers foi temporariamente trocado por outro quando se recusou a ser um operativo oficial do governo, e descobriu que seu arquiinimigo, o Caveira Vermelha, não apenas ainda vivia como ocupava um corpo clonado de Steve Rogers. Os autores Mark Gruenwald e Kyeron Dywer deixavam claro que, apesar do patriotismo inerente a sua identidade heroica, Steve Rogers se recusava a ser um peão do governo.

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Matt Salinger, Capitão America nos anos 90

Paralelamente, os produtores Menahem Golan e Yaram Globus realizaram uma nova adaptação do herói com pretensão de serem fiéis às HQs originais, dividindo o filme em duas épocas: Um prólogo na Segunda Guerra onde enfrenta o Caveira Vermelha e depois um salto no tempo para os anos 90 onde volta a enfrentar o Caveira Vermelha para salvar a vida do presidente dos Estados Unidos. O orçamento foi novamente abaixo do necessário para um resultado melhor, a nacionalidade do Caveira Vermelha passa a ser italiana com o canastrão Scott Paulin transformando-o em um gangster moderno. O papel do herói foi vivido por Matt Salinger, filho do escritor J.D Salinger (o autor de “O Apanhador no campo de centeio) e a direção ficou a cargo do fraco Albert Pyun. No Brasil, “Capitão America” nem chegou a ser lançado no circuito comercial, sendo diretamente lançado em VHS.
Chris Evans já apareceu como o herói em 5 filmes (o que inclui uma ponta em “Thor Mundo Sombrio”) desde 2011 e agora enfrenta seu maior desafio em “Capitão America :Guerra Civil”, uma história inspirada na polêmica mini-série escrita por Mark Miller em 2009. Nela, o governo promulga uma lei para obrigar qualquer super herói a revelar sua identidade secreta e acatar as ordens do governo se quiser agir. De um lado, o Homem de Ferro lidera aqueles que aceitam a imposição e, por outro o Capitão America lidera os que se opõem à medida que infringe os direitos civis e a liberdade de atuação. As implicações da história foram profundas no universo Marvel, e por isso mesmo estarão contidas no filme que se propõe a ser uma continuação dos eventos de “Soldado Invernal” (2014) e “A Era de Ultron” (2015) e ainda servir de ponto de partida para a fase 3 que se desenvolverá nos filmes da Marvel Studios. Escolha um lado e divirta-se. Cap fOREVER !!!!!

MISSÃO: IMPOSSÍVEL – ADEUS MR.PHELPS, OLÁ MR.HUNT

Assisti ao seriado “Missão: Impossível’ na Rede Bandeirantes no final dos anos 70. Foi hipnotizado pelo som do tema do musico argentino Lalo Schifrin que provoca tensão crescente a medida que um pavio de pólvora vai chegando a um explosivo fim. Se você acha que conhece a história, está enganado. A série de TV original, que estreou em setembro de 1066, girava em torno de uma equipe de contra-espionagem convocada para missões de alta periculosidade que o governo mantem como desconhecida. A partir daí, série e filmes não poderiam ser mais diferentes.

A SÉRIE ORIGINAL

A SÉRIE ORIGINAL

Criada por Bruce Gellar e gravada nos estúdios da Desilu (de Lucille Ball & Desi Arnaz) para a CBS, “Missão Impossível” era centrada em um trabalho de equipe. Apesar de liderada por Dan Briggs (Steven Hill na 1ª Temporada) e Jim Phelps (Peter Graves a partir da 2ª temporada), cada agente tinha sua especialidade e seu grau de importância dentro da história. A figura do líder foi trocada depois de constante insistência da CBS que não concordava com a escolha de Steven Hill para o papel. Além disso, Hill se recusava a trabalhar nos finais de semana pois, como Judeu ortodoxo, isso contrariava sua religião. A figura de Peter Graves ficaria eternamente associada à Missão Impossível ao longo de suas 7 temporadas, e mesmo 15 anos depois de seu cancelamento Graves voltou ao papel quando a série ganhou uma nova roupagem, ainda que breve.

A PRIMEIRA EQUIPE NA TV

A PRIMEIRA EQUIPE NA TV

Entre os agentes da IMF havia um mestre dos disfarces (Martin Landau, depois substituído por Leonard Nimoy), uum perito em eletrônica (Greg Morris), uma mulher sedutora (Barbara Bain, que era casada com Martin Landau, depois substituída por Leslie Ann Warren), um eficiente galã faz tudo (Peter Lupus) entre outros escolhidos de acordo com a missão e que acompanhavam as mudanças de temporada como Sam Elliot, Linda Day George, Lee Merriwether  e Barbara Anderson. Não havia, portanto, a figura de um super agente central nas tramas. Estes não possuíam passado, envolvimentos passional nem moralidade nas ações executadas. Todos os meios eram justificáveis para se concluir a missão, fossem meios legais ou ilegais. Não havia muita ação física, pois o foco era maior na tensão psicológica envolvendo os agentes e seus alvos, estes encurralados de tal forma que muitas vezes as intenções não eram muito claras. A série foi um marco na dramaturgia televisiva do gênero e foi tão impactante justamente porque nada igual existia no ar naquela época. Durante algum tempo vários projetos para adaptá-la na forma de longa-metragem naufragaram, ao menos até ter seus direitos comprados por Tom Cruise.

CENA MEMORÁVEL DO PRIMEIRO FILME DE 1996

CENA MEMORÁVEL DO PRIMEIRO FILME DE 1996

Entre o fim dos anos 80 e inicio dos anos 90, “Os Intocáveis” e “O Fugitivo”, duas séries de Tv extremamente populares haviam se tornado bem sucedidas adaptações para o cinema. Tom Cruise chamou Brian de Palma (diretor do primeiro) para comandar o filme “Missão Impossível” (1996), que veio a ser roteirizado por David Koepp e Robert Towne. Este, no entanto, transformou o que era um contra-golpe em um “One Man Show”, uma variação do super agente secreto tendo Ethan Hunt (Cruise) como uma variação de James Bond, único sobrevivente de sua equipe, eliminada durante missão na Embaixada de Praga. O que mais desagradou aos fãs da série original, no entanto, foi transformar Jim Phelps (Jon Voight) no vilão da trama. Peter Graves e Greg Morris, convidados a fazer uma aparição no filme, recusaram e repudiaram as mudanças no status quo de personagens icônicos.

O SEGUNDO FILME NA VISÃO POP DE JOHN WOO

O SEGUNDO FILME NA VISÃO POP DE JOHN WOO

Apesar disso, o filme tornou-se um sucesso de bilheteria, custando $80 milhões e faturando $180 milhões no ano de seu lançamento. A sequência de Tom Cruise  invadindo as instalações da CIA pendurado por cabos foi visualmente memorável e realizada com o próprio ator que usou moedas nas botas para equilibrar o peso e evitar de constantemente bater a cabeça. A trama confusa demais foi bastante criticada, e por isso, quando Cruise e sua sócia Paula  Wagner encomendaram uma sequência, quatro anos depois, decidiram por uma narrativa mais simplificada, calcada na mesma premissa de “Interlúdio’ (Notorious) do mestre Alfred Hithcock. Em “Missão Impossível 2” (2000) Ethan Hunt é enviado atrás de um agente renegado da IMF com ajuda de uma ladra charmosa (Thandie Newton) para evitar a dissiminação de uma arma biológica mortífera. Devido ao cronograma das filmagens, dirigida por John Woo, o ator Dougray Scott que fazia o vilão não pode aceitar o papel de Wolverine em “X Men-O Filme”, que acabou dando oportunidade para Hugh Jackman. A bilheteria ainda maior (em torno de $215 mihões)  não disfarçou o fato de que apesar de toda a ação frenética, o filme nada tem a ver com o espírito da série, sendo ainda mais evidente se tratar de um veículo para o estrelato de Tom Cruise.

O MELHOR FILME

O MELHOR FILME

Disposto que cada filme da franquia venha a ter um diretor diferente, Cruise chamou J.J.Abbrams para comandar “Missão impossível 3” em 2006. Abbrams atenuou a centralização na figura de Ethan Hunt e recompôs a dinâmica de grupo com os personagens de Jonathan Rhys Meyers, Kerri Russell (em papel primeiro oferecido a Scarlett Johansson) e Ving Rhames (o único membro da IMF a aparecer em todos os filmes da franquia. O roteiro de Robrto Orci & Alex Kurtzman recuperou em parte elementos da série na primeira metade, mas entrega no final toda a ação à figura de Hunt que precisa resgatar a amada das mãos do vilão Owen Davian (um excelente Phiilip Seymour Hoffman). O filme é superior aos dois primeiros justamente por recuperar o espirito da série, tendo J.J.Abbrahms convidado Martin Landau para uma participação especial no filme, mas este recusou. Apesar de bem sucedido para um filme de ação, foi a menor bilheteria da franquia com cerca de $134 milhões. Em 2011, Cruise veio com o melhor deles, justamente o quarto filme entitulado “Missão impossível: Protocolo Fantasma” , dirigido por Brad Bird (da animação da Pixar “Os Incríveis”). O roteiro colocava Tom Cruise como o chefe de uma equipe renegada da IMF, dissolvida depois de uma missão desasrosa no Kremilin. Definitivamente, havia algo mais similar a serie de Tv com a equipe de Hunt (Jeremy Renner, Paula Patton e Simon Pegg reprisando o papel que já havia aparecido no filme três) agindo na clandestinidade para evitar uma guerra nuclear. Mais $200 milhões de bilheteria garantiram a volta de Ethan Hunt para o quinto filme e um já anunciado sexto filme que prova que nada é impossível. Para quem, como eu, assistiu à série original não adianta comparar, os filmes de Tom Cruise até funcionam como entretenimento, mas estão longe da essência da série, que era muito melhor e cujos roteiros estavam acima do lugar comum do gênero, inteligentes, criativos, algo quase que impossível de se encontrar atualmente. Abaixo, veja a abertura original da série e conheça o que foi “Missão Impossível”, antes que esse blog se destrua automaticamente.