PLANETA DOS MACACOS – A SAGA

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     “Os maníacos ! Vocês finalmente explodiram tudo ! Malditos sejam !” Com essas palavras, em pungente ira, Charlton Heston protagonizou um dos desfechos de maior impacto no cinema, imaginado por Rod Serling e Michael Wilson na adaptação do livro de Pierre Boulle “O Planeta dos Macacos” (Le Planète dês Singes), publicado em 1963. O autor francês inverteu as leis darwinistas criando uma parábola crítica sobre as ações do homem como raça dominante. O produtor norte-americano Arthur P.Jacobs (1922/1973) vinha do insucesso comercial de “Dr.Doolittle” (1967) quando Serling deu o tratamento inicial para o roteiro e se interessou pelo projeto, que chegou a atrair a atenção de Blake Edwards (A Pantera cor de rosa). Como este roteiro, seguindo o original de Boulle, mostrava uma sociedade símia avançada com edifícios e automóveis, o que aumentava o orçamento. Foi aí que Michael Wilson, roteirista que havia trabalhado na adaptação de “A Ponte do Rio Kwai” (outro livro do mesmo autor), decidiu retratar o mundo dos macacos de forma mais primitiva, sem tecnologia moderna, reduzindo assim os custos substancialmente. Ainda assim vários estúdios recusaram o filme até que Jacobs conseguisse um acordo com Richard Zanuck, da Twentieth Century Fox. Isso foi possível depois que o nome de Charlton Heston (Ben Hur) fosse atrelado ao projeto, que ainda previa Edward G.Robinson como Dr.Zaius, mas o estado de saúde deste era delicado, e o papel foi para Maurice Evans. As extensas 4 horas de maquiagem foram um processo revolucionário criado por John Chambers, tendo sido premiada com o primeiro Oscar do gênero, antes que a Academia tivesse criado a categoria do gênero. O triunfo desta a levou ao livro Guiness de Recordes, e tornou-se um marco empregando a técnica de Chambers que aplicava um material emborrachado camada por camada para simular testa, cabelo, nariz e queixo progressivamente no rosto e, depois braços e mãos dos atores. O sucesso do filme fez renascer a ideia de sequências gerando mais 4 filmes, além de seriado de TV live action, animação, quadrinhos, invadindo todas as mídias. Depois de uma refilmagem desastrosa em 2001 por Tim Burton, a história foi reimaginada para o público. A saga símia originalmente iniciada em 1968 era mergulhada na guerra fria e na paranoia de uma hecatombe nuclear, enquanto que a segunda iniciada em 2011 usa a engenharia genética como o gatilho que levaria os símios à supremacia no planeta.

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Linha narrativa original:

1) O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes), 1968Dir: Franklin J.Schaffner. Com Charlton Heston, Roddy McDowell, Kim Hunter, Maurice Evans, Linda Harrison. Rodado em pleno verão norte americano, o filme já começa com tom crítico quando o astronauta George Taylor, monólogo de Charlton Heston, observa a fragilidade da natureza humana diante do infinito, questionando o porquê do homem ainda promover a guerra entre seus próprios irmãos. Sua queda a bordo da nave Ícaro simboliza a queda do homem tal qual o personagem da mitologia grega. O diretor Franklin J. Schaffner  entrou no projeto indicado por Charlton Heston, e conduz o filme brilhantemente ludibriando o público acerca do ponto em que homens e macacos divergiram na escala evolucionária. Roddy McDowell e Kim Hunter visitaram o zoológico para estudar o comportamento dos chimpazés, sendo que o papel da Dra Zira foi inicialmente pensado para Ingrid Bergman, que recusou o papel e mais tarde teria se arrependido.

2)De Volta ao Planeta dos Macacos(Beneath the Planet of the Apes) 1970 Dir: Ted Post. Com James Franciscus, Linda Harrison, Kim Hunter, Maurice Evans, David Watson, Natalie Trundy, James Gregory. Pierre Boulld não considerava “Planeta dos Macacos” seu melhor trabalho, mas escreveu um roteiro para uma possível sequência entitulada “Planet of the Men” continuando a história 14 anos depois com Taylor liderando a raça humana a recuperar seu domínio. O roteiro de Paul Dehn a principio previa que Taylor (Heston), Brent (Franciscus) e  Nova (Harrison) conseguiriam estabelecer uma co-existência pacífica entre homens e macacos. O astro Charlton Heston estava relutante em voltar ao papel de Taylor, e sugeriu o desfecho utilizado (sem spoilers para os que nunca viram o filme). Roddy McDowell não trabalhou nesse segundo filme, pois estava rodando “The Ballad of Tam Lin” na Escócia, e foi substituído por David Watson no papel de Cornelius. O filme repete a perseguição aos humanos fugitivos acrescentando humanos mutantes que adoram a uma bomba de nêutrons.

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3)Fuga do Planeta dos Macacos. (Escape from the Planet of the Apes)1971. Dir: Don Taylor. Com Roddy McDowell, Kim Hunter, Bradford Dillman, Natalie Trundy, Sal Mineo, Ricardo Montalban. O terceiro filme é bem superior que o segundo invertendo a premissa original: Cornelius e Zira voltam à São Francisco do passado e com isso acabam dando início aos eventos que levariam no futuro ao declínio da raça humana. Foi o último filme de cinema do ator Sal Mineo. A atriz Natalie Trundy aparece interpretando a veterinária que ajuda Cornelius e Zira. A atriz veio a se casar com o produtor Arthur P.Jacobs.

4)A Conquista do Planeta dos Macacos.(Conquest of the Planet of the Apes)1972   Dir: J.Lee Thompson. Com Roddy McDowell, Natalie Trundy, Ricardo Montalban. Curiosa reentrada na saga símia focado na figura de Cesar, o filho de Cornelius & Zira, interpretado pelo mesmo Roddy McDowell. Foi esse filme que serviu de ponto de partida para o reboot de 2011. Extremamente violento e pessimista, chegando por isso a ter a sequência inicial do script não filmada por mostrar um macaco sendo violentamente morto. A atriz Natalie Trundy assume o papel da chimpazé Lisa, seu terceiro papel na saga. Curioso é o fato de que o filme tornou-se um sucesso em pleno ciclo da blackexploitation quando a comunidade afro descendente se identificou com a luta de Cesar para libertar sua raça.

5) A Batalha do Planeta dos Macacos (Battle for the Planet of the Apes) 1973  Dir: J.Lee Thompson. Com Roddy McDowell, Natalie Trundy, Claude Akins, John Houston. McDowell e Trundy retornam aos papeis de Cesar e Lisa uma década após os eventos do filme anterior quando uma guerra nuclear destruiu a civilização humana. O tom mais leve do filme é sentido a medida que Cesar busca a verdade de sua origem. O produtor Arthur P.Jacobs morreu dias depois do lançamento desse filme, que ainda traz o diretor John Houston na figura do Legislador. Com a morte de Jacobs, a atriz Natalie Trundy, herdeira deste, vendeu os direitos da saga para a Twentieth Century Fox. Esta viria a produzir um seriado de TV em 1974 com Roddy McDowell novamente por trás da maquiagem de macaco, mas como um personagem diferente. O seriado foi muito popular no Brasil mas teve vida curta, com apenas 14 episodios. Ainda haveria na década de 70 um seriado em animação produzido pelo estúdio De-Patie Frelang (o mesmo do desenho da Pantera Cor de Rosa) e com o traço de Doug Wildey, o criador do clássico Jonny Quest. A excelente dublagem dessa animação teve as belas vozes de Andre Filho e Juraciara Diacovo, que fizeram juntos o seriado do “Casal 20”.

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O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes) 2001.  A refilmagem de Tim Burton foi um equívoco na tentativa de recriar o filme de 1968, mesmo tentando se aproximar mais do final do livro de Pierre Boulle. Apesar do bom elenco reunido e da maquiagem, o filme falha em imprimir o impacto da narrativa e seu subtexto metafórico.

Planeta dos Macacos : A Origem (Rise of the Planet of the Apes) 2011 Dir: Rupert Wright. Com Andy Serkis, James Franco, John Lightgow. Promissor reinicio da franquia com referências ao lançamento da nave Icaro ao espaço. Um primor técnico da era digital, o macaco Cesar torna-se o centro da narrativa e o talento de Andy Serkis, o ator que dera vida ao Smegal de “O Senhor dos Aneis”.

Planeta dos Macacos : O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes) 2014 . Dir: Matt Reeves. Com Andy Serkis, Gary Oldman. O filme se aprofunda na história de Cesar e sua luta para libertar seus semelhantes, mas acreditando em uma co-existência pacífica com os humanos sobreviventes do extermínio causado por um vírus na atmosfera. É melhor que o filme anterior graças ao equilibrio alcançado por Matt Reeves na condução de ação e drama.

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      No Brasil, a saga dos macacos sempre foi bastante popular incluindo a publicação de quadrinhos publicado pela editora Bloch na década de 70. A TV teve a popularização da figura de Socrates, o macaco crítico criado pelo humorista Orival Pessini e até mesmo uma paródia “O Trapalhão no Planalto dos Macacos” de 1976 que reunia pela primeira vez Mussum ao grupo de Renato Aragão e Dede Santana. O novo filme “Planeta dos Macacos –  A Guerra” encerra uma trilogia, mas certamente não é o capítulo final da saga. Esta se deixou uma mensagem após todo esse tempo é a de nos fazer refletir nossa postura, nossas ações no mundo com nossos semelhantes e com as demais espécies. O planeta é de todos.

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FATOS & FILMES: AGONIA& ÊXTASE – A PINTURA DA CAPELA SISTINA

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Hoje, 11 de Novembro completam 504 anos da abertura ao público da Capela Sistina com os afrescos pintados pelo mestre renascentista Michelangelo. Para o devido registro, um afresco é uma pintura feita sobre uma superficie com base de argamassa ou gesso. A obra foi encomendada pelo Papa Julius II ao artista que estava relutante em aceitar o serviço que veio a entrar pela história como uma das grandes obras primas artisticas, um legado da humanidade. Michelangelo não se enxergava como um pintor, e sim como escultor. A encomenda, no entanto, era um desafio além de ser bem paga pela igreja.

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A relação entre o artista e o Papa era muito conflituosa. Na época a figura do Papa era muito mais austera, com poder político incontestável , o qual Julius II usa para pressionar Michelangelo a concluir a encomenda , de representar no teto da Capela os episodios do livro do Gênesis. Esta foi construída bem antes, seguindo o estilo arquitetônico do Templo de Salomão, e batizada em homenagem ao Papa Sisto IV, que era tio de Julius II. O escritor Irving Stone passou meses em Roma para pesquisar tudo a respeito e teve acesso a cartas escritas pelo próprio Michelangelo. Com esse material, o autor escreveu o livro “Agonia & Êxtase”, publicado em 1959, e  seguido à risca pelo roteirista Philip Dunne que o adaptou para o cinema em 1965, com direção de Carol Reed.

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O filme realizado pela Twentieth Century Fox teve o orçamento em torno de US$ 10.000.000. A principio Spencer Tracy (O Médico & O Monstro, O Velho & o Mar) seria o Papa, papel que ficou com Rex Harrisson. Este se recusou a deixar crescer a barba como o verdadeiro Julius II. Já Charlton  Heston usou maquiagem para fazer seu nariz ficar mais parecido com seu personagem. Curiosamente, Heston e Harrisson tiveram um convivio nada amistoso durante as filmagens, o que seu diretor gostou de forma a reforçar a rivalidade entre os personagens. A capela foi recriada em estudio (Dinocitta em Roma) e teve uma cenografia e fotografia belíssimas  O filme é vigoroso graças a essa hostilização entre Heston e Harrisson, dois grande atores que se entregam a seus personagens.

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Apesar de ser um ótimo filme, este foi mal nas bilheterias arrecando nas bilheterias americanas apenas US$ 4,000.000. Ainda assim recebeu indicação a cinco Oscars (melhor figurino, melhor direção de arte, melhor som, melhor fotografia e melhor trilha sonora, a cargo de Alex North). Também foi indicado a dois Globos de Ouro. Eu assisti ao filme na Globo há muito tempo e adoraria ter a oportunidade de revê-lo, um exemplar de uma Hollywood que deixou marcas históricas.

 

ESTREIAS DA SEMANA : 18 DE AGOSTO

BEN HUR

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(Ben Hur) EUA 2016. Dir: Timur Bekmamtov. Com Jack Houston, Toby Kebell, Rodrigo Santoro, Morgan Freeman, Ayelet Zurer, Épico.

Há algum tempo atrás eu julgava virtualmente impossível que alguém ousaria refilmar a história do livro de Lew Wallace, publicado em 1880, e que já gerou outras versões, sendo esta a quarta e, a mais famosa a de 1959 dirigida por William Wyler, com Charlton Heston e Stephen Boyd nos papéis agora defendidos, respectivamente por Jack Houston (neto do diretor John Houston dando prosseguimento a uma dinastia nas telas) e o insosso Toby Kebell como Messala. A presença de Morgan Freeman como o Sheik Ildrim parece funcionar de forma a dar credibilidade maior a uma empreitada como essa: Refilmar um clássico da antiga Hollywood, para plateias mais voltadas para os filmes de super herois em um mundo em que a tecnologia parece ter se tornada a nova religião, longe dos valores de irmandade, perdão e cristiandade que formam a narrativa do filme. O diretor desenvolveu sua carreira em filmes como “O Procurado” (2008) e “Abbraham Lincoln – Caçador de Vampiros” (2013) onde a ação era o fio condutor das tramas. Em “Ben Hur”, há ação mas diluída por trás de uma mensagem de que a vingança nada traz a não ser a dor. A história para quem não conhece remonta o periodo entre o nascimento e a crucificação de Jesus Cristo (nosso talentoso Rodrigo Santoro) quando o príncipe Judá Ben Hur (Houston) é traído por seu irmão adotivo (no livro são apenas amigos) e condenado a ser escravo em Roma, destituido de sua fortuna e afastado de sua família. Judá sobrevive a todos as aflições e humilhações com o obetivo de voltar para se vingar. O filme de 1959 foi um campeão de Oscars (11) e trazia uma sequência final eletrizante com a corrida de quadrigas, que o público que jpa viu inevitavelmente comparará com o atual.

QUANDO AS LUZES SE APAGAM

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(Lights Out) EUA 2016. Dir: David F. Sandberg. Com Teresa Palmer, Alicia Vela-Bailey, Emily Alyn- Lind, Lotta Losten.  Terror.

Dirigido e roteirizado por David F.Sandberg adaptando um curta que o próprio realizou em 2013. O filme gira em torno de uma mulher e seu irmão que tem um medo enorme do escuro e passam a enxergar o fantasma de uma garotinha. Lotta Losten que foi a protagonista do curta aparece aqui em uma ponta.

MAKE & REMAKE : BEN HUR

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CAPA DA PRIMEIRA EDIÇÃO

Assisti “Ben Hur” pela primeira vez na Rede Globo por volta de 1984, dividido em duas partes. Claro me refiro à versão de 1959, estrelada por Charlton Heston. Sim, o filme é a terceira versão da história que agora chega a uma nova geração refilmada com todo o requinte da tecnologia digital e trazendo o desafio de agradar um público mais em sintonia com filmes de super heróis.

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GENERAL LEW WALLACE – O AUTOR

“Ben Hur : A Tale of the Christ” foi escrito por Lew Wallace (1827 – 1905), que foi militar tendo lutado na Guerra de Anexação do Texas e na Guerra de Secessão, além de ter sido governador do Novo México (1878 – 1881) , ministro e diplomata no Oriente Médio. O mais curioso é que Lewis Wallace (seu verdadeiro nome) era ateu e decidiu escrever o livro para provar que Jesus Cristo nunca existiu. Depois de minuciosa pesquisa, o autor se aprofundou tanto que não apenas mudou de ideia, como também se tornou um homem de fé, uma vez que no livro Jesus é retratado com teor religioso, e não apenas como um personagem histórico como nas próprias palavras do autor. A história do príncipe Judah Ben Hur corre em paralelo com a passagem de Cristo pela Terra, e por isso no livro, a figura de Jesus é muito mais frequente que no filme, retratando o messias desde seu nascimento com a chegada dos três Reis Magos até sua crucificação.O livro publicado pela primeira vez em 1880 foi um sucesso de vendas com sua narrativa detalhada ao mostrar a cultura dos povos judeu e árabe nos tempos da dominação romana no Oriente Médio. Outra diferença é que no livro Ben Hur torna-se tão poderoso e rico que chega a reunir um exercito para inovador Roma, mas desiste da ideia ao ser tocado pelas palavras de Cristo. No final da história, passa a proteger os seguidores de Cristo depois de ver sua mãe (cujo nome não é mencionado pelo autor) e irmã curadas milagrosamente da lepra.

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RAMON NOVARRO NA VERSÃO DE 1925

A primeira vez que a história foi adaptada foi em 1907 com Herman Rottger e William S.Hart (que foi cowboy em diversos filmes) nos respectivos papeis de Ben Hur e Messala. O filme de 15 minutos é um item raro para os cinefilos, tendo sido processado pela família de Wallace porque os realizadores simplesmente não se preocuparam em pagar pelos direitos de adaptação. Em 1925 a Goldwyn Pictures conseguiu os direitos e realizou, ainda no período do cinema mudo uma excelente versão da história e se tornando o filme mais caro do período ao custo de US$3,9 milhões, uma fortuna para a época. O filme dirigido por Fred Niblo (1874 – 1948) foi um triunfo técnico com 48 câmeras usadas para a sequência de batalha marinha filmada na Itália. O número de extras usados nas cenas de multidão também eram superlativo e incluía nomes que ficaram famosos nas telas como Clark Gable, Carole Lambord (Ambos se casariam posteriormente), Harold Lloyd, Joan Crawford, Gary Cooper, Mary Pickford, Myrna Loy, Lilian Gish, Douglas Fairbanks, Fay Wray (aquela mesma de King Kong), Lionel Barrymoore, Janet Gaynor entre outros. O papel de protagonista quase foi para as mãos de Rodolfo Valentino, mas ficou com o ator mexicano Ramon Novarro (1899 – 1968), que era gay na vida real e escondia o fato. Ben Hur foi o ápice de sua carreira, pois com a chegada do cinema falado, ele assim como outros tinham vozes horríveis que não combinavam com a figura física que projetavam. O papel de Messala ficou com Francis X. Bushman (1883 – 1966), que pode ser visto em dois episódios da clássica série de Tv “Batman” (aquela mesma com Adam West). Sua habilidade com a corrida de bigas (na verdade quadrigas, pois eram quatro cavalos) era real e superava Novarro. Conta –se que o ditador italiano Benito Mussolini odiava o filme por mostrar um judeu superando um romano. Em 1931, o filme de Niblo foi relançado nas telas com musica de fundo e efeitos sonoros.

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A CENA INIGUALÁVEL

Quando a Metro se fundiu a Goldwyn Picures criando a MGM (Metro Goldwyn Mayer), esta ganhou o direito de refilmar o livro de Lew Wallace. Como no final da década de 50, a industria cinematográfica se via ameaçada pelo surgimento da televisão, os estúdios investiam em grandes épicos e espetáculos que seduzissem o público. O produtor Sam Zimablist e o diretor William Wyler se uniram para uma nova adaptação, a primeira do cinema falado e chamaram Burt Lancaster para o papel principal. Este se recusou pois se dizia ateu, então Marlon Brando recusou e Rock Hudson se interessou mas não ficou com o papel que acabou indo para Charlton Heston. Seu antagonista ficou com o ator de origem irlandesa Stephen Boyd. O filme foi um marco da história do cinema ganhando o número recorde de 11 Oscars, só igualado mais de 40 anos depois por “Titanic” (1998) e “O Senhor do Aneis O Retorno do Rei” (2003). A corrida de quadrigas é um primor de técnica superior em todos os aspectos (duração de quase 20 minutos, movimentação e ângulos de câmera, edição) , filmada nos estúdios de Cinecittá em Roma durante cinco semanas e contando com 15 mil extras. Orçado em US$12,500 milhões, seu resultado de público e crítica salvou a MGM que atravessava período difícil então. Charlton Heston ficou marcado com personagens históricos tendo já interpretado Moises em “Os Dez Mandamentos” (1956) além de depois dar vida a personagens como El Cid, Michelângelo, Cardeal Richelieu entre outros.

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ENCONTRO COM JESUS

No Brasil, o filme foi lançado em Janeiro de 1960 e se tornou muito tempo depois muito popular com as reprises de Tv. Outro marco em sua história é de ser o único filme Hollywoodiano a falar de Jesus a ter sido aprovado pelo Vaticano. Segundo o site imdb, o escritor Gore Vidal introduziu na história a cena do brinde entre Ben Hur e Messala com intenção de sugerir um relacionamento homossexual. Cerca de oito anos depois, o ator Ramon Novarro, o antecessor de Heston no papel foi espancado até sua morte em sua casa por garotos de programa.

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O BRINDE

A história do General Lew Wallace ainda ganharia uma versão em desenho dublada pelo próprio Heston em 2003, e uma mini série de TV em 2010. O filme pode tocar cada um de muitas maneiras, mas não como negar que a saga desse herói é uma trajetória de fé e uma lição de perdão e perseverança para que cada um encontre seu Cristo interno, e uma aventura fascinante que o cinema reapresenta, revisita e repagina para uma nova geração.