ENTRE FACAS & SEGREDOS

      O filme é entrecortado por vários depoimentos e flashbacks de uma família moralmente disfuncional onde a mentira e a dissimulação é regra vital para garantir interesses financeiros. Plummer, o Capitão Von Trapp do clássico “A Noviça Rebelde”, aparece pouco mas ganha a atenção sua cumplicidade e amizade com a enfermeira Martha Cabrera (Ana de Armas). Esta faz um papel chave, mas o roteiro é tão bem escrito que as cenas são bem distribuídas para que Jamie Lee Curtis, Michael Shannon, Tony Collete e Chris Evans tenham passagens muito bem inseridas no mistério que se desenrola em três atos. Primeiro o crime cometido e os interrogatórios de Benoit Blanc seguem a estrutura de histórias como “Assassinato no Expresso do Oriente” e “Morte no Nilo” até a primeira hora quando Johnson subverte a estrutura narrativa e revela o assassino. A partir daí o filme mistura o suspense hitchcockiano com o clima da tele série “Columbo”, onde o criminoso, revelado somente aos olhos do público, procura apagar seu rastro, sendo implacavelmente perseguido pelo detetive. A medida que essa segunda parte se desenrola, temos uma mudança brusca de rumo quando Rhan Johnson retoma o clima das novelas de Agatha Christie em um criativo plot-twist que exalta a capacidade do cinema de ainda ser criativo não por romper com os clichês, mas por justamente não negá-los, brincando com estes. Assim, Johnson conseguiu resultado superior ao seu trabalho atrás das câmeras em “Star Wars: O Ultimo Jedi” (2017), que dividiu opiniões.

        O filme está merecidamente ganhando seu valor conquistando 3 indicações aos Globo de Ouro 2020, 3 indicações ao Critics Choice Award, além de outras honrarias. Dificil é imaginar quando poderíamos reencontrar Benoit Blanc já que uma segunda aventura seria bastante pertinente, bem vinda, e a prova que na literatura e no cinema o crime não apenas compensa, como diverte.

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VINGADORES: GUERRA INFINITA

            Leitores de quadrinhos foram conquistados pela continuidade no Universo Marvel quando a editora nasceu ainda na primeira metade da década de 60. A ideia de que eventos na história de um herói seriam conectados a eventos de outros ajudou a reforçar o tom dramático pretendido, além de prender a atenção do leitor. Reproduzir essa conexão em filmes sequenciados foi um desafio vencido pela editora, hoje um estúdio dos mais bem sucedidos, e agora prestes a entregar um dos mais aguardados filmes do gênero, que ajudou a consolidar na Hollywood moderna.

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           São mais de 60 personagens em cena (entre principais, coadjuvantes e participações especiais) reunidos em uma batalha épica que servirá de um longo epílogo para sua atual fase. Inicialmente anunciado como um filme dividido em duas partes, ao menos até que os irmãos Anthony e Joe Russo anunciaram que Vingadores 3 e 4 seriam filmes independentes porem interligados. O desafio dos diretores é manter a coesão em um elenco diverso, geralmente repleto de egos inflados, e a coerência com um total de 18 filmes iniciado há dez anos quando Jon Favreau ressuscitou a carreira de Robert Downey Jr entregando-lhe o papel de Tony Stark em “Homem de Ferro” (Iron Man). Ao final deste, a presença de Samuel L. Jackson como Nick Fury na primeira de várias cenas pós créditos que se tornaram marca registrada dos filmes da Marvel.  Como os personagens mais populares da editora já estavam sendo filmado por outros estúdios (Homem Aranha na Sony, X Men na Fox), a decisão foi aproveitar os outros heróis do catalogo e, na primeira fase, estes foram apresentados ao público, nos filmes “O Incrível Hulk” (lançado dois meses depois do filme de Jon Favreau), “Homem de Ferro 2”, já no ano seguinte, seguido de “Thor” e “Capitão América: O Primeiro Vingador” (ambos de 2011). Ao final deste, Steve Rogers desperta no mundo atual dando sinal verde para a reunião de todos em “Vingadores” (2012), hábilmente dirigidos por Joss Whedon. Mostrando que tudo era apenas uma pequena amostra do poder de fogo do estúdio, Whedon só encerra o filme depois que após os créditos surge a figura sinistra de Thanos como o arquiteto da batalha vencida pela equipe que ainda inclui em suas fileiras o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e o Hulk (Mark Ruffalo substituindo Edward Norton). Desde então o confronto com Thanos tem sido uma ameaça constante, mas velada a medida que o estúdio seguia deixando para trás uma série de adaptações mal sucedidas como o “Quarteto Fantastico” de Roger Corman ou o seriado do “Homem Aranha” nos anos 70, período cuja única exceção foi a série do “Incrível Hulk” com Bill Bixby e Lou Ferrigno.

Infinity-Gauntlet-600x400-im-des             A Marvel passou a colecionar sucessos com personagens desconhecidos do grande público como “Guardiões da Galáxia” (2014) e “Homem Formiga” (2015), além de construir trilogias individuais com Homem de ferro, Thor e Capitão América. Grande triunfo foi o acordo entre a Sony e a Marvel que permitiu que o Homem Aranha, seu herói mais popular, fosse integrado ao assim chamado “Universo Cinemático Marvel”, a partir de “Capitão América: Guerra Civil” (2016), e em seguida “Homem Aranha Volta ao Lar” (2016).  A venda da editora para a Disney só aumentou o poder de fogo dos heróis da editora, mesmo que desentendimentos com a Universal tenham impedido a realização de mais um filme solo do “Hulk”, fazendo do gigante verde uma espécie de coadjuvante de luxo de filmes como “Thor Ragnarok” (2017), sub aproveitando a trama da hq “Planeta Hulk” diluída no filme do Deus do Trovão.

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             A cada filme a trama tecida apontava um plano maior com as joias do infinito, artefatos de grande poder que reunidos em uma manopla, podem destruir o universo. O Tessaract é a joia do espaço, a primeira mostrada em “Thor” e em seguida “Capitão América: O Primeiro Vingador”; A joia da mente é a que foi entregue a Loki no cetro usado pelo vilão asgardiano em “Vingadores” (2012) e que foi depois usada para criar o sintozóide Visão em “Vingadores: A Era de Ultron” (2015); o éter de “Thor: Mundo Sombrio” (2013) é a joia da realidade, introduzida pouco antes da joia do poder em “Guardiões da Galáxia” (2014); e a joia do tempo é o olho de Agamotto apresentado em “Dr.Estranho” (2016). Falta apenas uma, a joia da alma, cujo paradeiro certamente será revelado agora com a chegada de Thanos na Terra.

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              A estratégia conduzida por Kevin Fiege, presidente da Marvel, foi aproveitar tramas oriundas dos quadrinhos, mesclando material clássico (a origem dos heróis, o robô Ultron, as joias do infinito) com histórias mais recentes (guerra civil, o soldado invernal) reunindo atores renomados para papeis periféricos (Anthony Hopkins, Michael Douglas, Cate Blanchett, Kurt Russell, Robert Redford) com talentos mais jovens (Chris Evans, Chris Hemsworth, Tom Holland, Benedict Cumberbatch, Chris Pratt) – incluindo claro a pedra fundamental do elenco, Robert Downey Jr cujo salário de 44 milhões coroa seu carisma diante do público que tem correspondido com devoção a cada sucesso do estúdio como o recente “Pantera Negra”, cuja bilheteria doméstica  já desbancou até mesmo filmes como “Titanic” (1998). Tendo em mente o orçamento milionário do novo Vingadores, este estará à altura da ameaça representada pelo vilão criado por Jim Starlin em “Iron Man #55” de 1973. Thanos é um alienígena de Titã, lua de Saturno, apaixonado pela morte e, que emprega todas suas ações homicidas com o propósito de agradá-la. Os confrontos com os heróis se seguiram por vários anos até atingir seu ápice em 1977, publicado pela primeira vez no Brasil, no título da Editora Abril “Grandes Heróis Marvel #1”, seis anos depois. O apetite genocida do vilão voltou quando este ressuscita em 1990 com a missão de apagar metade dos seres vivos do universo, e aí surge a ideia da manopla com as joias do infinito reunida em “Thanos: Em Busca do Poder” alcançando os poderes de um Deus, levando à mini-série “Desafio Infinito” de 1991, onde estão todas as ideias exploradas no roteiro deste terceiro filme dos Vingadores. Nos quadrinhos, Thanos só foi derrotado porque inconscientemente ele assim desejou terminando por se aliar aos heróis contra uma ameaça em comum nas sequências “Guerra Infinita” (1992) cujo plot é totalmente diferente do filme homônimo, e “Cruzada Infinita” (1993). Anos mais tarde novas histórias dariam prosseguimento à jornada do vilão em sua devoção à própria morte, que aliás é o significado de seu nome vindo do grego Thánatos.

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           O novo filme ainda aproveita outras fases dos heróis da editora como a nova identidade de Steve Rogers, que depois dos eventos de “Capitão América: Guerra Civil” deixou a barba crescer, largou o escudo e assumiu o codinome “Nômade”, refletindo o que herói fizera originalmente em 1974 nas páginas de “Captain America #180”. Nos quadrinhos Steve Rogers ainda abandonaria sua famosa identidade heroica outras vezes. Mortes são esperadas para esse capítulo, um desfecho arquitetado desde o começo dos estúdios Marvel, mudanças serão sentidas, mas certamente a chegada do filme representará um novo patamar para o filme de super herói, um que nem mesmo o criativo Stan Lee teria imaginado quando criou a primeira hq do “Quarteto Fantástico”, o título que iniciou a casa das maravilhas e que ainda demonstra fôlego para muito mais, que dez anos depois do primeiro Homem de Ferro é celebrado com toda a pompa e circunstância que faz dos Vingadores

TRAILLER: VINGADORES GUERRA INFINITA

A ESPERA É GRANDE, UM DOS MAIS AGUARDADOS DO ANO, ANUNCIADO DESDE O PRIMEIRO FILME DA EQUIPE EM 2012 QUANDO O VILÃO CÓSMICO THANOS SURGIU APÓS OS CRÉDITOS MOSTRANDO AO PÚBLICO O QUE ESTARIA POR VIR. AGORA É PRA VALER E MAIS DE 60 PERSONAGENS ESTÃO PARA PASSAR NAS TELAS, UM FEITO E TANTO PARA UM FILME DO GÊNERO, E ADMIRAVEL POR REUNIR SEMPRE EGOS INFLADOS. A HARMONIA DE CONCILIAR TUDO COUBE AOS IRMÃOS RUSSOS, QUE REALIZARAM UM DOS MELHORES FILMES DO MARVEL STUDIOS (CAPITÃO AMÉRICA SOLDADO INVERNAL) E, DEPOIS O CONFRONTO QUE DIVIDIU OS FÃS EM TIME CAP E TIME STARK (CAPITÃO AMERICA GUERRA CIVIL). O CLIMA É DE QUE MORTES OCORRERÃO, LÁGRIMAS SERÃO DERRAMADAS E TUDO PODE ACONTECER QUANDO HOMEM ARANHA, HULK, DR.ESTRANHO, VINGADORES E GUARDIÕES DA GALAXIA UNIREM FORÇAS PARA ENFRENTAR O FIM DE TUDO NO UNIVERSO. BASTA VER A CENA EM QUE O CAPITÃO PARA A MÃO DE THANOS AO FINAL DO TRAILLER PARA SE TER UMA IDEIA DO DELÍRIO QUE O FILME PROVOCARÁ NO PÚBLICO. A DC QUE SE CUIDE !!!!

TRAILLER: VINGADORES GUERRA INFINITA

Finalmente o aguardado trailler de “Vingadores Guerra Infinita” (Avengers Infinity War). O filme, que será lançado em 26 de Abril de 2018, trará o adiado confronto entre o vilão Thanos (Josh Brolin) e os heróis Marvel, não apenas os Vingadores, mas também o Dr.Estranho (Benedict Cumberbatch), Homem Aranha (Tom Holland) e os Guadiões da Galaxia. O clima apocaliptico anuncia a proximidade do fim do Universo Marvel nas telas iniciado em 2008 com o primeiro filme do Homem de Ferro. Ainda teremos “Vingadores 4” em 2019, mas não há como afastar um sentimento de pesar pela morte de personagens queridos, ainda especula-se quais apesar de ser esperado que ao menos Chris Evans (Capitão America) e Robert Downey Jr (Homem de Ferro) venham em um futuro próximo a se despedir de seus personagens já que seus contratos estão chegando a um fim. Veremos em breve.

CAPITÃES AMERICA

CA 77 - 01                     Algumas coisas sobre o Capitão América que nem todos conhecem: Ele não foi criado por Stan Lee, mas sim por Joe Simon & Jack Kirby. Datado de Março de 1941 (embora tivesse sido distribuído no final do ano anterior), a revista “Captain America” #1 foi publicada quase um ano antes do bombardeio japonês em Pearl Harbor que levou os Estados Unidos a entrar na Segunda Guerra. Também não foi o primeiro a explorar um caráter ufanista já que antes já havia sido publicado o herói “O Escudo” (The Shield) na revista “Pep Comics” #1, publicada vários meses antes, e que já trazia um uniforme baseado na bandeira norte-americana. Chris Evans não é o primeiro ator a viver o herói, e sim o quarto ator a personificá-lo.


Em 1944, um ano antes do fim da Segunda Guerra, Dick Purcell estrelou um seriado da Republic (Aqueles que eram divididos em 15 capítulos antes do filme principal) onde seu nome não era Steve Rogers, mas sim Grant Gardner, um promotor público. Seu uniforme não trazia as asinhas da máscara e empunhava um revólver em vez do vistoso escudo. Seu inimigo era o vilão Escaravelho, cuja identidade era conhecida do público para criar envolvimento da plateia. O orçamento do seriado “Captain America” (1944) era maior que as produções do gênero e foi o último trabalho de Purcell, que falecera de ataque cardíaco poucos meses depois de terminadas as filmagens. Essa versão é possível de ser encontrada em DVD. Demorou um longo tempo para uma nova adaptação, e mesmo nos quadrinhos o herói passou por um período de baixas. Com o fim do conflito mundial, os comunistas substituíram os nazistas como vilões, mas mesmo assim o gênero parecia cair em decadência até que o título do herói foi cancelado.

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Capitão America : Dick Purcell nos anos 40

Somente em 1964 em “Avengers” #4 que Stan Lee ressucitou o sentinela da liberdade substituindo o ufanismo do passado pelo anacronismo. Despertado de sono criogênico, Steve Rogers é um homem deslocado no tempo, representante de um ideal de liberdade utópico e com valores morais ultrapassados. Lee foi genial em trazer o herói em uma época em que a America perdia a inocência depois das mortes de Kennedy e Martin Luther King e, entrando a década de 70 em que teve um elogioso arco de histórias escrito por Steve Englehart e desenhado por Sal Buscema no qual enfrenta a organização “Império Secreto”, reflexo direto da década do escândalo de Watergate e da queda de Nixon.

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Capitão America na TV dos anos 70

Em 1979, a Universal gozava com o sucesso da série de Tv do Incrível Hulk, estrelado por Bill Bixby e Lou Ferrigno, uma adaptação inspirada no material impresso da Marvel, mas absolutamente livre das referências originais do personagem. Pensava-se em fazer o mesmo com o Capitão América e, assim a CBS levou ao ar dois filmes pilotos estrelados pelo ex jogador de futebol americano Reb Brown, então com quase 30 anos. Os telefilmes “Captain America” e “Captain America II – Death Too Soon” traziam Steve Rogers como desenhista publicitário sem nenhuma relação com o exército ou com a segunda guerra. Após sofrer em um atentado devido às relações de seu falecido pai com o governo, Steve tem a vida salva por um soro que lhe dá super força e velocidade. Seu uniforme parecia com o das HQs (ficou melhor no segundo filme) mas tinha dois detalhes: Sua máscara era composta por um capacete de motoqueiro e seu escudo era transparente. O resultado foi abaixo do esperado para justificar a produção de uma série, mas trazia um atrativo a presença do veterano Christopher Lee (Drácula) no segundo filme. Apesar do orçamento restrito, as cenas de ação conseguem empolgar e foram para os que como eu, assistiram na TV Globo quando criança, uma aventura no mínimo agradável. Na França o segundo telefilme chegou a ser exibido nos cinemas. Aqui no Brasil, foi pelo SBT.
Precisou de mais de dez anos para um novo filme. Nas HQs, Steve Rogers foi temporariamente trocado por outro quando se recusou a ser um operativo oficial do governo, e descobriu que seu arquiinimigo, o Caveira Vermelha, não apenas ainda vivia como ocupava um corpo clonado de Steve Rogers. Os autores Mark Gruenwald e Kyeron Dywer deixavam claro que, apesar do patriotismo inerente a sua identidade heroica, Steve Rogers se recusava a ser um peão do governo.

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Matt Salinger, Capitão America nos anos 90

Paralelamente, os produtores Menahem Golan e Yaram Globus realizaram uma nova adaptação do herói com pretensão de serem fiéis às HQs originais, dividindo o filme em duas épocas: Um prólogo na Segunda Guerra onde enfrenta o Caveira Vermelha e depois um salto no tempo para os anos 90 onde volta a enfrentar o Caveira Vermelha para salvar a vida do presidente dos Estados Unidos. O orçamento foi novamente abaixo do necessário para um resultado melhor, a nacionalidade do Caveira Vermelha passa a ser italiana com o canastrão Scott Paulin transformando-o em um gangster moderno. O papel do herói foi vivido por Matt Salinger, filho do escritor J.D Salinger (o autor de “O Apanhador no campo de centeio) e a direção ficou a cargo do fraco Albert Pyun. No Brasil, “Capitão America” nem chegou a ser lançado no circuito comercial, sendo diretamente lançado em VHS.
Chris Evans já apareceu como o herói em 5 filmes (o que inclui uma ponta em “Thor Mundo Sombrio”) desde 2011 e agora enfrenta seu maior desafio em “Capitão America :Guerra Civil”, uma história inspirada na polêmica mini-série escrita por Mark Miller em 2009. Nela, o governo promulga uma lei para obrigar qualquer super herói a revelar sua identidade secreta e acatar as ordens do governo se quiser agir. De um lado, o Homem de Ferro lidera aqueles que aceitam a imposição e, por outro o Capitão America lidera os que se opõem à medida que infringe os direitos civis e a liberdade de atuação. As implicações da história foram profundas no universo Marvel, e por isso mesmo estarão contidas no filme que se propõe a ser uma continuação dos eventos de “Soldado Invernal” (2014) e “A Era de Ultron” (2015) e ainda servir de ponto de partida para a fase 3 que se desenvolverá nos filmes da Marvel Studios. Escolha um lado e divirta-se. Cap fOREVER !!!!!

QUARTETO FANTÁSTICO : AS ORIGENS DO UNIVERSO MARVEL

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Em 1961, a HQ de super herói mais vendida era a “Liga da Justiça” da DC Comics. Martin Goodman, então editor chefe da rival Marvel Comics, encomendou a Stan Lee (que considerava seriamente se desligar do ramo) a criação de algo nos mesmos moldes. Lee copiou o formato mas recriou a essência, junto ao desenhista Jack Kirby (o co-criador do Capitão America): Fizeram do grupo de heróis uma família, lhes conferiu poderes baseados nos 4 elementos (terra, ar, fogo e água no caso da fluidez do Senhor Fantástico), desprezou a necessidade de identidades secretas ou máscaras, e – fugindo do maniqueísmo vigente – temperou seus personagens com qualidades e defeitos. Reed Richards (o Senhor Fantástico) é um gênio científico mas sisudo e pouco social, Sue Richards (a Garota Invisível) é uma jovem insegura, seu irmão Johnny Storm (O Tocha Humana, este o segundo personagem a ostentar a alcunha) é um jovem inconsequente e brincalhão e , finalmente o piloto Ben Grimm (o Coisa) que se tornou o personagem mais popular da equipe é um Golem moderno de bom coração mas amargurado por ter a aparência grotesca, um poder que não pode ser desligado ou voluntário.

Primeira edilçao de "Fantastic Four"

Primeira edilçao de “Fantastic Four”

A dinâmica do grupo, contudo, estava longe de ser harmoniosa. Como toda família, os integrantes discutiam, se desentendiam em meio à suas aventuras que iam além de apenas enfrentar o vilão malvado. Lee & Kirby fizeram de seus heróis exploradores de terras inóspitas, planetas alienigenas e dimensões paralelas. Cenários grandiosos saiam de suas mentes na mesma medida que uma profundidade psicológica os tornava fáceis do leitor se identificar. Mesmo seu maior inimigo, o Dr. Destino exibia sua natureza déspota e ambições shakesperianas de poder na mesma medida que um distorcido sendo de honra. Foram lançadas 100 edições de Stan Lee & Jack Kirby à frente do Quarteto Fantástico, em paralelo à criação de todo um universo interligado por outros personagens como Hulk, Homem Aranha etc.. que deram à década de 60 um frescor rejuvenescido para o mercado das histórias em quadrinhos. O que acontecia em uma história deixava raízes a serem desenvolvidas em outras, unificando aquela realidade como algo contínuo, fluído e cujas consequências se faziam ecoar à frente de outros títulos. Essa interação coletiva foi um legado que Lee & Kirby deixaram para as HQs que até hoje ainda é explorada e que o cinema procura emular quando se falar em “universo cinemático”.

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Depois da saída de Lee & Kirby, o título do Quarteto Fantástico mergulhou em marasmo até o início da década de 80 com a chegada do escritor e desenhista John Byrne. Este levou os personagens a um novo patamar, transformando a agora Mulher Invisivel na personagem mais poderosa da equipe, resgatando o espírito de ficção cientifica das primeiras aventuras da equipe, trocando o Coisa pela Mulher Hulk temporariamente, jogando um novo enfoque na abordagem da vilania de personagens como Dr.Destino e Galactus. Após a saíde de Byrne, diversos artistas tiveram a oportunidade de trabalhar com os heróis : Walt Simonson, Tom DeFalco, Carlos Pacheco, Jim Lee, Mark Miller, Mark Waid, Mike Wieringo e J.Michael Stranczinki. Em tempos mais recentes, o quarteto foi recriado em um universo alternativo chamado “Ultimate” com um Reed Richards retratado mais como um nerd do que um gênio da ciência. Elementos das duas versões: a clássica e o ultimate foram reaproveitados neste novo filme que, na verdade, é a terceira adaptação da equipe fantástica em forma de live-action. Conheças as anteriores :

Primeiro filme de 1994, nunca lançado nas telas.

Primeiro filme de 1994, nunca lançado nas telas.

Em 1994, Roger Corman produziu a primeira adaptação da HQ de Lee & Kirby, dirigido pelo desconhecido Oley Sassone com Alex Hyde White (Reed Richards), Rebecca Stabb (Susan Richards), Jay Underwood (Johnny Storm) e Michael Bailey Smith (Ben Grimm). O filme, de orçamento baixíssimo, nem chegou a ser lançado nas telas e segundo o próprio Stan Lee, em entrevista cedida tempos depois, o filme só foi feito por razões contratuais sem qualquer interesse de ser lançado no circuito comercial. O vilão era o Dr.Destino (Joseph Culp, filho do ator Robert Culp dos seriados de Tv “I Spy” e “Super Heroi Americano”), mas este estava por demais caricatural. Nada no filme funciona e nem mesmo o diálogo como, por exemplo, o Tocha Humana, em determinado momento, exclama “Santo Freud Batman !”. Alem disso, o filme era uma coleção de equívocos fosse no roteiro, na caracterização ou até mesmo nas leis da lógica, mostrando o Tocha Humana interceptando um raio laser, ou seja, mais rápido que a velocidade da luz.

Versão de 2005

Versão de 2005

Em 2015, a Fox, que havia adquirido os direitos de adaptação do “Quarteto Fantástico” foi bem sucedida com um orçamento em torno de US$100.000.000 e dirigido pelo pouco adequado Tim Story. O orçamento, no entanto, dava conta dos efeitos especiais para fazer de Ioan Gruffud o Senhor Fantástico, Jessica Alba a Mulher Invisivel, Chris Evans (antes de se tornar o Capitão America obvio) como o Tocha Humana e Michael Chiklis como o Coisa usando uma desconfortável roupa de borracha para simular o corpo rochoso de Ben Grimm. Julian McMahon (do seriado “Nip/Tuck”) ficou com o papel de Dr.Destino, novamente uma escolha não acertada para um vilão de grande importância nos quadrinhos Marvel.  Suas origens ciganas na região da Latveria (país fictício do leste Europeu) nem sequer são devidamente exploradas e suas motivações são simplificadas apenas como sendo inveja e sede de poder. Ainda assim, dois anos depois a Fox realizou a sequência “Quarteto Fantástico & O Surfista Prateado” com o mesmo diretor e elenco. O filme adapta a sequência de histórias publicada originalmente em “Fantastic Four” #48, #49 e #50 (1965-1966) mas descaracterizando Galactus, o ser que devora mundos. Ainda assim, o filme reserva um bom momento quando, no casamento de Reed e Sue, Stan Lee é barrado apesar de insistentemente dizer que ele é mesmo Stan Lee. Nas HQs o matrimonio aconteceu na edição “Fantastic Four Annual” #3 de 1965 e, tempos depois, o casal teve um filho.

Claro que há muita história a ser contada e pouco espaço que faça juz à importância desses heróis que lançaram as bases para o universo Marvel. Lamentavelmente, recentemente, a Marvel anunciou o cancelamento do título, uma obvia jogada de marketing ou uma medida para não estimular o filme da Fox, rival da Disney que hoje é a dona da editora. De qualquer forma, seja na forma de animações (várias foram feitas incluindo nos anos 60 pelos estúdios Hanna Barbera com arte de Alex Toth), filmes ou em qualquer mídia, o Quarteto tem potencial para novas explorações, novas aventuras, desafios que justifiquem o grito de guerra de  Ben Grimm “TÁ NA HORA DO PAU !”