ESTREIAS DA SEMANA: 29 DE MARÇO DE 2018

UMA DOBRA NO TEMPO

DOBRA NO TEMPO

(A WINKLE IN TIME) EUA 2018, DIR: AVA DUVERNAY. COM STORM REID, DERIC MCCABE, LEVI MILLER, REESE WINTHERSPOON, OPRAH WINFREY, MINDY KAILING, CHRIS PINE, MICHAEL PEÑA, ZACH GAILIFIANAKIS, DAVID OYELOWO. FANTASIA.

DOIS IRMÃOS (REID & MCCABE) PROCURAM PELO PAI DESAPARECIDO, UM CIENTISTA QUE INVESTIGA UMA NOVA FORMA DE VIAGEM ESPACIAL. ÀS CRIANÇAS DE JUNTAM O AMIGO ESQUISITO CALVIN (MILLER) E TRÊS MULHERES COM PODERES MÁGICOS (WINTHERSPOON, WINFREY & KAILING)

A CO-AUTORA DO ROTEIRO É JENNIFER LEE, QUE ESCREVEU AS ANIMAÇÕES “DETONA RALPH” (2012), “FROZEN” (2013) E “ZOOTOPIA” (2016), SENDO ESTE SEU PRIMEIRO TRABALHO LIVE-ACTION, TAMBÉM ASSINADO POR JEFF STOCKWELL DE “PONTE PARA TERABÍTIA” (2007) E “DISTRITO 9” (2009). OS DOIS AUTORES REALIZARAM A PRIMEIRA ADAPTAÇÃO DO ROMANCE INFANTO-JUVENIL DE MADELEINE L’ENGLE, JÁ TENDO HAVIDO UMA ADAPTAÇÃO PARA A TV EM 2003.

PARECE QUE A DISNEY MIROU EM UM FILME QUE FALASSE DE QUESTÕES BEM ATUAIS COMO O EMPODEIRAMENTO FEMININO ATRAVÉS DAS TRES BRUXAS (WINTHERSPOON, WINFREY & KAILING) E DAS QUESTÕES INTER RACIAIS, ESSAS AUSENTES NO LIVRO. O FILME CARREGA O MÉRITO DE SER O PRIMEIRO COM ORÇAMENTO DE NOVE DÍGITOS A SER DIRIGIDO POR UMA MULHER NEGRA, AVA DUVERNAY, QUE NOS TROUXE EM 2015 O ÓTIMO “SELMA – UMA LUTA PELA IGUALDADE” PROTAGONIZADO POR DAVID OYELEWO, QUE DÁ VOZ AO VILÃO DE “UMA DOBRA NO TEMPO”, UM TÍTULO CURIOSO PARA UMA HISTÓRIA QUE FALA DE VIAGEM NO ESPAÇO,.E NÃO DO TEMPO.

O FILME NÃO É REGULAR, CARREGANDO NOS CLICHÊS E SEU RITMO DEIXA A DESEJAR MAS A MENSAGEM PRETENDIDA ESTÁ LÁ: FORA COM O BULLYING E A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO PAI-FILHOS, O QUE MOVE A PLATEIA COM UMA TRILHA SONORA QUE INCLUI SADE E DEMI LOVATO, EM IMAGENS FILMADAS EM LOCAÇÕES NA NOVA ZELÂNDIA. EMBORA O FILME NÃO TENHA IDO BEM NA BILHETERIA, A DIRETORA AVA DUVERNAY PARECE ESTAR SENDO SONDADA PELA WARNER PARA ASSUMIR UMA ADAPTAÇÃO DA HQ “NOVOS DEUSES” CRIADA POR JACK KIRBY. AGUARDEMOS NOVIDADES A RESPEITO.

NADA A PERDER – CONTRA TUDO E POR TODOS

NADA A PERDER

BRA 2018. DIR: ALEXANDRE AVANCINI. COM PETRONIO GONTIJO, BETH GOULART, EDUARDO GALVÃO, ANDRÉ GONÇALVES. BIOPIC.

CINEBIOGRAFIA DO PASTOR EDIR MACEDO, LÍDER DA IGREJA UNIVERSAL DE DEUS E EMPRESÁRIO MIDIÁTICO (DONO DA REDE RECORD). O ROTEIRO ADAPTA A SUA AUTOGIOGRAFIA E NÃO POUPA ADJETIVAÇÃO PARA RETRATA-LO DE FORMA IDEALISTA, QUASE QUE MESSIÂNICA. O PROTAGONISTA É MOSTRADO COMO UM PREDESTINADO QUE DESPERTA SEGUIDORES COM A MESMA INTENSIDADE QUE COLECIONA INIMIGOS.

O FILME, DIRIGIDO PELO MESMO ALEXANDRE AVANCINI QUE FEZ “OS DEZ MANDAMENTOS” PARA A EMPRESA DE MACEDO, É NITIDAMENTE VOLTADO PARA ANGARIAR NOVOS SEGUIDORES, E REAFIRMAR A FÉ COMO UMA VERDADE ABSOLUTA. SE POR UM LADO A LIBERDADE DE EXPRESSÃO JUSTIFICA VÁRIAS DAS NUANCES MOSTRADAS, POR OUTRO ESTA MESMA LIBERDADE CAREÇE DA SUSTENTAÇÃO DE UMA REFLEXÃO QUE SERVISSE COMO O OUTRO LADO DO LIVRE ARBITRIO.

COMO FILME É CONVENCIONAL, E ÓBVIO NAS SUAS INTENÇÕES SERVINDO COMO PROPAGANDA RELIGIOSA  E NADA MAIS.

JOGADOR NÚMERO UM

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(READY PLAYER #1) EUA 2018. DIR: STEVEN SPIELBERG. COM TY SHERIDAN, OLIVIA COOKE, BEN MENDELSOHN,  SIMON PEGG, 

EM 2044, AS PESSOAS SE CONECTAM AO OASIS, UM MUNDO EM REALIDADE VIRTUAL CUJO CRIADOR MORRE DEIXANDO UMA FORTUNA. PARA DESCOBRÍ-LA É NECESSÁRIO PASSAR POR UMA SÉRIE DE FASES RECHEADAS DE ENIGMAS BASEADAS NA CULTURA POP DOS ANOS 80, O QUE O JOVEM WADE (SHERIDAN) DOMINA MUITO BEM.

O FILME RESGATA O PODER SPIELBERGUIANO DE CRIAR UMA FANTASIA QUE FALE PARA TODAS AS IDADES COM O GOSTINHO DAS REFERÊNCIAS AOS ANOS 80, DÉCADA DA QUAL O DIRETOR FEZ PARTE. BASEADO NO LIVRO DE ERNEST CLINE, O FILME LEMBRA UM POUCO A PREMISSA DE “A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE”, E O PRÓPRIO SPIELBERG TERIA CONVIDADO GENE WILDER (O WILLY WONKA ORIGINAL) PARA FAZER UMA PARTICIPAÇÃO, MAS ESTE DECLINOU DEVIDO AO SEU ESTADO DE SAUDE. O LIVRO DE CLINE É RECHEADO DE REFERÊNCIAS AOS FILMES DE SPIELBERG, MAS ESTE PEDIU QUE O ROTEIRO ELIMINASSE TAIS REFERÊNCIAS.

O FILME INTEIRO É COMO UMA SUCESSÃO DE EASTER EGGS, INCLUINDO “O ILUMINADO”, “DE VOLTA PARA O FUTURO”, “TOMB RAIDER” , “TRON” ETC…, O PROJETO MAIS DIFICIL DA CARREIRA DO DIRETOR DESDE “O RESGATE DO SOLDADO RYAN” NAS PALAVRAS DO PRÓPRIO.

 

 

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TRAILLER: UMA DOBRA NO TEMPO / MEDO PROFUNDO

UMA DOBRA NO TEMPO (A WINKLE IN TIME)

DO QUE SE TRATA? DOIS IRMÃOS PROCURAM PELO PAI DESAPARECIDO, UM CIENTISTA PERDIDO EM UMA OUTRA DIMENSÃO. NO ELENCO TEM CHRIS PINE, OPRAH WINFREY,  REESE WINTERSPOON E GRANDE ELENCO. O FILME É PRODUÇÃO DISNEY E ESTÁ AGENDADA PARA 29 DE MARÇO.

MEDO PRODUNDO (47 METERS DOWN)

DO QUE SE TRATA ? DUAS IRMÃS FICAM PRESAS NO FUNDO DO MAR CERCADA POR VÁRIOS TUBARÕES BRANCOS, COM POUCO AR PARA RESPIRAR E ISOLADAS DO SOCORRO DA SUPERFÍCIE. GRANDE SUCESSO NOS ESTADOS UNIDOS ANO PASSADO E CHEGA AO CIRCUITO NACIONAL COM ATRASO. JÁ ESTÁ CERTO CERTO UMA SEQUÊNCIA PARA BREVE QUE SERÁ FILMADA NO BRASIL. NO ELENCO: MANDY MOORE, CLAIRE HOLT, MATTHEW MODINE. ESTREIA EM NOSSOS CINEMAS EM 8 DE MARÇO.

CRÍTICA: MULHER MARAVILHA

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NÃO É EXAGERO: “MULHER MARAVILHA” É O FILME QUE A DC/WARNER PRECISAVA E O QUE OS FÂS QUERIAM. O ROTEIRO DE ALLAN HEINBERG E A DIREÇÃO DE PATTY JENKINS CONSEGUEM EXTRAIR O QUE HÁ DE MELHOR EM 76 ANOS DE HISTÓRIAS DESSA PERSONAGEM ICÔNICA CRIADA PELO DR. WILLIAM MOIULTON MARSTON. ENGOLI MINHAS PALAVRAS POIS QUANDO GAL GADOT FOI ANUNCIADA COMO A HEROÍNA REAGI COMO MUITOS COM REJEIÇÃO IMEDIATA. NÃO PODERÍAMOS ESTAR MAIS ERRADOS ENTÃO: O OLHAR DE GADOT TRANSMITE A INOCÊNCIA INICIAL DA PERSONAGEM EM SUA JORNADA NO MUNDO DOS HOMENS, MAS TAMBÉM SE CONECTA COM O PÚBLICO NA HORA DE MOSTRAR PORQUE É A DEFENSORA DE QUE O MUNDO PRECISA. A SEQUÊNCIA NO FRONT DE BATALHA VALE PELO FILME INTEIRO EM TERMOS DE AÇÃO. SUA QUÍMICA COM CHRIS PINE CONDUZ A NARRATIVA COM HUMOR EQUILIBRADO, ROMANCE E LUTA. O FILME É REDONDO, SEM FALHAS E PODE AGRADAR TANTO AOS LEITORES DE HQ COMO AOS QUE BUSCAM UM BOM ENTRETENIMENTO. DIVIDIDO EM TRÊS ATOS: A INFÂNCIA E TREINAMENTO NA ILHA DE THEMYCIRA, A CHEGADA EM LONDRES E O CHOQUE CULTURAL INERENTE, E FINALMENTE A BATALHA COM OS ALEMÃS. CADA CENA CONDUZ À OUTRA ENTREGANDO UMA HISTÓRIA QUE CONSEGUE SEGURAR O INTERESSE E ELEVÁ-LO ATÉ O ESPERADO CONFRONTO COM ARES, O DEUS DA GUERRA. O ANTAGONISMO MOSTRADO BEBEU DA FONTE DA FASE ESCRITA E DESENHADA POR GEORGE PEREZ QUE REAPRESENTOU A HEROINA PARA O PUBLICO LEITOR DOS ANOS 80, MAS TAMBÉM HÁ PASSAGENS NO ROTEIRO DA RECENTE FASE DE BRIAN AZZARELLO E CLIFF CHIANG. RECOMENDO E REAFIRMO, O FILME DE HEROINA DE QUE PRECISAVAMOS, COM A MENSAGEM EXATA DE O MUNDO JÁ VIVEU GUERRAS DEMAIS E AMOU DE MENOS. EM TEMPOS DE DONALD TRUMP. É BOM UMA HEROINA NOS LEMBRAR PELO QUE VALE A PENA LUTAR.

MULHER-MARAVILHA : DAS HQS PARA O MUNDO

            Poucos personagens dos quadrinhos se igualam ao histórico da Mulher-Maravilha, apesar dela não ter sido a primeira super-heroina das hqs. Já haviam aventureiras como “Sheena, a rainha da selva” (1937) do mestre Will Eisner e “Dale Arden”, a destemida namorada de “Flash Gordon” (1934) de Alex Raymond. Depois ainda viriam personagens como “Phantom Lady” da Quality Comics e “Black Cat” da Harvey Comics (ambas de Agosto de 1941). Contudo, estas embora tivessem tido um impacto em seu momento, não mantiveram uma repercussão contínua no meio. Muitas personagens femininas ficavam estereotipadas como a eterna moçinha em perigo, ou com um apelo apenas sensual para o público masculino. A mulher buscava uma papel mais relevante na sociedade: sufragistas defendiam seus direitos já nas primeiras décadas do século XX, em 1912 Jane Addams tornou-se a primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel da Paz, e na década de 30 Amelia Earhart abriu os horizontes com seus feitos. O mundo clamava por um símbolo capaz de guiar gerações de mulheres, e mostrar aos homens do que elas são capazes.

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A DEUSA DA VERDADE

                         Era Outubro de 1940, o psicólogo norte-americano William Moulton Marston (1893-1947) escreveu um artigo na qual reconhecia que os quadrinhos tinham um potencial educativo. Esse artigo chamou a atenção de Max Gaines, dono da All-American Comics, editora que anos depois formaria a DC comics. A proposta de Gaines era que Marston, criador de um componente que levaria à criação do polígrafo (o detector de mentiras),  atuasse como consultor, o que daria prestígio às suas publicações. Além disso, Marston era um ferrenho defensor da superioridade da mulher, bem como defensor de ideias muito à frente de sua época, como o sexo livre e a poligamia, tendo ele mesmo vivido com duas mulheres. Marston aceitou o cargo, e usando o pseudonimo Charles Moulton,  apresentou a proposta de um novo personagem que seria a essência de suas crenças e de seu trabalho: Uma heroína representante de uma sociedade matriarcal, as lendárias amazonas da mitologia.  Na história, a deusa Afrodite dá vida à uma estatueta de barro, esculpida por Hipólita, a rainha das Amazonas. Estas se isolaram do mundo dos homens há séculos na ilha Paraíso. Quis o destino que o piloto norte-americano Steve Trevor chegasse acidentalmente à ilha onde homens não poderiam permanecer ou as amazonas perderiam sua imortalidade. É feito um torneio para decidir qual das amazonas ficaria incumbida de levar Steve Trevor de volta e defender o mundo do patriacardo de um grande mal que ameaça a todos, no caso a ascenção do nazismo. A estreia da personagem foi em uma história secundária de 8 páginas publicada no título bimestreal “All Star Comics” #8, datada de dezembro de 1941, mesmo mês e ano do ataque japonês a Pearl Habor. Na capa os heróis da Sociedade da Justiça, primeira superequipe de justiçeiros uniformizados. No mês seguinte, a Mulher Maravilha já ganhava mais evidência ao aparecer na capa de “Sensation Comics” #1, com a arte de H.G.Peter mostrando a princesa amazona desviando as balas com seus braceletes, trajando as cores da bandeira americana em seu uniforme sexy de corpete amarelo e vermelho ostentando o desenho de uma águia e uma longa saia azul estrelada.

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O TÍTULO PRÓPRIO EM 1941

                 A heroína, em quatro meses, ganhou seu título próprio, e ao longo das décadas seguintes expandiu sua importância para muito além das páginas da Hq. Durante o tempo em que esteve à frente deste, Marston usou suas teorias sobre a emancipação da mulher,  e suas ideias de liberdade sexual e da independencia feminina, inserindo esses elementos nas histórias, o que diferençiava as aventuras da Mulher Maravilha dos outros heróis publicados na época. Era a figura de uma mulher que salvava o homem (Steve Trevor) do perigo, desafiava a truculência masculina e libertava-se dos grilhões impostos às mulheres. Era comum naquelas histórias imagens de mulheres amarradas ou acorrentadas, o que deixava sugerido ideias sobre perversão e masoquismo. Ainda assim a maior arma da Mulher-Maravilha era o laço de Héstia, um artefato místico que obrigava aqueles nele envoltos a falar somente a verdade. A intenção de  Marston era provar a superioridade feminina, e o visual da arte de H.G.Peter explorava como podia a sensualidade da princesa Diana sem, no entanto, jamais cair na vulgaridade. As vendas eram altas e Marston continuou no título até o número 27, quando ele morreu.

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CATHY LEE CROSBY NO PRIMEIRO PILOTO

              A personagem, no entanto, se manteve ininterruptamente publicada graças a uma cláusula no contrato de Marston com a National Periodic que determinava que se o título parasse de ser publicado, seus direitos reverteriam em definitivo para Marston e seus herdeiros. Em 1968, por exemplo, Diana foi privada de seus poderes divinos e tornou-se uma lutadora de artes marciais, mas 25 edições depois retomou seu status-quo. A heroína foi retratada em belíssimos traços pelo artista argentino Garcia Lopez nos anos 70, e na década seguinte o renomado George Perez que reinventou sua origem explorando a riqueza dos elementos da mitologia grega. Em seguida, vários artistas trabalharam com a personagem como John Byrne, o brasileiro Mike Deodato, Phil Jimenez, Greg Rucka, J.G.Jones e Brian Azzarello, cada qual mantendo vivo o legado de Marston.

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WILLIAM MOULTON MARSTON (SENTADO À ESQUERDA) – O CRIADOR

             Em 1967, o produtor William Dozier, que levou Batman para a Tv encomendou um piloto de 5 minutos entitulado “Who’s afraid of Diana Prince?”, com esta retratada como uma adolescente desajeitada, controlada pela mãe, e que se transforma em uma super-heroína, vivida pela desconhecida Ellie Wood Walker. O projeto não foi para frente, e os planos de uma versão live-action ficaram na geladeira até 1974 quando a ABC produziu “Wonder Woman”, estrelado por Cathy Lee Crosby e encenado no presente. Descaracterizada no piloto, a heroína não usa seu uniforme clássico, e nada em seu visual remete à personagem de Marston, sendo retratada apenas como uma espiã bem treinada (no estilo da fase marcial de Denny O’Neal publicada nas hqs no fim dos anos 60) e enfrentando o ameaçador Abner Smith (Ricardo Montalban).

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LYNDA CARTER – A MULHER MARAVILHA PERFEITA

    O fracasso do piloto não desanimou o produtor Douglas S. Cramer que em 8 meses fez um segundo piloto, “The New Original Wonder Woman”,  fiel às origens das hqs e estrelado pela ex Miss America Lynda Carter, que havia sido inicialmente recusada. Carter, então com 24 anos,  tinha os exatos traços da personagem das hqs e seu piloto agradou a audiência norte-americana.  A série ganhou 14 episódios pela ABC com a heroína vivendo suas aventuras durante a Segunda Guerra, e a partir de 1977, foi transferida para a CBS com as histórias passando para o presente. O sucesso durou até 1979, mas as reprises subsequentes fizeram a personagem extremamente popular, especialmente no Brasil onde a série da Mulher Maravillha foi inicialmente exibida pela Rede Globo, e depois TVS (atual SBT). A série teve vários momentos antologicos com passagens de astros de renome como o cowboy Roy Rogers, John Saxon, Robert Loggia, Roddy McDowell, Mel Ferrer e Debra Winger, que interpretou a Garota Maravilha, irmã de Diana, em dois episódios. Com o passar do tempo, o personagem Steve Trevor (Lyle Waggoner) foi ficando cada vez menos recorrente nas histórias, alimentando histórias de que este não mantinha uma relação amistosa com a atriz, embora Lynda Carter tenha sempre negado. Em 2011, uma tentativa de trazer de volta a Mulher Maravilha para a tv foi feita, sendo mal-sucedida, com a personagem vivida pela atriz Adrianne Palicki, e roteiro do renomado roteirista David E.Kelly.

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LYNDA CARTER & DEBRA WINGER

              A atriz Gal Gadot torna-se agora a nova responsável por mostrar a atual geração o ideal de uma personagem cuja importância já lhe conferiu, ainda que temporariamente, um cargo de embaixadora honorária das Nações Unidas, estampou a capa da revista feminista Ms por duas vezes, e ganhou  nos Estados Unidos um dia dedicado a ela, o “Wonder Woman Day” (3 de Junho).  Não há dúvida que o mundo está mais do que pronto para ela.

PARA FÃS: TRAILLER/MONTAGEM DE “MULHER MARAVILHA”

Enquanto não chega a estreia do filme solo da “Mulher Maravilha“, o site comicbook.com fez uma montagem com cenas do longa estrelado por Gal Gadot e Chris Pine, com a canção tema da abertura do seriado dos anos 70 da heroína. O resultado vocês podem conferir acima. Para quem  não conhece, a rede ABC, e depois a CBS, levaram ao ar entre novembro de 1975 e setembro de 1979, um popular seriado estrelado pela ex Miss Texas Lynda Carter. O seriado fez um enorme sucesso no Brasil ao longo das décadas de 70 e 80, exibido na Rede Globo e, depois, no SBT (na época TVS).

ESTREIA : STAR TREK SEM FRONTEIRAS

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Há sete anos  J.J. Abbrams recriou a franquia “Star Trek” para uma nova geração sabendo se conectar com décadas de cronologia que intimidava novos fans.  Mostrar os dias de Kirk, Spock e toda a tripulação original da Enterprise já havia sido considerado antes e Abbrams, vindo de bem sucedida carreira na Tv (Lost, Fringe), rejuveneceu não apenas os icônicos papeis da clássica série de Tv criada há 50 anos por Gene Roddenberry, mas uma das mais lucrativas sagas de ficção cientifica.

STAR TREK BEYOND

Star Trek Beyond†(2016) Left to right: Sofia Boutella (plays Jaylah) and Simon Pegg (plays Scotty)

Depois de dois filmes mergulhados na ação mas com um tom bastante sombrio, o terceiro filme dessa nova realidade resgata ainda mais o espírito aventureiro que marcou essa jornada pelas estrelas com o roteiro escrito por Doug Jung e Simon Pegg (o Scotty) que coloca a Enterprise atacada por uma espécie desconhecida liderada pelo implacável Krall (Idris Elba), um antagonista que não deixa nada a dever ao Khan de Benjamim Cumberbatch no filme anterior. O elenco ainda recebe reforço de Jay Lah (Sofia Boutella) – seu nome foi criado como referência a Jennifer Lawrence – uma guerreira albina que se alia a Kirk e Spock. O tom de ação é bem temperado com humor e até mesmo emoção sendo esse a despedida de Anton Yelchin, o Chekov,               que morreu recentemente em um trágico acidente de carro e Leonard Nimoy, Spock Prime, cuja ausência é profundamente sentida.

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Justin Lin, que dirigiu filmes da franquia “Velozes & Furiosos” faz um ótimo trabalho, seu primeiro no gênero, com um orçamento de US$ 185 milhões aprovado pela crítica. O filme não perde o fôlego ao equilibrar referências à série original como a nave USS Franklin sendo segurada por uma mão verde gigante, o que aconteceu no episódio “O Lamento por Adonis”  e a estação espacial Yorktown é o mesmo nome dado por Gene Roddenberry à nave que seria rebatizada depois de “Enterprise”. Até mesmo a nave USS Stargazer, a primeira nave do Capitão Jean Luc Picard de “A Nova Geração”, é mencionada. É sentida a ausência da Dra Carol Marcus (Alice Eve) que havia se unido à tripulação da Enterprise ao final do filme anterior. Nada e explicado ficando a impressão de que simplesmente preferiram se concentrar nos demais personagens e na recém chegada Jay Lah.

Mesmo não sendo um trekkie, “Star Trek :Sem Fronteiras” consegue ser uma divertida aventura no espaço que mantém a mensagem original da série: A de buscar o melhor da humanidade, uma utopia inspiradora que nos leva onde ninguém jamais esteve.

MULHER MARAVILHA : O PRIMEIRO TRAILLER

IGUALMENTE AGUARDADO É O FILME DA “MULHER MARAVILHA” (WONDER WOMAN) DIRIGIDO POR PATTY JENKINS TRAZENDO GAL GADOT COMO A HEROÍNA AMAZONA E CHRIS PINE COMO STEVE TREVOR. O TRAILLER EQUILIBRA AÇÃO E HUMOR E PROMETE SER TUDO O QUE OS FÂS DAS HQS QUEREM. O ESTUDIO PRETENDE UMA TRILOGIA QUE VENHA A EXPLORAR A RICA MITOLOGIA DA PERSONAGEM.

TRAILLER 3 : STAR TREK BEYOND

STAR TREK  BEYOND, BATIZADO EM PORTUGUÊS DE “STAR TREK – SEM FRONTEIRAS” ESTREIA NOS ESTADOS UNIDOS EM 22 DE JULHO, MAS NO BRASIL SO EM 1º DE SETEMBRO. EM BREVE AQUI NO BLOG CONFIRAM ARTIGOS EM COMEMORAÇÃO DOS 50 ANOS DE ESTREIA DA SÉRIE ORIGINAL NA TV.LAMENTAVELMENTE SERÁ O CANTO DE CISNE DO ATOR ANTON YELCHIN (O CHEKOV) QUE FALECEU HÁ UMA SEMANA EM UM TERRIVEL ACIDENTE. CONFIRAM AQUI NO BLOG O TERCEIRO TRAILLER DIVULGADO PELA PARAMOUNT COM TRILHA SONORA DA CANTORA RIHANNA.

ESTREIAS DA SEMANA – EM CARTAZ A PARTIR DE 18 DE FEVEREIRO

O BONECO DO MAL (The Boy) EUA 2016. Dir: William Brent Bell. Com Lauren Cohan, Diana Hardcastle, Rupert Evans. Terror.

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Jovem (a atriz Lauren Cohan de “The Walking Dead”) aceita emprego de babá em uma distante vila inglesa. Ao chegar, descobre que o garoto de quem deveria tomar conta é um boneco usado pelos pais como substituição do filho deles que morrera há tempos. Coisas estranhas começam a acontecer quando a babá erra em seguir as regras estabelecidas pelos patrões, que se ausentam da casa alegando sair de férias. O filme se desenvolve em torno dos clichês básicos de uma personagem sozinha em uma casa tomada por eventos sobrenaturais, mas se beneficia por tentar – ao menos – dar um direcionamento diferente do habitual (Chucky, Annabelle)  com direito à reviravolta súbita em determinado momento. Se consegue o efeito desejado já é outra coisa e depende de sua pré-disposição a dizer “me engana que eu gosto”. Os sustos virão a medida que as verdades vão surgindo. Pode se dizer que é criativo.

HORAS DECISIVAS ( The Finest Hours ) EUA  2016. Dir:Craig Gillespie. Com Chris Pine, Ben Foster, Casey Affleck, Eric Bana. Aventura.

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Baseado em fatos reais, narrado no livro “The Finest Hours”, escrito por Craig Sherman e Michael J. Touglas. Em 1952, dois navios petroleiros são atingidos violentamente por uma tempestade em pleno oceano Atlântico e ficam a mercê da força da natureza, precisando unir esforços para sobreviverem. Na vida real, 84 deles foram resgatados, mas não sobreviveram depois de salvos do mar. A produção conseguiu reuniu um bom elenco e desenvolve o roteiro de forma convencional.

O QUARTO DE JACK (Room) EUA 2015. Dir:Lenny Abrahamson. Com Brie Larson, Jack Fulton, William H.Macy, Megan Park, Joan Allen.  Drama.

quarto de Jack

O pequeno Jack, de cinco anos, vive recluso no quarto em que vive com sua mãe. Ele a questiona sobre sua realidade já que não conhece o mundo exterior. A verdade … não vou entregar aqui para quem não gosta de spoilers, esconde a coragem de uma mãe e seu sofrimento silencioso. Indicado a três Oscars : melhor diretor, roteiro adaptado (Emma Donaghue, a partir de seu próprio livro) e atriz (Brie Larson, que já ganhou no Golden Globe). O filme certamente vai  fazer chorar na mesma medida que provocar discussões.