SHAZAM ! A VOLTA DO CAPITÃO MARVEL ORIGINAL

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               Todos conhecem a palavra mágica: SHAZAM, mas poucos sabem que ele já foi mais popular dos heróis, que ficou no limbo após perder uma longa batalha judicial e que ele foi o primeiro a se chamar Capitão Marvel, muitos antes que a editora Marvel existisse. Ele renasceu nos quadrinhos, migrou para outras mídias e volta em um blockbuster para nos lembrar que é fácil virar um super-herói, basta estar ao alcance de um raio mágico.

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                 Foi com o lançamento de “Action Comics #1” pela National Periodics (atual DC Comics) que se iniciou a era de ouro dos quadrinhos. Talvez seja difícil para as pessoas de hoje, acostumados a tantos super-heróis, imaginarem o impacto daquelas páginas, iniciadas com um imponente homem erguendo carros por sobre a cabeça. Entre os vários personagens surgidos no rastro de vendas do Superman, disputando um lugar na fértil imaginação das crianças, o único que conseguiu rivalizar e superar nasceu da mente do roteirista Bill Parker e do desenhista C.C.Beck, estampando a capa de “Whiz Comics #2”, da editora Fawcett. Também arremessando um carro longe, o novo personagem não era um visitante de outro planeta, mas um menino transformado em um super-herói ao pronunciar o nome de um mago, que é o acrônimo de seis imortais e seus dons (a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio). Era fevereiro de 1940, um ano depois que Martin Goodman fundasse a Timely Comics (futura Marvel Comics), meses depois de iniciado o conflito na Europa. Billy Batson trabalha como locutor de rádio, e ao ser guiado por uma figura misteriosa até o mago Shazam torna-se seu escolhido para ser um campeão da justiça intitulado “Capitão Marvel”, depois que os editores descartaram a ideia inicial de chamá-lo “Capitão Trovão”. Em 1941, o Capitão Marvel tornou-se o primeiro super-herói a ser adaptado para o cinema, antes mesmo de “Superman” e “Batman”, vivido pelo ator Tom Tyler em “The Adventures of Captain Marvel”, um seriado dividido em 12 capítulos. Não demorou muito para que o herói, cujo rosto desenhado foi inspirado no ator Fred MacMurray, ganhasse mais espaço em novos títulos “Captain Marvel Adventures”, “Wow Comics”, “Marvel Family” e “America’s Greatest Comics”, e logo uma periodicidade quinzenal no auge de sucesso do personagem, vendendo tiragens muito superiores às do Superman.

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              Claro, que todo esse sucesso despertaria incômodos na concorrência, e a National Periodics processou a Fawcett por plágio. Afinal, haviam semelhanças inegável entre o homem de Krypton e o Capitão Marvel. Ambos com força e habilidades sobre-humanas (embora a princípio o Superman não voasse como o Capitão Marvel, apenas saltava grandes distâncias), o maior inimigo de ambos eram cientistas loucos, Lex Luthor contra o Superman e o Dr.Silvana contra o Capitão Marvel. Ainda assim, a popularidade do Capitão era inegável e seu apelo com o público leitor era uma afronta para a editora do Superman. Em dezembro de 1941 surgiu o Capitão Marvel Jr (Whiz Comics #25) e um ano depois Mary Marvel (Captain Marvel Adventures #18), que teve as feições inspiradas no rosto de Judy Garland, ampliando o conceito inicial para a formação da “Família Marvel”, e outros coadjuvantes chegaram ora como aliados ora como vilões como o Sr.Malhado (o tigre falante), o Sr.Cérebro, o Adão Negro (versão maligna do Capitão) entre outros. Em 1946, um milhão e meio de exemplares vendidos eram uma afronta para a concorrência e uma vitória para a Fawcett Comics, que ganhou o processo movido pela National Periodics.

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           Na início da década de 50, a publicação de quadrinhos de super heróis foi prejudicada pela caça às bruxas iniciada em meados da década anterior pelo psicólogo Dr.Fredrich Wartham, autor de “The Seduction of the Innocents” e os lucros caíram muito quando várias editoras, para sobreviver, se voltavam para outros nichos como histórias de guerra, policiais, cowboys e terror. A National recorreu e a Fawcett se viu com baixas vendas e sem recursos para continuar a se defender. Em 1953, a editora desistiu do Capitão Marvel, interrompendo sua publicação e pagando US$400.000 à editora do Superman. Curiosamente, no Brasil a RGE continuava publicando as aventuras do Capitão Marvel, e na falta de material novo produziu histórias novas com artistas brasileiros, incluindo um encontro não oficial entre o herói da Fawcett e o tocha Humana Original publicado no “Almanaque do Globo Juvenil” de 1964. Essa história é item raro de colecionador.

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          Em 1973, a agora renomeada DC Comics licenciou o Capitão Marvel junto a Fawcett relançando-o nas bancas. Contudo, Stan Lee havia criado um novo personagem com esse nome em “Marvel Super Heroes #12” (Dezembro de 1967) e, embora o nome pudesse ser usado no interior das histórias, o título da nova revista passou a ser apenas “Shazam”, publicado no Brasil pela editora Ebal. O material trazia os roteiros de Denny O’Neill para os desenhos do próprio C.C.Beck, e já começava com uma irônica capa que trazia o Capitão Marvel ao lado do Superman. A história revelava que nos últimos 20 anos (período em que os personagens não foram publicados) todos estavam congelados por uma invenção descontrolada do Dr.Silvana. À publicação desse material, a Ebal acrescentou nas páginas várias histórias originais dos anos 40. A Ebal ainda publicou em 1980 “Superman Vs. Shazam!”, levando para a fantasia a rivalidade que se instaurou entre as editoras de ambos. Essa rivalidade seria revivida muito mais tarde na mini-serie “O Reino do Amanhã” (Kingdom Come) de Alex Ross e Mark Waid onde Superman e o Capitão Marvel…digo Shazam, travam uma batalha de vida e morte.

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          Durante os anos seguintes o personagem voltou à mídia televisiva no seriado “Shazam!” com Michael Grey no papel de Billy Batson enquanto o Capitão Marvel foi vivido por John Davey, e depois Jackson Bostwick. O seriado, no entanto, nada tinha a ver com os quadrinhos, sem super vilões a combater, mas sempre com uma mensagem moralizante ao final. A Filmation produziu a série, que no Brasil foi exibida pela Globo e SBT. Recentemente foi divulgado que a série será relançada no serviço de streaming “DC Universe”. Ainda houve uma animação também da Filmation realizada em 1981.

           O personagem voltou a ser deixado de lado depois que a DC Comics reformulou seu universo em 1985. Seis anos depois a Dc comprou em definitivo os direitos do personagem e o relançou em 1995 na série “The Power of Shazam” com roteiros de Jerry Ordway que evocavam todo a glória do passado, mas que ainda o deixava como um anacronismo em meio à fase que a editora passava com tragédias como a morte do Superman, a queda do Morcego ou a transformação do Lanterna Verde em Parallax. A revista foi descontinuada após 50 números, mas o personagem ainda recebeu tratamento digno nos especiais “Shazam – O Poder da Esperança” (2000) e “Shazam e a Sociedade dos Monstros”(2003) . Só em tempos recentes com Geoff Johns o personagem foi reformulado na linha “Os Novos 52”. Foi esse material, que deixou de lado em definitivo o título “Capitão Marvel”, e que foi usado como base para o filme estrelado por Zachary Levi. A magia do personagem continua a encantar uma nova geração de leitores, que aprende a descobrir o herói que existe em cada um de nós, crianças e adultos, transformados ao som de um relâmpago mágico.

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AQUAMAN – HQS, CINEMA & TV

O REI DOS SETE MARES EM UMA SUPER PRODUÇÃO

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JASON MOMOA

Durante muito tempo Aquaman foi um dos heróis mais subestimados da DC Comics e, até bem pouco tempo atrás, poucos o levavam a sério com sua imagem sendo usada até mesmo em vinhetas humorísticas no Cartoon Network. Criado em Novembro de 1941 por Paul Norris e Mort Weisinger, o herói submarino foi inicialmente tratado como um personagem secundário publicado nas páginas de “More Fun Comics” em seus primeiros cinco anos, depois ficando encostado em “Adventure Comics” até 1961. Hoje estreando um filme próprio, com um visual mais arrojado, e destaque maior nas hqs, o personagem assumiu uma posição mais central no universo da DC Comics, reconquistando fãs, muitos dos quais ainda se lembrando do personagem chamado de “herói submarino” nos desenhos produzidos pelo estúdio Filmation (The Superman / Aquaman Hour), já exibidos pelo SBT.

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O HEROI NA ERA DE PRATA

      O atual Aquaman mescla elementos de duas fases distintas do herói: Na década de 90, o autor Peter David lhe deu uma postura mais agressiva com barba e um arpão no lugar de uma das mãos. Coube a David também explorar a mitologia do continente perdido de Atlântida, lar de Arthur Curry, o nome do personagem, fruto do amor de uma princesa do mítico reino aquático e de um homem da superfície. No período em que Peter David esteve à frente das histórias de Aquaman, este abandonou a imagem de um herói politicamente correto e assumiu uma atitude mais imponente, independente do trabalho em equipe na Liga da Justiça, grupo do qual tomou parte desde seu lançamento em 1960 (The Brave & The Bold #28), sendo esta inclusive a primeira vez que Aquaman apareceria na capa de uma hq desde sua criação. Outra fase essencial para a formação do novo status quo do personagem foi o período chamado de “Novos 52”, em que o autor Geoff Johns e o desenhista brasileiro Ivan Reis praticamente reinventaram o personagem, inclusive usando a seu favor o desinteresse do público que subestimava o personagem para criar histórias que aproveitassem ao máximo 60 anos de histórias. Johns e Reis desenvolveram os coadjuvantes, introduziram novos elementos em seu passado e conduziram os leitores a uma guerra com o mundo da superfície, até então, sem precedentes  no universo da editora DC Comics.

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O HEROI SUBMARINO DOS NOVOS 52

        Muitas mudanças acompanharam ao longo de sua publicação. Na era de ouro (1938 – 1946) o personagem era um entre vários do gênero, enfrentando principalmente piratas e vilões nazistas, bem adequado ao clima ufanista do período. Com o advento da era de prata (1956 – 1970), a DC Comics convencionou que haveria duas terras paralelas e vários personagens (The Flash, Lanterna Verde etc) foram recriados. Aquaman foi aqui batizado de Arthur Curry, ganhou um elenco de coadjuvantes, incluindo os parceiros mirins Aqualad e Aquamoça, a amada Mera, o conselheiro Vulko , e os vilões Arraia Negra e  Mestre dos Oceanos, sendo este o meio-irmão de Arthur com quem o herói disputaria o trono da Atlântida. Esta fase teve os roteiros de Robert Bernstein e a arte de Ramona Fradon, uma das primeiras mulheres desenhistas na época. A partir de 1962, Aquaman ganhou série própria com seu nome, e que duraria 9 anos de publicação contínua. Várias histórias desse período chegaram ao Brasil pela saudosa editora EBAL, do pioneiro Adolfo Aizen.

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A INSPIRAÇÃO PARA O VISUAL DE JASON MOMOA VEM DOS QUADRINHOS DE AQUAMAN DE PETER DAVID NA DECADA DE 90

       No título “Aquaman” (1969 / 1970), versão brasileira editora Ebal, o herói teve momentos emblemáticos como a parceria com Aqualad, confronto com o mitológico Netuno e até o casamento com Mera, uma princesa vinda de uma outra dimensão aquática. A partir de 1975 com a popularização do desenho da TV “Superamigos”, produzido pelo estúdio Hanna-Barbera, Aquaman passou a aparecer nas páginas de uma revista homônima, publicada entre 1975 e 1982, inicialmente em preto e branco, e depois a cores, em vários formatos. Apesar de ter poderes muito ligados ao mundo aquático, Arthur tem pele invulnerável, capacidade de sobreviver aos rigores das profundezas submarinas, força, agilidade e reflexos sobre humanos, além de telepatia que lhe permite se comunicar com os seres marinhos, justamente um dos poderes mais atacados por ”haters” que jocosamente questionam “por que falar com peixes? ”. No início dos anos 2000 o roteirista Rick Veitch ousou estabelecer uma ligação entre Arthur Curry, o Aquaman, e o lendário Rei Arthur das lendas medievais, incluindo a troca do arpão por uma mão mágica feita de água concedida pela dama do lago.

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AMBER HEARD, O DIRETOR JAMES WAN, JASON MOMOA E PATRICK WILSON

           Além de Jason Momoa que interpreta Aquaman pela terceira vez (Batman vs Superman, Liga da Justiça e o filme solo), o personagem já teve dois interpretes: Alan Ritchson o interpretou em episódios do seriado de TV “Smallville”, entre 2005 e 2010, animando a Warner Tv a produzir um episódio piloto intitulado “Mercy Reef” protagonizado por Justin Hartley, mas o piloto acabou recusado pelos executivos da época. Curiosamente, Aquaman também foi um filme fictício na segunda e terceira temporada de “Entourage” na HBO, pura paródia ! Absorvido pela cultura pop, o herói é constantemente mencionado no seriado “The Big Bang Theory”, aparece em animações e até mesmo em desenhos de Mauricio de Souza para o evento da “Comic Con Experience”. Que não se duvide da importância do herói, muito além dos fictícios sete mares da literatura ou dos reais 61 mares que cobrem 71% da Terra, e muito mais na imaginação fértil em quadrinhos ou em outras mídias, e que agora conferimos com todo o requinte de uma super produção que pode reerguer o prestígio da DC Comics nas telas.

GRANDE ESTREIA: OS INCRIVEIS 2

                   Quando “Os Incriveis” (The Incredibles) foi lançado, o chamado Universo Cinemático Marvel ainda não havia sido desenvolvido, embora já houvessem filmes do gênero bem sucedidos (Homem Aranha, X Men). Era uma questão de tempo que houvesse uma sequência, e quanto tempo !!! Brad Bird disse que só faria se tivesse uma boa ideia para explorar, e nesse meio tempo dirigiu “Ratatouille”(Oscar de melhor animação), “Missão Impossível: Protocolo Fantasma” e “Tomorrowland”, ao fim do qual finalmente assumiu a aguardada sequência das aventuras da família Pera.

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                A ideia para “Os Incriveis” veio à mente de Bird muito antes quando Brad tentava com dificuldade administrar seu tempo entre sua vida profissional e pessoal. Competente animador, Bird fez parte da equipe criativa de “Os Simpsons” durante suas primeiras oito temporadas e, mesmo com o fiasco de bilheteria de “O Gigante de Ferro” (The Iron Giant) em 1999, impressionou John Lasseter, o homem forte da Pixar. O roteiro de Bird foi criativo ao equilibrar ação e humor para mostrar uma família de super heróis proibida de usar seus poderes novamente devido ao prejuízo causado pelo rastro de destruição das batalhas travadas. Nessa realidade ser um super herói não tem nenhum glamour e a família Pera leva vidas monótonas no fictício subúrbio de Metroville. Pais de três filhos, a retraída adolescente Violeta e os meninos Flecha e Zezé que tem dificuldades de se inserir com crianças de sua idade. Bird conseguiu desglamourizar o gênero explorando o potencial de uma história que fala em como seria um mundo em que super heróis realmente existissem. Além disso a animação foi um triunfo da tecnologia dando à pele dos personagens humanos uma definição mais realista. Diferente das produções anteriores do estúdio, “Os Incriveis” foi o primeiro a ter protagonistas humanos tratando de temas como família, relação marido e mulher, morte e filhos hiperativos.

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               Claro que me meio a toda a diversão percebe-se referências obvias às histórias em quadrinhos. Da clássica Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons vem a ideia da realidade distópica em que a atividade dos heróis não é bem vista, e os personagens são claras alusões ao Quarteto Fantástico de Stan Lee e Jack Kirby, conseguindo diga-se de passagem obter um resultado melhor que os filmes do quarteto produzidos pela Fox. Os poderes da família incrível são reconhecíveis: O Sr. Incrivel é forte como o Superman, Violeta fica invisível, Flecha corre veloz, e a Mulher Elástica estica seu corpo além dos limites. Seu codinome, no entanto, gerou na época um problema pois já existe um Mulher Elástica nos quadrinhos da Dc Comics, membro da equipe Patrulha do Destino. A Pixar conseguiu um acordo onde o nome Mulher Elástica só seria usado no filme, enquanto nos matérias promocionais ela seria chamada de Sra Incrível. Entre os personagens destaca-se o vilão Síndrome que foi feito a partir das feições do próprio Brad Bird e a estilista Edna Moda dublada pelo próprio Bird, inspirada a partir de Edith Head que foi uma figurinista da clássica Hollywood, tendo trabalhado em filmes como “A Malvada” (1950) e “Golpe de Mestre” (1973) e tendo sido premiada com o Oscars por 8 vezes. Por último mas não menos importante para a história é o herói Gelado, melhor amigo do Sr Incrivel, e dublado originalmente por Samuel L.Jackson que já participou de vários filmes do Universo Marvel no papel de Nick Fury.

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               Se no primeiro filme o Sr.Incrivel é o foco da história, na continuação a Mulher Elástica protagoniza a trama, bem ao sabor do papel mais ativo das mulheres no mundo. O Sr Incrivel fica com a tarefa de cuidar dos filhos em casa, o que não é fácil principalmente com os vários poderes que Zezé, o mais novo, começa a manifestar. Mais uma vez não é ação desenfreada que mais importa, mas as relações familiares e os conflitos gerados pelo cotidiano de uma vida nada tão simples, e muitas vezes mais atribulada do que derrotar super vilões e salvar o mundo. “Os incríveis 2” é o filme mais longo da Pixar contando com 1 hora e 58 minutos, de acordo com o renomado site imdb. Sua história começa imediatamente após a conclusão do primeiro filme. Sendo o 20º filme do estúdio e quarto produto da Pixar a ganhar uma sequência, o filme seria lançado inicialmente somente em 2019 mas o cronograma adiantado deste levou os executivos a antecipar seu lançamento, deixando o também anunciado “Toy Story 4” para o próximo ano. Fiquem ligados nas várias referências e easter-eggs que se tornaram parte dos atrativos dos filmes da Pixar. Desta vez, estas incluem até mesmo os temas do clássico desenho “Jonny Quest” e da série de tv “Quinta Dimensão” dos anos 60.

               Certamente o sucesso será inevitável em meio ao cada vez maior número de filmes de super heróis que conquistam cada vez mais o público e a Disney sabe como explorar o filão, sendo a dona dos heróis Marvel. Já podemos garantir a pipoca e embarcar nessa diversão que vem sendo esperada há 14 anos. Quem sabe não teremos em breve também um MegaMente II? O mundo sempre precisa de heróis e nós de boa diversão, com o perdão da expressão obvia, simplesmente incrível !

CLÁSSICO REVISITADO : AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD – 80 ANOS

Houve uma época em que o cinema de aventura era representado por heróis espadachins. Estes fascinavam o grande público da mesma forma que hoje fazem os super heróis. Em vez de protagonistas voadores, vestindo armaduras tecnológicas ou de força sobrehumana, a Hollywood clássica tinha capa, máscara, chapéu e espadas. Um dos maiores filmes do gênero celebra a marca de 80 anos ainda com um frescor incomparável que o torna uma referência tanto em termos de cinema como na literatura da qual provem o ícone, ladrão ou rebelde, herói ou bandido, Robin Hood cujas aventuras foram imortalizadas no sorriso irônico e petulante de Errol Flynn.

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         O personagem que entrou para a história como aquele que rouba dos ricos para dar aos pobres nasceu na época dos grandes trovadores que narravam grandes feitos em cantigas passadas de geração a geração em uma época que remonta o século XIII d.c. O poema Piers Plowman de 1377 é o primeiro registro escrito da lenda, de autoria de William Langand. A referência ao herói é breve, através de rimas, mas o suficiente como prova de este existiu. A coletânea de histórias que divergem entre si desde então dificulta o trabalho de historiadores em determinar o que é fato e o que foi ficção na história de Robert Locksley, um nobre privado de suas terras pelo Príncipe John que usurpou o trono do Rei Ricardo Coração de Leão, enquanto este participou das cruzadas. Na floresta de Sherwood adotou o nome de Robin, sendo Hood uma referência a um tipo de chapéu com pena. Nottingham, a cidade inglesa em que se desenrola a história, hoje homenageia o herói com estatua, museu, passeio pelos locais citados pela lenda e até mesmo uma bandeira ostentando a silhueta do herói desde 2010. Na literatura, Alexandre Dumas (autor de “Os Três Mosqueteiros”) já escreveu dois volumes  intitulados “Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões” (de 1872) e “Robin Hood, o Proscrito” (de 1873). Dez anos depois o escritor e ilustrador americano Howard Pyle publicou “The Merry Adventures of Robin Hood of Great Renown in Nottinghamshire”, revistando os vários feitos que entraram para o cânone da história como a luta de bastões com João Pequeno, o torneio de arco e flecha entre outras. Maid Marian, o interesse romântico do herói, não aparece em nenhuma das cantigas originais da lenda, aparecendo pela primeira vez em versões mais tardias, desde o século XVII.

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            Normal que da literatura, o personagem fosse retratado posteriormente no teatro, e no cinema, começando por 1922 em “Robin Hood” estrelado por Douglas Fairbanks, que no período do cinema mudo incorporou vários heróis similares. Acreditava-se que esta pérola tivesse sido perdida mas foi redescoberto nos anos 60, sendo restaurado em 2009 pelo Museu de Arte Moderna. 16 anos depois a Warner e a MGM disputavam realizar a primeira versão falada, mas foi a Warner quem acabou levando a cabo sua realização. Convidaram Douglas Fairbanks Jr para o papel central, mas este não estava disposto a repetir os feitos de seu pai. Foi então que o papel ficou com Errol Flynn, então com 28 anos, vindo do sucesso estrondoso alcançado em fitas como “Capitão Blood” (1935) e “A Carga da Brigada Ligeira” (1936), ambos dirigidos por Michael Curtiz e co-estrelado por Olivia DeHavilland. Curtiz foi chamado pela Warner para concluir as filmagens de “As Aventuras de Robin Hood”, iniciadas por William Keighley cuja lentidão nas filmagens ameaçava inflar orçamento e atrasar seu lançamento que veio a acontecer em maio de 1938.

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              Curtiz e Flynn se odiavam e, segundo consta certa vez Flynn teria se ferido superficialmente quando um dos dublês, em cena de duelo, teria lutado sem a proteção na ponta da espada, isso sob ordens de Curtiz. Os duelos foram exímios e coreografados com perfeição sob a supervisão do especialista Fred Cavens, que também teria treinado Flynn e Basil Rathbone em “Capitão Blood”. Apesar de Flynn ter corpo atlético e de notável elasticidade para o manejo da espada, Rathbone era um espadachim superior em cena. A bilheteria do filme encheu os cofres da Warner e, além do público, a crítica deu sua benção ao filme que teve 4 indicações ao Oscar, levando 3 (melhor edição, trilha sonora e direção de arte). O elenco de coadjuvantes também brilhou: Claude Rains foi um odioso Príncipe John; Alan Hale repetiu o papel de João Pequeno que também fizera na versão de Fairbanks, e que repetiria anos depois em “O Cavaleiro de Sherwood” (1950), além do casal cômico Bess (Uma O’Connor) – aia de Maid Marian – e Much (último papel de Herbert Mundin) – um dos fiéis homens de Robin.  O filme é o perfeito exemplo do amor cortês, da luta do bem contra o mal, dos ideais de liberdade que ecoam em meio a uma autoridade abusiva, tudo que precisávamos e, ainda precisamos, como vítimas de um governo corrupto, tão opressor quanto a nobreza representada pelo Príncipe John (Rains) e seu braço direito Sir Guy de Gisborrne (Rathbone).

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             O filme foi um prodigioso roteiro equilibrando momentos cômicos com pura ação. Nos diálogos do roteiro de Norman Reilly Raine e Selton Miller momentos memoráveis como Robin (Flynn) dizendo “Normandos ou Saxões não importa, o que odeio é a injustiça”. A Warner chegou a cogitar fazer uma sequência, mas acabou não acontecendo. No entanto várias versões renovaram o ícone perante o público nos rostos de interpretes como Cornel Wilde, John Derek, Richard Greene, Sean Connery, Patrick Bergin, Kevin Costner, Russell Crowe, Mathew Porreta entre outros na Tv ou no cinema. Recentemente, Robin Hood foi um dos personagens explorados com sucesso na série da Disney “Once Upon a Time”, vivido por Sean Maguire. Robin Hood foi a fonte de inspiração para Mort Weisinger criar o herói das hqs “Arqueiro Verde” em 1941, que originou a série de sucesso “Arrow”que já está em sua sexta temporada. Claro que toda essa popularidade mostra deve muito àquele sorriso petulante, audaciosa e galanteador com que Errol Flynn conquistou a Marian de Olivia deHavilland (fizeram juntos 8 filmes) e marcou o cinema Hollywoodiano, mesmo 80 anos depois daquela flecha ter atingido um alvo, o coração dos amantes da aventura.

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HQCINEMA: LIGA DA JUSTIÇA

             A estratégia de reunir heróis já populares em uma equipe NÃO foi criação de Stan Lee, nem mesmo surgiu com o Universo Marvel. O mérito cabe a Gardner Fox (1911-1986), que em plena “Era de Ouro” como se convencionou chamar o período imediatamente após o surgimento do Superman, se aproveitou do bom relacionamento de sua editora de quadrinhos, a All-American,  com a National Periodical  para propor um título trazendo um grupo de heróis que se junta para enfrentar ameaças de grandes proporções, formando assim … A Sociedade da Justiça, publicada a partir de “All Star Comics” #3 (1940). O escritor novaiiorquino, que também criou o primeiro Flash, o Gavião Negro, e outros heróis, retratava nas historias da Sociedade o ufanismo inerente ao período com a equipe ligada às ordens do Presidente Franklin Roosevelt combatendo vilões megalomaníacos e espiões nazistas.

primeira aparição da Liga da Justiça

             A “Liga da Justiça” é o resultado do primeiro renascimento desses personagens, que haviam sido cancelados após a Segunda Guerra, mas que a partir de 1956 (Showcase #4) foram reimaginados por Fox. Depois de um novo Flash, um novo Lanterna Verde, a eles se juntaram versões rejuvenescidas de Superman, Batman e Mulher Maravilha criando o advento da Era de Prata do gênero. Novamente, Fox pensou em juntar os heróis em uma equipe, mas preferiu o termo “Liga”, uma alusão às populares equipes de baseball. Assim, três anos antes de Stan Lee lançar “Os Vingadores” pela Marvel, a capa da revista “The Brave & The Bold” #28 (Março de 1960), trazia a estreia da Liga com Aquaman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Flash e Caçador de Marte enfrentando Starro (uma estrela do mar gigante).Cinco meses depois o surpreendente resultado de vendas mostrou que o raio caíria novamente no mesmo lugar, e o time de heróis recriado por Gardner Fox ganha seu próprio título “Justice League of America”, com Superman e Batman aparecendo com menor frequência durante um bom tempo, mas incluindo gradativamente outros personagens como o Arqueiro Verde, Atom, Gavião Negro e promovendo, inclusive, um encontro entre a Liga e Sociedade (Justice League of America #21) que se tornaria tradição na DC Comics (nascida da fusão da National com a All American).

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             O traço de Mike Sekowsky(1923 – 1989) foi substituído por Dick Dillin (1928 – 1980) – o mais longevo dos artistas a trabalhar com os personagens – seguidos por George Perez, Don Heck, Kevin Maguire, Howard Porter, John Byrne e outros. A popularidade da Liga alcançou nível ainda maior quando, a partir de 1973, o estúdio Hanna Barbera produziu a série de animação para a Tv “SuperAmigos” (Superfriends) com tom mais infantil e moralizante, onde os heróis salvam o mundo além de dar lições de civilidade e humanidade, mesmo quando enfrentam a Legião do Mal, grupo de vilões que formam uma anti-Liga. Mais fiel às origens das HQs é a série animada produzida por Bruce Timm a partir de 2001 e que aproveita várias fases do grupo.

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            As primeiras tentativas de se fazer uma versão live action, no entanto,  resultaram em desastre. A primeira foi no especial de TV “Legend of the Super Heroes” de 1979, com o mesmo tom cômico da série de TV “Batman”, incluindo a presença de Adam West (recentemente falecido) e Burt Ward no papel da dupla dinâmica. A ridicularização inclui o Charada (Frank Gorshin) como psiquiatra tratando de um deprimido Shazam (Garret Graig) e um Gavião Negro (Bill Nuckols) retratado como um filho rebelde. Novamente a Tv arriscou usar a Liga em nova adaptação buscando como referência a fase em que a equipe ganhou status internacional, no final dos anos 80, com uma formação que pontuava mais o humor que a ação. O filme em questão de 1997 era uma tentativa de funcionar como piloto para uma série de TV pela CBS, reunindo Flash, Lanterna Verde, Atomo, Caçador de Marte, Fogo e Gelo, excluindo, portanto, a trindade Superman-Mulher Maravilha-Batman, que sempre foi carro chefe da editora. O resultado foi tão pífio que o diretor Lewis Teague foi chamado às pressas para salvar o projeto assinado pelo desconhecido Felix Alcala. O próprio Teague tratou de pedir que seu nome não fosse incluído nos créditos do filme. Uma produção mais digna da equipe foi inicialmente pensada para ser dirigida por George Miller (Mad Max) há algum tempo atrás, mas o projeto só foi materializado quando Zach Snyder ficou à frente da elaboração do Universo Cinemático da DC Comics. Claro que mais de 50 anos de aventuras guardam curiosidades por muitos desconhecidas como:

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  1. O Brasil já teve uma heroína como membro da Liga, a heroína Fogo, alcunha de Beatriz da Costa, heroína com poderes pirocinéticos. Dois desenhistas brasileiros já ficaram responsáveis por fases distintas do grupo como o paraibano Ed Benes e o paulistano Ivan Reis.
  2. Os elementos relacionados ao vilão Darkseid foram criados pelo icônico artista Jack Kirby (co-criador do Universo Marvel) quando este trabalhou para a DC Comics.
  3. A Liga e os Vingadores da Marvel já estrelaram uma aventura conjunta (Crossover entre as editoras concorrentes) publicado entre 2003 e 2004. Em formato de mini-série em quatro capítulos, a aventura foi escrita por Kurt Busiek e desenhada por George Perez, renomados artistas.
  4. Muitas fases do grupo tornaram-se clássicos como “O Prego” (2002) onde em uma realidade alternativa o Superman não existe, “A Nova Fronteira” (2004) onde a equipe é mostrada no contexto da Era de Prata em clima de Guerra Fria e Macartismo, “Crise de Identidade” (2007) onde um crime desenterra segredos obscuros dos integrantes, “Justiça” (2006) onde o traço realista do artista Alex Ross mostra a Liga confrontando a Legião do Mal, e “Reino do Amanha” (2003) também de Alex Ross mostrando a Liga em um futuro onde os heróis precisam reconquistar a confiança perdida.
  5. O autor de Best-sellers Brad Meltzer foi o responsável por elevar as vendas da Liga da Justiça acima dos 200 mil exemplares, tendo sido o autor também da miniserie “Crise de Identidade”, que antecedeu sua bem sucedida fase no título da equipe dividindo os creditos desta com o desenhista brasileiro Ed Benes.

                  Com tanto pode de fogo assim, espera-se que a estreia da Liga em uma superprodução do cinema possa apaziguar o público depois do resultado insatisfatório de “Batman & Superman A Origem da Justiça” e “Esquadrão Suicida”. O sucesso do filme solo da “Mulher Maravilha” já mostrou que os super heróis da DC Comics ainda podem oferecer diversão. Renovar os fãs conquistando uma nova geração que possa nos seguir, da velha guarda, para o alto e avante !!

 

 

 

CRÍTICA: MULHER MARAVILHA

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NÃO É EXAGERO: “MULHER MARAVILHA” É O FILME QUE A DC/WARNER PRECISAVA E O QUE OS FÂS QUERIAM. O ROTEIRO DE ALLAN HEINBERG E A DIREÇÃO DE PATTY JENKINS CONSEGUEM EXTRAIR O QUE HÁ DE MELHOR EM 76 ANOS DE HISTÓRIAS DESSA PERSONAGEM ICÔNICA CRIADA PELO DR. WILLIAM MOIULTON MARSTON. ENGOLI MINHAS PALAVRAS POIS QUANDO GAL GADOT FOI ANUNCIADA COMO A HEROÍNA REAGI COMO MUITOS COM REJEIÇÃO IMEDIATA. NÃO PODERÍAMOS ESTAR MAIS ERRADOS ENTÃO: O OLHAR DE GADOT TRANSMITE A INOCÊNCIA INICIAL DA PERSONAGEM EM SUA JORNADA NO MUNDO DOS HOMENS, MAS TAMBÉM SE CONECTA COM O PÚBLICO NA HORA DE MOSTRAR PORQUE É A DEFENSORA DE QUE O MUNDO PRECISA. A SEQUÊNCIA NO FRONT DE BATALHA VALE PELO FILME INTEIRO EM TERMOS DE AÇÃO. SUA QUÍMICA COM CHRIS PINE CONDUZ A NARRATIVA COM HUMOR EQUILIBRADO, ROMANCE E LUTA. O FILME É REDONDO, SEM FALHAS E PODE AGRADAR TANTO AOS LEITORES DE HQ COMO AOS QUE BUSCAM UM BOM ENTRETENIMENTO. DIVIDIDO EM TRÊS ATOS: A INFÂNCIA E TREINAMENTO NA ILHA DE THEMYCIRA, A CHEGADA EM LONDRES E O CHOQUE CULTURAL INERENTE, E FINALMENTE A BATALHA COM OS ALEMÃS. CADA CENA CONDUZ À OUTRA ENTREGANDO UMA HISTÓRIA QUE CONSEGUE SEGURAR O INTERESSE E ELEVÁ-LO ATÉ O ESPERADO CONFRONTO COM ARES, O DEUS DA GUERRA. O ANTAGONISMO MOSTRADO BEBEU DA FONTE DA FASE ESCRITA E DESENHADA POR GEORGE PEREZ QUE REAPRESENTOU A HEROINA PARA O PUBLICO LEITOR DOS ANOS 80, MAS TAMBÉM HÁ PASSAGENS NO ROTEIRO DA RECENTE FASE DE BRIAN AZZARELLO E CLIFF CHIANG. RECOMENDO E REAFIRMO, O FILME DE HEROINA DE QUE PRECISAVAMOS, COM A MENSAGEM EXATA DE O MUNDO JÁ VIVEU GUERRAS DEMAIS E AMOU DE MENOS. EM TEMPOS DE DONALD TRUMP. É BOM UMA HEROINA NOS LEMBRAR PELO QUE VALE A PENA LUTAR.

MULHER-MARAVILHA : DAS HQS PARA O MUNDO

            Poucos personagens dos quadrinhos se igualam ao histórico da Mulher-Maravilha, apesar dela não ter sido a primeira super-heroina das hqs. Já haviam aventureiras como “Sheena, a rainha da selva” (1937) do mestre Will Eisner e “Dale Arden”, a destemida namorada de “Flash Gordon” (1934) de Alex Raymond. Depois ainda viriam personagens como “Phantom Lady” da Quality Comics e “Black Cat” da Harvey Comics (ambas de Agosto de 1941). Contudo, estas embora tivessem tido um impacto em seu momento, não mantiveram uma repercussão contínua no meio. Muitas personagens femininas ficavam estereotipadas como a eterna moçinha em perigo, ou com um apelo apenas sensual para o público masculino. A mulher buscava uma papel mais relevante na sociedade: sufragistas defendiam seus direitos já nas primeiras décadas do século XX, em 1912 Jane Addams tornou-se a primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel da Paz, e na década de 30 Amelia Earhart abriu os horizontes com seus feitos. O mundo clamava por um símbolo capaz de guiar gerações de mulheres, e mostrar aos homens do que elas são capazes.

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A DEUSA DA VERDADE

                         Era Outubro de 1940, o psicólogo norte-americano William Moulton Marston (1893-1947) escreveu um artigo na qual reconhecia que os quadrinhos tinham um potencial educativo. Esse artigo chamou a atenção de Max Gaines, dono da All-American Comics, editora que anos depois formaria a DC comics. A proposta de Gaines era que Marston, criador de um componente que levaria à criação do polígrafo (o detector de mentiras),  atuasse como consultor, o que daria prestígio às suas publicações. Além disso, Marston era um ferrenho defensor da superioridade da mulher, bem como defensor de ideias muito à frente de sua época, como o sexo livre e a poligamia, tendo ele mesmo vivido com duas mulheres. Marston aceitou o cargo, e usando o pseudonimo Charles Moulton,  apresentou a proposta de um novo personagem que seria a essência de suas crenças e de seu trabalho: Uma heroína representante de uma sociedade matriarcal, as lendárias amazonas da mitologia.  Na história, a deusa Afrodite dá vida à uma estatueta de barro, esculpida por Hipólita, a rainha das Amazonas. Estas se isolaram do mundo dos homens há séculos na ilha Paraíso. Quis o destino que o piloto norte-americano Steve Trevor chegasse acidentalmente à ilha onde homens não poderiam permanecer ou as amazonas perderiam sua imortalidade. É feito um torneio para decidir qual das amazonas ficaria incumbida de levar Steve Trevor de volta e defender o mundo do patriacardo de um grande mal que ameaça a todos, no caso a ascenção do nazismo. A estreia da personagem foi em uma história secundária de 8 páginas publicada no título bimestreal “All Star Comics” #8, datada de dezembro de 1941, mesmo mês e ano do ataque japonês a Pearl Habor. Na capa os heróis da Sociedade da Justiça, primeira superequipe de justiçeiros uniformizados. No mês seguinte, a Mulher Maravilha já ganhava mais evidência ao aparecer na capa de “Sensation Comics” #1, com a arte de H.G.Peter mostrando a princesa amazona desviando as balas com seus braceletes, trajando as cores da bandeira americana em seu uniforme sexy de corpete amarelo e vermelho ostentando o desenho de uma águia e uma longa saia azul estrelada.

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O TÍTULO PRÓPRIO EM 1941

                 A heroína, em quatro meses, ganhou seu título próprio, e ao longo das décadas seguintes expandiu sua importância para muito além das páginas da Hq. Durante o tempo em que esteve à frente deste, Marston usou suas teorias sobre a emancipação da mulher,  e suas ideias de liberdade sexual e da independencia feminina, inserindo esses elementos nas histórias, o que diferençiava as aventuras da Mulher Maravilha dos outros heróis publicados na época. Era a figura de uma mulher que salvava o homem (Steve Trevor) do perigo, desafiava a truculência masculina e libertava-se dos grilhões impostos às mulheres. Era comum naquelas histórias imagens de mulheres amarradas ou acorrentadas, o que deixava sugerido ideias sobre perversão e masoquismo. Ainda assim a maior arma da Mulher-Maravilha era o laço de Héstia, um artefato místico que obrigava aqueles nele envoltos a falar somente a verdade. A intenção de  Marston era provar a superioridade feminina, e o visual da arte de H.G.Peter explorava como podia a sensualidade da princesa Diana sem, no entanto, jamais cair na vulgaridade. As vendas eram altas e Marston continuou no título até o número 27, quando ele morreu.

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CATHY LEE CROSBY NO PRIMEIRO PILOTO

              A personagem, no entanto, se manteve ininterruptamente publicada graças a uma cláusula no contrato de Marston com a National Periodic que determinava que se o título parasse de ser publicado, seus direitos reverteriam em definitivo para Marston e seus herdeiros. Em 1968, por exemplo, Diana foi privada de seus poderes divinos e tornou-se uma lutadora de artes marciais, mas 25 edições depois retomou seu status-quo. A heroína foi retratada em belíssimos traços pelo artista argentino Garcia Lopez nos anos 70, e na década seguinte o renomado George Perez que reinventou sua origem explorando a riqueza dos elementos da mitologia grega. Em seguida, vários artistas trabalharam com a personagem como John Byrne, o brasileiro Mike Deodato, Phil Jimenez, Greg Rucka, J.G.Jones e Brian Azzarello, cada qual mantendo vivo o legado de Marston.

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WILLIAM MOULTON MARSTON (SENTADO À ESQUERDA) – O CRIADOR

             Em 1967, o produtor William Dozier, que levou Batman para a Tv encomendou um piloto de 5 minutos entitulado “Who’s afraid of Diana Prince?”, com esta retratada como uma adolescente desajeitada, controlada pela mãe, e que se transforma em uma super-heroína, vivida pela desconhecida Ellie Wood Walker. O projeto não foi para frente, e os planos de uma versão live-action ficaram na geladeira até 1974 quando a ABC produziu “Wonder Woman”, estrelado por Cathy Lee Crosby e encenado no presente. Descaracterizada no piloto, a heroína não usa seu uniforme clássico, e nada em seu visual remete à personagem de Marston, sendo retratada apenas como uma espiã bem treinada (no estilo da fase marcial de Denny O’Neal publicada nas hqs no fim dos anos 60) e enfrentando o ameaçador Abner Smith (Ricardo Montalban).

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LYNDA CARTER – A MULHER MARAVILHA PERFEITA

    O fracasso do piloto não desanimou o produtor Douglas S. Cramer que em 8 meses fez um segundo piloto, “The New Original Wonder Woman”,  fiel às origens das hqs e estrelado pela ex Miss America Lynda Carter, que havia sido inicialmente recusada. Carter, então com 24 anos,  tinha os exatos traços da personagem das hqs e seu piloto agradou a audiência norte-americana.  A série ganhou 14 episódios pela ABC com a heroína vivendo suas aventuras durante a Segunda Guerra, e a partir de 1977, foi transferida para a CBS com as histórias passando para o presente. O sucesso durou até 1979, mas as reprises subsequentes fizeram a personagem extremamente popular, especialmente no Brasil onde a série da Mulher Maravillha foi inicialmente exibida pela Rede Globo, e depois TVS (atual SBT). A série teve vários momentos antologicos com passagens de astros de renome como o cowboy Roy Rogers, John Saxon, Robert Loggia, Roddy McDowell, Mel Ferrer e Debra Winger, que interpretou a Garota Maravilha, irmã de Diana, em dois episódios. Com o passar do tempo, o personagem Steve Trevor (Lyle Waggoner) foi ficando cada vez menos recorrente nas histórias, alimentando histórias de que este não mantinha uma relação amistosa com a atriz, embora Lynda Carter tenha sempre negado. Em 2011, uma tentativa de trazer de volta a Mulher Maravilha para a tv foi feita, sendo mal-sucedida, com a personagem vivida pela atriz Adrianne Palicki, e roteiro do renomado roteirista David E.Kelly.

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LYNDA CARTER & DEBRA WINGER

              A atriz Gal Gadot torna-se agora a nova responsável por mostrar a atual geração o ideal de uma personagem cuja importância já lhe conferiu, ainda que temporariamente, um cargo de embaixadora honorária das Nações Unidas, estampou a capa da revista feminista Ms por duas vezes, e ganhou  nos Estados Unidos um dia dedicado a ela, o “Wonder Woman Day” (3 de Junho).  Não há dúvida que o mundo está mais do que pronto para ela.

PARA FÃS: TRAILLER/MONTAGEM DE “MULHER MARAVILHA”

Enquanto não chega a estreia do filme solo da “Mulher Maravilha“, o site comicbook.com fez uma montagem com cenas do longa estrelado por Gal Gadot e Chris Pine, com a canção tema da abertura do seriado dos anos 70 da heroína. O resultado vocês podem conferir acima. Para quem  não conhece, a rede ABC, e depois a CBS, levaram ao ar entre novembro de 1975 e setembro de 1979, um popular seriado estrelado pela ex Miss Texas Lynda Carter. O seriado fez um enorme sucesso no Brasil ao longo das décadas de 70 e 80, exibido na Rede Globo e, depois, no SBT (na época TVS).

ESTREIAS DA SEMANA : 4 DE AGOSTO

ESQUADRÃO SUICIDA

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(Suicide Squad) EUA 2016. Dir:David Ayer. Com Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Carla Delavigne, Joel Kinnaman, Scott Eastwood, Adam Beech, Jared Leto. Ação.

A oficial do governo Amanda Waller (Davis) ordena a reunião dos piores criminosos do país para combater uma entidade maligna que pode destriuir o mundo. A premissa não é novidade em termos de cinema se lembrarmos de clássicos como “Os Doze Condenados”(1967), mas nas hqs ela foi usada antes (veja matéria publicada anteriormente). A ideia de compor a equipe com supervilões veio em 1986,  e funcionou gerando grande popularidade. A Dc Comics tem tido dificuldade para firmar seu universo cinemático, em parte porque a crítica especializada tem sido dura demais, e em parte devido a atitudes desastrosas da Warner. No caso, as críticas devastadoras a “Batman vs Superman” levou a Warner a remontar o filme e refilmar várias cenas de forma a acrescentar mais humor. A supervalorização dos bastidores do filme com noticias dos desatinos de Leto que teria incorporado o Coringa mesmo fora das filmagens. De qualquer forma, em filmes que trazem dinâmicas de grupo, raros são aqueles que conseguem desenvolver um equilibrio na trama capaz de valorizar todos os personagens e não é diferente dessa vez. A Arlequina rouba a cena, Viola Davis é ótima e não me surpreende que Jared Leto não tenha atingido a melhor das performances como Coringa depois de atuações marcantes como as de Heath Ledger e Jack Nicholson. Curiosamente o filme chega às telas no 50º aniversário da primeira encarnação do Coringa  vivido por um ator, no caso o célebre Cesar Romero na série de Tv do “Batman”. Como cinéfilo sempre suspeito dos extremos, seja os filmes aclamados ou os execrados. Talvez estejamos errando justamente por comparar, a Marvel e a Dc pois ambas tem erros e acertos. O orçamento de US$ 175 milhões é mais sóbrio que o de “Batman VS Superman” e justamente por não serem personagens com pretensões de serem baluartes de moral e altruísmo acrescenta algo novo ao gênero dos super herois, não inovador, apenas algo diferente do usual, mas que pode divertir sem gerar grandes pretensões. O público é claro que dirá. Atentem para a cena pós creditos envolvendo Ben Affleck e Viola Davis. No mais boa diversão.

A INTROMETIDA

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(The Meddle) EUA 2016. Dir: Lorena Scafaria. Com Susan Sarandon, Rose Byrne, J.K.Simmons, Casey Wilson, Laura San Giacomo. Comédia.

Mulher víuva decide se mudar para perto da filha em Los Angeles mas começa a interferir na vida dela até conhecer o vizinho da filha. O filme integrou o Festival de Toronto em 2015 e traz Susan Sarandon em elogiosa atuação. O filme mescla doses de drama e comédia e pode agradar ao público adulto.

UM NEGÓCIO DAS ARÁBIAS

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(A Hologram for the King) EUA 2016. Dir: Tom Twyker. Com Tom Hanks, Ben Whishaw, Tom Skerrit.

Adaptação do livro “Um Holograma Para o Rei”, de David Eggars, roteirizado e dirigido por Tom Twyker que foi autor do roteiro de “A Viagem” (Cloud Atlas) estrelado também por Hanks. A história gira em torno de homem de negócios que perdeu sua fortuna que pretende enriquecer de novo vendendo um holograma para um rei da Arabia Saudita.

ESQUADRÃO SUICIDA : NOSSOS VILÕES FAVORITOS

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Em tempos em que os heróis não são mais retratados como modelos de perfeição e que muitos valores são distorcidos nada mais natural que vilões assumam papel de destaque na preferência de fãs. No cinema, a ideia não é nova se lembramos “Os Doze Condenados” (1967) de Robert Aldrich em que um grupo de criminosos são reunidos para uma missão suicida nos idos da Segunda Guerra. Poucos sabem, inclusive, que o filme foi transformado em série de TV em 1988. Nas Hqs, a mesma premissa já havia sido empregada na revista “The Brave & The Bold #25” (1959). Essa edição, que na época custou meros 10 centavos, hoje vale mais de US$ 1,000. A história de Robert Kanigher e Ross Andru não trazia nenhum supervilão, mas condenados de alta periculosidade que, em troca de sua liberdade. Liderada pelo Capitão Richard Flag Sr, o pelotão assumia missões que destacavam o teor patriótico típico dos quadrinhos de guerra publicados na época.

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Quando os quadrinhos desse gênero começaram a perder espaço e popularidade, as aventuras da equipe seriam eventualmente descontinuadas. A ideia, no entanto, foi reformulada em 1986 quando a DC comics reformulou seu universo (pela primeira vez) na mega saga “Crise nas Infinitas Terras” (1985). A editora, movida por um espírito de reestruturação, publicou a mini-série “Lendas” (Legends) em que os heróis são desmoralizados publicamente e proibidos de atuarem por conta de um plano do vilão Darkseid. Os roteiristas Len Wein e John Ostrander escreveram o roteiro com desenhos de John Byrne e introduziram uma nova versão da equipe, liderada por Rick Flagg Jr e formada pelos supervilões Capitão Bumerangue, Arrasa Quarteirão, Magia, Tigre de Bronze e Pistoleiro. Sancionados em segredo por Amanda Waller, funcionária de alto escalão do governo, a equipe é reunida para lutar contra ameaças à segurança nacional durante o evento. Com o fim de “Lendas”, a equipe ganhou uma série própria publicada a partir de 1987. “Suicide Squad” (1987) começou com roteiros de John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel e durou  cinco anos com tramas que mesclavam espionagem com ação fantasiosa em sequências interligadas aos demais títulos da Dc Comics. Praticamente, todos os eventos da editora tinham interligação com o título do Esquadrão como “Milênio” (1988) centrada no Lanterna Verde ou “Invasão” (1989) em que uma armada alienígena decide dominar a Terra. Os integrantes da equipe também mudariam constantemente e vários vilões seriam recrutados de acordo com a natureza das missões. O Pistoleiro (Deadshot) se tornaria um dos mais populares assumindo posição de destaque e ganhando até uma mini-série própria em 1989.  A Arlequina só se juntaria ao grupo a partir do relançamento do título após o evento dos Novos 52 ,em 2013, que mais uma vez reformulou os heróis da editora.

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A personagem, que ganhou enorme popularidade nos anos 90, foi criada para o desenho de TV “Batman The Animated Series” de Paul Dini e Bruce Timm. Tendo trabalhado no Arkham Asylum como psiquiatra, a Dra Harley Quinzel tratou do Coringa, mas em vez de curar a insanidade do vilão, se apaixonou por ele e enlouqueceu. Incorporada à continuidade das HQs na edição “Batman: Mad Love” em 1994, a Arlequina tornou-se nas HQs um personagem mais independente do Coringa e parte ativa de várias aventuras do grupo em tempos recentes.

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O Esquadrão Suicida teve sua popularidade reacesa aparecendo no seriado “Arrow” e no jogo “Batman: Assault on Arkham”. Sua adaptação para o cinema certamente traz a equipe para o centro das atenções criando a oportunidade de criar novos fãs com uma cronologia menos complexa que no material original, mas ainda divertida ao mostrar que entre bravos e ousados, velozes e furiosos, a vilania e o heroísmo acabam sendo duas faces da mesma moeda. Nossos malvados favoritos das hqs  ainda têm muito fôlego para mostrar.

MULHER MARAVILHA : O PRIMEIRO TRAILLER

IGUALMENTE AGUARDADO É O FILME DA “MULHER MARAVILHA” (WONDER WOMAN) DIRIGIDO POR PATTY JENKINS TRAZENDO GAL GADOT COMO A HEROÍNA AMAZONA E CHRIS PINE COMO STEVE TREVOR. O TRAILLER EQUILIBRA AÇÃO E HUMOR E PROMETE SER TUDO O QUE OS FÂS DAS HQS QUEREM. O ESTUDIO PRETENDE UMA TRILOGIA QUE VENHA A EXPLORAR A RICA MITOLOGIA DA PERSONAGEM.

LIGA DA JUSTIÇA : 1º TRAILLER

TAMBÉM DIVULGADO NA SAN DIEGO COMIC CON O PRIMEIRO TRAILLER DO AGUARDADO FILME DA “LIGA DA JUSTIÇA” (jUSTICE LEAGUE) COM DIREÇÃO DE ZACH SNYDER. ESPERAMOS QUE NÃO SEJAM COMETIDOS OS MESMOS ERROS QUE NO RECENTE “BATMAN VS SUPERMAN : A ORIGEM DA JUSTIÇA”. ESTÃO NO TRAILLER BEN AFFLECK COMO BATMAN, EZRA MILLER COMO FLASH, GAL DADOT COMO MULHER MARAVILHA, JASON MOMOA COMO AQUAMAN ENTRE OUTROS. CONFIRAM.

BATMAN & SUPERMAN : AS ORIGENS DA JUSTIÇA

Batman vs Superman

Os super heróis das HQs formam o panteão olímpico da era moderna. Nascidos nas páginas de publicações populares inicialmente voltadas para o público juvenil, o gênero evoluiu, foi adaptado para diversas mídias, ganhou uma complexidade que acompanhou o crescimento do público leitor e hoje divide as atenções do grande público entre as produções da Marvel e os personagens da tradicional DC Comics que demorou para despertar. Depois do relativo sucesso de “O Homem de Aço”, a Dc Comics / Warner tinha alguns problemas : Apesar de bem sucedido, os filmes de Batman dirigidos por Christopher Nolan possuíam um tom mais realista e, por isso, destoante da noção de um “universo fantástico” povoado por seres de grande poder. Além disso, filmes como “Lanterna Verde” (2008) com Ryan Reynolds se tornaram grandes equívocos. Apesar da Dc Comics ter se firmado na TV, no cinema a Marvel ganhou um espaço enorme que foi mal aproveitado pela concorrente. A estreia de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” vem com a pretensão de preencher esse espaço, e dar o impulso para vários projetos com heróis como Mulher Maravilha, Aquaman, Flash, Lanterna Verde, Shazam e, claro, a Liga da Justiça, grupo que reúne os heróis DC, e que, na verdade, foi criado nas HQs antes mesmo dos “Vingadores”. A aposta é alta com orçamento astronômico, grandes nomes no elenco e com a participação de vários personagens conhecidos do público leitor.

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ALVORECER DOS SUPER HEROIS . Apesar de vários aventureiros e heróis, o personagem que foi o primeiro super herói a sair da imaginação para o papel foi o “Superman”, publicado em “Action Comics #’1” em 1938, criado pela dupla Jerry Siegel & Joe Shuster. A capa histórica com o herói erguendo um carro acima da cabeça cercado pelo olhar de assombro de pessoas é hoje um dos itens mais caros e raros do meio. Abriu caminho, pois depois de Clark Kent e seu alter ego surgiram diversos outros personagens com poderes fabulosos (Lanterna Verde, Flash e, inclusive o Shazam acusado na ocasião de ser um plágio do herói kryptoniano). Naqueles primórdios, o Superman não voava mas saltava por entre os arranha céus de Metropolis. “Batman” veio no ano seguinte em “Detective Comics #27” nascido do talento de Bob Kane & Bill Finger. O tom sombrio e gótico de sua cidade era repleta de personagens que compunham uma caricatura distorcida das debilidades humanas, diferente da radiante Metropolis das histórias do Superman.

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Os dois heróis foram um sucesso de vendas que logo os levou aos seus próprios títulos mensais. Na década de 40, Kirk Alyn viveu o homem de aço, enquanto Lewis Wilson vestiu a capa e a máscara do homem morcego, ambos em seriados da Columbia. No Brasil, os personagens chegaram na década de 40 graças aos esforços do editor Adolfo Aizen que os publicou na revista “O Lobinho”. Com o costume de traduzir os nomes, Batman foi chamado de Morcego Negro, Gotham City foi inicialmente chamada de Riacho Doce e Bruce Wayne ficou como Bruno Miller, enquanto Clark Kent foi batizado de Edu. Claro que pouco tempo depois as traduções foram abandonadas e substituídas pelos nomes originais.

Nas HQs o apelo de ambos com o publico leitor era enorme, dividindo preferências entre o público leitor. Apesar de possuírem naturezas distintas, cada um é ambíguo à sua própria maneira. O Superman não é humano mas prefere se passar por um e viver por trás dos óculos do repórter Clark Kent. Já Bruce Wayne não passa de uma máscara para esconder a eterna busca de vingança de um homem. Naturezas tão dicotômicas foram um prato cheio para os artistas dos quadrinhos. Contudo, no início do Universo DC os dois compartilhavam uma amizade desde sua primeira história juntos publicada em “Superman #76” (1952) onde Clark Kent e Bruce Wayne encontram-se a bordo de um navio. As expressivas vendas levaram ao título “World’s Finest” lançado ainda no início da década de 40 com os dois heróis sempre juntos na capa, mas atuando em histórias separadas. A partir da edição #71 os heróis formaram uma parceria que se estendeu por décadas. Apesar de algumas histórias em que os heróis se desentendiam ou em que um dos dois era controlado mentalmente, os leitores tinham ambos como superamigos. Em uma história bizarra publicada em ___ os editores chegaram a criar em 1964 o “Superman Composto”, um ser metade Batman e metade Superman.

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PÓS CRISE & PÓS MILLER. Em 1985, a Dc Comics  fez um reboot em seu universo de heróis com a saga “Crise Nas Infinitas Terras”, de Marv Wolfman & George Perez. Depois disso, coube a Frank Miller e John Byrne recontar a origem desses heróis. A relação entre estes passou a ser de respeito mútuo mas não de amizade. Antes disso, Miller já havia reformulado o futuro com a mini série “Batman o Cavaleiro das Trevas”. Nela, em um futuro distópico, um Batman sessentão volta à ativa e desafia o status quo, vindo a enfrentar o Superman, retratado como um pau mandado do governo. Já foi insinuado que o filme de Zach Snyder se inspirou em parte no material de Frank Miller. Quando Batman, vestido uma armadura, consegue derrotar o homem de aço, ele diz “ Clark … .I want you to remember my hand at your throat. I want you to remember the one man who beat you.” (Clark, … Quero que você se lembre da minha mão em sua garganta. Quero que você se lembre do único homem que o derrotou). Esse é tom anunciado dos personagens para as correntes adaptações e, que já foi explorado diversas vezes nos quadrinhos. O roteiro de Chris Terrio ainda aproveita para introduzir a Mulher Maravilha, o vilão megalomaníaco Lex Luthor e o monstro Apocalipse, que nas HQs matou o Superman. A semente está plantada para germinar nos diversos projetos com os personagens desse riquíssimo universo de personagens, com uma pegada de videogame que virou moda nos atuais filmes do gênero. Em meio às cinzas dessa batalha titânica será o Batman a proferir “Ser”, o Superman a proferir “Não Ser”, mas será a Mulher Maravilha que os unirá com um “Eis a Questão”, movido a sangue de guerreiros fictícios que falam diretamente pela nossa imaginação.

 

NAS BANCAS : LINGUA PORTUGUESA #58 – EVOLUÇÃO DOS QUADRINHOS

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AMIGOS, CHEGOU ÀS BANCAS A EDIÇÂO NUMERO 58 DA REVISTA “CONHECIMENTO PRÁTICO : LÍNGUA PORTUGUESA”. A REVISTA É UMA EDIÇÃO ESPECIAL SOBRE QUADRINHOS E TRÁZ  DICAS DE COMO USAR AS HQS COMO UMA FERRAMENTE DE ENSINO, ENTREVISTA COM NOSSO QUERIDO MAURICIO DE SOUZA E UM ARTIGO ASSINADO POR MIM ONDE FAÇO UM RESUMO DA HISTÓRIA DO GÊNERO COM DESTAQUE PARA OS SUPER HEROIS. CONFIREM NAS BANCAS, A REVISTA É UM TRABALHO FEITO COM CARINHO E DEDICAÇÃO, EDITADO PELO MEU AMIGO DARIO CHAVES QUE REUNIU EXCELENTES TEXTOS PARA COMPOR UMA EDIÇÃO NÃO APENAS CAPAZ DE DIVERTIR COMO TAMBÉM DE ENSINAR COMO O RECURSO DA LINGUAGEM VERBAL & NÃO VERBAL NAS HQS SÃO VALIOSOS ALIADOS PARA A EDUCAÇÃO. OBRIGADO A TODOS PELA ATENÇÃO. COMPREM JÁ SEU EXEMPLAR !!!