DIARIO DE BORDO – DATA ESTELAR 1984 : JORNADA NAS ESTRELAS À PROCURA DE SPOCK

StarTrek3poster       Poucos meses depois do sucesso de bilheteria de “A Ira de Khan”, a Paramount começou a planejar a sequência, que deveria de começar do exato ponto que o anterior terminou, ou seja, com o esquife de Spock aterrizando no recém criado planeta Genesis. Nicholas Meyer declinou do convite para voltar à cadeira da direção depois de vários problemas com Gene Roddenberry que repidava tudo que era feito com sua criação. Leonard Nimoy parecia estar fora quando alguma coisa mudou. Podemos dizer que certamente as necessidades de muitos, mais uma vez, se sobreporam às necessidades de um.

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Ainda no final de 1982, de acordo com o livro “Memórias de Jornada nas Estrelas- Os Filmes” de William Shatner, executivos da Paramount contataram os membros do elenco para um terceiro filme, incluindo Leonard Nimoy. Este, movido pelo excelente resultado de “A Ira de Khan”, se entusiasmou com a ideia de continuar a história desde que pudesse ser o diretor do filme. Michael Eisner, chefão do estúdio, era contra pois equivocadamente acreditava que Nimoy nutrisse ódio pela série ou pelo papel, chegando a acreditar que a morte de Spock tivesse sido exigência contratual do ator.Após exaustivas negociações com a Paramount, Leonard Nimoy assumiu a direção tendo Harve Bennet novamente como produtor executivo e, incluindo, novos problemas com Roddenberry. Este desaprovou todo o direcionamento da história, insistindo que esta deveria usar o guardião da eternidade (do episodio “Cidade á Beira da Eternidade”) para levar Kirk e Spock aos anos 60 em uma missão que envolvia evitar ou não o assassinato de Kennedy. Essa trama girava na cabeça de Roddenberry desde os tempos que se falava de um segundo filme, mas a Paramount não estava disposta a deixar Roddenberry ter qualquer controle criativo sobre a franquia depois dos desastres envolvendo o primeiro filme. O criador de Star Trek se revoltou ainda mais quando soube que o roteiro incluía a destruição da Enterprise e a possível substituição desta pela USS Excelsior nos futuros filmes, conforme desejado por Bennet inicialmente.  Kirstie Alley foi substituída por Robin Curtis pois teria feito exigência de um salário alto demais para ser comportado pelo orçamento de US$ 17 milhões, que incluía é claro o elenco original da série.

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Christopher Lloyd era conhecido do público norte-americano pelo seriado “Taxi” e ainda não tinha filmado “De Volta Para o Futuro” quando assumiu o papel do vilão, o Capitão Klingon Kruge que desafia Kirk para assegurar o segredo de Genesis. Lloyd decorou suas falas, incluindo as passagens faladas em Klingon desenvolvidas pelo linguista Mar Okrand. Dame Judith Anderson tinha 87 anos quando aceitou o papel da sacerdotisa Vulcana, e somente o fez porque seu sobrinho, trekkie apaixonado, insistiu para que a veterana atriz o fizesse. Esta se tornou sua última aparição em um filme.

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O filme estreou no Brasil em 5 de Outubro de 1984. A ressurreição de Spock provocada pelo efeito Genesis, o sacrifício de David, o filho de Kirk morto pelos Klingons e a tripulação da Enterprise se amotinando para resgatar seu camarada vulcano, dado como morto estão entre os elementos surpreendentes do roteiro. Um dos momentos mais lembrados é quando Sulu é confrontado por um guarda que o chama de baixinho, ou quando o heroico Kirk fica impotente diante da morte de seu filho,  ou ainda o emocionante encontro final com Spock reunido com seu espírito que estava alocado na mente de McCoy. Embora não seja no mesmo nível que “A Ira de Khan”, o terceiro filme (primeiro filme dirigido por Nimoy) tem seu lugar digno dentro da sequência que renovou o interesse do público dos anos 80 pela saga estelar que deixou marca indelével no carinho dos fâs de ficção cientifica.

EM UMA SEMANA, O BLOG VOLTA A FALAR DE “STAR TREK” TRATANDO DO QUARTO FILME, A VOLTA PARA A TERRA.

OS 120 ANOS DE “A MÁQUINA DO TEMPO”

 

“HÁ QUATRO DIMENSÕES CONHECIDAS PELO HOMEM, TRÊS DAS QUAIS DENOMINAMOS OS TRÊS PLANOS DIMENSIONAIS DE ESPAÇO, E UMA QUARTA É O TEMPO”
(WELLS, H.G – A MÁQUINA DO TEMPO)

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O homem do final do século XIX estava em um momento de transição na forma de se relacionar com o mundo a sua volta. Com a criação do automóvel aprendera a se locomover mais rápido, com o telefone pôde se comunicar entre as distâncias, substituiu o vapor pela eletricidade e vivia todas as transformações advindas do progresso. O homem ampliava o horizonte à sua frente e descobria novas possibilidades graças a esse avanço da ciência. A literatura não demorou a incorporar o impacto de novas descobertas à fértil imaginação de autores que desbravavam novas fronteiras. Na França, Jules Verne (1828 / 1905) nos levou ao redor do mundo, às profundezas submarinas à bordo do Nautilus, mas foi o inglês H.G.Wells (1866 /1946) quem ousou nos levar para o futuro. Há exatos 120 anos, Hebert George Wells publicou, aos 29 anos, seu primeiro livro que serviria de inspiração para diversas outras histórias do gênero, “A Máquina do Tempo” (The Time Machine).

A MAQUINA DO TEMPO ORIGINAL

FILME DE 1960 COM ROD TAYLOR

É verdade que antes de Wells já haviam histórias que falavam em viagens no tempo como “Um Conto de Natal” (A Christmas Carol) de Charles Dickens, em  e “Um Yankee na Corte do Rei Arthur” (A Yankee at King Arthur’s Court” de Mark Twain, em , mas nelas o deslocamento temporal se dava por efeito de mágica ou algum poder sobrenatural, sem qualquer base científica. Foi Wells quem deu à viagem temporal um apuro mais racional ao descrever, embora sem grande detalhes de seu funcionamento, uma ferramenta física capaz de transportar um homem através do corredor infinito das eras. Na história, um homem (cujo nome não sabemos) reúne seus amigos para anunciar sua invenção: uma máquina capaz de se deslocar não pelo espaço (através das três dimensões conhecidas) , mas através do tempo. Claro que seus amigos o recebem com ceticismo, apesar do brilhantismo de suas teorias. Decidido a provar seu intento, o homem se senta na poltrona diante do aparentemente simples painel de sua máquina, composto de duas alavancas e um cronômetro, e desaparece por uma semana. Ao retornar diante do olhar preocupado de seus amigos, ele narra sua incrível jornada ao ano 802.701, um futuro longínquo em que a humanidade foi resumida a duas raças: Os Elois, de porte pequeno e feições belas e os Morlocks, criaturas disformes e de hábitos canibalescos que vivem nos subterrâneos e se alimentam dos Elois. Estes são completamente indefesos e levam uma vida contemplativa e passiva. O viajante se revolta com os descendentes da raça humana e a total falta de perspectiva de evolução seja natural ou social.

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VERSÃO DE 2003 COM GUY RITCHIE

Apesar do impacto de tentar alertar os leitores do futuro sombrio ao qual a raça humana pode se condenar, H.G.Wells usou da ficção científica como metáfora para retratar as contradições da era vitoriana: O abismo entre burguesia e proletariado observado com a Revolução Industrial, a luta de classes preconizada pelas teorias marxistas, a evolução das espécies de Darwin formam um conteúdo de sub-leitura em “A Máquina do Tempo”, bem como em outras obras do autor, ecos de sua visão apurada capaz de questionar o presente falando do que está por vir. Wells usou do artifício da viagem ao futuro para tecer sua visão crítica de um processo de industrialização selvagem que ignora a condição humana.

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INSPIRAÇÃO PARA O FUTURO. É bem provável que H.G.Wells não tenha previsto que seu romance seria precursor das histórias sobre viagem no tempo, praticamente um sub´gênero dentro da literatura de ficção científica, da qual ele e o francês Jules Verne são os pais. Diversos autores ao longo do século passado criaram histórias desse mote. O renomado Isaac Azimov, por exemplo, publicou em 1955 “O Fim da Eternidade” (The End of Eternity) sobre uma organização que existe fora do tempo e composta de homens que se auto-denominam “Eternos”, embora não sejam imortais. O romance lida com os paradoxos da viagem temporal à medida que Asimov discorre sobre os perigos de intervenção no passado.  Cinco anos antes, Azimov já havia tratado da viagem no tempo no livro “827 Era Galáctica” (Peeble in the Sky) sobre um velho alfaiate transportado para um futuro em que o planeta está radiativo e é governado por um conselho de anciões que rege o mundo de forma opressora.

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Charlton Heston, Kim Hunter & Roddy McDowell em “O Planeta dos Macacos” de 1968

Uma das obras mais marcantes do gênero foi publicada em 1963, escrita pelo francês Pierre Boulle, entitulada “O Planeta dos Macacos” (La Planète des Singes) , uma obra distópica em que o autor usa do artifício da viagem no tempo para alertar as gerações de que a supremacia do homem no mundo não é eterna. Uma crítica social e uma curiosa análise da evolução darwiana invertida, o livro de Boulle foi adaptado por várias mídias (Tv, cinema, HQs) e continua instigante até hoje. Igualmente instigante é a série de nove livros, escrita pelo autor espanhol J.J.Benitez, “ Operação Cavalo de Tróia” (Caballo de Troya) lançada entre 1984 e 2011 onde um viajante temporal volta ao passado para comprovar a existência de Jesus Cristo. Os mais de 6 milhões de livros vendidos mundialmente parecem mostrar o interesse do público por histórias do tipo, apontando a infinidade de possibilidades narrativas. A norte-americana Audrey Niffenegger publicou em 2003 “A Mulher do Viajante do Tempo” (The Time Traveller’s Wife) sobre uma anomalia genética que faz um homem ricochetear para frente e para trás em seu período de vida. O livro de Niffenegger deixa o tom aventuresco da viagem para fazer um romance carregado de emotividade. O mesmo não pode ser dito do prolífico Stephen King que publicou em 2011 “Novembro de 1963” (11/22/63) em que um homem volta ao passado para evitar o assassinato de Kennedy, provocando uma mudança na linha temporal com graves consequências. O livro de King ganhou diversos prêmios, publicado no Brasil pela Suma de Letras.

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Tunel do Tempo : Série Clássica de Irwin Allen

OUTRAS MÍDIAS.  Viajar no tempo tornou-se o argumento ideal para várias séries de TV. No final da década de 60 houve “O Tunel do Tempo” (The Time Tunnel) sobre dois cientistas americanos que ficam perdidos visitando aleatoriamente diversos períodos históricos. A série, criada por Irwin Allen e estrelada por James Darren e Robert Colbert, foi muito famosa no Brasil mas teve curta duração, com 30 episódios. Melhor sucedida e extremamente inventiva foi no final da ´década de 80 “Contra Tempos’ (Quantum Leap) onde um cientista desloca sua consciência para os corpos de diversas pessoas do passado, sem conseguir é claro controlar suas partidas ou chegadas à medida que interfere no curso de vidas. A série recebeu vários prêmios e foi produzida ao longo de 5 temporadas. Séries de antologia aproveitaram bem o tema e contaram histórias bem interessantes como a clássica “Além da Imaginação” (The Twilight Zone) que  transmitiu em Fevereiro de 1960 o episódio “The Last Flight” , roteirizado pelo renomado Richard Matherson. Nele, um piloto da Primeira Guerra Mundial atravessa um portal e chega a uma base aérea americana.  Ainda mais instigante foi o episódio “Soldier” da série de antologia “Quinta Dimensão” (The Outer Limits). Escrita por Harlan Ellison, o episódio mostrava um soldado de uma guerra futurística enviado ao passado da Terra em perseguição a um perigoso inimigo, em uma luta que pode mudar o curso da história. O conto de Ellison guarda uma incrível similaridade com a trama de “O Exterminador do Futuro” (The Terminator) sobre a viagem ao passado para corrigir o futuro, anunciando para Abril de 2011 o dia em que o computador Skynet se torna consciente e ordena o extermínio da vida humana no planeta. Ellison chegou a processar o diretor James Cameron por plágio, o que não impediu o filme de ser tornar um sucesso com várias sequências (a mais recente se chama “Terminator: Genysis” , lançada esse ano nas telas), além de produtos derivados em outras mídias como games, séries de TV e HQs.      A ideia de corrigir, violar ou desviar a linha temporal ainda gerou um roteiro engenhoso pelas mãos de Bob Gale e Robert Zemeckis, que gerou o filme “De Volta Para o Futuro” (Back to the Future) cuja data de 21 de Outubro de 2015 (mostrada no segundo filme) foi recentemente celebrada na mídia internacionalmente. Todas essas histórias explorando criativamente as teorias sobre paradoxos, e de como pode ser desastroso modificar o futuro alterando o passado também serviu na franquia “Star Trek” diversas vezes incluindo o recente reboot dirigido por J.J.Abbrams em 2009. Todas essas datas exploram dramaticamente o recurso temporal como justificativa narrativa para se criar uma grande aventura e encontram um enorme público que viaja junto em cada uma delas, ao menos na imaginação.

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Christopher Lloyd & Michael J.Fox em “De Volta Para o Futuro”

AS ADAPTAÇÕES. O romance de H.G.Wells foi levado às telas duas vezes: Primeiro em 1960, dirigido por George Pal e estrelado por Rod Taylor e Yvette Mimieux. Essa versão de “A Máquina do tempo” (The Time Machine) deu ao viajante um nome (coisa que no livro foi omitido pelo autor) , curiosamente H. George Wells, conforme mostrado, no filme, na placa colocada no painel da máquina. O filme dá a data de 12 de Outubro como a chegada de George no futuro, uma metáfora para a chegada em um novo mundo, já que foi esta a data de chegada de Colombo na América. O filme ganhou na época o Oscar de melhor efeitos especiais, além de ter sido indicado para o Hugo Awards (prêmio dado a obras de fantasia e ficção cientifica). A obra de Wells teve nova adaptação em 2003, dirigido pelo neto do próprio H.G.Wells, Simon Wells. Novas mudanças foram feitas no material original como forma de dinamizá-la para a nova geração: o viajante foi rebatizado de Alexander Hartdegen e sua história pessoal, inexistente no livro de Wells, foi adicionada com um amor trágico para servir de impulso para sua busca pelo tempo. Os vilões, os Morlocks, ganharam a figura de um líder inteligente, interpretado pelo ator Jeremy Irons. Outra adaptação que merece menção é o roteiro, escrito por Nicholas Meyer e dirigido pelo próprio, que imagina uma perseguição de H.G.Wells a Jack o estripador transportando-o da Inglaterra Vitoriana a São Francisco do final da década de 70. O filme entitulado “Um Século em 43 Minutos” (Time After Time) trouxe Malcolm McDowell no papel de H.G. Wells e Mary Steenburgen como seu interesse romântico do futuro, Amy Robbins, nome da segunda esposa do autor de “A Máquina do tempo”, na vida real.

“A possibilidade de viajar no tempo permanece em aberto. Mas não quero apostar nisso. Meu adversário na aposta talvez tenha a vantagem injusta de saber o futuro” (Stephen Hawkings)

A CIÊNCIA & A FICÇÃO. Mas,  afinal de contas, é possível se mover através do tempo ? Conseguiremos um dia vencer as barreiras que limitam nossa existência involuntariamente linear ? Para Isaac Newton o tempo era único e absoluto, sem possibilidade de nos mover para frente ou para trás. Quando Albert Einstein desenvolveu sua teoria da relatividade jogou uma luz sobre o assunto. Se pudéssemos nos mover próximo à velocidade da luz, poderíamos avançar no tempo, mas nunca houve um meio físico, tal qual pensamos em uma máquina, pois nossa engenharia não é avançada o suficiente para isso. De acordo com Einstein, em trabalho publicado originalmente em 1905, se alguém se afastasse do planeta Terra o tempo para ele correria mais devagar que para um observador em nossa superfície. Quando o viajante retornasse para a Terra, seria de fato como se ele tivesse viajado para o futuro. Einstein  refinou as teorias de Newton e Galileu mostrando que a passagem do tempo não é um valor absoluto e imutável. Contudo, nada pode viajar mais rápido que a velocidade da luz, grandeza essa que, se vencida, permitiria o deslocamento temporal. Outro trabalho que enriqueceu as hipóteses em torno do tema foi a noção de “buraco de minhoca”       (em inglês: wormhole) desenvolvida pelo físico norte-americano John Archibald Wheeler em 1957. Este trata-se de uma forma de dobrar o espaço, criando um túnel ou atalho entre dois pontos do espaço-tempo, dois lados da mesma moeda. O que matematicamente se torna provável, no entanto, é um desafio que nossa mecânica e engenharia não conseguem concretizar, ou seja, transportar um individuo para o passado ou para o futuro. As teorias ganharam mais impulso na mídia depois do trabalho do astro-físico inglês Stehen Hawkings em seu livro “Uma breve história do tempo”, publicada originalmente em 1984. Nele, Hawkings divaga sobre essas possibilidades e admite que há vários buracos de minhoca ao nosso redor, ao nível sub-atômico, portanto invisível ao nossos olhos e impossíveis de serem acessados. O físico adianta que é necessário que a ciência e a tecnologia se desenvolvam mais de forma a superar as limitações físicas para se dobrar o espaço-tempo. Ao mesmo tempo, o autor ratifica a impossibilidade de visitar o passado, se referindo à ausência de visitantes vindos do futuro que comprovassem a volta no tempo. Outra barreira aparentemente intransponível para a viagem no tempo é o chamado “paradoxo do vovô”: Se alguém voltasse no tempo e impedisse que seu avô casasse com sua avó, então você não nasceria. Logo, se não nasceu, você não existe e, portanto, não poderia viajar no tempo. A contradição representada pelo pensamento lógico parece apontar que, em vez de viajar para seu passado, você estaria criando uma realidade paralela resultante de sua intervenção no passado, conforme explicado pelo personagem Spock (Zachary Quinto / Leonard Nimoy) no filme “Star Trek” de 2009 e, ainda mais inventivamente no filme “Efeito Borboleta” (The Butterfly Effect) de 2004, onde cada interferência no curso do passado, provoca uma mudança ainda mais drástica e imprevisível, conforme fundamentado pela conhecida teoria do caos e em noções matemáticas desenvolvidas em 1963 por Edward Lorenz, matemático e filósofo norte-americano. Mesmo restrito à imaginação de escritores e sonhadores, a viagem no tempo é ainda tão fascinante hoje quanto foi há 120 anos, quando H.G.Wells lançou seu livro, adiantando em plena era vitoriana que o que está por vir não é fixo, mas sim volátil,  mutável e questionável. Quem sabe assim esse autor possa um dia provar que a mente humana pode visitar e revisitar o que já foi e acrescentar um novo parágrafo a esse artigo de que a ficção de outrora se tornou o fato do presente, reescrevendo o futuro como se fosse um artigo como tal faço.

 

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 8 DE OUTUBRO

PETER PAN

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(Pan) EUA 2015. Dir: Joe Wright. Com Levi Miller, Hugh Jackman, Garrett Hedlund, Amanda Seyfried, Rooney Mara. Aventura. A lembrança melhor que tenho de “Peter Pan” é a animação da Disney de 1954. Confesso que também gostei da reimaginação de Steven Spielberg em “Hook – A Volta do Capitão Gancho” (1990). Parece que Hollywood está sempre disposta a revisitar a obra do escritor escossês J.M.Barrie (1860 – 1937) que também gerou outra adaptação em 2003 dirigida por P.J.Hogan, e acreditem essa atual não será a última pois existem outros projetos (a obra original já é de dominio público) em outros estudios dispostos a nos levar de volta à Terra do Nunca, uma inclusive tem Channing Tatum como um dos produtores. Concentrando nos nessa nova versão, o objetivo do filme é uma espécie de “Ano Um” do personagem, uma origem elaborada para se criar uma franquia, um novo Harry Potter. Desanimador é o fato de que a crítica especializada tem massacrado o filme e a falta de badalação dessa estreia PODE apontar um fracasso para a Warner, distribuidora do filme. Na história, um menino orfão (Miller) é levado à Terra do Nunca e enfrenta, enttre vários perigos, o pirata Barba Negra (Hugh Jackman, o Wolverine) encontrando um aliado em James Gancho (Hedlund), aquele que será no futuro seu maior inimigo. O roteiro de Jason Fuchs (A Era do Gelo 4) explora o passado desses personagens com a intenção de preparar o terrano para uma história maior que, é claro, só será contada se o filme tiver uma bilheteria que a justifique. Mas não se preocupem, como afirmei antes, outras histórias de Pan virão em breve pois não apenas ele ou seus fãs, Hollywood parece que também não quer crescer.

A TRAVESSIA

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(The Walk) EUA 2015. Dir:Robert Zemeckis. Com Joseph Gordon Levitt, Ben Kingsley, Jamess Badge Earle. Drama. O diretor de “De Volta Para o Futuro” e “Forrest Gump” adapta a história real de Philippe Petit (Levitt), equilibrista francês que em 1974 fez o impossível: Atravessou as torres gêmeas do World Trade Center por um cabo de aço desafiando as autoridades que lhe negavam o direito de realizar a proeza que o tornou famoso então, e que já rendeu um documentário entitulado “O Equilibrista” em 2009 (vencedor do Oscar do gênero). A veracidade do relato saiu das próprias palavras de Pettie (Hoje com 66 anos) que escreveu o livro e co-roteirizou a adaptação que , de fato, impressiona visualmente, quiçá chegue a ganhar alguma indicação ao Oscar do ano que vem. ao menos pela parte técnica que recria a referida proeza com uma tomada de Nova York belíssima em todo o eslendor do 3D.

HORAS DE DESESPERO

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(No Escape) EUA 2015. Dir: JOhn Eric Dowdle. Com Owen Wilson, Lake Bell, Pierce Brosnan. Ação. Não é comum ver Owen Wilson em um papel de ação mas é agradável reencontrar Pierce Brosnan, o antecessor de Daniel Craig como James Bond nesta história sobre um executivo (Wilson) e sua familia fugindo em um país estrangeiro duante um golpe de estado que transforma as ruas em um campo de guerra e faz dos estrangeiros  um alvo. Brosnan é o mercenário contratado por eles para tira-los em segurança do país. O diretor co-roteiriza ao lado de seu irmão (Drew Dowdle) e filmou na Tailândia. Embora não seja

REENCONTRO : ELENCO DE “DE VOLTA O FUTURO”

CHRISTOPHER LLOYD (DR. EMMET BROWN), LEA THOMPSON (LORRAINE ) & MICHAEL J.FOX (MARTY MCFLY) HOJE.

CHRISTOPHER LLOYD (DR. EMMET BROWN), LEA THOMPSON (LORRAINE ) & MICHAEL J.FOX (MARTY MCFLY) HOJE.

” O passado é prólogo”, disse certa vez o ator Christopher Lloyd ao ator Michael J.Fox quando ambos se reencontraram no estudio de filmagem da sitcom “Spin City”, que Fox estrelou na segunda metade da década de 90. A citação se faz valer mais uma vez já que o elenco original do filme “DE VOLTA PARA O FUTURO” (Back to the Future) se reencontrou em evento em Londres no último dia 17, 30 anos depois do lançamento original do filme que se tornou uma elogiosa trilogia dirigida por Robert Zemeckis e produzida por Steven Spielberg. O filme chegou aos cinemas norte americanos em 3 de Julho de 1985 e constantemente reprisado na Tv, relançado em várias mídias, renovando seus fans e criando, ao menos em nossas mentes e corações, que um dia possamos viajar no tempo e corrigir o que foi errado. Continuamos a olhar para o futuro !!

30 ANOS DE “DE VOLTA PARA O FUTURO”

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Histórias sobre viagens no tempo sempre foram populares no cinema e na literatura desde que H.G.Wells escreveu o primeiro romance de ficção científica sobre o tema, o clássico “A Máquina do Tempo”, publicado em 1895. Há 30 anos o diretor Robert Zemeckis e o produtor Steven Spielberg fizeram do assunto uma divertida brincadeira quer marcou gerações. “DE VOLTA PARA O FUTURO” (Back to the Future).

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Lembro que passava pelo cinema mais próximo de minha casa, quando eu tinha 15 anos, quando me chamou a atenção o poster promocional do filme. Eu me sentia o próprio Marty McFly (Michael J.Fox): sempre atrasado para as aulas ou para o jantar em casa. Imagina o barato que foi me imaginar entrando em um Delorean turbinado com plutônio para viajar pelo tempo. A premissa do filme ainda envolvia voltar ao passado para mudar o que estava errado no futuro, já que seu pai George McFly (Crispin Glover) é um homem retraído e capacho do valentão Biff Tannen ( Thomas F.Wilson). O melhor amigo de Marty e inventor do capacitor de fluxo, o artefato que permite a viagem no tempo é um dos personagens mais divertidos do filme, o Dr. Emmet Brown (Christopher Lloyd). No ano de 1955, o bom doutor e seu jovem amigo precisam ajeitar a linha temporal bagunçada porque a futura mãe de Marty, Lorraine (Lea Thompson) se apaixonou por Marty. Para enviar Marty de volta ao ano de 1985, é necessário canalizar a energia da queda de um raio para alimentar o Delorean. A sequência em que Marty enfrenta o vilão Biff em uma movimentada perseguição de carro e skate entrou para a história do cinema como uma das melhores dos anos 80.

ERiC SOLTZ CONTRACENANDO COM CHRISTOPHER LLOYD

ERiC SOLTZ CONTRACENANDO COM CHRISTOPHER LLOYD

Na época de produção do filme, os atores C.Thomas Howell (Admiradora Secreta) e Eric Soltz (Marcas do Destino) foram pensados para o papel de Marty McFLy, mas Zemeckis queriam mesmo era o próprio Michael J.Fox que na ocasião fazia a sitcom “Caras & Caretas” (Family Ties). As filmagens iniciaram então no final de 1984 com Soltz como protagonista, contudo o resultado não agradou a Zemeckis e Bob Gale (autores do roteiro), que procuraram a produção de “Caras & Caretas” (que só seria exibida aqui pela Rede Globo em 1987) com quem entraram em um acordo: Fox gravaria a sitcom pela manhã e à noite gravaria “De Volta Para o Futuro”. Lea Thompson foi escolhida pelo papel de Lorraine porque já havia contracenado com Eric Soltz antes, mas ficou no elenco mesmo após a saída deste. O papel de Dr.Brown chegou a ser pensado para John Lightgow e James Woods. Christopher Lloyd a principio recusou o papel mas acabou aceitando – o e formando com Fox uma dupla e tanto. Muitos anos mais tarde, quando Fox estrelava a sitcom “SPIN CITY” ambos se reencontram novamente e travaram um divertido diálogo com referência a seus personagens em “De Volta Para o Futuro”.

O filme também teve uma excelente trilha sonora com destaque para a canção “The Power of Love” cantada pela banda Huey Lewis & The News” e que estourou nas rádios internacionais. O próprio Huey Lewis faz uma aparição no filme como o juiz do concurso de bandas que desqualifica Marty. O filme chegou a agradar ao então Presidente Reagan que o citou em um de seus discursos. O filme impulsionou a carreira de Michael J.Fox e ainda gerou mais duas sequências exibidas em 1989 e 1990. Curiosamente, no segundo filme, o futuro retratado foi o ano de … 2015, que já na vida real teve anunciado há pouco tempo a criação do tênis que se amarra sozinho e do skate flutuante. Previsões a parte, o filme também recebeu altos elogios do renomado crítico de cinema Roger Ebert que comparou sua história aos clássicos de Frank Capra, em especial “A Felicidade não se compra”. Hoje, depois de todo esse tempo é impossível ignorar o valor do filme na cultura pop e na memória afetiva de muitos que assim como eu, adorariam poder viajar no tempo, consertar o que foi errado e ainda cantar a clássica Johnny B.Goode de Chuck Berry (que na verdade não foi cantada por Fox, que foi dublado), mesmo que depois de toda aventura só restasse um caminho a seguir, o caminho do futuro.