FROZEN 2

          Uma sequência para o mega sucesso de “Frozen” (2013) já vem sendo aguardado há muito tempo. O primeiro trailer-teaser divulgado em 13 de fevereiro teve 116.400.000 visualizações nas primeiras 24 horas, um recorde para um filme de animação. Lembrando que a bilheteria internacional do primeiro filme foi de US$ 1.274.219.009, de acordo com o site “box office mojo”. Depois veio o curta “Frozen: Febre Congelante”, lançado em 2015, que serviu como um mero aperitivo, bem como alimentou as especulações de como a história seria continuada. O fato é que a Rainha Elza realizou um feito que suas predecessoras não conseguiram, ter uma princesa como protagonista de uma continuação lançada em tela grande, se tornando a 61º produção do estúdio.

          Três anos depois dos eventos do filme original, Elza e Anna decidem embarcar em uma viagem para descobrir a origem dos poderes de Elza e desvendar o mistério do desaparecimento de seus pais. Acompanhando as irmãs de Arendele estão Kristoff, a rena Sven e o boneco de neve falante Olaf, que graças ao poder da magia mantem sua forma física permanentemente, não importando se é ou não um inverno congelante. Para quem gostou do primeiro filme está tudo lá, belas canções, a união entre duas irmãs enfrentando adversidades e o espírito edificante nas falas. Quando, após um breve flashback inicial, reencontramos os personagens, estes se encontram no mesmo ponto do final do filme original, mas Elsa ouve um chamado misterioso que a levará a confrontar verdades que desconhece. Quando Anna diz a Olaf que algumas coisas mudam, outras são para sempre, temos a certeza de que essas verdades, no roteiro de Jennifer Lee, trarão mudanças significativas para todos, muito além da sensação de brincar na neve ou de ver uma porta abrir. Essa jornada de descoberta traz novas canções para transmitir esse sentimento de mudança, não de envelhecimento, mas de amadurecimento, como a ótima “Into the Unknown”, ouvida aos 18 minutos iniciais que servem de prólogo para a aventura, e que para muitos lembrará a rainha da neve cantando “Let it go”. Kristoff  tem seu momento quando canta “Lost in the Woods” com direito a uma referência visual da banda Queen. Mas quem rouba a cena é Olaf que, além de alívio cômico, tem seu momento de importância para a fluidez da narrativa ao resumir os eventos pregressos para o povo da floresta.

          A história contada por Lee, com contribuição de Marc Smith, Chris Buck, Kristen-Anderson Lopez e Robert Lopez, consegue encontrar uma justificativa para a sequência, enriquecendo a história que se conhece e fazendo uma respeitável adaptação da história original saída do livro “The Snow Queen” do escritor dinamarquês Hans Christian Anderson (1805-1875), publicado originalmente em 1844, e que recentemente geraram as animações russas “O Reino Gelado” (2012) e “O Reino Gelado 2” (2014).

         Os personagens confrontam suas perdas e dores do passado à medida que enfrentam novos desafios como gigantes de pedra, uma salamandra de fogo e um cavalo aquático. Este último baseado em uma figura da mitologia céltica, e que ganha impressionante realismo graças ao avanço da tecnologia digital. Elza luta com as ondas gigantes com a determinação de uma super-heroína, e assim endossa o porquê de ser uma personagem tão fascinante, em sintonia com os novos tempos. Elza não precisa estar conectada a um par romântico, seja homem ou mulher, para conquistar o respeito de ser uma líder, uma rainha, quase uma super-heroína que enfrenta o perigo com coragem, não por causa de seu extraordinário poder, mas independente deste. Esse triunfo do espírito sobre as adversidades também está presente na jornada de Anna que, mesmo sendo mais jovem, compartilha da mesma bravura, para encarar seu destino final, salvar Elsa e Arendele.

            Longe de dizer se a sequência é melhor ou pior que o primeiro filme; ou de imaginar se “Frozen  2” repetirá o feito nas premiações da Academia, quando o filme original conquistou o Oscar de melhor animação e o Oscar de melhor canção, podemos certamente dizer que o filme é um começo muito bom para os lançamentos de início de ano. Será divertido descobrir, ainda que, embora nada seja eterno, como a mensagem do filme, a magia se fará presente, para cantarmos juntos, crianças e adultos, e que estamos ainda livres para brincar na neve, mesmo que em nossa imaginação apenas.

 

REI LEÃO

          Este tem sido o ano do cantor Elton John. Depois do sucesso internacional de sua cinebiografia “Rocketman”, suas composições voltam à luz da mídia no lançamento da versão live-action de “O Rei Leão”, dirigida por Jon Favreau, o mesmo responsável pela transposição de “Mogli” em 2016, mais reconhecido pelo público como o Happy Hogan do Universo Cinemático Marvel.

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           A tarefa é hercúlea: Fazer uma nova geração se emocionar com a jornada do leão Simba e trazer de volta a nostalgia de quem cantou Hakuna Matata nos idos de 1994. O novo filme traz de volta os compositores Tim Rice e Elton John, além do veterano James Earl Jones na voz de Mufasa. Na época de seu lançamento a animação causou um grande impacto com sua história de tons shakespearianos, a primeira original do estúdio e seu 32º longa, ganhando os Oscars de melhor trilha sonora, de Hans Zimmer e melhor canção original, para “Can you feel the love tonight?”. Nada ficou no caminho de sucesso de “O Rei Leão” na época, mesmo quando surgiram acusações de que a Disney havia copiado “Kimba – o Leão Branco”, clássico anime criado por Osamu Tezuka.

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         Foram 3 anos de trabalho e dedicação dos roteiristas Irene Mecchi, Jonathan Roberts e Linda Woolverton e dos animadores da Disney resultando em impressionante representação da África conseguida depois que a equipe viajou ao Parque Nacional do Quênia para estudar o cenário e o comportamento dos animais. Foi um longo processo de mudança que incluiu tentativas de rodar em tom documental e depois de fazê-lo um musical na tradição de outras animações do estúdio. A chegada de Rob Minkoff e Don Hahn na produção delineou o foco da história inicialmente intitulada “King of The Jungle”, e modificado, uma vez que o desenrolar da história era nas savanas africanas, e não exatamente na selva. A história ganhou retoques bíblicos com a inspiração na figura de Moisés e o acréscimo de cenas para as hienas, e a dupla Timão e Pumba, estes coadjuvantes de luxo que roubam a cena com humor contagiante diluindo o peso dramático sem fazer perder o impacto da narrativa.

         O projeto foi uma aposta arriscada para um estúdio acostumado com histórias de princesas e reinos mágicos como os bem sucedidos “Aladim” (1992) e “A Bela & A Fera” (1991), e por isso acreditava-se e investia-se mais na adaptação de “Pocahontas”, desenvolvido em paralelo, mas com resultado inesperado nas bilheterias. Enquanto a lendária índia norte-americana faturou em torno de US$ 141 milhões nas bilheterias, a história de Simba alcançou US$ 312 milhões só nos Estados Unidos, tornando-se então a animação de maior bilheteria até 2003 quando estreou “Procurando Nemo”.

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          O live-action que chega aos cinemas, o terceiro da Disney esse ano, traz novas versões para as clássicas  canções, já conhecidas, com Beyonce e Donald Glover cantando em dueto “Can you feel the love tonight ?”, respectivamente nos papéis de Nala e Simba, mas ainda tem duas canções novas “Never Too Late” de Elton John e “Spirit”, na voz de Beyonce. O filme ainda emprega muito bem a clássica “The Lion Sleeps Tonight” na voz de Seth Rogen e Billy Eichner. A história, contudo, segue a mesma estrutura da animação de 1994, falando de vida e morte, de ritos de passagem, de assumir um papel no ciclo da vida. Não há reinvenções ou reimaginações dos elementos que fizeram a história tão icônica. O CGI impressiona hoje tanto quanto a animação de 1994 conseguiu arrancar emoções personificadas dos carismáticos personagens que reencontramos, com aquele sentimento saudosista, de rever velhos amigos como a ave Zazu (John Oliver substituindo Rowan Atikinson), o sábio orangotango Rafiki (John Kani substituindo Robert Guilaume) ou o vilão Scar (Chwitel Ejiofor no lugar de Jeremy Irons). O elenco de vozes ainda inclui Seth Rogen (Pumba), Billy Eichner (Timão), Alfre Woodard (Sarabi), além dos já mencionados Donald Glover e Beyonce nos papeis centrais e recebendo as vozes de Ícaro Silva e Iza na dublagem brasileira.

          Com tantos talentos envolvidos não é surpresa que a Disney tenha investido tanto nessa adaptação, seguida do sucesso de “Alladin”, mas também do decepcionante resultado de “Dumbo” de Tim Burton. E não para por aí já que o estúdio prepara para breve a adaptações de “Mulan” e “Malevola – A Dona do Mal”, sendo esta a sequência do mega sucesso estrelado por Angelina Jolie em 2014. Resta saber como o público de hoje vai reagir ao apelo dessa história que faz uso de animais personificando ambição, inveja, amor, lealdade e legado, atributos humanos destilados em uma narrativa que há 25 anos soube equilibrar humor e drama, com toques filosóficos capaz de nos fazer refletir sobre qual o nosso lugar no planeta que habitamos, abaixo de um sol cor de safira, como parte de um infinito ciclo, o ciclo da vida. A essa altura já é inevitável ouvir as notas do piano de Elton John a nos perguntar “Você pode sentir o amor esta noite?”. A resposta está nas telas a partir desta quinta dia 18 de julho.

ALADDIN – MAIS QUE MIL & UMA NOITES

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TEXTO DE AGATHA MATTOS DE CARVALHO SANTOS & ADILSON DE CARVALHO SANTOS

É COM MUITO ORGULHO QUE PUBLICO ABAIXO O PRIMEIRO ARTIGO ESCRITO A QUATRO MÃOS, COM A COLABORAÇÃO DE MINHA FILHA AGATHA. NÃO A TOA O TEMA DO FILME É A MÁGICA, AFINAL DE CONTAS ELA REALIZA MÁGICAS EM MINHA VIDA.

        “Dez mil anos ali dentro te deixam com um terrível torcicolo”, foi com essa frase bem irônica que um gênio azul se apresenta na fantástica animação da Disney de 1992. Um triunfo dirigido por John Musker e Ron Clements com auxilio de um time de animadores e técnicos que mesclaram as técnicas tradicionais do gênero com o melhor em computação gráfica disponível então. O apelo dessa história atravessa gerações, fixa em nosso imaginário valores de amor, lealdade e bravura como nas palavras de uma criança  :

      “A história de Aladim surgiu na antiga Pérsia mostrando um rapaz humilde que se apaixona pela princesa Jasmine, mas eles não podiam ficar juntos porque Jasmine era filha do Sultão, rica, e Aladim era plebeu. Ele encontra uma lâmpada mágica que trazia um gênio capaz de realizar três desejos. Assim, Aladim chama a atenção do Sultão, enfrenta o malvado Jafar e conquista o coração de Jasmine. Aladim é jovem e corajoso pois enfrenta todos os perigos da caverna das maravilhas, e ainda os planos do maligno Jafar para se apossar do reino. Jasmine não tinha liberdade para escolher seu destino, mas mesmo que triste não se permite ter medo de Jafar. O gênio é piadista, falante, divertido e como Aladim e Jasmine, também tem um sonho, a sua liberdade. Juntos esse trio vive mil e uma aventuras e, assim, é o melhor filme da Disney com melodia emocionante. Muito legal a mensagem de que precisamos acreditar em nossos sonhos, nossos desejos, mesmo não tendo na vida real um gênio de verdade ao nosso lado”.

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ANIMAÇÃO E LIVE ACTION

          Pois esta história compõe uma coletânea que remonta tempos imemoriais levadas ao ocidente pelo francês Antoine Galland por volta de 1704. Este reuniu diversas histórias atribuídas à figura da Rainha Sherazade, esposa do rei Shariar que matava todas as mulheres com quem casava desde que fora traído por sua primeira esposa. Ao casar-se com o rei, Sherazade passou a contar-lhe uma série de histórias (dentre elas Ali Babá e os 40 ladrões, Simbad o marujo entre outras) cuja inventividade e desenrolar mantiveram o rei entretido por mil e uma noites, ao final dos quais o rei abandonou sua sede de matança. Sherazade tornou-se um ícone como poder feminino já que usou o poder de suas palavras para mudar um reino. Sua façanha é mencionada em manuscritos datados do século IX e em diversas variações literárias reunindo contos folclóricos provenientes da Índia, do Oriente Médio e outras regiões próximas. A própria história original de Aladim se passa na China, e muitos historiadores acreditam que Galland modificou e acrescentou vários elementos por conta própria.

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O ALADDIN DO CINEMA MUDO COM ATORES INFANTIS

            A reconstrução do conto em uma cidade árabe já aparece em “Aladdin and the magical lamp”, adaptação de 1917. Nela, assim como no conto, a princesa não se chama Jasmine, mas Badr al-badur, e tanto ela quanto Aladim são interpretados por crianças. Em 1924, uma variação do mesmo conto das mil e uma noites gerou “O Ladrão de Bagda” (The Thief of Bagda) veículo para o estrelato de Douglas Fairbanks que impressionou as plateias do passado ao levitar sobre o tapete mágico. Em 1940, o mesmo foi refilmado com o ator indiano Sabu no papel do ladrão Abu que substitui Aladim como o bravo herói a desafiar o grão-vizir Jafar. O filme ganhou três Oscars: Melhor fotografia, direção de arte e efeitos especiais, estes de fato triunfantes ao mostrar Rex Ingram no papel do gênio. Em 1945, a Columbia Pictures realizou uma versão ainda mais livre do conto em “Aladim & A Princesa de Bagda” (A Thousand & One Nights) fazendo de Aladim um cantor sedutor que se apaixona pela princesa Armina (Adele Jergens). Entre as liberdades tomadas, o gênio é uma mulher (Evelyn Keyes) e Aladim ganha a companhia de um amigo trambiqueiro, Abdullah, interpretado por Phil Silvers, comediante de língua ferina extremamente popular nos anos 40 e 50. Silvers faz um personagem descolado e anacrônico portando óculos que ainda não tinham sido inventados e disparando a todo momento o irônico comentário de que nasceu mais de 1000 anos antes de seu tempo. Essa versão acabou se tornando uma pérola da antiga Hollywood.

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NA VERSÃO DE 1945 O GÊNIO É A ATRIZ EVELYN KEYES MAS É O COMEDIANTE PHIL SILVERS QUEM ROUBA A CENA COM SEU HUMOR FALASTRÃO

                Ainda tivemos uma versão brasileira da lenda estrelada por Renato Aragão e Dedé Santana em 1974 e dirigido pelo saudoso J.B Tanko. Entitulada “Aladim & A Lâmpada Maravilhosa”, o filme foi gravado no Rio de Janeiro e São Paulo e alcançou uma das dez maiores bilheterias nacionais. Outra versão livre intitulada simplesmente foi “Aladdin” de 1986 que teve Bud Spencer (da hoje esquecida dupla Trinity) no papel do gênio e com a ação transferida de Badga para a Miami oitentista.

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RENATO ARAGÃO, DEDÉ SANTANA & MONIQUE LAFOND NA VERSÃO BRASILEIRA DE ALADDIN

               Foi, no entanto, a versão de Disney de 1992 que se beneficiou do talento de um dos astros mais queridos do cinema americano, o ator Robin Williams, que roubou a cena no papel do gênio. A presença de Williams, maior que a tela, fez do gênio um dos pontos mais altos da animação, improvisando a maior parte de suas falas. Ainda que o público brasileiro tenha ouvido a excelente dublagem de Marcio Simões para o gênio, a personalidade histriônica de Robin Williams é contagiante. O ator, infelizmente, teve problemas posteriores com a Disney devido ao uso de sua imagem no personagem, mas é inegável que os animadores Ward Kimball e Freddie Moore souberam explorar a figura de Williams adaptando seu talento com as cores e formas múltiplas que o gênio assume ao longo da história. Williams, falecido em 2014, deixou um enorme legado com sua capacidade de extrair emoção e risadas com sua presença em cena, e o gênio é um de seus maiores feitos. Para o desenho de Aladdin, os animadores usaram o rosto de Tom Cruise como inspiração e acrescentaram os trejeitos do então, igualmente popular, Michael J.Fox (De Volta Para o Futuro). O resultado, além de bilheteria milionária, foi a conquista do Oscar de melhor trilha sonora, e de melhor canção para “A Whole New World” .

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ROBIN WILLIAMS O GÊNIO QUE FEZ UM GÊNIO

              A refilmagem que traz Will Smith no papel do gênio mostra a grande mágica dessa história que, há gerações, vem nos divertindo com uma mistura de ação, humor e emoção pois todos se sentem atraídos por histórias que exploram grandes desafios, lugares fantásticos perdidos no tempo e no espaço mas encontrados no imaginário popular, um lugar ideal onde a mágica nunca deixou de existir e tampouco ficou limitada a três desejos. Como nas palavras de Robin Williams, O gênio que fez UM gênio, “Sou história, não sou mitológico, não importa… ei sou livre !!!” Livre com o poder do talento e de uma imaginação que atravessa bem mais do que mil e uma noites.

GRANDE ESTREIA : DUMBO

             A Disney vem sendo bem-sucedida em suas transposições da animação para o live-action. Embora já tivesse feito uma tentativa com “101 Dálmatas” (1990) foi mais recentemente que a casa de Mickey Mouse passou a explorar efetivamente o filão. Foram mais de $200 milhões com “Cinderela” em 2015, mais de $300 milhões com “Mogli” em 2016 e mais de $500 milhões com “A Bela & A Fera” em 2017, e isso em termos de bilheteria doméstica (território americano) de acordo com o site “boxoffice mojo”. Só esse ano ainda já temos programado “Aladim”, “Rei Leão” e estreando agora “Dumbo”, reunindo Michael Keaton e Danny DeVito com Tim Burton, além de Eva Green, Colin Farrell e Alan Arkin.

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             A história do filhote de elefante com orelhas enormes se conecta com um mundo onde estamos constantemente debatendo temas como bullying e intolerância com o que é diferente. A história, no entanto, data de um livro infantil publicado em 1939 e escrito pelo casal Helen Aberson e Harold Pearl. Reza a lenda que a história já havia sido usada no formato “rool-a-book”, espécie de livro com slides, mas nenhuma cópia deste existe. O filme de Tim Burton se baseia mais no livro do casal Aberson-Pearl que na clássica animação de 1941, o que significa algumas diferenças serão observadas, como a falta de animais falantes. Assim como Dunga em “Branca de Neve & Os Sete Anões” (1938) ou Gideon o gato de “Pinoquio”, o simpático elefantinho não verbaliza, mas é mais humano em seus sentimentos que os homens que exploram os animais no circo. O pequeno elefante recebe seu nome como um trocadilho de Jumbo com “Dumb”, que em inglês significa “Estúpido”. Mesmo com o dom de vôo graças a suas orelhas, o animal conhece a indiferença e, depois, a ganância do homem que explora os animais do circo e que tem na figura de Michael Keaton a personificação da vilania. Fica claro, à medida que a história segue, que o que nos faz ser atacados também pode ser transformado em superação e força.

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         Quando o próprio Walt Disney tomou conhecimento do livro não se interessou a princípio, mas foi convencido e, assim, viu a oportunidade de transpor para as telas a belíssima mensagem por trás de seu protagonista, além de se recuperar financeiramente dos altos gastos que tivera com “Fantasia” um ano antes. A época de sua realização o mundo estava atravessando a Segunda Guerra e a indústria do entretenimento não poderia arcar com grandes gastos já que o governo pressionava os estúdios em nome do “esforço de guerra”. Com um orçamento inferior, em relação aos outros lançamentos do estúdio, “Dumbo” foi um feliz sucesso de bilheteria com bilheteria acima da alcançada com “Pinoquio” (1940) e “Fantasia” (1940) somados. Percebe-se que o desenho é de fato mais simples, tendo os animadores do estúdio estudado os movimentos dos animais, e o fundo de várias cenas chegou a usar cores de aquarela (sim, computação gráfica não existia na época). Custou cerca de US$ 813 mil dólares e arrecadou US$1,6 milhões, mesmo depois de vários obstáculos para sua realização. O estúdio Disney foi pressionado por uma greve de cinco semanas dos cartunistas, que estourou durante a realização da película, destruindo a atmosfera amistosa que era marca do estúdio. Outra luta de bastidores se deu quando a RKO Radio Pictures, que distribuía as produções do estúdio, tomou conhecimento da metragem de 64 minutos, e forçou Disney a filmar mais material que o aumentasse ou reduzi-lo como um curta, mas ele se recusou a ambos e conseguiu garantir seu lançamento.

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          A animação de “Dumbo” tornou-se o 4º trabalho do estúdio no gênero e foi também o menor em termos de duração, contando apenas 64 minutos de projeção original. O Rato Timotheo rouba as cenas várias vezes como fiel companheiro de Dumbo, e foi criado pelo estúdio já que no livro original é um pássaro quem ajuda o herói de quatro patas. A escolha de um rato funcionou já que a sabedoria popular sempre coloca que elefantes temem ratos.

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         Público e crítica apaixonaram-se pela história do elefantinho voador quando sua estreia em outubro de 1941, chegando aos jornais e revistas especializadas como a “Variety” e o “New York Times”.  Meses depois, o personagem chegou a ser escolhido como capa da revista “Time”, que escolhia a cada ano uma foto que representasse o personagem do ano. Contudo, o ataque a Pearl Harbor mudou o rumo dos eventos, levando os Estados Unidos a ingressar no conflito e com Dumbo sendo substituído pelo General McArthur, comandante das forças americanas. A edição da Time, todavia, publicou em suas páginas internas a imagem do elefante. No ano seguinte, a belíssima canção “Baby Mine”, ouvida quando a mãe de Dumbo usa sua tromba através das grades da jaula para ninar o pequeno filhote, perdeu o Oscar de melhor canção, mas ao menos a produção triunfou como melhor trilha sonora para Frank Churchill e Oliver Wallace.

          “Dumbo” está entre os trabalhos mais apreciados pelo estúdio Disney, e o próprio pai de Mickey e Donald dizia que era um de seus favoritos. Na segunda metade dos anos 2000 John Lasseter, homem forte da Disney, chegou a considerar fazer uma sequência da animação, que acabou não acontecendo. O filme de Burton vem com a missão de trazer esta comovente história para a nova geração, e nisso reside o encanto dessas refilmagens. Em 2017, a animação original foi escolhida pela Biblioteca do Congresso Americana para ser preservado como um Tesouro Nacional. O filme de Burton, assim sendo, tem como missão resgatar um espirito nostálgico, reforçado pela ambientação logo após o final da Primeira Guerra, e a inocência de um personagem que voa com suas orelhas mas nos encanta com seu coração.

           Em breve, falarei de “Aladim” !!!

FELIZ 2019 :PREVIEW DO CINEMA

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ANIMAÇÕES

O ANO DE 2019 RESERVA FORTES AGRADÁVEIS REENCONTROS. RALPH E VANELOPE ESTÃO À SOLTA NA INTERNET E JÁ SABE DE ANTEMÃO QUE AS PRINCESAS DISNEY ESTARÃO PRONTAS PARA RECEBER A PEQUENA VANELLOPE EM “WI RALPH 2”, QUE ABRE OS PRIMEIROS LANÇAMENTOS DO ANO NOVO DIA 3. O MÊS DE JANEIRO AINDA TEM O AGUARDADO “HOMEM ARANHA NO ARANHAVERSO” E “COMO TREINAR SEU DRAGÃO 3” NO MEIO DO MÊS ENCERRANDO A TRILOGIA DAS AVENTURAS DE SOLUÇO E BANGUELA. MINHA CURIOSIDADE É AINDA MAIOR COM RELAÇÃO A “TOY STORY 4”, PREVISTO PARA JUNHO. DEPOIS DE MUITAS LÁGRIMAS NO TERCEIRO FILME QUE SERVIA DE APARENTE EPILOGO PARA AS AVENTURAS DE WOODY, BUZZ E CIA, FICO IMAGINANDO O QUE VEM POR AÍ, ALÉM DE CLARO MAIS LÁGRIMAS E RISOS. FEVEREIRO TRAZ WILL SMITH e TOM HOLLAND EM “UM ESPIÃO ANIMAL” ALÉM DE “UMA AVENTURA LEGO 2”. SERÁ O ANO DOS BRINQUEDOS JÁ QUE AGOSTO TEREMOS “PLAYMOBIL O FILME”. O ILLUMINATION STUDIOS TRAZ “PETS – A VIDA SECRETA DOS ANIMAIS 2” QUE CHEGA A NOSSAS TELAS NAS FÉRIAS DE JULHO.

AVENTURA & FANTASIA

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A DISNEY A CADA ANO TEM UMA VERSÃO DE LIVE ACTION DE SEUS GRANDES SUCESSOS E ANO QUE VEM TEREMOS O AGUARDADO “ALADIM” PREVISTO PARA MAIO, COM WILL SMITH VESTINDO O PAPEL DO GÊNIO QUE ESTÁ MARCADO EM NOSSAS MEMORIAS NA VOZ E TREJEITOS DE ROBIN WILLIAMS. DOIS MESES DEPOIS TEMOS “O REI LEÃO” QUE REPETIRÁ O EXCELENTE JAMES EARL JONES NO PAPEL DE MUFASA. ANTES DESSES, NÃO NOS ESQUEÇAMOS DA VERSÃO DE TIM BURTON PARA “DUMBO” PROGRAMADO PARA MARÇO. A DISNEY AINDA DOMINA O MERCADO COM “JUNGLE CRUISE” QUE REUNE O ASTRO DWAYNE JOHNSON E EMILY BLUNT EM ADAPTAÇÃO DE ATRAÇÃO DO PARQUE TEMÁTICO DA TERRA DE MICKEY MOUSE. FALANDO NO ASTRO THE ROCK, DEZEMBRO DE 2019 É ESPERADO PARA A CHEGADA DE “JUMANJI 3”, AINDA SEM NENHUMA NOVIDADE MAIOR DIVULGADA SOBRE A HISTÓRIA DA SEQUÊNCIA.

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SUPER HEROIS

CERTAMENTE “VINGADORES:ULTIMATO” , EM ABRIL, É UM DOS FILMES MAIS AGUARDADOS DO ANO QUE VEM, SENÃO O MAIS ESPERADO GUARDANDO SEGREDOS COMO O DESTINO DE PERSONAGENS QUERIDOS PELO GRANDE PÚBLICO E O FUTURO DO UNIVERSO CINEMATICO MARVEL. ANTES PORÉM TEREMOS O IGUALMENTE ESPERADO “CAPITÃ MARVEL” COM BRIE LARSON, PROMETIDO PARA MARÇO. A DC COMICS RECEM SAIDA DO SUCESSO DE “AQUAMAN”, RESERVOU PARA ABRIL TAMBÉM A PRIMEIRA ADAPTAÇÃO DE “SHAZAM!” COM ZACHARY LEVI, QUE DE ACORDO COM OS TRAILLERS DIVULGADOS, TERÁ UM TOM MAIS LEVE QUE OS DEMAIS FILMES DC/MARVEL. TOM HOLLAND VOLTA A LANÇAR TEIAS NO CINEMA EM SEU SEGUNDO FILME COMO PETER PARKER “HOMEM ARANHA: LONGE DO LAR” SACUDINDO O FERIADÃO DE 4 DE JULHO NOS ESTADOS UNIDOS. ANTES POREM, DAVID HARBOUR (DE “STRANGE THINGS”) ESTRELA O REBOOT DE “HELLBOY” VOLTADO PARA MAIORES DE 17 ANOS. NO EMBALO DA FUSÃO DISNEY/FOX, TEMOS EM JUNHO “X MEN FÊNIX NEGRA” E EM AGOSTO “OS NOVOS MUTANTES”, QUE JÁ ESTAVAM EM PRODUÇÃO ANTES DA UNIÃO DOS ESTUDIOS.

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TERROR

STEPHEN KING CONTINUARÁ SENDO O REI DO GÊNERO NAS TELAS DO ANO NOVO. PRIMEIRO COM A ESPERADA CONCLUSÃO DA SAGA DO PALHAÇO PENNYWISE EM “IT A COISA – PARTE II” PREVISTO PARA SETEMBRO DE 2019. MUITO ANTES DISSO TEMOS A REFILMAGEM DE “CEMITERIO MALDITO”, QUE CHEGA EM ABRIL. JAMES WAN MARCA PRESENÇA DE VOLTA AO GÊNERO QUE CONSAGROU SEU NOME. PRIMEIRO NA PRODUÇÃO DE “A MALDIÇÃO DA CHORONA”, ADAPTAÇÃO DE UMA LENDA MEXICANA, CUJA ESTREIA FICA EM ABRIL. TAMBEM COMO PRODUTOR, WAN PROMETE EM BREVE “INVOCAÇÃO DO MAL 3”, SEM DATA DIVULGADA AINDA. NO MEIO TEMPO TEREMOS “ANNABELLE 3” EM JULHO, REUNINDO O CASAL WILSON INTERPRETADO POR VERA FARMIGA E PATRICK WILSON. O BONECO CHUCKY VOLTA ÀS TELAS PROMETENDO RESTAURAR A CREDIBILIDADE DA FRANQUIA DIANTE DA NOVA GERAÇÃO NA REFILMAGEM DE “BONECO ASSASSINO” RESERVADO PARA JUNHO. EM FEVEREIRO VOLTAMOS À FRANQUIA DOS LIVROS DE CLIVE BARKER EM “HELLRAISER JULGAMENTO”, 9º LONGA DA SÉRIE QUE NOS ESTADOS UNIDOS FOI LANÇADO DIRETAMENTE EM DVD/BLU RAY. O CONDE ORLOCK DO CLÁSSICO “NOSFERATU” APARECE NESSA NOVA REFILMAGEM DO CLÁSSICO DE F.W.MURNAU, DESTA VEZ COMANDADO POR ROBERT EGGARS DE “A BRUXA” E “HEREDITARIO”. JÁ AGOSTO TRAZ “MAMA 2” AINDA SEM NENHUMA NOTICIA SOBRE A TRAMA. EM OUTUBRO O CLIMA DE HALLOWEEN COMEÇA COM “A MORTE TE DÁ PARABENS 2”, SEQUÊNCIA DO INESPERADO SUCESSO DE 2017.

HOBBS SHAW

AÇÃO

2019 TEM MUITA AÇÃO COM “HOBBS & SHAW” REUNINDO DWAYNE JOHNSON E JASON STATHAM REPETINDO OS PAPEIS DE SEUS PERSONAGENS NA FRANQUIA “VELOZES & FURIOSOS”. KEANU REEVES VOLTA EM “JOHN WICK 3” EM MAIO. SAEM TOMMY LEE JONES & WILL SMITH E ENTRAM CHRIS HEMSWORTH E TESSA THOMSPON PARA PROTEGER A TERRA EM “MIB INTERNACIONAL”, NAS TELAS EM JUNHO. OUTRO RETORNO É O DE SAMUEL L.JACKSON AO PAPEL DO POLICIAL LINHA DURA DE “O FILHO DE SHAFT” RESERVADO EM JUNHO. NÃO SÓ DE HOMENS VIVE O CINEMA DO GÊNERO E TEMOS ASSIM “GODZILLA – O REI DOS MONSTROS” QUE TEM NO ELENCO A PEQUENA ESTRELA MILLIE BOBBY BROWN, CHEGANDO EM MAIO. ARNOLD SCHWARZENEGGER E LINDA HAMILTON ESTÃO DE VOLTA NA SEQUÊNCIA “O EXTERMINADOR DO FUTURO 6”, AINDA SEM SINOPSE REVELADA E, PORTANTO, SEM PODER CRIAR MAIORES EXPECTATIVAS DO QUE SERÁ. NO MESMO MÊS UM NOVO TIME DE MULHERES DE AÇÃO SE REUNE EM “AS PANTERAS”, REBOOT DA REFILMAGEM DA SÉRIE CLÁSSICA DOS ANOS 70. O ANO MAL COMEÇOU E LEMBREMOS QUE EM DEZEMBRO TEREMOS O DESFECHO NA NOVA TRILOGIA “STAR WAR EPISODIO IX”, AINDA SEM SUBTÍTULO DIVULGADO E SEM MAIS DETALHES DA HISTÓRIA.

TURMA DA MONICA

NACIONAIS

GRATO REENCONTRO COM OS HABITANTES DO LARGO DO AROUCHE NA ADAPTAÇÃO DE “SAI DE BAIXO” PROGRAMADA PARA FEVEREIRO. MAISA SILVA RECEM SAIDA DO ÓTIMO “TUDO POR UM POP STAR” VOLTA ÀS NOSSAS TELAS EM “CINDERELA POP” NO MESMO MÊS. INGRID GUIMARAES MARCA PRESENÇA EM “DE PERNAS PARA O AR 3” EM ABRIL. GRANDE EXPECTATIVA TEMOS COM A ADAPTAÇÃO LIVE ACTION DOS PERSONAGENS MARAVILHOSOS DE MAURICIO DE SOUZA EM “TURMA DA MÔNICA – LAÇOS” EM JUNHO. OUTRA ADAPTAÇÃO BEM ÀS NOSSAS TELAS É O TEXTO DE MARIA CLARA MACHADO EM “PLUFT O FANTASMINHA” PROMETIDA PARA MARÇO. EM OUTUBRO TEMOS TAMBÉM A ADAPTAÇÃO DA CLÁSSICA CANÇÃO DE RENATO RUSSO EM “EDUARDO & MÔNICA”. CLARO NÃO PODEMOS DEIXAR DE LADO A VOLTA DE DONA HERMÍNIA ANUNCIADA PARA “MINHA MÃE É UMA PEÇA 3” COM O EXCELENTE PAULO GUSTAVO.

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MAIS FILMES

TERRY GILLIAM FINALIZOU O AGUARDADO “O HOMEM QUE MATOU DON QUIXOTE”, EM FEVEREIRO, ADAPTANDO O CLÁSSICO DE MIGUEL DE CERVANTES, UM PROJETO QUE SE ARRASTOU POR MAIS DE UMA DÉCADA ATÉ SER COMPLETADO. CLINT EASTWOOD LANÇA TAMBÉM SEU MAIS NOVO PROJETO “A MULA”. O ANO TERÁ AINDA “HOLMES & WATSON”, COMÉDIA COM WILL FARRELL E JOHN C. REILLY QUE OBTEVE ASSUSTADOR 0% DE APROVAÇÃO DE PUBLICO E CRÍTICA QUANDO LANÇADO NOS ESTADOS UNIDOS NO FINAL DO ANO PASSADO. REILLY TERÁ MELHOR ATUAÇÃO EM “STAN & OLLIE”, BIO SOBRE A CARREIRA DA DUPLA “O GORDO & O MAGRO”. DEPOIS DO SUCESSO EM 2018 DE “BOHEMIAN RAPHSODY’ AGUARDAMOS A CHEGADA DE “ROCKETMAN” SOBRE A VIDA DO CANTOR ELTON JOHN, LENDA VIVA DA MUSICA POP INTERNACIONAL. KENNETH BRANAGAH RETORNA TAMBÉM NO FIM DE ANO NO PAPEL DO ICÔNICO DETETIVE HERCULE POIROT NA ADAPTAÇÃO DE “MORTE SOBRE O NILO” DO LIVRO DE AGATHA CHRISTIE. ANTES DISSO, FINALMENTE, TEREMOS A IGUALMENTE AGUARDADA SEQUÊNCIA “CREED II” QUE PROMETE ENCERRAR A JORNADA DE ROCKY BALBOA INICIADA EM 1976 POR SYLVESTER STALLONE.

TEREMOS UM ANO CINEMATOGRAFICAMENTE RICO COM OUTROS LONGAS,  ALÉM DESSES E JÁ NO PRÓXIMO DOMINGO A CERIMÔNIA DE ENTREGA DO “GOLDEN GLOBE” INICIANDO A TEMPORADA DE PREMIAÇÃO CINEMATOGRAFICA QUE , CLARO, INCLUI O ESPERADO OSCAR. QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS E FELIZ 2019 !!!!

GRANDE ESTREIA: O RETORNO DE MARY POPPINS

MARY POPPINS RETURNS. EUA 2018. DIR: ROB MARSHALL. COM EMILY BLUNT, COLIN FIRTH, MERYL STREAP, JULIE WALTERS, EMILY MORTIMER, DAVID WARNER, ANGELA LANSBURY, BEN WHISHAW, DICK VAN DYKE.

POPPINSA DISNEY TEM SE EMPENHADO EM REVISITAR SEUS CLÁSSICOS, SEJA REALIZANDO VERSÕES EM LIVE ACTION DE SUAS ANIMAÇÕES, SEJA REVITALIZANDO UM DE SEUS MAIORES ÍCONES COMO A PERSONAGEM DE P.L.TRAVERS, A BABÁ MÁGICA MARY POPPINS, UM ANJO QUE EM 1964 SALVOU A FAMILIA DE GEORGE BANKS (DAVID TOMLINSON).

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MAIS DE 50 ANOS DEPOIS, A DISNEY TRAZ E EXCELENTE EMILY BLUNT COMO A MARY POPPINS DE UMA NOVA GERAÇÃO. ESCOLHA ACERTADA PARA O PAPEL, BLUNT TEM TALENTO E LUZ PRÓPRIA PARA FAZER A BABÁ CONQUISTAR O PÚBLICO DE HOJE, ASSIM COMO JULIE ANDREWS FEZ DÉCADAS ATRÁS. A HISTÓRIA DO NOVO FILME SE PASSA POUCAS DÉCADAS DEPOIS DO PRIMEIRO FILME E O ANJO POPPINS RESSURGE PARA AJUDAR MICHAEL BANKS (O FILHO DE GEORGE), QUE HOJE ATRAVESSA DIFICULDADES COM SUA PRÓPRIA PROLE.

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O DIRETOR ROB MARSHALL, QUE ALCANÇOU RECONHECIMENTO COM O MUSICAL “CHICAGO” (2002) E REALIZOU MAIS RECENTEMENTE “OS CAMINHOS DA FLORESTA” (2014) REUNIU UM EXCELENTE ELENCO DE APOIO QUE INCLUI COLIN FIRTH (HARRY EM “KINGSMAN”) , MERYL STREAP, JULIE WATERS (DE “MAMMA MIA”), EMILY MORTIMER (DE “A PANTERA COR DE ROSA”) E BEN WHISHAW (O Q DE “007 CONTRA SPECTRE”); ALÉM DE DAR ESPAÇO PARA OS VETERANOS DAVID WARNER (DE “TITANIC”) ANGELA LANSBURY (DE “A BELA & A FERA”) E DICK VAN DYKE (O CECIL DE “UMA NOITE NO MUSEU”). ESTES DOIS ÚLTIMOS NONAGENÁRIOS SÃO LENDAS VIVAS DO CINEMA. DYKE TAMBÉM FEZ PARTE DO ELENCO DO MARY POPPINS ORIGINAL EM PAPEL DUPLO, COMO O LIMPADOR DE CHAMINÉS BERT E O BANQUEIRO SR.DAWES., SENDO AGORA O INTÉRPRETE DO SR.DAWES JR. PARA QUEM LEMBRA DE DICK VAN DYKE DANÇANDO COM JULIE ANDREWS E PINGUINS EM ANIMAÇÃO 2D SE ENCANTARÁ COM SUA PASSAGEM PELO NOVO FILME QUE SE JUSTIFICA MUITO MAIS QUE UMA MERA HOMENAGEM OU APARIÇÃO CAMEO.

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PARA QUEM ASSISTIU “WALT DISNEY NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS” (2014) LEMBRARÁ QUE A AUTORA INGLESA TEVE VÁRIOS DESACORDOS COM DISNEY NA REALIZAÇÃO DA ADAPTAÇÃO DE SEU LIVRO QUE PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ EM 1934. TRAVERS ESCREVEU AO TODO 8 LIVROS COM POPPINS ENTRE 1934 E 1988. CURIOSAMENTE TANTO JULIE ANDREWS EM 1964 COMO EMILY BLUNT AGORA ESTAVAM GRÁVIDAS QUANDO CONVIDADOS PARA O PAPEL, E EM AMBOS OS CASOS A DISNEY TEVE QUE REPLANEJAR AS FILMAGENS PARA ESPERAR POR SUA ESTRELA. O FILME JÁ FOI INDICADO PARA O GLOBO DE OURO 2019 EM 4 INDICAÇÕES, INCLUINDO MELHOR ATRIZ PARA EMILY BLUNT, E AGUARDA-SE QUE A ACADEMIA DE HOLLYWOOD FAÇA A MESMA HONRARIA PARA O OSCAR DO PRÓXIMO ANO.

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O ENCANTO DE MARY POPPINS É NOS FAZER SENTIR CRIANÇAS DE NOVO, ESQUECER OS OBSTÁCULOS QUE A VIDA IMPÕE E LEMBRAR QUE A FAMILIA AINDA É A COISA MAIS IMPORTANTE DO MUNDO, ASSIM COMO O AMOR !!

ROBIN HOOD -A ORIGEM DO LENDÁRIO HERÓI NA HISTORIA, LITERATURA E FILMES

          Antes dos super-heróis, o cinema trazia aventureiros de capa, máscara, chapéu e espadas. Um desses ícones frequentemente revisitados é ladrão, rebelde, herói e bandido com aventuras foram imortalizadas na literatura, na Tv, no cinema e mesmo nos quadrinhos.

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FRAGMENTO DO POEMA PIERS PLOWMAN

         O personagem, que entrou para a história como aquele que rouba dos ricos para dar aos pobres, nasceu na época dos grandes trovadores que narravam grandes feitos em cantigas passadas de geração a geração, até que o poema Piers Plowman de 1377 tornou-se o primeiro registro escrito da lenda, de autoria de William Langand. A referência ao herói é breve, através de rimas, mas não o suficiente como prova de sua existência. O problema é que as várias versões que se seguiram divergem entre si, e isso dificulta o trabalho de historiadores em determinar o que é fato e o que foi ficção na história de Robert Locksley, um nobre privado de suas terras pelo Príncipe John que usurpou o trono do Rei Ricardo Coração de Leão, enquanto este participava das cruzadas. Na floresta de Sherwood adotou o nome de Robin Hood, sendo este uma referência a um tipo de chapéu com pena.

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BANDEIRA DE NOTTINGHAM

          Nottingham, a cidade inglesa em que se desenrola a história, hoje homenageia o herói com estátua, museu, passeio pelos locais citados pela lenda e até mesmo uma bandeira ostentando a silhueta do herói desde 2010. Na literatura, Alexandre Dumas (autor de “Os Três Mosqueteiros”) escreveu dois volumes intitulados “Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões” (de 1872) e “Robin Hood, o Proscrito” (de 1873).  Dez anos depois o escritor e ilustrador americano Howard Pyle publicou “The Merry Adventures of Robin Hood of Great Renown in Nottinghamshire”, revistando os vários feitos que entraram para o cânone da lenda como a luta de bastões com João Pequeno, o torneio de arco e flecha entre outras. Maid Marian, o interesse romântico do herói, não aparece em nenhuma das cantigas originais da lenda, aparecendo pela primeira vez em versões mais tardias, a partir do século XVII. Em 1820, Robin Hood ainda apareceu como um personagem menor na obra de Sir Walter Scott “Ivanhoe”, considerado primeiro romance histórico do romantismo. Nessa como em outras encarnações, Hood é retratado como elemento fundamental na guerra entre Saxões e Normandos na Inglaterra medieval.

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            Nos primórdios do cinema, começando em 1908, a lenda foi inicialmente adaptada no curta inglês “Robin Hood & His Merry Men” dirigido por Percy Stow, ainda no período silencioso. Em 1912, uma nova adaptação da lenda foi feita na America intitulada apenas “Robin Hood” com Robert Frazer no papel título. Ainda haveriam mais três versões entre 1912 e 1913, além de uma adaptação de “Ivanhoe” em 1913  até a versão mais famosa do período, de 1922 igualmente chamada “Robin Hood”  e estrelada por Douglas Fairbanks, que no período do cinema mudo incorporou vários heróis similares. Acreditava-se que esta pérola tivesse sido perdida mas foi redescoberto nos anos 60, sendo restaurado em 2009 pelo Museu de Arte Moderna.

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ERROL FLYNN

         No final dos anos 30 a Warner e a MGM disputavam realizar a primeira versão falada, mas foi a Warner quem acabou levando a cabo sua realização. Convidando Douglas Fairbanks Jr para o papel central, mas este não estava disposto a repetir os feitos de seu pai. Foi então que o papel ficou com Errol Flynn, então com 28 anos, vindo do sucesso estrondoso alcançado em fitas como “Capitão Blood” (1935) e “A Carga da Brigada Ligeira” (1936), ambos dirigidos por Michael Curtiz e co-estrelado por Olivia DeHavilland. Curtiz foi chamado pela Warner para concluir as filmagens de “As Aventuras de Robin Hood”, iniciadas por William Keighley cuja lentidão nas filmagens ameaçava inflar orçamento e atrasar seu lançamento que veio a acontecer em maio de 1938.

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SEAN CONNERY & AUDREY HEPBURN “ROBIN & MARIAN”

              Curtiz e Flynn se odiavam e, segundo o renomado site imdb, certa vez Flynn teria se ferido superficialmente quando um dos dublês, em cena de duelo, teria lutado sem a proteção na ponta da espada, isso sob ordens de Curtiz. Os duelos foram exímios e coreografados com perfeição sob a supervisão do especialista Fred Cavens, que também teria treinado Flynn e Basil Rathbone em “Capitão Blood”. Apesar de Flynn ter corpo atlético e de notável elasticidade para o manejo da espada, Rathbone era um espadachim superior em cena. A bilheteria do filme encheu os cofres da Warner e, além do público, a crítica deu sua benção ao filme com 4 indicações ao Oscar, levando 3 (melhor edição, trilha sonora e direção de arte). O elenco de coadjuvantes também brilhou: Claude Rains foi um odioso Príncipe John; Alan Hale repetiu o papel de João Pequeno que também fizera na versão de Fairbanks, e que repetiria anos depois em “O Cavaleiro de Sherwood” (1950) e Olivia DeHavilland estava adorável como  Marian. O filme foi um prodigioso roteiro equilibrando momentos cômicos com pura ação. Nos diálogos do roteiro de Norman Reilly Raine e Selton Miller momentos memoráveis como Robin (Flynn) dizendo “Normandos ou Saxões não importa, o que odeio é a injustiça”. A Warner chegou a cogitar fazer uma sequência, mas acabou não acontecendo.

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ANIMAÇÃO DA DISNEY

            No entanto várias versões renovaram o ícone perante o público como Cornel Wilde, que interpretou Robert de Nottingham em “O Filho de Robin Hood” (The Bandit of Sherwood Forest) de 1946; John Hall em “Prince of Thieves” de 1948, adaptado do livro homônimo de Alexandre Dumas; e John Derek em “O Cavaleiro de Sherwood” (Rogues of Sherwood Forest) de 1950 com Derek também interpretando um descendente direto do lendário herói.

          Entre 1955 e 1960 Richard Greene viveu o herói na TV inglesa em “As Aventuras de Robin Hood” (The Adventures of Robin Hood) tornando-se a primeira série inglesa a fazer sucesso nos Estados Unidos. Em 1976, o ex-007 Sean Connery viveu um Robin Hood maduro ao lado de Audrey Hepburn como Maid Marian em “Robin & Marian”, com os personagens lidando com a inevitável passagem do tempo. Um ano antes o comediante Renato Aragão arrancou deliciosas risadas no filme “Robin Hood O Trapalhão da Floresta”. A Disney também fez sua versão animada personificando o herói como uma raposa em “Robin Hood”, segundo longa animado realizado após a morte de Walt Disney, trazendo em sua versão brasileira as vozes de Claudio Cavalcanti, Orlando Drummond e Juraciara Diacovo. Alguns anos antes o animador Ralph Bakshi realizou a versão futurista “Super Robin Hood” (Rocket Robin Hood), extremamente popular na Tv com 52 episodios.

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KEVIN COSTNER & MORGAN FREEMAN “ROBIN HOOD O PRÍNCIPE DOS LADRÕES”

       Em tempos mais recentes coube a Kevin Costner trazer a lenda para novas gerações em “Robin Hood o Príncipe dos Ladrões” (1991) em uma super produção com trilha pop de Bryam Addams. O efeito da câmera na flecha reproduzindo a visão do disparo desta causou sensação entre o público e o destacou de outra produção parecida lançada na mesma época chamada “Robin Hood o Heroi dos Ladrões” com Patrick Bergin e Uma Thurman nos papeis centrais. Ainda é digno de nota a parodia de Mel Brooks “A Louca História de Robin Hood” (1993) com Cary Elwes e “Robin Hood” (2010) com Russell Crowe e Cate Blanchet dirigido por Ridley Scott.

         Robin Hood também foi a fonte de inspiração para Mort Weisinger criar o herói das hqs “Arqueiro Verde” em 1941, que originou a série de sucesso “Arrow” que já está em sua sétima temporada. Tamanha popularidade mostra que o mito sobrevive a várias reinterpretações e que não reste dúvida de que Taron Egerton não será o último a apontar aquela flecha no coração dos amantes da aventura pois esse alvo continua na mira dos que se identificam com um rebelde que decide se erguer contra as injustiças de seu tempo. Nada mais atual!

GRANDE ESTREIA: CHRISTOPHER ROBIN UM REENCONTRO INESQUECÍVEL

(CHRISTOPHER ROBIN) EUA 2018. DIR: MARC FORSTER. COM EWAN MACGREGOR, HAYLEY ATWELL, MARK GATISS. DRAMA/FANTASIA.

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TODOS CONHECEM A HISTÓRIA DE WINNIE THE POOH (NA MINHA INFÂNCIA ERA SÓ URSINHO PUFF) E UMA TURMA DE AMIGOS IMAGINÁRIOS SAÍDAS DA MENTE DE CHRISTOPHER ROBIN, O PERSONAGEM QUE TAMBÉM É O NOME DO FILHO DO AUTOR BRITÂNICO A.A. MILNER. ESTE CRIOU TUDO A PARTIR DA FÉRTIL IMAGINAÇÃO DE SEU FILHO COM SEUS BRINQUEDOS. A DISNEY, DONA DOS DIREITOS DOS PERSONAGENS DECIDIU SEGUIR A MESMA FORMULA DE “HOOK – A VOLTA DO CAPITÃO GANCHO”, OU SEJA, A CRIANÇA CRESCEU E ESQUECEU A MAGIA DE TEMPOS MAIS INOCENTES. HOJE UM EXECUTIVO CHEIO DE PROBLEMAS DO MUNDO ADULTO, ELE REENCONTRA TODA A TURMA QUE O AJUDARÁ A REVIVER O MENINO DENTRO DO HOMEM, A GRAÇA DA VIDA E UM DOCE LEMBRANÇA DE QUE SEMPRE DEVEMOS CULTIVAR A CRIANÇA INTERIOR. POR ISSO, O FILME FUNCIONA BEM PARA CRIANÇAS E PAIS.

GRANDE ESTREIA: HOMEM FORMIGA & VESPA

                 O projeto de um filme do “Homem Formiga” já existia desde 2003, bem antes da formação do assim chamado Universo Cinemático Marvel, quando o diretor e roteirista Edgar Wright desenvolveu a história como um filme de aventura com tons de comédia. Foram necessários mais de dez anos para uma das criações menos badaladas da Marvel se tornasse um triunfo do seu gênero.

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PAUL RUDD & EVANGELINE LILY

                 Cinco anos depois de Richard Matheson publicar seu romance “The Shrinking Man” (adaptado para o cinema no ano seguinte) sobre um homem que involuntariamente encolhe até dimensões subatômicas, a editora Dc Comics publicou o herói “The Atom” que usa tais habilidades para combater o crime. No inicio da assim batizada “Era de Prata dos quadrinhos” (1956-1970), Stan Lee juntamente com seu irmão Larry Lieber e seu parceiro, o desenhista Jack Kirby publicaram na revista de antologias “Tales to Astonish” #27 a história do cientista Henry Pym que cria um soro capaz de reduzir seu tamanho. Eram apenas sete páginas da história intitulada “The Man in the Ant Hill”, mas esta flertava com a ficção científica e não com uma típica história de super herói. O sucesso inesperado fez Lee retomar o personagem oito meses depois (Tales to Astonish #35) transformando-o em improvável campeão da justiça. Sem que houvesse detalhamento científico em como as chamadas Partículas Pym conseguiam comprimir tanto o espaço atômico ao ponto de permitir o deslocamento de sua massa e ainda manter sua força física, o personagem se juntou à galeria de maravilhas que capturou a imaginação das crianças e jovens sessentistas. Capaz ainda de se comunicar e controlar as formigas com seu capacete cibernético, o Dr.Pym se juntou a Thor, Hulk, Homem de Ferro e, juntos fundaram a equipe dos Vingadores em 1963 (The Avengers #1), assim batizados pela Vespa, a única heroína do grupo e namorada do Dr.Pym. A Vespa fez sua primeira aparição em “Tales to Astonish” #44 a princípio a socialite Janet Van Dyne,  que compartilha os poderes das partículas Pym, mas que evolui com o passar do tempo vindo a se tornar uma das mais queridas heroínas da Marvel, até mesmo liderando os Vingadores por um período. No novo filme a heroína vem a ser interpretada por Michelle Pfeiffer.

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MICHELLE PFEIFFER É A VESPA ORIGINAL

             Os anos de história que se seguiram, no entanto, judiaram bastante do personagem que sentindo-se inferiorizado perante o poder dos outros membros da equipe, ganha estatura descomunal como o “Gigante” (Tales to Astonish #49 / Novembro 1963), e “Golias” (Avengers #28 / Maio 1966), mudanças de identidade que seriam explicadas mais tarde como uma esquizofrenia gerada como efeito colateral da absorção da mesma formula que lhe concedia os poderes, ora de encolhimento ora de aumento de tamanho. O personagem ainda mudaria para Jaqueta Amarela (The Avengers #59 / Dezembro 1968) anos mais tarde, e seria o responsável pela criação do vilão Ultron (nos filmes atribuída a Tony Stark) personificando o clichê do cientista genial ora do bem ora do mal.

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A CLÁSSICA HQ DO HERÓI

           Recuperado de seus atos, o Dr.Pym deu sua benção para que o ladrão Scott Lang o substituísse como Homem Formiga a partir de Março e Abril de 1979 quando David Micheline e John Byrne criaram o personagem que cairia no gosto popular. Outro personagem que compartilharia o poder da formula Pym foi o Dr. Bill Foster criado por Stan Lee e Don Heck (The Avengers #32 / Setembro 1966) que, depois de ajudar Pym, vem a se tornar o segundo Gigante, e mais tarde o “Golias Negro”. Foster chega às telas no novo filme vivido por Lawrence Fishburne.

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ALEX ROSS PINTA O GIGANTE EM “MARVELS”

          Todos esses personagens surgem nas telas desde o lançamento de “Homem Formiga” (2015), que acabou dirigido por Peyton Reed (Sim Senhor), depois que diferenças criativas afastaram Edgar Wright. O filme teve mudanças no tom pretendido inicialmente por Wright, que manteve crédito como co-autor do roteiro, que ainda teve contribuições de Joe Cornish, Adam McKay e do próprio Paul Rudd, intérprete do herói. Uma das discordâncias que levaram a saída de Edgar Wright era que este pretendia fazer um filme isolado, sem conexão com os demais do Estúdio Marvel. Além disso, a participação da Vespa seria praticamente nenhuma, e a jovem Hope (Evangeline Lily), filha do Dr.Pym (Michael Douglas) tinha passagem menor na trama. Um dos grandes feitos da mudança para a direção de Peyton Reed foi fazer do filme uma eficiente trama de assalto, valorizando a jornada de Lang como bandido regenerado que também luta para ser um pai melhor. Nos quadrinhos, Hank Pym descobriu depois de muito tempo que tinha uma filha chamada Nadia Van Dyne, de seu primeiro casamento, antes de conhecer a Janet. Curiosamente tanto Nadia quanto Hope significam “Esperança”, respectivamente em inglês e russo !!

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SURGE O GIGANTE

             O orçamento estimado em US$130 milhões tornou-se uma bilheteria mundial de mais de US$500 milhões coroando o fim da Fase Dois da Marvel. Peyton Reed assegurou assim seu retorno na sequência “Homem Formiga & Vespa”, mas ficou desapontado quando Scott vira o Gigante em sua segunda aparição nas telas em “Capitão América: Guerra Civil” (2016) já que o diretor queria que a estreia desse poder ficasse para o segundo filme solo do herói. O curioso é que o vilão escolhido para o novo filme, a “Fantasma” (Hannah John-Kamen), nos quadrinhos era inimigo do Homem de Ferro (Iron Man #219 / Junho 1987). Já o Agente secreto Jimmy Woo (Randall Park) apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em “Yellow Claw” #1 (1956) pela Editora Atlas, antecessora da Marvel.

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              Com altos e baixos em sua vida, o herói Hank Pym, vivido por Michael Douglas, é um dos primeiros criados pela clássica colaboração Stan Lee-Jack Kirby, tendo este último celebrado ano passado seu centenário, um gênio não tão badalado quanto Stan Lee. Provando que a soma das partes é maior que seus componentes, suas criações continuam a encantar gerações e parece longe de parar pois seja o incrível homem ou a mulher, eles encolheram mas a diversão é gigante!

GRANDE ESTREIA: OS INCRIVEIS 2

                   Quando “Os Incriveis” (The Incredibles) foi lançado, o chamado Universo Cinemático Marvel ainda não havia sido desenvolvido, embora já houvessem filmes do gênero bem sucedidos (Homem Aranha, X Men). Era uma questão de tempo que houvesse uma sequência, e quanto tempo !!! Brad Bird disse que só faria se tivesse uma boa ideia para explorar, e nesse meio tempo dirigiu “Ratatouille”(Oscar de melhor animação), “Missão Impossível: Protocolo Fantasma” e “Tomorrowland”, ao fim do qual finalmente assumiu a aguardada sequência das aventuras da família Pera.

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                A ideia para “Os Incriveis” veio à mente de Bird muito antes quando Brad tentava com dificuldade administrar seu tempo entre sua vida profissional e pessoal. Competente animador, Bird fez parte da equipe criativa de “Os Simpsons” durante suas primeiras oito temporadas e, mesmo com o fiasco de bilheteria de “O Gigante de Ferro” (The Iron Giant) em 1999, impressionou John Lasseter, o homem forte da Pixar. O roteiro de Bird foi criativo ao equilibrar ação e humor para mostrar uma família de super heróis proibida de usar seus poderes novamente devido ao prejuízo causado pelo rastro de destruição das batalhas travadas. Nessa realidade ser um super herói não tem nenhum glamour e a família Pera leva vidas monótonas no fictício subúrbio de Metroville. Pais de três filhos, a retraída adolescente Violeta e os meninos Flecha e Zezé que tem dificuldades de se inserir com crianças de sua idade. Bird conseguiu desglamourizar o gênero explorando o potencial de uma história que fala em como seria um mundo em que super heróis realmente existissem. Além disso a animação foi um triunfo da tecnologia dando à pele dos personagens humanos uma definição mais realista. Diferente das produções anteriores do estúdio, “Os Incriveis” foi o primeiro a ter protagonistas humanos tratando de temas como família, relação marido e mulher, morte e filhos hiperativos.

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               Claro que me meio a toda a diversão percebe-se referências obvias às histórias em quadrinhos. Da clássica Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons vem a ideia da realidade distópica em que a atividade dos heróis não é bem vista, e os personagens são claras alusões ao Quarteto Fantástico de Stan Lee e Jack Kirby, conseguindo diga-se de passagem obter um resultado melhor que os filmes do quarteto produzidos pela Fox. Os poderes da família incrível são reconhecíveis: O Sr. Incrivel é forte como o Superman, Violeta fica invisível, Flecha corre veloz, e a Mulher Elástica estica seu corpo além dos limites. Seu codinome, no entanto, gerou na época um problema pois já existe um Mulher Elástica nos quadrinhos da Dc Comics, membro da equipe Patrulha do Destino. A Pixar conseguiu um acordo onde o nome Mulher Elástica só seria usado no filme, enquanto nos matérias promocionais ela seria chamada de Sra Incrível. Entre os personagens destaca-se o vilão Síndrome que foi feito a partir das feições do próprio Brad Bird e a estilista Edna Moda dublada pelo próprio Bird, inspirada a partir de Edith Head que foi uma figurinista da clássica Hollywood, tendo trabalhado em filmes como “A Malvada” (1950) e “Golpe de Mestre” (1973) e tendo sido premiada com o Oscars por 8 vezes. Por último mas não menos importante para a história é o herói Gelado, melhor amigo do Sr Incrivel, e dublado originalmente por Samuel L.Jackson que já participou de vários filmes do Universo Marvel no papel de Nick Fury.

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               Se no primeiro filme o Sr.Incrivel é o foco da história, na continuação a Mulher Elástica protagoniza a trama, bem ao sabor do papel mais ativo das mulheres no mundo. O Sr Incrivel fica com a tarefa de cuidar dos filhos em casa, o que não é fácil principalmente com os vários poderes que Zezé, o mais novo, começa a manifestar. Mais uma vez não é ação desenfreada que mais importa, mas as relações familiares e os conflitos gerados pelo cotidiano de uma vida nada tão simples, e muitas vezes mais atribulada do que derrotar super vilões e salvar o mundo. “Os incríveis 2” é o filme mais longo da Pixar contando com 1 hora e 58 minutos, de acordo com o renomado site imdb. Sua história começa imediatamente após a conclusão do primeiro filme. Sendo o 20º filme do estúdio e quarto produto da Pixar a ganhar uma sequência, o filme seria lançado inicialmente somente em 2019 mas o cronograma adiantado deste levou os executivos a antecipar seu lançamento, deixando o também anunciado “Toy Story 4” para o próximo ano. Fiquem ligados nas várias referências e easter-eggs que se tornaram parte dos atrativos dos filmes da Pixar. Desta vez, estas incluem até mesmo os temas do clássico desenho “Jonny Quest” e da série de tv “Quinta Dimensão” dos anos 60.

               Certamente o sucesso será inevitável em meio ao cada vez maior número de filmes de super heróis que conquistam cada vez mais o público e a Disney sabe como explorar o filão, sendo a dona dos heróis Marvel. Já podemos garantir a pipoca e embarcar nessa diversão que vem sendo esperada há 14 anos. Quem sabe não teremos em breve também um MegaMente II? O mundo sempre precisa de heróis e nós de boa diversão, com o perdão da expressão obvia, simplesmente incrível !

GRANDE ESTREIA: HAN SOLO UMA HISTÓRIA DE STAR WARS

          Na década de 80 Harrisson Ford reinou nas telas como herói de ação fosse manejando o chicote de Indiana Jones ou pilotando a Millenium Falcon em Star Wars. Seu personagem nesta novela espacial é um contrabandista simpático e hábil com sua pistola laser, buscando lucro e diversão, com um sorriso de cafajeste estampado no rosto tal qual um Errol Flynn das estrelas. Ao longo da história virou comandante da rebelião, conquistou o coração de uma princesa e tornou-se um dos maiores heróis do cinema.  Com a franquia revitalizada pela Disney, sai de cena Harrisson Ford, de 76 anos, e Han Solo ganha o rosto do californiano Alden Ehrenreich, de 29 anos. Nomes como Ansel Elgort, Aaron Taylor-Johnson, Scott Eastwood, Rami Malek e Logan Lerman, entre outros, chegaram a ser cogitados para o papel nesse segundo derivado de Star Wars ( sendo o primeiro o bem sucedido “Rogue One”) que chega aos cinemas 35 anos depois do episódio VI “O Retorno de Jedi”.

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         A Disney foi hábil em não revelar os detalhes da história com os trailers divulgados. Sabe-se que a história se passa dez anos antes dos eventos do episódio IV “Uma Nova Esperança, e que o roteiro de Lawrence Kasdan (pela quarta vez escrevendo um episódio da saga) e seu filho Jonathan Kasdan explorarão os primeiros passos do personagem em uma vida de aventuras, o início de sua lealdade com o wokkie Chewbacca (Joonas Suotamo no lugar de Peter Mayhew) e seu encontro com o jogador Lando Calrissian (Donald Glover no lugar de Billy Dee Williams). No qual adquirirá a nave Millenium Falcon. Entre os personagens novos temos Woody Harrelson como Tobias Beckett (o mentor de Solo, papel que foi inicialmente pensado para Christian Bale); Emília Clarke (a Daenerys de “Game of Thrones” ) como Qi’Ra o principal papel feminino e interesse romântico do herói; Thandie Newton (Westworld) como Val, parceira de Tobias Beckett; além de Paul Bettany (o Visão dos Vingadores) como o vilanesco Drydes Vos, um gangster espacial. O elenco ainda tem nomes famosos como Jon Favreau (diretor dos dois primeiros “Homem de Ferro”), e Warwick Davis reunindo-se com o diretor Ron Howard com quem trabalho há mais de 30 anos em “Willow”. Será, no entanto, o primeiro filme da franquia que não terá os personagens droids R2D2 e C3PO, que sempre foram parte essencial dos eventos desdobrados nesta galáxia fictícia imaginada por George Lucas.

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         Han Solo é um dos personagens mais amados na saga “Star Wars”, tendo sido eleito 14º entre os 50 maiores heróis do cinema pelo AFI (American Film Institute), e já protagonizou aventuras individuais no universo estendido dos livros e hqs que já eram publicados antes que a Disney comprassem a LucasFilms. Essas histórias passaram a ser chamadas de “Lendas” e, portanto, desconsideradas do que seria oficial, deixando a Disney livre para criar novas histórias, como está fazendo com os novos filmes. Ainda houve o curta “Han Solo – A Smuggler’s Life” (2016) com Jaime Costa no papel central, realizado pelo fã Keith Allen, e que está disponível pelo You Tube, usando a mesma ideia de explorar a juventude de Solo. O filme centrado em Han Solo, que chega agora aos cinemas, começou a ser filmado ano passado por Phil Lord e Christopher Miller, que dirigiram “Anjos da Lei” (2012) e “Uma Aventura Lego” (2014). A dupla deixou a Disney insatisfeita ao conduzir as filmagens na base de muito improviso e imprimindo um resultado mais próximo de “Guardiões da Galáxia” (2014) do que da saga criada por George Lucas nos anos 70. Devido a essas diferenças criativas, Lord e Miller foram substituídos por Ron Howard (Uma Mente Brilhante, Código Da Vinci, Rush no limite da Emoção), primeiro diretor oscarizado a assumir um título da franquia. Curiosamente, Howard atuou no segundo filme de George Lucas (American Graffitte, de 1973), e dirigiu para ele “Willow na Terra da Magia” (1988). O destino parece ter conspirado a favor já que Ron Howard havia sido um dos nomes cotados para assumir a direção do episódio I “A Ameaça Fantasma” em 1999. Quando assumiu o derivado, o diretor refilmou grande parte do material já feito, mais de 80% segundo divulgado o site imdb. A trilha sonora de John Powell (quadrilogia Jason Bourne e animações como “Era do Gelo” e “Como Treinar seu Dragão”) recebeu a colaboração do mestre John Williams, compositor da trilha original, em uma das faixas buscando se conectar com o espírito dos episódios anteriores. O filme mal chega às telas e já se fala em um filme estrelado por Obi Wan Kenobi, e rumores ainda apontam uma sequência para as aventuras do jovem Solo, direcionando o personagem até o momento em que este encontra Luke e Obi Wan na cantina mostrada no episódio IV.

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            O encanto dessa história tem renovado seu público ao longo das últimas 3 décadas, e se mantido como um dos maiores expoentes da cultura pop ocidental, desde que Lucas (este completou 74 anos em 14 de Maio) sonhou com essa galáxia muito, muito distante onde a força continua a despertar.

 

CLÁSSICO REVISITADO : AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD – 80 ANOS

Houve uma época em que o cinema de aventura era representado por heróis espadachins. Estes fascinavam o grande público da mesma forma que hoje fazem os super heróis. Em vez de protagonistas voadores, vestindo armaduras tecnológicas ou de força sobrehumana, a Hollywood clássica tinha capa, máscara, chapéu e espadas. Um dos maiores filmes do gênero celebra a marca de 80 anos ainda com um frescor incomparável que o torna uma referência tanto em termos de cinema como na literatura da qual provem o ícone, ladrão ou rebelde, herói ou bandido, Robin Hood cujas aventuras foram imortalizadas no sorriso irônico e petulante de Errol Flynn.

POSTER ROBIN HOOD

         O personagem que entrou para a história como aquele que rouba dos ricos para dar aos pobres nasceu na época dos grandes trovadores que narravam grandes feitos em cantigas passadas de geração a geração em uma época que remonta o século XIII d.c. O poema Piers Plowman de 1377 é o primeiro registro escrito da lenda, de autoria de William Langand. A referência ao herói é breve, através de rimas, mas o suficiente como prova de este existiu. A coletânea de histórias que divergem entre si desde então dificulta o trabalho de historiadores em determinar o que é fato e o que foi ficção na história de Robert Locksley, um nobre privado de suas terras pelo Príncipe John que usurpou o trono do Rei Ricardo Coração de Leão, enquanto este participou das cruzadas. Na floresta de Sherwood adotou o nome de Robin, sendo Hood uma referência a um tipo de chapéu com pena. Nottingham, a cidade inglesa em que se desenrola a história, hoje homenageia o herói com estatua, museu, passeio pelos locais citados pela lenda e até mesmo uma bandeira ostentando a silhueta do herói desde 2010. Na literatura, Alexandre Dumas (autor de “Os Três Mosqueteiros”) já escreveu dois volumes  intitulados “Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões” (de 1872) e “Robin Hood, o Proscrito” (de 1873). Dez anos depois o escritor e ilustrador americano Howard Pyle publicou “The Merry Adventures of Robin Hood of Great Renown in Nottinghamshire”, revistando os vários feitos que entraram para o cânone da história como a luta de bastões com João Pequeno, o torneio de arco e flecha entre outras. Maid Marian, o interesse romântico do herói, não aparece em nenhuma das cantigas originais da lenda, aparecendo pela primeira vez em versões mais tardias, desde o século XVII.

ROBIN HOOD ESTATUA

A ESTÁTUA EM NOTTIGHAM HOJE

            Normal que da literatura, o personagem fosse retratado posteriormente no teatro, e no cinema, começando por 1922 em “Robin Hood” estrelado por Douglas Fairbanks, que no período do cinema mudo incorporou vários heróis similares. Acreditava-se que esta pérola tivesse sido perdida mas foi redescoberto nos anos 60, sendo restaurado em 2009 pelo Museu de Arte Moderna. 16 anos depois a Warner e a MGM disputavam realizar a primeira versão falada, mas foi a Warner quem acabou levando a cabo sua realização. Convidaram Douglas Fairbanks Jr para o papel central, mas este não estava disposto a repetir os feitos de seu pai. Foi então que o papel ficou com Errol Flynn, então com 28 anos, vindo do sucesso estrondoso alcançado em fitas como “Capitão Blood” (1935) e “A Carga da Brigada Ligeira” (1936), ambos dirigidos por Michael Curtiz e co-estrelado por Olivia DeHavilland. Curtiz foi chamado pela Warner para concluir as filmagens de “As Aventuras de Robin Hood”, iniciadas por William Keighley cuja lentidão nas filmagens ameaçava inflar orçamento e atrasar seu lançamento que veio a acontecer em maio de 1938.

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              Curtiz e Flynn se odiavam e, segundo consta certa vez Flynn teria se ferido superficialmente quando um dos dublês, em cena de duelo, teria lutado sem a proteção na ponta da espada, isso sob ordens de Curtiz. Os duelos foram exímios e coreografados com perfeição sob a supervisão do especialista Fred Cavens, que também teria treinado Flynn e Basil Rathbone em “Capitão Blood”. Apesar de Flynn ter corpo atlético e de notável elasticidade para o manejo da espada, Rathbone era um espadachim superior em cena. A bilheteria do filme encheu os cofres da Warner e, além do público, a crítica deu sua benção ao filme que teve 4 indicações ao Oscar, levando 3 (melhor edição, trilha sonora e direção de arte). O elenco de coadjuvantes também brilhou: Claude Rains foi um odioso Príncipe John; Alan Hale repetiu o papel de João Pequeno que também fizera na versão de Fairbanks, e que repetiria anos depois em “O Cavaleiro de Sherwood” (1950), além do casal cômico Bess (Uma O’Connor) – aia de Maid Marian – e Much (último papel de Herbert Mundin) – um dos fiéis homens de Robin.  O filme é o perfeito exemplo do amor cortês, da luta do bem contra o mal, dos ideais de liberdade que ecoam em meio a uma autoridade abusiva, tudo que precisávamos e, ainda precisamos, como vítimas de um governo corrupto, tão opressor quanto a nobreza representada pelo Príncipe John (Rains) e seu braço direito Sir Guy de Gisborrne (Rathbone).

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             O filme foi um prodigioso roteiro equilibrando momentos cômicos com pura ação. Nos diálogos do roteiro de Norman Reilly Raine e Selton Miller momentos memoráveis como Robin (Flynn) dizendo “Normandos ou Saxões não importa, o que odeio é a injustiça”. A Warner chegou a cogitar fazer uma sequência, mas acabou não acontecendo. No entanto várias versões renovaram o ícone perante o público nos rostos de interpretes como Cornel Wilde, John Derek, Richard Greene, Sean Connery, Patrick Bergin, Kevin Costner, Russell Crowe, Mathew Porreta entre outros na Tv ou no cinema. Recentemente, Robin Hood foi um dos personagens explorados com sucesso na série da Disney “Once Upon a Time”, vivido por Sean Maguire. Robin Hood foi a fonte de inspiração para Mort Weisinger criar o herói das hqs “Arqueiro Verde” em 1941, que originou a série de sucesso “Arrow”que já está em sua sexta temporada. Claro que toda essa popularidade mostra deve muito àquele sorriso petulante, audaciosa e galanteador com que Errol Flynn conquistou a Marian de Olivia deHavilland (fizeram juntos 8 filmes) e marcou o cinema Hollywoodiano, mesmo 80 anos depois daquela flecha ter atingido um alvo, o coração dos amantes da aventura.

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ESTREIAS DA SEMANA: 29 DE MARÇO DE 2018

UMA DOBRA NO TEMPO

DOBRA NO TEMPO

(A WINKLE IN TIME) EUA 2018, DIR: AVA DUVERNAY. COM STORM REID, DERIC MCCABE, LEVI MILLER, REESE WINTHERSPOON, OPRAH WINFREY, MINDY KAILING, CHRIS PINE, MICHAEL PEÑA, ZACH GAILIFIANAKIS, DAVID OYELOWO. FANTASIA.

DOIS IRMÃOS (REID & MCCABE) PROCURAM PELO PAI DESAPARECIDO, UM CIENTISTA QUE INVESTIGA UMA NOVA FORMA DE VIAGEM ESPACIAL. ÀS CRIANÇAS DE JUNTAM O AMIGO ESQUISITO CALVIN (MILLER) E TRÊS MULHERES COM PODERES MÁGICOS (WINTHERSPOON, WINFREY & KAILING)

A CO-AUTORA DO ROTEIRO É JENNIFER LEE, QUE ESCREVEU AS ANIMAÇÕES “DETONA RALPH” (2012), “FROZEN” (2013) E “ZOOTOPIA” (2016), SENDO ESTE SEU PRIMEIRO TRABALHO LIVE-ACTION, TAMBÉM ASSINADO POR JEFF STOCKWELL DE “PONTE PARA TERABÍTIA” (2007) E “DISTRITO 9” (2009). OS DOIS AUTORES REALIZARAM A PRIMEIRA ADAPTAÇÃO DO ROMANCE INFANTO-JUVENIL DE MADELEINE L’ENGLE, JÁ TENDO HAVIDO UMA ADAPTAÇÃO PARA A TV EM 2003.

PARECE QUE A DISNEY MIROU EM UM FILME QUE FALASSE DE QUESTÕES BEM ATUAIS COMO O EMPODEIRAMENTO FEMININO ATRAVÉS DAS TRES BRUXAS (WINTHERSPOON, WINFREY & KAILING) E DAS QUESTÕES INTER RACIAIS, ESSAS AUSENTES NO LIVRO. O FILME CARREGA O MÉRITO DE SER O PRIMEIRO COM ORÇAMENTO DE NOVE DÍGITOS A SER DIRIGIDO POR UMA MULHER NEGRA, AVA DUVERNAY, QUE NOS TROUXE EM 2015 O ÓTIMO “SELMA – UMA LUTA PELA IGUALDADE” PROTAGONIZADO POR DAVID OYELEWO, QUE DÁ VOZ AO VILÃO DE “UMA DOBRA NO TEMPO”, UM TÍTULO CURIOSO PARA UMA HISTÓRIA QUE FALA DE VIAGEM NO ESPAÇO,.E NÃO DO TEMPO.

O FILME NÃO É REGULAR, CARREGANDO NOS CLICHÊS E SEU RITMO DEIXA A DESEJAR MAS A MENSAGEM PRETENDIDA ESTÁ LÁ: FORA COM O BULLYING E A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO PAI-FILHOS, O QUE MOVE A PLATEIA COM UMA TRILHA SONORA QUE INCLUI SADE E DEMI LOVATO, EM IMAGENS FILMADAS EM LOCAÇÕES NA NOVA ZELÂNDIA. EMBORA O FILME NÃO TENHA IDO BEM NA BILHETERIA, A DIRETORA AVA DUVERNAY PARECE ESTAR SENDO SONDADA PELA WARNER PARA ASSUMIR UMA ADAPTAÇÃO DA HQ “NOVOS DEUSES” CRIADA POR JACK KIRBY. AGUARDEMOS NOVIDADES A RESPEITO.

NADA A PERDER – CONTRA TUDO E POR TODOS

NADA A PERDER

BRA 2018. DIR: ALEXANDRE AVANCINI. COM PETRONIO GONTIJO, BETH GOULART, EDUARDO GALVÃO, ANDRÉ GONÇALVES. BIOPIC.

CINEBIOGRAFIA DO PASTOR EDIR MACEDO, LÍDER DA IGREJA UNIVERSAL DE DEUS E EMPRESÁRIO MIDIÁTICO (DONO DA REDE RECORD). O ROTEIRO ADAPTA A SUA AUTOGIOGRAFIA E NÃO POUPA ADJETIVAÇÃO PARA RETRATA-LO DE FORMA IDEALISTA, QUASE QUE MESSIÂNICA. O PROTAGONISTA É MOSTRADO COMO UM PREDESTINADO QUE DESPERTA SEGUIDORES COM A MESMA INTENSIDADE QUE COLECIONA INIMIGOS.

O FILME, DIRIGIDO PELO MESMO ALEXANDRE AVANCINI QUE FEZ “OS DEZ MANDAMENTOS” PARA A EMPRESA DE MACEDO, É NITIDAMENTE VOLTADO PARA ANGARIAR NOVOS SEGUIDORES, E REAFIRMAR A FÉ COMO UMA VERDADE ABSOLUTA. SE POR UM LADO A LIBERDADE DE EXPRESSÃO JUSTIFICA VÁRIAS DAS NUANCES MOSTRADAS, POR OUTRO ESTA MESMA LIBERDADE CAREÇE DA SUSTENTAÇÃO DE UMA REFLEXÃO QUE SERVISSE COMO O OUTRO LADO DO LIVRE ARBITRIO.

COMO FILME É CONVENCIONAL, E ÓBVIO NAS SUAS INTENÇÕES SERVINDO COMO PROPAGANDA RELIGIOSA  E NADA MAIS.

JOGADOR NÚMERO UM

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(READY PLAYER #1) EUA 2018. DIR: STEVEN SPIELBERG. COM TY SHERIDAN, OLIVIA COOKE, BEN MENDELSOHN,  SIMON PEGG, 

EM 2044, AS PESSOAS SE CONECTAM AO OASIS, UM MUNDO EM REALIDADE VIRTUAL CUJO CRIADOR MORRE DEIXANDO UMA FORTUNA. PARA DESCOBRÍ-LA É NECESSÁRIO PASSAR POR UMA SÉRIE DE FASES RECHEADAS DE ENIGMAS BASEADAS NA CULTURA POP DOS ANOS 80, O QUE O JOVEM WADE (SHERIDAN) DOMINA MUITO BEM.

O FILME RESGATA O PODER SPIELBERGUIANO DE CRIAR UMA FANTASIA QUE FALE PARA TODAS AS IDADES COM O GOSTINHO DAS REFERÊNCIAS AOS ANOS 80, DÉCADA DA QUAL O DIRETOR FEZ PARTE. BASEADO NO LIVRO DE ERNEST CLINE, O FILME LEMBRA UM POUCO A PREMISSA DE “A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE”, E O PRÓPRIO SPIELBERG TERIA CONVIDADO GENE WILDER (O WILLY WONKA ORIGINAL) PARA FAZER UMA PARTICIPAÇÃO, MAS ESTE DECLINOU DEVIDO AO SEU ESTADO DE SAUDE. O LIVRO DE CLINE É RECHEADO DE REFERÊNCIAS AOS FILMES DE SPIELBERG, MAS ESTE PEDIU QUE O ROTEIRO ELIMINASSE TAIS REFERÊNCIAS.

O FILME INTEIRO É COMO UMA SUCESSÃO DE EASTER EGGS, INCLUINDO “O ILUMINADO”, “DE VOLTA PARA O FUTURO”, “TOMB RAIDER” , “TRON” ETC…, O PROJETO MAIS DIFICIL DA CARREIRA DO DIRETOR DESDE “O RESGATE DO SOLDADO RYAN” NAS PALAVRAS DO PRÓPRIO.

 

 

TRAILLER: UMA DOBRA NO TEMPO / MEDO PROFUNDO

UMA DOBRA NO TEMPO (A WINKLE IN TIME)

DO QUE SE TRATA? DOIS IRMÃOS PROCURAM PELO PAI DESAPARECIDO, UM CIENTISTA PERDIDO EM UMA OUTRA DIMENSÃO. NO ELENCO TEM CHRIS PINE, OPRAH WINFREY,  REESE WINTERSPOON E GRANDE ELENCO. O FILME É PRODUÇÃO DISNEY E ESTÁ AGENDADA PARA 29 DE MARÇO.

MEDO PRODUNDO (47 METERS DOWN)

DO QUE SE TRATA ? DUAS IRMÃS FICAM PRESAS NO FUNDO DO MAR CERCADA POR VÁRIOS TUBARÕES BRANCOS, COM POUCO AR PARA RESPIRAR E ISOLADAS DO SOCORRO DA SUPERFÍCIE. GRANDE SUCESSO NOS ESTADOS UNIDOS ANO PASSADO E CHEGA AO CIRCUITO NACIONAL COM ATRASO. JÁ ESTÁ CERTO CERTO UMA SEQUÊNCIA PARA BREVE QUE SERÁ FILMADA NO BRASIL. NO ELENCO: MANDY MOORE, CLAIRE HOLT, MATTHEW MODINE. ESTREIA EM NOSSOS CINEMAS EM 8 DE MARÇO.

IN MEMORIAN : ROBERT GUILLAUME

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Faleceu no último dia 24 o ator Robert Guillaume, famoso por ter dublado Rafiki na animação “Rei Leão” (1995). Com uma extensa filmografia, em maior parte advinda de trabalhos na TV, eu particularmente guardo com carinho sua atuação na sitcom “O Poderoso Benson” (1979-1986) em que interpretou o espirituoso e sábio mordomo do governador de Nova York. A série foi exibida no Brasil na segunda metade da década de 80 na faixa “Sessão Comedia” da Rede Globo.