STAR WARS : A FORÇA SEMPRE ESTEVE CONOSCO

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Eu tinha 7 anos (a idade que hoje minha filha tem) quando conheci o que era “Star Wars”, que na época chamávamos de “Guerra Nas Estrelas”. Na essência parecia uma história medieval de cavaleiros e magos, mas com uma roupagem futurista, encenada em planetas distantes. O apelo visual era irresistível, estimulado pela magnífica trilha sonora de John Williams. Foi então um fenômeno sem precedentes aparecendo na capa de revistas e jornais muito antes do surgimento da ideia de uma franquia, antes da popularização do termo trilogia, bebendo de diversas fontes: literárias (a influência de “O Senhor dos Aneis” foi admitida pelo próprio George Lucas), cinematográficas (os antigos seriados da Republic) e HQs (Flash Gordon de Alex Raymond). A mistura desses elementos se deu na mente do Californiano George Walton Lucas Jr, fantasias muito além das limitações de espaço do rancho em que foi criado.

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Há  38 anos atrás em uma galáxia muito distante

Foi Francis Ford Coppola quem abriu as portas do mundo do entretenimento para George Lucas. Este trabalhou como assistente de Coppola em “Caminhos mal-traçados” (The Rain People). Coppola lhe ensinou tudo sobre os bastidores do cinema, produziu seu primeiro filme como diretor “THX 1138” e usou de seu prestígio para conseguir para Lucas o financiamento necessário para “Loucuras de Verão” (American Graffite) em 1973, já com o selo da “LUCASFILM LTD”. Com o sucesso desse filme (vencedor do Golden Globe e indicado ao Oscar), Lucas obteve a moral necessária para escrever “Star Wars” dividindo sua história em nove capítulos. Montou a “Industrial Light & Magic” para desenvolver os efeitos especiais e conseguiu um acordo com a 20th Century Fox que lhe garantiu a permanência dos direitos autorais, que o enriqueceu.
No Brasil, o filme “Star Wars – Uma Nova Esperança” era um risco pois nada naquela proporção havia sido feita com sucesso em Hollywood, por isso foi comercialmente melhor rebatizar o filme como “Guerra nas Estrelas”, omitindo o fato de que este era o quarto episodio da história. Lançado no Brasil em 18 de Novembro de 1977 (seis meses depois do lançamento original nos Estados Unidos) tendo contado com um orçamento de cerca de onze milhões de dólares (custo bem baixo para uma produção do tipo). Lucas sempre foi uma pessoa difícil de se trabalhar de acordo com histórias de bastidores e depoimentos dos envolvidos nas filmagens que ocorreram em estudios na Inglaterra e no deserto da Tunísia.

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O trio central da história foi feito por atores desconhecidos na época: Mark Hammil como Luke Skywalker, Carrie Fisher (filha da atriz Debbie Reynolds) como Princesa Leia e Harrison Ford como o mercenário Han Solo, um tipo com a estirpe de um Errol Flynn, cafajeste mas de bom coração. Na história, rebeldes lutam contra o Império Galático representado pelo maligno Grand Moff Tarkin (o icônico Peter Cushing) e o maior vilão dos cinemas, Darth Vader (David Prowse dublado por James Earl Jones) uma postura de nobre mas ameaçadora e misteriosa tal qual a figura de um Drácula espacial. A luta pela libertação de todo um sistemas galático move os personagens que sobrevivem a perigos sucessivos, todos guiados pela sabedoria extinta dos Jedis (antigos guardiães da paz) representada pela figura de Sir Alec Guiness no papel de Obi Wan Kenobi. O ator britânico de renomada passagem pelo teatro e pelo cinema (Dr.Jivago, Lawrence da Arábia, A Ponte do Rio Kwai, Os Farsantes) guarda histórias conflitantes: Algumas fontes atestam que Guiness detestava estar envolvido no filme odiando suas falas e a história que consideraria muito inferior. Contudo, outros como o próprio George Lucas, declararam que a relação de Guiness era amistosa e profissional com todos os colegas de equipe. Apesar do trio de heróis rebeldes, é a figura de Guiness como Obi Wan que guia o desenrolar da história e explica a natureza da “Força”, o campo de energia vital que se torna tanto uma conduta religiosa como uma arma defensiva tão eficiente como os charmosos sabres de luz, herdeiros das cimitarras e espadas dos antigos épicos de cavalaria.

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Uma das cenas mais icônicas

Três anos depois do sucesso deste veio “O Império Contra Ataca” (The Empire Strikes Back) dirigido por Irving Keshner, quase uma unanimidade entre os fãs como o melhor filme da série. Na verdade, sendo o episódio cinco, o filme de Keshner desenvolve os personagens continuando exatamente de onde o anterior parou. Aos heróis se somam a figura de Lando Calrissian (Billy Dee Williams), chefe de uma colônia de mineração no espaço e Yoda (Frank Oz), mestre Jedi de 900 anos que será responsável pela continuidade do treinamento de Luke e que guarda um segredo que guiará os rumos da história. Entre lutas e perseguições, fica mais evidente que o triângulo Luke-Lea-Han Solo será desfeito conforme as verdades de cada um surgem, culminando com Solo congelado ao final para ser entregue a Jabba com uma declaração de amor de Leia (Fisher) a qual Solo responde “Eu Sei”, conforme o próprio Harrison Ford insistiu em vez do obvio “Eu te amo também”. Nada mais impactante, contudo, do que a esperada luta entre Luke e Darth Vader em que este revela que é pai do jovem Jedi. No intervalo de filmagens entre os episodios IV e V Mark Hammil sofreu um acidente de carro que desfigurou seu rosto e o levou a uma cirurgia de reconstituição plástica. Por isso seu rosto está tão diferente em “O Império Contra Ataca”, o que foi justificado no início do filme quando Luke enfrenta uma criatura no planeta Hoth.
Em 1985, exatos trinta anos atrás, a trilogia se encerraria com “O Retorno de Jedi” (The Return Of Jedi) dirigido desta vez por Richard Marquand, e que quase foi batizado de “Revenge of the Jedi” (A Vingança dos Jedi). O filme fecha as pontas soltas e decide o destino dos personagens com o combate final entre os rebeldes e o Império; a luta entre Luke e o maligno Imperador (Ian McDiarmind ) , a surpresa de que Luke e Lea são irmãos deixando o caminho livre para o romance entre Lea e Han Solo, o que contrariou as expectativas de Harrison Ford que queria que seu personagem morresse no final. Claro, que a cereja do bolo seria a luta decisiva entre pai e filho, essencial para fazer a galáxia pender para o bem ou para o mal. O último filme ainda trouxe uma Leia mais sensual, em trajes de escrava de Jabba e os Ewoks, que ganharam até um filme solo. Com o final deste, a saga tomou novos rumos: continuidade em HQs e livros, games, uma nova trilogia contando os episódios 1,2 e 3 e a remasterização feita por Lucas que modificou cenas, inseriu novos cortes, corrigiu os efeitos que evoluíram desde 1977, mas desagradou a vários fans porque mexeu em sequencias inteiras como removendo David Prowse para incluir Hayden Christesen no final de “O Retorno de Jedi”.

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O impacto cultural de Star Wars foi além da industria cinematográfica, reviveu o interesse de Hollywood pela ficção cientifica que abandonou a aura de “filme B” , criou imitadores em seu rastro e parodias como “SOS Tem um Louco Solto No Espaço” (Spaceballs) de Mel Brooks e o nacional “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” com Renato Aragão, Dede Santana, Mussum e Zacarias (foi o primeiro filme reunindo o quarteto). Foi assim que tudo começou, com “Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante”, uma modernização do clássico “Era Uma Vez’ que ditou os rumos da cultura pop descobrindo os desígnios da Força. Assim também todos nós, incluindo este que vos escreve.