BOND 16 : 007 PERMISSÃO PARA MATAR

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1989 foi um ano de muita concorrência no cinema: O Batman de Tim Burton, Máquina Mortífera 2, Indiana Jones & A Última Cruzada entre outros dividiam a atenção do público e as gordas bilheterias das salas de exibição. Em meio a tudo Timothy Dalton retorna como James Bond em “007 Permissão Para Matar” (License to Kill) em um filme que desagradou muito aos fãs. Na época, o roteirista   Richard Maibaum (em seu último trabalho na série) usou alguns elementos de “Live & Let Die” e “ The Hildebrand Rarity”, este último um conto inicialmente publicado na revista Playboy em 1960 e depois incluída na coletânea “For Your Eyes Only” .

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No filme, o agente da CIA Felix Leiter (David Hedison), amigo   pessoal de Bond, se casa mas é capturado e torturado pelo traficante de drogas Franz Sanchez (Robert Davi). A esposa de Leiter morre e o ex-agente fica entre a vida e a morte. Bond, praticamente, se rebela diante da inatividade do serviço secreto britânico, abandona seu trabalho e parte em missão pessoal para encontrar e matar Sanchez. Bond,   recebe a ajuda de Q (Desmond Llewellyn), se infiltra no grupo do vilão e conquista sua confiança com o objetivo de desbaratar sua organização e matá-lo. A história se desdobra como um filme de ação convencional e a figura de Bond ganha contornos mais humanos uma vez que este se entrega a um irrefreável instinto de retaliação. As bond-girls Pam Bouvier (Carey Lowell) e Lupe Lamora (Talisa Soto) dividem a atenção de 007  e se integram à ação em que terão que escolher um lado,  em uma história de vingança pessoal, destituída de qualquer contextualização política. David Hedison reprisa o papel de Felix Leiter que fizera em “Com 007 Viva & Deixa Morrer” em 1974, sendo o primeiro ator a reprisar o personagem que tivera outros intérpretes em outros filmes. O vilão da vez ficou com Robert Davi, mais lembrado como um dos irmãos Fratelli em “Os Goonies”.

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Foi a primeira vez que um filme de 007 teve um título (que a princípio seria “License Revoked” ) sem nenhuma conexão com os livros de Ian Fleming. Analisando como um filme da série é razoável, menor quando comparado ao filme anterior, mas ainda superior a outros, principalmente à era Moore. Analisando como um filme de ação é bom e funciona por dinamizar mais as motivações de seu protagonista, um direcionamento que seria retomado muitos anos depois em “Quantum Of Solace”, já na era Craig.  A bilheteria baixa do filme foi decepcionante para o apelo que sempre se esperou de um filme de 007, sendo considerada a pior arrecadação da série, o que não significa dizer que tenha sido um prejuízo uma vez que seu custo de $32 milhões deu um retorno internacional de mais de $250 milhões na época.

O contrato de Dalton, na época, previa um terceiro filme que acabou não acontecendo porque a MGM e a United Artists foram vendidas a um grupo australiano que planejava fazer uso dos filmes da franquia sem acordo comum com a EON Pictures de Albert Broccoli. A disputa judicial paralisou sucessivamente todas as tentativas de se iniciar um novo filme. Nos seis anos que se seguiram até que os aspectos legais fossem resolvidos, o contrato de Dalton expirou sem que o ator galês se interessasse em renovar, uma vez que sua carreira teatral  se consolidava com sucesso. Bond só retornaria em 1995 já com um novo intérprete, mas isso é história para o próximo artigo.

 

BOND RETORNA AO BLOG EM “007 CONTRA GOLDENEYE