GALERIA DE ESTRELAS : CENTENÁRIO DE DEAN MARTIN

DEAN MARTIN 1                 Uma belíssima voz e um ar de gozador que contrastava com  a figura de incorrigível conquistador. Assim o mundo aprendeu a conhecer Dean Martin, que conquistou o mundo do entretenimento nos três principais veículos de massa (rádio, Tv e cinema), razão pela qual é um dos poucos a ter três estrelas na calçada da fama, uma para cada uma destas  em que se sagrou um dos maiores artistas do século XX.

DEAN 2

                  Dino, como também ficou conhecido, pode ser ouvido em filmes como “Cassino” (1995), “Os Bons Companheiros” (1989), em séries de TV como Friends, House e até em desfiles de moda como o “Victoria’s Secret Fashion Show” em 2008 mostrando que o apelo de sua voz sedutora foi além de sua morte em 1995. Seu sucesso não foi imediato para esse filho de imigrantes italianos nascido em 7 de junho de 1917, batizado Dino Paulo Crocetti. Teve uma infância pobre em Steubenville, Ohio falando apenas italiano em casa com os pais e o irmão até os 5 anos. Quando entrou para a escola, sofreu bullying pelo forte sotaque italiano. Ainda muito jovem foi trabalhar como cropier em um cassino, operário na industria do aço e boxeador sob a alcunha de Kid Crochett. Mais tarde, já uma celebridade fez piada dizendo que só perdera onze vezes mas que poderia ter feito história no esporte. Uma boa piada era algo que nunca perdia, pois apesar da fama de mulherengo e beberrão, Dean sempre foi um brincalhão, de língua ferina. Certa vez disse que viu uma estatua de cera do colega James Stewart, e ressaltou que esta “falava melhor do que o original”.

MARTIN E ESPOSA

DINO & A SEGUNDA ESPOSA JEANNE

                   Esta veia humorística, sempre disposto a tirar um “sarro” de tudo foi parte da química que demonstrou com Jerry Lewis com quem fez dupla por mais de dez anos. Quando ainda eram talentos desconhecidos, se encontraram casualmente  em 1945 no Glass Hat Club em Nova York, mas em apresentações separadas. O destino interveio para que um ano depois voltassem a se encontrar em Atlantic City, no 500 Club quando pressionados a apresentar algo atraente ao público ou seriam demitidos, improvisaram uma serie de sketches onde Martin tenta cantar, mas é interrompido pelos desastres causados por Lewis. O resultado foi uma onda contagiante de gargalhadas que levou a outras apresentações, chegando ao famoso Copacabana Club em Nova York, e pouco tempo depois ao lendário “Ed Sullivan Show” na TV.

MARTIN E LEWIS.jpg

              Algum tempo depois já estavam diante de HaL B.Wallis, homem forte da Paramount que os contratou para ser o alívio Cômico de “Minha Amiga Irma” (My Friend Irma) de 1949. Nos dez anos seguintes, a dupla Martin & Lewis se tornou um campeão de bilheteria já protagonizando a partir de “O Palhaço do Batalhão” (At War With The Army) de 1950. A formula dos 16 filmes que fizeram juntos era simples: Martin cantava, conquistava as mulheres enquanto Lewis aloprava destilando seu histrionismo cênico. Deste período, um dos melhores é “Artistas & Modelos” (Artists & Models) de 1956 dirigido pelo mestre Frank Tashlin. Nele, os papeis da dupla relembram os dias em que procuravam se encaixar no showbizz, interpretando Rick Todd, um pintor desconhecido e Eugene Fullstack, um aspirante a escritor de histórias infantis, precursor dos nerds fâs de histórias em quadrinhos. Curioso que era Martin, e não Lewis, quem gostava do gênero. A crescente insatisfação de Martin e o controle cada vez maior de Lewis levou a desentendimentos e à separação da dupla em 1956.

MASTT HELM.jpg

MATT HELM

               Ainda que vendesse muitos discos na época, muitos detratores apontavam Dean como a metade menos talentosa da dupla. Seu primeiro filme em carreira solo “Dez Mil Alcovas” (Ten Thousand Bedrooms) de 1957 não foi bem sucedido. Determinado a se provar um ator dramático, Dean assumiu o papel de um  soldado americano no drama “Os Deuses Vencidos” (Young Lions) de Edward Dymitrik em 1958, dividindo a cena com Marlon Brando e Montgomery Cliff. Este ajudou Dean a se colocar diante da câmera e mudando sua imagem, ao que Martin foi mais do que grato apoiando Cliff em seus problemas pessoais. Provando de vez seu valor, o ator fez o papel de um delegado bêbado em “Onde Começa o Inferno” (Rio Bravo) de Howard Hawks em 1959, contracenando com John Wayne.

RAT PACK

THE RAT PACK

               Entrando a década de 60, Dean Martin desbancou os Beatles das paradas de sucesso com a gravação de “Everybody Loves Somebody” que tornou-se uma marca sua dentre as mais de 600 canções que gravou, entre elas também a balada “That’s Amore” em que usa de seu charme ítalo-americano para embalar romances. Sua carreira ganhou novo impulso quando se juntou a Frank Sinatra, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joey Bishop formando o “Rat Pack” (apelido que teria sido atribuído por Lauren Bacall) em apresentações por toda a Las Vegas além de uma série de filmes incluindo “Onze Homens & Um Segredo” (Ocean’s Eleven) de 1960, que seria refilmado décadas depois por Steven Sodenbergh.

DEAN E JERRY REECONTRO

O REENCONTRO COM JERRY LEWIS NOS ANOS 70

              Nesta fase, Martin popularizou sua imagem de mulherengo e beberrão, o que seu filho Dean Paul Martin, anos depois desmistificou dizendo que seu pai somente bebia suco de maçã, mas gostava de fazer todos pensarem que era bebida alcoólica. Martin fez de seu “The Dean Martin Show” um dos programas mais bem vistos da TV americana, durante dez anos e levando um Golden Globe por isso. Mesmo que nunca viesse a ter uma indicação ao Oscar, Dean Martin parecia não se importar. Cantava, contava piadas, se divertia e divertia a todos de forma despretensiosa, como na série de quatro filmes que fez no papel do agente secreto Matt Helm, uma parodia de 007 onde Dean cultivava a persona que criara para seu público. Este não sabia que ele era um amigo leal, tendo se desligado da produção de “Something Gotta Give” depois da morte da estrela Marilyn Monroe com quem contracenaria. Também desistiu de um quinto Matt Helm depois que a estrela Sharon Tate foi assassinada. Martin disfarçava sua sensibilidade e mantinha uma rotina relativamente tranquila sempre que podia, saindo cedo de suas apresentações para jogar golf no dia seguinte ou passando o máximo de tempo possível ao lado dos filhos tal qual um pai amoroso que era para seus filhos, quatro do primeiro casamento com Betty McDonald e três do casamento com Jeanne Biegger. De seu terceiro casamento com Catherine Hawn adotou a filha desta durante os três anos em que ficaram juntos até 1976.

artistas.jpg

ARTISTAS & MODELOS: DEAN MARTIN, DOROTHY MALONE, JERRY LEWIS & SHIRLEY MACLAINE

               Nos anos 70 fez as pazes com Jerry Lewis aparecendo de surpresa no Telethon apresentado pelo ex companheiro, tudo por intermédio de Frank Sinatra. Outro grande sucesso foi seu papel de piloto em “Aeroporto” (Airport) de 1970, que iniciou o ciclo dos filmes catástrofes. A tragédia se abateu sobre o artista quando seu filho Dean Paul Martin, então com 36 anos, morreu em um desastre aéreo. Para quem conhecia Dean Martin pessoalmente, contava-se que naquele dia ele também morreu. Retirou-se da vida pública, se isolou, mergulhando na bebedeira e no cigarro. Relatava-se que era como se ele tivesse desistido de viver pois mesmo quando foi diagnosticado com Câncer em 1993 se recusou a fazer uma cirurgia que prolongaria sua vida, vindo a fazer sua passagem na noite de Natal de 1995. Triste final para um artista que trazia alegria para tantos e que n os mostrou que todos amam alguém, e todos amamos de fato o artista extraordinário que foi Dean Martin.

IN MEMORIAN : ZSA ZSA GABOR

zsa-zsa

A geração atual não a conhece, mas Zsa Zsa Gabor (1917 – 2016) – falecida nesse domingo últmo – foi uma das grandes estrelas do cinema e da Tv. Tendo estrelado a versão original de “Moulin Rouge” (1952) de John Houston, eu a conheci como a vilã Minerva, no último episódio da série “Batman” (1966-1969), aquela com Adam West e Burt Ward. Zsa Zsa Gabor também esteve em outras séries de Tv como “Mister Ed” e “Bonanza”. Em 1954 esteve a lado de Jerry Lewis e Dean Martin em “O Rei do Circo” (Three Ring Circus) e em 1958 esteve no clássico de Orson Welles “A Marca da Maldade” (Touch of Evil). A atriz húngara teve vida social agitada, ficando famosa por sua sensualidade e língua ferina com a qual teria dito certa vez “Nunca odiei um homem o suficiente para devolver-lhe suas jóias”. Sári Gábor, seu nome de nascimento, desapareceu em favor da persona que vestiu dentro e fora das telas, conferindo-lhe status de celebridade excêntrica. Casou-se nove vezes, tendo mantido casos com Frank Sinatra, Howard Hughes e Conrad Hilton, dono da famosa rede de hoteis Hilton. Publicou em 1992 sua auto-biografia “Uma Vida Não é Suficiente” com as memórias de suas aventuras com todos os excessos e peculariedades. Que descanse em paz e que sua passagem seja de luz.