ESTREIAS DA SEMANA: 29 DE MARÇO DE 2018

UMA DOBRA NO TEMPO

DOBRA NO TEMPO

(A WINKLE IN TIME) EUA 2018, DIR: AVA DUVERNAY. COM STORM REID, DERIC MCCABE, LEVI MILLER, REESE WINTHERSPOON, OPRAH WINFREY, MINDY KAILING, CHRIS PINE, MICHAEL PEÑA, ZACH GAILIFIANAKIS, DAVID OYELOWO. FANTASIA.

DOIS IRMÃOS (REID & MCCABE) PROCURAM PELO PAI DESAPARECIDO, UM CIENTISTA QUE INVESTIGA UMA NOVA FORMA DE VIAGEM ESPACIAL. ÀS CRIANÇAS DE JUNTAM O AMIGO ESQUISITO CALVIN (MILLER) E TRÊS MULHERES COM PODERES MÁGICOS (WINTHERSPOON, WINFREY & KAILING)

A CO-AUTORA DO ROTEIRO É JENNIFER LEE, QUE ESCREVEU AS ANIMAÇÕES “DETONA RALPH” (2012), “FROZEN” (2013) E “ZOOTOPIA” (2016), SENDO ESTE SEU PRIMEIRO TRABALHO LIVE-ACTION, TAMBÉM ASSINADO POR JEFF STOCKWELL DE “PONTE PARA TERABÍTIA” (2007) E “DISTRITO 9” (2009). OS DOIS AUTORES REALIZARAM A PRIMEIRA ADAPTAÇÃO DO ROMANCE INFANTO-JUVENIL DE MADELEINE L’ENGLE, JÁ TENDO HAVIDO UMA ADAPTAÇÃO PARA A TV EM 2003.

PARECE QUE A DISNEY MIROU EM UM FILME QUE FALASSE DE QUESTÕES BEM ATUAIS COMO O EMPODEIRAMENTO FEMININO ATRAVÉS DAS TRES BRUXAS (WINTHERSPOON, WINFREY & KAILING) E DAS QUESTÕES INTER RACIAIS, ESSAS AUSENTES NO LIVRO. O FILME CARREGA O MÉRITO DE SER O PRIMEIRO COM ORÇAMENTO DE NOVE DÍGITOS A SER DIRIGIDO POR UMA MULHER NEGRA, AVA DUVERNAY, QUE NOS TROUXE EM 2015 O ÓTIMO “SELMA – UMA LUTA PELA IGUALDADE” PROTAGONIZADO POR DAVID OYELEWO, QUE DÁ VOZ AO VILÃO DE “UMA DOBRA NO TEMPO”, UM TÍTULO CURIOSO PARA UMA HISTÓRIA QUE FALA DE VIAGEM NO ESPAÇO,.E NÃO DO TEMPO.

O FILME NÃO É REGULAR, CARREGANDO NOS CLICHÊS E SEU RITMO DEIXA A DESEJAR MAS A MENSAGEM PRETENDIDA ESTÁ LÁ: FORA COM O BULLYING E A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO PAI-FILHOS, O QUE MOVE A PLATEIA COM UMA TRILHA SONORA QUE INCLUI SADE E DEMI LOVATO, EM IMAGENS FILMADAS EM LOCAÇÕES NA NOVA ZELÂNDIA. EMBORA O FILME NÃO TENHA IDO BEM NA BILHETERIA, A DIRETORA AVA DUVERNAY PARECE ESTAR SENDO SONDADA PELA WARNER PARA ASSUMIR UMA ADAPTAÇÃO DA HQ “NOVOS DEUSES” CRIADA POR JACK KIRBY. AGUARDEMOS NOVIDADES A RESPEITO.

NADA A PERDER – CONTRA TUDO E POR TODOS

NADA A PERDER

BRA 2018. DIR: ALEXANDRE AVANCINI. COM PETRONIO GONTIJO, BETH GOULART, EDUARDO GALVÃO, ANDRÉ GONÇALVES. BIOPIC.

CINEBIOGRAFIA DO PASTOR EDIR MACEDO, LÍDER DA IGREJA UNIVERSAL DE DEUS E EMPRESÁRIO MIDIÁTICO (DONO DA REDE RECORD). O ROTEIRO ADAPTA A SUA AUTOGIOGRAFIA E NÃO POUPA ADJETIVAÇÃO PARA RETRATA-LO DE FORMA IDEALISTA, QUASE QUE MESSIÂNICA. O PROTAGONISTA É MOSTRADO COMO UM PREDESTINADO QUE DESPERTA SEGUIDORES COM A MESMA INTENSIDADE QUE COLECIONA INIMIGOS.

O FILME, DIRIGIDO PELO MESMO ALEXANDRE AVANCINI QUE FEZ “OS DEZ MANDAMENTOS” PARA A EMPRESA DE MACEDO, É NITIDAMENTE VOLTADO PARA ANGARIAR NOVOS SEGUIDORES, E REAFIRMAR A FÉ COMO UMA VERDADE ABSOLUTA. SE POR UM LADO A LIBERDADE DE EXPRESSÃO JUSTIFICA VÁRIAS DAS NUANCES MOSTRADAS, POR OUTRO ESTA MESMA LIBERDADE CAREÇE DA SUSTENTAÇÃO DE UMA REFLEXÃO QUE SERVISSE COMO O OUTRO LADO DO LIVRE ARBITRIO.

COMO FILME É CONVENCIONAL, E ÓBVIO NAS SUAS INTENÇÕES SERVINDO COMO PROPAGANDA RELIGIOSA  E NADA MAIS.

JOGADOR NÚMERO UM

JOGADOR NUMERO UM.png

(READY PLAYER #1) EUA 2018. DIR: STEVEN SPIELBERG. COM TY SHERIDAN, OLIVIA COOKE, BEN MENDELSOHN,  SIMON PEGG, 

EM 2044, AS PESSOAS SE CONECTAM AO OASIS, UM MUNDO EM REALIDADE VIRTUAL CUJO CRIADOR MORRE DEIXANDO UMA FORTUNA. PARA DESCOBRÍ-LA É NECESSÁRIO PASSAR POR UMA SÉRIE DE FASES RECHEADAS DE ENIGMAS BASEADAS NA CULTURA POP DOS ANOS 80, O QUE O JOVEM WADE (SHERIDAN) DOMINA MUITO BEM.

O FILME RESGATA O PODER SPIELBERGUIANO DE CRIAR UMA FANTASIA QUE FALE PARA TODAS AS IDADES COM O GOSTINHO DAS REFERÊNCIAS AOS ANOS 80, DÉCADA DA QUAL O DIRETOR FEZ PARTE. BASEADO NO LIVRO DE ERNEST CLINE, O FILME LEMBRA UM POUCO A PREMISSA DE “A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE”, E O PRÓPRIO SPIELBERG TERIA CONVIDADO GENE WILDER (O WILLY WONKA ORIGINAL) PARA FAZER UMA PARTICIPAÇÃO, MAS ESTE DECLINOU DEVIDO AO SEU ESTADO DE SAUDE. O LIVRO DE CLINE É RECHEADO DE REFERÊNCIAS AOS FILMES DE SPIELBERG, MAS ESTE PEDIU QUE O ROTEIRO ELIMINASSE TAIS REFERÊNCIAS.

O FILME INTEIRO É COMO UMA SUCESSÃO DE EASTER EGGS, INCLUINDO “O ILUMINADO”, “DE VOLTA PARA O FUTURO”, “TOMB RAIDER” , “TRON” ETC…, O PROJETO MAIS DIFICIL DA CARREIRA DO DIRETOR DESDE “O RESGATE DO SOLDADO RYAN” NAS PALAVRAS DO PRÓPRIO.

 

 

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FROZEN – UMA AVENTURA ELETRIZANTE / CRÍTICA

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              A Disney fez de novo.  “Frozen – Uma Aventura Eletrizante”, a nova animação do estúdio, é um primor não só na qualidade da animação como também no roteiro. Baseado no conto “A Rainha da Neve”, do escritor dinamarquês Hans Chrtistian Andersen ( o mesmo autor de “A Pequena Sereia” ) , a história toca em pontos como o medo e a vontade de aceitação no mundo, mas trata essencialmente de amor de forma diferente do habitual em se tratando dos clichês do gênero. Anna é um heroína,  destemida , desafia mil perigos em nome de uma causa diferente da simples luta por um grande amor. Este, aparece em segundo plano através da inocência com a qual conhece e se enamora do mal intencionado príncipe Hans, pois o amor que enfim vem a buscar e salvar é o amor fraternal, representado por Elsa, sua irmã que quando perde de vez o controle de seus poderes, provoca os eventos que se sucedem e que a levam a sentir livre pela primeira vez. Apesar de seus poderes se relacionarem com o frio intenso e o gelo, sua busca por liberdade é contagiante e calorosa. Tanto ela quanto o boneco de neve Olaf buscam superar a limitação imposta por sua própria natureza e mostram que suas atitudes mais do qualquer outra coisa os tornam mais humanos, mais calorosos que a ambição desenfreada, o medo e a paranoia determinantes  nas ações dos vilões que ameaçam tomar o reino de Arendella. Dessa forma, o desenho inova ao mostrar motivações com as quais podemos nos identificar mais do que simplesmente as regras de um conto de fadas convencional em que a luta do bem contra o mal é parte indissociável da receita. Quem nunca se sentiu deslocado como a rainha Elsa ou precisou crescer subitamente e deixar a inocência de lado como a princesa Anna.

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ç Hans Christian Andersen, o autor do conto.

             Na história original de Andersen, a Rainha da neve congela seu reino e sequestra uma das crianças, herdeiras de um poderoso mestre que poderia ameaçar seu poder, cabendo a uma menina corajosa resgatar seu irmão e convencer a rainha da neve a interromper o inverno eterno que assola a região. Uma animação russa bem mais próxima do texto de Andersen foi exibida há um ano em nossos cinemas e passou desapercebida. A Disney adaptou a obra de forma a aproveitar alguns elementos da história para criar algo novo tão contemporâneo quanto o medo do que é diferente e a necessidade de aceitação. Enfim, diferente em se tratando do que se espera geralmente de um produto Disney e focado em um público mais amplo, não apenas as crianças mas também os adultos que podem se identificar ora com Elsa, ora com Anna, ou simplesmente se deixar levar por uma história de amor verdadeiro e se surpreender com o que vai descobrir no final.

 

 

por adilson69 Com a tag