GOOSEBUMPS – DOS LIVROS PARA AS TELAS, ARREPIOS E DIVERSÃO

Goosebumps Movie (1)

O medo é uma das emoções mais primitivas do homem, e brincar com os temores que trazemos dentro de nossas mentes vai além de acreditar que o bicho papão existe. O escritor norte-americano R.L.Stine (iniciais de Robert Lawrence) tornou-se um mestre em fazer isso, tal como um Stephen King versão juvenil que conquistou o respeito de mais 300 milhões de leitores que já tiveram contato com sua série “Goosebumps” desde que o primeiro, entitulado “Welcome to Dead House” (Bem Vindo à Casa dos Mortos) foi publicado em julho de 1992. De lá para cá foram 62 livros, que foram inclusive adaptados para a Tv em uma popular série de Tv realizada entre 1995 e 1999.

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O sucesso da série é misturar histórias de terror com um toque de humor, sem os aprofundamentos místicos e sobrenaturais, mas com o compromisso de divertir como se os episódios de “Scooby Doo” deixassem a dimensão animada para se tornar mais físico, tridimensional, ainda que frutos da imaginação de Stine e de seus leitores que acompanharam suas histórias com fervor e gosto antes que J.K.Rowling e seu menino bruxo se tornassem um fenômeno de vendas. A comparação é injusta até porque cada um tem seu valor, e o que fez de “Goosebumps” uma produção menor talvez seja o fato de não ter um protagonista fixo ou personagens recorrentes. Os livros de Stine compõem uma antologia, ou seja, histórias curtas, cada uma com um elenco de personagens independentes da outra e sem nenhuma conexão ou sequência como ligação entre elas. A habilidade de Stine foi usar em sua fórmula personagens jovens que em meio à vida escolar ou universitária, em casa com a família ou com os amigos se veem envolvidos em um mistério de natureza sobrenatural: Bruxas, vampiros, lobisomens e outras criaturas ganham a forma de ameaças reais nessa dimensão criada por Stine. A preocupação do autor é de apenas divertir uma vez que suas histórias não tentam esconder os clichês do gênero, recorrendo a lugares como subúrbios sombrios, acampamentos de verão ou casas mal assombradas, mas nem sempre se encerrando com um final feliz. Na verdade quase que todos as histórias de Stine trazem um desfecho incerto ou infeliz para alguns dos personagens, surpreendendo seus leitores. Outra característica de seus livros é que apesar de tratar de assuntos sobrenaturais, a linguagem é leve sem jamais apelar para o uso de drogas, violência ou o sexo gratuito.

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No Brasil, os livros chegaram pela Editora Abril no final da década de 90, mas esta só publicou dez livros. Em seguida, a editora Fundamento, a partir de 2006, republicou os livros editados pela Abril e mais alguns outros chegando a 26 publicações. O sucesso do filme talvez estimule a Fundamento a trazer para o Brasil os demais títulos da coleção que já teve dois projetos de adaptação anteriormente. Primeiro foi George Romero (o mestre dos filmes de mortos-vivos), mas o projeto não vingou. Tempos depois, foi Tim Burton quem tentou levar as histórias de Stine para o cinema, mas o projeto também não vingou. No Brasil, a série de Tv chegou a ser exibida pelo antigo canal Foxkids / Jetix durante o final dos anos 90 e inicio dos anos 2000.

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O filme estrelado por Jack Black certamente renovará o interesse pela obra de Stine e mostrará que monstros e arrepios tem um público cativo, razão pela qual os livros de Stine entraram para o livro Guiness de records, saltaram das páginas para as telas e vão dar sustos gostosos e divertidos por um longo tempo ainda.

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