MICHELLE … MA BELLE !

Michelle Pfeiffer

              Nos anos 80 ela disputava a atenção dos olhares masculinos com nomes como Kim Basinger, mas soube se sobressair em papéis tão diferentes que não há como duvidar que, além de uma estonteante beleza, seu talento a tornou uma das melhores de sua geração, tendo completado em 29 de abril desse ano 60 anos.

Michelle Pfeiffer Ladyhawke

         Michelle Marie Pfeiffer sempre soube o que dizer como atriz para se provar mais do que apenas um rosto bonito. Começou na Tv no final dos anos 70 em séries como “A Ilha da Fantasia” e “Chip’s”, além de outras produções menores que serviram para chamar a atenção para a jovem atriz, que aos 24 anos protagonizou seu primeiro filme no cinema “Grease 2 – Os Tempos da Brilhantina Continuam” (1982), sequência do grande sucesso da década anterior que naufragou nas bilheterias, mas mostrou que o mundo precisaria conhecer mais daquela bela jovem que cantou e encantou ao som de “Cool Rider”. A canção não é memorável, mas a voz de Michelle e o modo como a câmera parecia captar o brilho de seus olhos e seu sorriso radiante fez o mundo entender que muito ainda havia a dizer. Mesmo em um papel menor foi uma presença fundamental ao lado de Al Pacino na refilmagem de Brian DePalma para “Scarface” (1983) . Dois anos depois fez um cavaleiro medieval uivar em “O Feitiço de Áquila” (Ladyhawke) de Richard Dooner, tosando as belas madeixas que fizeram de Isabeau uma das mais lembradas heroínas da década.

Michelle Pfeiffer Suzy

              Mostrando o desejo de se mostrar versátil, se juntou às divas Cher e Susan Sarandon em “As Bruxas de Eastwick” (1987), uma experiência que relatou depois ter sido agradável e sem a guerra de egos típica do encontro de grandes estrelas. Em seguida fez a comédia leve “De Caso com a Mafia” (Married to the Mob) e dividiu a cena com Mel Gibson e Kurt Russell no tenso “Conspiração Tequila” (Tequila Sunrise). Sua primeira indicação ao Oscar veio com “Ligações Perigosas” (Dangerous Liasions) como a frágil e apaixonada Madame de Tourvel. No ano seguinte, sua segunda indicação veio com sedução e música em “Suzie & Os Baker Boys” (The Fabulous Baker Boys) se deitando sobre o piano dos irmãos Beau e Jeff Bridges. Imprimindo nas telas sua figura capaz de ser sensual sem jamais cair na vulgaridade, Michelle Pfeiffer recusou papeis que exigissem nudez ou que fossem de violência extrema. Por isso recusou o papel de Clarice Sterling, que foi para Jodie Foster em “O Silêncio dos Inocentes” (Silence of the Lambs), preferindo atuar ao lado de Sean Connery em “A Casa da Russia” (The Russia House) de 1990, e logo em seguida preencheu as fantasias de adolescentes e marmanjos vestindo uma roupa de couro e miando para Michael Keaton como a Mulher Gato em “Batman o retorno” (Batman Returns). O sucesso estrondoso alimentou a mídia da época com rumores de que Michelle teria um filme solo da vilã felina, o que acabou não se concretizando.

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                 A medida que a fama crescia, a atriz procurou sempre se manter à parte de qualquer escândalo, mantendo uma vida particular discreta, sem exageros típicos de grandes astros. Adotou uma menina mestiça mostrando que o amor não dependia de etnias e casou-se com o produtor/roteirista de TV David E.Kelly (Picket Fences, Chicago Hope). Não parou de diversificar os papeis escolhidos fazendo uma dona de casa dos anos 60 em “Barreiras do Amor” (Love Field) atraída pela mensagem anti-racista que sempre foi para ela uma causa a ser defendida; voltou a trabalhar ao lado de Jack Nicholson em “Lobo” (Wolf) de 1993 e Al Pacino em “Frankie & Johnny” (1991), este um papel totalmente desglamourizado, o de uma garçonete solitária e desacreditada no amor. Estava grávida de seu segundo filho (primeiro natural) quando fez a professora idealista de “Mentes Perigosas” (Dangerous Minds), espécie de versão feminina do clássico “Ao Mestre com carinho”. Se seguiram o papel de repórter ascendente ao lado de Robert Redford em “Íntimo & Pessoal” (Upclose & Personal) ; dona de casa frustrada no casamento ao lado de Bruce Willis em “A Historia de Nós Dois” (A Story of Us); mulher ameaçada por um assassino ao lado de Harrisson Ford em “A Revelação” (What Lies Beneath); e um papel Shakespereano em “Sonhos de uma Noite de Verão” (A Midsummer Night’s Dream) entre outros. Voltou a atuar e cantar dublando a amada esposa de Moises na animação “O Principe do Egito” (The Prince of Egypt) de 1998. Com o final da década da 90 se afastou das telas para ficar mais próxima da família, escolhendo a dedo os papeis que faria já mostrando no belo rosto as marcas da idade. Ainda assim estava belíssima como a bruxa de “Stardust” (2007), a gótica matriarca de “Sombras da Noite” (Dark Shadows) , e voltou a cantar e dançar em “Hairspray” (2007). Ano passado atuou com destaque em “Mãe” (Mother) de Dareen Aaronovsky, e “Assassinato no Expresso do Oriente” (Murder on the Orient Express) de Kenneth Branagah, roubando a cena em meio a um elenco estelar, e cantando a canção dos créditos de encerramento.Em 2017 foi indicada ao Globo de Ouro pela produção de TV “O Mago das Mentiras” (The Wizard of Lies), terceira vez atuando ao lado de Robert DeNiro. Esse ano, a atriz ainda aparecerá muito em breve como uma super heroína em “Homem Formiga & Vespa” (Antman and the Wasp), entrando para o time multi estelar de astros a participar do bem sucedido Universo Cinemático Marvel, se reapresentando para uma nova geração.

Michelle Pfeiffer star ceremony

         Seja voando como um falcão, miando como uma gata ou mostrando os belos dotes musicais, falta a Academia lhe reconhecer o talento e lhe conceder a honraria de um Oscar. Ou seria o Oscar quem deveria de conceder a honrar de ir para as mãos de uma das melhores atrizes dos últimos trinta anos, ainda atuante, ainda linda e como diz a canção dos Beatles, as únicas palavras que encaixam tão bem, que todos nós conhecemos e compreendemos como Michelle, nossa Michelle Pfeiffer… Miauu !!!!!!!

CLÁSSICO REVISITADO : GREASE NOS TEMPOS DA BRILHANTINA – 40 ANOS

          A juventude significa lembranças de tempos mais ingênuos, da sensação de que o tempo está em nossas mãos. Nos anos 50 significa também corridas de racha movidas a Rock ‘n roll, e brilhantina (precursor do gel de cabelo) … Pois mesmo depois de 40 anos essa ainda é a palavra.

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          Hoje um dos maiores musicais do cinema, “Grease” nasceu no circuito off-Broadway, escrita por Jim Jacobs e Warren Casey. Ambos embarcaram na mais pura nostalgia representada pela virada dos anos 50 para 60 para contar a história de amor de dois adolescentes  que estão no último ano da escola Rydell High. Na peça o cenário é o meio oeste do país, mas para o filme foi mudado para a California de 1959. Outra mudança foi no tom já que no texto original a história era mais áspera e menos romântica, focando na rebeldia de jovens que se agrupam em gangs de deliquentes, segregados socialmente e se identificando com o então recém nascido Rock ‘n’roll.

         A peça teve seu debut em 7 de fevereiro de 1971 no circuito off-Broadway, popularizando-se em Chicago antes de partir para Nova York. Foi nessa ocasião que foi assistida pelo produtor Alan Carr, que se interessou em adaptá-la para o cinema. Os direitos, no entanto, já haviam sido adquiridos por Ralph Bakshi (animador de “Fritz The Cat”) mas estes expiraram em pouco tempo permitindo que Carr os adquirisse por US$200,000, levando o projeto à Paramount onde se associou ao produtor Barry Diller. Ambos se odiavam, mas fizeram alterações suavizando temas como gravidez na adolescência, deliquência juvenil e rivalidade entre gangs, tudo que foi elaborado a partir da vivência dos autores. Foi Carr quem contratou o diretor Randal Keiser, que havia sido colega de quarto de George Lucas na Universidade. Também foi Carr quem contratou a romancista Bronte Woodward para ajudá-lo a escrever o roteiro refinando os temas abordados na peça. A principio eles fariam de Danny Zuko um frentista de posto de gasolina e trariam o ator Paul Lynde (Tio Arthur do clássico seriado “A Feitiçeira” como o diretor da Ryder High). Estaria previsto nessa primeira versão do roteiro que Lynde faria um numero musical de Carmen Miranda e os Beach Boys ficariam com a canção “Greased Lightnin” encenado na garagem.

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AH ! AQUELAS NOITES DE VERÃO

        Já Diller, representando a Paramount, teria convidado Henry Winkler (o Fonzie do seriado “Happy Days“, muito popular na época) para o papel de Danny Zuko. Contudo, o papel do protagonista caiu nas mãos de John Travolta, então com 22 anos, já que este já era conhecido do diretor com quem havia trabalhado no filme de Tv “O Rapaz da Bolha de Plástico” (The Boy in the Plastic Bubble) de 1976, além de ter trabalhado com o produtor Robert Stigwood em “Os Embalos de Sábado a Noite” (Saturday Night Fever), que na ocasião ainda nem havia sido lançado nos cinemas. Travolta brilhou no filme, e usou de seu recém-criado prestígio para garantir que estrelasse  o número solo “Greased Lightnin’” que fora planejado para o personagem de Jeff Conaway.

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A VIRADA DE SANDY

            Já o papel de Sandy quase foi para Carrie Fisher, que na época filmava “Star Wars Episode IV” com George Lucas, e depois ainda foi cogitado a atriz Susan Dey (Laurie Partridge do seriado “A Familia Dó Re MI“). A inglesa Olivia Newton John já tinha uma carreira como cantora, mas havia tido uma má experiência como atriz em sua terra natal (a sci-fi B “Toomorrow” de 1970) quando foi cogitada para co-protagonizar o filme, tendo o apoio imediato de John Travola que ajudou a convencê-la a se juntar ao elenco. Como seu sotaque inglês era indisfarçável, o roteiro foi modificado fazendo Sandy uma estudante australiana já que Olivia morou dez anos na Austrália. Rizzo, a líder das “Garotas Rosadas” estava previsto para Lucy Arnaz (filha de Lucille Ball), mas ficou afinal com Stockard Channing, enquanto Kenickie foi vivido por Jeff Conaway que já conhecia a peça original pois interpretou Danny na montagem da Broadway. A mais curiosa das alterações de elenco foi Frankie Avalon no papel do anjo no sonho de Frenchy. Inicialmente, o anjo seria Elvis Presley mas a morte do ator/cantor levou a mudanças, inclusive na letra da canção “Look at me, I’m Sandra Dee” que foi gravada no dia em que a morte de Elvis foi anunciada, por isso teve o nome do rei do Rock incluida na letra ( “Elvis Elvis let me be! Keep that pelvis far from me! ).

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O CASAL 20 DOS ANOS 70

          Do elenco contratado os únicos com idade mais próxima de seus personagens (colegiais em torno dos 16 anos) eram Dinah Mannof (Marty) que tinha 19 anos e Lorenzo Lamas (o atleta Tom) também com 19 anos. Esse foi um dos pontos que incomodou o renomado crítico Roger Ebert na época de lançamento do filme: John Travolta (Danny) tinha 22, Olivia Newton-John (Sandy) 29, Jeff Conaway (Kenickie) 26, Jamie Donnelly (Jan) 30, Susan Buckner (Patty) 25, Michael Tucci (Sonny) 31, Kelly Ward (Putzie) 20 e a mais velha era Stockard Channing (Rizzo) 33. Segundo a própria atriz, Alan Carr teria pintado sardas em seu rosto para maquiá-la de forma a disfarçar sua idade. A escalação mais polêmica foi a de Harry Reems, ator pornô que co-estrelou o polêmico “Garganta Profunda” (Deep Throat), para o papel do treinador Calhoun. A rejeição e a reação dos executivos da Paramount fizeram Carr desistir e colocar o comediante Sid Ceasar no lugar. Carr teria inclusive pago US$5,000 de seu próprio bolso a Reems pelo desconforto causado.

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MICHELLE PFEIFFER EM “GREASE 2”

         Das 20 canções originais, somente algumas foram utilizadas no filme, algumas das quais ficando como música de fundo, e quatro canções novas foram escritas só para a adaptação: a canção da abertura “Grease”, escrita por Barry Gibb dos Bee Gees e gravada por Frank Valli, “Sandy” parea John Travolta; “Hopelessly Devoted to You” gravada por Olivia Newton depois de terminada as filmagens e indicada ao Oscar e “You the One That I Want” que traz a inversão final dos papeis: Danny comportado em um casaco escolar e Sandy em roupa de couro colada no corpo. Para gravar a cena, a roupa teve que ser costurada no corpo de Olivia Newton-John fazendo a virginal Sandy se tornar uma vamp sedutora. Desconforto maior foi a gravação do baile na escola devido ao intenso calor que fazia no local. A sequência da corrida de carros na galeria de esgoto deixou alguns membros do elenco passando mal. O filme, no entanto, tornou-se a maior bilheteria de 1978 com 167 milhões de dólares, acima de “Superman o Filme” e “Tubarão 2”.

           Inegável que o sucesso de “Grease” levou a filmes como “High School Musical” e mostrou a Hollywood que o universo teen guardava boas histórias a serem exploradas. Gerações cantam “Summer Nights”, meninos se imaginam um T-Bird e meninas uma Pink Lady, ao menos os que se permitem se deixar levar pelas melodias contagiantes que conduzem a narrativa. O sucesso levou à sequência “Grease 2” de 1982 que trazia uma outra história transcorrida da mesma escola com outro grupo de jovens e trazendo Michelle Pfeiffer como protagonista. Em 2016 a Fox transmitiu ao vivo o especial “Grease Live”, uma nova montagem com Aaron Tveit (Danny), Julianne Hough (Sandy) e Vanessa Hudgens (de “High School Musical” como Rizzo).

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ELENCO REUNIDO

           O apelo da história de Danny e Sandy permanece em nossa memória afetiva seja por representar tempos mais inocentes seja por trazer os rebolados ardentes de John Travolta e Olivia Newton John, cada um ícone de tempos e lugares melhores em que uma pudica Sandra Dee pode viver um belo romance com um rebelde com pinta de um selvagem Marlon Brando. Assim sacudiram todos nós e nos instigam a continuar a indagar “Tell me more !Tell me more” (Conte nós mais).