CLÁSSICO REVISITADO : 0S 60 ANOS DE “VAMPIROS DE ALMAS”

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Alguma vez teve a sensação de que seus vizinhos, amigos e familiares não são os mesmos que você pensava , ou que todos ao seu redor parecem desprovidos de sentimentos, mesmo os mais simples ? Pois há sessenta anos o cinema tornou essa sensação tão palpável encontrando a resposta: Estamos todos sendo substituidos por copias vazias de emoção como parte de um sutil plano de invasão alienígena. O filme em questão foi “VAMPIROS DE ALMAS” (Invasion of the body Snatchers) de 1956.

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Don Siegel que se notabilizaria no gênero policial (Dirty Harry Perseguidor Implacável, por exemplo) foi o diretor dessa que é uma das melhores obras da ficção centifica cinematografica, adaptada do livro de Jack Finney “The Body Snatchers”. No filme, com impecável fotografia em preto e branco, o DR. Miles (Kevon MacCathy) vem a descobrir que seres vindo do espaço em vagens (isso mesmo, você não leu errado) tomam conta de nossos corpos quando dormimos, uma silenciosa invasão, imperceptível e inacreditavel. O roteiro do filme é tão envolvente que, mesmo que desprovido de qualquer efeito especial, sua trama consegue nos tornar cúmplices de seu protagonista que foge e luta para manter sua humanidade em uma realidade aflitiva e cruel em que tudo que parece que nos define como seres humanos parece estar desaparecendo, nosso senso de individualidade e o amor. Tudo perfeito sub leitura para o período da guerra fria. Os alienigenas são na verdade metáfora para a paranoia Macarthista que se espalhou na sociedade americana : Qualquer um (vizinho, colega de trabalho, amigo) poderia ser um comunista infiltrado no país, uma ameaça ao status quo de um país que se ptetendia ser a terra da liberdade.

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A vida de muitas pessoas foi sofrida devido à paranoia vigente na época. O livro de Finney foi revisitado outras três vezes: Em 1978 Philip Kauffman dirigiu “Invasores de Corpos”, com Donald Sutherland, Brooke Addams e Leonard Nimoy (o Spock de “Jornada Nas Estrelas”) que consegue a proeza de funcionar tanto como refilmagem como sequência dada a quantidade de referências ao filme de Don Siegel. Mais tarde em 1993, Abel Ferrara levou a história para uma base militar e em tempos mais recentes, em 2007, “A Invasão” de Oliver Hirshbiegel com Nicole KIdman e Daniel Craig no elenco. Uma prova de que uma excelente história sobrevive gerações instigando e manipulando nossos medos e paranoias como prova de que os piores monstros são aqueles criados pela imaginação humana, ou melhor dizendo pela nossa desumanização.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BOND 17 : 007 CONTRA GOLDENEYE

UM ESCLARECIMENTO AOS AMIGOS LEITORES DO BLOG: QUANDO INICIEI ESSA SÉRIE DE ARTIGOS SOBRE OS FILMES DE 007 MINHA PRETENSÃO ERA COBRIR TODOS OS TÍTULOS, UM POR UM, ATÉ A DATA DA ESTRÉIA DE “007 CONTRA SPECTRE”. INFELIZMENTE NÃO FOI POSSÍVEL FAZÊ-LOS A TEMPO. AINDA ASSIM LHES DIGO QUE CONTINUAREI COM A MISSÃO TERMINANDO TODOS OS FILMES DA ERA BROSNAN E TAMBÉM TODOS OS FILMES DA ERA CRAIG, QUE PARECE TER CHEGADO FIM COM A CHEGADA DE “007 CONTRA SPECTRE”. AOS FÃS DO AGENTE SECRETO E AOS LEITORES DO BLOG AFIRMO QUE TEM AINDA MUITA COISA INTERESSANTE SOBRE OS BASTIDORES DESSA FRANQUIA MILIONÁRIO QUE NASCEU NA LITERATURA DE ESPIONAGEM E GANHOU PERSONALIDADE PRÓPRIA DENTRO DA HISTÓRIA DA SÉTIMA ARTE.  MUITOS PODEM ATÉ NÃO GOSTAR TANTO DE BOND, MAS NÃO HÁ COMO IGNORAR SUA IMPORTÂNCIA. ENTÃO RECOMEÇEMOS COM O 17º FILME DA SÉRIE E PRIMEIRO ESTRELADO POR PIERCE BROSNAN, DE PREFERÊNCIA SABOREANDO UMA TAÇA DE MARTINI, BATIDO E NÃO MEXIDO COMO O PERSONAGEM PEDE.

 

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Pierce Brosnan, Izabella Scorupco & Famke Janssen

Há exatos 20 anos James Bond voltou às telas repaginado para uma nova geração em “007 Contra  GoldenEye”. O mundo, no entanto, era muito diferente do que havia sido contextualizado para o personagem: Não havia mais a guerra fria, a cortina de ferro foi derrubada  e os interesses globais não mais se desdobravam em  ideologias bipolarizadas. O equilíbrio de forças no mundo ainda sofria seus revezes e aí é que entra Brosnan, Pierce Brosnan.  Pela primeira vez, um roteiro de 007 havia sido feito sem nenhuma ligação com os livros de Ian Fleming, desta vez nem mesmo o título. Foi também o primeiro vez sem a mão do roteirista Richard Maibaum que havia falecido durante o longo hiato entre o filme anterior “007 Permissão Para Matar” e o novo filme que fora planejado ainda com Timothy Dalton em mente. Este anunciara em 1994 que estava oficialmente fora, sem nenhum interesse de voltar ao papel.  Foram pensados para o papel nomes como Liam Neeson,  Mel Gibson, Sam Neill ,Hugh Grant e Ralph Fiennes (que mais tarde faria o papel de M a partir de “Skyfall”), até que Albert Broccoli escolhesse finalmente Pierce Brosnan que já havia sido cogitado para 007 na época de “007 Marcado Para a Morte” (The Living Daylights) de 1987, mas que acabou não sendo efetivado devido ao contrato que o ator tinha com a série de TV “Remington Steele”. Foi a última vez que Broccoli faria pessoalmente a escolha do ator para Bond, já que Broccoli viria a falecer pouco depois. Curiosamente, Brosnan havia sido casado com a atriz Cassandra Harris, que foi uma das Bond girls de Roger Moore em “007 somente para seus olhos” (For your eyes only).

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Os Vilões continuam ameaçadores, mesmo que um deles seja um nerd do mal (Alan Cummings) ao lado de Sean Bean, o traidor 006.

A história do novo filme mostra Bond enviado em missão para recuperar o Goldeneye, um sistema de satélites capaz de provocar pane em qualquer  circuito eletrônico do mundo, desde o mecanismo de um relógio ao mais sofisticado computador. O aparelho acaba caindo nas mãos da organização Janus, a máfia russa surgida dos escombros da antiga União Soviética e dos dissidentes da KGB. Bond enfrenta o General Ourumov (Gottfried John), sua assassina sádica Xenia Onatopp (Famke Jansen) e o agente traidor Alec Trevelyan (Sean Bean) que era amigo de Bond e que o conhece muito  bem. Bond conta apenas com a ajuda do agente da Cia Jack Wade (Joe Don Baker) e a operadora de sistema Natalya Simonova (Izabella Scorupco). No elenco de Bondgirls, Xenia ficou com a atriz holandesa Famke Jansen, que depois interpretou a mutante Jean Grey nos filmes da franquia “XMen”. Já Izabella Scorupco é atriz e cantora de origem polonesa. O maior adversário de Bond ficou o ator Sean Bean, que chegou a fazer teste para o papel de James Bond já na época de “007 Marcado Para a Morte” em 1987. O elenco de apoio foi renovado começando por M, o chefe de Bond, que ficou com a atriz Judy Dench. O único que manteve o papel foi Desmond Lewlley, o Q, gênio inventor por trás das traquinas bondianas. Presença digna de nota também é o nerd do mal vivido por Alan Cummings (o Noturno de X Men 2) que trai seus amigos e está a todo momento tentando se reafirmar dizendo “I am invincible” (Sou Invincível), incluindo do desfecho.

Goldeneye Judy Dench

M (Judy Dench) dá uma dura em 007 : “Você é um dinossauro sexista e misógino”

O filme foi dirigido por Martin Campbell que imprimiu um ritmo ágil que segura o interesse na trama, mantendo o tom mais sério iniciado na era Dalton. O resultado foi uma bilheteria mundial de mais de $ 350 milhões para um orçamento de $58 milhões. O roteiro acerta em cheio de forma a apresentar Bond para a geração 90 como na cena em que M (Dench) chama Bond de “dinossauro sexista misógino”, destacando o anacronismo da figura do super espião em um mundo onde o maniqueísmo deixou de ter sentido e as intrigas políticas abandonaram ideologias em favor de interesses econômicos.  A trilha sonora traz a voz de Tina Turner na canção de abertura, que quase foi gravada pelo grupo Rolling Stones. A banda sueca “Ace of Base” também foi cogitada, e depois descartada. Foi o primeiro filme de 007 a usar tecnologia digital, apesar de algumas sequências tradicionais como o mergulho de bungee-jumping na abertura do filme, a perseguição de tanques que levou seis meses para ser concluída e cenas de luta que dispensavam muitas vezes os dublês. Brosnan chegou a machucar sua mão em uma dessas cenas, e seu filho Christopher Brosnan usou a própria para emular a do agente. A sequência final na gigantesca antena foi filmada na mesma locação usada para o filme “Contato”, com Jodie Foster. O nome do filme ainda guarda uma referência ao criado do personagem já que “GoldenEye” foi o nome de uma operação de espionagem real na qual Ian Fleming se envolveu quando este trabalhava para a Inteligência Naval Britânica durante a segunda guerra. A operação tratava da possível invasão da Espanha por tropas nazistas. Quando Fleming se tornou um escritor bem sucedido, este usou o nome “GoldenEye” para batizar sua casa na Jamaica onde se desenvolvia seus livros.

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Bond & Simonova 

O sucesso nas bilheteria do filme de Martin Campbell restaurou o prestígio de franquia, se tornando a mais rentável desde “007 Contra o Foguete da Morte” (Moonraker) na era Moore, superando inclusive as duas incursões de Timothy Dalton no papel. Brosnan ficou com um contrato para mais três filmes.e sua licença para matar ou divertir foi renovada definitivamente.

BOND RETORNA AO BLOG EM “007 O AMANHÃ NUNCA MORRE”.