HALLOWEEN – TODOS OS FILMES

               Era 31 de outubro de 1963, na cidade fictícia de Haddonfield, quando um menino de 6 anos matou sua irmã mais velha. Encarcerado em um sanatório por 15 anos, ele permaneceu calado, catatônico, sob os cuidados do Dr. Sam Loomis, que nada conseguiu além de vislumbrar nos olhos de seu paciente pura maldade. Livre novamente, ele volta para o subúrbio onde nasceu e que Deus ajude aquele que cruzar seu caminho de sangue e morte, pois esta noite de máscaras e superstições, de espíritos e espectros é a noite em que Michael Myers voltou para casa. Após ler essa introdução já somos assombrados pelo tema em 5/4 composto pelo próprio diretor, em seu terceiro longa.

Halloween bastidores

ELENCO NOS BASTIDORES DO FILME ORIGINAL 1978

        John Carpenter tinha 30 anos quando co-escreveu “Halloween – A Noite do Terror”com Debra Hill a história, a princípio, intitulada “The Babysitter Murders”. Michael Myers herdou a sede assassina e a mente perturbada de Norman Bates de “Psicose” e fez do gênero, chamado “slasher movies”, um dos mais prolíficos e recorrentes desde então. Que assim digam Jason, Ghostface, Jigsaw e outros que beberam da fonte, mas não conseguiram replicar o charme do filme de 1978. A ideia inicial dos roteiristas era que Myers funcionasse como uma figura sobrenatural, descrito no roteiro como “The Shape” (A Forma). Com orçamento restrito de 300,000 dólares, seu visual levou uma máscara branca comprada por 4 dólares com as feições do ator William Shatner (o Capitão Kirk de Star Trek). O papel da heroína virginal e alvo da obsessão de Michael ficou com Jamie Lee Curtis, filha da Janet Leigh (do clássico “Psicose”), em seu primeiro papel no cinema aos 17 anos. O papel de Sam Loomis (Nome também retirado do clássico de Hithcock) foi escrito tendo em mente os veteranos Christopher Lee e Peter Cushing, mas ambos recusaram o papel que foi para o ator Donald Pleasance. A bilheteria de mais de 40 milhões só nos Estados Unidos recompensou o trabalho de Carpenter que se esmerou na atmosfera de tensão e no terror psicológico em torno da figura de Michael Myers, um assassino com irrefreável sede de sangue tal qual o robô assassino interpretado por Yul Brinner em “Westworld” (o filme de 1973, não a série da HBO) nas palavras do próprio John Carpenter. O criativo diretor e roteirista não tinha interesse em sequências, mas o sucesso de bilheteria convenceu os produtores Irwin Yablais e Moustapha Akaad a continuar a história de Michael Myers. Debra Hill e John Carpenter aceitaram retornar como produtores e roteiristas, mas a direção ficou com Rick Rosenthal, que segue imediatamente os eventos após o desfecho do filme original, ou seja, na mesma noite do dia das bruxas. Os atores Jamie Lee Curtis e Donald Plesance retornam, porém o tom de “Halloween 2 – O Pesadelo Continua” (1981), após a abertura ao som de “Mr.Sandman” do grupo “The Chordettes”, trocando a sutileza de Carpenter pela violência e nudez gratuita, explorando explicitamente a figura sádica e misógina de Michael Myers, quase que integralmente dentro de um hospital.

Halloween 1978

JAMIE LEE CURTIS NO FILME ORIGINAL

               Já no ano seguinte, com a chegada de Dino De Laurentis na produção de “Hallowen 3 – Season of the Witches” (1982) a intenção de John Carpenter, como produtor associado e roteirista não creditado, era fazer uma antologia, histórias independentes e fechadas tematizadas no dia das bruxas, mas sem qualquer conexão com Michael Myers, que foi dado como morto no final do segundo filme. Com o fracasso de público e crítica, o filme foi incluso na lista dos “Filmes Mais Odiados” do renomado crítico Roger Ebert, mas depois de seis anos os produtores ressuscitariam seu vilão favorito. Assim “Halloween 4 – O Retorno de Michael Myers” (1988) e “Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers” (1989) trouxeram o psicótico assassino no final de uma década marcada pelo Jason de “Sexta Feira 13” e o Freddy Krugger de “A Hora do Pesadelo”. Ainda haveria “Halloween 6 – A Última Vingança” de 1995 que ligaria a maldade de Michael a uma suposta maldição druida inventada pelos roteiristas. Assim se encerraria – temporariamente – a história iniciada no primeiro filme,  e seria o canto do cisne do ator Donald Pleasance, o Dr.Loomis, que faleceu antes de terminar todas as suas cenas. O filme guarda a curiosidade de trazer um jovem Paul Rudd (o Homem Formiga dos filmes da Marvel) no papel de Tommy Doyle que seria o menino cuidado por Laurie Strode no primeiro filme.

Halloween 3

O TERCEIRO FILME: NADA DE MICHAEL MYERS

              Três anos depois os “Slasher movies” renasceram para a geração “Pânico” e o roteirista Kevin Williamson colaborou com a volta de Michael Myers em “Halloween – 20 Anos Depois” trazendo Jamie Lee Curtis, rainha das “Scream Queens”, de volta como Laurie Strode, e ignorando as sequências realizadas após o segundo filme. Até mesmo Janet Leigh, mãe de Jamie Lee Curtis na vida real fez uma rápida aparição no filme. A bilheteria de mais de 55 milhões de dólares convenceu os produtores a um oitavo filme, “Halloween A Ressurreição” de 2002, dirigido pelo mesmo Rick Rosenthal da continuação de 1982, com a infeliz ideia de colocar Michael Myers como parte imprevista de um reality show. O filme ainda comete o erro de matar Laurie Strode no final do filme.

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DONALD PLEASANCE & JAMIE LEE CURTIS

              A década seguiria com a refilmagem do primeiro filme realizada por Rob Zombie em 2007, e sua sequência dois anos depois. Contudo, tanto “Halloween – O Início” quando “Halloween II” de Zombie trocou a sutileza e a fluidez da narrativa de Carpenter pela truculência e o exagero sádico típico da franquia “Jogos Mortais”.  Zombie também ousou explicar a psicopatia de Michael Myers removendo do personagem sua persona sobrenatural mantida inicialmente por Carpenter.

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ROB ZOMBIE (DE BARBA) DIRIGE A REFILMAGEM DE 2007

              O novo filme realiza um retorno às origens do excelente filme de 1978 que foi incluído na lista dos “1001 Filmes Para Se Ver Antes de Morrer” do escritor Steven Schneider.   Em 2006, o filme original foi selecionado para preservação no National Film Registry dos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso como sendo ”cultural, histórica ou esteticamente significante”. Que ninguém duvide que pesadelos são atrativos para o público, pois Carpenter soube como fazer de Michael Myers parte da cultura pop e hoje 40 anos depois daquela noite do dia das bruxas, ele ainda está voltando para casa, senão na fictícia Haddonfield ao menos no pavor de nossa imaginação.

CLÁSSICO REVISITADO: 0S 40 ANOS DE “A PROFECIA”.

“Aquele que tem entendimento
Calcule o número da besta,
Pois é número de homem.
Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis”.

Depois que vampiros e lobisomens cansaram o público, o gênero terror, entre o final da década de 60 e toda a década de 70, viu se proliferar o terror “satânico”. Depois do sucesso de “O bebê de Rosemary” (Rosemary’s baby – 1968) e “O Exorcista” (The Exorcist – 1973), a Fox decidiu investir no gênero e escolheu a história escrita por David Seltzer, que admitiu tê-lo feito apenas para ganhar dinheiro, abordando a profecia bíblica da chegada do anti-cristo à terra.

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LEE REMICK & HARVEY STEPHENS

Com orçamento de $2.800.000, a Fox contratou o diretor Richard Donner (vindo de carreira prolífica na Tv) que usou o roteiro de David Seltzer. A história é desenvolvida a partir da morte do filho recém nascido do embaixador norte-americano Robert Thorne (Gregory Peck), que decide adotar uma criança falecida no parto na mesma ocasião, e sem que sua esposa suspeite. O casal parece viver tranquilo com o passar dos anos ocorrências bizarras abalam a felicidade do casal: A babá do pequeno Damien (Harvey Stephens) comete suicídio, um padre tenta alertar Robert e é impalado por um pára-raio. Relutante, Robert investiga com o fotógrafo Jennings (David Warner) cujas fotos revelam a futura morte de todos os envolvidos. Depois que Katherine Thorn (Lee Remick), sua esposa, morre tragicamente, Robert se convence a procurar o exorcista e arqueólogo Bugenhagen (Leo McKern) que lhe revela que Damien é o Anticristo previsto no livro do Apocalipse, nascido na sexta hora , no sexto dia do sexto mês do calendário cristão.

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GREGORY PECK

O filme de Donner se divide entre um drama familiar sobre uma família em crise e uma trama investigativa com elementos sobrenaturais. O diretor consegue conduzir a trama com equilíbrio sem jamais se entregar ao terror explícito, preferindo uma abordagem mais psicológica. O tempo todo paira a dúvida não apenas em Robert, mas também no espectador, reforçado pelo olhar angelical de Damien que é conduzido ao seu destino profetizado, aparentemente inconsciente de sua condição. A sutileza da narrativa contrapõe com a trilha sonora assustadora de Jerry Goldsmith, vencedor do Oscar.

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HARVEY STEPHENS EM 1976 & ATUALMENTE

O filme foi planejado para ser estrelado por Charlton Heston (Ben Hur, Planeta dos Macacos), que acabou não fechando contrato e o papel foi oferecido a William Holden. Este recusou por não querer fazer parte de um filme que fala do demônio. Depois que o filme fez sucesso, Holden se arrependeu e acertou o papel de Richard Thorne, irmão de Robert, na sequência “Damien – A Profecia II” (Damien – The Omen II – 1978).  Gregory Peck aceitou o papel como forma de expiar os sentimentos paternos depois que seu filho cometeu suicídio, e o nobre ator se culpava muito por sua ausência.

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POSTER ORIGINAL DO FILME

Assim como em outros filmes do gênero, “A Profecia” coleciona histórias de acidentes durante as filmagens sugerindo uma maldição cercando elenco e equipe técnica : O avião que Gregory Peck tomaria para filmar (mas desistiu) em Israel caiu e matou todos a bordo. O hotel onde estava o diretor Richard Donner sofreu atentado a bomba e um dos funcionários do safári visitado por Damien apareceu morto no dia seguinte às filmagens, atacado por um leão. Fato ou ficção, o filme se beneficiou das histórias e a Fox o lançou em 6 de Junho de 1976, data bem apropriada.

O filme gerou três continuações, sendo a última feita para a TV. Em 2006 foi refilmado e ainda teve uma série de Tv recente, já cancelada. Eu assisti ao filme original pela primeira vez na TV Manchete, onde foi exibido em Junho de 1983. Lembro que me impressionou a cena final no cemitério quando Damien (Stephens) olha para a câmera e sorri diabolicamente. O curioso é que a cena não estava no script. O efeito você pode conferir assistindo o filme.

 

 

EDITORIAL : OUTUBRO 2016

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OLÁ AMIGOS E CINÉFILOS DO BLOGCINEONLINE. OUTUBRO CHEGOU E COMO TODO ANO TEMOS AQUI NO BLOG ARTIGOS RELACIONADOS AO HALLOWEEN (FESTA DA QUAL SOU GRANDE FÃ) E TEMOS ESSE ANO DATAS A COMEMORAR NA SEÇÃO “CLÁSSICOS REVISITADOS” COMO “A PROFECIA”, “ALIENS O RESGATE”, “O PLANETA PROIBIDO” & “DRÁCULA O PRÍNCIPE DAS TREVAS”. DUAS NOVAS SEÇÕES NO BLOG:TEREMOS “LUZ CÂMERA DIREÇÃO” INAUGURANDO COM A CARREIRA DE TIM BURTON, QUE CHEGOU ÀS NOSSAS TELAS NO FINAL DO MÊS ANTERIOR COM “O LAR DAS CRIANÇAS PECULIARES”. ALÉM DISSO, UMA COISA QUE SEMPRE ME ENCANTA É DESCOBRIR AS DIFERENÇAS ENTRE A HISTÓRIA REAL E A HISTÓRIA REPRESENTADA NO CINEMA NOS CHAMADOS FILMES BASEADOS EM FATOS REAIS. PARA INAUGURAR O ESPAÇO, TRATAREI O CASO DO JULGAMENTO DAS BRUXAS EM SALEM (BEM APROPRIADO PARA A DATA) NA SEÇÃO QUE BATIZES DE “FATOS & FILMES”. NAS TELAS TEREMOS EM BREVE A ESTREIA DE “INFERNO”, ADAPTAÇÃO DO DAN BROWN QUE TRAZ DE VOLTA TOM HANKS NO PAPEL DO PROFESSOR ROBERT LANGDON. TAMBÉM TEMOS NO MÊS A ESTREIA DE “O MESTRE DOS GÊNIOS”, BIOPIC QUE MOSTRARÁ A VIDA DO EDITOR QUE TRABALHOU COM GÊNIOS DA LITERATURA COMO ERNEST HEMINGWAY E F.SCOTT FITZGERALD. É CLARO, COMO NÃO PODERIA DEIXAR DE SER …. FILMES DE TERROR. TUDO ISSO E MAIS AO LONGO DO MÊS AQUI, JUNTOS, TODOS  AMANTES DA SÉTIMA ARTE. GRATO A TODOS. KLATU BARADA NIKTO !!!!

BOND 15: 007 MARCADO PARA A MORTE

Quando Roger Moore deixou o papel de James Bond em 1985, o cinema estava dominado pelos filmes de ação dos futuros mercenários Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, a guerra fria já não era mais a mesma e o tom nada sério que perdurou na era Moore havia desgastado a imagem de 007 diante do público. Broccoli precisava se adaptar à década de 80 e também Bond, cujo apetite sexual não era condizente com as assustadoras noticias sobre a AIDS que chegavam às pessoas. Além disso, praticamente quase todos os livros de Fleming já haviam sido adaptados (Os títulos ao menos, já que sabemos que as histórias eram sempre modificadas).

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“The Living Daylights” era originalmente um dos contos publicados na mesma coletânea que “Octopussy” e tratava da deserção de um oficial russo que atraía Bond para trás da cortina de ferro (como era chamado os países socialistas do leste europeu). O oficial é recapturado e Bond mergulha na investigação dos eventos que envolvem um plano para deflagar um novo conflito mundial. O roteiro novamente de Michael G.Wilson e Richard Maibaum muda vários elementos do conto original, deslocando a deserção das  fronteiras das Alemanhas (Ocidental e Oriental como era então dividida) para a Thechosolaquia. A direção foi entre entregue para John Glenn pela quarta vez e nota-se sua tentativa de recriar a franquia Bond com um ritmo mais acelerado de ação, sem humor intencional ou involuntário, se aproveitando da nova imagem do personagem personificado por um novo intérprete. Foram cogitados na época os nomes de Christopher Lambert, Mel Gibson e Sam Neill que chegou a fazer testes de cena. O escolhido acabou sendo … o irlandês Pierce Brosnan, mas este estava preso sob contrato à série de TV “Remington Steele”, situação semelhante a que passou Tom Selleck que por causa de seu contrato com Magnum na Tv não pôde fazer Indiana Jones.  O destino pregou curiosa peça já que Timothy Dalton já tinha sido, no passado, considerado para o papel de 007 quando Sean Connery deixou o papel livre após “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” em 1967. Na época Dalton era muito jovem, mas agradou o suficiente para que o convite fosse refeito e o ator galês fosse anunciado como o novo 007 ainda em 1986. O filme “007 Marcado para a Morte”, título nacional para “The Living Daylights” acertou no tom e na escolha: Timothy Dalton, agora com 41 anos, fazia um Bond mais jovial que Moore e mais sério, mais próximo inclusive dos livros de Fleming e mais comportado sexualmente. Sua única Bond girl no filme é a atriz Maryam D’Abo que havia sido testada para um papel secundário em “007 Na Mira dos Assassinos” (A View to a Kill) e embora tenha sido reprovada, chamou a atenção de Barbara Broccoli, que se lembrou da atriz, então com 27 anos, para o papel da violoncelista Kara Milovy.

007 marcado para a morte

O novo filme de Bond também foi o último a  ter a trilha sonora composta por  John Barry e o primeiro em que a personagem Srta Moneypenny não é interpretada por Lois Maxwell, tendo sido substituída por Caroline Bliss. Outra mudança é o personagem do russo Pushkin (John Rhyes Davis, o anão Gimli de “O Senhor dos Anéis”) que entra na trama em papel chave que seria a principio desempenhado pelo General Gogol (Walter Gotell), personagem recorrente nos filmes anteriores da série. O problema era que o ator Walter Gotell estava com a saúde debilitada e não poderia assumir uma papel mais ativo na trama, ficando este com uma pequena aparição, sua última nos filmes de 007.

Timothy Dalton e Carey Lowell

A canção-tema ficou com a banda norueguesa A-HA, dando ao filme um clima mais pop, sendo que os produtores chegaram a convidar Morten Harken (o vocalista da banda) para um pequeno papel, mas o cantor recusou. O filme custou em torno de $40 milhões e rendeu bem mais do que o dobro, tendo estreado em 30 de Julho de 1987 e coroando Dalton no papel que voltaria a desempenhar apenas mais uma vez, dois anos depois.

JAMES BOND RETORNARÁ AO BLOG EM “007 PERMISSÃO PARA MATAR”

HALLOWEEN 2015 – PARTE 3: AS BRUXAS

A Feitiçeira            Nada mais justo que encerrar essa série de artigos sobre o Halloween, falando dos próprios seres que batizam a data. No imaginário popular, as bruxas  são retratadas como mulheres velhas, narigudas, que voam em vassouras vestidas de preto e com um chapéu pontiagudo. Sua existência já foi contada em livros e filmes das mais variadas formas, ora como as vilãs ou até mesmo no papel de heroínas.

A Bruxa de Blair

A Bruxa de Blair

Em tempos medievais, a tradição oral fez notória a história de João e Maria (Hansel & Gretel) nas florestas germânicas fala de uma bruxa que os aprisiona e os alimenta com intenção de devorá-los. Os Irmãos Grimm escreveram a versão escrita que veio a ser publicada no início do século XIX. Em 1937, o escritor Monteiro Lobato incluiu a história no livro de contos “Histórias de Tia Anastácia”. O próprio autor paulistano deixou sua imaginação fluir e criou a Cuca, uma feiticeira em um corpo de Jacaré que se tornou a vilã nas histórias do “Sitio do Pica-pau Amarelo” escritas entre 1920 e 1947. Também da era medieval, uma das bruxas mais notórias é Morgana, também uma das personagens centrais nas lendas arturianas transpostas da tradição oral para o papel por Sir Thomas Mallory no livro “Le Morte d’Arthur” de 1947, um dos primeiros livros publicados na Inglaterra com o advento da imprensa. Que não fique, no entanto, a impressão de que a era medieval foi o berço desses personagens mágicos. A antiga Grécia já relatava a ação de bruxas junto a grandes eventos como Circe, uma poderosa feiticeira presente na “Odisséia” de Homero. O dramaturgo William Shakespeare as retratou como profetizas na obra clássica “Macbeth”, escrita no século XVII. A história registra um episódio particular ocorrido por volta de 1692 em Salem, Massachussets, o lendário julgamento de bruxas. Movidos pela ignorância e pela superstição os regentes do povoado acusaram mais de 100 mulheres de práticas ligadas à magia negra, incluindo curandeiras e qualquer uma cujo comportamento indicasse algum desvio de comportamento. Vinte pessoas, na maioria mulheres, foram submetidas a torturas até que confessassem e morreram, executadas pelos dirigentes de Salem

As Brumas de Avalon

As Brumas de Avalon

Muitos séculos depois, a cultura pop viria a mostrar as bruxas sob um aspecto diametralmente oposto: O seriado “A Feitiçeira” (Bewitched)  trazia Elizabeth Montgomery no papel de Samantha Stevens, uma bruxa que abdicara de uma vida de mágica para ser dona de casa, mas seus poderes e a presença de seus familiares tumultuava a paz de de seu marido, o publicitário James Stephens (Dick York). O seriado durou 8 temporadas e a bruxaria serviu como metáfora para um casamento entre classes sociais opostas. Na década de 90, a atriz Melissa Joan Hart interpretou uma bruxa adolescente no seriado “Sabrina, aprendiz de feiticeira” (Sabrina The Teenage Witch), e em seguida veio “Charmed” que trazia bruxas que lutavam contra as forças das trevas tal qual heroínas de histórias em quadrinhos. Na literatura, diversos autores souberem ser inventivos para explorar as possibilidades da magia. O século XX começou com o escritor norte-americano L.Frank Baum, que fez da bruxa vilã de sua fábula em série “O Mágico de OZ” (The Wonderful Wizard of Oz), onde a heroína Dorothy acidentalmente mata a bruxa malvada do leste e desperta a ira de sua irmã, a bruxa malvada do oeste. O teatrólogo americano Arthur Miller escreveu em 1953 “As Bruxas de Salém” (The Crucible) e fez das bruxas metáforas para a paranoia macartista que tomou conta da sociedade americana na década de 50. Em 1979, Marion Zimmer Bradley deu às mulheres do ciclo arturiano o devido destaque nos quatro volumes entitulados “As Brumas de Avalon” (The MIsts of Avalon). Se em outras versões Morgana era uma bruxa ambiciosa e fria, Marion a fez vítima de circunstâncias atenuantes, uma sacerdotisa de um período em que o paganismo chegava a um ponto final. Anne Rice deixou de lado os vampiros para falar de bruxaria em dois livros que se completam formando um painel geração após geração da vida de uma família de feiticeiras em “A Hora da Bruxaria” (The Witching Hour), dividido em dois volumes, ambos publicados em 1990. Digno de nota também é o romance de John Updike “As Bruxas de Eastwick” (The Witches of Eastwick) de 1984 que fez da bruxaria uma alegoria para falar de libertação, sedução e feminismo.

As Bruxas de Eastwick

As Bruxas de Eastwick

O cinema contou com adaptações dessas obras, mas ainda assim sempre recorre à figura da bruxa como um instrumento do demônio, como na farsa arranjada por Edward Sanchéz e Daniel Myrink que usaram de uma campanha viral na internet, até então sem precedentes, para convencer a todos que existia a tal bruxa nas florestas de Maryland, praticamente um fake-lore, um folclore forjado para entreter o suposto documentário filmado por três estudantes. No período clássico bom lembrar de Kim Novak em “Sortilégios de Amor” (Bell, book na candle) no qual interpreta uma sedutora feiticeira que usa de porções e feitiços para conquistar o coração de James Stewart. Sedução também é a maior mágica das irmãs interpretadas por Sandra Bullock e Nicole Kidman em “Da Magia a Seduçao” (Practical Magic) de 2003. A Lista é grande e não podem faltar Michelle Pfeiffer em “Stardust – O Mistério da Estrela” (Stardust), Eva Green em “A Bussola de Ouro” (The Golden Compass) e Bette Midler acompanhada de Sarah Jessica Parker e Katrhy Najimy em “Abracadabra” (Hocis Pocus). A magia não está no caldeirão, mas na imaginação humana. Feliz Halloween!!!

HALLOWEEN 2015 : PARTE 1 – VAMPIROS

A PARTIR DESSA SEMANA PUBLICAREI DURANTE O MÊS DE OUTUBRO ARTIGOS SOBRE TEMAS RELATIVOS AOS FILMES DE TERROR COMO CELEBRAÇÃO DO HALLOWEEN DESSE ANO. O PRIMEIRO TEMA A SER PUBLICADO É SOBRE AS FAMIGERADAS, PORÉM SEDUTORAS CRIATURAS DA NOITE. VEJAMOS UM POUCO SOBRE A NATUREZA DE SEUS HÁBITOS E EM SEGUIDA UMA SELEÇÃO DOS MELHORES FILMES DO GÊNERO:

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HISTÓRIAS DE VAMPIROS SÃO, NA VERDADE, ANTERIORES AO ROMANCE “DRÁCULA” DE BRAM STOKER, QUE FOI PUBLICADO EM 1897. NAQUELE FINAL DO SÉCULO XIX, O CONTINENTE EUROPEU JÁ COLECIONAVA DIVERSOS RELATOS DESAS CRIATURAS NOTÍVAGAS QUE SE LEVANTAVAM DE SUAS TUMBAS PARA SE ALIMENTAR DE SANGUE HUMANO. EM UMA ÉPOCA DE MUITA SUPERSTIÇÃO E REPRESSÃO SEXUAL, O VAMPIRO SURGIA COMO A PERSONIFICAÇÃO DE UMA CONDUTA LASCIVA, METÁFORA PARA O SEXO FORA DO CASAMENTO. A MORDIDA NO PESCOÇO GUARDA CONOTAÇÕES DE SEDUÇÃO QUE SUGEREM O ORGASMO E O DESEJO INCONTIDO DE PRAZER CARNAL. ALÉM DISSO, O VAMPIRO TAMBÉM É UM REBELDE POIS DESAFIA AS LEIS DE DEUS: VIVE ETERNAMENTE E SE MANTEM JOVIAL COM SUA RIGOROSA DIETA A BASE DE SANGUE. HOUVE QUEM SEGUISSE TAL NOÇÃO AO PÉ DA LETRA COMO A LENDÁRIA CONDESSA HÚNGARA ELIZABETH BATHORY(1560 – 1614 ), QUE OBCECADA PELA BELEZA ETERNA, COMETEU CRIMES HEDIONDOS, VINDO A SE BANHAR NO SANGUE DE BELAS VIRGENS, MOTIVO PELO QUAL ESTA FICOU CONHECIDA COMO “CONDESSA DRÁCULA”. SUA HISTÓRIA SERVIU DE INSPIRAÇÃO PARA O ESCRITOR IRLANDÊS JOSEPH SHERIDAN LE FANU ESCREVER SEU ROMANCE “CARMILLA“, PUBLICADO EM 1872, E QUE TAMBÉM INICIOU A CONOTAÇÃO DE QUE O VAMPIRISMO NÃO ESTAVA PRESO A HETEROSEXUALIDADE, SUGERINDO LESBIANISMO, OUTRA CONDUTA IGUALMENTE ESCANDALOSA PARA A SOCIEDADE EUROPÉIA DE ENTÃO. NA LITERATURA, E DEPOIS NO CINEMA, O FIGURA DO VAMPIRO EVOCOU A SEDUÇÃO E O MEDO, A VIDA ETERNA E A MORTE. SE DRÁCULA TORNOU-SE SINÔNIMO DE VAMPIRISMO, TAMBÉM ESTABELECEU OS CÂNONES DO GÊNERO : A ESTACA NO CORAÇÃO, O DOMÍNIO SOBRE AS CRIATURAS DA NOITE ENTRE OUTROS. AINDA EM 1927, O CINEASTA ALEMÃO F.W.MURNAU FEZ UMA ADAPTAÇÃO NÃO OFICIAL E QUE GANHOU IDENTIDADE PRÓPRIA NO GÊNERO: “NOSFERATU” TRANSFORMANDO A SEDUÇÃO EM REPULSA, DESTILANDO MEDO E INCORPORANDO TODA UMA ESTÉTICA ARTÍSTICA QUE FARIA HISTÓRIA. MUITOS ANOS DEPOIS, O ESCRITOR NORTE AMERICANO PUBLICOU, EM 1975, “A HORA DO VAMPIRO” (SALEM’S LOT). FOI SEU SEGUNDO LIVRO DECLARADAMENTE INSPIRADO NO LIVRO DE BRAM STOKER. A NORTE-AMERICANA ANNE RICE EXPLOROU NOVAS FRONTEIRAS DO VAMPIROS QUANDO CRIOU O VAMPIRO LESTAT , E EM 1976, PUBLICOU “ENTREVISTA COM O VAMPIRO” (INTERVIEW WITH THE VAMPIRE) QUE GEROU UMA LEGIÃO DE FÃS, CONQUISTADOS AO LONGO DE UMA SÉRIE DE LIVROS DO GÊNERO. MENOS CONHECIDO DO PÚBLICO BRASILEIRO, MAS BASTANTE INTERESSANTE É O EDITOR E JORNALISTA AMERICANO MICHAEL ROMKEY, QUE PUBLICOU EM 1990 “i VAMPIRE“, ONDE UM HOMEM DESILUDIDO REDESCOBRE UM SENTIDO MAIOR PARA SUA VIDA AO SE APAIXONAR POR UMA VAMPIRA. ROMKEY POSTULA QUE VÁRIAS FIGURAS HISTÓRICAS COMO O RUSSO RASPUTIN E JACK O ESTRIPADOR SÃO VAMPIROS. O SUCESSO DESSE LIVRO LEVOU TAMBÉM A UMA SÉRIE LITERÁRIA BEM SUCEDIDA. VEJAMOS ABAIXO, UMA LISTA DE FILMES MEMORÁVEIS SOBRE ESSES FASCINANTES SUGADORES DE SANGUE QUE INFLAMAM A IMAGINAÇÃO DOS APRECIADORES DO GÊNERO :

1- HORROR DE DRÁCULA (1958) – FOI O PRIMEIRO FILME DE DRÁCULA ESTRELADO PELO SAUDOSO CHRISTOPHER LEE, CONHECIDO PELA NOVA GERAÇÃO COMO O SARUMAN DE “O SENHOR DE ANÉIS” & “O HOBBIT”. LEE SUPEROU A JÁ EXCELENTE ATUAÇÃO DE SEU ANTECESSOR NO PAPEL (BELA LUGOSI). A PRDUTORA HAMMER CRIOU UMA VERDADEIRA DINASTIA DE FILMES DE TERROR E O MESTRE LEE UM DOS SEUS MAIORES EXPOENTES. COM POUCAS PALAVRAS E SEM CONTAR COM GRANDES EFEITOS, SUA ATUAÇÃO É ASSUSTADORAMENTE PERFEITA. COM SEU OLHAR E POSTURA ARISTOCRÁTICA, NADA MAIS É NECESSÁRIO.

DRACULA

2- DRÁCULA DE BRAM STOKER (1990) – É A MAIS PRÓXIMA ADAPTAÇÃO DO ROMANCE DE STOKER, MAS AINDA REINVENTA ALGUMAS PASSAGENS. GARY OLDMAN ESTÁ EXCELENTE NO PAPEL E A DIREÇÃO DE COPPOLA SOUBE COMO CONDUZIR A HISTÓRIA TIRANDO A ESSÊNCIA DAS PALAVRAS DE STOKER E TRADUZINDO-AS EM IMAGENS.

BSTOKER

3- A HORA DO ESPANTO (1985) -ESQUEÇA A REFILMAGEM DE 2011, O FILME DIRIGIDO POR TOM HOLLAND COM RODDY MCDOWALL E CHRIS SARANDON AINDA É MELHOR.

FRIGHTNIGHT

4- NOSFERATU (1979) – O DIRETOR ALEMÃO WERNER HERZOG CONSEGUIU A DIFICIL TAREFA DE ADAPTAR O FILME DE MURNAU. IMAGENS E CONTEUDO CAPAZ DE INTERESSAR MESMO AO NÃO AFICCIONADOS PELO GÊNERO.

NOSFERATU

5- DEIXE-ME ENTRAR (2011) – MATT REEVES REFILMOU A PRODUÇÃO SUECA QUE ADAPTAVA O LIVRO DE JOHN LINDQUIST SOBRE UMA NOVEMN VAMPIRA E SUA AMIZADE COM UM MENINO QUE SOFRE BULLYING NA ESCOILA. INTERESSANTISSIMO E BEM ATUADO PELA OTIMA CHLOE GRACE MORETZ.

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OUTRAS SUGESTÕES :

DRÁCULA A HISTÓRIA NÃO CONTADA (2014), OS GAROTOS PERDIDOS (1987), VAMPIROS DE JOHN CARPENTER (1995), SOMBRAS DA NOITE (2013), ENTREVISTA COM O VAMPIRO (1994), A SOMBRA DO VAMPIRO (2013)  E VOCÊS QUAL SEU FILME FAVORITO SOBRE VAMPIROS ?