IN MEMORIAN: ROGER MOORE

ROGER MOORE

LAMENTAMOS TODOS A MORTE DO ATOR ROGER MOORE. EU O CONHECI ANTES DE SUBSTITUIR SEAN CONNERY NO PAPEL DE 007. ERA A SÉRIE “PERSUADERS”, UMA PÉROLA DOS ANOS 70 NA QUAL O ATOR BRITÂNICO ATUAVA AO LADO DE TONY CURTIS. TAMBÉM LEMBRO DELE COMO SIMON TEMPLAR, O LADRÃO SOFISTICADO DE “O SANTO”. SIR ROGER MOORE FOI O INTÉRPRETE MAIS PROLÍFICO DE BOND, ATUANDO AO TODO EM 7 FILMES ENTRE 1973 E 1985. SEU CINISMO E PERSONALIDADE “LIGHT” FIRMARAM O PERSONAGEM AO LONGO DE UMA DÉCADA E MEIA. FOI O BOND QUE MENOS SE LEVAVA A SÉRIO, MAS QUE PARECIA SE DIVERTIR MAIS. SE POR UM LADO SALVAVA O MUNDO NOS FILMES, NA VIDA REAL TAMBÉM TENTAVA TENDO SE TORNADO EMBAIXADOR DA UNICEF, EM PROL DA CAUSA DAS CRIANÇAS DO MUNDO. QUE DESCANSE EM PAZ, O ESPIÃO QUE TODOS NÓS AMAVAMOS.

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BOND 17 : 007 CONTRA GOLDENEYE

UM ESCLARECIMENTO AOS AMIGOS LEITORES DO BLOG: QUANDO INICIEI ESSA SÉRIE DE ARTIGOS SOBRE OS FILMES DE 007 MINHA PRETENSÃO ERA COBRIR TODOS OS TÍTULOS, UM POR UM, ATÉ A DATA DA ESTRÉIA DE “007 CONTRA SPECTRE”. INFELIZMENTE NÃO FOI POSSÍVEL FAZÊ-LOS A TEMPO. AINDA ASSIM LHES DIGO QUE CONTINUAREI COM A MISSÃO TERMINANDO TODOS OS FILMES DA ERA BROSNAN E TAMBÉM TODOS OS FILMES DA ERA CRAIG, QUE PARECE TER CHEGADO FIM COM A CHEGADA DE “007 CONTRA SPECTRE”. AOS FÃS DO AGENTE SECRETO E AOS LEITORES DO BLOG AFIRMO QUE TEM AINDA MUITA COISA INTERESSANTE SOBRE OS BASTIDORES DESSA FRANQUIA MILIONÁRIO QUE NASCEU NA LITERATURA DE ESPIONAGEM E GANHOU PERSONALIDADE PRÓPRIA DENTRO DA HISTÓRIA DA SÉTIMA ARTE.  MUITOS PODEM ATÉ NÃO GOSTAR TANTO DE BOND, MAS NÃO HÁ COMO IGNORAR SUA IMPORTÂNCIA. ENTÃO RECOMEÇEMOS COM O 17º FILME DA SÉRIE E PRIMEIRO ESTRELADO POR PIERCE BROSNAN, DE PREFERÊNCIA SABOREANDO UMA TAÇA DE MARTINI, BATIDO E NÃO MEXIDO COMO O PERSONAGEM PEDE.

 

Goldeneye Bond e bondgirls

Pierce Brosnan, Izabella Scorupco & Famke Janssen

Há exatos 20 anos James Bond voltou às telas repaginado para uma nova geração em “007 Contra  GoldenEye”. O mundo, no entanto, era muito diferente do que havia sido contextualizado para o personagem: Não havia mais a guerra fria, a cortina de ferro foi derrubada  e os interesses globais não mais se desdobravam em  ideologias bipolarizadas. O equilíbrio de forças no mundo ainda sofria seus revezes e aí é que entra Brosnan, Pierce Brosnan.  Pela primeira vez, um roteiro de 007 havia sido feito sem nenhuma ligação com os livros de Ian Fleming, desta vez nem mesmo o título. Foi também o primeiro vez sem a mão do roteirista Richard Maibaum que havia falecido durante o longo hiato entre o filme anterior “007 Permissão Para Matar” e o novo filme que fora planejado ainda com Timothy Dalton em mente. Este anunciara em 1994 que estava oficialmente fora, sem nenhum interesse de voltar ao papel.  Foram pensados para o papel nomes como Liam Neeson,  Mel Gibson, Sam Neill ,Hugh Grant e Ralph Fiennes (que mais tarde faria o papel de M a partir de “Skyfall”), até que Albert Broccoli escolhesse finalmente Pierce Brosnan que já havia sido cogitado para 007 na época de “007 Marcado Para a Morte” (The Living Daylights) de 1987, mas que acabou não sendo efetivado devido ao contrato que o ator tinha com a série de TV “Remington Steele”. Foi a última vez que Broccoli faria pessoalmente a escolha do ator para Bond, já que Broccoli viria a falecer pouco depois. Curiosamente, Brosnan havia sido casado com a atriz Cassandra Harris, que foi uma das Bond girls de Roger Moore em “007 somente para seus olhos” (For your eyes only).

Goldeneye Bond viloes

Os Vilões continuam ameaçadores, mesmo que um deles seja um nerd do mal (Alan Cummings) ao lado de Sean Bean, o traidor 006.

A história do novo filme mostra Bond enviado em missão para recuperar o Goldeneye, um sistema de satélites capaz de provocar pane em qualquer  circuito eletrônico do mundo, desde o mecanismo de um relógio ao mais sofisticado computador. O aparelho acaba caindo nas mãos da organização Janus, a máfia russa surgida dos escombros da antiga União Soviética e dos dissidentes da KGB. Bond enfrenta o General Ourumov (Gottfried John), sua assassina sádica Xenia Onatopp (Famke Jansen) e o agente traidor Alec Trevelyan (Sean Bean) que era amigo de Bond e que o conhece muito  bem. Bond conta apenas com a ajuda do agente da Cia Jack Wade (Joe Don Baker) e a operadora de sistema Natalya Simonova (Izabella Scorupco). No elenco de Bondgirls, Xenia ficou com a atriz holandesa Famke Jansen, que depois interpretou a mutante Jean Grey nos filmes da franquia “XMen”. Já Izabella Scorupco é atriz e cantora de origem polonesa. O maior adversário de Bond ficou o ator Sean Bean, que chegou a fazer teste para o papel de James Bond já na época de “007 Marcado Para a Morte” em 1987. O elenco de apoio foi renovado começando por M, o chefe de Bond, que ficou com a atriz Judy Dench. O único que manteve o papel foi Desmond Lewlley, o Q, gênio inventor por trás das traquinas bondianas. Presença digna de nota também é o nerd do mal vivido por Alan Cummings (o Noturno de X Men 2) que trai seus amigos e está a todo momento tentando se reafirmar dizendo “I am invincible” (Sou Invincível), incluindo do desfecho.

Goldeneye Judy Dench

M (Judy Dench) dá uma dura em 007 : “Você é um dinossauro sexista e misógino”

O filme foi dirigido por Martin Campbell que imprimiu um ritmo ágil que segura o interesse na trama, mantendo o tom mais sério iniciado na era Dalton. O resultado foi uma bilheteria mundial de mais de $ 350 milhões para um orçamento de $58 milhões. O roteiro acerta em cheio de forma a apresentar Bond para a geração 90 como na cena em que M (Dench) chama Bond de “dinossauro sexista misógino”, destacando o anacronismo da figura do super espião em um mundo onde o maniqueísmo deixou de ter sentido e as intrigas políticas abandonaram ideologias em favor de interesses econômicos.  A trilha sonora traz a voz de Tina Turner na canção de abertura, que quase foi gravada pelo grupo Rolling Stones. A banda sueca “Ace of Base” também foi cogitada, e depois descartada. Foi o primeiro filme de 007 a usar tecnologia digital, apesar de algumas sequências tradicionais como o mergulho de bungee-jumping na abertura do filme, a perseguição de tanques que levou seis meses para ser concluída e cenas de luta que dispensavam muitas vezes os dublês. Brosnan chegou a machucar sua mão em uma dessas cenas, e seu filho Christopher Brosnan usou a própria para emular a do agente. A sequência final na gigantesca antena foi filmada na mesma locação usada para o filme “Contato”, com Jodie Foster. O nome do filme ainda guarda uma referência ao criado do personagem já que “GoldenEye” foi o nome de uma operação de espionagem real na qual Ian Fleming se envolveu quando este trabalhava para a Inteligência Naval Britânica durante a segunda guerra. A operação tratava da possível invasão da Espanha por tropas nazistas. Quando Fleming se tornou um escritor bem sucedido, este usou o nome “GoldenEye” para batizar sua casa na Jamaica onde se desenvolvia seus livros.

Goldeneye Bond e Isa

Bond & Simonova 

O sucesso nas bilheteria do filme de Martin Campbell restaurou o prestígio de franquia, se tornando a mais rentável desde “007 Contra o Foguete da Morte” (Moonraker) na era Moore, superando inclusive as duas incursões de Timothy Dalton no papel. Brosnan ficou com um contrato para mais três filmes.e sua licença para matar ou divertir foi renovada definitivamente.

BOND RETORNA AO BLOG EM “007 O AMANHÃ NUNCA MORRE”.

BOND 16 : 007 PERMISSÃO PARA MATAR

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1989 foi um ano de muita concorrência no cinema: O Batman de Tim Burton, Máquina Mortífera 2, Indiana Jones & A Última Cruzada entre outros dividiam a atenção do público e as gordas bilheterias das salas de exibição. Em meio a tudo Timothy Dalton retorna como James Bond em “007 Permissão Para Matar” (License to Kill) em um filme que desagradou muito aos fãs. Na época, o roteirista   Richard Maibaum (em seu último trabalho na série) usou alguns elementos de “Live & Let Die” e “ The Hildebrand Rarity”, este último um conto inicialmente publicado na revista Playboy em 1960 e depois incluída na coletânea “For Your Eyes Only” .

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No filme, o agente da CIA Felix Leiter (David Hedison), amigo   pessoal de Bond, se casa mas é capturado e torturado pelo traficante de drogas Franz Sanchez (Robert Davi). A esposa de Leiter morre e o ex-agente fica entre a vida e a morte. Bond, praticamente, se rebela diante da inatividade do serviço secreto britânico, abandona seu trabalho e parte em missão pessoal para encontrar e matar Sanchez. Bond,   recebe a ajuda de Q (Desmond Llewellyn), se infiltra no grupo do vilão e conquista sua confiança com o objetivo de desbaratar sua organização e matá-lo. A história se desdobra como um filme de ação convencional e a figura de Bond ganha contornos mais humanos uma vez que este se entrega a um irrefreável instinto de retaliação. As bond-girls Pam Bouvier (Carey Lowell) e Lupe Lamora (Talisa Soto) dividem a atenção de 007  e se integram à ação em que terão que escolher um lado,  em uma história de vingança pessoal, destituída de qualquer contextualização política. David Hedison reprisa o papel de Felix Leiter que fizera em “Com 007 Viva & Deixa Morrer” em 1974, sendo o primeiro ator a reprisar o personagem que tivera outros intérpretes em outros filmes. O vilão da vez ficou com Robert Davi, mais lembrado como um dos irmãos Fratelli em “Os Goonies”.

Timothy Dalton e Carey Lowell.jpg

Foi a primeira vez que um filme de 007 teve um título (que a princípio seria “License Revoked” ) sem nenhuma conexão com os livros de Ian Fleming. Analisando como um filme da série é razoável, menor quando comparado ao filme anterior, mas ainda superior a outros, principalmente à era Moore. Analisando como um filme de ação é bom e funciona por dinamizar mais as motivações de seu protagonista, um direcionamento que seria retomado muitos anos depois em “Quantum Of Solace”, já na era Craig.  A bilheteria baixa do filme foi decepcionante para o apelo que sempre se esperou de um filme de 007, sendo considerada a pior arrecadação da série, o que não significa dizer que tenha sido um prejuízo uma vez que seu custo de $32 milhões deu um retorno internacional de mais de $250 milhões na época.

O contrato de Dalton, na época, previa um terceiro filme que acabou não acontecendo porque a MGM e a United Artists foram vendidas a um grupo australiano que planejava fazer uso dos filmes da franquia sem acordo comum com a EON Pictures de Albert Broccoli. A disputa judicial paralisou sucessivamente todas as tentativas de se iniciar um novo filme. Nos seis anos que se seguiram até que os aspectos legais fossem resolvidos, o contrato de Dalton expirou sem que o ator galês se interessasse em renovar, uma vez que sua carreira teatral  se consolidava com sucesso. Bond só retornaria em 1995 já com um novo intérprete, mas isso é história para o próximo artigo.

 

BOND RETORNA AO BLOG EM “007 CONTRA GOLDENEYE

 

 

IAN FLEMING – O ESPIÃO QUE TODOS AMAM

Ian Fleming

Ian Fleming

Fleming, Ian Lancaster Fleming nasceu em Londres, em 28 de Maio de 1908, o segundo filho , dos quatro, do Major Valentine Fleming,  seguiu uma educação conservadora, tendo estudado no Eton College, tradicional escola britânica, onde também estudaram os príncipes William e Harry, atuais herdeiros da coroa britânica. Depois de Eton, Ian entrou para a Real Academia Militar de Sandhurst, mas, contrariando a vontade da mãe, não seguiu a carreira militar e deixou Sandhurst para estudar idiomas na Suíça, aprendendo a falar, fluentemente, o Francês, o Alemão e o Russo, o que foi fundamental mais tarde para os passos que daria até chegar ao seu sucesso editorial. Fleming viveu – ele próprio – as intrigas do período da guerra fria, já que trabalhou para o Serviço de Informações da Marinha Britânica, durante a Segunda Guerra, onde empregou sua incrível habilidade com idiomas. Fleming chegou a alcançar a patente de Capitão-de-Fragata (Commander). Fleming também foi jornalista, tendo trabalhado na agência Reuters, por três anos, e, depois da guerra, chegou à editoria internacional da Kemsley Newspapers, dos mesmos donos do Sunday Times.

Albert Broccoli, Ian Fleming, Sean Connery e Harry Staltzman (Da direita para a esquerda)

Albert Broccoli, Ian Fleming, Sean Connery e Harry Staltzman (Da direita para a esquerda)

Casou-se, em 1952, com Anne Rothermere e, nesse mesmo ano, tiveram seu único filho, Caspar. Nessa ocasião, já com residência fixada na Jamaica, escreveu a primeira aventura de James Bond, em um período de dois meses. Reza a lenda que Fleming teria batizado seu super agente com o nome de um ornitólogo, cujo livro (Birds of the West Indies), favorito de sua  esposa, era mantido na cabeceira da mesma. Contudo, “Dr. No” não foi o primeiro romance do super espião. Bond nasceu nas páginas de “Cassino Royale”, que veio a ser publicado em 1953 e foi o único livro da série não adquirido pelos produtores Harry Saltzman e Albert Broccoli. Este livro,  que teve uma tiragem inicial de 4 mil exemplares, surpreendeu o editor Jonathan Cape quando, em um ano, alcançou a marca de 10 mil exemplares vendidos, levando –é claro- Fleming a escrever outros romances. Fleming, também, escreveu o livro infantil “Chitty Chitty Bang Bang”, dedicado ao seu filho, e que foi adaptado para o cinema em 1968 (O Calhambeque Mágico), com Dick Van Dyke, Sally Ann Howes e Gert Frobe (o intérprete do vilão Auric Goldfinger, da 7ª história de Bond). Lamentavelmente, o filho de Ian Fleming morreria, em 1974, de uma overdose de drogas.

Sean Connery, Luciana Paluzzi e Adolfo Celi.

Sean Connery, Luciana Paluzzi e Adolfo Celi.

Os fãs mais novos de 007 talvez não saibam mas o novo filme do agente secreto (o 24º da série) coroa a volta de elementos literários que eram proibidos aos filmes. Tudo começou em 1959 quando o produtor Kevin McClory propôs uma história original para um filme de James Bond e que se chamaria “James Bond, Secret Agent” com Richard Burton no papel de 007. Um roteiro foi escrito por McClory, Jack Whittingham em conjunto com Fleming, e uma das ideias era que Bond deveria deixar de lado a SMERSH, a agência de contra-espionagem soviética (que aliás era baseada em uma agência real homônima), de forma a desvincular 007 da guerra-fria. McClory e Whittigham pensaram em uma organização apolítica, sem ligação direta com a antiga União Soviética, o que ampliaria o campo de ação das tramas. Assim nasceu a SPECTRE, como um adversário mais genérico em sua natureza, podendo se ajustar em qualquer contexto político global, mas com potencial destrutivo imenso. Seu líder seria o megalomaníaco Ernest Stravos Brofeld, criado para ser o nêmesis de Bond tal qual o professor Moriarty para Sherlock Holmes. Fleming aceitou a colaboração de McClory e Whittingham e interagiu com ambos durante um bom tempo, mas acabou mudando de ideia, assinando com Harry Saltzman e Albert Broccoli para a adaptação de todos os livros escritos por Fleming, deixando de fora do contrato apenas “Cassino Royale”, justamente o primeiro livro escrito por Fleming, e que havia sido adaptado para a Tv britânica em 1954 com Barry Nelson como 007 e Peter Lorre como o vilão Le Chiffre, um operativo da SMERSH.

Telly Savalas, uma das faces de Brofeld

Telly Savalas, uma das faces de Brofeld

Broccoli julgava a história meio parada, sem ação e por isso a ignorou, buscando no 5º livro escrito por Fleming, “Dr.No”, a história para a estreia cinematográfica de 007, ignorando também que o livro fazia menção a eventos ocorridos nos livros anteriores. A estreia de 007 nos cinemas aconteceu em Outubro de 1962 no Reino Unido e, somente sete meses depois nos Estados Unidos. No ano anterior, Fleming, contudo, utilizou as ideias de McClory (a organização SPECTRE substituindo os vilões comunistas e o vilão Brofeld, que foi batizado por Fleming com o sobrenome do pai de um amigo dos tempos de colégio etc…) para a história que passou a se chamar “Thunderball” e que publicou sem dar crédito a McClory e Whittingham.

Sean Connery em "Nunca Mais Outra Vez"

Sean Connery em “Nunca Mais Outra Vez”

A SPECTRE demonstrou-se tão funcional dentro das aventuras de 007 que os filmes de Broccoli passaram a mencioná-la em substituição a SMERSH, mas Brofeld nunca aparece completamente nos filmes, ficando como um manipulador de todos os eventos. Para os fans ele era apenas um vulto com um gato persa no colo (satirizado décadas mais tarde por Mike Myers e seu Dr.Evil) que era feito nos primeiros filmes por Anthony Dawson até que Donald Pleasance, Telly Savalas e Charles Grey vivessem o personagem respectivamente no 5º, 6º e 7º filme da série.

O sucesso de vendas do livro “Thunderball”, com uma tiragem de mais de 50 mil exemplares,  levou Broccoli a adaptá-lo como o quarto filme da série. No Brasil, o livro foi inicialmente batizado de “Operação Relâmpago” e editado pela Civilização Brasileira ainda em 1961, sendo rebatizado a partir de 1965 de “Chantagem Atômica” assim como o filme dirigido por Guy Hamilton. O filme deixaria de fora o passado de Brofeld, explicado no livro e troca o nome de uma das principais assassinas sob suas ordens, Fatima Blush, que no filme tornou-se Fiona, interpretado pela atriz Luciana Paluzzi. Dois anos antes da estreia do filme, um acordo feito fora dos tribunais deu a Fleming os direitos sobre o livro e a McClory o crédito de produtor ( no lugar de Broccoli & Saltzman) e escritor do texto original, além do direito de refilmar a história depois de um período de 10 anos.

Fleming voltou a citar a SPECTRE nos livros escritos na sequência : “O Espião que me Amava” (1962), “A Serviço de Sua Majestade” (1963), e “A Morte no Japão” (You Only Live Twice), mas a saúde do autor havia debilitado muito e o processo judicial movido por McClory lhe garantiu uma indenização de 50 mil libras de indenização. Para Fleming, o desgaste emocional da peleja legal contribuiu para o ataque cardíaco fatal que sofrera em 12 de Agosto de 1964.

James Bond livros

As adaptações de seus livros se seguiram, mas a relação entre McClory e a EON Productions de Albert Broccoli se deteriorou ainda mais com o primeiro vetando qualquer menção a SPECTRE e Brofeld nos filmes que se seguiram após “007 Os Diamantes São Eternos” (Diamonds are Forever)   de 1970, onde Brofeld foi interpretado por Charles Grey. Broccoli, por sua vez, usou de todos os recursos a sua disposição para impugnar os direitos de refilmagem de “Thunderball” concedidos a McClory. Em 1981, como uma resposta a McClory de que 007 era maior que sua contribuição, Broccoli produz “007 Somente Para seus Olhos” (For Your Eyes Only”) onde Bond (Roger Moore) mata Brofeld, sem que seu nome seja mencionado e sem que seu rosto seja visto.

O novo filme: A volta da Spectre

O novo filme: A volta da Spectre

McClory eventualmente conseguiu fazer sua refilmagem em 1984, se associando ao produtor Jack Schwartzman e rebatizando o filme de “Nunca Mais Outra Vez” (Never Say Never Again) trazendo Sean Connery de volta ao personagem e justificando o título escolhido (Connery havia prometido antes nunca mais interpretar Bond) depois que Broccoli conseguiu proibir judicialmente que McClory usasse o nome “James Bond” ou o código famoso 007 no nome de sua versão. Também não poderia usar a célebre sequência em que Bond atira na direção da câmera, nem usar o clássico tema musical de Monty Norman e John Barry. Curiosamente, a EON pictures lançou pouco antes de MacClory seu filme tido como oficial “007 Contra Octopussy” (Octopussy) com Roger Moore que se saiu melhor na bilheteria que a refilmagem de MacClory. Depois de anos sem ouvir falar da SPECTRE ou Brofeld novamente em qualquer filme, todos os fans foram pegos de surpresa quando foi anunciado o nome do novo filme com Daniel Craig, uma vez que MacClory já havia falecido, permitindo a EON Pictures negociar com os herdeiros dele a utilização desses elementos que comprovam a ideia inicial de que Bond deveria estar acima da guerra fria, livre das amarras da contextualização em que foi inicialmente criado, mas ainda a serviço do equilíbrio de forças em um mundo em que, mais de 50 anos depois de sua criação, ainda precisa de 007 para lutar contra as forças do mal.

BOND 15: 007 MARCADO PARA A MORTE

Quando Roger Moore deixou o papel de James Bond em 1985, o cinema estava dominado pelos filmes de ação dos futuros mercenários Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, a guerra fria já não era mais a mesma e o tom nada sério que perdurou na era Moore havia desgastado a imagem de 007 diante do público. Broccoli precisava se adaptar à década de 80 e também Bond, cujo apetite sexual não era condizente com as assustadoras noticias sobre a AIDS que chegavam às pessoas. Além disso, praticamente quase todos os livros de Fleming já haviam sido adaptados (Os títulos ao menos, já que sabemos que as histórias eram sempre modificadas).

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“The Living Daylights” era originalmente um dos contos publicados na mesma coletânea que “Octopussy” e tratava da deserção de um oficial russo que atraía Bond para trás da cortina de ferro (como era chamado os países socialistas do leste europeu). O oficial é recapturado e Bond mergulha na investigação dos eventos que envolvem um plano para deflagar um novo conflito mundial. O roteiro novamente de Michael G.Wilson e Richard Maibaum muda vários elementos do conto original, deslocando a deserção das  fronteiras das Alemanhas (Ocidental e Oriental como era então dividida) para a Thechosolaquia. A direção foi entre entregue para John Glenn pela quarta vez e nota-se sua tentativa de recriar a franquia Bond com um ritmo mais acelerado de ação, sem humor intencional ou involuntário, se aproveitando da nova imagem do personagem personificado por um novo intérprete. Foram cogitados na época os nomes de Christopher Lambert, Mel Gibson e Sam Neill que chegou a fazer testes de cena. O escolhido acabou sendo … o irlandês Pierce Brosnan, mas este estava preso sob contrato à série de TV “Remington Steele”, situação semelhante a que passou Tom Selleck que por causa de seu contrato com Magnum na Tv não pôde fazer Indiana Jones.  O destino pregou curiosa peça já que Timothy Dalton já tinha sido, no passado, considerado para o papel de 007 quando Sean Connery deixou o papel livre após “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” em 1967. Na época Dalton era muito jovem, mas agradou o suficiente para que o convite fosse refeito e o ator galês fosse anunciado como o novo 007 ainda em 1986. O filme “007 Marcado para a Morte”, título nacional para “The Living Daylights” acertou no tom e na escolha: Timothy Dalton, agora com 41 anos, fazia um Bond mais jovial que Moore e mais sério, mais próximo inclusive dos livros de Fleming e mais comportado sexualmente. Sua única Bond girl no filme é a atriz Maryam D’Abo que havia sido testada para um papel secundário em “007 Na Mira dos Assassinos” (A View to a Kill) e embora tenha sido reprovada, chamou a atenção de Barbara Broccoli, que se lembrou da atriz, então com 27 anos, para o papel da violoncelista Kara Milovy.

007 marcado para a morte

O novo filme de Bond também foi o último a  ter a trilha sonora composta por  John Barry e o primeiro em que a personagem Srta Moneypenny não é interpretada por Lois Maxwell, tendo sido substituída por Caroline Bliss. Outra mudança é o personagem do russo Pushkin (John Rhyes Davis, o anão Gimli de “O Senhor dos Anéis”) que entra na trama em papel chave que seria a principio desempenhado pelo General Gogol (Walter Gotell), personagem recorrente nos filmes anteriores da série. O problema era que o ator Walter Gotell estava com a saúde debilitada e não poderia assumir uma papel mais ativo na trama, ficando este com uma pequena aparição, sua última nos filmes de 007.

Timothy Dalton e Carey Lowell

A canção-tema ficou com a banda norueguesa A-HA, dando ao filme um clima mais pop, sendo que os produtores chegaram a convidar Morten Harken (o vocalista da banda) para um pequeno papel, mas o cantor recusou. O filme custou em torno de $40 milhões e rendeu bem mais do que o dobro, tendo estreado em 30 de Julho de 1987 e coroando Dalton no papel que voltaria a desempenhar apenas mais uma vez, dois anos depois.

JAMES BOND RETORNARÁ AO BLOG EM “007 PERMISSÃO PARA MATAR”

BOND 14 – 007 NA MIRA DOS ASSASSINOS

Foi no embalo da banda inglesa Duran Duran que Roger Moore se despediu do papel que desempenhou ao longo de 11 anos. Aos 57 anos, Moore já havia se cansado do papel de James Bond e se sentia desconfortável em fazer o papel de sedutor contracenando com belíssimas atrizes cada vez mais jovens. Moore cumpriu seu contrato final começando com uma eletrizante sequência na Rússia, seguida após os créditos de uma igualmente envolvente perseguição na Torre Eiffel, onde Bond persegue a assassina May Day.

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Assim começa a 14ª aventura de Bond no cinema, adaptando o conto “From a View to a Kill”, que Fleming incluíra na coletânea “For Your Eyes Only”, mas que o autor já havia publicado, em forma seriada, no jornal britânico “Daily Express” com o nome “Murder Before Breakfast”. No livro, Bond investiga o desaparecimento de documentos secretos ligado a um crime cometido por um motoqueiro assassino. Claro que, assim como nos filmes anteriores, pouquíssimo ou quase nada do material original de Fleming foi aproveitado. A trama foi recriada em torno da figura do mega empresário, e ex-agente da KGB Max Zorin, que planeja monopolizar a produção de microchips, inundando o Vale do Silício em São Francisco. O personagem foi criado pensando em David Bowie, mas este recusou, preferindo fazer o papel de rei dos duendes em “Labirinto- A Magia do Tempo”. Em seguida, o papel foi oferecido ao ator holandês Rutger Hauer (Ladyhawke – O Feitiço de Áquila) até ser oferecido a Christopher Walken, que se tornou o primeiro ator premiado com um Oscar a trabalhar em um filme de Bond.

Os Vilões Max Zorin e May Day

Os Vilões Max Zorin e May Day

As filmagens, iniciadas ainda em 1984, foram atrasadas devido ao incêndio que destruiu os Estúdios Pinewood. Em quatro meses, estes foram reconstruídos e rebatizados de “The Albert Broccoli 007 Stage”. As locações de filmagem incluíam a França, Inglaterra, Islândia e São Francisco cuja prefeita era fã da série e ajudou bastante para manter o cronograma das filmagens. Como os produtores buscavam tornar 007 mais atraente para as plateias mais jovens, a atriz e cantora Grace Jones (de quem Roger Moore não gostou muito, conforme o próprio revelou tempos depois) ficou com o papel da assassina May Day e a banda britânica Duran Duran gravou a canção-título que chegou a primeiro lugar nas paradas de sucesso, e chegou a ser indicada ao Oscar de melhor canção Embora não seja o melhor dos filmes estrelados por Roger Moore, também não é dos piores, mas em 1985 (ano de lançamento do filme) a sofisticação de Bond encontrava forte concorrência nos filmes de ação explosiva estrelados por Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenneger. Ainda assim, o filme que custou em torno de U$$30 milhões, faturou U$$50 milhões nos Estados Unidos e mais de U$$ 150 milhões no mercado internacional, o suficiente para garantir a continuidade da série.

James Bond & John Steed.

James Bond & John Steed.

No elenco, ainda encontra-se Patrick McNee, que interpretou o espião inglês John Steed na série de Tv “Os Vingadores” (The Avengers) – nada a ver com os heróis Marvel – realizada pela TV britânica. O papel de Stacy Sutton, a bond-girl que torna-se o objeto de desejo de 007 foi oferecido a Bo Derek, mas acabou ficando com a ex pantera Tanya Roberts, então com 30 anos. O ator Dolph Lundgren, que logo depois seria o adversário de Rocky Balboa em “Rocky IV”, era o namorado de Grace Jones e faz uma ponta como um dos agentes russos. Em uma ponta, em meio a multidão que assiste à corrida de cavalos pode se notar a atriz Maud Addams (de Octopussy) que foi convidada a fazer essa aparição pelo próprio Roger Moore, fazendo de Maud a única atriz a ter trabalhado em três filmes diferentes de 007. Além de Moore, também se despede da série a atriz Lois Maxwell, intérprete da secretaria Miss Moneypenny. O papel de Pola Ivanova (Fiona Fullerton) foi criado pelos roteiristas diante da recusa da atriz Barbara Bach de reprisar o papel de Major Amazova que vivera em “007 O Espião que me amava”.

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Fim de uma era – Despedida do elenco

Com o fim dessa 14ª  missão encerrou-se a era Moore. Novos tempos indicavam a necessidade de renovar a série para uma nova geração, mas isso é assunto para o próximo artigo.

BOND RETORNA AO BLOG EM “007 MARCADO PARA A MORTE”

BOND 13 1/2 : NUNCA MAIS OUTRA VEZ

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Para entender melhor como um filme de 007 pôde ser feito sem nenhum vinculo com a série oficial é necessário volta ao final dos anos 50, quando o interesse pelos livros de Ian Fleming despertou o interesse de Hollywood.  O produtor irlandês Kevin McClory procurou Fleming com a proposta de desenvolverem juntos uma história então inédita, sem conexão com os livros já editados. O roteiro original seria a primeira produção de cinema com o personagem de James Bond. McClory e Fleming se juntaram com o roteirista Jack Whittigham e criaram o conceito da SPECTRE (Special Executive for Counter-Intelligence Terrorism Revenge & Extortion) – uma organização criminosa internacional oposta ao que representa o MI6 liderada pelo maléfico Ernest Stravos Brofeld. Na história, Largo é o segundo em comando e tem a seu serviço duas belas mulheres: A fatal Fatima Blush, assassina fria e Domino, sua protegida. A ideia de McClory era desconectar os vilões do perfil caricatural representado pela SMERSH nos primeiros livros, que prendia as tramas ao convencionalismo da guerra fria onde a União Soviética era o Império do mal.

Sean Connery & Barbara Carrera

Sean Connery & Barbara Carrera

Contudo, Fleming fechou acordo com Albert Broccoli & Harry Saltzman para adaptar seus livros e abortou o compromisso verbal com McClory. Isso não o impediu de utilizar as ideias desenvolvidas em conjunto com McClory e Whittigham (sem creditá-los) em um novo romance entitulado “Thunderball” publicado em 1961 e adaptado por Broccoli em 1965. McClory entrou com um  processo judicial que levou três anos para se resolver, concluindo com um pagamento de indenização aos co-criadores excluídos por Fleming, os direitos dos personagens por estes idealizados, o credito de produtor associado em “007 Contra a Chantagem Atômica” e a garantia de refilmá-lo depois de 12 anos do lançamento deste. Ao longo das duas décadas seguintes, a relação entre McClory e Broccoli se deteriorou, com diversas negociações frustradas que impediam Broccoli de usar nos filmes de Bond os elementos criados por McClory. Este por sua vez esbarrava em diversos obstáculos para seguir com sua refilmagem, o que só começou a se concretizar quando o produtor Jack Schwartzman, da Warner Brothers, entrou no projeto que deveria se chamar – a princípio – “James Bond of The Secret Service”, mas a EON Pictures impugnou o título por ser muito semelhante a “On Her Majesty’s Secret Service”, filmado em 1969. A EON Pictures conseguiu impor também as seguintes restrições : McClory não poderia usar o nome do personagem no título do filme, nem mesmo o código 007, não poderia também usar a clássica sequência de tiro na direção da câmera empregada no início de todos os filmes de 007. De forma a se distanciar ainda mais, o roteirista contratado por McClory, Lorenzo Semple Jr (o mesmo da série clássica de “Batman”) se baseou no roteiro original de McClory,  e não no roteiro filmado em 1965 para “007 Contra a Chantagem Atômica”.

Bond encontra o futuro Johnny English

Bond encontra o futuro Johnny English

Apesar de pensarem primeiro em George Lazenby para voltar ao papel de James Bond, os produtores conseguiram o impossível: Convenceram Sean Connery a voltar ao papel, que dissera doze anos antes, que jamais interpretaria novamente. Connery aceitou com a condição de que seu Bond deveria ter a mesma idade que ele (na época 52 anos) e por isso, o filme começa com seu personagem aposentado do serviço secreto, mas tendo que voltar à ativa depois de um atentado contra sua vida. Connery contribuiu com várias ideias para o roteiro e fez diversas sugestões na escalação do elenco como o premiado ator austríaco Klaus Maria Bandauer para o papel de Largo e Max Von Sydow (ator de diversos filmes de Ingmar Begrman) como Brofeld. As filmagens ocorreram em Monte Carlo, no sul da França, em Nassau e na Inglaterra com direção de Irving Keshner (do excelente “O Império Contra Ataca”) depois da recusa de Richard Dooner (Máquina Mortífera, Superman o Filme ) . Na sequência submarina filmada nas Bahamas a equipe passou por perigos reais como o surgimento de tubarões e uma imensa caverna submersa que poderia ameaçar a segurança de elenco e membros da equipe de filmagem. O compositor francês Michel Legrand (duas vezes Oscarizado) ficou responsável pela trilha sonora do filme que veio a ser batizado por sugestão da esposa de Sean Connery como “Never Say Never Again” , em vista da recusa de Connery em voltar ao papel que lhe dera fama e para o qual estava afinal de volta. O elenco ainda traria Rowan Atikinson (o Mr.Bean) em seu primeiro papel no cinema e a ex modelo Kim Basinger (Batman, Los Angeles Cidade Proibida) em um de seus primeiros papéis na telona. Um dos papéis de grande destaque no filme ficou com Barbara Carrera, a atriz nicaraguense que foi uma das modelos mãos bem pagas do mundo recusou o papel de Octopussy para trabalhar com Sean Connery, ficando com o papel da assassina Fatima Blush. Conta-se que a atriz teria dispensado a necessidade de dublê de corpo para filmar as cenas de amor com Connery.

Connery & Kim Basinger

Connery & Kim Basinger

O filme estreou no circuito quatro meses depois de “007 Contra Octopussy”, anunciado como a volta do verdadeiro James Bond, uma batalha de marketing que nunca foi vista, nem mesmo quando a primeira versão de “Cassino Royale” chegou aos cinemas em 1967, na mesma época que “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes”, já que o primeiro era praticamente uma paródia. A mídia, em 1983, anunciava como “Bond vs Bond”, um duelo de produções rivais na qual o filme de BRoccoli se saiu melhor, rendendo internacionalmente em torno de $187 milhões contra $163 milhões do filme de McClory. Este chegou aos cinemas brasileiros em 30 de dezembro de 1983, sendo a última vez que os nomes James Bond e Spectre foram usados em uma mesma produção, até agora com o novo filme anunciado com Daniel Craig que retoma esses elementos, finalmente adquiridos pela EON Pictures depois da morte de Kevin McClory em 2006.

BOND 13 : 007 CONTRA OCTOPUSSY

Em 1982, já tendo passado o lançamento de “007 Somente Para Seus Olhos”, Roger Moore havia encerrado para viver James Bond. A EON Pictures chegou a escalar James Brolin para substituir Moore quando o produtor irlandês Kevin McClory anunciou a refilmagem de “007 Contra a Chantagem Atômica” – cujos direitos lhe pertenciam – e com Sean Connery de volta ao papel (Entenda melhor isso na próxima postagem de Bond aqui no blog). Temerosos de competir com a inesperada volta de Connery, Moore foi trazido de volta com um novo contrato para mais dois filmes.

octopussy

O roteiro de George McDonald Fraser, Richard Maibaum e Michael G. Wilson foi uma salada de ideias retiradas de histórias distintas dos livros de Fleming. O título veio do 14º e último livro de Fleming, uma publicação póstuma de 1966, entitulada “Octopussy & The Living Daylights” , este na verdade reunia quatro contos de Bond : “Octopussy”, “The Living Daylights”, “The Property of A Lady” e “007 in New York”. Do primeiro conto veio a personagem feminina central da trama que dá título ao filme (apontada como filha do Major Smythe, vilão do livro) . Já o roubo de ouro nazista , no filme,  foi transformado nos tesouros perdidos do último czar da Rússia. Enquanto no livro, um major renegado é o vilão, no filme este foi transformado no príncipe Afegão Khamal Khan, vivido nas telas pelo ator Louis Jourdan. Do conto “The Property of a Lady” os roteiristas extraíram o roubo e falsificação de um Ovo Farbegé, rara joia que funciona como o elemento de investigação inicial que levará Bond à casa de leilões Sotherby’s em Londres. O restante os roteiristas inventaram de forma a criar uma aventura movimentada, o que de fato funciona em termos de ação, levando Bond à India , e ao final do filme à Berlim onde um militar russo renegado (aliado de Khan) que planeja explodir um artefato nuclear na Alemanha ocidental. Assim se desenrola a trama de “007 Contra Octopussy”.

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A direção de John Glenn (pela segunda vez) consegue conduzir a trama sem os exageros de humor dos primeiros filmes de Roger Moore, que apesar de sua persona descolada e ar debochado, atua mais contido, admirável se levarmos em conta que Moore não se sentia à vontade no papel estando , na época , com 56 anos.  A sequência em que Bond está no circo, disfarçado de palhaço e tenta desesperadamente alertar sobre a bomba foi muito criticada na época, mas revista hoje ela não prejudica tanto. É nítido que Albert Broccoli desejava um filme com um tom menos sério do que em “007 Somente Para Seus Olhos”. Talvez, pelo fato de estar enfrentando nas bilheterias o filme de McClory, Broccoli estivesse tentando fazer um filme mais leve, ao gosto de Roger Moore quer parecia gostar de atuar de forma mais despretensiosa. O fato é que o filme divide bastante as opiniões dos fans, com críticas severas às piadinhas infames como Bond dentro de um traje de crocodilo ou na selva dando um grito como Tarzan.

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No elenco, a atriz Maud Addams tornou-se Bond girl pela segunda vez uma vez que ela trabalhou em “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”, ainda que a personagem fosse outra. O papel de Octopussy lhe foi entregue depois das recusas de Faye Dunaway e Barbara Carrera (esta recusou o convite da EON Pictures pois preferiu contracenar com Sean Connery no filme de Kevin McClory entitulado “Nunca Mais Outra Vez”. O tenista profissional indiano Vijay Armitrage ficou com um papel menor tentando iniciar uma carreira paralela de ator. Para isso, Albert Broccoli havia pedido a seu amigo Leonardo Goldberg que conseguisse uma participação de Vijay na série de Tv “A Ilha da Fantasia”, pois assim o tenista poderia obter um registro de ator. Este chegou a fazer aparições em “Casal 20” (seriado de TV) e até mesmo em “Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para a Casa” (1987). Desmond Lewelly, intérprete de Q, tem participação mais ativa na trama pela primeira vez na série. O ator Kabir Bedi é até hoje o único ator de Bollywood (a Hollywood Indiana) a atuar em um filme de 007 e seu personagem certamente é tão cruel e mortífero quando Oddjob (Goldfinger) ou Dentes de Aço (O Espião que me Amava). Foi a primeira vez que o ator Robert Brown interpreta M, o chefe de Bond, depois do falecimento de Bernard Lee.

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Algumas das sequências em “007 Contra Octopussy” eram ideias já planejadas anteriormente, mas não utilizadas. A caçada de elefantes, por exemplo, era ideia de Harry Saltzman (co-produtor nos primeiros nove filmes de 007) que era prevista para “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”; o jogo de Gamão foi inicialmente previsto para “007 O Espião Que Me Amava”, o mini jato no começo do filme e os gêmeos atiradores de faca seriam a princípio usados em “007 Contra o Foguete da Morte”. John Barry, que ficara de fora da trilha sonora do filme anterior retorna e traz consigo a belíssima canção tema “All Time High” na voz da cantora norte-americana Rita Coolidge, e que se tornou sucesso nas execuções de rádio chegando até a fazer parte da novela da Globo “Eu Prometo” no ano de 1983.

O mortífero Gobinda (Kabir Bedi)

O mortífero Gobinda (Kabir Bedi)

Também foi o primeiro filme de 007 depois da venda da United Artists a MGM.  Lançado meses antes do filme rival, “Octopussy” foi melhor nas bilheterias, arrecadando em torno de $187 milhões contra $163 milhões de “Nunca Mais Outra Vez”. Foi a última vez que um filme de 007 anuncia o título do filme seguinte, que se chamaria “From a View to a Kill”, modificado depois para “A View to a Kill”. Particularmente não é o melhor de Bond, nem sequer o melhor filme da era Moore (este sem dúvida é “007 Somente Para Seus Olhos”) , mas cumpre o papel de entretenimento mediano, mesmo não sendo

BOND 12 : 007 SOMENTE PARA SEUS OLHOS

Depois de 4 filmes consecutivos de Roger Moore como James Bond, o público começava a se cansar do clima de deboche que diluía demais as tramas dos filmes. Na verdade, o próprio Roger Moore nitidamente se levava nada a sério na figura de um super-espião, transformando-o em um bon-vivant que, casualmente salvava o mundo. O ator repudiava qualquer cena que mostrasse Bond matando a sangue frio. No início da década de 80, Broccoli – agora com o comando absoluto dos filmes – decidiu fazer uma aventura mais séria, com o pé no chão, se aproveitando  de um dos contos do 8º livro escrito por Ian Fleming, lançado originalmente em 1960.Este foi o primeiro de duas coletâneas de contos de 007, dos quais os roteiristas Richard Maibum e Michael G.Wilson se aproveitaram dos contos “For Your Eyes Only” (o assassinato dos Havelock e a busca de vingança de sua filha Judy), e “Rísico” (o vilão Kristatos e o contrabandista Colombo).

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No filme, o casal de arqueólogos gregos, os Havelock, auxiliam o governo britânico a localizar o ATAC, um moderno aparelho comunicador capaz de controlar mísseis nucelares. São assassinados e sua filha Melina (Judy no livro) se junta a Bond em sua busca de vingança contra o vilão Kristatos, um agente duplo que planeja vender o ATAC a quem pagar mais. Desde a década anterior, Broccoli tentava entrar em acordo com Kevin McClory que tinha os direitos autorais de Brofeld e da Spectre, elementos dos livros de Bond que criara em conjunto com Ian Fleming. O letígio entre Fleming e McClory deu a este último a palavra final sobre a utilização desses elementos e ainda o direito de refilmar “007 Contra a Chantagem Atômica”, o que viria a acontecer nos anos seguintes. Não chegando a um acordo, Brocolli apenas deixa insinuar que o vilão morto por Bond no início do filme é Brofeld, através da aparência física, mas sem jamais usar o nome. Bond também visita o túmulo de Tereza, sua esposa morta em “007 A Serviço de Sua Majestade”. O vínculo criado entre os filmes já aponta que o roteiro leva Bond por uma narrativa mais séria, ao som da canção tema cantada pela cantora Sheena Easton.

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MELINA NÃO ERA APENAS MAIS NOVA QUE BOND MAS ERA DURONA E VINGATIVA.

No elenco, Roger Moore já demonstrava estar cansado do papel, mas renegociou seu contrato por uma valor nunca revelado. A atriz francesa Carole Bouquet, então com 24 anos, fez uma Bondgirl mais ativa na ação, independente do heroico super-espião. Curiosente, no filme Bond dispensa os avanços sensuais de Bibi (a atriz e patinadora profissional  Lynn Holly Johnson)  que era, na verdade, apenas um ano mais nova que Bouquet, ambas mais novas que o já cinquentão Roger Moore.  A personagem da Contessa Lisl era interpretada por Cassandra Harris, na época casada com o futuro James Bond Pierce Brosnan. Cassandra morreu pouco depois de câncer, o mesmo mal que consumira o ator Bernard Lee, o M que por isso não aparece no filme, sendo este o único filme de Bond sem o personagem. Broccoli o homenageou alegando que M estava de ausente devido a uma licença.

ROGER MOORE PASSPOU MAUS BOCADOS POR SEU MEDO DE ALTURA AO FAZER ESSA CENA AINDA QUE TENHA TIDO DUBLÊ.

ROGER MOORE PASSOU MAUS BOCADOS POR SEU MEDO DE ALTURA AO FAZER ESSA CENA AINDA QUE TENHA TIDO DUBLÊ.

O filme foi um estrondoso sucesso de bilheteria, rendendo mais que o dobro de seu orçamento estimado de $ 28 milhões, chegando a mais de $ 100 milhões internacionalmente, o que salvou o estúdio da United Artists que estava às portas da falência depois do fracasso de “O Portal do Paraíso” (Heaven’s Gate) de Michael Cimino). De qualquer forma, o filme funciona, tem um roteiro envolvente e ótima performance de Roger Moore, sendo superior ao filme anterior “007 Contra o Foguete da Morte” e ao filme seguinte “007 Contra Octopussy”. Quase que “007 Somente Para Seus Olhos” (For Your Eyes Only) foi dirigido por Steven Spielberg, que chegou a conversar com Broccoli. No entanto, este recusou as investidas de Spielberg alegando que queria manter um diretor britânico para a série. Foi com a recusa amarga que Spielberg juntou-se a George Lucas para criar Indiana Jones. Isso é claro é outra história.

BOND VOLTA AO BLOG EM SEGUIDA COM “007 CONTRA OCTOPUSSY”

BOND 11 : 007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE

No final dos anos 70, os produtores desistiram de filmar “007 Somente Para Seus Olhos”, conforme anunciado no final do filme anterior e decidiram que a 11ª aventura de Bond deveria se passar no espaço, isso devido ao novo boom de ficção científica provocado pelo fenômeno “Star Wars”. O único livro de Ian Fleming que se encaixava em uma adaptação dessas era “Moonraker”, escrito em 1955 como a 3º aventura literária de Bond. Contudo, livro e filme seriam completamente distintos um do outro.

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No livro, Bond investiga o desaparecimento de um foguete experimental (muito antes do auge da corrida espacial ou mesmo da missão Apollo 11) que é desenvolvido com o propósito de lançar uma ogiva nuclear para destruir Londres. Contudo, toda a história se passa na Terra e Bond, em momento algum, pisa em um foguete, ou vai ao espaço. No filme, o “Moonraker” é um ônibus espacial norte-americano emprestado aos britânicos que desaparece misteriosamente. A investigação leva Bond às Industrias Drax que pretende lançar um vírus mortal para dizimar a raça humana, salvando apenas aqueles que julgar merecedores para construir um novo mundo. O vilão Hugo Drax (Michael Lonsdale) foi criado por Ian Fleming tendo em mente o vilão Robur do livro de Jules Verne “Master of the World”. Na verdade, a trama é quase uma variação do mesmo tema do filme anterior (007 O Espião Que me Amava) só que trocando o mar pelo espaço na visão megalomaníaca do vilão. O filme ainda traz de volta o capanga Jaws (Dentes-de-aço) que se redime ao final. No livro, no entanto, não tem Jaws, nem a Dra.Holly Goodhead (a Bond girl do livro se chama Gala Brand) e nem tem a passagem de Bond  pelo Brasil.

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ROGER MOORE & LOIS CHILES

Esta foi filmada no Pão de Açúcar onde Bond (Moore) e a Dra.Goodhead (Lois Chiles, que estava grávida na época das filmagens) são encurralados dentro do bondinho, mas escapam da morte certa quando deslizam pelos cabos antes que o terrível Jaws os parta com os dentes. O roteiro de Christopher Wood ainda coloca Bond no meio das ruas cariocas em pleno Carnaval, em uma representação caricatural que em nada colabora para o bom desenvolvimento da trama. A direção ficou a cargo de Lewis Gilbert, que dirigira outros dois filmes da franquia (Com 007 Só se Vive Duas Vezes e 007 O Espião Que Me Amava) e na trilha sonora, Shirley Bassey retorna pela terceira vez para cantar a música-tema (É dela a voz na abertura de Goldfinger e Os Diamantes São Eternos) depois de Frank Sinatra e Johnny Mathis serem inicialmente escolhidos e depois desistirem. Outra quase escolha para gravar a canção tema foi a cantora britânica Kate Bush.

AÇÃO NO PÃO DE AÇUCAR

AÇÃO NO PÃO DE AÇUCAR

Foi o último filme de Bernard Lee como M, o chefe de Bond, que falecera pouco tempo depois antes de se iniciar a produção do filme seguinte. Quando as filmagens de “007 Contra o Foguete da Morte” começaram a NASA ainda não tinha terminado o design do Ônibus Espacial: O Columbia ainda não havia sido construído e o Enterprise ainda faria seu primeiro teste de vôo. O roteirista Tom Mankiewicz chegou a escrever um outro roteiro para o filme, sendo algumas de suas ideias seriam reaproveitadas para “007 Contra Octopussy” e “007 Na Mira dos Assassinos”. O que muitos não sabem é que a atriz brasileira Adele Fátima chegou a filmar como a personagem Manuela, mas teve suas cenas com Roger Moore cortadas e substituídas por Emily Bolton. Segundo algumas fontes, o motivo da troca seria ciúmes da esposa de Roger Moore. Curiosamente, no filme Roger Moore teria uma cena de amor com a atriz francesa Corinne Clery, que interpreta a assistente de Hugo Drax, e que protagonizou o clássico do masoquismo no cinema “A História de O”

HUGO DRAX

HUGO DRAX

Apesar de ser um filme fraco, o filme lucrou bastante, tendo custado em torno de $34 milhões,  mais do que a soma dos 6 filmes produzidos pela EON  e tendo tido um retorno fabuloso na bilheteria mundial de mais de $200 milhões de dólares, números que seriam superados apenas em 1995 com “007 Contra Goldeneye”. Bond retorna dois anos depois em “007 Somente Para Seus Olhos”.

BOND 10 : 007 O ESPIÃO QUE ME AMAVA

O 3º filme de Roger Moore no papel de James Bond é o favorito do ator, conforme o mesmo revelou em entrevista. De fato, é um dos melhores de sua fase apesar de nada ter a ver com o livro original de Ian Fleming além do título. Na verdade, partiu do próprio Ian Fleming em seu acordo com Broccoli lá no início dos anos 60 que este usasse, se desejasse, o título “O Espião Que Me Amava” (The Spy Who Loved Me) mas que não usasse a história pois a julgava a pior das aventuras que escrevera. O livro simplesmente gira em torno de Bond enfrentando assassinos de aluguel para proteger uma mulher, a bela Vivianne ameaçada pelos vilões em um motel à beira da estrada onde Bond casualmente chega após ter ficado com um pneu furado. Apenas isso: Bond mata os gangsters e dorme com a mulher. Há algumas fontes que indicam que a decisão de fazer um roteiro original a partir do título de Ian Fleming teria partido de Broccoli e não de Fleming, mas o fato é que o filme “O Espião que me Amava” (The Spy Who loved Me) é movimentado, divertido na medida certa, sem exageros e com uma trama interessante, muito superior aos dois filmes anteriores protagonizados por Moore.

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Na trama, o multi-milionário Carl Stromberg (Curt Jurgens) vive recluso em um complexo submerso chamado apropriadamente “Atlantis”. De lá ele ordena que submarinos nucleares de vários países sejam sequestrados criando tensão global (lembrando que ainda vivia-se sob o fantasma da guerra fria). Antes que a  crise fique insustentável, os governos britânicos e russos decidem colaborar em uma missão conjunta colocando à frente desta seus melhores agentes : Enquanto Bond representa o ocidente, o Krelmin envia a Major Anya Amasova (Barbara Bach) que recentemente perdeu o homem que amava. O que esta não sabe é que seu amado foi morto por Bond em uma perseguição na neve, mostrada no magistral início do filme quando Bond para fugir, salta em um abismo abrindo um pára-quedas com a bandeira do Reino Unido, a estilosa Union Jack. Essa sequência havia sido sugerida por George Lazenby na ocasião das filmagens de “007 A Servico de Sua Majestade”, mas considerada então impraticável. Com passagens pelo Egito e Itália, Bond & Amasova enfrentam seus adversários, entre eles a belíssima e mortal Naomi ( a voluptuosa Carolyn Munro) e o mortífero Dentes de Aço (originalmente Jaws, para quem não souber este é o nome em inglês do filme “Tubarão”), interpretado pelo gigante Richard Kiel (1939 – 2014). Este não podia suportar a prótese dentária de aço por muito tempo na boca pelo grande desconforto que esta lhe causava, muitas vezes causando dor ao ator que disfarçava em cena com um sorriso quase cômico. Esta também foi a primeira aventura de Bond a apresentar o personagem do General Gogol (Walter Gotell) que viria a aparecer em outros filmes.

Barbara Bach

Barbara Bach

O filme é movimentado e divertido muito acima dos dois filmes anteriores de Roger Moore, que está mais à vontade no papel. Custou em torno de $ 14 milhões de dólares faturando $ 46 milhões só no mercado norte-americano. O filme chegou ao Brasil em 31 de Outubro de 1977 e sua trilha sonora foi igualmente muito popular graças à canção tema “Nobody does it better”, composta pelo excelente Marvin Hamlich e cantada pela voz sensual de Carly Simon, sendo a primeira vez que a canção tema do filme não tinha o mesmo nome do filme. A franquia 007 estava novamente em seu auge e várias empresas ofereciam patrocínio para a filmagem de várias cenas como a Lotus Espirit usada por Bond como o carro aquático, aumentando a venda deste a tal ponto que muitos clientes tiveram que ficar em uma lista de espera de até 3 anos para adquirir o automóvel.  A propósito, uma das crianças na praia, que assiste admirado a Bond saindo do mar é o filho, na vida real, do ator Richard Kiel. Segundo o site imdb, este foi o último filme assistido por Elvis Presley antes da morte do Rei do Rock em Agosto de 1977. A atriz Lois Chiles era a escolha inicial de Albert Broccoli para interpretar Amasova, mas esta havia sido tão duramente criticada pelo filmes anteriores que fizera que decidira se retirar temporariamente para estudar. Barbara Bach, esposa do Beatle Ringo Starr, ficou com o papel e Lois Chiles ganhou nova oportunidade para interpretar uma Bond girl no filme seguinte que estava programado para ser “007 Somente para seus olhos”, sendo anunciado ao final da projeção de “O Espião que me amava”. Devido ao grande sucesso de “Star Wars”, Broccoli decidiu por uma aventura ambientada no espaço. Assim, Lois Chiles foi para o elenco de “007 Contra o Foguete da Morte”, o filme seguinte na franquia. Essa, no entanto, é história para a próxima postagem aqui do blog.

Bond enfrenta Jaws

Bond enfrenta Jaws

BOND RETORNARÁ EM “007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE”.

TRAILLER : 007 CONTRA SPECTRE (5 DE NOVEMBRO NOS CINEMAS)

SINOPSE OFICIAL DIVULGADA EM 21 DE JULHO PELA SONY PICTURES :

Uma mensagem enigmática do passado leva James Bond à uma missão secreta na Cidade do México e, eventualmente, para Roma, onde ele conhece Lucia Sciarra (Monica Bellucci), a bela e proibida viúva de um infame criminoso. Bond infiltra-se uma reunião secreta e descobre a existência da sinistra organização conhecida como SPECTRE. Enquanto isso, em Londres, Max Denbigh (Andrew Scott), novo chefe do Centro de Segurança Nacional, questiona as ações de Bond e desafia a relevância do MI6, liderado por M (Ralph Fiennes). Bond secretamente recruta Moneypenny (Naomie Harris) e Q (Ben Whishaw) para ajudá-lo a contatar Madeleine Swann (Léa Seydoux), filha de seu antigo inimigo Mr. White (Jesper Christensen), que pode ter uma pista para desembaraçar a teia de SPECTRE. Como é filha de um assassino, ela compreende Bond de uma maneira que a maioria dos outros não conseguem. Conforme Bond segue em busca do coração de SPECTRE, ele desvenda a arrepiante conexão entre ele e o inimigo que procura, interpretado por Christoph Waltz.

BOND 9 – 007 CONTRA O HOMEM DA PISTOLA DE OURO

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O 9º filme da série 007 é o 13º livro escrito por Ian Fleming, publicado postumamente já que o autor falecera em Agosto de 1964, oito meses antes do lançamento do livro que foi finalizado por um autor fantasma, segundo algumas fontes. A história também foi completamente modificada na adaptação escrita por Richard Maibaum e Tom Mankiewics que praticamente só aproveitaram o nome do livro e o nome dos personagens principais, alterando tudo.

No livro, que dá sequência aos eventos de ” A Morte no Japão ” (o livro que gerou “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes”) um Bond desmemoriado sofre lavagem cerebral e é enviado de volta a Londres programado para matar M. Bond é preso e desprogramado, mas perde a confiança de seus superiores. Para provar seu valor, Bond é enviado de volta a Jamaica com a missão de matar Francisco Scaramanga, cuja organização está envolvida com tráfico de drogas, rede de prostituição e um mirabolante plano para desestabilizar a economia ocidental. O tom do livro é extremamente sério com traição, conspiradores e Bond tendo que provar seu valor ao seu governo e  para si mesmo, contando com a ajuda de seu amigo da CIA Felix Leiter (retirado da história na adaptação para o cinema) e a Bond girl Mary Goodnight, que aparece em outros livros de Fleming como a secretária pessoal de Bond.

007 GOLDEN GUN

No filme, o antagonismo entre Bond e Scaramanga se resume a uma rivalidade superficial para saber quem é o melhor em seu ofício: matar. Scaramanga tem um assistente, o pequeno Nick Nack (Herve Villecheize o Tattoo da “Ilha da Fantasia”) que não existe no livro. No filme, os roteiristas ainda inventaram uma fonte de energia solar transformada por Scaramanga em uma arma mortífera. Além de Goodnight, Bond corteja a bela Andrea Anders, amante de Scaramanga, interpretada pela atriz Maud Addams, que seria a principal Bond girl 10 anos depois em “007 Contra Octopussy” . A trama extremamente rasa mesmo se tratando de um filme de ação descamba para um humor forçado com a volta do Xerife Pepper (Clifton James) que aparecera no filme anterior. Outra modificação no filme foi a transferência da ação da Jamaica (no livro) para a Tailândia.

As filmagens foram atribuladas para o diretor Guy Hamilton em seu 3º e último filme da série. Este, segundo o próprio Roger Moore, queira um tom mais sério para a trama e desejava ver um Bond mais seco e frio o que deixava Moore descontente. O papel de Scaramanga (o assassino com três mamilos, anomalia genética rara porém real) foi oferecido inicialmente a Jack Palance (Acredite se quiser, lembram ?) antes de Christopher Lee (recentemente falecido) que obteve fama mundial como Drácula, e que era na vida real primo de Ian Fleming. A sueca Britt Ekland (na época casada com Peter Sellers) foi contratada para o papel que ficou com Maud Addams, mas Guy Hamilton mudou de ideia quando viu fotos de Britt Ekland de bikini. O filme foi a primeira aventura de Bond exibida na Russia e marcou o fim da parceria entre Broccoli & Saltzman, já que este passava por sérios problemas financeiros e precisou vender sua parte na sociedade.

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Embora seja um filme fraco, ainda tem a curiosidade de assistir o sempre ótimo Christopher Lee no papel de vilão. Lamenta-se que os produtores deixaram muita coisa do material original de Fleming de fora e mesmo a questão energética abordada é por demais superficial e não sustenta a trama adaptada. Com todos os problemas das filmagens, Brocolli retardou o inicio do filme seguinte em quase três anos. É claro essa já é outra história.

JAMES BOND RETORNA AO BLOG NA PRÓXIMA SEMANA COM “007 O ESPIÃO QUE ME AMAVA”.

BOND 8 : COM 007 VIVA & DEIXA MORRER

No início da década de 70, os produtores Broccoli & Saltzman viviam um impasse : Embora Sean Connery tivesse feito “007 Os dimantes são Eternos” (Diamonds are forever), este não estava disposto a continuar mais vindo a recusar uma oferta de $5,5 milhões de dólares. O mundo também não era o mesmo, a cultura pop abraçara a “blaxploitation”  (filmes dirigidos e protagonizados por atores negros) e o público ligava a Tv e via um mundo mais cínico em que a violência urbana assustava mais ao cidadão do que o embate ideológico da guerra fria. Os nomes de Burt Reynolds, Clint Eastwood, Paul Newman e Robert Redford chegaram a ser cogitados para substituir Connery.  Assim sendo, os produtores decidiram redirecionar os filmes de Bond para uma nova geração, retirando o tom mais sério das primeiras aventuras, privilegiando o deboche na figura de seu novo intérprete, o inglês Roger Moore, então com 46 anos. Este já havia sido quase escolhido para o papel ainda nos anos 60 mas Moore estava impossibilitado por seu contrato com a série de TV “O Santo”. Na época de sua escalação afinal, Moore terminara seu contrato com a Tv onde atuava no seriado “Persuaders”, ao lado de Tony Curtis.

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“Com 007 Viva & Deixa Morrer” (Live & Let Die) já começa com o inusitado assassinato de um agente secreto que assiste a um funeral, que em seguida se torna um festival popular pelas ruas de Nova Orleans. Logo em seguida, a canção tema de Paul McCartney preenche a tela com seus acordes eletrônicos que se tornam onipresentes a medida que a narrativa segue os passos de 007 para investigar as conexões do diplomata Dr.Kananga com o gangster Mr.Big, responsável por uma rede de tráfico de drogas. Ambos acabam sendo a mesma pessoa, interpretado pelo ator novaiorquino Yaphet Kotto. O vilão deste 8º filme de James Bond se cerca de importantes aliados como o terrível Tee Hee (Julius Harris) que possui um braço direito mecânico com uma garra no lugar da mão e o sombrio Barão Samedi (Geoffrey Holder), um feiticeiro Vudu dono de uma gargalhada extremamente sinistra. Além desses, o vilão utiliza em seus planos o dom de profetizar o futuro da belíssima e virginal sacerdotisa Solitaire (Jane Seymour, então com 22 anos em sua estreia nos cinemas). Contudo, se for tocada por um homem, Solitaire perderá seus poderes, o que claro é o que acontecerá em seu encontro com Bond, despertando ainda mais o ódio de Mr.Big/Kananga.

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O livro original de Fleming foi lançado em 1954, o segundo logo após “Cassino Royale”. A história mistura a ação conduzida pela investigação de Bond em cima de antigas moedas de ouro contrabandeadas e o sobrenatural através dos elementos do vudu. O MI6  e a SMERSH agem no Caribe mostrando nitidamente a bipolarização representada pela guerra fria e sua influência nos países de terceiro mundo. O filme, dirigido por Guy Hamilton (o mesmo de “Goldfinger” e “Os Diamantes são Eternos”) também tomava outras liberdades em relação ao livro: Neste, não há humor e nem existe a sequência de Bond saltando por sobre as cabeças de famintos crocodilos, Simone Latrelle , o nome real de Solitaire não é mencionado no filme e na cena que Bond é ameaçado de perder um de seus dedos, no livro a ameaça é concretizada.

BOND 8 LIVRO

O filme ainda trouxe de volta dois personagens da primeira aventura cinematográfica de Bond : Quarrell Jr – que também não aparece no livro já que este foi escrito antes de “Dr.No”) que é o filho do barqueiro que auxilia Bond e o agente da CIA Felix Leiter, papel que aqui coube a David Hedison (que era amigo na vida real de Roger Moore) e ainda reprisaria o papel de novo em 1989 em “007 Licença Para Matar”. O filme ainda inclui no elenco o xerife Pepper, que persegue Bond e que foi tão bem sucedido que voltaria no filme seguinte “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”.

BOND 8 CARTAZ

Apesar de todas as mudanças em relação ao livro de Fleming, que se tornaram cada vez mais frequentes nos filmes subsequentes, Moore marcou uma era com seu Bond nada sério dividindo preferências e ficando no posto ao longo de 12 anos e 7 filmes, um recorde. Também foi o ator mais velho a ficar com o papel que teria em frente altos e baixos artísticos mas alta bilheteria que justifica que o personagem vive não apenas duas ou três vezes, mais muito mais.

BOND VOLTA AO BLOG SEMANA QUE VEM COM “007 CONTRA O HOMEM DA PISTOLA DE OURO”

BOND 007 – OS DIAMANTES SÃO ETERNOS

DIAMONDS ARE FOREVER

Na virada da década de 60 para 70, Albert Broccoli & Harry Saltzman estavam em um impasse: George Lazenby não era mais opção viável, apesar de ter havido uma tentativa de fazê-lo retornar apesar da rejeição dos fans, já que a bilheteria de “007 A Serviço de Sua Majestade” fora altíssima. Os nomes de Burt Reynolds e Adam West (o Batman do seriado de TV) foram cogitados, mas os produtores conseguiram convencer Sean Connery a retornar uma última vez, com um salário milionário para a época (em torno de $1,25 milhão de dólares).

Com locações em Las Vegas, Londres, Los Angeles e Frankfurt, o 7º filme do agente secreto 007 chegou às salas de exibição do Reino Unido em Dezembro de 1971, e no em Janeiro do ano seguinte no Brasil. A história foi adaptada do 4º livro escrito por Ian Fleming, publicado originalmente em 26 de Março de 1956. A história já começa com Bond confrontado por Brofeld e movido por instinto de vingança pela morte de Tereza no filme anterior. Bond mata Brofeld e volta a Londres onde o MI6 o envia para uma nova missão: Descobrir o que há por trás do contrabando de diamantes. Bond aceita a missão com relutância e desinteresse, trocando de identidade e entrando em contato com uma das contrabandistas, a bela Tiffany Case (Jill St.John, a primeira Bond Girl americana) que acaba ajudando Bond contra Brofeld, ainda vivo e o mentor por trás da construção de um potente canhão laser, criado com os diamantes roubados, e que planeja usar contra os Estados Unidos.

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A adaptação apenas aproveita superficialmente a trama dos diamantes do livro de Fleming já que o vilão do livro é um milionário megalomaníaco nos moldes de Goldfinger. Pensou-se, inclusive, de torná-lo o irmão de Goldfinger em busca de vingança, mas no final o roteiro, assinado por Richard Maibaum e Tom Mankiewics transformou a história em uma sequência dos eventos do filme anterior, embora tudo seja sutilmente abordado. Brofeld justifica seu retorno mostrando a Bond que sempre usa sósias de forma a confundir seus inimigos e escapar ileso. Assim justifica-se inclusive a troca de interpretes dos filmes anteriores. O ator inglês Charles Gray veio a ser o 4º ator a interpretar o vilão que o arqui inimigo de Bond.  Seria a última vez que Brofeld e a Spectre poderiam ser usados abertamente pois Kevin McClory, co-criador destes conseguira proibir judicialmente seu uso por Broccoli, na falta de um acordo que o satisfizesse. O filme foi dirigido por Guy Hamilton, o mesmo diretor de Godlfinger e a canção tema ficou a cargo de Shirley Bassey, também interprete de Goldfinger.

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Jill St John ficou com o papel de Tiffany Case que foi cogitado para Jane Fonda ou Faye Dunaway. O filme teve o orçamento de $ 7,2 milhões de dólares, lucrando seis vezes mais do que custou. Analisando a história revista por mim recentemente, Connery deixa visível seu cansaço e descontentamento com o personagem e o roteiro deixa margem para um excesso de piadinhas para disfarçar as fraquezas do roteiro. Jill St John é bonita, mas não mostra a mesma química que suas antecessoras como Bondgirl. De qualquer forma, o filme abriu a década de 70 para a milionária franquia, mas deixava no ar a pergunta: quem iria ser o substituto de Connery, que deixava bem claro que não continuaria.

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Connery ainda provaria que nunca se deve dizer nunca pois voltaria ao personagem de James Bond mais uma vez, mas isso é outra história para contar daqui a algum tempo.

BOND RETORNA AO BLOG SEMANA QUE VEM COM A ESTREIA DE ROGER MOORE NO PAPEL EM “COM 007 VIVA & DEIXA MORRER”.