GALERIA DAS ESTRELAS : HUMPHREY BOGART

bogie-star                  Quando eu tinha 18 anos, eu já tinha ouvido falar muito do lendário Humphrey Bogart. Tive então a oportunidade de assistir pela primeira vez um de seus filmes mais famosos, “Casablanca”. Me impressionei com sua postura de caladão, pouco movimento labial em virtude de uma paralisia no lábio superior causada por uma briga quando jovem, que o ajudaria a compor os tipos durões que interpretou,  mas sua presença em cena era maior que isso. Humphrey Deforest Bogart nasceu no dia de Natal de 1899, filho de um famoso cirurgião novaiorquino e uma ilustradora de revistas que se juntava ao movimento das sufragistas.

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BOGIE, STEVEN & LAUREN

          O ambiente familiar de Bogart era frio pois seus pais, além de brigarem muito, o tratavam com um distanciamento sentimental que serviria para forjar no ator sua personalidade pouco sociável e avesso a sentimentalismos. Foi expulso da Faculdade de Medicina e ingressou logo em seguida na Marinha para lutar na Primeira Guerra.  Depois de dar baixa em 1919, juntou-se a uma companhia de teatro e logo já estaria nos palcos da Broadway. De pequenos papeis, veio a conseguir o papel do gangster Duke Mantee em “A Floresta Petrificada” (The Petrified Forest), que repetiria no cinema, quando depois de pequenos papéis nas telas, foi finalmente notado. Não demorou muito para que seu nome viesse a figurar ao lado do de Edward G.Robinson e James Cagney como os bandidões do período. Quem lhe deu a oportunidade de mostrar que era mais do que um John Dillinger (gangster da época da lei seca) foi o novato John Houston, na estreia como diretor em “Relíquia Macabra” (The Maltese Falcon), adaptação da obra de Dashiel Hammet. Bogart viveu o detetive Sam Spade inaugurando o ciclo dos filmes noir em 1941 e fazendo de sua imagem um perfeito simulacro para os detetives amorais e cafajestes da literatura como também Philip Marlowe de “ À Beira do Abismo” (The Big Sleep), segundo dos quatro filmes que fez com Lauren Bacall. Bogart já havia sido casado três vezes, casamentos infelizes e tumultuados. Mayo Methet, sua terceira esposa, chegou a esfaqueá-lo certa vez depois de uma briga.

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BACALL & BOGART EM “À BEIRA DO ABISMO”

           Quando conheceu Lauren Bacall ao protagonizar com ela “Uma Aventura na Martinica” (To Have & Have Not) em 1944, Bogie tinha 44 anos e Lauren tinha 19 anos. Se apaixonaram, se casaram e tiveram dois filhos: Steven que veio a se tornar documentarista e escreveu o livro “In Search of My Father” em 1996 e Leslie, enfermeira e professora de Yoga. Seu nome foi escolhido em homenagem ao ator Leslie Howard, amigo de Bogie que usou de seu prestigio em Hollywood para garantir que Bogart mantivesse seu papel em “A Floresta Petrificada”. Bogart era um homem de muitos amigos como Frank Sinatra, Spencer Tracy e o diretor John Houston, que além de “Relíquia Macabra”, trabalhou com Bogie em “O Tesouro de Sierra Madre” (The Treasure of Sierra Madre) em 1944 e “Paixão dos Fortes” (Key Largo) de 1946. Houston era companheiro de Bogart em suas bebedeiras. Quando Houston, e seu pai Walter, ganharam respectivamente os Oscar de melhor diretor e melhor ator coadjuvante por “O Tesouro de Sierra Madre”, Bogart se juntou a eles para beberem pela noite, chutando uma laranja como se jogassem bola, vestindo smoking .

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                Não há como falar de sua carreira sem mencionar seu papel de Rick Blaine, de “Casablanca”. Era 1942 e a Segunda Guerra ainda acontecia quando Michael Curtiz filmou com Bogart e Ingrid Bergman criando um dos filmes mais míticos da clássica Hollywood. Falas como “Com tantos bares, em tantas partes do mundo,ela tinha que entrar justamente no meu”, entraram para a história do cinema. A química entre Bogie e Ingrid foi algo único com Bogart destilando seu cinismo e anti-heroismo em uma história que lida com patriotismo e amor, sacrifício e idealismo ao som da maravilhosa canção As Time Goes By, na voz de Dooley Wilson. Filmado em meio à indecisões da parte do estúdio Warner que não tinha o roteiro pronto enquanto filmavam, “Casablanca” tornou-se um dos maiores clássicos do cinema.

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BOGART & KATHERINE HEPBURN EM “UMA AVENTURA NA ÁFRICA”

                 Além de Bergman, Bogart dividiu a cena em Hollywood ao lado de outras belíssimas atrizes como Audrey Hepburn em “Sabrina” (1954), Ava Gardner em “A Condessa Descalça” (The Barefoot Countessa) no mesmo ano, Gloria Grahame em “No Silêncio da Noite” (In a Lonely Place) de 1950, Gene Tierney em “Do Destino Ninguem foge” (The Left Hand of God) de 1955 entre outras. O Oscar de melhor ator só veio em 1951 no papel de Charlie Allnut, um beberrão que conduz uma missionária interpretada por Katherine Hepburn pelos rios do norte da Àfrica em “Aventura na Àfrica” (The Africa Queen) em 1951, dirigido novamente pelo amigo John Houston. Em seus últimos anos, foi chamado a depor no congresso durante a paranoia MacArthista e se opôs a perseguição a atores e outros profissionais protestando junto a outros amigos contra a caçada anti-comunista.

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AUDREY HEPBURN & BOGIE EM “SABRINA”

             Seu último filme, antes que o câncer desenvolvido no esôfogo o matasse, foi “Trágica Farsa” (The Harder They Fall) de 1956, um ano antes de seu adeus. Bogart o homem morreu, mas o mito nasceu, virando personagem vivido pelo ator Jeff Lacey no filme “Sonhos de Um Sedutor” (Play it Again Sam) de 1975, em que o fantasma de Bogie ensina Woody Allen a ser um conquistador bem sucedido. Em 1980, o filme “Bogie”, feito para a Tv, dramatiza a trajetória desse grande ator que deixou uma imagem de durão, mas que assim como Rick Blaine disfarçava seus sentimentos, mas conseguia conduzir os nossos, da plateia que aplaudiu uma carreira prolífica que jamais vai esquecer de seu nome, mesmo hoje sessenta anos depois de sua passagem.

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AVA GARDNER & BOGIE EM ” A CONDESSA DESCALÇA”

GALERIA DE ESTRELAS: CARY GRANT

Certa um vez, um repórter disse ao astro “Todos querem ser como Cary Grant !”. Este teria respondido “Eu também”. Todas as estrelas de Hollywood sempre viveram cercadas de tanto glamour que suas personas ficam indelevelmente cativas da imagem que projetam. Cary Grant tornou-se sinônimo de graça, elegância e sedução.  Em 29 de novembro desse ano, completam 30 anos de sua passagem, uma estrela que brilhará sempre no panteão do cinema.

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Nascido Archibald Alexander Leach em Bristol, Inglaterra, em 18 de janeiro de 1904, vindo de origens humildes. Aos nove anos passou a viver apenas com o pai, pois sua mãe havia sido enviado a um asilo de doentes mentais. O pequeno Archie, no entanto, nada sabia e só depois de trinta anos viria a descobrir o destino de sua mãe. Em 1915, ganhou uma bolsa para a Fairchild Secondary School, que lhe abriu as portas para o ambiente teatral: O professor assistente de química o levou para ajudar a substituir os antigos lampiões de gás por um novo sistema de iluminação elétrica. Logo, Archie conseguiu emprego no teatro como o encarregado de chamar os artistas a entrar em cena. Aos quatorze anos falsificou a assinatura de seu pai para se juntar ao grupo de atores intinerantes de Bob Pender. Quando em uma turnê com o grupo visitou os Estados Unidos, decidiu não voltar mais para a Inglaterra. Não demorou muito para que sua aparência jovial e de belos traços o levassem aos palcos americanos, onde conheceu a estrela Fay Wray (de King Kong) que lhe abriu as portas para um contrato no valor de US$ 450 semanais com o estúdio da Paramount.

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LEVADA DA BRECA

Nesse momento, seu nome foi trocado para algo mais atraente que Archie Leach, e assim nasceu Cary Grant. Seu primeiro filme foi “Esposa Improvisada” (This is the night) em 1932, que desagradou ao astro. Outras oportunidades vieram contracenando com atrizes como Mae West, Marlene Dietrich, explorando seu olhar tímido e sua fotogenia leve e despretensiosa. Foi ao assinar contrato com a Columbia que Grant ensaiou os primeiros passos nos papéis de destaque, em comedias como “Cupido é Moleque Teimoso” (The Awful Truth) em 1937, “Boêmio Encantador” (Holiday) em 1938 e “Levada da Breca” (Bringing Up Baby) também em 1938. O sucesso nesses papeis lhe garantiu uma sólida reputação como ator de comédia.

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NUPCIAS DE ESCÂNDALO

Foi nesse momento que se arriscou em uma papel diferente, em um filme de ação da RKO “Gunga Din” dividindo a cena com Douglas Fairbanks e Victor MacLaglen. Como os aluguéis em Hollywood eram muito caro, foi dividir um apartamento com o ator Randolph Scott, o que provocou muitos boatos maliciosos que até hoje apontam uma suposta homossexualidade. Ainda assim, em pouco tempo casou-se com a atriz Virginia Cherrill (a jovem cega de “Luzes da Cidade”, de Chaplin), mas a união durou pouco e o ator voltou a morar com Randolph Scott. Voltou a atuar em comédia emprestando seu ar de sofisticação ao papel de ex- marido enciumado de Katherine Hepburn, que a visita no dia de seu casamento com o pacato James Stewart em “Nupcias de Escândalo” (Philadelphia Story) de George Cukor. Era o ano de 1941, em plena Segunda Guerra Mundial e veio o papel de Mortimer Brewster em “Esse Mundo é um Hospício”, de Frank Capra. O filme trazia Grant como um relutante membro de uma família de loucos e assassinos no dia de seu noivado. Pelo papel, Grant recebeu uma boa quantia que doou ao esforço de guerra.

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ESSE MUNDO É UM HOSPÍCIO

Nos bastidores, Grant era minucioso com todos os estágios de filmagem e isso lhe dava problemas com os diretores, sendo notório conflitos de opinião entre o astro e diretores como Leo McCarey (seu diretor em “Cupido é Moleque Teimoso”) e Frank Capra (seu diretor em “Esse Mundo é um Hospício”). Surpreendentemente, teve um ótimo relacionamento com o mestre do suspense, Alfred Hitchcock – notório por desprezar os atores com quem trabalhava. Com Hitch, Grant fez quatro filmes. Em 1941, “Suspeita” (Suspicion) que seria seu primeiro vilão. O papel de um marido com intenções assassinas com sua esposa interpretada por Joan Fontaine desagradou ao estúdio que forçou Hitchcock a editar o final de forma que Grant não fosse o assassino, pois isso não estava de acordo com a imagem do astro. Em 1946, “Interlúdio” (Notorious) contracenando com Ingrid Bergman e Claude Rains.

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CARY GRANT & EVE MARIE SAINT: INTRIGA INTERNACIONAL

O papel de Grant era de um agente federal, usando a filha de um nazista para expor espiões infiltrados. Em 1955 Grant se dizia cansado de atuar e pensando em se aposentar, mas reformulou seus planos para trabalhar sob a batuta de Hitch em “Ladrão de Casaca” (To Catch a Thief), filmado na Riviera Francesa com Grace Kelly. Finalmente, em 1957 “Intriga Internacional” (North by Northwest), um dos melhores filmes de espionagem, um dos meus favoritos, trazendo o ator no papel de homem comum envolvido em uma trama conspiratória, o que serviria de modelo para vários filmes do gênero. Quando, anos depois, Ian Fleming teve os livros de James Bond adaptados para o cinema, seu nome era um dos favoritos para interpretar 007.

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ALFRED HITCHCOCK & CARY GRANT

Duas vezes indicado ao Oscar, a primeira por “Serenata Prateada” ( Penny Serenade) em 1941, um melodrama sobre casal (Grant contracenando com Irene Dunne) que adota uma criança advindo um trágico desfecho e “Apenas um Coração Solitário” (None but the Loney Heart) em 1944 sobre um homem com o coração amargurado pela pobreza. A estatueta dourada só foi para suas mãos em 1970, um prêmio pelo conjunto da obra, entregue por Frank Sinatra ao astro emocionado com o reconhecimento de seus pares.

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DEBORAH kERR & CARY GRANT: TARDE DEMAIS PARA ESQUECER

Entre outros de seus grandes filmes, digno de nota também a comédia “Jejum de Amor” (His Girl Friday) de 1941, uma adaptação da peça de Ben Hetch & Charles MacArthur em que Grant é um editor picareta tentando atrapalhar os planos de casamento de sua melhor repórter, que por um acaso também é sua ex-esposa; o drama “A Canção Inesquecível” (Night & Day) de 1946 – cinebiografia do compositor Cole Porter; o romance “Tarde Demais Para Esquecer” (An Affair to Remember) de 1957, que revisto hoje se encaixa perfeitamente no estilo emotivo de Nicholas Sparks e “Charada” (Charade) de 1963 de Stanley Donen que segue os passos do thriller hithcockiano.

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CARY GRANT & AUDREY HEPBURN : CHARADA

Em cena Cary Grant sempre esteve cercado de belas atrizes: Ginger Rogers e Marilyn Monroe em “O Inventor da Mocidade” (Monkey Business) de 1952, Leslie Caron em “Papai Ganso” (Father Goose) de 1964, Jayne Mansfield em “O Beijo da Despedida” (Kiss me Goodbye) de 1957, Doris Day em “Carícias de Luxo” (That Touch Of Mink) de 1962,  Ingrid Bergman em “A Indiscreta” (Indiscreet) de 1968 e Sophia Loren em “Orgulho & Paixão” (The Pride & The Passion) de 1957 e “Tentação Morena” (Houseboat) de 1958.  Bergman se tornou sua grande amiga e quando ela estava exilado de Hollywood coube a Grant receber o Oscar por ela quando a bela sueca ganhou por “Anástacia” em 1956. Já Sophia Loren foi uma louca paixão para Grant, que a assediava e cortejava até que a italiana viesse a se casar com o produtor e diretor Carlo Ponti.

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CARY GRANT & GRACE KELLY ; LADRÃO DE CASACA

Na vida real, Grant se casou mais quatro vezes depois de Virginia Cherril (1934-1935): Barbara Hutton (1942-1945), Betsy Drake (1949-1962), Dyann Cannon (1965-1968) e Barbara Harris (1981-1986). Teve uma única filha, Jennifer Grant (de seu penúltimo enlace) nascida em 1966, ano de seu último filme “Devagar, não corra” (Walk, don’t Run). A partir daqui, Grant se aposentou voluntariamente do cinema e tornou-se um dos diretores da Fabargé, famosa joalheria. Sua morte em 1986 por hemorragia cerebral, aos 82 anos, deixou saudade em todos os fans da antiga Hollywood, uma que Cary Grant incorporou em sua persona, a de um homem maduro, sexy e sofisticado que todos gostariam de ser, até mesmo o próprio Archie Leach, um ícone eterno.

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CARY GRANT & MARILYN MONROE : O INVENTOR DA MOCIDADE

GALERIA DAS ESTRELAS : INGRID BERGMAN

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´PLAY IT AGAIN SAM

Uma das mais belas estrangeiras importadas para Hollywood, Ingrid Bergman nasceu em Estocolmo, Suécia em 29 de Agosto de 1915. Seu talento apareceu bem cedo, já que quando jovem, seu pai que era fotografo, registrava seu belo rosto de traços suaves, e que se tornaria despretensiosamente atraente à luz dos holofotes. Ingrid perdeu sua mãe quando tinha dois anos, e durante um bom tempo seu pai era tudo que tinha, e este estimulava sua filha diante das câmeras. Quando seu pai também morreu, quando tinha 12 anos, Ingrid foi morar com seu tio e quando terminou sua educação escolar básica, já havia decidido se tornar uma atriz. Apesar de uma curta passagem pelos palcos, Ingrid queria o cinema e depois de pequenos papeis, conseguiu o papel de Anita Hoffman em “Intermezzo” (1936). Foi quando chamou a atenção do lendário produtor de Hollywood David O’Selznick (de “E O Vento Levou”) que lhe ofereceu um contrato levando- a a California onde reprisaria o mesmo papel na refilmagem homônima lançada em 1939. Foi sua grande chance, em um momento em que sua compatriota, a mítica Greta Garbo, se retirava do firmamento Hollywoodiano.

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AO LADO DE SPENCER TRACY EM “O MEDICO E O MONSTRO”

Ingrid voltou brevemente ao seu país para cumprir seu contrato, mas logo retornou à America encarnando uma prostituta ao lado de Spencer Tracy e Lana Turner na refilmagem de “O Médico & O Monstro” (Dr.Jekykll & Mr.Hyde) em 1941. Um dos papéis mais marcantes de sua carreira já veio no ano seguinte quando assumiu o papel de Ilsa Lund no cultuado “Casablanca” (1942) de Michael Curtiz. Seus traços europeus e o sotaque em sua voz fez Hollywood se apaixonar ainda mais por sua beleza fresca, despretensiosamente envolvente com a qual encarnou a figura de uma mulher dividida entre o idealismo político e um grande amor. Quando o amargurado Rick Blaine (Humphrey Bogart) resmunga para a plateia “Por que com tantos bares, em tantas partes do mundo, ela teve que entrar justamente no meu?”, sua presença em cena preenche com uma classe capaz de fazer o gelo derreter com seu olhar. Décadas depois de entrar para a história do cinema com essa história de amor, Ingrid sempre se recusava a falar muito sobre o filme de Curtiz, deixando claro não ser uma de suas atuações favoritas. Diferente da orgulhosa e corajosa  Maria de “Por quem os Sinos Dobram” (For Whom The Bells Toll) atuando ao lado de Gary Cooper. Segundo a própria em sua autobiografia, Ingrid aceitou de bom grado cortar suas madeixas para ter oportunidade de trabalhar em uma adaptação de Ernest Hemingway, autor do qual gostava muito. Por esse papel recebeu sua primeira indicação ao Oscar.

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COM CARY GRANT EM “INTERLUDIO”

A versatilidade era uma característica de sua natureza, já que em 1944 interpretou uma mulher frágil e insegura em “À Meia Luz” (By Gaslight) , dirigida por George Cukor, que lhe deu o primeiro Oscar de melhor atriz. Em seguida, foi convidada a trabalhar com Alfred Hithcock em três ocasiões em “Quando Fala o Coração” (Spellbound) em 1945 contracenando com Gregory Peck,  em “Interlúdio” (Notorious) em 1946 ao lado de Cary Grant e Claude Rains e depois em “Sob o Signo de Capricornio” (Under Capricorn) em 1946 co-estrelado por Joseph Cotten. No mesmo ano foi mais uma vez indicada por outra mudança drástica de papel, interpretando uma religiosa em “Os Sinos de Santa Maria” e em 1948, depois de um ano de descanso, atuou em “Joanna D’Arc” (Joan of Arc) onde representou os conflitos e a fé de uma importante personagem histórica.

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COM YUL BRINNER EM “ANASTACIA – A PRINCESA ESQUECIDA”

Sua vida pessoal, no entanto, daria uma guinada de 180 graus no final da década de 40 quando conhece o diretor italiano Roberto Rossellini (quem inaugurou o neo realismo italiano com “Roma Cidade Aberta”) . Ingrid já era casada com o Dr.Peter Lindstrom e tinham juntos uma filha, Pia Lindstrom, quando a atriz foi filmar com Rosselini “Strombolli” em 1950. Ambos se apaixonaram e Ingrid virou as costas para tudo: sua família, sua carreira e seu novo lar, indo morar na Italia com Rosselini, gerando um escândalo que a levou a ser acusada de libertina. Quando sua gravidez foi anunciada, Ingrid foi execrada pelos moralistas de plantão. Em 1952, nasceria as gêmeas Isotta e  Isabella Rosselini, esta viria a se tornar famosa como modelo e depois, seguindo os passos da mãe, como uma ótima atriz. Durante esse tempo, Ingrid trabalhou em alguns filmes de seu segundo marido, seguindo em frente com sua vida com a determinação de não olhar para trás.

MÃE E FILHA : INGRID E ISABELLA

MÃE E FILHA : INGRID E ISABELLA

Aos 40 anos, se reinventou mais uma vez quando se divorciou de Roberto e voltou aos Estados Unidos onde filmou “Anastácia – a Princesa Esquecida” (Anastasia) de Anatole Litvak , em 1956. Hollywood parece lhe ter perdoado já que por esse papel ganhou seu segundo Oscar de melhor atriz. Em seguida teve novas oportunidades de mostrar sua atuação, trabalhando ao lado de grandes diretores como Stanley Donen em “A Indiscreta” (Indiscreet)  em que voltou a contracenar com Cary Grant e Mark Robson em “A Morada da Sexta Felicidade” (The Inn of the Sixth Happiness) com Robert Donat. Progressivamente, perdeu o interesse por Hollywood, diminuindo sua atividade nas telas, mas voltando temporariamente aos palcos. Casou-se novamente com um diretor sueco, alternando trabalhos nos Estados Unidos e na Europa, no cinema, no teatro e na TV.

MÃE E FILHA: TALENTOS

MÃE E FILHA: TALENTOS

MÃE E FILHA: TALENTOS

Na década de 70, recebeu mais um Oscar por seu papel em “Assassinato no Expresso do Oriente” (Murder in the Orient Experess), adaptação da obra de Agatha Christie dirigida por Sindey Lumet,  onde contracenou com Lauren Bacall, a viúva de Humphrey Bogart, seu co-astro em “Casablanca”. Em 1978, trabalhou ao lado de Liv Ullman em “Sonata de Outono” de seu compatriota Ingmar Bergman, seu último papel no cinema, e mais uma indicação da Academia. Quatro anos depois, já afastada dos holofotes, interpretou a primeira ministra de Israel Golda Meir (1982) em uma minisérie de Tv que lhe valeu o Emmy de melhor atriz, e que veio a ser seu canto do cisne de uma carreira prolífica e brilhante. Quando filmou a mini-série, Ingrid já sabia que sofria de câncer, vindo a falecer no dia de seu 67º aniversário em 1982. Uma vida riquíssima de uma mulher como poucas cuja personalidade jamais foi ofuscada pela beleza e cuja paixão por atuar a guiou por momentos difíceis e de escolhas dolorosas que ela, como ninguém, enfrentou de cabeça erguida a medida que o tempo passou, deixando nas telas as marcas, não só de uma estrelas, mas de uma das melhores atrizes de uma Hollywood