GRANDE ESTREIA: GODZILLA O REI DOS MONSTROS

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          Desde tempos imemoriais a crença em monstros tem feito parte do folclore de várias civilizações. Como a figura do Kraken (uma espécie de lula gigante) que aterrorizou os antigos gregos. Na época das grandes navegações, eram incontáveis os relatos de serpentes marinhas. E até hoje, turistas viajam a Escócia à procura de algum sinal do lendário monstro de Loch Ness. Por isso é lógico que a ideia de um animal de proporções colossais que destrói tudo por onde passa seja explorada pelo cinema.

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            A estreia da nova versão de Godzilla em 2014 coincidiu com os 60 anos do personagem. No filme original, um gigantesco lagarto pré-histórico cujo hálito pode cuspir fogo foi despertado pela ação de testes com armas nucleares que provocaram uma mutação em sua natureza jurássica. O rastro de destruição que acompanha seus passos acaba com Tóquio até que o sacrifício de um cientista põe um fim na marcha mortífera da criatura. Dirigido por Ishiro Honda, Godzilla representou para a terra do sol nascente um demônio a ser exorcizado: a radiação nuclear e a queda da bomba atômica em Hiroshima & Nagasaki eram como um flagelo incutido na memória coletiva do povo japonês e personificado na figura de Godzilla, ou no original Gojira, aglutinação de duas palavras nipônicas : Gorira (gorila) e Kujira (baleia). O filme da Toho Company chegou a ser indicado para melhor filme pela Japanese Academy Awards, mas perdeu o prêmio para Os Sete Samurais de Akira Kurosawa. Curiosamente, os efeitos especiais não receberam a mesma honraria, apesar da competência do técnico Eiji Tsuburaya, o mesmo que anos depois criaria o herói Ultraman para a TV. Tsuburaya se recusou a empregar a técnica de stop-motion (usada no clássico King Kong, por exemplo) e fez uso do que foi depois chamado de suitmotion, ou seja, um ator usa uma fantasia especial se movimentando com auxílio de aparatos mecânicos por um cenário de miniaturas e maquetes mescladas a cenas de multidão. A roupa de Godzilla pesava em torno de 90 kilos e o ator que a vestia, Haruo Nakajima, se movimentava com grande dificuldade pelos cenários, não conseguindo andar mais que 9 metros com a vestimenta.

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             A ideia de um universo compartilhado de monstros, que a Warner vem desenvolvendo, não é uma novidade exatamente, apenas há agora o investimento de uma superprodução e o melhor da tecnologia para dar vida a Godzilla, Mothra, Rodan, King Ghidorah e outras criaturas que tiveram filmes B extremamente populares, chegando até a enfrentar Godzilla.  Vejamos alguns: Em 1956, o mesmo Ishiro Honda dirigiu Rodan, o Monstro do Espaço (Sora no daikaju Radon) em que um pterosauro mutante aterroriza Tóquio. Primeiro filme japonês de monstro a cores, o pterosauro teve o nome modificado no ocidente, do original Radon (redução no Japão para puteranodon) para Rodan porque havia nos Estados Unidos um sabonete com o mesmo nome. Outra mudança na versão americana foi a voz do Professor Kashiwagi que foi redublado (embora sem ter sido creditado por isso) por George Takei, o Sr.Sulu de Jornada nas Estrelas. Mudanças como esta se tornaram comuns para a ocidentalização dos monstros japoneses. Sendo assim, a mariposa gigante Mosura do filme de 1961 virou Mothra, a Deusa Selvagem, novamente dirigida por Ishiro Honda, nesta altura já reconhecido em sua terra como um especialista em Kaiju Eiga ou Daikaiju Eiga como são chamados no Japão os filmes de monstros. Mothra foi o primeiro filme japonês de monstro em que a criatura surge não como um avatar do mal, mas com uma divindade idolatrada pelos habitantes da ilha Beiru, onde cientistas exploram a região e sequestram duas mulheres nativas, despertando assim a ira de Mothra que parte em seu resgate. Sua popularidade não demorou para que os produtores a colocassem em um mesmo filme que Godzilla. Não demoraria também para que além da Toho, outro estúdio se interessasse pelo gênero. Em 1965, os estúdios Daiei lançam Gamera, uma tartaruga gigantesca vinda do ártico para destruir Tóquio, último filme do gênero no Japão a ser filmado em preto e branco. O sucesso dele também seria seguido por uma série de outros filmes.

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           Alegorias da mente humana, defensores ou destruidores, essas criaturas ganharam imensa popularidade a medida que expurgavam os fantasmas da radiação atômica que atormentavam os japoneses. No ocidente a aparição dessas criaturas, bem como de alienígenas, espelhavam seus outros medos, mais adequados ao temor da guerra fria. Té a Inglaterra também embarcou no gênero e criou seu próprio lagarto gigante em Gorgo (1961) de Eugene Lourie, praticamente uma cópia britânica de Godzilla com Londres no lugar de Tokio. O mesmo diretor já havia filmado em 1953 O Monstro do Mar (The Beast from 20000 Fathoms) , baseado em uma história curta de Ray Bradbury, e que trazia a mesma premissa de Godzilla: a do monstro pré-histórico despertado por testes atômicos no Atlântico Norte e que vem a atacar a cidade de Nova York. Por ter sido feito um ano antes de Godzilla, muitos o consideram a inspiração para o filme de Ishiro Honda.

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          O sucesso e a popularidade de Godzilla sempre foi superior a dos demais tendo retornado em diversas continuações, e refilmagens em um total de 30 filmes, sendo que 7 deles tiveram a direção de Honda incluindo os curiosos King Kong vs. Godzilla(1962), Mothra vs. Godzilla (1964), Ghidrah, o Monstro Tricefálo (1964) que também trazia Rodan, A Guerra dos Monstros (1965) e Terror Contra Mechagodzilla (1975). Com exceção do primeiro Godzilla de 1954, o lagartão com barbatanas dorsais e pele cinzenta e áspera que deu vida aos pesadelos dos japoneses deixou de ser seu algoz para ser defensor da humanidade nas sequências feitas, entrando em combate com outros monstros, e até com alienígenas, para salvar a Terra. Dessa forma, Godzilla tornou-se um fenômeno popular tanto no oriente quanto no ocidente onde foi americanizado com uma nova versão dois anos depois de seu lançamento original. O filme de Ishiro Honda foi remontado para lançamento internacional e com acréscimo de um novo personagem, o repórter Steve Martin (Raymond Burr) que é enviado ao Japão para cobrir o ataque de Godzilla. O processo que incluía dublagem das vozes originais se repetiu constantemente com Mothra e os demais filmes do gênero que ganhariam lançamento internacional.

           Mesmo que na década de 70 e 80, o gênero já estivesse desgastado na América; no Japão o rei dos monstros é recriado para uma nova geração em The Return of Godzilla (1984), muito antes que o reboots se tornassem comum. Dirigido por Koji Hahimoto, esse filme recupera a figura da fera como vilão. O ator Akhiko Hirata, que no filme original interpretou o Dr. Serizawa, que cria a fórmula usada para matar Godzilla, foi quase incluído nesse novo filme, mas infelizmente um câncer de garganta o matou antes. O filme, contudo, não teve um impacto tão grande assim apesar de outros exemplares continuarem a ser feitos no Japão. Uma nova tentativa de  ocidentalizar o monstro foi feita em 1998 pelo diretor Rolland Emmerich, que havia realizado o blockbuster de sucesso Independence Day. Emmerich aceitou recriar Godzilla depois de garantir a liberdade de promover as mudanças que desejasse, incluindo no visual da criatura já que admitira na época nunca ter sido fã do personagem. Apesar do bom elenco que incluía Matthew Broderick e Jean Reno, o resultado foi insatisfatório com um roteiro que mais parecia um amálgama de toda a série Jurassic Park. A perseguição dos filhotes de Godzilla no estádio, por exemplo,  lembrava a perseguição dos velociraptores.  Embora em termos financeiros o filme não tenha sido ao contrário do que se pensou desastroso, não agradou ao público e muito menos a critica. As sequências de ação não empolgavam e abusavam demais do bom senso como Godzilla desfilando por entre os edifícios de Nova York , a perseguição na ponte suspensa ou a criatura cavando tuneis, todas extremamente exageradas para um animal de tais dimensões. A decepção com o resultado desestimulou os planos do estúdio para continuações. Em 2000, o Japão retomou o personagem ignorando o filme de Emmerich em Godzilla 2000, que teve lançamento internacional, mas não o impacto esperado. A fórmula do grande monstro, no entanto,  nunca se esgotou no cinema sendo ocasionalmente revisitada como J. J.Abraams em Cloverfield (2008) ou Guilhermo del Toro em Círculo de Fogo (2012).

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           O novo filme, que agora dá sequência ao filme de 2014, traz um elenco de nomes que inclui Vera Farmiga (de “Invocação do Mal”) e Milli Bobby Brown (a Eleven de “Stranger Things”), mas o elenco humano não tem muito o que fazer, por mais que haja a nítida intenção de dramatizar quando o que todos querem assistir é o embate de monstros já que é disto que se trata o gênero Kaiju, como é chamado na terra do sol nascente. Não espere, no entanto, que este seja o ultimo filme pois a Warner já planeja para o ano que vem “Godzilla Vs Kong“, e não saiam da sala antes de ver a cena pós-crédito. A popularidade de ambos os monstros sempre garantiu seu lugar na cultura pop, o que ganhou espaço em animações e HQs. No imaginário popular, todos aprendemos a temer e a adorar o monstrengo, e por isso mesmo justifica-se sua alcunha de “Rei dos Monstros”

ESTREIAS DA SEMANA: 18 DE ABRIL DE 2019

A MALDIÇÃO DA CHORONA

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(The Curse of the Llorona) EUA 2019. Dir: Michael Chaves. Com Linda Cardellini, Raymond Cruz, Patricia Velasquez. Terror.

O filme adapta uma lenda mexicana, do século XVI, a de uma mulher que afogara os próprios filhos em um lago, se afogando logo em seguida. Chorando pela eternidade, a entidade volta do além à meia noite para pegar crianças que substituam seus filhos. No filme, uma assistente social (Cardellini, a Velma do filme “Scooby Doo”) se vê assombrada pelo espírito da chorona que ameaça levar seus dois filhos. Há várias vertentes dessa lenda urbana, mas o que importa são os sustos que vamos levar nesse novo exemplar do gênero “jump scare” que integra o universo iniciado por James Wan em “Invocação do Mal” e que inclui “Annabelle” e “A Freira”.

O GÊNIO & O LOUCO

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(The Professor & The Mad Man) IRL 2019. Dir: Farhad Safiria. Com Sean Penn, Mel Gibson, Ioan Gruffudd, Jeremy Irvine, Natalie Dormer.  Drama.

Filme biográfico retratando a criação do dicionário Inglês de Oxford envolvendo duas figuras singulares, o professor James Murray (Gibson) e o esquizofrênico mas genial W.C. Minor (Penn). O filme além de mostrar um fato histórico que guarda muitas coisas curiosas é centrado em dois ótimos atores, ambos já tendo tido seus momentos de genialidade e loucura, seja em suas vidas pessoais ou profissionais.

CÓPIAS – DE VOLTA À VIDA

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( Replicas) EUA / CHI 2018. Dir: Jeffrey Nachmanoff. Com Keannu Reeves, Alice Eve, Amber Rivera. Ficção Cientifica.

Cientista traz de volta da morte a família que perdera em um acidente de carro, para isso as clona ignorando qualquer restrição científica ou moral. Curiosamente o filme foi filmado em 2016, e só chega agora em nossos cinemas. Apesar de uma trama interessante, bem ao sabor dos subtemas do gênero fantástico, o filme não está despertando muito interesse, tendo sido um fracasso em territorio americano.

 

AQUAMAN – HQS, CINEMA & TV

O REI DOS SETE MARES EM UMA SUPER PRODUÇÃO

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JASON MOMOA

Durante muito tempo Aquaman foi um dos heróis mais subestimados da DC Comics e, até bem pouco tempo atrás, poucos o levavam a sério com sua imagem sendo usada até mesmo em vinhetas humorísticas no Cartoon Network. Criado em Novembro de 1941 por Paul Norris e Mort Weisinger, o herói submarino foi inicialmente tratado como um personagem secundário publicado nas páginas de “More Fun Comics” em seus primeiros cinco anos, depois ficando encostado em “Adventure Comics” até 1961. Hoje estreando um filme próprio, com um visual mais arrojado, e destaque maior nas hqs, o personagem assumiu uma posição mais central no universo da DC Comics, reconquistando fãs, muitos dos quais ainda se lembrando do personagem chamado de “herói submarino” nos desenhos produzidos pelo estúdio Filmation (The Superman / Aquaman Hour), já exibidos pelo SBT.

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O HEROI NA ERA DE PRATA

      O atual Aquaman mescla elementos de duas fases distintas do herói: Na década de 90, o autor Peter David lhe deu uma postura mais agressiva com barba e um arpão no lugar de uma das mãos. Coube a David também explorar a mitologia do continente perdido de Atlântida, lar de Arthur Curry, o nome do personagem, fruto do amor de uma princesa do mítico reino aquático e de um homem da superfície. No período em que Peter David esteve à frente das histórias de Aquaman, este abandonou a imagem de um herói politicamente correto e assumiu uma atitude mais imponente, independente do trabalho em equipe na Liga da Justiça, grupo do qual tomou parte desde seu lançamento em 1960 (The Brave & The Bold #28), sendo esta inclusive a primeira vez que Aquaman apareceria na capa de uma hq desde sua criação. Outra fase essencial para a formação do novo status quo do personagem foi o período chamado de “Novos 52”, em que o autor Geoff Johns e o desenhista brasileiro Ivan Reis praticamente reinventaram o personagem, inclusive usando a seu favor o desinteresse do público que subestimava o personagem para criar histórias que aproveitassem ao máximo 60 anos de histórias. Johns e Reis desenvolveram os coadjuvantes, introduziram novos elementos em seu passado e conduziram os leitores a uma guerra com o mundo da superfície, até então, sem precedentes  no universo da editora DC Comics.

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O HEROI SUBMARINO DOS NOVOS 52

        Muitas mudanças acompanharam ao longo de sua publicação. Na era de ouro (1938 – 1946) o personagem era um entre vários do gênero, enfrentando principalmente piratas e vilões nazistas, bem adequado ao clima ufanista do período. Com o advento da era de prata (1956 – 1970), a DC Comics convencionou que haveria duas terras paralelas e vários personagens (The Flash, Lanterna Verde etc) foram recriados. Aquaman foi aqui batizado de Arthur Curry, ganhou um elenco de coadjuvantes, incluindo os parceiros mirins Aqualad e Aquamoça, a amada Mera, o conselheiro Vulko , e os vilões Arraia Negra e  Mestre dos Oceanos, sendo este o meio-irmão de Arthur com quem o herói disputaria o trono da Atlântida. Esta fase teve os roteiros de Robert Bernstein e a arte de Ramona Fradon, uma das primeiras mulheres desenhistas na época. A partir de 1962, Aquaman ganhou série própria com seu nome, e que duraria 9 anos de publicação contínua. Várias histórias desse período chegaram ao Brasil pela saudosa editora EBAL, do pioneiro Adolfo Aizen.

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A INSPIRAÇÃO PARA O VISUAL DE JASON MOMOA VEM DOS QUADRINHOS DE AQUAMAN DE PETER DAVID NA DECADA DE 90

       No título “Aquaman” (1969 / 1970), versão brasileira editora Ebal, o herói teve momentos emblemáticos como a parceria com Aqualad, confronto com o mitológico Netuno e até o casamento com Mera, uma princesa vinda de uma outra dimensão aquática. A partir de 1975 com a popularização do desenho da TV “Superamigos”, produzido pelo estúdio Hanna-Barbera, Aquaman passou a aparecer nas páginas de uma revista homônima, publicada entre 1975 e 1982, inicialmente em preto e branco, e depois a cores, em vários formatos. Apesar de ter poderes muito ligados ao mundo aquático, Arthur tem pele invulnerável, capacidade de sobreviver aos rigores das profundezas submarinas, força, agilidade e reflexos sobre humanos, além de telepatia que lhe permite se comunicar com os seres marinhos, justamente um dos poderes mais atacados por ”haters” que jocosamente questionam “por que falar com peixes? ”. No início dos anos 2000 o roteirista Rick Veitch ousou estabelecer uma ligação entre Arthur Curry, o Aquaman, e o lendário Rei Arthur das lendas medievais, incluindo a troca do arpão por uma mão mágica feita de água concedida pela dama do lago.

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AMBER HEARD, O DIRETOR JAMES WAN, JASON MOMOA E PATRICK WILSON

           Além de Jason Momoa que interpreta Aquaman pela terceira vez (Batman vs Superman, Liga da Justiça e o filme solo), o personagem já teve dois interpretes: Alan Ritchson o interpretou em episódios do seriado de TV “Smallville”, entre 2005 e 2010, animando a Warner Tv a produzir um episódio piloto intitulado “Mercy Reef” protagonizado por Justin Hartley, mas o piloto acabou recusado pelos executivos da época. Curiosamente, Aquaman também foi um filme fictício na segunda e terceira temporada de “Entourage” na HBO, pura paródia ! Absorvido pela cultura pop, o herói é constantemente mencionado no seriado “The Big Bang Theory”, aparece em animações e até mesmo em desenhos de Mauricio de Souza para o evento da “Comic Con Experience”. Que não se duvide da importância do herói, muito além dos fictícios sete mares da literatura ou dos reais 61 mares que cobrem 71% da Terra, e muito mais na imaginação fértil em quadrinhos ou em outras mídias, e que agora conferimos com todo o requinte de uma super produção que pode reerguer o prestígio da DC Comics nas telas.

GRANDE ESTREIA: SLENDERMAN PESADELO SEM ROSTO

(SLENDERMAN) EUA 2018. DIR: SYLVAIN WHITE. COM JOEY KING, ANNALISE BASSO, JAVIER BOTET, JULIA GOLDANI TELLES. TERROR.

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Nada a se admirar que algum produtor de Hollywood se interessaria em fazer um filme dessa lenda urbana criada na era digital. Um homem magro sem rosto aterrorizando jovens surgiu como um meme nas redes sociais e tornou-se uma histeria tão grande que  nos Estados Unidos, em 2014, duas adolescentes mataram uma colega dizendo que eram forçadas pelo Slenderman. Tudo começou em um concurso para criar imagens sobrenaturais, daí a origem do “Slenderman”. O pai da menina morta protestou contra o filme alegando que Hollywood estava tentando lucrar em cima de uma tragédia.

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No filme crianças e adolescentes de uma cidade pequena são perseguidas pelo assustador homem sem rosto. Para um dos principais papeis chamaram a simpática Joey King já conhecida do grande público por papeis em filmes como “Invocação do Mal” (2013), “Os Sete Desejos” (2017) e o popular filme da Netflix “A Barraca do Beijo” (2018). Sua personagem movimenta a trama, cria identificação com o público a medida que busca as respostas. Mas não há muito a fazer para o elenco já que o filme é todo feito a base de “jump scares”, que cumprem aquele papel imediato para disfarçar a frágil história criada com todos os clichês de outros exemplares do gênero.  A atriz e bailarina Julia Goldani Telles tem mãe brasileira, mas uma passagem nas telas bem rápida graças a um roteiro fraco e apoiado em soluções fáceis, nada memóravel.

 

 

SAN DIEGO COMIC CON : TRAILLERS

“AQUAMAN” DE JAMES WAN É UM DOS FILMES MAIS AGUARDADOS DO SEGUNDO SEMESTRE E TEVE SEU PRIMEIRO TRAILLER DIVULGADO NA SAN DIEGO COMIC CON. DE CARA PERCEBE-SE QUE EMBORA O VISUAL DO HERÓI AQUÁTICO REMETE À FASE DE PETER DAVID NAS HQS DOS ANOS 90, A HISTÓRIA ESTÁ BASEADA NAS AVENTURAS DE AQUAMAN DE GEOFF JOHNS E DO BRASILEIRO IVAN REIS, PUBLICADA NA FASES DOS NOVOS 52. NO ARCO “O TRONO DA ATLÂNTIDA”, ARTHUR E SEU IRMÃO ORM TRAVAM UMA BATALHA EM MEIO À INVASÃO DA SUPERFÍCIE.

SHAZAM CHEGA AOS CINEMA DE 2019 COM UMA TRAMA MAIS LEVE, QUE REMETE AO CLÁSSICO “QUERO SER GRANDE”, E ASSIM COMO O FILME DO AQUAMAN, SE BASEIA NA FASE DOS NOVOS 52 QUANDO GEOFF JOHNS (NOVAMENTE!) JUNTO A GRAY FRANK REINTRODUZ O HERÓI NA CONTINUIDADE DA DC COMICS.

NEM SÓ DE SUPER HEROIS VIVE O CINEMA E EM 2019 AGUARDAMOS A VOLTA DE GODZILLA, O REI DOS MONSTROS, ESTRELADO POR MILLIE BOBBY BROWN, A ELEVEN DE “STRANGER THINGS”. A TRAMA SEGUE A CARTILHA DOS FILMES CLÁSSICOS DE GODZILLA NOS QUAIS ESTE ENFRENTAVA OUTROS MONSTROS, SIM COMO O ANTERIOR DE 2016.

EDDIE REDMAYNE VOLTA A EMPUNHAR A VARINHA MÁGICA NA AGUARDADA SEQUÊNCIA DE “ANIMAIS FANTÁSTICOS & ONDE HABITAM – OS CRIMES DE GRIDENWALD”  ANUNCIADO AINDA PARA 2018 E QUE TRARÁ JOHNNY DEPP NO PAPEL DO VILÃO DA HISTÓRIA DE J.k.ROWLING QUE AINDA PROMETE JUDE LAW NO PAPEL DE DUMBLEDORE.

HALLOWEEN 2015 : PARTE II – AS CASAS MAL-ASSOMBRADAS

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INVOCAÇÃO DO MAL

INVOCAÇÃO DO MAL

Steven Spielberg escreveu a história de uma infestação afetando a vida de uma família classe média em “Poltergeist – O Fenôneno” (Poltergeist) de 1982, dirigido por Tobe Hopper e que ficou famoso na época por conta de histórias de bastidores que asseguravam coisas estranhos acontecendo no set de filmagem, além das mortes de atores como a jovem Dominique Dunne, assassinada pelo namorado na época de lançamento do filme e da própria protagonista, a menina Heather O’Rourke que depois de fazer as duas sequências lançadas respectivamente em 1986 e 1988, faleceu aos 12 anos. Apesar dos rumores iniciais de que seu falecimento se deu por uma causa inexplicável, a menina teve seu destino fatal por virtude de um diagnóstico médico equivocado que confundiu estenose congênita com a Doença de Crohn.

A CASA DA NOITE ETERNA

A CASA DA NOITE ETERNA

A literatura do gênero ainda rendeu dois nomes de imenso talento: Richard Matherson (1926 – 2013) e Stephen King. O primeiro escreveu, em 1971, o conto “The Hell House” sobre quatro pessoas reunidas por um fim de semana para desvendar os segredos da Mansão Belasco. No ano seguinte, a história foi adaptada para o cinema pelo diretor John Hough e rebatizada “A Casa da Noite Eterna” (The Legend of the Hell House) estrelada por Clive Revill, Roddy McDowell e Pamela Franklin. A história, carregada de sensualidade, mantém o clima de perversão e horror impregnado na história original e que veio a ser premiada por Festival de Avoriaz em 1974, além do Saturn Awards. História bem semelhante, igualmente saída das páginas de um livro foi “The Haunting on the Hill House” de Shirley Jackson, levado às telas em 1963 por Robert Wise e chamado “Desafio do Além” (The Haunting), sendo refilmado em 1999 por Jan DeBont em “A Casa Amaldiçoada”(The Haunting) , este tendo no elenco Liam Neeson, Catherine Zeta Jones, Owen Wilson e Lily Taylor. O filme orginal de Wise se saiu melhor por saber explorar os aspectos psicológicos inerentes no roteiro e com notável fotografia em preto e branco.

O ILUMINADO

O ILUMINADO

Ninguém supera, no entanto, em termo de impacto ao escritor norte-americano Stephen King que lançou em 1977 o livro “O Iluminado” (The Shining) que se passa no fantasmagórico hotel Overlook, no meio das montanhas durante um forte inverno e que se torna palco do pesadelo vivido pelo escritor Jack Torrance, possuído por entidades malignas. Apesar de algumas diferenças entre livro e filme, este se tornou uma obra prima do gênero dirigida por Stanley Kubrick e estrelada por Jack Nicholson. Embora o próprio autor tenha declarado não ter gostado do resultado final de sua adaptação (houve uma segunda versão feita para a Tv muitos anos depois, mas esquecível), é inegável que a visão cinematográfica de Kubrick e a atuação alucinada de Nicholson fizeram do filme um dos melhores do gênero. Há dois anos atrás, King publicou uma sequência para “O Iluminado” entitulada “Doctor Sleep” e que se prevê para breve em uma adaptação para as telas. King também é o autor do conto “1408”, que gerou um filme homônimo em 2007 estrelado por John Cusack. A história é menor se comparada a “O Iluminado”, mas diverte os apreciadores de King.

A MULHER DE PRETO

A MULHER DE PRETO

Recentemente, o avanço dos efeitos especiais permitiu revisitar os clichês do tema com alguns resultados medianos como “A Mulher de Preto” (The Woman in Black) de 2013, adaptado da obra de Shirley Jackson e estrelado por Daniel Radcliff (Harry Potter). O filme produzido pela clássica Hammer Films coloca Radcliff como um advogado no início do século XX enfrentando um espírito maligno que mata crianças. Em meio a casas e hotéis obscuros, digno de se mencionar é a criatividade nipônica que gerou os fantasmas de Samara e Toshio, respectivamente vistos em “O Chamado” (The Ring) de 2002, que teve um segundo filme pouco depois e um terceiro já foi anunciado para o ano que vem, e “O Grito” (Grudge) de 2003, que também entrou na lista de continuações. Para terminar esse passeio fantasma, uma pérola: Em 1982, o veterano Fred Astaire experimentou o gênero em “Histórias de Fantasmas” (Ghost Story) sobre o espírito de uma mulher vingativa voltando do além para matar seus desafetos. O filme consegue ser curioso e mediano e uma inventiva sugestão para um dia de Halloween.