MISSÃO IMPOSSÍVEL: SÉRIE ORIGINAL & FILMES.

            O sucesso de “Missão: Impossível” vem muito antes do agente Ethan Hunt e conta mais de 50 anos desde a primeira vez em que uma gravação seguida de uma contagem regressiva anunciava a aventura embalada pelo instigante tema musical do argentino Lalo Schifrin que marcou gerações.

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Da direita para a esquerda: Peter Graves, Barbara Bain, Peter Lupus, Greg Morris e Martin Landau.

            No Brasil a extinta Tv Excelsior trouxe a série “Missão: Impossível” (Mission: Impossible) para as noites de segunda-feira em junho de 1967, quase um ano depois de sua estreia pela CBS. A história, criada pelo roteirista norte-americano Bruce Gellar, foi filmada pela Desilu Productions, o estúdio fundado em 1951 pela comediante Lucille Ball e seu marido Desi Arnaz. Inicialmente, o projeto intitulado “Brigg’s Squad” mostraria um grupo de agentes recrutados para missões de alto risco nas quais o governo não poderia se envolver abertamente. As características dos personagens seriam refinadas por Gellar, que se recusou a criar um passado para cada um, mantendo uma aura de mistério em torno destes. O que importava era a habilidade de cada membro da equipe: Rollis Hand (Martin Landau) era o mestre dos disfarces, Cinnamon (Barbara Bain) era a espiã irresistivelmente sedutora, Barney Collier (Greg Morris) era o expert em eletrônica, Willy Armitage (Peter Lupus) era o braço forte e Dan Briggs (Steven Hill) o líder da equipe. As missões chegavam até Briggs em um gravador que relatava os detalhes da missão que, caso aceita, seria realizada sem apoio oficial do governo que negaria conhecimento caso tudo desse errado. Bruce Gellar se indispôs com a CBS, e depois com a Paramount que comprara o estúdio Desilu, para manter seu controle criativo. “Missão: Impossível” era um produto inteligente demais para as intenções de baixo custo e lucro imediato dos produtores de TV. As missões da equipe de Briggs tratavam de espionagem internacional, política externa e guerra fria. Cada membro agia nas sombras, de acordo com seus próprios dons, manipulando os eventos de forma que o alvo cometesse algum erro que o fizesse se entregar.

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Leonard Nimoy, Greg Morris, Peter Graves e Peter Lupus.

            As filmagens da primeira temporada foram prejudicadas por constantes atrasos já que Steven Hill, o ator principal, era judeu ortodoxo e se recusava a filmar nos fins de semana. Em seu contrato o ator só poderia trabalhar até as 16 horas de sexta feira, e muitas das vezes o cronograma das filmagens invadia os finais de semana, até mesmo os feriados. Quando a segunda temporada foi aprovada Hill foi substituído por Peter Graves interpretando o novo líder, Jim Phelps, que ficou fixo no elenco à medida que, nas temporadas seguintes, outros agentes entravam e saíam. Greg Morris também se manteria fixo, mas disputas contratuais levaram Martin Landau e Barbara Bain (eram casados na vida real) a deixar a série na quarta temporada. Leonard Nimoy, Leslie Ann Warren, Lynda Day George, Sam Elliot, Lee Meriwether e Barbara Anderson se revezariam ao longo das temporadas (sete ao todo) que se seguiam com progressivo perda de controle por Gellar, vítima dos executivos que não se preocupavam em descaracterizar a série com roteiros que se distanciavam da visão de seu criador. Da mesma maneira que ocorrera com Gene Roddenberry em “Star Trek”, Bruce Gellar foi posto de lado jamais sendo consultado ou respeitado até que a série foi cancelada em março de 1973.

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Phil Morris, Thaad Penghlis, Peter Graves, Jane Badler e Anthony Hamilton.

            Bruce Gellar morreu em um acidente aéreo em 1978, mas sua criação colecionava admiradores graças às constantes reprises na Tv, fora as imitações que surgiam na telinha tentando reproduzir a formula de contragolpe com a qual os agentes capturavam os vilões. Ao longo da década de 80, a Paramount tentou diversas vezes adaptar a série para o cinema, mas os roteiros eram escritos e reescritos sem se chegar a um resultado satisfatório. Em 1988, devido a uma greve dos roteiristas, a Paramount aprovou a retomada da série com novo elenco, refilmando alguns episódios e mantendo o personagem Jim Phelps, de Peter Graves, que deixava a aposentadoria para liderar uma nova equipe: Anthony Hamilton, Terry Markwell, Jane Badler, Thaad Panghlis e Phil Morris, filho do veterano Greg Morris. A retomada da série se sustentou no ar por duas temporadas mas desprovida do prestígio do passado.

             Quando o astro Tom Cruise adquiriu os direitos da série para adaptá-la ao cinema modificou um elemento essencial da série. Em vez de ações regidas em equipe, a ação ficou concentrada no personagem de Cruise, o agente Ethan Hunt, único sobrevivente de uma missão em Praga. O ator Martin Landau chegou a ser convidado a repetir o papel de Rollis Hand mas declinou quando descobriu que a equipe original seria morta logo no início do filme. A ideia permaneceu mesmo sem a participação dos atores da série, incluindo Peter Graves que ficou contrariado ao descobrir que seu personagem seria transformado em um traidor. Al Pacino, Michael Douglas e Robert Redford foram considerados para o papel de Jim Phelps, que veio a ficar com Jon Voight. A direção de “Missão: Impossível” – o filme (1996) , ficou com Brian De Palma, que anos antes havia alcançado feito impressionante ao adaptar “Os Intocáveis”, outra série de TV. O tema musical da série de Lalo Schifrin foi remixado por Larry Mullen Jr. e Adam Clayton do U2. A essência da série, no entanto, estava ausente, pois nesta o foco era maior na tensão psicológica envolvendo os agentes e seus alvos, enquanto no filme o agente Ethan Hunt monopolizava a ação. A bilheteria do filme garantiu a sequência de 2000 “Missão Impossível 2” (Mission: Impossible 2) dirigido por John Woo. Este já começa o filme mostrando Hunt se pendurando em um penhasco, cena realizada pelo próprio ator dispensando dublês, e que se tornaria marca registrada na série. A história mostra Hunt na trilha de um ex-agente que negocia a venda de um vírus mortal. O vilão Dougray Scott na época foi inicialmente escalado para o papel de Wolverine em “X Men”, mas as filmagens demoradas da nova missão de Cruise impediram Scott de ficar com o papel do herói mutante, que acabou indo para Hugh Jackman.

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Jonathan Rhys Myers, Ving Rhames, Tom Cruise e Maggie Q.

         O espírito da série foi parcialmente recuperado quando J.J.Abrams assumiu a cadeira de diretor em “Missão:Impossível III” (2006). A missão de capturar um traficante de armas (o saudoso Philip Seymour Hoffman) reúne Cruise com Keri Russell, Jonathan Rhys Myers, Maggie Q e Simon Pegg. Apesar de Cruise ainda ser o centro da trama, a ação em equipe ganha mais espaço , e ainda inclui Luther Stickwell (Ving Rhames), único membro a estar presente em todos os filmes, além do próprio Cruise.

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Paula Patton e Tom Cruise em “Protocolo Fantasma”.

         Em 2011, Brad Bird, o diretor da animação “Os Incríveis” dirige a volta de Hunt em “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” (Mission: Impossible – Ghost Protocol) que substitui o esperado IV por um subtítulo repetindo Rhames e Pegg na equipe, mas trazendo Paula Patton e Jeremy Renner para o time. O trabalho em equipe é ainda mais ampliado a medida que o carisma inegável de Cruise garante um resultado notável da bilheteria. O filme foi o primeiro da série filmado em IMAX, valorizando o impacto da imagem como na cena em que Cruise, dispensando dublês mais uma vez, se pendura do lado de fora de um arranha-céu de 160 andares em Dubai. O filme foi um triunfo para o público e a crítica especializada como o renomado Roger Ebert quer comparou o filme a uma “poesia do gênero”. A diversão só melhora quando chega o quinto filme, dirigido por Christopher McQuarrie “Missão: Impossível – Nação Secreta” (Mission: Impossible – Rogue Nation) que retoma outro elemento da série original: o Sindicato, uma anti IMF empenhada em formentar o caos no mundo. A equipe recebe o apoio da bela atriz sueca Rebecca Fergunson no papel de Ilsa Faust, uma agente dupla que não se resume a interesse romântico, mas se junta a Hunt para desbaratar os planos de Solomon Lane (Sean Harris), líder do Sindicato. A personagem de Fergunson impulsiona a trama graças à habilidade da atriz de se mostrar moralmente dúbia, outra característica inserida originalmente por Bruce Gellar.

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Rebecca Fergunson e Tom Cruise em “Nação Secreta”

                  A chegada do sexto filme certamente confirma que o público está bastante receptivo a novas proezas do agente Hunt. Seguindo o ritmo das sequências de resgatar elementos da série, adaptando-os aos novos tempos, podemos contar com novas aventuras, seja centrada em Hunt, ou em outro agente disposto a se pendurar em aviões, descer por cabos ou saltar em cinco, quatro, três, dois, um, … antes que essa mensagem se auto-destrua.

CLÁSSICO REVISITADO : OS 60 ANOS DE “O PLANETA PROIBIDO”

Um dos maiores clássicos da ficção científica completou esse ano 6 décadas , sendo lamentavelmente um dos menos reprisados na TV, o que afastou o grande público de uma das melhores obras do gênero. Eu assisti a esse filme cult de ficção cientifica quando eu era um adolescente, e achei impressionante a semelhança com “Star Trek”: A tripulação de uma nave espacial viajando a um planeta longínquo onde enfrenta uma ameaça que jamais imaginariam. O formato Cinemascope deu ao filme um atrativo a mais na época de seu lançamento, quando a ficção científica ainda era vista como um filme B, sem grandes pretensões da parte dos estúdios. A Metro, no entanto, investiu cerca de US$1.900,000, uma quantia alta para um filme do gênero em 1956.

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O cartaz original do filme na época trazia  Robby O Robô carregando a atriz Anne Francis nos braços. O impacto dessa imagem mexeu com o imaginário popular e Robby, o robô tornou-se uma celebridade na ficção científica aparecendo no cinema (Depois de “O Planeta Proibido”, o personagem apareceu ainda em “O Menino Invisivel” de 1957), e principalmente na Tv em episódios de séries como “Columbo”, “Além da Imaginação” e “Perdidos no Espaço” (sendo que esta teve Robert Kinoshita, o criador de Robby,  como responsável pela direção de arte da série de Irwin Allen).

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O roteirista Cyril Hume buscou inspiração na clássica história “ A Tempestade”, considerada a última peça escrita por William Shakespeare. Nela, Próspero e Miranda habitam uma ilha remota, onde foram exilados por Antonio, irmão de Próspero, que lhe usurpara o trono de seu reino. O ex monarca atrai Antonio e os demais traidores para a ilha como forma de se vingar de todos, e devolver o trono a sua filha, a legítima herdeira. No filme, dirigido por Fred M. Wilcox, Próspero e Miranda são respectivamente o Dr.Morbius (Walter Pidgeon) e sua filha Altaira (Anne Francis), últimos sobreviventes da nave Belerofonte (nome do herói mitológico que derrotou a quimera) que chegaram há algum tempo no distante planeta Altair IV. A história do filme começa com o resgate empreendido pelo Capitão J.J.Addams (Leslie Nielsen) à bordo da nave C57D. Addams, no entanto, encontra Morbius relutante pelo resgate e obcecado em desvendar os mistérios dos Krell, a antiga civilização nativa há muito extinta, mas que deixou maravilhas tecnológicas.

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Na peça do Bardo de Stratford Upon Avon Caliban é o nome do criado obediente e disforme de Próspero, que no filme torna-se Robby, uma figura mais condizente com o ano de 2200, e também mais atraente para a imaginação do grande público fascinada por robôs, e estimulada na literatura por livros como “Eu Robô” de Isaac Azimov, publicada seis anos antes de filme. Os poderes mágicos de Próspero que manipulam, criam ilusões e até invocam a tempestade do título shakespeariano, ganham no filme a forma de uma terrível e misteriosa força destrutiva que ameaça a vida de todos. Esta ganhou no filme a sustentação da teoria freudiana, segundo a qual o ser humano é movido por pulsões relacionadas ao sexo e à agressividade instintiva, inerente à nossa natureza. No filme, a bela Altaira representa o primeiro, enquanto a energia do id representa o segundo. A história faz uso das noções freudianas que retratam a formação da psique humana, dividida entre projeções de instinto e auto-controle, a dicotomia entre o intelecto superior e o ódio destrutivo que podem vitimar um individuo ou uma civilização inteira. O questionamento advindo conduz a um vislumbre dos limites de desenvolvimento científico e do freio moral a que somos submetidos.

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Indicado para o Oscar de efeitos especiais, o filme perdeu para “Os Dez Mandamentos” , tendo sido também indicado ao Saturn Awards. Em 2013, o filme foi escolhido para ser preservado pela comissão de historiadores do National Film Preservation Board. Foi também o primeiro grande filme de estúdio a utilizar inteiramente na trilha musica eletrônica, composta por Louis Barron e Bebe Barron em apenas três meses. O sucesso de “O Planeta Proibido” veio a trazer maior respeitabilidade para a ficção científica no cinema, afastando o estigma de filme B, o que seria coroado em definitivo 12 anos depois com “2001 Uma Odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick.

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O diretor Fred M. Wilcox não tinha em seu currículo outros filmes do gênero, vindo de filmes da cadela Lassie. Walter Pidgeon (1897 – 1984) era ator de prestígio no cinema. Já Leslie Nielsen (1926 – 2010) começou a carreira como galã, mas ficou mundialmente conhecido com as comédias feitas na década de 80 e 90 como “Apertem os Cintos o Piloto Sumiu” e “Corra que a Polícia Vem Aí”.  Warren Stevens se tornou rosto conhecido em papeis secundários geralmente na TV e no cinema. A bela Anne Francis surgiu aqui como jovem estrela em ascenção, e na década de 60 estrelou a série “Honey West”, mas fora isso não teve carreira mais ilustre apesar da beleza. O filme vem sendo constantemente citado como possível refilmagem, o que caberia bem nas mãos de um realizador criativo como J.J.Abbrams ou Christopher Nolan. Contudo, nada foi ainda concretizado, ficando a esperança que o filme original possa ser redescoberto pela nova geração.

 

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DIÁRIO DE BORDO DATA ESTELAR: 1986 JORNADA NAS ESTRELAS IV – A VOLTA PARA A TERRA

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Imaginem Eddie Murphy interpretando um cientista desacreditado que acredita em disco voador e vem a testemunhar a aparição de uma nave de rapina Klingon na São Francisco de 1986. A visão acidental leva o personagem de Murphy a auxiliar o Capitão Kirk e sua tripulação a resgatar baleias jubartes que podem ajudar a terra no futuro. Se ninguém assistiu a esse filme é porque simplesmente ele não foi feito. Apesar de tudo parecer arranjado, Eddie Murphy veio a desistir do projeto e preferiu fazer “O Rapto do Menino Dourado” (The Golden Child). Em seu lugar entrou a atriz Catherine Hicks como a biologa marinha Gilliam Taylor. Assim em 1986 a tripulação da Enterprise embarcou em uma viagem no tempo no quarto filme da franquia    “JORNADA NAS ESTRELAS IV – A VOLTA PARA A TERRA”.

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A história de uma viagem no tempo já era ideia de Gene Roddenberry desde a época de realização do segundo filme, mas Gene queria levar a Enterprise de volta aos anos 60 em juma tentativa de evitar a morte de John Kennedy. Sua ideia era rejeitada pela Paramount que trouxe de volta Harve Bennet e Leonard Nimoy para o roteiro. Depois das fortes emoções geradas pela morte e resgate de Spock, Nimoy queria uma filme mais leve e divertido. Tendo sido um defensor do meio ambiente, Nimoy utilizou a ideia de fazer da extinção das baleias o elemento catalisador da história. No futuro, uma sonda alienígena vaporiza os mares da terra em busca da presença das baleias há muito extintas. A única solução para salvação da terra é voltar ao passado e resgatar um casal de baleias para repopulacionar os mares do futuro.

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Nimoy voltou a sentar na cadeira de diretor, e a história se desenrola sem uma figura de  antagonista, mas perfeitamente conduzida aproveitando o choque cultural entre os homens do futuro e os habitantes do século XX: Spock põe para dormir um punk irritante, os tripulantes conversam com uma mulher à procura de energia nuclear (A resposta dela foi uma improvisação bem vinda na cena), Scotty cria alumínio transparente (o que viria a acontecer na vida real em 2009) e fala com um mouse de computador ,  e McCoy cura uma mulher com problemas renais. Uma parte da história previa mostrar Saavik grávida de Spock, como consequência do Pon Fah no filme anterior, mas esta não dá explicações maiores para sua permanência em Vulcano ainda no inicio do filme, que é dedicado às vítimas da explosão do ônibus espacial Challenger. Outra cena que foi prevista mas não filmada mostraria uma criança oriental passando pela tripulação  e que seria o tataravô de Sulu. Como a criança não parava de chorar, a cena acabou desconsiderada para não atrasar as filmagens. Em aparições rápidas temos Sarek (Mark Lenard), o pai do Spock, Amanda (a atriz Jane Wyatt em sua última aparição nas telas), a mãe de Spock, Janice Rand (Grace Lee Witney) que era a ordenança da série original como comandante e Vijay Armitrage que era campeão de tennis profissional e tentava uma carreira no cinema.

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Quando o filme finalizava suas filmagens, a Paramount aprovou uma nova série de Star Trek dando continuidade às viagens originais. Assim, tanto o quarto filme quanto a estreia de “Jornada Nas Estrelas : A Nova Geração” na Tv serviriam para celebrar os 20 anos da saga de Gene Roddenberry. O filme foi a maior bilheteria de um filme da franquia até então, e o melhor resultado comercial estrelado pela tripulação original. Ao final do filme, os atos de insurreição no terceiro filme são julgados resultando em anistia, no rebaixamento de Kirk de Almirante para Capitão e na designação de uma nova missão a bordo de uma reformada Enterprise. Todos estavam finalmente em casa.

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Em Breve : A Estreia de Star Trek Sem Fronteiras dia 1º de Setembro

Em Breve: Artigo sobre os filmes 5 e 6 de Jornada Nas Estrelas aqui no blog

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DIÁRIO DE BORDO DATA ESTELAR 1982 : JORNADA NAS ESTRELAS II A IRA DE KHAN

Três anos depois que a tripulação original da Enterprise se reuniu para enfrentar a ameaça de V’Ger, a Paramount decidiu dar sequência ainda que as dúvidas fossem muitas. O primeiro filme teve um orçamento alto demais e os lucros estavam longe do esperado levando-se em conta os gastos feitos anteriormente com o cancelado projeto “Star Trek Phase II”. Além disso os bastidores haviam sido atribulados com constantes desentendimentos com Gene Roddenberry e a as duras críticas feitas ao filme por seu tom solene demais e premissa não só pretensiosa  como filosofica demais. Mudanças precisavam ser feitas e foram :

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O orçamento ficou restrito a apenas US$ 11 milhões e Gene Roddenberry foi removido de sua posição de produtor executivo, ficando como consultor criativo, o que na prática significou que todas as decisões seriam tomadas ignorando Roddenberry. A posição de produtor ficou com Harve Bennet, vindo da Tv onde realizou “O Homem de Seis Milhões de Dólares” e “A Mulhet Biônica”. Bennet, que nunca havia visto a série original assistiu a todos os 79 episódios a procura de um ponto de partida para um roteiro que trouxesse de volta todo o esplendor de Jornada nas Estrelas. O episodio escolhido era “Semente do Espaço” (Space Seed) que trazia o antagonista perfeito para os heróis, o super humano engendrado geneticamente Khan Noonian Sing, interpretado por Ricardo Montalban. Khan havia sido exilado em um planeta inóspito ao final de Semente do Espaço e teria todos os motivos para odiar Kirk e buscar sua vinagança. O roteiro era apenas uma colcha de retalhos que incluia a morte de Spock, condição que trouxe Leonard Nimoy de volta depois de declarar que não queria voltar ao personagem. Foi quando chegou Nicholas Meyer, diretor e roteirista que se encarregou de enxugar as diversas ideias e driblar as interferências de Gene Roddenberry, que não concordava com nada.

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NOS BASTIDORES RICARDO MOLTANBAN É CONFRONTADO COM O ROBÔ TATOO, PIADINHA COM O SERIADO “A ILHA DA FANTASIA” ESTRELADO PELO ATOR NA ÉPOCA.

Segundo o livro “Memorias de Star Trek – Os Filmes” de William Shatner , Roddenberry repudiava a abordagem militarista da Frota Estelar, ainda que Nicholas Meyer concordasse em retratar esta como uma Marinha futurista evocando o personagem Horatio Hornblower da literatura de C.S.Forrester. Ainda segundo o livro teria sido Roddeberry a deixar vazar a noticia da morte de Spock irritando os fãs que se mobilizavam contra o filme. Inicialmente a cena da morte ocorreria no inicio do filme assim como em “Psicose” (1960). Meyer conseguiu ludibriar a todos mostrando a morte de Spock na sequência de abertura como parte do simulador Kobayashi Maru. Ao final do filme o sacrifício de Spock ganharia dramaticidade inesperada e tocante com William Shatner e Leonard Nimoy separados por uma parede de vidro e encarando a mortalidade indesejada, totalmente em sintonia com o roteiro desenvolvido para que lendas encarassem o envelhecimento e o fim de tudo que é mais caro.

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A NECESSIDADE DE MUITOS SE SOBREPOE À NECESSIDADE DE POUCOS OU DE UM.

Foi esse o tom assumido pelo roteiro, incorporar o envelhecimento dos personagens e confrontá-los com a brevidade da vida. Kirk seria nesse sentido o foco de tudo, além de travar com Khan um acirrado jogo de gato e rato que remete inclusive ao episodio “Equilibrio de Poder” (Balance of Power) da série clássica. Embora Khan e Kirk não tenham um embate físico (a principio haveria, mas as limitações de orçamento a removeu do roteiro), sua luta é envolvente e enervante causando danos extremos à Enterprise e sua tripulação. As falas de Khan remetem à Moby Dick seja através do paralelo Ahab / Khan ou das falas do vilão ao final que parafraseam a obra de Herman Melville. A persoangem da tenente Saavik ficou com a estreante Kirstie Alley cuja personagem foi imaginada como uma substituta para Spock, e a princípio previa-se que ela se envolveria com David (Merrit Butrick), o filho de Kirk cuja presença reinforça o sentimento do personagem diante da passagem de tempo.

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CUSPO EM TI MEU ÚLTIMO SOPRO DE VIDA

O filme seria sub entitulado “A Terra Desconhecida”, mas a Paramount decidiu rebatizar o filme como “A Vingança de Khan”, contrariando a vontade de Nicholas Meyer. Na época, inclusive, George Lucas preparava o episodio VI de Star Wars anunciado como “A Vingança de Jedi”. No final das contas, Lucas rebatizou seu filme de “O retorno de Jedi” e a Paramount trocou o sub título de Star Trek para “A Ira de Khan”.  O epilogo do filme com Kirk observando o recem formado planeta Genesis onde pousa o caixão de Spock foi acrescentado depois da exibição teste do filme assim como o momento em que Spock transfere seu katra para a mente do Dr.McCoy como um gatilho a ser explorado em um terceiro filme.

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O resultado foi extremamente satisfatorio, superando o primeiro filme e conquistando tanto crítica quanto público, sendo o filme mais rentavel da franquia até seu reboot por J.J.Abbrahms em 2008. Este reimaginou “A Ira de Khan” quando fez “Star Trek Alem da Escuridão” (Star Trek Into Darkness) em  2010 com Benedict Cumberbatch repetindo o papel feito magistralmente por Ricardo Montalban. Certamente que tanto sucesso asseguraria a continuidade da franquia e a certeza de que o espaço continuaria sendo a fronteira final.

DAQUI A ALGUNS DIAS CONFIRAM AQUI NO BLOG ARTIGO SOBRE “JORNADA NAS ESTRELAS 3 À PROCURA DE SPOCK”.

ENSAIO: FILMES DE MONSTRO

Lembra quando crianças ouvíamos histórias do bicho-papão ? Nosso inconsciente parece guardar e cultivar um misto de medo e atração por histórias de monstros. Projeções de nosso inconsciente para alguns ou matéria-prima de pesadelos pueris, o fato é que o cinema sempre se apropriou desse sentimento para explorar um filão recorrente que prova de que esse medo também é igualmente divertido.

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O MONSTRO DA LAGOA NEGRA

Nos anos 50 e 60, o filme de monstro foi um rico filão que contava com orçamento B mas criatividade A. Gastava-se pouco, técnicas de stop motion, uso de maquetes e de fantasias que focavam em mexer com o medo do desconhecido. O Homem-Peixe de “O Monstro da Lagoa Negra” (The Creature of The Black Lagoon) de 1954, ou o caso de “A Mosca da Cabeça Branca” (The Fly) de 1958 mostram como esse tipo de filme sempre foi de grande popularidade. Ainda assim, em vez de uma pessoa ou grupo aterrorizados, o cinema logo ampliou o pânico gerado por essas criaturas para uma escala maior, com destruição de massa ameaçando cidades, países ou até mesmo o mundo. Digno de nota o polvo gigante de “O Monstro do Mar Revolto” (It Came From Beneath the Sea) de 1955, a aranha gigante de “Tarantula” (Tarantula) do mesmo ano ou as formigas gigantes de “O Mundo em Perigo” (Them!) de 1954 entre outros que mostravam que a existência humana estava seriamente ameaçada.

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O MUNDO EM PERIGO

Com a guerra fria e o medo gerado pelas armas nucleares, os monstros personificavam a personificação de um fim inevitável. Os ecos desses sentimentos se materializavam com ainda maior intensidade no Japão pós Hiroshima com a criação de “Godzilla” (1954) cujo alcance foi muito além da terra do sol nascente. Alcunhado “O Rei dos Monstros” , Godzilla foi o primeiro de uma infinita lista de monstros que a todo  momento destruía Tokyo. Na década seguinte foi a vez de Londres ter sua própria versão do lagarto gigante destruidor em “Gorgo” (1961). A medida que os estúdios faturavam em cima das plateias, ávidas por serem aterrorizadas, surgiam monstros de todos os tipos como “A Bolha Assassina” (The Blob) de 1958 mostrando um jovial Steve McQueen enfrentando uma criatura gelatinosa que devora tudo aumentando progressivamente de tamanho, plantas do mal em “O Terror Veio do Espaço” (Day of the Triffids) de 1962 ou “Terror que Mata” (The Quatermass Experiment) de 1955, todos explorando o medo inconsciente do desconhecido, herdeiros do mitológico Krakken ou do lendário Leviatã que povoava os pesadelos dos antigos navegantes medievais, mostrando que a imaginação humana sempre foi povoada por criaturas que trariam morte e aniquilação por onde passassem. Na década de 80, Joe Dante dirigiu o cultuado “Gremlins” (1984) acrescentando humor à receita.

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CLOVERFIELD – O MONSTRO

O avanço dos efeitos especiais depois do realismo dos dinossauros spielberguianos de “Jurassic Park” (1994) possibilitou tornar o gênero ainda mais atraente para uma geração cada vez mais acostumada a jogos de definição e realismo extremo. Assim nada mais natural que se revisitasse o primeiro clássico do gênero “King Kong”, refilmado por Peter Jackson em 2006 ou , mais recentemente “Godzilla”. O cineasta Guilhermo Del Toro abraçou a admiração por esse tipo de filme em “ Circulo de Fogo” (Pacific Rim) de 2013 que ameaça ganha sequência embora nada ainda de concreto tenha sido anunciado sobre o retorno dos Kaijus, como os monstros são conhecidos no Japão. Em 2008 foi a vez de J.J Abrahams com “Cloverfield” que ainda usava da câmera nervosa do estilo documentário fake para provocar uma reação no estilo de “A Bruxa de Blair”. Diferente também é a história de sua sequência que integra o primeiro filme mas com um direcionamento mais voltado para o terror psicológico, mas que pode muito bem figurar nesse artigo já que os piores monstros são aqueles vindos da psique humana.

POSTER : STAR WARS EPISÓDIO VII – O DESPERTAR DA FORÇA

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Divulgado na D23 EXPO o cartaz criado pelo artista Drew Struzan para o novo filme da saga que dá continuidade aos eventos após “O Retorno de Jedi” que encerrara a trilogia clássica. Struzan é um renomado ilustrador já tendo elaborado cartazes para os outros filmes da saga além de outros filmes como “Blade Runner”, “Indiana Jones” e “Harry Potter”.

MISSÃO: IMPOSSÍVEL – ADEUS MR.PHELPS, OLÁ MR.HUNT

Assisti ao seriado “Missão: Impossível’ na Rede Bandeirantes no final dos anos 70. Foi hipnotizado pelo som do tema do musico argentino Lalo Schifrin que provoca tensão crescente a medida que um pavio de pólvora vai chegando a um explosivo fim. Se você acha que conhece a história, está enganado. A série de TV original, que estreou em setembro de 1066, girava em torno de uma equipe de contra-espionagem convocada para missões de alta periculosidade que o governo mantem como desconhecida. A partir daí, série e filmes não poderiam ser mais diferentes.

A SÉRIE ORIGINAL

A SÉRIE ORIGINAL

Criada por Bruce Gellar e gravada nos estúdios da Desilu (de Lucille Ball & Desi Arnaz) para a CBS, “Missão Impossível” era centrada em um trabalho de equipe. Apesar de liderada por Dan Briggs (Steven Hill na 1ª Temporada) e Jim Phelps (Peter Graves a partir da 2ª temporada), cada agente tinha sua especialidade e seu grau de importância dentro da história. A figura do líder foi trocada depois de constante insistência da CBS que não concordava com a escolha de Steven Hill para o papel. Além disso, Hill se recusava a trabalhar nos finais de semana pois, como Judeu ortodoxo, isso contrariava sua religião. A figura de Peter Graves ficaria eternamente associada à Missão Impossível ao longo de suas 7 temporadas, e mesmo 15 anos depois de seu cancelamento Graves voltou ao papel quando a série ganhou uma nova roupagem, ainda que breve.

A PRIMEIRA EQUIPE NA TV

A PRIMEIRA EQUIPE NA TV

Entre os agentes da IMF havia um mestre dos disfarces (Martin Landau, depois substituído por Leonard Nimoy), uum perito em eletrônica (Greg Morris), uma mulher sedutora (Barbara Bain, que era casada com Martin Landau, depois substituída por Leslie Ann Warren), um eficiente galã faz tudo (Peter Lupus) entre outros escolhidos de acordo com a missão e que acompanhavam as mudanças de temporada como Sam Elliot, Linda Day George, Lee Merriwether  e Barbara Anderson. Não havia, portanto, a figura de um super agente central nas tramas. Estes não possuíam passado, envolvimentos passional nem moralidade nas ações executadas. Todos os meios eram justificáveis para se concluir a missão, fossem meios legais ou ilegais. Não havia muita ação física, pois o foco era maior na tensão psicológica envolvendo os agentes e seus alvos, estes encurralados de tal forma que muitas vezes as intenções não eram muito claras. A série foi um marco na dramaturgia televisiva do gênero e foi tão impactante justamente porque nada igual existia no ar naquela época. Durante algum tempo vários projetos para adaptá-la na forma de longa-metragem naufragaram, ao menos até ter seus direitos comprados por Tom Cruise.

CENA MEMORÁVEL DO PRIMEIRO FILME DE 1996

CENA MEMORÁVEL DO PRIMEIRO FILME DE 1996

Entre o fim dos anos 80 e inicio dos anos 90, “Os Intocáveis” e “O Fugitivo”, duas séries de Tv extremamente populares haviam se tornado bem sucedidas adaptações para o cinema. Tom Cruise chamou Brian de Palma (diretor do primeiro) para comandar o filme “Missão Impossível” (1996), que veio a ser roteirizado por David Koepp e Robert Towne. Este, no entanto, transformou o que era um contra-golpe em um “One Man Show”, uma variação do super agente secreto tendo Ethan Hunt (Cruise) como uma variação de James Bond, único sobrevivente de sua equipe, eliminada durante missão na Embaixada de Praga. O que mais desagradou aos fãs da série original, no entanto, foi transformar Jim Phelps (Jon Voight) no vilão da trama. Peter Graves e Greg Morris, convidados a fazer uma aparição no filme, recusaram e repudiaram as mudanças no status quo de personagens icônicos.

O SEGUNDO FILME NA VISÃO POP DE JOHN WOO

O SEGUNDO FILME NA VISÃO POP DE JOHN WOO

Apesar disso, o filme tornou-se um sucesso de bilheteria, custando $80 milhões e faturando $180 milhões no ano de seu lançamento. A sequência de Tom Cruise  invadindo as instalações da CIA pendurado por cabos foi visualmente memorável e realizada com o próprio ator que usou moedas nas botas para equilibrar o peso e evitar de constantemente bater a cabeça. A trama confusa demais foi bastante criticada, e por isso, quando Cruise e sua sócia Paula  Wagner encomendaram uma sequência, quatro anos depois, decidiram por uma narrativa mais simplificada, calcada na mesma premissa de “Interlúdio’ (Notorious) do mestre Alfred Hithcock. Em “Missão Impossível 2” (2000) Ethan Hunt é enviado atrás de um agente renegado da IMF com ajuda de uma ladra charmosa (Thandie Newton) para evitar a dissiminação de uma arma biológica mortífera. Devido ao cronograma das filmagens, dirigida por John Woo, o ator Dougray Scott que fazia o vilão não pode aceitar o papel de Wolverine em “X Men-O Filme”, que acabou dando oportunidade para Hugh Jackman. A bilheteria ainda maior (em torno de $215 mihões)  não disfarçou o fato de que apesar de toda a ação frenética, o filme nada tem a ver com o espírito da série, sendo ainda mais evidente se tratar de um veículo para o estrelato de Tom Cruise.

O MELHOR FILME

O MELHOR FILME

Disposto que cada filme da franquia venha a ter um diretor diferente, Cruise chamou J.J.Abbrams para comandar “Missão impossível 3” em 2006. Abbrams atenuou a centralização na figura de Ethan Hunt e recompôs a dinâmica de grupo com os personagens de Jonathan Rhys Meyers, Kerri Russell (em papel primeiro oferecido a Scarlett Johansson) e Ving Rhames (o único membro da IMF a aparecer em todos os filmes da franquia. O roteiro de Robrto Orci & Alex Kurtzman recuperou em parte elementos da série na primeira metade, mas entrega no final toda a ação à figura de Hunt que precisa resgatar a amada das mãos do vilão Owen Davian (um excelente Phiilip Seymour Hoffman). O filme é superior aos dois primeiros justamente por recuperar o espirito da série, tendo J.J.Abbrahms convidado Martin Landau para uma participação especial no filme, mas este recusou. Apesar de bem sucedido para um filme de ação, foi a menor bilheteria da franquia com cerca de $134 milhões. Em 2011, Cruise veio com o melhor deles, justamente o quarto filme entitulado “Missão impossível: Protocolo Fantasma” , dirigido por Brad Bird (da animação da Pixar “Os Incríveis”). O roteiro colocava Tom Cruise como o chefe de uma equipe renegada da IMF, dissolvida depois de uma missão desasrosa no Kremilin. Definitivamente, havia algo mais similar a serie de Tv com a equipe de Hunt (Jeremy Renner, Paula Patton e Simon Pegg reprisando o papel que já havia aparecido no filme três) agindo na clandestinidade para evitar uma guerra nuclear. Mais $200 milhões de bilheteria garantiram a volta de Ethan Hunt para o quinto filme e um já anunciado sexto filme que prova que nada é impossível. Para quem, como eu, assistiu à série original não adianta comparar, os filmes de Tom Cruise até funcionam como entretenimento, mas estão longe da essência da série, que era muito melhor e cujos roteiros estavam acima do lugar comum do gênero, inteligentes, criativos, algo quase que impossível de se encontrar atualmente. Abaixo, veja a abertura original da série e conheça o que foi “Missão Impossível”, antes que esse blog se destrua automaticamente.