ESPIONAGEM NA LITERATURA & NO CINEMA

         Que ninguém duvide que a figura de um espião ainda é extremamente atraente ao imaginário popular. Por isso a todo momento o cinema traz adaptações de grandes romances de espionagem, embora nem sempre sendo fiel às suas raízes literárias. A figura de um agente secreto em uma missão super confidencial e de grande importância não é uma invenção recente da cultura pop mas um arquétipo recorrente e romanceado de uma prática real e nada glamurosa. Suas origens remontam na verdade séculos de atividades e exercícios ligados a intrigas políticas e jogos sombrios nos bastidores do poder.

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        O escritor norte americano James Finemore Cooper (1789 – 1851) – autor do clássico “O Último dos Moicanos – foi um dos primeiros a criar uma história de intriga política nos romances “O Espião” (1821) e “O Bravo” (1831), precursores de um gênero que só seria reconhecido no século XX. A lendária agência de detetives Pinkerton, além de ter tido participação na captura de notórios fora-da-lei, conseguiu evitar um atentado ao Presidente Abraham Linconl através de ações de vigilância que comprovam a máxima de Sun Tzu, autor de “A Arte da Guerra”, que fala sobre “ser extremamente sutil, tão sutil que ninguém possa achar qualquer rastro”. Se sutileza e mistério são essenciais na espionagem, a elas se juntou uma arma ainda mais eficaz: a sedução. Com ela a exótica Margaretha Gestruida Zelle (1876 – 1917) ganhou a eternidade como Mata Hari, que durante a Primeira Guerra (1914-1918) trabalhou para alemães e franceses, sendo por isso executada. Dançarina e cortesã, Mata Hari agia tal qual Milady de Winter na trama dos “Três Mosqueteiros” , fazendo do sexo uma arma tão ou mais mortífera que uma arma de fogo. “Mata Hari” foi vivida no cinema por Greta Garbo em 1931 , Jeanne Moreau em 1964 e Sylvia Kristel em 1985. Sua figura de curvas sinuosas e movimentos furtivos inflamou a imaginação e serviu de imagem fundamental para a caracterização de agentes eficientes na arte de coletar informações.

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           O estouro de duas Guerras Mundiais e as intrigas advindas dos interesses políticos instigaram a necessidade de agir de forma vigilante e preventiva contra inimigos em potencial, comprovando que “a supremacia da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”, como no tratado de Sun Tzu. O cinema mostrou isso em filmes como “Agente Secreto” (1936), “O Homem que Sabia Demais” (1934 e refilmado depois em 1954) , “O Sabotador” (1940) e “Intriga Internacional” (1959), todos do mestre Alfred Hitchcock e que deixaram bem claro a importância no mercado negro das informações confidenciais para atentados, insurreições e conspirações que podem abalar o equilíbrio de forças no mundo. O mundo bipolarizado do pós-guerra fez da guerra fria um elemento fértil para elaboração de tramas intricadas e teias conspiratórias. Mais do que nunca se via a importância de se controlar o fluxo de informações e evitar que o lado inimigo ganhasse qualquer vantagem. Manter vigilância constante significava se proteger. Nas palavras de Sun Tzu o lado vencedor de um conflito precisava de vidência, não de espíritos ou deuses, mas de homens que conhecessem o inimigo. Assim as atividades de contra-espionagem ganharam importância absoluta.

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            O gênero, contudo, ganhou a cultura pop com a chegada de Bond, James Bond, publicado pela primeira vez no romance “Cassino Royale”, de Ian Fleming, em 1953, e transposto para as telas nove anos depois em “007 Contra o Satânico Dr.No” com Sean Connery, o primeiro de seis atores que, desde então, viveram o agente favorito de sua majestade, e do público. Bond nunca teve um rival a altura, em termos de popularidade e longevidade nas telas, mas teve vários imitadores. Em 1966, James Coburn viveu o agente Derek Flint em “Flint Contra o Gênio do Mal” e , no ano seguinte, em “Flint : Perigo Supremo”.  Na mesma ocasião Matt Helm, o espião criado nos livros de Donald Hamilton, ganhou o ar cool de Dean Martin em 4 filmes: “O Agente Secreto Matt Helm”, “Matt Helm Contra o Mundo do Crime” , “Emboscada para Matt Helm” e “Arma Secreta Para Matt Helm”. Diferente dos livros, o tom dos filmes é de paródia com Dean Martin explorando sua própria persona: um bon-vivant, cercado de belíssimas mulheres e que, por acaso salvava o mundo. Os anos 60 fizeram da figura do agente secreto parte da cultura pop, tornando-o quase um super – herói, mas se distanciaram dos elementos literários onde o trabalho de inteligência é descrito de forma mais fria, destituído de qualquer glamour. Mais próxima dessa abordagem são os filmes em que Michael Caine interpretou o agente Harry Palmer,  criado pelo autor britânico Len Deighton. Enquanto que nos livros, o agente de Deighton é um narrador anônimo que apenas tem o primeiro nome mencionado uma vez, nos filmes produzidos por Harry Saltzman o personagem ganha uma identidade com a qual o público possa se relacionar, mas mantem o ar desglamourizado de um mero operário do governo. Os filmes “Ipcress : Arquivo Confidencial”(1965), “Funeral em Berlin” (1966) e “O Cérebro de Um Bilhão de Dolares” (1967) ajudaram a reforçar no imaginário popular a figura do espião como o salvador da democracia e da liberdade contra as forças do mal. O escritor britânico John Le Carré se concentrou em aprofundar nesse lado frio e sem encantos da espionagem, não uma brincadeira, mas um braço forte do jogo de poder das nações. Entre seus livros estão “O Espião que Saiu do frio” (1963), “A Garota do Tambor” (1983), “A Casa da Rússia” (1989), “O Espião que Sabia Demais” (1974) e “O Homem Mais Procurado” (2008) são best sellers frequentemente adaptados para o cinema, sendo esses dois últimos as mais recentes visitações de Hollywood com excelentes atuações, respectivamente, de Gary Oldman e Philip Seymour Hoffman.

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            Igualmente importantes no gênero são os autores Robert Ludlum e Tom Clancy. O primeiro é o pai do espião Jason Bourne. Uma arma humana treinada pelo governo para matar e que acaba por se tornar um embaraço e uma ameaça para o sistema quando perde sua memória. Sua história foi mostrada em “A identidade Bourne” (1980), “A Supremacia Bourne” (1986) e “O Ultimato Bourne” (1990), adaptados para o cinema a partir de 2002 com Matt Damon no papel de Bourne. Os livros de Ludlum são embebidos de ação e intriga, tendo sido escritos entre 1980 e 1990. Neles o agente secreto é simplesmente um assassino controlado por organizações que regem os acontecimentos das sombras fazendo uso de manipulações, traições e lavagem cerebral sem nenhum freio moral. Bourne também se distancia dos super espiões auto confiantes estilo James Bond já que em sua missão em campo não há aliados e o protagonista privado de sua memória só pode contar com seus instintos. Nos livros Bourne foge de seus empregadores, da justiça e trava um xadrez mental com o vilão Carlos, o Chacal, o terrorista mais letal do mundo inspirado em uma pessoa real, o mercenário e assassino venezuelano Ilich Ramirez Sanchéz, vulgo Chacal, que cumpre prisão perpétua na França. Nos filmes estrelados por Matt Damon, com exceção de alguns elementos dos livros toda a história foi reescrita.

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                  Já Clancy mostrou-se hábil em retratar os bastidores do Serviço de Inteligência Americano, e o uso de novas tecnologias com seu agente Jack Ryan. O autor foi elogiado pelo então presidente norte-americano Ronald Reagan na ocasião da publicação de “A Caçada ao Outubro Vermelho” . A ele se seguiram outros livros, todos adaptados para o cinema e vivido por 4 atores diferentes: Alec Baldwin, Harrison Ford (Jogos Patrióticos & Perigo Real e Imediato), Ben Affleck (A Soma de Todos os Medos) e , mais recentemente, Chris Pine no reboot “Operação Sombra:Jack Ryan”. O serviço de streaming Amazon Prime Video já lançou a série “Tom Clancy’s Jack Ryan” protagonizada por John Krasinski conseguindo impressionar pelo apuro na adaptação do rico material do autor em uma eletrizante série de ação.

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         Casos como o do analista de sistemas Edward Snowden (retratado no oscarizado documentário “Citizenfour”) que denunciou a máquina de espionagem e invasão de privacidade mostra que a vida real imita a arte, sem os requintes e o lado fantasioso de Hollywood, mas com o rigor de saber que há séculos vigilância e dissimulação fazem parte dos jogos de poder. Vigilância e tráfego de informações são ferramentas da manutenção da ordem mundial, já rendendo o vindouro filme “Snowden” que chega aos cinemas no final desse ano. Com isso não resta dúvidas de que  muitas guerras são travadas em meio às sombras que se estendem muito além do alcance dos olhos, pois na prática a supremacia dos jogos de guerra reside na estratégia de conhecer teu inimigo, tornando-se o próprio, planejando na escuridão e agindo rápido como um trovão e buscando um xeque-mate. Nisso, a literatura soube explorar melhor que o cinema.

IN MEMORIAN: ROGER MOORE

ROGER MOORE

LAMENTAMOS TODOS A MORTE DO ATOR ROGER MOORE. EU O CONHECI ANTES DE SUBSTITUIR SEAN CONNERY NO PAPEL DE 007. ERA A SÉRIE “PERSUADERS”, UMA PÉROLA DOS ANOS 70 NA QUAL O ATOR BRITÂNICO ATUAVA AO LADO DE TONY CURTIS. TAMBÉM LEMBRO DELE COMO SIMON TEMPLAR, O LADRÃO SOFISTICADO DE “O SANTO”. SIR ROGER MOORE FOI O INTÉRPRETE MAIS PROLÍFICO DE BOND, ATUANDO AO TODO EM 7 FILMES ENTRE 1973 E 1985. SEU CINISMO E PERSONALIDADE “LIGHT” FIRMARAM O PERSONAGEM AO LONGO DE UMA DÉCADA E MEIA. FOI O BOND QUE MENOS SE LEVAVA A SÉRIO, MAS QUE PARECIA SE DIVERTIR MAIS. SE POR UM LADO SALVAVA O MUNDO NOS FILMES, NA VIDA REAL TAMBÉM TENTAVA TENDO SE TORNADO EMBAIXADOR DA UNICEF, EM PROL DA CAUSA DAS CRIANÇAS DO MUNDO. QUE DESCANSE EM PAZ, O ESPIÃO QUE TODOS NÓS AMAVAMOS.

REDESCOBRINDO MORTADELO & SALAMINHO

Nem só de Marvel & DC vivem as histórias em quadrinhos. As décadas de 70 e 80 foram riquíssimas na variedade de títulos e personagens disponíveis nas bancas de jornal, que minha geração devorava. Entre eles lembro como morria de rir com dois agentes secretos atrapalhados que divertiam a criançada, e que hoje são nada conhecidos do grande público. Mortadelo & Salaminho estão em uma animação 3D que chega aos nossos cinemas com o prestígio de ter sido premiado com o Goya 2105 (o Oscar da Espanha) como melhor animação e melhor roteiro. Mas será que no Brasil poderá reacender o interesse por esses personagens que já divertiram toda uma geração ?

CAPA CLÁSSICA PELA RGE

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Criados em 1958 por Francisco Ibañez, ainda vivo hoje e com 80 anos, Mortadelo é o magrelo narigudo que é mestre dos disfarces aparecendo  como qualquer pessoa, objeto ou animal. Salaminho, baixinho e careca, é o chefe mas sempre sofre os revezes das ações de Mortadelo. Os personagens foram criados como uma paródia de Sherlock Holmes e Watson, mas também das agências de espionagem, e dos destemidos agentes secretos. Suas aventuras, curtas até 1969, são carregadas de ironia nas histórias como o nome da agência para a qual os heróis trabalham que se chama T.I.A (Técnicas de Investigações Avançadas), sátira óbvia da C.I.A, bem como da U.N.C.L.E  da popular série americana “O Agente da Uncle”. As histórias resvalam no surreal como os disfarces mirabolantes de Mortadelo como uma flor,uma bicicleta, bombeiro, violão, enfim sem limites físicos. Antes de publicá-los pela primeira vez na revista espanhola “Pulgarcito” , edição número 1394, Ibañes pensou em batizá-los de Mr.Cloro e Mr. Yesca, Ocarino e Pernales, Lentejo e Fideíno, até chegar aos nomes Mortadelo e Salaminho batizados pela editora Bruguera. A primeira história também tinha sub-título “Mortadelo & Filemón – Agencia de Información”, também acrescentado depois de cogitado possibilidades como “Agentes Especiales” e “Agentes Detestivescos”. É a partir de 1969 que as histórias agora desenvolvidas em uma narrativa mais longa abandona as referências a Holmes e Watson e abraça ao espírito de sátira à espionagem mais próxima da série de Tv “Agente 86” (Get Smart), extremamente popular na Espanha e no Brasil. Outros personagens vieram a se juntar à dupla como o Professor Saturnino Bactério que colocava os heróis nas situações mais absurdas causadas pela ineficácia dos aparelhos inventados pelo cientista abilolado, paródia do Q dos filmes de 007. Ainda aparecia Ofélia, uma secretária que era apaixonada por Mortadelo, da mesma forma que Moneypenny para Bond.

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No Brasil a série foi publicada pela Cedibra na coleção Ases do Humor entre 1969 e 1978 com 29 edições publicadas, e entre Janeiro de 1974 e Janeiro de 1983 pela RGE (atual Editora Globo) chegando a um total de 91 edições mais três almanaques. Em 2003 houve a produção live-action “Mortadelo & Salaminho : Agentes Quase Secretos” (La Gran Aventura de Mortadelo & Filemón” , de Javier Fesser com Benito Pocino e Pepe Viyuela nos papeis centrais e Janfri Topera como Professor Bacterio. A produção com orçamento de 7,500 euros foi bem recebida nas bilheterias da Espanha, mas no Brasil passou desapercebido. Lamentável que a dupla criada por Ibañez tenha se juntado a outros personagens que caíram no ostracismo no Brasil embora tenham sido extremamente populares no passado. Quem sabe não tenha chegado a hora da nova geração descobrir o prazer e a diversão desses personagens ? Nem só de heróis de ação vive o mundo imaginário dos quadrinhos.

 

BOND 17 : 007 CONTRA GOLDENEYE

UM ESCLARECIMENTO AOS AMIGOS LEITORES DO BLOG: QUANDO INICIEI ESSA SÉRIE DE ARTIGOS SOBRE OS FILMES DE 007 MINHA PRETENSÃO ERA COBRIR TODOS OS TÍTULOS, UM POR UM, ATÉ A DATA DA ESTRÉIA DE “007 CONTRA SPECTRE”. INFELIZMENTE NÃO FOI POSSÍVEL FAZÊ-LOS A TEMPO. AINDA ASSIM LHES DIGO QUE CONTINUAREI COM A MISSÃO TERMINANDO TODOS OS FILMES DA ERA BROSNAN E TAMBÉM TODOS OS FILMES DA ERA CRAIG, QUE PARECE TER CHEGADO FIM COM A CHEGADA DE “007 CONTRA SPECTRE”. AOS FÃS DO AGENTE SECRETO E AOS LEITORES DO BLOG AFIRMO QUE TEM AINDA MUITA COISA INTERESSANTE SOBRE OS BASTIDORES DESSA FRANQUIA MILIONÁRIO QUE NASCEU NA LITERATURA DE ESPIONAGEM E GANHOU PERSONALIDADE PRÓPRIA DENTRO DA HISTÓRIA DA SÉTIMA ARTE.  MUITOS PODEM ATÉ NÃO GOSTAR TANTO DE BOND, MAS NÃO HÁ COMO IGNORAR SUA IMPORTÂNCIA. ENTÃO RECOMEÇEMOS COM O 17º FILME DA SÉRIE E PRIMEIRO ESTRELADO POR PIERCE BROSNAN, DE PREFERÊNCIA SABOREANDO UMA TAÇA DE MARTINI, BATIDO E NÃO MEXIDO COMO O PERSONAGEM PEDE.

 

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Pierce Brosnan, Izabella Scorupco & Famke Janssen

Há exatos 20 anos James Bond voltou às telas repaginado para uma nova geração em “007 Contra  GoldenEye”. O mundo, no entanto, era muito diferente do que havia sido contextualizado para o personagem: Não havia mais a guerra fria, a cortina de ferro foi derrubada  e os interesses globais não mais se desdobravam em  ideologias bipolarizadas. O equilíbrio de forças no mundo ainda sofria seus revezes e aí é que entra Brosnan, Pierce Brosnan.  Pela primeira vez, um roteiro de 007 havia sido feito sem nenhuma ligação com os livros de Ian Fleming, desta vez nem mesmo o título. Foi também o primeiro vez sem a mão do roteirista Richard Maibaum que havia falecido durante o longo hiato entre o filme anterior “007 Permissão Para Matar” e o novo filme que fora planejado ainda com Timothy Dalton em mente. Este anunciara em 1994 que estava oficialmente fora, sem nenhum interesse de voltar ao papel.  Foram pensados para o papel nomes como Liam Neeson,  Mel Gibson, Sam Neill ,Hugh Grant e Ralph Fiennes (que mais tarde faria o papel de M a partir de “Skyfall”), até que Albert Broccoli escolhesse finalmente Pierce Brosnan que já havia sido cogitado para 007 na época de “007 Marcado Para a Morte” (The Living Daylights) de 1987, mas que acabou não sendo efetivado devido ao contrato que o ator tinha com a série de TV “Remington Steele”. Foi a última vez que Broccoli faria pessoalmente a escolha do ator para Bond, já que Broccoli viria a falecer pouco depois. Curiosamente, Brosnan havia sido casado com a atriz Cassandra Harris, que foi uma das Bond girls de Roger Moore em “007 somente para seus olhos” (For your eyes only).

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Os Vilões continuam ameaçadores, mesmo que um deles seja um nerd do mal (Alan Cummings) ao lado de Sean Bean, o traidor 006.

A história do novo filme mostra Bond enviado em missão para recuperar o Goldeneye, um sistema de satélites capaz de provocar pane em qualquer  circuito eletrônico do mundo, desde o mecanismo de um relógio ao mais sofisticado computador. O aparelho acaba caindo nas mãos da organização Janus, a máfia russa surgida dos escombros da antiga União Soviética e dos dissidentes da KGB. Bond enfrenta o General Ourumov (Gottfried John), sua assassina sádica Xenia Onatopp (Famke Jansen) e o agente traidor Alec Trevelyan (Sean Bean) que era amigo de Bond e que o conhece muito  bem. Bond conta apenas com a ajuda do agente da Cia Jack Wade (Joe Don Baker) e a operadora de sistema Natalya Simonova (Izabella Scorupco). No elenco de Bondgirls, Xenia ficou com a atriz holandesa Famke Jansen, que depois interpretou a mutante Jean Grey nos filmes da franquia “XMen”. Já Izabella Scorupco é atriz e cantora de origem polonesa. O maior adversário de Bond ficou o ator Sean Bean, que chegou a fazer teste para o papel de James Bond já na época de “007 Marcado Para a Morte” em 1987. O elenco de apoio foi renovado começando por M, o chefe de Bond, que ficou com a atriz Judy Dench. O único que manteve o papel foi Desmond Lewlley, o Q, gênio inventor por trás das traquinas bondianas. Presença digna de nota também é o nerd do mal vivido por Alan Cummings (o Noturno de X Men 2) que trai seus amigos e está a todo momento tentando se reafirmar dizendo “I am invincible” (Sou Invincível), incluindo do desfecho.

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M (Judy Dench) dá uma dura em 007 : “Você é um dinossauro sexista e misógino”

O filme foi dirigido por Martin Campbell que imprimiu um ritmo ágil que segura o interesse na trama, mantendo o tom mais sério iniciado na era Dalton. O resultado foi uma bilheteria mundial de mais de $ 350 milhões para um orçamento de $58 milhões. O roteiro acerta em cheio de forma a apresentar Bond para a geração 90 como na cena em que M (Dench) chama Bond de “dinossauro sexista misógino”, destacando o anacronismo da figura do super espião em um mundo onde o maniqueísmo deixou de ter sentido e as intrigas políticas abandonaram ideologias em favor de interesses econômicos.  A trilha sonora traz a voz de Tina Turner na canção de abertura, que quase foi gravada pelo grupo Rolling Stones. A banda sueca “Ace of Base” também foi cogitada, e depois descartada. Foi o primeiro filme de 007 a usar tecnologia digital, apesar de algumas sequências tradicionais como o mergulho de bungee-jumping na abertura do filme, a perseguição de tanques que levou seis meses para ser concluída e cenas de luta que dispensavam muitas vezes os dublês. Brosnan chegou a machucar sua mão em uma dessas cenas, e seu filho Christopher Brosnan usou a própria para emular a do agente. A sequência final na gigantesca antena foi filmada na mesma locação usada para o filme “Contato”, com Jodie Foster. O nome do filme ainda guarda uma referência ao criado do personagem já que “GoldenEye” foi o nome de uma operação de espionagem real na qual Ian Fleming se envolveu quando este trabalhava para a Inteligência Naval Britânica durante a segunda guerra. A operação tratava da possível invasão da Espanha por tropas nazistas. Quando Fleming se tornou um escritor bem sucedido, este usou o nome “GoldenEye” para batizar sua casa na Jamaica onde se desenvolvia seus livros.

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Bond & Simonova 

O sucesso nas bilheteria do filme de Martin Campbell restaurou o prestígio de franquia, se tornando a mais rentável desde “007 Contra o Foguete da Morte” (Moonraker) na era Moore, superando inclusive as duas incursões de Timothy Dalton no papel. Brosnan ficou com um contrato para mais três filmes.e sua licença para matar ou divertir foi renovada definitivamente.

BOND RETORNA AO BLOG EM “007 O AMANHÃ NUNCA MORRE”.

IAN FLEMING – O ESPIÃO QUE TODOS AMAM

Ian Fleming

Ian Fleming

Fleming, Ian Lancaster Fleming nasceu em Londres, em 28 de Maio de 1908, o segundo filho , dos quatro, do Major Valentine Fleming,  seguiu uma educação conservadora, tendo estudado no Eton College, tradicional escola britânica, onde também estudaram os príncipes William e Harry, atuais herdeiros da coroa britânica. Depois de Eton, Ian entrou para a Real Academia Militar de Sandhurst, mas, contrariando a vontade da mãe, não seguiu a carreira militar e deixou Sandhurst para estudar idiomas na Suíça, aprendendo a falar, fluentemente, o Francês, o Alemão e o Russo, o que foi fundamental mais tarde para os passos que daria até chegar ao seu sucesso editorial. Fleming viveu – ele próprio – as intrigas do período da guerra fria, já que trabalhou para o Serviço de Informações da Marinha Britânica, durante a Segunda Guerra, onde empregou sua incrível habilidade com idiomas. Fleming chegou a alcançar a patente de Capitão-de-Fragata (Commander). Fleming também foi jornalista, tendo trabalhado na agência Reuters, por três anos, e, depois da guerra, chegou à editoria internacional da Kemsley Newspapers, dos mesmos donos do Sunday Times.

Albert Broccoli, Ian Fleming, Sean Connery e Harry Staltzman (Da direita para a esquerda)

Albert Broccoli, Ian Fleming, Sean Connery e Harry Staltzman (Da direita para a esquerda)

Casou-se, em 1952, com Anne Rothermere e, nesse mesmo ano, tiveram seu único filho, Caspar. Nessa ocasião, já com residência fixada na Jamaica, escreveu a primeira aventura de James Bond, em um período de dois meses. Reza a lenda que Fleming teria batizado seu super agente com o nome de um ornitólogo, cujo livro (Birds of the West Indies), favorito de sua  esposa, era mantido na cabeceira da mesma. Contudo, “Dr. No” não foi o primeiro romance do super espião. Bond nasceu nas páginas de “Cassino Royale”, que veio a ser publicado em 1953 e foi o único livro da série não adquirido pelos produtores Harry Saltzman e Albert Broccoli. Este livro,  que teve uma tiragem inicial de 4 mil exemplares, surpreendeu o editor Jonathan Cape quando, em um ano, alcançou a marca de 10 mil exemplares vendidos, levando –é claro- Fleming a escrever outros romances. Fleming, também, escreveu o livro infantil “Chitty Chitty Bang Bang”, dedicado ao seu filho, e que foi adaptado para o cinema em 1968 (O Calhambeque Mágico), com Dick Van Dyke, Sally Ann Howes e Gert Frobe (o intérprete do vilão Auric Goldfinger, da 7ª história de Bond). Lamentavelmente, o filho de Ian Fleming morreria, em 1974, de uma overdose de drogas.

Sean Connery, Luciana Paluzzi e Adolfo Celi.

Sean Connery, Luciana Paluzzi e Adolfo Celi.

Os fãs mais novos de 007 talvez não saibam mas o novo filme do agente secreto (o 24º da série) coroa a volta de elementos literários que eram proibidos aos filmes. Tudo começou em 1959 quando o produtor Kevin McClory propôs uma história original para um filme de James Bond e que se chamaria “James Bond, Secret Agent” com Richard Burton no papel de 007. Um roteiro foi escrito por McClory, Jack Whittingham em conjunto com Fleming, e uma das ideias era que Bond deveria deixar de lado a SMERSH, a agência de contra-espionagem soviética (que aliás era baseada em uma agência real homônima), de forma a desvincular 007 da guerra-fria. McClory e Whittigham pensaram em uma organização apolítica, sem ligação direta com a antiga União Soviética, o que ampliaria o campo de ação das tramas. Assim nasceu a SPECTRE, como um adversário mais genérico em sua natureza, podendo se ajustar em qualquer contexto político global, mas com potencial destrutivo imenso. Seu líder seria o megalomaníaco Ernest Stravos Brofeld, criado para ser o nêmesis de Bond tal qual o professor Moriarty para Sherlock Holmes. Fleming aceitou a colaboração de McClory e Whittingham e interagiu com ambos durante um bom tempo, mas acabou mudando de ideia, assinando com Harry Saltzman e Albert Broccoli para a adaptação de todos os livros escritos por Fleming, deixando de fora do contrato apenas “Cassino Royale”, justamente o primeiro livro escrito por Fleming, e que havia sido adaptado para a Tv britânica em 1954 com Barry Nelson como 007 e Peter Lorre como o vilão Le Chiffre, um operativo da SMERSH.

Telly Savalas, uma das faces de Brofeld

Telly Savalas, uma das faces de Brofeld

Broccoli julgava a história meio parada, sem ação e por isso a ignorou, buscando no 5º livro escrito por Fleming, “Dr.No”, a história para a estreia cinematográfica de 007, ignorando também que o livro fazia menção a eventos ocorridos nos livros anteriores. A estreia de 007 nos cinemas aconteceu em Outubro de 1962 no Reino Unido e, somente sete meses depois nos Estados Unidos. No ano anterior, Fleming, contudo, utilizou as ideias de McClory (a organização SPECTRE substituindo os vilões comunistas e o vilão Brofeld, que foi batizado por Fleming com o sobrenome do pai de um amigo dos tempos de colégio etc…) para a história que passou a se chamar “Thunderball” e que publicou sem dar crédito a McClory e Whittingham.

Sean Connery em "Nunca Mais Outra Vez"

Sean Connery em “Nunca Mais Outra Vez”

A SPECTRE demonstrou-se tão funcional dentro das aventuras de 007 que os filmes de Broccoli passaram a mencioná-la em substituição a SMERSH, mas Brofeld nunca aparece completamente nos filmes, ficando como um manipulador de todos os eventos. Para os fans ele era apenas um vulto com um gato persa no colo (satirizado décadas mais tarde por Mike Myers e seu Dr.Evil) que era feito nos primeiros filmes por Anthony Dawson até que Donald Pleasance, Telly Savalas e Charles Grey vivessem o personagem respectivamente no 5º, 6º e 7º filme da série.

O sucesso de vendas do livro “Thunderball”, com uma tiragem de mais de 50 mil exemplares,  levou Broccoli a adaptá-lo como o quarto filme da série. No Brasil, o livro foi inicialmente batizado de “Operação Relâmpago” e editado pela Civilização Brasileira ainda em 1961, sendo rebatizado a partir de 1965 de “Chantagem Atômica” assim como o filme dirigido por Guy Hamilton. O filme deixaria de fora o passado de Brofeld, explicado no livro e troca o nome de uma das principais assassinas sob suas ordens, Fatima Blush, que no filme tornou-se Fiona, interpretado pela atriz Luciana Paluzzi. Dois anos antes da estreia do filme, um acordo feito fora dos tribunais deu a Fleming os direitos sobre o livro e a McClory o crédito de produtor ( no lugar de Broccoli & Saltzman) e escritor do texto original, além do direito de refilmar a história depois de um período de 10 anos.

Fleming voltou a citar a SPECTRE nos livros escritos na sequência : “O Espião que me Amava” (1962), “A Serviço de Sua Majestade” (1963), e “A Morte no Japão” (You Only Live Twice), mas a saúde do autor havia debilitado muito e o processo judicial movido por McClory lhe garantiu uma indenização de 50 mil libras de indenização. Para Fleming, o desgaste emocional da peleja legal contribuiu para o ataque cardíaco fatal que sofrera em 12 de Agosto de 1964.

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As adaptações de seus livros se seguiram, mas a relação entre McClory e a EON Productions de Albert Broccoli se deteriorou ainda mais com o primeiro vetando qualquer menção a SPECTRE e Brofeld nos filmes que se seguiram após “007 Os Diamantes São Eternos” (Diamonds are Forever)   de 1970, onde Brofeld foi interpretado por Charles Grey. Broccoli, por sua vez, usou de todos os recursos a sua disposição para impugnar os direitos de refilmagem de “Thunderball” concedidos a McClory. Em 1981, como uma resposta a McClory de que 007 era maior que sua contribuição, Broccoli produz “007 Somente Para seus Olhos” (For Your Eyes Only”) onde Bond (Roger Moore) mata Brofeld, sem que seu nome seja mencionado e sem que seu rosto seja visto.

O novo filme: A volta da Spectre

O novo filme: A volta da Spectre

McClory eventualmente conseguiu fazer sua refilmagem em 1984, se associando ao produtor Jack Schwartzman e rebatizando o filme de “Nunca Mais Outra Vez” (Never Say Never Again) trazendo Sean Connery de volta ao personagem e justificando o título escolhido (Connery havia prometido antes nunca mais interpretar Bond) depois que Broccoli conseguiu proibir judicialmente que McClory usasse o nome “James Bond” ou o código famoso 007 no nome de sua versão. Também não poderia usar a célebre sequência em que Bond atira na direção da câmera, nem usar o clássico tema musical de Monty Norman e John Barry. Curiosamente, a EON pictures lançou pouco antes de MacClory seu filme tido como oficial “007 Contra Octopussy” (Octopussy) com Roger Moore que se saiu melhor na bilheteria que a refilmagem de MacClory. Depois de anos sem ouvir falar da SPECTRE ou Brofeld novamente em qualquer filme, todos os fans foram pegos de surpresa quando foi anunciado o nome do novo filme com Daniel Craig, uma vez que MacClory já havia falecido, permitindo a EON Pictures negociar com os herdeiros dele a utilização desses elementos que comprovam a ideia inicial de que Bond deveria estar acima da guerra fria, livre das amarras da contextualização em que foi inicialmente criado, mas ainda a serviço do equilíbrio de forças em um mundo em que, mais de 50 anos depois de sua criação, ainda precisa de 007 para lutar contra as forças do mal.

BOND 13 1/2 : NUNCA MAIS OUTRA VEZ

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Para entender melhor como um filme de 007 pôde ser feito sem nenhum vinculo com a série oficial é necessário volta ao final dos anos 50, quando o interesse pelos livros de Ian Fleming despertou o interesse de Hollywood.  O produtor irlandês Kevin McClory procurou Fleming com a proposta de desenvolverem juntos uma história então inédita, sem conexão com os livros já editados. O roteiro original seria a primeira produção de cinema com o personagem de James Bond. McClory e Fleming se juntaram com o roteirista Jack Whittigham e criaram o conceito da SPECTRE (Special Executive for Counter-Intelligence Terrorism Revenge & Extortion) – uma organização criminosa internacional oposta ao que representa o MI6 liderada pelo maléfico Ernest Stravos Brofeld. Na história, Largo é o segundo em comando e tem a seu serviço duas belas mulheres: A fatal Fatima Blush, assassina fria e Domino, sua protegida. A ideia de McClory era desconectar os vilões do perfil caricatural representado pela SMERSH nos primeiros livros, que prendia as tramas ao convencionalismo da guerra fria onde a União Soviética era o Império do mal.

Sean Connery & Barbara Carrera

Sean Connery & Barbara Carrera

Contudo, Fleming fechou acordo com Albert Broccoli & Harry Saltzman para adaptar seus livros e abortou o compromisso verbal com McClory. Isso não o impediu de utilizar as ideias desenvolvidas em conjunto com McClory e Whittigham (sem creditá-los) em um novo romance entitulado “Thunderball” publicado em 1961 e adaptado por Broccoli em 1965. McClory entrou com um  processo judicial que levou três anos para se resolver, concluindo com um pagamento de indenização aos co-criadores excluídos por Fleming, os direitos dos personagens por estes idealizados, o credito de produtor associado em “007 Contra a Chantagem Atômica” e a garantia de refilmá-lo depois de 12 anos do lançamento deste. Ao longo das duas décadas seguintes, a relação entre McClory e Broccoli se deteriorou, com diversas negociações frustradas que impediam Broccoli de usar nos filmes de Bond os elementos criados por McClory. Este por sua vez esbarrava em diversos obstáculos para seguir com sua refilmagem, o que só começou a se concretizar quando o produtor Jack Schwartzman, da Warner Brothers, entrou no projeto que deveria se chamar – a princípio – “James Bond of The Secret Service”, mas a EON Pictures impugnou o título por ser muito semelhante a “On Her Majesty’s Secret Service”, filmado em 1969. A EON Pictures conseguiu impor também as seguintes restrições : McClory não poderia usar o nome do personagem no título do filme, nem mesmo o código 007, não poderia também usar a clássica sequência de tiro na direção da câmera empregada no início de todos os filmes de 007. De forma a se distanciar ainda mais, o roteirista contratado por McClory, Lorenzo Semple Jr (o mesmo da série clássica de “Batman”) se baseou no roteiro original de McClory,  e não no roteiro filmado em 1965 para “007 Contra a Chantagem Atômica”.

Bond encontra o futuro Johnny English

Bond encontra o futuro Johnny English

Apesar de pensarem primeiro em George Lazenby para voltar ao papel de James Bond, os produtores conseguiram o impossível: Convenceram Sean Connery a voltar ao papel, que dissera doze anos antes, que jamais interpretaria novamente. Connery aceitou com a condição de que seu Bond deveria ter a mesma idade que ele (na época 52 anos) e por isso, o filme começa com seu personagem aposentado do serviço secreto, mas tendo que voltar à ativa depois de um atentado contra sua vida. Connery contribuiu com várias ideias para o roteiro e fez diversas sugestões na escalação do elenco como o premiado ator austríaco Klaus Maria Bandauer para o papel de Largo e Max Von Sydow (ator de diversos filmes de Ingmar Begrman) como Brofeld. As filmagens ocorreram em Monte Carlo, no sul da França, em Nassau e na Inglaterra com direção de Irving Keshner (do excelente “O Império Contra Ataca”) depois da recusa de Richard Dooner (Máquina Mortífera, Superman o Filme ) . Na sequência submarina filmada nas Bahamas a equipe passou por perigos reais como o surgimento de tubarões e uma imensa caverna submersa que poderia ameaçar a segurança de elenco e membros da equipe de filmagem. O compositor francês Michel Legrand (duas vezes Oscarizado) ficou responsável pela trilha sonora do filme que veio a ser batizado por sugestão da esposa de Sean Connery como “Never Say Never Again” , em vista da recusa de Connery em voltar ao papel que lhe dera fama e para o qual estava afinal de volta. O elenco ainda traria Rowan Atikinson (o Mr.Bean) em seu primeiro papel no cinema e a ex modelo Kim Basinger (Batman, Los Angeles Cidade Proibida) em um de seus primeiros papéis na telona. Um dos papéis de grande destaque no filme ficou com Barbara Carrera, a atriz nicaraguense que foi uma das modelos mãos bem pagas do mundo recusou o papel de Octopussy para trabalhar com Sean Connery, ficando com o papel da assassina Fatima Blush. Conta-se que a atriz teria dispensado a necessidade de dublê de corpo para filmar as cenas de amor com Connery.

Connery & Kim Basinger

Connery & Kim Basinger

O filme estreou no circuito quatro meses depois de “007 Contra Octopussy”, anunciado como a volta do verdadeiro James Bond, uma batalha de marketing que nunca foi vista, nem mesmo quando a primeira versão de “Cassino Royale” chegou aos cinemas em 1967, na mesma época que “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes”, já que o primeiro era praticamente uma paródia. A mídia, em 1983, anunciava como “Bond vs Bond”, um duelo de produções rivais na qual o filme de BRoccoli se saiu melhor, rendendo internacionalmente em torno de $187 milhões contra $163 milhões do filme de McClory. Este chegou aos cinemas brasileiros em 30 de dezembro de 1983, sendo a última vez que os nomes James Bond e Spectre foram usados em uma mesma produção, até agora com o novo filme anunciado com Daniel Craig que retoma esses elementos, finalmente adquiridos pela EON Pictures depois da morte de Kevin McClory em 2006.

BOND 11 : 007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE

No final dos anos 70, os produtores desistiram de filmar “007 Somente Para Seus Olhos”, conforme anunciado no final do filme anterior e decidiram que a 11ª aventura de Bond deveria se passar no espaço, isso devido ao novo boom de ficção científica provocado pelo fenômeno “Star Wars”. O único livro de Ian Fleming que se encaixava em uma adaptação dessas era “Moonraker”, escrito em 1955 como a 3º aventura literária de Bond. Contudo, livro e filme seriam completamente distintos um do outro.

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No livro, Bond investiga o desaparecimento de um foguete experimental (muito antes do auge da corrida espacial ou mesmo da missão Apollo 11) que é desenvolvido com o propósito de lançar uma ogiva nuclear para destruir Londres. Contudo, toda a história se passa na Terra e Bond, em momento algum, pisa em um foguete, ou vai ao espaço. No filme, o “Moonraker” é um ônibus espacial norte-americano emprestado aos britânicos que desaparece misteriosamente. A investigação leva Bond às Industrias Drax que pretende lançar um vírus mortal para dizimar a raça humana, salvando apenas aqueles que julgar merecedores para construir um novo mundo. O vilão Hugo Drax (Michael Lonsdale) foi criado por Ian Fleming tendo em mente o vilão Robur do livro de Jules Verne “Master of the World”. Na verdade, a trama é quase uma variação do mesmo tema do filme anterior (007 O Espião Que me Amava) só que trocando o mar pelo espaço na visão megalomaníaca do vilão. O filme ainda traz de volta o capanga Jaws (Dentes-de-aço) que se redime ao final. No livro, no entanto, não tem Jaws, nem a Dra.Holly Goodhead (a Bond girl do livro se chama Gala Brand) e nem tem a passagem de Bond  pelo Brasil.

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ROGER MOORE & LOIS CHILES

Esta foi filmada no Pão de Açúcar onde Bond (Moore) e a Dra.Goodhead (Lois Chiles, que estava grávida na época das filmagens) são encurralados dentro do bondinho, mas escapam da morte certa quando deslizam pelos cabos antes que o terrível Jaws os parta com os dentes. O roteiro de Christopher Wood ainda coloca Bond no meio das ruas cariocas em pleno Carnaval, em uma representação caricatural que em nada colabora para o bom desenvolvimento da trama. A direção ficou a cargo de Lewis Gilbert, que dirigira outros dois filmes da franquia (Com 007 Só se Vive Duas Vezes e 007 O Espião Que Me Amava) e na trilha sonora, Shirley Bassey retorna pela terceira vez para cantar a música-tema (É dela a voz na abertura de Goldfinger e Os Diamantes São Eternos) depois de Frank Sinatra e Johnny Mathis serem inicialmente escolhidos e depois desistirem. Outra quase escolha para gravar a canção tema foi a cantora britânica Kate Bush.

AÇÃO NO PÃO DE AÇUCAR

AÇÃO NO PÃO DE AÇUCAR

Foi o último filme de Bernard Lee como M, o chefe de Bond, que falecera pouco tempo depois antes de se iniciar a produção do filme seguinte. Quando as filmagens de “007 Contra o Foguete da Morte” começaram a NASA ainda não tinha terminado o design do Ônibus Espacial: O Columbia ainda não havia sido construído e o Enterprise ainda faria seu primeiro teste de vôo. O roteirista Tom Mankiewicz chegou a escrever um outro roteiro para o filme, sendo algumas de suas ideias seriam reaproveitadas para “007 Contra Octopussy” e “007 Na Mira dos Assassinos”. O que muitos não sabem é que a atriz brasileira Adele Fátima chegou a filmar como a personagem Manuela, mas teve suas cenas com Roger Moore cortadas e substituídas por Emily Bolton. Segundo algumas fontes, o motivo da troca seria ciúmes da esposa de Roger Moore. Curiosamente, no filme Roger Moore teria uma cena de amor com a atriz francesa Corinne Clery, que interpreta a assistente de Hugo Drax, e que protagonizou o clássico do masoquismo no cinema “A História de O”

HUGO DRAX

HUGO DRAX

Apesar de ser um filme fraco, o filme lucrou bastante, tendo custado em torno de $34 milhões,  mais do que a soma dos 6 filmes produzidos pela EON  e tendo tido um retorno fabuloso na bilheteria mundial de mais de $200 milhões de dólares, números que seriam superados apenas em 1995 com “007 Contra Goldeneye”. Bond retorna dois anos depois em “007 Somente Para Seus Olhos”.

TRAILLER : 007 CONTRA SPECTRE (5 DE NOVEMBRO NOS CINEMAS)

SINOPSE OFICIAL DIVULGADA EM 21 DE JULHO PELA SONY PICTURES :

Uma mensagem enigmática do passado leva James Bond à uma missão secreta na Cidade do México e, eventualmente, para Roma, onde ele conhece Lucia Sciarra (Monica Bellucci), a bela e proibida viúva de um infame criminoso. Bond infiltra-se uma reunião secreta e descobre a existência da sinistra organização conhecida como SPECTRE. Enquanto isso, em Londres, Max Denbigh (Andrew Scott), novo chefe do Centro de Segurança Nacional, questiona as ações de Bond e desafia a relevância do MI6, liderado por M (Ralph Fiennes). Bond secretamente recruta Moneypenny (Naomie Harris) e Q (Ben Whishaw) para ajudá-lo a contatar Madeleine Swann (Léa Seydoux), filha de seu antigo inimigo Mr. White (Jesper Christensen), que pode ter uma pista para desembaraçar a teia de SPECTRE. Como é filha de um assassino, ela compreende Bond de uma maneira que a maioria dos outros não conseguem. Conforme Bond segue em busca do coração de SPECTRE, ele desvenda a arrepiante conexão entre ele e o inimigo que procura, interpretado por Christoph Waltz.

BOND 9 – 007 CONTRA O HOMEM DA PISTOLA DE OURO

BOND 9 GIELS

O 9º filme da série 007 é o 13º livro escrito por Ian Fleming, publicado postumamente já que o autor falecera em Agosto de 1964, oito meses antes do lançamento do livro que foi finalizado por um autor fantasma, segundo algumas fontes. A história também foi completamente modificada na adaptação escrita por Richard Maibaum e Tom Mankiewics que praticamente só aproveitaram o nome do livro e o nome dos personagens principais, alterando tudo.

No livro, que dá sequência aos eventos de ” A Morte no Japão ” (o livro que gerou “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes”) um Bond desmemoriado sofre lavagem cerebral e é enviado de volta a Londres programado para matar M. Bond é preso e desprogramado, mas perde a confiança de seus superiores. Para provar seu valor, Bond é enviado de volta a Jamaica com a missão de matar Francisco Scaramanga, cuja organização está envolvida com tráfico de drogas, rede de prostituição e um mirabolante plano para desestabilizar a economia ocidental. O tom do livro é extremamente sério com traição, conspiradores e Bond tendo que provar seu valor ao seu governo e  para si mesmo, contando com a ajuda de seu amigo da CIA Felix Leiter (retirado da história na adaptação para o cinema) e a Bond girl Mary Goodnight, que aparece em outros livros de Fleming como a secretária pessoal de Bond.

007 GOLDEN GUN

No filme, o antagonismo entre Bond e Scaramanga se resume a uma rivalidade superficial para saber quem é o melhor em seu ofício: matar. Scaramanga tem um assistente, o pequeno Nick Nack (Herve Villecheize o Tattoo da “Ilha da Fantasia”) que não existe no livro. No filme, os roteiristas ainda inventaram uma fonte de energia solar transformada por Scaramanga em uma arma mortífera. Além de Goodnight, Bond corteja a bela Andrea Anders, amante de Scaramanga, interpretada pela atriz Maud Addams, que seria a principal Bond girl 10 anos depois em “007 Contra Octopussy” . A trama extremamente rasa mesmo se tratando de um filme de ação descamba para um humor forçado com a volta do Xerife Pepper (Clifton James) que aparecera no filme anterior. Outra modificação no filme foi a transferência da ação da Jamaica (no livro) para a Tailândia.

As filmagens foram atribuladas para o diretor Guy Hamilton em seu 3º e último filme da série. Este, segundo o próprio Roger Moore, queira um tom mais sério para a trama e desejava ver um Bond mais seco e frio o que deixava Moore descontente. O papel de Scaramanga (o assassino com três mamilos, anomalia genética rara porém real) foi oferecido inicialmente a Jack Palance (Acredite se quiser, lembram ?) antes de Christopher Lee (recentemente falecido) que obteve fama mundial como Drácula, e que era na vida real primo de Ian Fleming. A sueca Britt Ekland (na época casada com Peter Sellers) foi contratada para o papel que ficou com Maud Addams, mas Guy Hamilton mudou de ideia quando viu fotos de Britt Ekland de bikini. O filme foi a primeira aventura de Bond exibida na Russia e marcou o fim da parceria entre Broccoli & Saltzman, já que este passava por sérios problemas financeiros e precisou vender sua parte na sociedade.

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Embora seja um filme fraco, ainda tem a curiosidade de assistir o sempre ótimo Christopher Lee no papel de vilão. Lamenta-se que os produtores deixaram muita coisa do material original de Fleming de fora e mesmo a questão energética abordada é por demais superficial e não sustenta a trama adaptada. Com todos os problemas das filmagens, Brocolli retardou o inicio do filme seguinte em quase três anos. É claro essa já é outra história.

JAMES BOND RETORNA AO BLOG NA PRÓXIMA SEMANA COM “007 O ESPIÃO QUE ME AMAVA”.

NAS BANCAS : CONHECIMENTOS PRÁTICOS LITERATURA ED.61

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AMIGOS, CHEGOU ÀS BANCAS NA SEMANA PASSADA A 61ª EDIÇÃO DA REVISTA “CONHECIMENTO PRÁTICO : LITERATURA” (EDITORA ESCALA) DA QUAL SOU FREQUENTE COLABORADOR. DESTA VEZ O MEU ARTIGO PUBLICADO GIRA EM TORNO DOS ESPIÕES NO CINEMA E NA LITERATURA, COM DESTAQUE PARA O ESPIÃO FAVORITO DE TODOS, JAMES BOND, MAS BUSCANDO OUTROS AUTORES E OBRAS QUE MERECEM SER LIDOS E CONHECIDOS POR OCUPAREM LUGAR ESPACIAL NO IMAGINÁRIO DO PÚBLICO. A REVISTA TAMBÉM TRÁS MATÉRIA DE CAPA SOBRE JOSÉ SARAMAGO, SEMPRE UM PRAZER A SER LIDO  E QUEM SABE DESCOBERTO POR QUEM AINDA NÃO TEVE A OPORTUNIDADE DE LER SUAS OBRAS. FICA AQUI O RECADO: COMPREM, LEIAM E OBRIGADO SEMPRE POR TODO O APOIO.

ADILSON DE CARVALHO SANTOS