GRANDE ESTREIA: ALITA ANJO DE COMBATE

ALITA          A nova heroína de Hollywood não é da DC nem da Marvel e já chega causando sensação seja pela impressionante técnica empregada por seus realizadores ou pela mistura de inocência e bravura de sua protagonista, uma cyborg desmemoriada que pode guardar a chave para nos salvar de um futuro distópico. A união dos talentos de James Cameron (Titanic, Avatar) e Robert Rodriguez (Sin City, Pequenos Espiões) nos traz “Alita – Anjo de Combate” (Alita: Battle Angel) baseado no mangá “Gunnm” de Yukito Kishiro.  Foi Guilhermo del Toro quem recomendou a obra para Cameron, que estava ocupado com o projeto que se tornaria “ Avatar”. A princípio o próprio Cameron dirigiria o filme, mas estando ocupado com as sequências do mundo de Pandora não havia espaço livre em sua agenda. Rodriguez enxugou o roteiro, co-escrito pelo próprio Mr. Avatar, ficando com cerca de 125 páginas, assumindo a cadeira de diretor, auxiliado é claro pela supervisão de Cameron que deixou várias anotações.

ALITA2

            O resultado é uma mistura de ficção científica e ação, seguindo a estética cyberpunk com humor e até romance. O mangá de Kishiro foi originalmente lançado entre 1990 e 1995, e só chegou ao Brasil em 2002 rebatizado “Alita Battle Angel Gunnm”, mas problemas com o licenciamento interromperam sua continuação pela editora Opera Graphica.  No ano seguinte a JBC republicou na íntegra o material, dividido em 9 volumes, rebatizando de “Gunnm – Hyper Future Vision”. Uma vez que os mangás  se tornaram parte da cultura pop mundial, era questão de tempo para que Alita, ou Gunnm , tivesse uma adaptação para o cinema tal qual obras como “Ghost in The Shell”, “Akira” e “Fullmetal Alchemist”, que foram vertidos em animes ou versões live-action, com resultados variados. Não somente na narrativa como também no visual, os mangás carregam uma aura facilmente identificada com a linguagem cinematográfica. Conforme o próprio autor de livros e hqs Scott McCloud observou “os mangás são mestres em combinar os personagens com os ambientes produzindo um efeito bastante realista, destacando a expressividade dos rostos.” Por isso, os personagens sempre são desenhados com olhos grandes, o que Cameron pediu que fosse feito com o rosto da atriz Rosa Salazar, depois que seus traços fossem capturados digitalmente. A Alita do filme é propositalmente um personagem de mangá em 3D, contracenando com os demais personagens em live action, o que inclui atores conhecidos como Jennifer Connelly (Uma Mente Brilhante), Michelle Rodriguez (Velozes & Furiosos)  e Christophe Waltz (Django Livre, Bastardos Inglorios). O personagem de Waltz é o Dr. Dyson Ido, que no mangá original se chama Daisuki Ido. Ele é o cientista especializado em órgãos artificiais e robótica que encontra o corpo de Alita destruído e o recompõe, adotando-a como sua filha adotiva.

ALITAMANGA

           A personagem Alita é descrita como um robô com cérebro humano, máquina com consciência e valores morais. Em sua jornada ela mantem a inocência em seu coração, mas a bravura para usar sua força e habilidades com violência se necessário na sua luta por justiça. Tais sentimentos contrastam com a frieza do vilão Vector (personagem do ator oscarizado Mahershala Ali) ardiloso na disputa de Motorball, um esporte futurista brutal e desprovido de piedade. No mangá  a passagem pelo Motorball , extraída dos livros 3 e 4,  é essencial para o desenvolvimento de Alita em sua luta. A história ainda abre espaço para um retrato dicotômico da sociedade: Zalem é a cidade suspensa nas nuvens, que possui toda a tecnologia e recursos financeiros, enquanto a Cidade da Sucata (Iron City) na superfície é um imenso ferro velho, desolado e entregue aos desafortunados. O paralelo com a realidade foi propositalmente pensado e, o próprio James Cameron disse em recente entrevista que se inspirou em favelas brasileiras para o visual da Cidade da Sucata.

ALITA4

          Tanto James Cameron quanto Robert Rodriguez se esforçaram para conceber o filme como um produto híbrido, parte live-action, parte animação digital, fazendo uso convincente da tecnologia de captura de movimento que transforma Rosa Salazar em uma personagem empoderada, bem ao gosto das plateias, traçando a clássica jornada do herói, mas sem grandes surpresas, mas deixando claras pistas de possíveis sequências, até porque o filme só explora a os 4 primeiros livros da obra de Kishiro. Em 2001, o autor decidiu continuar a história e lançou “Gunnm: Last Order” em 19 volumes ignorando alguns dos principais eventos do encerramento da série original. A sequência está nos planos de publicação para esse ano, anunciada em versão reduzida de 12 volumes, tal qual sua reedição posterior.  A criação de Kishiro ainda gerou uma animação lançada diretamente em vídeo em junho de 1993 com dois episódios.

ALITA5

                  Embora seja possível encontrar referências a filmes como “Mad Max” e “Blade Runner”, a virtude do mangá de Kishiro é ainda mais complexa que a do filme pois faz de sua protagonista um modelo de humanidade que não aceita se extinguir à sombra da máquina. Talvez por isso tenha se projetado com tanto sucesso na Europa e na América, como um lembrete de que a tecnologia deve servir ao homem e não ser servida por ele. A discussão não é nova e nos acompanha a medida que evoluímos, mesmo que muitos nem se lembrem do romance “Cyborg” de Martin Caidin, de 1972, ou de sua adaptação para Tv “O Homem de Seis Milhões de Dólares”. Tanto Caidin quanto Kishiro são defensores de que são os sentimentos que nos diferem da máquina e esse combate travamos o tempo todo.

 

 

CLÁSSICO REVISITADO: ALIEN O 8º PASSAGEIRO / 40 ANOS

alien 2

         Deixe de lado as narrativas poéticas de Flash Gordon, Star Trek e produtos semelhantes. O espaço não é um lugar favorável para se visitar e as formas de vida encontradas estão longe de ser cerebrais como o Sr.Spock ou formosas igual às heroínas de fantasias escapistas. No espaço ninguém nos ouviria gritar uma vez que o som não se propaga no vácuo, e a vida não se cria amigável e hospitaleira. Na sala de cinema foi o grito do público que popularizou a figura de uma criatura xenomorfa como um dos maiores monstros do cinema. A ideia de Dan O’Bannon, roteirizada pelo próprio em conjunto com Richard Shusett, veio a se tornar o primeiro “Alien” (1979) subentitulado no Brasil “o oitavo passageiro”. O’Bannon já havia ensaiado a historia de um organismo estranho à bordo de uma nave em “Dark Star” (1975) de John Carpenter, mas as raízes do filme que “Alien” se tornaria foram plantadas nos filme B dos anos 50 e 60 em títulos como “The Quartemass Experiment” (1953) e “The Thing from Outer Space” (1951). O filme de Ridley Scott trabalhou as sementes deixadas por essas pérolas e as elevou a um patamar de excelência, mexendo como nosso medo do desconhecido.

alien 3.jpg

            O filme dirigido por Ridley Scott potencializou o tema bebendo da lição spielbiguiana de mostrar pouco e insinuar muito a medida que incita o público a imaginar como seria sua criatura no final. Não à toma o renomado crítico Roger Ebbert comparou”Alien” a “Tubarão” (Jaws), lançado quatro anos antes. A narrativa de Scott  começa silenciosa, mas cresce a tensão gradativamente conforme a tripulação da Nostromo (nome que foi retirado de um poema de Joseph Conrad) é eliminada tal qual os personagens de “O Caso dos dez negrinhos” (Ten Little Indians) clássico livro de Agatha Christie. Curiosamente, o personagem de Ripley (Sigourney Weaver) assume o protagonismo de forma despretensiosa, lançando a carreira da atriz então aos 30 anos. O filme de Scott fez o nome de Sigourney Weaver conhecido e estabeleceu um padrão mixto de terror e ficção constantemente imitado, mas jamais igualado, nem mesmo as sequências da franquia imprimem o mesmo impacto. Antes de “Alien”, Scott só tinha feito um filme, o ótimo “Os Duelistas”, de 1977, pelo qual foi premiado em Cannes, além de trabalhos na TV. Hoje, Scott é renomado com 50 créditos como diretor, fora seus trabalhos como produtor e prêmios como o Globo de Ouro de melhor diretor por “Perdido em Marte” em 2016, além de diversas indicações a honrarias como o Oscar, O Cesar (Oscar Francês), o BAFTA e o Emmy.

alien poster

           O visual assustador da criatura foi idealizado pelo artista gráfico H.R. Giger (1940 – 2014) que deu ao xenomorfo a cabeça alongada e a forma humanoide, cujo traje coube ao renomado técnico Carlo Rambaldi (1925-2012), o mesmo responsável por “King Kong” (1976) e “E.T” (1982), que ficou com a tarefa de fazer o movimento da criatura e a projeção da mandíbula interna algo aterrador, o que conseguiu fazendo por merecer o Oscar de melhor efeitos visuais. Na era pré-digital coube ao nigeliano Bolaji Bandejo (1953/1992) vestir o traje que lhe deu seu único crédito como ator. A bilheteria de $78.900.000, cerca de seis vezes mais do que seu orçamento original, convenceu a Twentieth Century Fox a continuar a história, mas problemas internos no estúdio atrasaram os planos que se concretizariam tempos mais tarde como “Aliens – o Resgate”, mas isso já é outra história. Só não pense que acabou, pois certamente em breve teremos um novo capitulo a revisitar a obra de 1979 que chega a completar em agosto desse ano 40 anos de seu lançamento no Brasil.

PREDADOR – TODOS OS FILMES & HQS

             Nos anos 80, dois monstros, que bem mais tarde viriam a se confrontar nas telas, caíram no gosto e na imaginação popular. Na década em que E.T de Spielberg fez da figura alienígena uma fábula moderna, tivemos os xenomorfos de “Alien” e o caçador de “Predador”.

PREDADOR

              Era a segunda metade dos anos 80 e os irmãos Jim e John Thomas tiveram a ideia de usar a truculência de Rambo contra um alienígena em um lugar ermo e selvagem. Batizado de “Hunter” (Caçador), o roteiro chegou até os escritórios da 20th Century Fox, e daí até as mãos de Arnold Scwarzenegger, um dos astros de ação da década recém-saído de sucessos como “Comando Para Matar” e “Exterminador do Futuro”. O ex fisioculturista gostou do roteiro, mas discordou da ideia inicial dos irmãos Thomas de ter um único protagonista. Por sua sugestão foi acrescentado uma equipe de soldados de elite, um a um sendo caçados nas selvas da Guatemala pela criatura. Esta pouco aparece no início, se camuflando de forma impressionante graças aos efeitos especiais do técnico Stan Winston (1946-2008), que já havia trabalhado com Schwarzenegger em “O Exterminador do Futuro” (1984). Quando Winston entrou no projeto, algumas cenas já haviam sido filmadas com Jean-Claude Van Damme vestindo uma roupa bem diferente. O produtor Joel Silver o demitira, segundo consta porque não parava de usar golpes de kickboxing. Além disso a roupa precisaria ser toda redesenhada e as filmagens precisaram ser suspensas para que Winston redefinisse o visual da criatura, o que fez com a colaboração de James Cameron. Foi o diretor de “O Exterminador do Futuro” quem sugeriu a Winston a mandíbula retrátil do monstro.

PREDADOR 2

           O diretor John McTiernan só havia feito um único trabalho antes e “Predador” foi seu primeiro trabalho de grande orçamento, estimado em torno de US$15 milhões. O filme seria enfim um mixto de ação, ficção científica e terror ao som de “Long Tall Sally” de Little Richard a medida que a equipe do Major Dutch Schaffer (Schwarzengger) se aproxima de sua fatídica missão. Além de Arnold, o elenco tem Carl Weathers, mundialmente conhecido como o Apollo Creed da série Rocky, Jesse Ventura, ex lutador que tornou-se governador de Minnesota em 1998 e Shane Black, ator, diretor e roteirista. Black é o responsável pelo novo “Predador” além de um dos melhores roteiristas de filmes de ação, tendo escrito o roteiro de “Máquina Mortífera”. Já a criatura, depois da demissão de Van Damme, ficou com Kevin Peter Hall que também aparece no filme como o piloto do helicóptero de resgate. O elenco precisou suportar diversos inconvenientes como o calor das locações, a humidade, animais como cobras, escorpiões e sangue-sugas. A dedicação de Arnold era notável filmando sua participação poucas horas antes do ensaio para seu casamento com Maria Shriver. Anos mais tarde o programa “Caçadores de Mitos” desmistificou que cobrir o corpo com lama conseguiria ocultar o calor como Dutch faz para se esconder da criatura, depois que esta mata toda sua equipe e prova que o musculoso astro não é tão indestrutível como seus outros papeis sugeriram.

PREDADOR 3

         Claro que a bilheteria de quase US$60 milhões só em território americano indicaria uma sequência, mas a Fox só se convenceu de fato quando os quadrinhos publicados pela editora Dark Horse popularizaram ainda mais o monstro caçador. Contudo, McTiernan cobrou alto demais para retornar e a Fox, decidida a reduzir o orçamento da continuação, se recusou. McTiernan preferiu fazer “A Caçada ao Outubro Vermelho” (1990) e Stephen Hopkins (A Hora do Pesadelo 5) assumiu a realização de “Predador 2 – A Caçada Continua”, sem Schwarzenegger que não aprovou a mudança da selva para o ambiente urbano de uma metrópole futurista. O estúdio queria Steven Seagal para substituir Arnold, mas Danny Glover e Gary Busey foram contratados para o elenco com Kevin Peter Hall repetindo o papel da criatura, uma outra do planeta natal dos caçadores. Uma das ideias difundidas nos quadrinhos da Dark Horse foi incorporada no filme quando o Tenente Harrigan (Glover) entra na nave do monstro e encontra uma caveira de um xenomorfo, anunciando um confronto que foi primeiro realizado nas hqs da Dark Horse, e em 2004 adaptada para as telas em “Alien Vs Predador”. Este teve relativo sucesso de bilheteria e convenceu a Fox, dona das duas franquias, a fazer a continuação “Alien Vs Predador 2 – Requiem” de 2007.

ALIEN X PREDADOR.jpg

            Alcançando extrema popularidade durante a década anterior, o Predador foi usado em diversos crossovers com super heróis como “Batman x Predador” em três mini-séries publicadas entre 1991 e 1997, ”Superman x Predador” em 2000 e até mesmo “Tarzan x Predador” em 1996. Todas alcançando excelentes resultado de vendas e dando destaque melhor para o monstro caçador que sua volta às telas em “Predadores”, filme de 2010 que imagina um grupo de pessoas abduzidas e levadas para outro planeta para serem caçadas por vários desses ETs. Se analizadas, as hqs se aprofundaram muito mais na cultura alienígena do monstro, criando um código de conduta, motivações e até a sugestão de que as criaturas visitaram a Terra no passado para seus jogos mortais como mencionado no segundo filme quando Harrigan encontra uma antiga pistola, gerando uma história em quadrinho em que um pirata se confronta com a criatura.

batman_vs_predator__by_ozzy31098-d9qcy60

          A volta do personagem no novo filme de Shane Black é promissora e pode abrir um leque de outras sequências aproveitando melhor o material da Dark Horse. Afinal, embora Dutch tenha afirmado “Se sangra, então pode ser morto”, pode muito bem prenunciar a máxima hollywoodiana que diz “Se faz dinheiro, ganha sequência”. Pois que começem os jogos, a caçada será pelo menos divertida.

 

 

CLASSICO REVISITADO: OS 30 ANOS DE “ALIENS O RESGATE”

Se você já achou algum dia que o espaço é um lugar hospitaleiro, lembre-se não podermos respirar no vácuo, não há atmosfera habitável conhecida e o som não se propaga, ou seja, ninguém ouvirá se gritarmos. Depois que Ridley Scott, em 1979, nos mostrou uma criatura xenomórfica que cospe ácido, a discussão se estamos sozinhos ou não no universo foi mudada para sobreviveremos ou não ao que existe lá fora. Sete anos depois, James Cameron retomou a mesma história e fez um dos raros casos em que a sequência consegue ser tão boa quanto o filme original, e para muitos até melhor. Há 30 anos … de “Aliens o Resgate”.(Aliens).

aliens-poster
Quando o filme de Ridley Scott terminou ficou no ar o destino final da Tenente Ripley (Sigourney Weaver) depois de se confrontar com a criatura que matou todos a bordo da nave Nostromo. A Fox estava passando por uma reestruturação interna que viria a retardar os planos de uma sequência, o que quase não aconteceu. Era o início da década de 80 e o nome de James Cameron ainda não era reconhecido, quando ele tomou a iniciativa de rascunhar uma continuação para a história de Ridley Scott. A ideia de Cameron (desenvolvida em conjunto com David Giler e Walter Hill) nas palavras do próprio era ampliar as possibilidades do contato com aquela forma alienígena hostil e aparentemente indestrutível. “Queríamos usar o primeiro filme como uma plataforma da qual poderíamos saltar… como de um primeiro ato para uma história épica”, disse Cameron em entrevista tempos depois. O fato é que a Fox só se convenceu a considerar o roteiro de Cameron quando este fez de “O Exterminador do Futuro” um sucesso nas telas. A Fox ainda tentou descartar a personagem de Sigourney Weaver devido às negociações salariais que aumentariam o custo da produção, mas Cameron foi reticente da importância de sua personagem para o prosseguimento da história.

aliens-elenco

57 anos depois dos eventos do primeiro filme, a Tenente Ripley é resgatada no espaço e despertada de seu sono criogênico. De volta à Terra depois de tanto tempo, descobre que sua filha cresceu e já morreu. Abalada com o que perdeu e com os eventos do primeiro filme, ela é procurada por Carter Burke (Paul Reiser) administrador da empresa Wayland-Yutani que colonizou o planeta LV-426 (visitado pela Nostromo no filme anterior) mas que perdera contato com os colonos. Ripley aceita relutantemente a missão de acompanhar um grupo de fuzileiros ao planeta com a condição de exterminar as criaturas. O que se segue é uma acirrada batalha dos fuzileiros com os aliens que infestam o planeta e mataram todos os colonos, com exceção da menina Newt (Carrie Henn). A luta dos fuzileiros com as criaturas xenomórficas guarda paralelo com a intervenção norte-americana no Vietnã. Proposital ou não da parte de Cameron, o filme foi realizado no auge de filmes como “Platoon” (1986) e “Full Metal Jacket” (1987) que mostravam como a superioridade militar dos solados americanos nada significavam perante as táticas empregadas pelos vietcongues. Da mesma forma, apesar do pesado armamento e da tecnologia, os humanos caem presas fáceis dos monstros que os usam como hospedeiros para suas crias depois que estes deixam os ovos. O tom militarista e de ação ininterrupta foi muito criticado na época de seu lançamento, mas não impediu que a bilheteria milionária compensasse tais desconfortos. O renomado crítico Roger Ebbert publicou na época que o filme de Cameron era como “um passeio de ação crescente por uma parque de diversões”.

aliens3

Cameron declarou que interpretar a história como um mero filme de ação era um equívoco já que o principal fio narrativo do filme se sustentava em Ripley, em seu sentimento maternal mal resolvido que a faz se conectar com a orfã Newt, e como Ripley lida com a pressão de se ver no fogo cruzado de duas forças que se antagonizam com sua missão: sobreviver às criaturas alienígenas e aos interesses da empresa Wayland-Yutani cujo único interesse é nas criaturas ainda que satisfatoriamente sacrificando a missão de Ripley. Por outro lado, o embate entre Ripley e a rainha Alien ao final ganha contornos pessoais para os dois lados. A primeira quer se vingar de tudo que perdeu e salvar Newt, que adota como um simulacro da filha que morreu e a rainha Alien quer se vingar de Ripley que matou seus “filhos” durante o resgate. O clímax da história é estarrecedor e ganha ainda mais força na versão do diretor já que o corte do filme que foi aos cinemas na época, removeu a passagem da filha de Ripley e outros momentos que estavam previstos no roteiro como Ripley encontrando Burke em um casulo prestes a ter o peito estourado por um alien e ganhando de Ripley uma granada. Sigourney Weaver ficou bastante descontente com os cortes e ficou sem falar com Cameron a principio. O clima nas filmagens era bastante tenso devido ao detalhismo técnico exigido por Cameron, incluindo interferindo com a composição da trilha sonora a cargo de James Horner, que teve pouco tempo para terminar seu trabalho.

especial-alien-parte-2-cameron

JAMES CAMERON BARBADO AO CENTRO

O filme ainda conseguiu ser premiado com os Oscars de melhor efeito especial e melhor efeitos visuais, além de ter dado a Sigourney Weaver uma indicação ao prêmio de melhor atriz,a primeira de uma atriz por um filme de ação.  Tendo custado em torno de $18,500,000, “Aliens o Resgate” faturou nas bilheterias americanas $85,000,000, garantindo que a FOX considerasse a continuidade da história em um terceiro filme que seria feito cinco anos depois, mas não por James Cameron. Este provou que um filme de ação pode ter conteúdo sabendo explorar o ritmo alucinante em paralelo ao suspense, já que durante boa parte do tempo as criaturas são pouco vislumbradas se misturando ao ambiente da estação ao se camuflar. Cameron entregou um filme memorável, ainda que não original. Mesmo que seguindo os passos de Ridley Scott como o uso dos sensor de presença, a escotilha para jogar a criatura no espaço e até mesmo a presença de um androide, o ótimo Lance Herinksen no papel de Bishop. Cameron mostrou que pode respeitosamente repetir alguns clichês, mas acrescentando ideais próprias que – conforme o próprio diretor disse – enriquecem a história, redireciona o caminho a seguir aprofundando a personagem de Ripley e das criaturas criadas pelo artista plástico H.R.Giger que já fazem parte indissociável dos pesadelos que o cinema ousou mostrar

TRIVIA :

  1. A ATRIZ CARRIE HENN, A MENINA NEWT, NUNCA FEZ OUTRO FILME, ABANDONANDO A CARREIRA E SE TORNANDO PROFESSORA.
  2. O FILME NÃO SE CHAMOU “ALIEN 2” POR JÁ EXISTIR UM FILME ITALIANO B COM ESSE NOME.
  3. DEPOIS DESSE FILME, JAMES CAMERON SE CASOU COM A PRODUTORA GALE ANNE HURD.
  4. A CENA DO TRUQUE DA FACA NÃO CONSTAVA NO ROTEIRO E FOI ACRESCENTADA COM O CONHECIMENTO DE TODOS MENOS DE BILL PAXTON CUJA MÃO É USADA POR HERINKSEN.
  5. O FILME APRESENTA O PRIMEIRO NOME DE RIPLEY, ELLEN, NÃO MENCIONADO NO PRIMEIRO FILME.
  6. OS GRITOS DOS ALIENS FORAM FEITOS COM GRITOS DE BALBUINOS MIXADOS.
  7. A RAINHA ALIEN ERA UM ANIMATRÔNICO OPERADO POR VARIOS FUNCIONARIOS DO ESTUDIO.
  8. EM UMA DAS CENAS EDITADAS  MOSTRAVA -SE UMA FOTO  DA FILHA DE RIPLEY. A FOTO ERA DA MÃE DA ATRIZ SIGOURNEY WEAVER.
  9. A RAINHA ALIEN TEM DENTES TRANSPARENTES, UMA DAS IDEIAS NOS ESBOÇOS DO ALIEN NO PRIMEIRO FILME ERA DE UMA CRIATURA DE CORPO TRANSPARENTE. TODOS OS ALIENS, NO ENTANTO, TEM DENTES METÁLICOS.
  10. O PERSONAGEM BURKE (PAUL REISER DO SERIADO DOS ANOS 90 “MAD ABOUT YOU” NÃO ESTAVA ORIGINALMENTE NO ROTEIRO. SUAS FALAS SERIAM DITAS POR UM CIENTISTA DA CORPORAÇÃO WAYLAND-YUTANI QUE NÃO EMBARCARIA NA NAVE DE RESGATE.

 

 

FUTURO REESCRITO : O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 : O JULGAMENTO FINAL

T2

Sete anos depois do primeiro “Exterminador do Futuro” (Terminator), Arnold Scwarzenegger já havia consolidado sua carreira como astro dos filmes de ação, Linda Hamilton havia estrelado a bem-sucedida série de Tv “A Bela & A Fera” e James Cameron havia realizado “Aliens o Resgate” (Aliens) e “O Segredo do Abismo” (The Abyss). Os efeitos digitais haviam evoluído bastante e muitas das iniciais de Cameron que não puderam ser aproveitadas com o baixo orçamento do filme de 1984 encontrariam agora o momento certo para uma sequência. Era 30 de Agosto de 1991, quase dois meses depois da estreia no circuito norte-americano, o filme chegava às telas brasileiras mas mostrando uma Sarah Connor (Hamilton) encarcerada em um manicômio e torturada por médicos e enfermeiros. Seus alertas de que as máquinas adquirirão consciência e erradicarão o homem da face da Terra são tomadas como delírios de uma louca. Mesmo seu filho John Connor (Edward Furlong), agora com nove anos não lhe dá razão nem ouvidos. É quando o então presente recebe a chegada de ois andróides do futuro,: o modelo T 800 (Schwarzenegger) – o mesmo que no passado tentou matar Sarah, mas agora reprogramado para protegê-la e a John e o modelo mais avançado T1000 feito de metal líquido, capaz de mimetizar qualquer forma e virtualmente indestrutível. A ideia inicial de Cameron era colocar o T 800 e Kyle Reese (Michael Biehn) – do primeiro filme – em papéis invertidos, mas logo foi abandonada por receio de que confundiria o público. Em seguida, pensou-se no cantor Billy Idol para o papel do T 1000, mas este sofreu um acidente de moto que o impediu de assumir o papel que foi para as mãos de Robert Patrick, descoberto depois de uma pequena parte como um dos terroristas em “Duro de Matar 2” (Die Hard 2).

T2 DUO

As filmagens foram longas, levando oito meses para ficarem prontas. O ator Edward Furlong, então com 13 anos apresentou uma diferença no tom de sua voz ao longo desse tempo e precisou ser dublado com exceção da cena em que John e T 800 conversam por que as pessoas choram pois Cameron achou que o efeito dramático seria maior se fosse a voz original de Furlong em contraponto a de Schwarzenegger. No filme, em meio à ação desenfreada em cenas de lutas e perseguição, a narrativa permite o questionamento filosófico sobre o que é o futuro : Existe destino inexorável a ser cumprido ou podemos fazer de fato alguma diferença com nossas escolhas ? O que difere o homem de uma máquina ? Qual o valor da vida humana ? Divagações herdadas de autores como Isaac Azimov e Nietchze, o roteiro de James Cameron e William Wisher Jr consegue eficientemente equilibrar ação e emoção com qualidade técnico assombrosa para a época, a cargo da Industrial Light & Magic.

t2 rob

A dinâmica entre T 800 e John Connor se transforma ao longo do filme passando de protetor e protegido a um inevitável paternalismo que parece contradizer a guerra homem-máquina. Sarah se reaproxima de John e precisa encarar seu destino bem como decidir quem vive e quem morre quando decide matar Miles Dyson (Joe Morton), o responsável pelo projeto que levará à criação da Skynet, o cérebro eletrônico que dará às máquinas a supremacia global. Mata-lo pode significar o fim do perigo ou simplesmente o adiamento do fim profetizado para 29 de Agosto de 1997 ? Quando assisti ao filme nos cinemas, fiquei intrigado com o fato de que todos os esforços para mudar o que estava para acontecer, mexia com as possibilidades de realidades alternativas, presente e futuro, ecos das fantasias vitorianas de H.G.Wells sobre viajar no tempo para moldar a realidade.  O filme superou o anterior, rendendo o dobro do que custou, recuperando seu custo inicial estimado em    . Foi a primeira vez que uma sequência foi premiada pela Academia, sem que o filme original tenha sido indicado. Ganhou o BAFTA (Oscar Inglês) de melhor som e efeitos visuais, além de 4 Oscars (melhor som, efeitos sonoros, efeitos visuais e maquiagem).

Schwarza e os membros do Guns' n' Roses interpretes da agitada You could be mine na trilha sonora.

Schwarza e os membros do Guns’ n’ Roses interpretes da agitada You could be mine na trilha sonora.

Em um filme de superlativos inflacionado pelo salário de seu astro : Schwarzenegger recebeu $15 milhões de dólares ($21,429 por palavra). Só a icônica “Hasta la vista, baby” garantiu ao austríaco $85,716. Uma curiosidade: Na cena em que Sarah encontra o T 1000 tomando sua forma, o efeito das “duas Sarahs” foi obtido com a ajuda de Leslie Hamilton, a irmã gêmea de Linda. Esta sofreu um revés durante as filmagens : Tendo se esquecido de por fones de proteção nos ouvidos para uma sequência de explosão, a atriz acabou perdendo definitivamente parte de sua audição. Ao final das filmagens, Linda e James Cameron iniciaram um relacionamento que levou ao nascimento de uma filha. Após alguns anos o casal se separou e Linda obteve, como parte de seu acordo de divorco, os direitos sobre a franquia “Exterminador do Futuro” que logo vendeu, e por isso, Cameron nada teve a ver com as sequências posteriores realizadas em 2003 e 2008, bem como no novo filme que se aproxima e que usará o sugestivo subtítulo “Genesys”. Nada mais precisa ser dito além de : ELE VAI VOLTAR !!!!

FUTURO REESCRITO : O EXTERMINADOR DO FUTURO (1984)

terminator 1984

A algumas semanas faltando para a estreia do quinto filme da franquia “O Exterminador do Futuro” (Terminator : Genesys) , vamos relembrar aqui no blog os quatro filmes anteriores que fizeram desta uma das mais amadas e bem sucedidas franquias do cinema Hollywoodiano. Quando o filme original estreou nos Estados Unidos em 26 de Outubro de 1984, a mesma premissa : Mudar o futuro viajando para o passado já tinha sido usada na HQ ” Dias de um Futuro Esquecido” (Days of Future Past) dos X Men, que recentemente foi adaptada para o cinema. Contudo, o roteiro de James Cameron, sua então esposa Gale Anne Hurd bebia na fonte de outros questionamentos: O homem x a máquina, a tecnologia suplantando a importância do homem, elementos que já haviam sido empregados pelo escritor Harlan Ellsion, autor do conto “Soldier”, que fez parte da série de antologias “The Outer Limits” (Quinta Dimensão no Brasil) exibida originalmente na década de 60. Contudo, Cameron deixou as questões filosóficas em segundo plano para privilegia a ação com ritmo de história em quadrinho e o que é mais importante para os produtores, com um custo baixo de produção.

Linda Hamilton (Sarah Connor) e Michael Biehn (Kyle Reese) nos bastidores do filme original.

Linda Hamilton (Sarah Connor) e Michael Biehn (Kyle Reese) nos bastidores do filme original.

Na época, James Cameron (muito antes de triunfar em Hollywood) trazia um orçamento modesto de $6.500.000 para contar a história de um ciborgue futurista, enviado ao passado para matar a jovem Sarah Connor (Linda Hamilton) que dará a luz a John Connor, destinado a se tornar o líder da raça humana na luta contra as máquinas que dominarão o mundo. Arnold Schwarzennegger, na época recém saído do sucesso de “Conan” pediu a Cameron  o papel de Kyle Reese, o protetor de Sarah Connor, também vindo do futuro. Contudo, Cameron sugeriu a Schwarzenegger que ficasse com o papel do robô assassino, que até hoje é seu papel mais icônico. Segundo reza a lenda, Cameron teria dito “Esse filme não é sobre o herói, é sobre o vilão !”. Linda Hamilton vinha de pequenos papeis na Tv e no cinema quando foi escohida para viver Sarah Connor, papel que chegou a ter os nomes de Debra Winger, Carrie Fisher, Michelle Pfeiffer, Kelly McGillis e Sharon Stone. Já Kyle Reese ficou com o então também desconhecido Michael Biehn, preenchendo a vaga que quase foi de Bruce Willis e do cantor Sting, inicialmente sondados.

O diretor James Cameron dando instruções no set de fiilmagem

O diretor James Cameron dando instruções no set de fiilmagem

O filme que chegou ao Brasil em Março do ano seguinte com a popularidade de Schwazenegger crescendo graças ao sucesso de Conan. O ex campeão de fisioculturismo treinou  com armas, praticando tiro ao alvo com os olhos vendados para ter os reflexos rápidos e precisos como uma máquina, mas ainda teve que esperar por alguns meses para começar a filmar pois estava comprometido com “Conan o Destruidor” (1984) que filmava com Richard Fleischer. Enquanto esperava por seu astro, Cameron trabalhou em um roteiro para um filme de ação que se tornaria anos depois “Aliens o Resgate” (1986). Curiosamente, um dos nomes sondados para o papel do exterminador foi O.J.Simpson, ex atleta e ator que faria os três filmes “Corra que a Polícia vem ai” e que anos depois acabaria com a carreira ao matar sua esposa. Irônico, pois Simpsom foi desconsiderado para o papel porque os produtores o achavam incapaz de encarnar um assassino de sangue frio. Outros nomes pensados para o papel do robô assassino foram Mel Gibson, Michael Douglas, Kevin Kline e Tom Selleck. Ficou para o ator austríaco o papel que apesar de praticamente não ter falas no filme (seu forte sotaque incomodava aos produtores) ter a honra de entrar para o AFI 100 Heroes & Villains figurando tanto como vilão como herói, já que na continuação do filme Schwarzenegger volta como o robô do bem. Anos depois de “O Exterminador do Futuro”, James Cameron já divorciado de Gale Anne Hurd (sua segunda esposa) casou-se com Linda Hamilton com quem teve uma filha. O sucesso do filme impulsionou a carreira do diretor, de origem canadense, o que poderia não ter acontecido já que os produtores tentaram interferir nas filmagens. Estes queriam forçar Cameron a encerrar o filme com a cena da explosão do tanque, mas Cameron brigou e conseguiu impôs a impressionante sequência seguinte em que Arnold perde sua aparência humana e persegue Sarah em sua forma robótica, assumindo seu visual de máquina fria e irrefreável. Cameron também teve problemas com o autor Harllan Ellison que o processou por plágio do roteiro de “Soldier”, episódio da serie de TV “The Outer Limits”. O assunto foi resolvido com um acordo fora dos tribunais que Cameron se resentiu por ter sido forçado a aceitar, no qual reconhecia Harlan Ellison como origem da ideia por trás do filme. 

Linda Hamilton em foto recente

Linda Hamilton em foto recente

O lucro de $38.400.000 no território americano deu o aval para a continuação “O Exterminador do Futuro 2 : O Julgamento Final”, que reaproveita as ideias que Cameron não pôde utilizar no primeiro filme por falta de tecnologia para reproduzir os efeitos especiais. O filme foi um sucesso ainda maior e popularizou de vez a história que ainda renderia a seguir mais 2 filmes e uma série de TV entitulada “Terminator: The Sarah Connor Chronicles” que teve vida curta na telinha. Aguarda-se para ano que vem o reboot da franquia com o anunciado “Terminator:Genysis”, também com Arnold Schwarzegger. Alguém ainda duvida da frase proferida pela máquina, ideia que partiu de seu interprete, ao final do filme : “I’L BE BACK!”.

SEMANA QUE VEM NO BLOG: O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 : O JULGAMENTO FINAL