ESTREIAS DA SEMANA: 31 DE MAIO DE 2018

GNOMEU & JULIETA: O MISTÉRIO DO JARDIM

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(SHERLOCK GNOMES) EUA 2018. DIR: JOHN STEVENSON. COM JAMES McAVOY, EMILY BLUNT, CHWIETEL EJIOFOR, JOHNNY DEPP, MICHAEL CAINE. DUBLAGEM BRASILEIRA: DANIEL MACHLINE, ERIKA MENEZES, ALEXANDRE MORENO, GUILHERME BRIGGS. ANIMAÇÃO.

O PRIMEIRO “GNOMEU & JULIETA” DE 2011 FOI MUITO DIVERTIDO, CRIATIVO AO FAZER DE GNOMOS DE JARDIM VERMELHOS E AZUIS REPRESENTAÇÕES SHAKESPEAREANAS AO SOM DE UMA TRILHA POP REPLETA DE SUCESSOS DE ELTON JOHN, TAMBÉM PRODUTOR DO LONGA ANIMADO. AGORA, VÁRIOS DE SEUS AMIGOS GNOMOS ESTÃO DESAPARECENDO E O CASAL PEDE A AJUDA DO DETETIVE SHERLOCK GNOMES (JOHNNY DEPP), QUE EM NOSSA DUBLAGEM GANHOU A EXCELENTE VOZ DE ALEXANDRE MORENO, UM DOS MELHORES DE SUA PROFISSÃO. CLARO QUE OUTROS HITS DE ELTON JOHN SÃO OUVIDOS AO LONGO DA PROJEÇÃO E SERÃO MELHOR APRECIADOS PELOS PAIS DO QUE PELAS CRIANÇAS. A MUDANÇA DE ARES PARA LONDRES E A PRESENÇA DO HOLMES GNOMO TAMBÉM FUNCIONA MELHOR PARA O PÚBLICO FIEL LEITOR DO ELEMENTAR DETETIVE DE CONAN DOYLE, ASSIM PARA ENTENDER MELHOR CERTAS PIADINHAS QUE O PÚBLICO GERAL NÃO VAI. NO FINAL, É OUVIDA A VOZ DE SHAKESPEARE, DUBLADO ORIGINALMENTE POR PATRICK STEWART (CAPITÃO PICARD DE STAR TREK E PROFESSOR XAVIER DE X MEN), MAS RECONHECER SUA VOZ FICA IMPOSSIVEL NAS CÓPIAS DUBLADAS. DE QUALQUER FORMA, É UM PROGRAMA AGRADAVEL PARA A FAMÍLIA ASSISTIR EM MEIO AO CLIMA TENSO DA GREVE QUE TEM ASSOLADO O PAÍS.

NÃO SE ACEITAM DEVOLUÇÕES

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BRA 2018. DIR: ANDRE RAMOS. COM LEANDRO HASSUM, LAURA RAMOS, ZEU BRITTO, MARCELA KHFOURI. COMÉDIA.

DONO DE UM QUIOSQUE EM GUARUJÁ, QUE VIVE UMA VIDA BOÊMIA, É VISITADO PELA EX-NAMORADA QUE O DEIXA COM A GUARDA DA FILHA ATÉ QUE ELE RESOLVE DEVOLVÊ-LA À MÃE. ENTÃO, ELE COMEÇA A DESPERTAR PARA O SENTIMENTO PATERNO E REPENSA TODA SUA VIDA. REFILMAGEM DO MEXICANO “NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÃO” (2013), QUE JÁ HAVIA GANHADO UMA REFILMAGEM FRANCESA (UMA FAMILIA DE DOIS) EM 2016 ESTRELADO POR OMAR SY. ADAPTADO PARA O HUMOR BEM BRASILEIRO COM HASSUM MAIS CONTIDO DO QUE O HABITUAL COMO FORMA DE CONDUZIR A MISTURA CERTA DE HUMOR E DRAMA.

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MICHELLE … MA BELLE !

Michelle Pfeiffer

              Nos anos 80 ela disputava a atenção dos olhares masculinos com nomes como Kim Basinger, mas soube se sobressair em papéis tão diferentes que não há como duvidar que, além de uma estonteante beleza, seu talento a tornou uma das melhores de sua geração, tendo completado em 29 de abril desse ano 60 anos.

Michelle Pfeiffer Ladyhawke

         Michelle Marie Pfeiffer sempre soube o que dizer como atriz para se provar mais do que apenas um rosto bonito. Começou na Tv no final dos anos 70 em séries como “A Ilha da Fantasia” e “Chip’s”, além de outras produções menores que serviram para chamar a atenção para a jovem atriz, que aos 24 anos protagonizou seu primeiro filme no cinema “Grease 2 – Os Tempos da Brilhantina Continuam” (1982), sequência do grande sucesso da década anterior que naufragou nas bilheterias, mas mostrou que o mundo precisaria conhecer mais daquela bela jovem que cantou e encantou ao som de “Cool Rider”. A canção não é memorável, mas a voz de Michelle e o modo como a câmera parecia captar o brilho de seus olhos e seu sorriso radiante fez o mundo entender que muito ainda havia a dizer. Mesmo em um papel menor foi uma presença fundamental ao lado de Al Pacino na refilmagem de Brian DePalma para “Scarface” (1983) . Dois anos depois fez um cavaleiro medieval uivar em “O Feitiço de Áquila” (Ladyhawke) de Richard Dooner, tosando as belas madeixas que fizeram de Isabeau uma das mais lembradas heroínas da década.

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              Mostrando o desejo de se mostrar versátil, se juntou às divas Cher e Susan Sarandon em “As Bruxas de Eastwick” (1987), uma experiência que relatou depois ter sido agradável e sem a guerra de egos típica do encontro de grandes estrelas. Em seguida fez a comédia leve “De Caso com a Mafia” (Married to the Mob) e dividiu a cena com Mel Gibson e Kurt Russell no tenso “Conspiração Tequila” (Tequila Sunrise). Sua primeira indicação ao Oscar veio com “Ligações Perigosas” (Dangerous Liasions) como a frágil e apaixonada Madame de Tourvel. No ano seguinte, sua segunda indicação veio com sedução e música em “Suzie & Os Baker Boys” (The Fabulous Baker Boys) se deitando sobre o piano dos irmãos Beau e Jeff Bridges. Imprimindo nas telas sua figura capaz de ser sensual sem jamais cair na vulgaridade, Michelle Pfeiffer recusou papeis que exigissem nudez ou que fossem de violência extrema. Por isso recusou o papel de Clarice Sterling, que foi para Jodie Foster em “O Silêncio dos Inocentes” (Silence of the Lambs), preferindo atuar ao lado de Sean Connery em “A Casa da Russia” (The Russia House) de 1990, e logo em seguida preencheu as fantasias de adolescentes e marmanjos vestindo uma roupa de couro e miando para Michael Keaton como a Mulher Gato em “Batman o retorno” (Batman Returns). O sucesso estrondoso alimentou a mídia da época com rumores de que Michelle teria um filme solo da vilã felina, o que acabou não se concretizando.

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                 A medida que a fama crescia, a atriz procurou sempre se manter à parte de qualquer escândalo, mantendo uma vida particular discreta, sem exageros típicos de grandes astros. Adotou uma menina mestiça mostrando que o amor não dependia de etnias e casou-se com o produtor/roteirista de TV David E.Kelly (Picket Fences, Chicago Hope). Não parou de diversificar os papeis escolhidos fazendo uma dona de casa dos anos 60 em “Barreiras do Amor” (Love Field) atraída pela mensagem anti-racista que sempre foi para ela uma causa a ser defendida; voltou a trabalhar ao lado de Jack Nicholson em “Lobo” (Wolf) de 1993 e Al Pacino em “Frankie & Johnny” (1991), este um papel totalmente desglamourizado, o de uma garçonete solitária e desacreditada no amor. Estava grávida de seu segundo filho (primeiro natural) quando fez a professora idealista de “Mentes Perigosas” (Dangerous Minds), espécie de versão feminina do clássico “Ao Mestre com carinho”. Se seguiram o papel de repórter ascendente ao lado de Robert Redford em “Íntimo & Pessoal” (Upclose & Personal) ; dona de casa frustrada no casamento ao lado de Bruce Willis em “A Historia de Nós Dois” (A Story of Us); mulher ameaçada por um assassino ao lado de Harrisson Ford em “A Revelação” (What Lies Beneath); e um papel Shakespereano em “Sonhos de uma Noite de Verão” (A Midsummer Night’s Dream) entre outros. Voltou a atuar e cantar dublando a amada esposa de Moises na animação “O Principe do Egito” (The Prince of Egypt) de 1998. Com o final da década da 90 se afastou das telas para ficar mais próxima da família, escolhendo a dedo os papeis que faria já mostrando no belo rosto as marcas da idade. Ainda assim estava belíssima como a bruxa de “Stardust” (2007), a gótica matriarca de “Sombras da Noite” (Dark Shadows) , e voltou a cantar e dançar em “Hairspray” (2007). Ano passado atuou com destaque em “Mãe” (Mother) de Dareen Aaronovsky, e “Assassinato no Expresso do Oriente” (Murder on the Orient Express) de Kenneth Branagah, roubando a cena em meio a um elenco estelar, e cantando a canção dos créditos de encerramento.Em 2017 foi indicada ao Globo de Ouro pela produção de TV “O Mago das Mentiras” (The Wizard of Lies), terceira vez atuando ao lado de Robert DeNiro. Esse ano, a atriz ainda aparecerá muito em breve como uma super heroína em “Homem Formiga & Vespa” (Antman and the Wasp), entrando para o time multi estelar de astros a participar do bem sucedido Universo Cinemático Marvel, se reapresentando para uma nova geração.

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         Seja voando como um falcão, miando como uma gata ou mostrando os belos dotes musicais, falta a Academia lhe reconhecer o talento e lhe conceder a honraria de um Oscar. Ou seria o Oscar quem deveria de conceder a honrar de ir para as mãos de uma das melhores atrizes dos últimos trinta anos, ainda atuante, ainda linda e como diz a canção dos Beatles, as únicas palavras que encaixam tão bem, que todos nós conhecemos e compreendemos como Michelle, nossa Michelle Pfeiffer… Miauu !!!!!!!

PÁSCOA CINEMATOGRÁFICA 2018

PÁSCOA 2018, QUE MULTIPLIQUE-SE A PROSPERIDADE, SÍMBOLIZADA NA FIGURA DO COELHO MAS, SOBRETUDO, CELEBREMOS A RESSURREIÇÃO DE CRISTO, POR MUITOS ESQUECIDA. DESEJO A TODOS OS LEITORES DO BLOG UMA FELIZ PÁSCOA, PAZ, PROSPERIDADE, RENOVAÇÃO DA ESPERANÇA DE QUE TUDO SERÁ MELHOR. ABAIXO TRÊS FILMES MUITO SIGNIFICATIVOS PARA MIM, QUE NESTA DATA SERIAM AGRADÁVEIS MOMENTOS EM TORNO DOS QUAIS UMA FAMILIA PODERIA SE DIVERTIR, COMO SÓ O CINEMA PODE FAZER:

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1- A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE. (1971). ME PERDOEM OS FÃS DA VERSÃO COM JOHNNY DEPP, MAS O WILLY WONKA QUE ESTÁ GRAVADO NA MINHA MENTE TEM O ROSTO DO SAUDOSO GENE WILDER. SUAS FEIÇÕES GENTIS, SEUS GESTOS PATERNAIS EM MEIO AOS ICÔNICOS OOMPA LOOMPAS TRANSMITIRAM LIÇÕES MORAIS, NÃO APENAS PEDAÇOS DE SONHOS NA FORMA DE CHOCOLATE. TUDO BEM QUE ESTA VERSÃO TENHA DESAGRADADO A ROAD DHAL, AUTOR DO LIVRO, FOI GENE WILDER QUEM ENCANTOU MINHA SESSÃO DA TARDE.

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2- DESFILE DE PÁSCOA (1948). PÁSCOA SEM MÚSICA E SEM DANÇA NÃO PODE, E POR ISSO ESCOLHO OS MARAVILHOSOS FRED ASTARIE E JUDY GARLAND, ELE UM DANÇARINO EXPERIENTE E ELA UMA CORISTA, POR ELE TREINADA PARA BRILHAR AO SEU LADO. MUSICAL CLÁSSICO HÁ MUITO NÃO EXIBIDO NA TV, QUE QUASE FOI ESTRELADO POR GENE KELLY, AMS ESTE TORÇEU O TORNOZELO E FOI SUBSTITUIDO POR FRED ASTAIRE.  É UM FILME AGRADÁVEL PARA OS AMANTES DA ARTE CINEMATOGRÁFICA ESQUECIDA POR MUITOS.

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3- REI DOS REIS (1956) – PARA MIM. A MELHOR VERSÃO DA TRAJETÓRIA DE JESUS, INTERPRETADO COM SENSIBILIDADE POR JEFFREY HUNTER. DE SEU NASCIMENTO ATÉ SUA ASCENÇÃOM AOS CÉUS, PASSANDO POR SUA CRUCIFICAÇÃO, ENCENADA COM EMOÇÃO NAS MÃOS DO DIRETOR NICHOLAS RAY. A MENSAGEM DE PAZ AOS HOMENS DE BOA VONTADE E IGUALDADE DIANTE DO PODER E CRUELDADE DE ROMA SEMPRE ENCONTROU PARALELOS NO MUNDO ATÉ HOJE. A TODOS FELIZ PÁSCOA !! ADILSON.

ESTREIAS DA SEMANA: 30 DE NOVEMBRO

ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE

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(Murder on the Orient Express) Reino Unido / 2017. Dir: Kenneth Brannagah. Com Kenneth Brannaagh, Johnny Depp, Penelope Cruz, Michelle Pfeiffer, Josh Gad, Daisy Ridley, Judy Dench, William Dafoe, Derek Jacobi. Suspense. 

Demorou para que o cinema redescobrisse as obras da Rainha do Crime (Vide matéria abaixo) graças a Kenneth Brannagah, herdeiro de Laurence Olivier que sempre equilibrou seus filmes entre adaptações teatrais como “Hamlet” (1996) ou “Henrique V” (1989) com trabalhos mais comerciais como “Thor” (2011) e “Cinderella” (2015). Tendo nas mãos o roteiro de Michael Green (roteirista de “Logan”, “Blade Runner 2049, da série “Sex & The City” e produtor da série “Heroes”), Brannagah traduz o engenhoso quebra cabeças da autora que se passa a bordo do luxuoso trem (Agatha Christie viajou no verdadeiro expresso do oriente para escrever sua obra) onde o detetive belga Hercule Poirot (um dos pilares do gênero policial, tão importante quanto Holmes) investiga os passageiros suspeitos da morte de um homem rico esfaqueado durante uma tempestade de neve). Poirot é tão genial quanto Holmes, e tão peculiar quanto este em suas deduções e modus operandi. Brannagah dirige e interpreta o personagem que protagonizou diversas obras da autora. Seu elenco multi-estelar é um espetáculo à parte (destaque para Michelle Pfeiffer) , cada um sendo uma peça inestimável com a qual Agatha Christie traça um painel da natureza humana, o que o diretor sabe como explorar mostrando que o cinema não precisa ser resumido a franquias de super herois e blockbusters. A Fox já anunciou oficialmente a volta de Brannagh como Poirot em “Morte no Nilo” em breve, mostrando que se na vida real o crime não compensa, ao menso na literatura e no cinema ele o faz brilhantemente.

 

UNIVERSO DE MONSTROS

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         Quando Criança meu universo compartilhado de monstros era assistir a sitcom “The Munsters” (1964-1966) que trazia Fred Gwynne e Yvonne DeCarlo como um simpático casal, ele a criatura de Frankenstein e ela uma vampira, filha do próprio Drácula, um vovô bonachão, interpretado por Al Lewis. Tempos mais inocentes quando os monstros clássicos dos filmes de terror já não assustavam tanto. Nos primórdios do cinema, no entanto, a casa destes era o estúdio da Universal que tornou-se especialista em dar forma aos pesadelos do inconsciente humano.

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FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEN

            A frase “Bem vindo a um mundo novo de deuses e monstros” que agora anuncia a chegada do “Dark Universe” do estúdio na verdade é uma retomada pois o estúdio, na ativa desde a era do cinema mudo, já investira no passado na ideia de um universo compartilhado. Nomes como Lon Chaney (pai e filho), Boris Karloff e Bela Lugosi formavam um elenco talentoso na arte de explorar o medo, mais sugerido que explicito. Entre 1923, data da primeira filmagem de “O Corcunda de Notre Dame” com Lon Chaney até o final da década de 50, o Universal Studios chefiada por Carl Laemmle soube se especializar em filmes de custo baixo mas que davam grande retorno de bilheteria durante os loucos anos vinte (os chamados roaring twenties) criando uma reputação que continuou a explorara em meio aos difíceis anos da grande depressão que se seguiu. A Universal foi o primeiro estúdio a investir em sequências, muitas das vezes reaproveitando cenários, tomadas e falas, se beneficiando do talento desses atores, diretores como Tod Browning e James Whale e da habilidade do maquiador Jack Pierce para moldar personagens saídos dos pesadelos mais sombrios. A Universal deu vida a Drácula, Frankenstein, lobisomem, múmia e várias outras criaturas que se popularizaram com um público que encontrava deleite nas sombras da alma humana representadas em preto e branco, herdeiros das lições do expressionismo cultivadas por Murnau e Lang.

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A CASA DE FRANKENSTEIN

          A ideia de juntar mais de um monstro em um único filme surgiu quando, depois de 4 filmes de Frankenstein (os três primeiros com a criatura interpretada por Boris Karloff) o roteirista Curt Siodmark sugeriu ao produtor  George Wagner que fizessem “Frankenstein meets the Wolfman”, recebendo sinal verde para o projeto que veio a ser dirigido por Roy William Neill e lançado em 1943. O filme mostra Larry Talbot (Lon Chaney Jr) procurando uma cura para sua maldição e se confrontando a criatura de Frankenstein interpretada por Bela Lugosi, que fica em cena apenas por pouco mais de cinco minutos sendo ocasionalmente substituido por um dublê devido a problemas de saúde. O filme funcionou como uma sequência tanto para os eventos mostrados em “O Lobisomen” de 1941 como em “A Alma de Frankenstein” (The Ghost of Frankenstein) de 1942. Para atrair o público, o estúdio anunciou o nome de Lon Chaney, sem o Jr, para confundir a todos já que o nome de Lon Chaney pai (falecido em 1930) ainda era então extremamente conhecido. A ideia inicial era de ter Chaney filho fazendo tanto o papel do lobisomen como do monstro de Frankenstein, mas deixada de lado já que falamos de décadas anteriores à tecnologia digital. O resultado satisfatório animou a Universal a reunir mais monstros, o que levou à realização de “A Casa de Frankenstein” (The House of Frankenstein) de 1944. Neste novo exemplar, Boris Karloff retorna ao universo de monstros mas como o cientista louco que manipula Dracula (John Carradini), o monstro de Frankenstein (o ex cowboy Glenn Strange) e o Lobisomen (Chaney Jr) para se livrar de seus desafetos. Originalmente, a múmia Kharis seria incluída no filme, mas por motivos de orçamento ficou de fora. Mesmo as cenas com Drácula acabaram sendo filmadas em separado sem que este contracenasse com o lobisomen de Chaney e o Frankenstein de Strange. O filme ainda incluiria a figura do corcunda apaixonado (J.Carrol Nash) por uma dançarina cigana (Elena Verdugo) emulando a narrativa de “O Corcunda de Notre Dame”, embora não sejam os mesmos personagens. A Segunda Guerra se aproximava de seu fim, mas o público vivia a incerteza desta e de suas consequências. O ciclo da Universal oferecia a catarse ideal para esse medo real, palpável e o estúdio soube como tirar proveito disso levando a “A Casa de Drácula” (The House of Dracula) de 1945 reunindo esse “Nightmare Team” uma última vez, desta vez sem Karloff que teve o personagem substituído por outro cientista, o Dr.Edelmann (Onslow Stevens) a quem Drácula e Larry Talbolt procuram em busca de uma cura. O filme incluiu uma novidade na figura de uma mulher corcunda, Nina (Jane Addams). O filme também marcou a última aparição de Lon Chaney Jr sob contrato com a Universal, embora o ator tenha voltado ao papel mas na comedia “Abbot & Costello Meet Frankenstein” (1948) que reuniria além do próprio Bela Lugosi como Dracula e Glenn Morgan como Frankenstein.

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A CASA DE DRÁCULA

         Quando a década de 50 chegou o interesse dos estúdios passou a ser filmes de monstros do espaço e discos voadores, o que deixou os monstros clássicos de lado mas não esquecidos graças à iniciativa da Universal de levá-los para a Tv como um pacote de filmes  que foi apresentado a uma nova geração de jovens que redescobriu os mestres do pavor sobrenatural. Provando que estes sempre renascem, o estúdio promete novas versões em filmes interligados, reintroduzindo o conceito para uma geração acostumada a jogos de vídeo game e filmes de super heróis. Como promete o slogan, um mundo – não tão novo assim – de deuses, monstros e efeitos digitais modernos.

PIRATAS DO CARIBE, DA LITERATURA & DO CINEMA.

        Quando criança adorava histórias de piratas e uma das primeiras que vi foi a adaptação de “Pluft – o Fantasminha” da Maria Clara Machado, que trazia o ator Flavio Migliaccio como o malvado pirata da perna de pau. Histórias desses saqueadores dos mares datam desde a Odisséia de Homero, mas a imagem que mais se popularizou no imaginário popular foi a do bandido com papagaio no ombro e tapa-olho,  que atravessou os mares nos séculos XVII e XVIII.

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A literatura clássica romantizou os feitos dos piratas como donos de um código próprio de camaradagem temperado com a ganância desmedida e a caça ao tesouro. O autor escossês Robert Louis Stevenson (1850-1894) publicou em 1883 “A Ilha do Tesouro” (Treasure Island) , já adaptado para o cinema diversas vezes desde a época do cinema mudo, sendo a versão mais famosa a realizada pela Disney em 1950. No Brasil, tivemos nossa própria versão em “O Trapalhão na Ilha do Tesouro” (1975), divertida paródia com Renato Aragão & Dedé Santana. O livro é narrado pelo menino Jim Hawkins, que conta suas aventuras ao lado do pirata Long John Silver. A obra de Stevenson tornou-se referência no tema, sendo a primeira vez que surgiu a clássica imagem do mapa do tesouro com um “X” marcado.

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CAPITÃO BLOOD

       Durante várias décadas, o cinema Hollywoodiano  fez da pirataria um filão rentável com Douglas Faibanks esbanjando um sorriso provocante em “O Pirata Negro” (The Black Pirate) de 1926, ainda durante o período mudo. Os duelos de espada ensaiados e coreografados pelo mestre Fred Cavens ofereciam o realismo necessário para as plateias ávidas por ação. A chegada do som trouxe Errol Flynn e Tyrone Power como os mais célebres representantes dessa figura sedutora, viril e rebelde, muitas vezes em filmes extraídos dos livros do escritor italiano Rafael Sabatini (1875 – 1950) como “Capitão Blood” (Captain Blood) de 1935, “O Gavião do Mar” (The Sea Hawk) de 1940 e “O Cisne Negro” (Black Swan) de 1941. Os dois últimos, no entanto, foram adaptações nada fieis ao livro adaptado, mas fixaram a imagem de Flynn e Power como os expoentes do filão, modelo para os aventureiros retratados nas telas por atores como Cornel Wilde, Douglas Fairbanks Jr, Louis Hayward e Burt Lancaster, que emprestou ao tipo suas incríveis habilidades atléticas de sua experiência circense em filmes como “O Pirata Sangrento” (The Crimson Pirate) de 1952. Da década de 50, quando o gênero começou a entrar em declínio, alguns exemplares merecem destaque como “Contra Todas as Bandeiras” (Against All Flags) de 1952, com Errol Flynn, Anthony Quinn  e Maureen O’Hara (uma belíssima pirata, aliás).  Aqui, mostra-se uma variedade da pirataria, o “bucaneiro”, que se refugiava em lugares remotos e atacavam qualquer embarcação de forma violenta, agregando a suas fileiras ex-presidiarios, ex-escravos, qualquer um que fosse marginalizado. Estes pilhavam principalmente as embarcações espanholas. Além de Maureen O’Hara, outra pirata mulher que vagou pelos mares caribenhos foi Anne Providence, interpretada pela igualmente bela Jean Peters em “A Vingança dos Piratas” (Anne of the INdies) de 19651. Já a figura do corsário, ou seja, um pirata cuja atividade era tributada em favor de seu reino, teve a figura histórica do Capitão Francis Drake vivido por Rod Taylor em “O Pirata Real” (Seven Seas to Calais) de 1963. O notório Edward Teach ganhou o famoso apelido Barba Negra e apareceu em diversos filmes já vivido por Robert Newton, Peter Uistnov, e mais recentemente Ian McShane em “Piratas do Caribe: Navegando em Aguas Misteriosas” (2011). Curiosa mezcla de gêneros foi feito por Vincent Minnelli em 1948 no musical “O Pirata” (The Pirate ) com Gene Kelly se fazendo passar por um perigoso elemento para conquistar Judy Garland, ao som de canções de Cole Porter.

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O PIRATA : GENE KELLY & JUDY GARLAND

              Nas décadas de 70 e 80, o tema foi inutilmente ressucitado resultando em fiascos de bilheteria como “Piratas das Ilhas Selvagens” (Nate & Hayes) de 1983. Roman Polanksi também fracassou com “Piratas” (Pirates) de 1986 chegando ao ponto de construir a fragata “Neptune”, mostrada no filme, e levá-la para a abertura do Festival de Cannes no citado ano, ancorando próximo ao local, uma extravagância promocional que nada ajudou na bilheteria da produção. Desastroso também foi o filme de Renny Harlin “A Ilha da Garganta Cortada” (Cutthroat Island) de 1995. Na verdade, até que Johnny Depp surgisse como o Capitão Jack Sparrow no primeiro “Piratas do Caribe” (Pirates of the Caribbean) de 2003, o gênero parecia extinto. Claro que depois de quatro sequências, sendo a última “A Vingança de Salazar”, parece que ainda teremos tempo para fazer um brinde com rum e dizer HO HO HO.

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PIRATAS DO CARIBE: KEIRA KNIGHTLY, ORLANDO BLOOM & JOHNNY DEPP

PRIMEIRA IMAGEM: ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE.

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DIVULGADO HOJE AS PRIMEIRAS FOTOS DA NOVA ADAPTAÇÃO DE “ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE”, CLÁSSICO DA LITERATURA POLICIAL ESCRITO POR AGATHA CHRISTIE. A FOTO ACIMA MOSTRA O ELENCO REUNIDO NA CAPA DA REVISTA “ENTERTAINMENT WEEKLY”: MICHELLE PFEIFFER, JOHNNY DEPP, JUDI DENCH, PENELOPE CRUZ, JOSH GAD, DEREK JACOBI, WILLIAM DAFOE E KENNETH BRANAGH, QUE DIRIGE O FILME E ASSUME O PAPEL ICÔNICO DO DETETIVE HERCULE POIROT JÁ VIVIDO POR ALBERT FINNEY EM 1974 E ALFRED MOLINA EM 2001 (PARA A TV). A ESTREIA DO REMAKE DE BRANAGH ESTÁ PREVISTA PARA 10 DE NOVEMBRO NOS ESTADOS UNIDOS.

TRAILLER: PIRATAS DO CARIBE – A VINGANÇA DE SALAZAR

“Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” teve seu trailler oficial divulgado recentemente. Johnny Depp repete seu papel de Capitão Jack Sparrow, talvez pela última vez, mas nunca se sabe, principalmente se a bilheteria corresponder às expectativas dos produtores. Geoffrey Rush volta como Capitão Barbossa, assim como Orlando Bloom e Keira Knightley terão rápidas passagens na história como Will Turner e Elizabeth Swam, personagens que estão há dez anos distantes da franquia. O vilão da vez é o excelente ator espanhol Javier Barden, o Salazar do título, um fantasma que vem para cobrar uma dívida de sangue ao Capitão Jack Sparrow. A previsão da estreia é de 25 de maio próximo.

LUZ CÂMERA DIREÇÃO: TIM BURTON

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Quando alguém pensa em Tim Burton, automaticamente vem à mente seu estilo gótico que marcou vários de seus filmes. Assim que pensaram em adaptar o livro “O Lar das Crianças Peculiares” de Ransom Riggs, o nome de Burton veio logo foi ligado ao projeto. O próprio Burton teria dito “Vão pensar que eu também escrevi o livro”. A identificação levou ao filme, recentemente lançado nos cinemas, conectado à concepção visual típica dos filmes desse Californiano, nascido em 25 de Agosto de 1958, cuja infência e adolescência introspectiva lhe conferiu a aura de exquisitão. Quando ainda cursava a escola de ensimo fundamental  criou um cartaz para ser usado pela empresa de coleta de lixo. Estudou artes na universidade e, depois de graduado, já conseguiu emprego como animador dos Estudios Disney onde trabalhou nas animações “O Cão & a Raposa” (1982) e “O Caldeirão Mágico” (1985). Entre os dois trabalhos, realizou o curta animado “Vincent” (1982) sobre um garoto que queria ser o ator Vincent Price. Narrado pelo próprio Price, o curta recebeu prêmios e aplausos da crítica. Dois anos depois realizou outro curta, fazendo uma adaptação de Mary Shelley em “Frankenweenie”, que anos mais tarde transformaria em longa. A primeira chance como diretor de um filme se deu com “As Aventuras de Pee Wee” (1985), mas o filme que colocaria o nome de Tim Burton diante dos holofotes veio em 1988, “Os Fantasmas Se Divertem” (Bettlejuice), uma comédia de humor negro de grande sucesso que até hoje alimenta boatos de uma possível sequência.

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FILMOGRAFIA BURTONIANA

Pouco depois o nome de Burton se tornou uma escolha natural  da Warner para comandar a adaptação de “Batman” (1989) para o cinema com Michael Keaton, Jack Nicholson  e Kim Basinger. A impressionante cenografia de Anton Furst foi um triunfo  que fez de Gotham City um personagem dentro da história que trazia falhas no roteiro como fazer do Coringa o assassino dos pais de Bruce Wayne.  O sucesso levou a “Batman o Retorno” (Batman Returns) de 1991, até hoje a única sequência dirigida por Burton. Este parecia à vontade em retratar personagens soturnos, ecos dos delírios sombrios do diretor. O sucesso comercial dos dois filmes do Batman lhe deu a moral para experimentar o que quisesse, e assim vem seu filme mais lírico “Edward Mãos de Tesoura” (Edward Scissorhands) em que teve a oportunidade de trabalhar com um de seus ídolos, o ator Vincent Price, este então com 79 anos. Também aqui trabalhou pela primeira vez com o astro Johnny Depp que parece compartilhar com o diretor uma atração por personagens bizarros. Ao todo fizeram juntos 8 filmes.

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JOHNNY DEPP & TIM BURTON

O melhor deles foi “Ed Wood” (1994), cinebiografia do pior cineasta de todos os tempos que deu o Oscar de melhot ator coadjuvante para Martin Landau, este em uma impressionante caracterização de Bela Lugosi. Depois vieram “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” (Sleepy Hollow) de 1999 (onde teve a oportunidade de conhecer outro ídolo, o ícone Christopher Lee), “A Fantástia Fábrica de Chocolate” (Charlie & The Chocolate Factory) de 2005, “A Noiva Cadaver (The Corpse Bride) de 2005, “Sweeney Todd” (2007), “Alice no País das Maravilhas” (Alice in the Wonderland) de 2010, “Sombras da Noite” (Dark Shadows) de 2012.

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O ESTRANHO MUNDO DE JACK

No início da década de 90 teve um insucesso quando transformou em filme uma série de trading cards clássica que colecionara. Assim foi com “Marte Ataca” (Mars Attacks) de 1996 que sofreu comparações inevitáveis com “Independence day” , lançado um ano antes. Apesar do elenco estelar que incluiu Jack Nicholson, Pierce Brosnan, Michael J. Fox entre outros, o filme pecava por um humor negro que parece não encontrar o caminho certo para se conectar com o público. Também fez bons trabalhos como produtor em filmes como “O Estranho Mundo de Jack” ( The Nightmare Before Chrstmas) de 1993, “Batman Eternamente” (Batman Forever) de 1995 e, mais recentemente  “Alice Através do Espelho” (Alice Through The Looking Glass) de 2016. Mostrou outros caminhos com a cinebiografia da pintora Margareth Keane em “Grandes Olhos” (2015) com Amy Addams. Tim Burton parece à vontade com sua imagem presa ao estilo gótico, o que certamente o faz previsivel para análise de muitos, tão vítima de seus delírios quanto Hithcock de su câmera, o que claro não denigre de forma alguma o talento que o levou a se um dos grande diretores do cinema Hollywoodiano.

 

MAKE & REMAKE : A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE

A partir de agora estarei ocasionalmente postando artigos sobre as refilmagens de grandes filmes. Para começar escolhi uma das obras literárias que mais me encantou quando criança e que vim a assistir na fase áurea da “Sessão da Tarde” : A história de um chocolateiro recluso em sua fábrica que mais parece um parque de diversões. Cinco crianças são escolhidas ao acaso para entrar nesse mundo mágico onde ao final receberão um prêmio inestimável, cada uma delas um reflexo da educação distorcida recebida, menos uma cuja vida será modificada para sempre. Falar em linhas gerais assim não permite alcançar a magia ou a mensagem de seu autor, o galês Road Dahl, que completa seu centenário em setembro desse ano, data aguardada por seus herdeiros e fãs com um grande evento, o “Road Dahl Day” conforme anunciado no site oficial “roaddahl.com”.

WILLY WONKA

VERSÃO DE 1971 : WILLY WONKA – GENE WILDER

A história da fábrica de chocolate foi publicada em 1964, traduzido para mais de 30 idiomas e adaptado duas vezes para o cinema, tendo se tornado uma das fábulas mais amadas de duas gerações : As que tiveram Gene Wilder como Willy Wonka em 1971 e, mais de 30 anos depois, aqueles que a conheceram com a performance de Johnny Depp. Sua criação, no entanto, foi em parte influenciada por fatos reais vividos por seu autor.

WILLY WONKA DEPP

WILLY WONKA – VERSÃO JOHNNY DEPP

Por volta dos treze anos, Dahl estudava na Repton School, em Derbyshire, que costumava receber caixas de chocolate da tradicional fábrica Cadbury, a marca preferida dos ingleses e, mundialmente, uma das maiores concorrentes de nomes como a Nestlé, Hershey ou a Ferrero Rocher. As crianças escolhidas provavam os produtos antes de sua comercialização, e em retribuição, a Cadbury dava a Dahl e aos demais os deliciosos produtos da empresa. Dhal, inclusive,  sonhava  em inventar uma nova barra de chocolate que chamasse a atenção da empresa fundada por John Cadbury no final do século XIX. O episódio  foi a inspiração anos mais tarde para que Dahl escrevesse a história de Charlie Bucket, o menino, que junto a  outras quatro crianças, é sorteado com o bilhete dourado que os levará a um passeio pela fábrica do recluso chocolateiro Willy Wonka.

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NÃO É FILME. É REAL. DOCETERIASABORPERFEITO

Road Dahl repudiou a adaptação cinematográfica de 1971. A princípio, o próprio autor ficara a cargo da adaptação do texto, mas a demora em cumprir os prazos fez com que ele fosse substituído por David Seltzer. As mudanças que se seguiram na história desagradaram muito ao autor. Primeiro, ele repudiou a escolha do ator americano Gene Wilder para o papel de Willy Wonka, que para o autor não era o principal personagem e foco da narrativa, e sim o menino Charlie. Como a Quaker Oats era a patrocinadora do filme para o qual investira 3 milhões de dólares, chegando a produzir barras de chocolate Wonka como parte da campanha promocional, o título do filme veio a ser rebatizado “Willy Wonka and The Chocolate Factory”. Lamentavelmente, as barras de chocolate derretiam muito rápido e tiveram que ser recolhidas das lojas antes que estragassem. Das canções escritas pelo próprio Dahl, somente uma delas foi usada, sendo as demais canções compostas exclusivamente para o filme. Na sequência em que a menina Veruca é eliminada da competição, o texto original traz esquilos que separam as nozes boas das ruins. A menina Veruca invade a sala dos esquilos porque quer ter um dos animais e, por isso, é jogada fora da sala pelos próprios animais. No filme de 1971, os esquilos são trocados por gansos e as nozes por ovos. Na versão de Tim Burton de 2005, os esquilos e as nozes são mantidos. As filmagens foram feitas na Alemanha e foi difícil para o departamento de elenco encontrar pessoas de baixa estatura para interpretar os divertidos Oompa Loompas, pois durante a era nazista anões e outras pessoas consideradas imperfeitas eram simplesmente mortas. Os pequeninos, incluindo entre eles uma mulher, não falavam inglês e tiveram grande dificuldade para cantarolar os números musicais. Além disso, os cenários extremamente coloridos despertaram comentários maldosos de que o filme parecia uma viagem psicodélica de drogas. Mais de 150 mil litros de água misturada com creme e chocolate foram usadas para criar o rio de chocolate, o que resultou em uma mistura que com pouco tempo passava a exalar um cheiro desagradável incomodando a atores e equipe, atrasando as filmagens.

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Caixinha de Chocolate

Quando Tim Burton refilmou, conseguindo permissão dos herdeiros de Road Dahl , prometeu corrigir tudo o que o filme de Mel Stuart modificou. Além de ter mantido o título original (Charlie & The Chocolate Factory), Burton foi mais fiel ao texto. A escolha de Johnny Depp, que era alérgico a Chocolate quando criança,  para o papel de Wonka, no entanto, deu ao personagem um visual por demais caricatural e preso aos maneirismos do ator. Ainda assim, a fidelidade do filme à obra é mais visível e ganha uma exata dimensão na tela a cada criança eliminada. As canções originais de Dahl foram utilizadas (quatro delas) e a sequência dos esquilos, trocados por gansos no filme anterior, mantida tal qual no livro. Para os Oompas Loompas Burton usou o ator Deep Roy multiplicado digitalmente para parecer que são centenas de individuos, sendo dublado  nas sequências musicais  por Danny Elfman, cantor, compositor e eventual colaborador de Burton. O papel de Wilbur Wonka (Christopher Lee), pai de Willy, foi escrito especificamente para o filme, não existindo portanto no livro.

A carreira de Dahl, no entanto, foi ainda maior que a de um escritor de histórias infantis, tendo escrito contos de terror e até roteiros de filmes como “Com 007 só se vive duas vezes” com Sean Connery. Recentemente, o livro “O Bom Gigante Amigo” (The Big Friendly Giant) que Dahl escrevera em 1982, e para o qual batizou a protagonista com o nome de sua neta Sophie, recebeu adaptação feita por Steven Spielberg. Nele, o autor fala da inusitada amizade entre uma menina humana e um gigante de bom coração, voltando a falar dos rejeitados, dos obstáculos impostos em uma realidade misturada à fantasia, conseguindo agradar crianças e adultos.

Surpreendam-se mas temos nossa própria versão de Willy Wonka no site “doceteriasaborperfeito.com”. Ana Paula Pires cria deliciosos bolos e tortas de chocolate, além de outras surpresas. Ela disfarça que seu sobrenome real é Wonka e emprega genuínos Oompa Loompas para criar sua própria fábrica fantástica de bolos e doces. Experimentem acessar o site. Até Johnny Depp já o fez !