VINGADORES ULTIMATO – CHEGOU A HORA !!

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Quando o primeiro trailer de “Vingadores Ultimato” foi divulgado, este tornou-se o primeiro a alcançar 1000 likes em menos de 4 horas no You Tube. Também obteve visualização recorde, com mais de 289 milhões, superando o filme anterior da franquia “Vingadores Guerra Infinita”. Não resta dúvida que tais números servem de termômetro para a chegada do filme que serve de ápice a um planejamento cuidadoso iniciado há 11 anos, e depois de 21 filmes que prepararam o público, incluindo os que nunca leram um quadrinho, mas que passaram a admirar o universo desses heróis.

     Os heróis Marvel já vinham colecionando bons momentos nos cinemas no início dos anos 2000 com o sucesso do “Homem Aranha” de Sam Raimi pela Sony, e dos “X Men” pela Fox, mas criar um universo compartilhado, subdividido em fases, ao longo de todo esse tempo, foi uma aposta audaciosa dos estúdios Marvel. A cada cena pós-crédito o público vibrava com os desdobramentos que se seguiram a partir de “Homem de Ferro” (Iron Man) de 2008, que inclusive reascendeu a carreira de Robert Downey Jr, hoje figura central nas aventuras dos Vingadores.

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      O primeiro filme da equipe, chamada nos quadrinhos de “os maiores heróis do mundo”, chegou às telas em 2012 depois de filmes solos bem-sucedidos com Thor, Capitão América e Homem de Ferro; assim como aconteceu quando Stan Lee inovou a nona arte lançando esses personagens ao longo da década de 60, e depois reunindo-os em uma equipe de pesos pesados para enfrentar a ameaça de Loki, o meio-irmão de Thor. O grande vilão Thanos só viria a surgir em 1973, criado não por Lee, mas pelo autor norte-americano Jim Starlin, que o concebeu como um personagem menor na revista “Iron Man” #55. Starlin desenvolveu as origens e motivações de Thanos ao longo dos anos seguintes confrontando-o com outros heróis como “Homem Aranha”, “Quarteto Fantástico” e “Capitão Marvel” até finalmente envolver os Vingadores. Nos quadrinhos, a derrota de Thanos veio nas mãos de Adam Warlock, um ser artificial criado por cientistas renegados.

      No cinema Thanos ficou um longo tempo como um observador oculto nos bastidores tramando se apoderar das jóias do infinito. Joss Whedon dirigiu o filme dos Vingadores e sua sequência “Vingadores: A Era de Ultron”, de 2015 onde os heróis enfrentam o robô Ultron, criado nos quadrinhos em 1968 por Roy Thomas e John Buscema. O vilão foi uma experiência frankensteniana do Dr.Hank Pym, mergulhado em complexo de Édipo. No filme, no entanto, essa essência se perdeu, e o personagem foi resumido a uma criação mal-sucedida de Tony Stark.

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      Nesse meio tempo, a Marvel teve seus altos e baixos: Aproveitou bem personagens menos conhecidos como “Guardiões da Galáxia” (2014 e 2017) e “Homem Formiga” (2015 e 2018), cada qual com características próprias funcionando perfeitamente, vistos isolados ou como parte de um plano maior. Mesmo com sucesso comercial nem tudo funcionou com perfeição na passagem das hqs para as telas: o vilão Mandarim foi mal aproveitado em “Homem de Ferro 3” (2012) , e o Hulk foi reduzido a coadjuvante da luxo nos filmes sem protagonizar uma aventura solo à altura de décadas de excelentes histórias, apesar de duas tentativas em 2003 e 2008.

      Contrabalançando tudo os resultados foram triufantes em “Capitão América Soldado Invernal” (2014) e “Capitão América Guerra Civil” (2016), flertando com tramas conspiratórias e de espionagem que mostram que o gênero podia ter um conteúdo além da simplória luta entre o bem e o mal. Os filmes da Marvel acertaram em buscar representatividade e lançaram “Pantera Negra” (2018) e “Capitã Marvel” (2019), explorando valores que já eram diferenciais quando Stan Lee deu vida a todo um universo, e o fez com talentos do quilate de Jack Kirby, John Buscema, Jim Steranko, Roy Thomas, Len Wein, Don Heck, Steve Englehart, Steve Dikto entre outros. O produtor Kevin Fiege, o homem forte do estúdio, conseguiu trazer o Homem Aranha para os filmes compartilhados, fez do “Dr.Estranho” (2017) um sucesso explorando elementos místicos em um contexto em que a linguagem da ficção cientifica trata de universos, dimensões paralelas e alienígenas. Personagens como Nick Fury (Samuel L.Jackson), Viúva Negra (Scarlett Johanson), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e outros tornaram-se conhecidos pelo público em geral, não apenas pelos aficionados, que se importam com o destino dos personagens.

          Com “Guerra Infinita” ano passado, a Marvel reuniu um multi-elenco de  mais de 30 personagens desfilando pela tela em uma história apocalíptica. Resta saber como os heróis sobreviventes reagirão ao estalar de dedos que, há um ano, vem criando uma gigantesca expectativa, fazendo fãs evitarem spoilers com o mesmo empenho com o qual vem acompanhando passo a passo a jornada desses heróis, uma verdadeira odisseia que se transformou em objeto de adoração e culto na cultura pop, ícones de um moderna mitologia que começou, na verdade, quando Stan Lee – imaginamos – disse algo como “Tenho uma ideia!” Assim se fez a luz, com papel e nanquim e agora em cenas digitais de um jogo que não chega exatamente a um fim, mas a um novo começo.

GRANDE ESTREIA : 17 DE MAIO DEADPOOL 2

            Desde sua primeira aparição em 1991 (The New Mutants #98), o mercenário tagarela Deadpool tem crescido sua popularidade, ganhando espaço muito além do papel de mero coadjuvante dos heróis mutantes da Marvel. Seu estilo debochado, não convencional, dialoga com o leitor quebrando a quarta parede, a barreira imaginária que separa o público da ficção. Nas hqs, e depois no cinema, o público parece ter se identificado com seu tom caótico e demolidor que não se preocupa tanto em salvar o mundo quanto em tirar um sarro de tudo e de todos, até de si mesmo.

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          Quando Fabian Nicieza e Rob Liefield criaram o personagem plagiaram descaradamente o vilão Exterminador da rival DC Comics, seja no visual ou em seu nome Wade Wilson (corruptela de Slade Wilson da outra editora). Desde sua primeira aparição nas hqs, que no Brasil se deu em “X Men” #72 (1994) pela Editora Abril, o personagem se destacou deixando claro que ele pode ser super, mas está longe de ser um herói, conforme afirma no início do primeiro filme de 2016. Deadpool foi o último improvável sobrevivente de um experimento que tenta recriar o  fator cura de Wolverine, do qual aceitou participar por conta de um câncer terminal que o deixa com nada a perder. Sua agilidade e força não o torna um digno defensor da lei, mas faz dele um mascarado aventureiro desprovido do altruísmo típico do gênero, e cujo sucesso se deve justamente por seus deméritos morais e língua assumidamente chula.

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         Tais características estavam completamente ausentes quando Ryan Reynolds apareceu em “XMen Origens: Wolverine” (2009), fosse no visual ou na insanidade desenvolvida depois que seu rosto foi desfigurado no processo que lhe deu poderes. O ator canadense estava, no entanto, planejando um filme do personagem desde 2004, mas a Twentieth Century Fox acabou engavetando o projeto, temerosa pelo conteúdo adulto pretendido. Um filme nesses moldes seria um risco pois reduz o alcance das bilheterias; e assim, Reynolds acabou assinando com a Warner para o papel central de “Lanterna Verde” (Green Lantern) em 2011. Se o filme do herói verde da DC Comics tivesse dado certo, o contrato de Reynolds teria emendado sequências, o que teria atrapalhado bastante um filme do mercenário tagarela da Marvel. Na época, Reynolds declarou que tudo era possível e que assim como Harrisson Ford fazia Han Solo e Indiana Jones, ele poderia também viver dois heróis de estúdios concorrentes. O fato é que o fracasso de “Lanterna Verde” foi bom para que Reynolds retomasse o projeto de fazer Deadpool, e como teria nas mãos um orçamento modesto, estimado em torno de US$58 milhões, as pressões do estúdio seriam menores e dariam a Reynolds controle maior sobre o projeto. O diretor Tim Miller, egresso dos efeitos visuais, faria sua estreia na cadeira, que chegou a ter o nome de Robert Rodriguez atrelado ao projeto.

 

          A trama do filme, lançado em 2016, é narrada em flashback respeitando os elementos que conferiram ao personagem a popularidade nas hqs: violência, mordacidade nos diálogos, metalinguagem, nenhuma pretensão de ser sério e uniforme idêntico aos quadrinhos originais. Em sua história de vingança contra o mutante Ajax (Ed Skrein), responsável pela transformação de Wade, ainda desfilam pela tela a bela Vanessa, garota de programa e amada de Deadpool, papel desempenhado pela brasileira Morena Baccarin. O filme mantém ainda relação com o universo dos heróis mutantes com a presença do herói russo Colossus, através da captura de movimentos do ator Stefan Kapicic, e a cômica e infame tirada de Deadpool sobre o Professor Xavier ser Patrick Stewart e James McAvoy. O roteiro não faz concessões, sobrando até farpas para o filme do Lanterna Verde, e dessa forma se mostra fiel ao material impresso da Marvel com direito à costumeira presença de Stan Lee em uma de suas aparições cameo, desta vez como um MC no clube de strip. Lee virou símbolo da cultura pop, e “Deadpool” atinge em cheio ao público jovem que compareceu em peso às salas de exibição com um lucro acima de US$300 milhões na bilheteria.

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          A sequência veio a ser anunciada antes mesmo da estreia do filme de 2016, que ainda teve o feito de ganhar prêmios como o “Saturn Awards” (2016), prêmio dado aos filmes do gênero fantasia e ficção científica, o “Critics Choice Award” (2016), o “MTV Movie Award” (2016), o “People’s Choice Award” (2016) e outros. A direção do segundo filme ficou com David Leitch (Atômica), ex-coordenador de dublês, depois que Tim  Miller saiu do cargo devido a desentendimentos com Ryan Reynolds. O papel do mutante Cable (nas hqs este é filho de Ciclope e Jean Grey) quase ficou com Brad Pitt, mas foi para as mãos de Josh Brolin, o intérprete de Thanos no recente sucesso “Vingadores: Guerra Infinita”. A presença de Brolin, ator que foi parte do clássico “Goonies” (1985) rende uma piada inevitável do mercenário tagarela que o chama de “Willy Caolho”, referência ao pirata do filme dos heróis mirins do filme de Spielberg. A presença do personagem Cable reforça rumores de que a Fox planeja um filme da “X Force”, equipe mutante liderada por Cable nas hqs. Dos quadrinhos originais o filme ainda traz a mutante Dominó (Zazie Beetz), o vilão mutante Black Tom Cassidy (Jack Kesy) e os retornos de Morena Baccarin e Brianna Hilderbrand como a adolescente Missil. Outro atrativo é a presença do popular ator Terry Crews, sempre reconhecido como o Latrell de “As Branquelas” (2004).  Os bastidores do filme, no entanto,  tiveram uma tragédia: a morte da dublê Joi Harris em Agosto de 2017 em acidente de moto durante as filmagens.

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           O personagem de Reynolds não se permite abater, e o filme retoma o tom jocoso do anterior como no cartaz promocional parodiando o clássico “Flashdance” (1983), e ainda trouxe para a trilha sonora Air Supply, A-Ha, Cher, e a icônica Celine Dion que gravou um divertido videoclipe com a presença do mascarado desbocado. Com orçamento estimado em torno de US$100 milhões para essa segunda aventura, já está previsto um terceiro filme para 2020, o que a julgar pela expectativa do público não será nenhuma surpresa reencontrar esse anti-herói, que como o próprio se auto-define no primeiro filme, é apenas um cara mau que luta contra caras piores ainda. A diversão está garantida, com luzes, câmera, ação e risos.

 

CLÁSSICO REVISITADO : OS 30 ANOS DE “OS GOONIES”

Eu tinha 15 anos e assistia ao Fantástico que exibia o mais novo clip da cantora Cindy Lauper “The Goonies ‘r good enough”. Aquela voz deliciosamente estridente dava o tom de uma divertida aventura cinematográfica, que na época estava prestes a estrear no Brasil. Era dezembro de 1985, seis meses depois da estreia nos Estados Unidos. Os realizadores eram um time em perfeita harmonia : A produção de Steven Spielberg, a direção de Richard Dooner e o roteiro de Chris Columbus (futuro diretor dos dois primeiros filmes de Harry Potter). Juntos, eles trouxeram para as telas uma aventura para toda a família, capaz de empolgar os jovens e, ao mesmo tempo, despertar a criança interior de qualquer adulto.

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Claro que o elenco infantil era um achado: Mickey (Sean Astin), Dado (Ke Huy Quan), Bocão (Corey Feldman) e Gordo (Jeff Cohen) formam o grupo dos Goonies (em referência às docas Goon, lugar onde os personagens moram na área costeira da cidade de Astoria, no estado americano do Oregon). Quando a família de Mickey é ameaçada de despejo por falta de pagamento da hipoteca, os garotos partem em busca do tesouro de Willie Caolho, um pirata que habitou a região há séculos. Ao grupo se junta, Brandt, o irmão mais velho de Mickey e as meninas Andy e Stef, que vivem a aventura de um vida pelos subterrâneos da cidade até a caverna em que o Inferno, o galeão de Willie o caolho guarda uma fortuna em pedras preciosas e joias. Além das armadilhas ao longo do caminho, o grupo ainda precisa driblar os Fratelli, uma família de gangsters procurada pela polícia. Mas, recebem a inesperada ajuda de Sloth ( o ex jogador de futebol americano Paul Mazursky, já falecido) , membro rejeitado dos Fratelli de força física descomunal mas a mentalidade de uma criança. Sloth faz amizade logo com o Gordo com quem compartilha de uma paixão…. CHOCOLATE !!!!!!!.

SLOTH QUER CHOCOLATE !!!

SLOTH QUER CHOCOLATE !!!

Durante 1 hora e 54 minutos, somos levados a uma contagiante aventura que basicamente reúne um time de batutinhas em uma aventura  tal qual clássicos como “A Ilha do Tesouro”. O filme não esconde a intenção de homenagear as antigas matinês como por exemplo o galeão de Willie o Caolho, construído por inteiro pelos técnicos dos estúdios Warner para ser uma réplica do navio usado por Errol Flynn no clássico “O Gavião do Mar”. Para assegurar autenticidade e espontaneidade de seu elenco, Dooner não mostrou o navio para ninguém antes das filmagens da sequência final. Outra pegadinha é quando Sloth tira a camisa e revela o sinal do Superman no peito, uma brincadeira com seu diretor Richard Dooner que realizou o primeiro filme do herói de Krypton com Christopher Reeve em 1978. A Família Fratelli, os vilões da história, é inspirada na famigerada Mãe Parker que nos anos 30 aterrorizava Chicago com seus filhos assaltantes. Anne Ramsey, a Mama Fratelli, é mais lembrada por seu papel em “Joga a Mamãe do Trem” (1987) de Danny DeVito. Robert Davi, o Jake Fratelli chegou a ser vilão de filme de James Bond e já foi cantor de Ópera, logo quando canta no filme, é sua própria voz. Entre as crianças, somente Cohen, o Gordo, não teve carreira no cinema apesar de frequentes aparições em seriados de TV da época. A sequência em que chora ao ser interrogado pelos Fratelli e admite, inocentemente, a autoria de várias estripulias infantis é antológica. O ator coreano Ke Quan foi o Short Round de “Indiana Jones & O Templo da Perdição”, filmado um ano antes. Corey Feldman teve carreira prolífica na década de 80 em vários filmes antes de naufragar sua vida e carreira nas drogas, das quais veio muito depois a se recuperar. Os dois Goonies mais conhecidos depois de adultos foram os irmão Walsh: Sean Astin (o Mickey) foi o Hobbit Samwise na trilogia “O Senhor dos Anéis” e Josh Brolin (Brandt) trabalhou em filmes como “Homem de Preto 3” e “Onde os Fracos Não tem Vez”.

oS gOONIES EM 1985

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Rumores de uma continuação constantemente surgem, geralmente apontando que os filhos dos personagens originais seriam os protagonistas de uma nova aventura. De qualquer forma, “Os Goonies” tornou-se um dos filmes mais cultuados de sua época, entrou para a memória afetiva de quem o assistiu nos cinemas ou nas reprises da Sessão da tarde global. Quem sabe ainda possamos mostrar aos nossos filhos a magia voltar, novos tesouros a encontrar. Eu, do meu lado, sou hoje um Goonie de 45 anos ainda à procura do tesouro de Willie Caolho, e como diz o personagem de Sean Astin, do nosso próprio tempo.

OS GOONIES HOJE

OS GOONIES HOJE