ESTREIAS NO CINEMA:7 DE FEVEREIRO 2019

UMA AVENTURA LEGO 2

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(The Lego Movie 2) EUA 2018. Dir: Mike Mitchell. Com Chris Pratt, Elizabeth Banks, Will Arnett, Animação.

O primeiro foi uma surpresa para todos há cerca de cinco anos. A sequência é uma diversão mediana, com piadas algumas funcionais, outras não. A cidade de Emmet sofreu com uma invasão alienigena e agora precisam sobreviver. Lanterna Verde e Batman possuem seus momentos de humor embalado com trilha sonora pop. Algumas referências no entanto podem escapar dos pequenos como o personagem de Chris Pratt se apresentando como um arqueologo das galáxias, cowboy e treinador de raptores fazendo referência a seus personagens em “Guardiães da Galaxia”, “Sete Homens e Um Destino” e “Jurassic World”. Esta é a primeira animação do estudio Warner a ter uma antagonista feminina, o que abre espaço para uma crítica ao machismo, o que também funciona mais para os pais do que para as crianças. Estas vão ter o que querem: Ação e humor e, quem sabe, em breve um terceiro filme.

NO PORTAL DA ETERNIDADE

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(At Eternity’s Gate) FR 2019. Dir: JUlian Schnabel. Com Williem Dafoe, Oscar Isaac, Mads Mikkelsen. Drama.

A vida do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853 – 1890) já foi tema de uma belíssima canção de Don McLean e de outras adaptações cinematográficas, sendo a minha favorita a de Vincent Minelli (1956) em que o pintor foi vivido por Kirk Douglas. William Dafoe é o interprete agora deste incrível artista, alma perturbada que  deixou um legado admirável de beleza artística. O filme do também pintor Julian Schnabel faz um recorte na vida de Van Gogh focando no periodo em que, mergulhado na melancolia, pintou um de seus maiores quadros, “O Quarto em Arles”, período em que viveu na França. A atuação de Dafoe, indicado novamente ao Oscar, é de fato no ponto justificando as aplaudidas passagens do filme por premiações como o Golden Globe e o vindouro Oscar, além  da bem sucedida exibição no Festival de Veneza de 2018 que deu um merecido prêmio para Dafoe. Os fans vão lembrar dele mais por ter sido o Duende Verde do filme “Homem Aranha” (2001) e o Vulko do recente “Aquaman” (2018). Uma coisa curiosa é que nem o diretor nem Dafoe são fluentes em Francês e , apesar de algumas sequências em Francês, 90% do filme é falado em inglês. O próprio Van Gogh na vida real falava quase nada em Francês, o que acentuou sua sensação de alienação e inadequação que o empurrava ainda mais para o caminho da depressão. Não é um filme para o público em geral e sua atmosfera depressiva pode incomodar muitos.

CINEMA JURÁSSICO

MUNDO PERD

Sempre houve um grande interesse do ser humano pelos dinossauros, grandes lagartos como já diz o significado do nome, e que dominavam o planeta em uma época ainda anterior ao surgimento do homem. Logo, a ideia do convívio entre pessoas e dinos como perpetuado pela cultura pop nunca aconteceu. Mas, se por um lado os Flintstones estão equivocados, não há como negar a diversão de imaginar esse convívio que alimenta a ficção.

O escritor francês Jules Verne foi o primeiro a escrever sobre o assunto em um romance, no clássico “Viagem ao Centro da Terra” (Journey to the Center of the Earth), publicado em 1864. Nele, um grupo de exploradores encontram as tais criaturas vivas no interior do planeta. Contudo, Verne explorava o encontro com os dinos como um entre outros elementos da aventura. Coube ao bárbaro Arthur CONAN Doyle, o criador de Sherlock Holmes, a primeira aventura a explorar as possibilidades desse encontro na história que batizou de “O Mundo Perdido” (The Lost World) , publicado em 1912 onde um grupo de viajantes luta pela sobrevivência ao chegar em um platô na bacia amazônica onde os animais vivem alheios à extinção de sua espécie no mundo exterior. A história foi publicada em capítulos, entre abril e novembro do citado ano, na revista “The Strand Magazine”, a mesma em que Conan Doyle publicava as aventuras de Holmes.

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A TERRA QUE O TEMPO ESQUECEU

Outro renomado escritor se aventurou a imaginar como seria o contato entre o homem e os dinos no romance, de 1915, “A Terra que o Tempo Esqueceu” (The Land That Time Forgot) em que marinheiros naufragam próximo à imaginária ilha de Caprona, habitada por homens primitivos e … dinossauros. O livro, escrito por Edgar Rice Burroughs (o criador de Tarzan e John  Carter), foi um sucesso de vendas e gerou duas sequências “O Povo que o tempo Esqueceu” (The People that Time Forgot) e “Out of Time’s Abyss”. Posteriormente a série que ficou conhecida como a trilogia de Caspak, nome da região da ilha em que os personagens se confrontam como um mosaico da escala evolucionária onde homens de cro-magnon convivem com neanderthais. Burroughs não estava preocupado com as implicações corretas dos períodos pré-históricos retratados, mas em construir um grande épico narrativo que funcionou pois pouco tempo depois a saga foi republicada como romance.

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Não demorou para que o cinema decidisse adaptar essas histórias. Ainda em 1925, o diretor Hal Roach e seu filho realizaram a primeira adaptação do romance de Conan Doyle, tendo o próprio aprovado o resultado. Para baratear os custos, os dinossauros eram lagartos comuns maquiados para se parecerem com seus antepassados. O filme foi muito bem sucedido e foi o primeiro filme a ser exibido em vôo, por empresa que fazia a travessia de Londres a Paris. Impressionante foi o resultado obtido pelo técnico Willis O’Brian que usou miniaturas e a filmagem quadro a quadro (stop-motion) para dar a vida a dinossauros em “King Kong” em 1933. Foi, para a época, um avanço repetido por O’Brian no projeto mais audacioso entitulado “Um Milhão de Anos Atrás” (One Million B.C) em 1940 que retratava o conflito entre duas tribos de homens das cavernas com os gigantescos répteis como atração principal. Em 1963, o filme foi refeito a cores e já em plena época de contra-cultura explorando os dotes físicos de sua estrela Raquel Welch, aos 26 anos, em trajes de peles de animais que realçavam seu corpo escultural. Os dinossauros estavam lá novamente, mas a sensualidade dos papéis femininos já servia como atrativo adicional. O cartaz com Raquel Welch foi um dos mais famosos da época. Em 1960, também houve uma refilmagem de “O Mundo Perdido” (The Lost World) dirigida por Irwin Allen (o renomado produtor de séries clássicas como “Perdidos no Espaço” e “Tunel do Tempo”) e que trazia Jill St. John (futura Bond girl de “007 Os Diamantes São Eternos”) com a função de ser a bela em meio às feras. Seja perpetuando a técnica de stop motion (aprimorada pelo excelente Harry Harryhausen) ou fantasiando iguanas e outros répteis para se parecerem com os dinos, o fato é que a década de 60 e 70 seguiram com vários exemplares curiosos apesar de nenhum rigor científico como foi “Quando os Dinossauros Dominavam a Terrra” (When Dinossaurs Ruled the Earth) de Val Guest, em 1970, que chegou a ser indicado ao Oscar de efeitos especiais ou a adaptação de “A Terra que o tempo esqueceu” (The Land That Time Forgot) de 1974, com sua sequência lançada no ano seguinte.

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A TV importou o interesse pelos sauros em diversas produções como a clássica “O Elo Perdido” (Land of the Lost), ou mais tarde a paródia criada por Jim Henson “A Família Dinossauros” (The Dinossaurs) que popularizou os chavões “Querida, cheguei” e “Não é a mamãe”). Sem mencionar o uso desses animais em animações e HQs diversas ao longo das décadas, podemos dizer que esses foram de fato revividos com realismo inédito a partir da adaptação de “Jurassic Park – Parque dos Dinossauros” (Jurassic Park) em 1994, dirigido por Steven Spielberg a partir de um romance de Michael Chricton.

Desde o início dos anos 80, o autor planejava uma história sobre um pterodátilo despertando na Nova York moderna, mas as diversas ideias que vinham a sua mente não o deixavam plenamente satisfeito. Chricton decidu juntar ao seu caldeirão elementos de outro livro que escrevera “Westworld” sobre um parque temático que sai do controle e  juntou a isso críticas suas ao capitalismo selvagem e o medo da genética que abria caminhos teóricos que caminhariam para a engenharia genética. Chricton pôs a venda os direitos de filmagem do livro antes de sua publicação. Todos os estúdios fizeram propostas e os nomes de Joe Dante e Tim Brton chegaram a ser cotados para dirigir o filme. Foi a Universal e Steven Spielberg que transformaaram as plavars de Chricton em um dos filmes mais bem sucedidos da década de 90. O arqueólogo James Horner fez a consultoria e serviu de inspiração para o papel do dr.Alan Grant que quse ficou com Harrisson Ford, mas este recusou e o papel foi para Sam Neill. Muitas atrizes foram testadas para o papel da Dr.Ellie Sattler antes de Laura Dern. Jim Carrey e Sean Connery seraim inicialmente o Dr. Malcolm e John Hammond, papeis que focaram para Jeff Goldblum e Sir Richard Altenborough respectivamente.

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O sucesso do filme fez aumentar a procura pelo curso de paleontologia e os dinossauros digitais em CGI impressionaram o mundo. John Hammond parecia um Walt Disney delirante, sempre vestido de branco falando da clonagem dos dinossauros com loucura e fascínio, sempre oposto pelo cinismo do Dr. Malcom despejando a teoria do Caos e sempre vestido em preto. Malcom era Chricton e Hammond era Spielberg, polos opostos de uma aventura que discutia em paralelo os limites da ciência. Três anos depois Spielberg dirigiu a sequência em que Chricton se apropriou do título do livro de Conan Doyle, que já era dominio público . “O Mundo Perdido – Jurassic Park” trouxe de volta Malcolm e Hammond que no primeiro livro morriam, em uma história claramente inspirada em King Kong. Na sequência em que o T-Rex ataca San Diego, um grupo de japneses corre pelas ruas falando em sua língua nativa em que diziam “Fugimos do Japão para escapar de coisas assim”, numa clara homenagem e citação ao clássico Godzilla. Bilheterias milionárias levaram ao terceiro filme dirigido por Joe Johnston (de Capitão \America – Primeiro Vingador) co  direito ao impressionante vôo dos pterodátilos e a volta de Sam Neill como o Dr.Alan Grant.  Agora mais de dez anos depois surge o quarto filme a ostentar a silhueta do tiranossauro, que na verdade pertence ao período cretáceo e não ao Jurássico. Também os mortíferos velociraptores reais não eram tão grandes quanto mostrados no filme. É claro que para curtit a aventura, não importa, os dinossauros estão de volta ao mundo.