ADILSON CINEMA – STAR WARS EPSIODIO IX – A ASCENÇÃO SKYWALKER

         Há 4 anos estamos acompanhando a trilogia final de uma “space opera” que entrou para a cultura popular, marcou a história da ficção cientifica e já se desdobra em gerações que, assim como eu, empunhamos um sabre de luz imaginário e n os juntamos à filosofia Jedi. Esse capítulo final vem com a missão de atar as pontas soltas, revelar o destino final de personagens e reconquistar os fãs divididos após o resultado do filme anterior, dirigido por Rhian Johnson.

          Com tantos objetivos a atingir, a tarefa de J.J.Abrams e do roteirista Chris Terrio (Batman x Superman, Liga da Justiça) ao adaptar a história inicial de Colin Trevorrow, que foi demitido por diferenças criativas antes do início das filmagens. O episódio IX é essencialmente uma satisfação aos fans saudosistas, seja na estrutura narrativa ou no direcionamento da história que não se preocupa em explicar como o Imperador Palpatine (Ian McDiarmid) sobreviveu aos eventos de “Star Wars: O Retorno de Jedi” (1983). O vilanesco Darth Sidous é a mão por trás dos eventos que se desenrolaram desde a ascenção da Primeira Ordem, como já adiantado pelo trailler final. Sem necessidade de dar spoilers, o filme entrega o que os fãs desejam, o confronto final entre Rey (Daisy Ridley) e  Kylo Ren (Adam Driver), a verdade sobre as origens de Rey entre outras. O roteiro final tenta equilibrar a nova geração, o trio Rey-Finn-Poe com a antiga geração graças às rápidas aparições de rostos conhecidos como o contrabandista Lando Calrisian (Billy Dee Williams), a aparição de Luke para Rey (você não achava que Mark Hamil ficaria fora do capítulo final?), e claro esperada despedida de Leia, realizada com imagens gravadas desde a época de “O Despertar da Força” (2015), funcionando como uma emocionante homenagem à atriz Carrie Fisher falecida na ocasião do lançamento do episódio VIII …

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CLÁSSICO REVISITADO: 40 ANOS DE “STAR WARS EPISÓDIO IV : UMA NOVA ESPERANÇA”

            Há quarenta anos o mundo conheceu a saga da família Skywalker, e não foi em uma galáxia tão distante assim. Para mim, então com nove anos, foi na capa de uma revista da extinta Bloch Editores chamando a atenção para o filme que fora anunciado na TV com a imponente trilha sonora de John Williams. George Lucas tinha 33 anos quando “Star Wars – Episodio IV: Uma Nova Esperança” chegou aos cinemas, naquela época chamado de “Guerra Nas Estrelas”, alimentado pelos antigos seriados de “Flash Gordon” (o herói que enfrenta um imperador maléfico), pela estética dos filmes de samurais do renomado Akira Kurosawa (no filme “A fortaleza escondida”, uma princesa é escoltada por território hostil no Japão feudal) e os impressionantes quadrinhos de “Valerian e Laureline” de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, recentemente adaptados por Luc Besson.

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             Na época de sua realização, a ficção científica era considerada um sub-gênero cinematográfico, associado a filmes B não levados a sério. Lucas mudou isso a duras custas já que nenhum estúdio se interessou pelo projeto. Tendo convencido a 20th Century Fox a fazer um acordo que daria a Lucas os direitos, assim como a responsabilidade do prejuízo no caso de um eventual fracasso. A Força estava com Lucas, como mostrou o lucro estimado em mais de US$700 milhões e o papel que sua história desempenharia na cultura pop nos anos que se seguiram.

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      Nos seis anos seguintes a trilogia encerrou o ciclo com “O Império Contra Ataca” (1981), considerado o melhor dos filmes, e “O Retorno de Jedi” (1983). São muitos os momentos registrados na memória dos fãs, como o momento em que Luke descobre quem é seu pai, os duelos dos sabres de luz ou o imenso cruzador imperial que parece sair da tela na abertura de “Uma Nova Esperança”.

           Sabe-se que os filmes dessa trilogia eram os episódios intermediários de uma história maior, que viria a ser produzida ao longo das décadas. O impacto da história foi expandido para além do cinema quando George Lucas permitiu que autores explorassem a história após os eventos de “O Retorno de Jedi” na forma de HQs e livros. Este universo expandido foi rebatizado de “Legends” (Lendas) quando a Disney comprou os direitos de Lucas, e guarda momentos apreciados por fãs como a trilogia “Herdeiros do Império”, escrita por Timothy Zahn, que mostra a Nova Republica enfrentando o Almirante Thrawn, um militar implacável , sem nenhuma conexão com a Força, que busca reconstruir o Império e esmagar as forças rebeldes.

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         “Guerras nas Estrelas” teve indicação para vários Oscars e ganhou sete – melhor direção de arte, melhor figurino, melhor som, melhores efeitos especiais, melhor edição, melhores efeitos sonoros e melhor trilha sonora. Seu elenco era então composto principalmente por desconhecidos, apesar de Carrie Fisher (Princesa Lea) ser filha da consagrada atriz Debbie Reynolds (Cantando na Chuva). As duas únicas exceções são Alec Guiness (1914-2000) , veterano ator que vinha de clássicos como “Lawrence da Arabia” (1962) e “Dr.Jivago” (1964) e Peter Cushing (1913 – 1994) que estrelou vários filmes de terror ao lado de Christopher Lee pela Hammer Films. O trio central formou-se em torno de Lea, Luke (Mark Hamil) e Han Solo (Harrison Ford), heróis de uma epopeia que ainda trazia os icônicos robôs R2D2 (Kenny Baker) e C3PO (Anthony Daniels), este último evocando a clássica imagem de Maria, a robô de “Metropolis” (1927) de Fritz Lang.

            Ná década em que o episódio IV foi originalmente lançado, o público estava acostumado aos filmes- catástrofe (Destino do PoseidonAeroportoInferno na Torre), filmes policiais (Dirty HarryOperação França) e recém-saído dos acordes assustadores do “Tubarão” de Speilberg. Lucas entregou um produto que atingiu em cheio as plateias mais jovens, que não eram o foco das produções cinematográficas da época. Desprovido de qualquer pretensão, o filme transbordou com puro escapismo e foi capaz de encantar – geração após geração – seduzidas pelo apelo irresistível da Força, da imagem hoje emblemática do vilão de negro, Darth Vader, classificado como o terceiro maior do cinema pelo AFI (perdendo apenas para Norman Bates (#2) e Hannibal Lecter (#1) em uma lista de 50 personagens escolhidos em julho de 2003).

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Ainda tenho na lembrança a primeira exibição do episodio IV na TV, no distante 11 de dezembro de 1983, pela já extinta Rede Manchete. Não havia sido retocado por George Lucas, que modificou cenas para o relançamento de 20 anos do filme, e depois nas sucessivas passagens para outras mídias (DVD, Blu-ray).

           Tampouco tínhamos imagens digitais a nossa disposição, mas marcou tanto quanto no dia de sua estreia nos cinemas brasileiros em janeiro de 1978. Minha geração revive essas emoções a cada reprise e comparecerá aos cinemas para se despedir de Lea no novo filme “Star Wars – Episodio IX:O Ultimo Jedi”. Mas a força sempre estará em  nossos corações.

POSTER: STAR WARS EPISÓDIO VIII: O ÚLTIMO JEDI

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DIVULGADO PELA LUCASFILMS O PRIMEIRO POSTER DO AGUARDADO OITAVO FILME DA FRANQUIA STAR WARS, E SEU ESPERADO TÍTULO, UMA REFERÂNCIA CLARA A LUKE SKYWALKER. O FILME ESTÁ AGENDADO PARA ESTREIAR EM 15 DE DEZEMBRO DESSE ANO. DIRIGIDO POR RIAN JOHNSON (LOOPER) O FILME REUNIRÁ MARK HAMMIL, CARRIE FISHER, DAISY RIDLER, JOHN BOYEGA, ADAM DRIVER ALÉM DO ACRÉSCIMO NO ELENCO DE BENICIO DEL TORO E LAURA DERN.

 

STAR WARS : A FORÇA SEMPRE ESTEVE CONOSCO

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Eu tinha 7 anos (a idade que hoje minha filha tem) quando conheci o que era “Star Wars”, que na época chamávamos de “Guerra Nas Estrelas”. Na essência parecia uma história medieval de cavaleiros e magos, mas com uma roupagem futurista, encenada em planetas distantes. O apelo visual era irresistível, estimulado pela magnífica trilha sonora de John Williams. Foi então um fenômeno sem precedentes aparecendo na capa de revistas e jornais muito antes do surgimento da ideia de uma franquia, antes da popularização do termo trilogia, bebendo de diversas fontes: literárias (a influência de “O Senhor dos Aneis” foi admitida pelo próprio George Lucas), cinematográficas (os antigos seriados da Republic) e HQs (Flash Gordon de Alex Raymond). A mistura desses elementos se deu na mente do Californiano George Walton Lucas Jr, fantasias muito além das limitações de espaço do rancho em que foi criado.

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Há  38 anos atrás em uma galáxia muito distante

Foi Francis Ford Coppola quem abriu as portas do mundo do entretenimento para George Lucas. Este trabalhou como assistente de Coppola em “Caminhos mal-traçados” (The Rain People). Coppola lhe ensinou tudo sobre os bastidores do cinema, produziu seu primeiro filme como diretor “THX 1138” e usou de seu prestígio para conseguir para Lucas o financiamento necessário para “Loucuras de Verão” (American Graffite) em 1973, já com o selo da “LUCASFILM LTD”. Com o sucesso desse filme (vencedor do Golden Globe e indicado ao Oscar), Lucas obteve a moral necessária para escrever “Star Wars” dividindo sua história em nove capítulos. Montou a “Industrial Light & Magic” para desenvolver os efeitos especiais e conseguiu um acordo com a 20th Century Fox que lhe garantiu a permanência dos direitos autorais, que o enriqueceu.
No Brasil, o filme “Star Wars – Uma Nova Esperança” era um risco pois nada naquela proporção havia sido feita com sucesso em Hollywood, por isso foi comercialmente melhor rebatizar o filme como “Guerra nas Estrelas”, omitindo o fato de que este era o quarto episodio da história. Lançado no Brasil em 18 de Novembro de 1977 (seis meses depois do lançamento original nos Estados Unidos) tendo contado com um orçamento de cerca de onze milhões de dólares (custo bem baixo para uma produção do tipo). Lucas sempre foi uma pessoa difícil de se trabalhar de acordo com histórias de bastidores e depoimentos dos envolvidos nas filmagens que ocorreram em estudios na Inglaterra e no deserto da Tunísia.

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O trio central da história foi feito por atores desconhecidos na época: Mark Hammil como Luke Skywalker, Carrie Fisher (filha da atriz Debbie Reynolds) como Princesa Leia e Harrison Ford como o mercenário Han Solo, um tipo com a estirpe de um Errol Flynn, cafajeste mas de bom coração. Na história, rebeldes lutam contra o Império Galático representado pelo maligno Grand Moff Tarkin (o icônico Peter Cushing) e o maior vilão dos cinemas, Darth Vader (David Prowse dublado por James Earl Jones) uma postura de nobre mas ameaçadora e misteriosa tal qual a figura de um Drácula espacial. A luta pela libertação de todo um sistemas galático move os personagens que sobrevivem a perigos sucessivos, todos guiados pela sabedoria extinta dos Jedis (antigos guardiães da paz) representada pela figura de Sir Alec Guiness no papel de Obi Wan Kenobi. O ator britânico de renomada passagem pelo teatro e pelo cinema (Dr.Jivago, Lawrence da Arábia, A Ponte do Rio Kwai, Os Farsantes) guarda histórias conflitantes: Algumas fontes atestam que Guiness detestava estar envolvido no filme odiando suas falas e a história que consideraria muito inferior. Contudo, outros como o próprio George Lucas, declararam que a relação de Guiness era amistosa e profissional com todos os colegas de equipe. Apesar do trio de heróis rebeldes, é a figura de Guiness como Obi Wan que guia o desenrolar da história e explica a natureza da “Força”, o campo de energia vital que se torna tanto uma conduta religiosa como uma arma defensiva tão eficiente como os charmosos sabres de luz, herdeiros das cimitarras e espadas dos antigos épicos de cavalaria.

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Uma das cenas mais icônicas

Três anos depois do sucesso deste veio “O Império Contra Ataca” (The Empire Strikes Back) dirigido por Irving Keshner, quase uma unanimidade entre os fãs como o melhor filme da série. Na verdade, sendo o episódio cinco, o filme de Keshner desenvolve os personagens continuando exatamente de onde o anterior parou. Aos heróis se somam a figura de Lando Calrissian (Billy Dee Williams), chefe de uma colônia de mineração no espaço e Yoda (Frank Oz), mestre Jedi de 900 anos que será responsável pela continuidade do treinamento de Luke e que guarda um segredo que guiará os rumos da história. Entre lutas e perseguições, fica mais evidente que o triângulo Luke-Lea-Han Solo será desfeito conforme as verdades de cada um surgem, culminando com Solo congelado ao final para ser entregue a Jabba com uma declaração de amor de Leia (Fisher) a qual Solo responde “Eu Sei”, conforme o próprio Harrison Ford insistiu em vez do obvio “Eu te amo também”. Nada mais impactante, contudo, do que a esperada luta entre Luke e Darth Vader em que este revela que é pai do jovem Jedi. No intervalo de filmagens entre os episodios IV e V Mark Hammil sofreu um acidente de carro que desfigurou seu rosto e o levou a uma cirurgia de reconstituição plástica. Por isso seu rosto está tão diferente em “O Império Contra Ataca”, o que foi justificado no início do filme quando Luke enfrenta uma criatura no planeta Hoth.
Em 1985, exatos trinta anos atrás, a trilogia se encerraria com “O Retorno de Jedi” (The Return Of Jedi) dirigido desta vez por Richard Marquand, e que quase foi batizado de “Revenge of the Jedi” (A Vingança dos Jedi). O filme fecha as pontas soltas e decide o destino dos personagens com o combate final entre os rebeldes e o Império; a luta entre Luke e o maligno Imperador (Ian McDiarmind ) , a surpresa de que Luke e Lea são irmãos deixando o caminho livre para o romance entre Lea e Han Solo, o que contrariou as expectativas de Harrison Ford que queria que seu personagem morresse no final. Claro, que a cereja do bolo seria a luta decisiva entre pai e filho, essencial para fazer a galáxia pender para o bem ou para o mal. O último filme ainda trouxe uma Leia mais sensual, em trajes de escrava de Jabba e os Ewoks, que ganharam até um filme solo. Com o final deste, a saga tomou novos rumos: continuidade em HQs e livros, games, uma nova trilogia contando os episódios 1,2 e 3 e a remasterização feita por Lucas que modificou cenas, inseriu novos cortes, corrigiu os efeitos que evoluíram desde 1977, mas desagradou a vários fans porque mexeu em sequencias inteiras como removendo David Prowse para incluir Hayden Christesen no final de “O Retorno de Jedi”.

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O impacto cultural de Star Wars foi além da industria cinematográfica, reviveu o interesse de Hollywood pela ficção cientifica que abandonou a aura de “filme B” , criou imitadores em seu rastro e parodias como “SOS Tem um Louco Solto No Espaço” (Spaceballs) de Mel Brooks e o nacional “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” com Renato Aragão, Dede Santana, Mussum e Zacarias (foi o primeiro filme reunindo o quarteto). Foi assim que tudo começou, com “Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante”, uma modernização do clássico “Era Uma Vez’ que ditou os rumos da cultura pop descobrindo os desígnios da Força. Assim também todos nós, incluindo este que vos escreve.