MAKE & REMAKE : BEN HUR

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CAPA DA PRIMEIRA EDIÇÃO

Assisti “Ben Hur” pela primeira vez na Rede Globo por volta de 1984, dividido em duas partes. Claro me refiro à versão de 1959, estrelada por Charlton Heston. Sim, o filme é a terceira versão da história que agora chega a uma nova geração refilmada com todo o requinte da tecnologia digital e trazendo o desafio de agradar um público mais em sintonia com filmes de super heróis.

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GENERAL LEW WALLACE – O AUTOR

“Ben Hur : A Tale of the Christ” foi escrito por Lew Wallace (1827 – 1905), que foi militar tendo lutado na Guerra de Anexação do Texas e na Guerra de Secessão, além de ter sido governador do Novo México (1878 – 1881) , ministro e diplomata no Oriente Médio. O mais curioso é que Lewis Wallace (seu verdadeiro nome) era ateu e decidiu escrever o livro para provar que Jesus Cristo nunca existiu. Depois de minuciosa pesquisa, o autor se aprofundou tanto que não apenas mudou de ideia, como também se tornou um homem de fé, uma vez que no livro Jesus é retratado com teor religioso, e não apenas como um personagem histórico como nas próprias palavras do autor. A história do príncipe Judah Ben Hur corre em paralelo com a passagem de Cristo pela Terra, e por isso no livro, a figura de Jesus é muito mais frequente que no filme, retratando o messias desde seu nascimento com a chegada dos três Reis Magos até sua crucificação.O livro publicado pela primeira vez em 1880 foi um sucesso de vendas com sua narrativa detalhada ao mostrar a cultura dos povos judeu e árabe nos tempos da dominação romana no Oriente Médio. Outra diferença é que no livro Ben Hur torna-se tão poderoso e rico que chega a reunir um exercito para inovador Roma, mas desiste da ideia ao ser tocado pelas palavras de Cristo. No final da história, passa a proteger os seguidores de Cristo depois de ver sua mãe (cujo nome não é mencionado pelo autor) e irmã curadas milagrosamente da lepra.

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RAMON NOVARRO NA VERSÃO DE 1925

A primeira vez que a história foi adaptada foi em 1907 com Herman Rottger e William S.Hart (que foi cowboy em diversos filmes) nos respectivos papeis de Ben Hur e Messala. O filme de 15 minutos é um item raro para os cinefilos, tendo sido processado pela família de Wallace porque os realizadores simplesmente não se preocuparam em pagar pelos direitos de adaptação. Em 1925 a Goldwyn Pictures conseguiu os direitos e realizou, ainda no período do cinema mudo uma excelente versão da história e se tornando o filme mais caro do período ao custo de US$3,9 milhões, uma fortuna para a época. O filme dirigido por Fred Niblo (1874 – 1948) foi um triunfo técnico com 48 câmeras usadas para a sequência de batalha marinha filmada na Itália. O número de extras usados nas cenas de multidão também eram superlativo e incluía nomes que ficaram famosos nas telas como Clark Gable, Carole Lambord (Ambos se casariam posteriormente), Harold Lloyd, Joan Crawford, Gary Cooper, Mary Pickford, Myrna Loy, Lilian Gish, Douglas Fairbanks, Fay Wray (aquela mesma de King Kong), Lionel Barrymoore, Janet Gaynor entre outros. O papel de protagonista quase foi para as mãos de Rodolfo Valentino, mas ficou com o ator mexicano Ramon Novarro (1899 – 1968), que era gay na vida real e escondia o fato. Ben Hur foi o ápice de sua carreira, pois com a chegada do cinema falado, ele assim como outros tinham vozes horríveis que não combinavam com a figura física que projetavam. O papel de Messala ficou com Francis X. Bushman (1883 – 1966), que pode ser visto em dois episódios da clássica série de Tv “Batman” (aquela mesma com Adam West). Sua habilidade com a corrida de bigas (na verdade quadrigas, pois eram quatro cavalos) era real e superava Novarro. Conta –se que o ditador italiano Benito Mussolini odiava o filme por mostrar um judeu superando um romano. Em 1931, o filme de Niblo foi relançado nas telas com musica de fundo e efeitos sonoros.

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A CENA INIGUALÁVEL

Quando a Metro se fundiu a Goldwyn Picures criando a MGM (Metro Goldwyn Mayer), esta ganhou o direito de refilmar o livro de Lew Wallace. Como no final da década de 50, a industria cinematográfica se via ameaçada pelo surgimento da televisão, os estúdios investiam em grandes épicos e espetáculos que seduzissem o público. O produtor Sam Zimablist e o diretor William Wyler se uniram para uma nova adaptação, a primeira do cinema falado e chamaram Burt Lancaster para o papel principal. Este se recusou pois se dizia ateu, então Marlon Brando recusou e Rock Hudson se interessou mas não ficou com o papel que acabou indo para Charlton Heston. Seu antagonista ficou com o ator de origem irlandesa Stephen Boyd. O filme foi um marco da história do cinema ganhando o número recorde de 11 Oscars, só igualado mais de 40 anos depois por “Titanic” (1998) e “O Senhor do Aneis O Retorno do Rei” (2003). A corrida de quadrigas é um primor de técnica superior em todos os aspectos (duração de quase 20 minutos, movimentação e ângulos de câmera, edição) , filmada nos estúdios de Cinecittá em Roma durante cinco semanas e contando com 15 mil extras. Orçado em US$12,500 milhões, seu resultado de público e crítica salvou a MGM que atravessava período difícil então. Charlton Heston ficou marcado com personagens históricos tendo já interpretado Moises em “Os Dez Mandamentos” (1956) além de depois dar vida a personagens como El Cid, Michelângelo, Cardeal Richelieu entre outros.

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ENCONTRO COM JESUS

No Brasil, o filme foi lançado em Janeiro de 1960 e se tornou muito tempo depois muito popular com as reprises de Tv. Outro marco em sua história é de ser o único filme Hollywoodiano a falar de Jesus a ter sido aprovado pelo Vaticano. Segundo o site imdb, o escritor Gore Vidal introduziu na história a cena do brinde entre Ben Hur e Messala com intenção de sugerir um relacionamento homossexual. Cerca de oito anos depois, o ator Ramon Novarro, o antecessor de Heston no papel foi espancado até sua morte em sua casa por garotos de programa.

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O BRINDE

A história do General Lew Wallace ainda ganharia uma versão em desenho dublada pelo próprio Heston em 2003, e uma mini série de TV em 2010. O filme pode tocar cada um de muitas maneiras, mas não como negar que a saga desse herói é uma trajetória de fé e uma lição de perdão e perseverança para que cada um encontre seu Cristo interno, e uma aventura fascinante que o cinema reapresenta, revisita e repagina para uma nova geração.

 

GALERIA DE ESTRELAS : O CENTENÁRIO DE OLIVIA DE HAVILLAND

Fazer o bem não importando a quem ou sem esperar nada em troca. Se já houve um personagem no cinema que simbolizou sacrifício e dedicação é Melaine Wilkes em “E O Vento Levou”. Sua intérprete, no entanto, foi muito além em sua carreira se tornando uma lenda viva que em 1º de Julho passado completou 100 anos. Parabéns mais do que merecido para Olivia de Havilland.

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Quando nasceu em Tokyo, Japão em 1916, o mundo ainda vivia as agruras da Primeira Guerra Mundial. e o cinema ainda era mudo, permanecendo assim por mais onze anos até que Al Jolson anunciasse que ainda não havíamos ouvido tudo. Com onze anos, Olivia Mary de Havilland vivia com sua mãe e irmã mais nova Joan na California depois que seus pais se divorciaram. Depois de terminar o ensino médio, Olivia se apaixonou pela atuação e estreou no cinema em 1935 com um contrato com o estúdio da Warner Brothers onde filmou o clássico “Capitão Blood” (Captain Blood) ao lado de Errol Flynn, hoje um clássico filme de piratas que na época foi o primeiro filme falado adaptando o então popular autor italiano Rafael Sabatini.

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E O VENTO LEVOU AO LADO DE HATTIE MACDANIEL E VIVIAN LEIGH

Ao lado de Flynn, Livvie, como era conhecida também fez mais oito filmes incluindo filmes como “A Carga da Brigada Ligeira” (The Charge of the Light Brigade) em 1936 e “As Aventuras de Robin Hood” (The Adventures of Robin Hood) de 1938, neste último interpretando Maid Marian, a heroína romântica, papel que marcaria toda essa primeira fase de sua carreira, chegando ao ápice em 1939 como foi emprestada a MGM para o papel de Melaine Wilkes, contracenando com Clark Gable e Vivian Leigh em “O Vento Levou” (Gone With the Wind). Conseguiu então sua primeira indicação ao Oscar como atriz coadjuvante, prêmio que perdeu para Hattie MacDaniel, sua colega de elenco em “E O Vento Levou”. Seu um metro e sessenta e três e traços suaves do rosto a tornava o tipo ideal para o papel de moçinha vulnerável, namoradinha da América. Em 1941, foi indicada pela segunda vez pelo papel de Emmy Brown em “A Porta de Ouro” (Hold Back the Dawn) , mas perdeu novamente, e desta vez, para sua irmã mais nova, a atriz Joan Fontaine de “Suspeita” (Suspicion). O resultado foi demais para Olivia que nunca teve um relacionamento amigável com Joan, e a estatueta dourada se tornou a gota final entre as duas.

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O OSCAR AFINAL

A atriz, contudo, queria muito mais,e começou a pressionar a Warner para obter papéis mais desafiadores. Como retaliação, o estúdio a suspendeu afastando-a de qualquer filme que quisesse fazer. Era a época do “star system”, no qual os estúdios se auto entitulavam donos dos atores e Olivia sofreu todos os revezes possíveis, ao ponto de mesmo com o contrato chegando ao final ver a Warner exigindo que ela indenizasse o estúdio que alegava ter sido prejudicado pela suspensão da atriz. Olivia foi até a justiça e ganhou o processo abrindo, em 1944, o precedente conhecido como “A Decisão de Havilland”, que reduziu o poder dos estúdios sobre os astros.

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AO LADO DE ERROL FLYNN EM AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD

O Oscar tão desejado eventualmente veio em 1947, aos 30 anos,  pelo papel de uma mãe solteira levada a desistir de seu filho no melodrama “Só Resta Uma Lágrima” (To Each His Own), uma atuação densa e sofrida que mostrava que ela podia ir muito além da imagem de delicada que transmitia. Repetiu o feito em 1950 no papel de herdeira enganada em “Tarde Demais” (The Heiress) contracenando com Montgomery Cliff. Livvie mudou-se para Paris na metade dos anos 50, mas seguiu sua carreira, trabalhando na Tv ou filmes como “Aeroporto 77” (Airport 77) e “O Enxame” (The Swarm) em 1978 já uma senhora de idade em papeis menores longe dos grandes desafios que no passado marcaram sua carreira. Aposentou-se em 1988, mas antes disso já havia ganhado o Globo de Ouro pelo filme de TV “Anastasia: The Mystery of Ana”, ganhou sua estrela na Calçada da Fama em 1960, e tornou-se a primeira mulher a ser presidente do Festival de Cannes. Já se recusara a dar depoimento sobre ser a única sobrevivente do elenco do clássico “E O Vento Levou” (Gone with the Wind) mas já aceitou ser homenageada pelo conjunto de sua obra, uma carreira admirável que chega a mais uma marca impressionante de talento e determinação. Parabéns, lenda viva !!!

BOND 16 : 007 PERMISSÃO PARA MATAR

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1989 foi um ano de muita concorrência no cinema: O Batman de Tim Burton, Máquina Mortífera 2, Indiana Jones & A Última Cruzada entre outros dividiam a atenção do público e as gordas bilheterias das salas de exibição. Em meio a tudo Timothy Dalton retorna como James Bond em “007 Permissão Para Matar” (License to Kill) em um filme que desagradou muito aos fãs. Na época, o roteirista   Richard Maibaum (em seu último trabalho na série) usou alguns elementos de “Live & Let Die” e “ The Hildebrand Rarity”, este último um conto inicialmente publicado na revista Playboy em 1960 e depois incluída na coletânea “For Your Eyes Only” .

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No filme, o agente da CIA Felix Leiter (David Hedison), amigo   pessoal de Bond, se casa mas é capturado e torturado pelo traficante de drogas Franz Sanchez (Robert Davi). A esposa de Leiter morre e o ex-agente fica entre a vida e a morte. Bond, praticamente, se rebela diante da inatividade do serviço secreto britânico, abandona seu trabalho e parte em missão pessoal para encontrar e matar Sanchez. Bond,   recebe a ajuda de Q (Desmond Llewellyn), se infiltra no grupo do vilão e conquista sua confiança com o objetivo de desbaratar sua organização e matá-lo. A história se desdobra como um filme de ação convencional e a figura de Bond ganha contornos mais humanos uma vez que este se entrega a um irrefreável instinto de retaliação. As bond-girls Pam Bouvier (Carey Lowell) e Lupe Lamora (Talisa Soto) dividem a atenção de 007  e se integram à ação em que terão que escolher um lado,  em uma história de vingança pessoal, destituída de qualquer contextualização política. David Hedison reprisa o papel de Felix Leiter que fizera em “Com 007 Viva & Deixa Morrer” em 1974, sendo o primeiro ator a reprisar o personagem que tivera outros intérpretes em outros filmes. O vilão da vez ficou com Robert Davi, mais lembrado como um dos irmãos Fratelli em “Os Goonies”.

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Foi a primeira vez que um filme de 007 teve um título (que a princípio seria “License Revoked” ) sem nenhuma conexão com os livros de Ian Fleming. Analisando como um filme da série é razoável, menor quando comparado ao filme anterior, mas ainda superior a outros, principalmente à era Moore. Analisando como um filme de ação é bom e funciona por dinamizar mais as motivações de seu protagonista, um direcionamento que seria retomado muitos anos depois em “Quantum Of Solace”, já na era Craig.  A bilheteria baixa do filme foi decepcionante para o apelo que sempre se esperou de um filme de 007, sendo considerada a pior arrecadação da série, o que não significa dizer que tenha sido um prejuízo uma vez que seu custo de $32 milhões deu um retorno internacional de mais de $250 milhões na época.

O contrato de Dalton, na época, previa um terceiro filme que acabou não acontecendo porque a MGM e a United Artists foram vendidas a um grupo australiano que planejava fazer uso dos filmes da franquia sem acordo comum com a EON Pictures de Albert Broccoli. A disputa judicial paralisou sucessivamente todas as tentativas de se iniciar um novo filme. Nos seis anos que se seguiram até que os aspectos legais fossem resolvidos, o contrato de Dalton expirou sem que o ator galês se interessasse em renovar, uma vez que sua carreira teatral  se consolidava com sucesso. Bond só retornaria em 1995 já com um novo intérprete, mas isso é história para o próximo artigo.

 

BOND RETORNA AO BLOG EM “007 CONTRA GOLDENEYE

 

 

BOND 13 : 007 CONTRA OCTOPUSSY

Em 1982, já tendo passado o lançamento de “007 Somente Para Seus Olhos”, Roger Moore havia encerrado para viver James Bond. A EON Pictures chegou a escalar James Brolin para substituir Moore quando o produtor irlandês Kevin McClory anunciou a refilmagem de “007 Contra a Chantagem Atômica” – cujos direitos lhe pertenciam – e com Sean Connery de volta ao papel (Entenda melhor isso na próxima postagem de Bond aqui no blog). Temerosos de competir com a inesperada volta de Connery, Moore foi trazido de volta com um novo contrato para mais dois filmes.

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O roteiro de George McDonald Fraser, Richard Maibaum e Michael G. Wilson foi uma salada de ideias retiradas de histórias distintas dos livros de Fleming. O título veio do 14º e último livro de Fleming, uma publicação póstuma de 1966, entitulada “Octopussy & The Living Daylights” , este na verdade reunia quatro contos de Bond : “Octopussy”, “The Living Daylights”, “The Property of A Lady” e “007 in New York”. Do primeiro conto veio a personagem feminina central da trama que dá título ao filme (apontada como filha do Major Smythe, vilão do livro) . Já o roubo de ouro nazista , no filme,  foi transformado nos tesouros perdidos do último czar da Rússia. Enquanto no livro, um major renegado é o vilão, no filme este foi transformado no príncipe Afegão Khamal Khan, vivido nas telas pelo ator Louis Jourdan. Do conto “The Property of a Lady” os roteiristas extraíram o roubo e falsificação de um Ovo Farbegé, rara joia que funciona como o elemento de investigação inicial que levará Bond à casa de leilões Sotherby’s em Londres. O restante os roteiristas inventaram de forma a criar uma aventura movimentada, o que de fato funciona em termos de ação, levando Bond à India , e ao final do filme à Berlim onde um militar russo renegado (aliado de Khan) que planeja explodir um artefato nuclear na Alemanha ocidental. Assim se desenrola a trama de “007 Contra Octopussy”.

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A direção de John Glenn (pela segunda vez) consegue conduzir a trama sem os exageros de humor dos primeiros filmes de Roger Moore, que apesar de sua persona descolada e ar debochado, atua mais contido, admirável se levarmos em conta que Moore não se sentia à vontade no papel estando , na época , com 56 anos.  A sequência em que Bond está no circo, disfarçado de palhaço e tenta desesperadamente alertar sobre a bomba foi muito criticada na época, mas revista hoje ela não prejudica tanto. É nítido que Albert Broccoli desejava um filme com um tom menos sério do que em “007 Somente Para Seus Olhos”. Talvez, pelo fato de estar enfrentando nas bilheterias o filme de McClory, Broccoli estivesse tentando fazer um filme mais leve, ao gosto de Roger Moore quer parecia gostar de atuar de forma mais despretensiosa. O fato é que o filme divide bastante as opiniões dos fans, com críticas severas às piadinhas infames como Bond dentro de um traje de crocodilo ou na selva dando um grito como Tarzan.

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No elenco, a atriz Maud Addams tornou-se Bond girl pela segunda vez uma vez que ela trabalhou em “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”, ainda que a personagem fosse outra. O papel de Octopussy lhe foi entregue depois das recusas de Faye Dunaway e Barbara Carrera (esta recusou o convite da EON Pictures pois preferiu contracenar com Sean Connery no filme de Kevin McClory entitulado “Nunca Mais Outra Vez”. O tenista profissional indiano Vijay Armitrage ficou com um papel menor tentando iniciar uma carreira paralela de ator. Para isso, Albert Broccoli havia pedido a seu amigo Leonardo Goldberg que conseguisse uma participação de Vijay na série de Tv “A Ilha da Fantasia”, pois assim o tenista poderia obter um registro de ator. Este chegou a fazer aparições em “Casal 20” (seriado de TV) e até mesmo em “Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para a Casa” (1987). Desmond Lewelly, intérprete de Q, tem participação mais ativa na trama pela primeira vez na série. O ator Kabir Bedi é até hoje o único ator de Bollywood (a Hollywood Indiana) a atuar em um filme de 007 e seu personagem certamente é tão cruel e mortífero quando Oddjob (Goldfinger) ou Dentes de Aço (O Espião que me Amava). Foi a primeira vez que o ator Robert Brown interpreta M, o chefe de Bond, depois do falecimento de Bernard Lee.

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Algumas das sequências em “007 Contra Octopussy” eram ideias já planejadas anteriormente, mas não utilizadas. A caçada de elefantes, por exemplo, era ideia de Harry Saltzman (co-produtor nos primeiros nove filmes de 007) que era prevista para “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”; o jogo de Gamão foi inicialmente previsto para “007 O Espião Que Me Amava”, o mini jato no começo do filme e os gêmeos atiradores de faca seriam a princípio usados em “007 Contra o Foguete da Morte”. John Barry, que ficara de fora da trilha sonora do filme anterior retorna e traz consigo a belíssima canção tema “All Time High” na voz da cantora norte-americana Rita Coolidge, e que se tornou sucesso nas execuções de rádio chegando até a fazer parte da novela da Globo “Eu Prometo” no ano de 1983.

O mortífero Gobinda (Kabir Bedi)

O mortífero Gobinda (Kabir Bedi)

Também foi o primeiro filme de 007 depois da venda da United Artists a MGM.  Lançado meses antes do filme rival, “Octopussy” foi melhor nas bilheterias, arrecadando em torno de $187 milhões contra $163 milhões de “Nunca Mais Outra Vez”. Foi a última vez que um filme de 007 anuncia o título do filme seguinte, que se chamaria “From a View to a Kill”, modificado depois para “A View to a Kill”. Particularmente não é o melhor de Bond, nem sequer o melhor filme da era Moore (este sem dúvida é “007 Somente Para Seus Olhos”) , mas cumpre o papel de entretenimento mediano, mesmo não sendo