GOLDEN GLOBE 2019 – OS VENCEDORES

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A ACIDEZ DE RICK GERVAIS FEZ FALTA, MAS SANDRA OH E ANDY SAMBERG NÃO FORAM DOS PIORES MESTRES DE CERIMÔNIA. CLARO QUE PIADINHAS BOBAS OCORRERAM MAS NÃO FORAM EXCLUSIDADE DELES. AMY POHLAN E MAYA RUDOLPH ESTAVAM SEM GRAÇA TAMBÉM, TÍPICO DAS CERIMÔNIAS DE PREMIAÇÃO. AO CONTRARIO, O DISCURSO DE STEVE CARRELL FOI CORRETO NA MEDIDA CERTA QUANDO NA HOMENAGEM A CAROL BURNETT E O MESMO PODE SER DITO COM O PRÊMIO A JEFF BRIDGES POR UM CONJUNTO DE OBRA RESPEITÁVEL E ADMIRÁVEL.

PRÊMIOS CINEMA

Filme – Drama: Bohemian Rhapsody
Atriz – Drama: Glenn Close, A Esposa
Ator – Drama: Rami Malek, Bohemian Rhapsody
Filme – Musical ou Comédia: Green Book: O Guia
Atriz – Musical ou Comédia: Olivia Colman, A Favorita
Ator – Musical ou Comédia: Christian Bale, Vice

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CONFESSO QUE ESTOU SEMPRE TORCENDO POR AMY ADDAMS E QUE LADY GAGA ERA OUTRA INDICADA DE MÉRITO INEGÁVEL, BEM COMO DE BRADLEY COOPER, ATOR E DIRETOR DE “NASCE UMA ESTRELA”. ESTE FICOU O PRÊMIO DE MELHOR CANÇÃO AO MENOS. ENTRE AGRACIADOS E INJUSTIÇADOS PERCEBE-SE AO MENOS QUE “GREEN BOOK – O GUIA” JUSTIFICA-SE POR SUA HISTÓRIA DE HUMOR E DRAMA TRATANDO DE RACISMO E AMIZADE, QUE DEU O PRÊMIO DE MELHOR ATOR COADJUVANTE PARA MAHARSHALA ALI. RAMI MALEK MERECEU SEU PRÊMIO DE MELHOR ATOR POR ENCARNAR COM PERFEIÇÃO O ÍDOLO FREDDIE MERCURY NO CONSAGRADO “BOHEMIAN RAPHSODY”. GLENN CLOSE FATUROU SEU GOLDEN GLOBE POR “A ESPOSA” E AQUEÇE AS POSSIBILIDADES DE FINALMENTE VIR A GANHAR TAMBÉM O OSCAR.

Atriz Coadjuvante: Regina King, Se a Rua Beale Falasse
Ator Coadjuvante: Mahershala Ali, Green Book: O Guia
Diretor: Alfonso Cuarón, Roma
Filme – Animação: Homem-Aranha no Aranhaverso
Filme Estrangeiro: Roma (México)
Roteiro: Green Book: O Guia

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Trilha Sonora: O Primeiro Homem
Canção: Shallow, de Nasce uma Estrela.

PRÊMIOS TELEVISÃO

Série – Drama: The Americans
Atriz em Série – Drama: Sandra Oh, Killing Eve

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QUEM DIRIA QUE UMA ANIMAÇÃO DISNEY COMO “OS INCRÍVEIS 2” PERDERIA O PRÊMIO DE MELHOR ANIMAÇÃO PARA “HOMEM ARANHA NO ARANHAVERSO”? JÁ MICHAEL DOUGLAS FEZ BELO DISCURSO DE AGRADECIMENTO COROANDO UMA CARREIRA  BRILHANTE.  DUAS PATRICIAS TAMBÉM ESTIVERAM ENTRE AS PREMIADAS: PATRICIA ARQUETTE E PATRICIA CLARKSON FIZERAM BONS DISCURSOS DE AGRADECIMENTO. POREM FOI SANDRA OH QUEM FEZ HISTÓRIA AO SE TORNAR A PRIMEIRA ATRIZ ASIÁTICA A GANHAR MAIS DE UM GOLDEN GLOBE (O PRIMEIRO FOI EM 2006). TAMBÉM FOI A SEGUNDA ATRIZ ASIÁTICA A VENCER EM UMA DAS PRINCIPAIS CATEGORIAS (A PRIMEIRA FOI EM 1981 YOKO SHIMADA POR “SHOGUN”) E AINDA ECOA NOS OUVIDOS SUA EMOÇÃO SINCERA DIZENDO “PAPAI !!”, NUMA PAUSA AO SEU PAPEL DE ANFITRIÂ DA CERIMÔNIA.

Ator em Série – Drama: Richard Madden, Bodyguard
Série – Musical ou Comédia: The Kominsky Method
Atriz em Série – Musical ou Comédia: Rachel Brosnahan, The Marvelous Mrs. Maisel
Ator em Série – Musical ou Comédia: Michael Douglas, The Kominsky Method
Minissérie ou Telefilme: The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story

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Atriz em Minissérie ou Telefilme: Patricia Arquette, Escape at Dannemora
Ator em Minissérie ou Telefilme: Darren Criss, The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story
Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme: Patricia Clarkson, Sharp Objects 
Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme: Ben Whishaw, A Very English Scandal

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GRANDE ESTREIA: HOMEM FORMIGA & VESPA

                 O projeto de um filme do “Homem Formiga” já existia desde 2003, bem antes da formação do assim chamado Universo Cinemático Marvel, quando o diretor e roteirista Edgar Wright desenvolveu a história como um filme de aventura com tons de comédia. Foram necessários mais de dez anos para uma das criações menos badaladas da Marvel se tornasse um triunfo do seu gênero.

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PAUL RUDD & EVANGELINE LILY

                 Cinco anos depois de Richard Matheson publicar seu romance “The Shrinking Man” (adaptado para o cinema no ano seguinte) sobre um homem que involuntariamente encolhe até dimensões subatômicas, a editora Dc Comics publicou o herói “The Atom” que usa tais habilidades para combater o crime. No inicio da assim batizada “Era de Prata dos quadrinhos” (1956-1970), Stan Lee juntamente com seu irmão Larry Lieber e seu parceiro, o desenhista Jack Kirby publicaram na revista de antologias “Tales to Astonish” #27 a história do cientista Henry Pym que cria um soro capaz de reduzir seu tamanho. Eram apenas sete páginas da história intitulada “The Man in the Ant Hill”, mas esta flertava com a ficção científica e não com uma típica história de super herói. O sucesso inesperado fez Lee retomar o personagem oito meses depois (Tales to Astonish #35) transformando-o em improvável campeão da justiça. Sem que houvesse detalhamento científico em como as chamadas Partículas Pym conseguiam comprimir tanto o espaço atômico ao ponto de permitir o deslocamento de sua massa e ainda manter sua força física, o personagem se juntou à galeria de maravilhas que capturou a imaginação das crianças e jovens sessentistas. Capaz ainda de se comunicar e controlar as formigas com seu capacete cibernético, o Dr.Pym se juntou a Thor, Hulk, Homem de Ferro e, juntos fundaram a equipe dos Vingadores em 1963 (The Avengers #1), assim batizados pela Vespa, a única heroína do grupo e namorada do Dr.Pym. A Vespa fez sua primeira aparição em “Tales to Astonish” #44 a princípio a socialite Janet Van Dyne,  que compartilha os poderes das partículas Pym, mas que evolui com o passar do tempo vindo a se tornar uma das mais queridas heroínas da Marvel, até mesmo liderando os Vingadores por um período. No novo filme a heroína vem a ser interpretada por Michelle Pfeiffer.

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MICHELLE PFEIFFER É A VESPA ORIGINAL

             Os anos de história que se seguiram, no entanto, judiaram bastante do personagem que sentindo-se inferiorizado perante o poder dos outros membros da equipe, ganha estatura descomunal como o “Gigante” (Tales to Astonish #49 / Novembro 1963), e “Golias” (Avengers #28 / Maio 1966), mudanças de identidade que seriam explicadas mais tarde como uma esquizofrenia gerada como efeito colateral da absorção da mesma formula que lhe concedia os poderes, ora de encolhimento ora de aumento de tamanho. O personagem ainda mudaria para Jaqueta Amarela (The Avengers #59 / Dezembro 1968) anos mais tarde, e seria o responsável pela criação do vilão Ultron (nos filmes atribuída a Tony Stark) personificando o clichê do cientista genial ora do bem ora do mal.

TALES TO ASTONISH

A CLÁSSICA HQ DO HERÓI

           Recuperado de seus atos, o Dr.Pym deu sua benção para que o ladrão Scott Lang o substituísse como Homem Formiga a partir de Março e Abril de 1979 quando David Micheline e John Byrne criaram o personagem que cairia no gosto popular. Outro personagem que compartilharia o poder da formula Pym foi o Dr. Bill Foster criado por Stan Lee e Don Heck (The Avengers #32 / Setembro 1966) que, depois de ajudar Pym, vem a se tornar o segundo Gigante, e mais tarde o “Golias Negro”. Foster chega às telas no novo filme vivido por Lawrence Fishburne.

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ALEX ROSS PINTA O GIGANTE EM “MARVELS”

          Todos esses personagens surgem nas telas desde o lançamento de “Homem Formiga” (2015), que acabou dirigido por Peyton Reed (Sim Senhor), depois que diferenças criativas afastaram Edgar Wright. O filme teve mudanças no tom pretendido inicialmente por Wright, que manteve crédito como co-autor do roteiro, que ainda teve contribuições de Joe Cornish, Adam McKay e do próprio Paul Rudd, intérprete do herói. Uma das discordâncias que levaram a saída de Edgar Wright era que este pretendia fazer um filme isolado, sem conexão com os demais do Estúdio Marvel. Além disso, a participação da Vespa seria praticamente nenhuma, e a jovem Hope (Evangeline Lily), filha do Dr.Pym (Michael Douglas) tinha passagem menor na trama. Um dos grandes feitos da mudança para a direção de Peyton Reed foi fazer do filme uma eficiente trama de assalto, valorizando a jornada de Lang como bandido regenerado que também luta para ser um pai melhor. Nos quadrinhos, Hank Pym descobriu depois de muito tempo que tinha uma filha chamada Nadia Van Dyne, de seu primeiro casamento, antes de conhecer a Janet. Curiosamente tanto Nadia quanto Hope significam “Esperança”, respectivamente em inglês e russo !!

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SURGE O GIGANTE

             O orçamento estimado em US$130 milhões tornou-se uma bilheteria mundial de mais de US$500 milhões coroando o fim da Fase Dois da Marvel. Peyton Reed assegurou assim seu retorno na sequência “Homem Formiga & Vespa”, mas ficou desapontado quando Scott vira o Gigante em sua segunda aparição nas telas em “Capitão América: Guerra Civil” (2016) já que o diretor queria que a estreia desse poder ficasse para o segundo filme solo do herói. O curioso é que o vilão escolhido para o novo filme, a “Fantasma” (Hannah John-Kamen), nos quadrinhos era inimigo do Homem de Ferro (Iron Man #219 / Junho 1987). Já o Agente secreto Jimmy Woo (Randall Park) apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em “Yellow Claw” #1 (1956) pela Editora Atlas, antecessora da Marvel.

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MICHAEL DOUGLAS È HANK PYM

              Com altos e baixos em sua vida, o herói Hank Pym, vivido por Michael Douglas, é um dos primeiros criados pela clássica colaboração Stan Lee-Jack Kirby, tendo este último celebrado ano passado seu centenário, um gênio não tão badalado quanto Stan Lee. Provando que a soma das partes é maior que seus componentes, suas criações continuam a encantar gerações e parece longe de parar pois seja o incrível homem ou a mulher, eles encolheram mas a diversão é gigante!

GALERIA DE ESTRELAS : KIRK DOUGLAS

Em “Trumbo” (2015), durante a paranoia Macarthista vários profissionais perdiam espaço de trabalho quando acusados de serem comunistas, entre eles o excelente roteirista Daltom Trumbo. Protagonista e produtor executivo de “Spartacus”, o ator Kirk Douglas ignorou o boicotte e contratou Trumbo como roteirista. Sua força de caráter não esteve só visível diante das câmeras, mas também nos bastidores de Hollywood. Logo, seu centenário coleciona diversos episódios que justificam o valor desse grande astro, um dos últimos durões do cinema, que ganha de 25 de novembro até 11 de dezembro, uma mostra pela cinemateca do MAM reunindo 29 longas de uma carreira prolífica carreira, além do lançamento de um livro “O Ùltimo Durão – Centenário de Kirk Douglas” escrito por Mario Abbade, jornalista, crítico de cinema e curador da mostra.

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FUGA DO PASSADO : CONTRACENANDO COM ROBERT MITCHUM

Nascido em Nova York, Issur Danielovitch, em 9 de dezembro de 1916, filho de imigrantes judeus originários da Russia. Adotou o sobrenome Demsky quando criança enquanto sua família se fixava na América, legalmente modificado para Kirk Douglas pouco antes de ingressar na Marinha durante a Segunda Guerra. Lutou boxe desenvolvendo um físico atlético que seria útil na composição de papeis rudes. Para conseguir uma bolsa para a universidade, entrou para um grupo de drama e veio a trabalhar no rádio e em comerciais de Tv. Nesse meio tempo conseguiu papeis pequenos no cinema estreando nas telas em 1946 em “O Tempo Não Apaga” (The Strange Love of Marha Ivers), papel que conseguiu por intermédio da amiga Lauren Bacall. O nobre ator conseguiu chamar a atenção para si no filme seguinte “Fuga do passado” (Out of the Past) no papel de um gangster. Em três anos veio a primeira indicação ao Oscar de melhor ator por “O Invencível” (Champion), no papel de um boxeador que o fez reviver uma fase de sua própria vida. Logo vieram o xerife de “Embrutecido pela violência” (Along The Great Divide), o detetive de “Chaga de Fogo” (Detetctive Story) ambos de 1951, mas apesar do sucesso destes, o obstinado ator tinha muito mais a dar, além de trazer o pão nosso para família formada em 1943 com a também atriz Diana Dill e com quem teve dois filhos: Michael em setembro de 1944 e Joel em janeiro de 1947.

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SEDE DE VIVER

             Não demoraria para Kirk mostrar seu talento em dramas psicológicos como o papel do repórter Charles Tatum de “A Montanha dos Sete Abutres” (Ace in the Hole) de 1951 e no ano seguinte o produtor Jonathan Shields de “ Assim estava escrito” (The Bad & The Beautiful), uma visão crítica dos bastidores de Hollywood dirigida por Vincent Minelli. A versatilidade passou a ser uma marca na carreira de Kirk Douglas, oscilando entre papéis mais físicos e outros mais desafiadores, e sempre sem medo de se arriscar. Logo, interpretou o rebelde marinheiro Ned Land na adaptação da Disney para “20000 Léguas Submarinas” (20000 Leagues Under The Sea) ao passo que incorporou o pintor Vincent Van Gogh na cinebiografia “Sede de Viver” (Lust for Life) dirigida por Vincent Minelli. Por este, o ator levou o prêmio de melhor ator da crítica de Nova York. Filmado no mesmo local de nascimento e morte do pintor pós-impressionista holandês. Apesar de várias indicações ao Oscar, incluindo para Kirk que perdeu para Yul Brinner por “O Rei & Eu” (The King and I). Apesar da excelente atuação de Kirk, do elenco de “Sede de Viver” quem levou a estatueta dourada foi Anthony Quinn como coadjuvante por uma participação de 22 minutos como o também pintor Gauguin. Segundo o site imdb, na cena em que Van Gogh corta sua orelha foi tão impactante que  Michael e Joel, filhos de Kirk choraram em desespero por acharem que seu pai havia se mutilado de verdade. Vários westerns se aproveitaram de seu talento como “Rio da Aventura” (The Big Sky) de 1952 ,  “Homem sem Rumo” (Man without a Star) de 1955 (quando Kirk fundou sua propria produtora, a Bryna Productions, com intenção de obter maior controle sobre sua carreira)  e “Duelo de Titâs” (Last Train From Gun Hill) de 1959. Neste último, travou um acirrado duelo em cena com o igualmente talentoso Anthony Quinn.

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SEM LEI E SEM ALMA: OS DURÕES KIRK DOUGLAS & BURT LANCASTER

Foi ao lado do icônico Burt Lancaster que Kirk Douglas teve diversas atuações impressionantes forjando uma parceria muito bem sucedida diante do público e que duraria quatro décadas, criando uma imagem de amizade que existia na cabeça do grande público. Ainda assim, a química dos dois era inegável, sete vezes em cena em “Estranha Fascinação” (I Walk Alone) 1948, “Sem Lei Sem Alma” (Gunfight at OK Corral) 1957, ”O Discípulo do Diabo” (The Devil’s Disciple) 1959, “A Lista de Adrian Messenger” ( The List of Adrian Messenger) 1963, “Sete Dias de Maio” (Seven Days in May) 1964, “Vitoria em Entebbe” (Victory at Entebbe) 1976 e “Os Últimos Durões” (The Tough Guys) 1986. Dentre estes “Sem Lei & Sem Alma” é certamente um dos mais notáveis, versão romanceada de famoso tiroteio ocorrido no Arizona em 1881, já levado às telas em 1946. Douglas faz o pistoleiro Doc Holliday que vem a auxiliar o xerife Wyatt Earp interpretado por Burt Lancaster. Metódico e detalhista na composição de seus personagens, Kirk teria planejado quantas tossidas e de que intensidade essas seriam em cada cena de forma que quando editado o filme não tivesse erro de continuidade.

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VIKINGS OS CONQUISTADORES

A credibilidade impressa em cena por Kirk era tamanha que seus papeis pareciam ser feito sob medida não importando que filme fosse. No auge dos épicos, o ator fez o guerreiro grego descrito por Homero na Ilíada em “Ulisses” em 1954  – ano em que se casou pela segunda vez, com Anne Buydens e com quem teria mais dois filhos. Interpretou o príncipe Einar de “Vikings – Os Conquistadores” (The Vikings) de 1958 contracenando com Tony Curtis,  e o escravo rebelde “Spartacus” de 1960, do qual também foi produtor. Este último sagrou-se na história como um dos melhores filmes do gênero, desafiando o status-quo ao contratar o perseguido Dalton Trumbo como roteirista, conforme mencionado, e o talentoso diretor Stanley Kubrick, com quem Kirk já havia trabalhado em “Gloria Feita de Sangue” (Paths of Glory) de 1957, até hoje um dos melhores filmes de guerra, com um discurso anti-belicista em plena era da guerra fria. Durante as décadas de 70 e 80 os bons papeis foram reduzindo e Kirk fez duas tentativas como diretor: “As Aventuras de um Velhaco” (Scalawag) de 1973 e “Ambição Acima da Lei” (Posse) de 1975, Neste escreveu um papel especialmente para o ator James Stacey que havia perdido seu braço esquerdo e sua perna esquerda em um atropelamento, dando-lhe a primeira oportunidade para atuar após o acidente . Em entrevista recente com o crítico Mario Abbade (publicado em O Globo) reconheceria que achou melhor não continuar, se despindo de qualquer vaidade em admitir.

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KIRK E MICHAEL; DUAS GERAÇÕES DE TALENTO

Kirk nunca escondeu a frustração de não ter estrelado a adaptação cinematográfica de “Um Estranho no Ninho” (One Flew Over the Cuckoo’s Nest), no papel que fizera nos palcos e que no cinema seria vivido por Jack Nicholson. Curiosamente, o filme seria produzido pelo seu filho Michael Douglas e foi premiado com 5 Oscars.  Seguindo sua carreira, Kirk Douglas nunca parou de apoiar causas filantrópicas como uma campanha contra o abuso sofrido por idosos que o levou a ser citado pelo Congresso Nacional e resultou no filme de TV “Amos” de 1985, contracenando com Elizabeth Montgomery (da série “A Feitiçeira”). O sucesso de Michael Douglas, seu filho mais velho, no cinema estabeleceu uma dinastia no cinema. As duas gerações se encontrariam em “Acontece nas melhores Famílias” (It Runs in the Family) de 2003.

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FÚRIA

Ator e produtor já consagrado, trabalhou sob a batuta de Brian DePalma em “A Furia” (The Fury) 1978 e Stanley Donen em “Saturno 3” (Saturn 3) 1980 experimentando o cinema fantástico já que o primeiro era um thriller tratando de força telecinética e o outro uma ficção cientifica convencional. Fez trabalhos na Tv e até emprestou sua voz para um dos episódios de “Os Simpsons” em 1996. Sua aposentadoria só ocorreu devido a um derrame que lhe prejudicou a fala. Entre os diversos prêmios e honrarias,  recebeu a “Presidential Medal of Freedom”, a mais alta condecoração civil do Presidente Jimmy Carter, além de um prêmio “Life Achievement Award”pelo AFI em 1998. Embora não tenha vencido um Oscar competitivo nas três vezes que concorrera, recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da obra em 1996. Sua tenacidade o levou a superar os revezes como o derrame, a morte de seu filho mais novo Eric em 2004 por overdose e nem o peso da idade lhe tiram aquele olhar altivo, honrado ou diminuem o charme da covinha em seu queixo, marca registrada de uma carreira prolífica e que o torna uma lenda viva.

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ONTEM & HOJE : MICHAEL DOUGLAS

Michael Douglas em "São Francisco Urgente" 1972

Michael Douglas em “São Francisco Urgente” 1972

PARA QUEM ASSISTIU RECENTEMENTE “HOMEM FORMIGA” (ANT MAN), AINDA EM CARTAZ, CERTAMENTE RECONHECEU O ATOR MICHAEL DOUGLAS NO PAPEL DO DR. HANK PYM, O HOMEM FORMIGA ORIGINAL E QUE SE TORNA O MENTOR DE SCOTT LANG. MICHAEL PERTENCE A UMA LINHAGEM NOBRE DE ATORES, SENDO FILHO DE KIRK DOUGLAS (SPARTACUS). NASCIDO EM 25 DE SETEMBRO DE 1944, MICHAEL TEM CARREIRA PROLÍFICA TENDO ESTRELADO INUMEROS SUCESSOS COMO “ATRAÇÃO FATAL” (1987), “INSTINTO SELVAGEM” (1994) E “WALL STREET – PODER & COBIÇA” (1988) QUE LHE DEU O OSCAR DE MELHOR ATOR. NO ENTANTO, MICHAEL DOUGLAS, EM SEU INICIO DE CARREIRA TRABALHOU NA TV CO-ESTRELANDO A SÉRIE DE TV “SÃO FRANCISCO URGENTE” (THE STREETS OF SAN FRANCISCO) , AO LADO DO VETERANO KARL MALDEN. MICHAEL INTERPRETAVA O DETETIVE STEVE KELLER QUE COMBATIA O CRIME AO LADO DE UM EXPERIENTE INSPETOR. A SERIE FOI EXIBIDA NO BRASIL PELA REDE BANDEIRANTES (ATUAL BAND) NA DÉCADA DE 70. A PARTIR DE AGORA OCASIONALEMENTE O BLOGCINEONLINE VAI MOSTRAR O INICIO DE CARREIRA DE DIVERSOS ATORES HOJE RENOMADOS. FIQUEM LIGADOS

Hank Pym em "Homem Formiga"

Hank Pym em “Homem Formiga”

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 16 DE JULHO

HOMEM FORMIGA

(Ant Man) EUA 2015. Dir: Peyton Reed. Com Paul Rudd, Michael Douglas, Evangeline Lily, Corey Stoll, Judy Greer, Hayley Atwill, John Slaterry, Garret Morris. Ação.

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Uma coisa positiva a respeito dos filmes do Universo Cinemático da Marvel é que eles não se prendem apenas aos heróis do primeiro escalão (Capitão America, Thor, Vingadores enfim) e sabem arriscar. Veja por exemplo o sucesso inesperado ano passado com os “Guardiões da Galáxia”. Apesar de que nas HQs originais, o Homem Formiga  é membro fundador dos Vingadores e parte fundamental das bases do Universo Marvel (Nas Hqs Hank Pym é o criador original do robô Ultron), sua premissa  tridimensionalisada no cinema poderia soar absurda ou cair no ridículo, sem mencionar que o personagem nunca teve um elenco coadjuvante ou galeria de vilões tão vasta quanto do tal “primeiro escalão”. E aí que entra a habilidade dos roteiristas Joe Cornish e Edgar Wright (que quase dirigiu também o filme) para tornar o filme não apenas divertido como também funcional dentro da sequência de eventos dos filmes que o antecederam e já inserido no que serão os posteriores. Nesse sentido, é interessante apesar das liberdades tomadas na adaptação, como já é de se esperar: O Dr.Hank Pym (Douglas) desenvolveu uma tecnologia que o permite modificar o tamanho e que está em vias de cair nas mãos erradas, a de seu ex pupilo Darren Cross (Stoll) que se torna o vilão Jaqueta Amarela. Para ajudá-lo Pym recruta o ex ladrão Scott Lang (Rudd) que se tornará esse diminuto e improvável herói. NO filme, Pym tem uma filha, Hope Van Dyne (nas Hqs Pym é casado com Janet Van Dyne, a heroína Vespa) que é interpretada pela ótima Evangelyne Lily (a Tauriel de “O Hobbit”, e cujo rosto me lembra muito a Stephanie Powers quando nova). Ação e humor são os ingredientes que já são de esperar em um filme do gênero e estão dosados para divertir iniciados em quadrinhos e, principalmente, os não iniciados, afinal de contas estes se tornam novos leitores muitas vezes). Atentem para as duas cenas pós créditos ao final do filme, serão interessantes, mas não vou revelá-las aqui. Boa diversão a todos.

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(7500) EUA 2015. Dir: Takashi Shimizu. Com Leslie Bibb, Amy Smart, Rayn Kwaton. Terror.

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Vôo de Los Angeles a Tokio se torna terreno de uma terrível experiência sobrenatural quando os passageiros começam a ser mortos um por um por uma força diabólica a bordo. Filme de terror para os aficcionados do gênero dirigido pelo mesmo responsável pelo nipônico “O Grito” (Lembram de Toshio ?) Em 1973 houve um filme feito para a Tv chamado “Horrror nas Alturas” (The horror at 37000 feet)com premissa parecida e que trazia no elenco William Shatner, o Capitão Kirk do “Star Trek” original). Os clichês habituais do gênero estão lá, nos dois casos, exceto pelo fato de que um filme de cinema possui um orçamento maior. Espero pelos sustos habituais e bom filme.