GRANDE ESTREIA: HOMEM FORMIGA & VESPA

                 O projeto de um filme do “Homem Formiga” já existia desde 2003, bem antes da formação do assim chamado Universo Cinemático Marvel, quando o diretor e roteirista Edgar Wright desenvolveu a história como um filme de aventura com tons de comédia. Foram necessários mais de dez anos para uma das criações menos badaladas da Marvel se tornasse um triunfo do seu gênero.

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PAUL RUDD & EVANGELINE LILY

                 Cinco anos depois de Richard Matheson publicar seu romance “The Shrinking Man” (adaptado para o cinema no ano seguinte) sobre um homem que involuntariamente encolhe até dimensões subatômicas, a editora Dc Comics publicou o herói “The Atom” que usa tais habilidades para combater o crime. No inicio da assim batizada “Era de Prata dos quadrinhos” (1956-1970), Stan Lee juntamente com seu irmão Larry Lieber e seu parceiro, o desenhista Jack Kirby publicaram na revista de antologias “Tales to Astonish” #27 a história do cientista Henry Pym que cria um soro capaz de reduzir seu tamanho. Eram apenas sete páginas da história intitulada “The Man in the Ant Hill”, mas esta flertava com a ficção científica e não com uma típica história de super herói. O sucesso inesperado fez Lee retomar o personagem oito meses depois (Tales to Astonish #35) transformando-o em improvável campeão da justiça. Sem que houvesse detalhamento científico em como as chamadas Partículas Pym conseguiam comprimir tanto o espaço atômico ao ponto de permitir o deslocamento de sua massa e ainda manter sua força física, o personagem se juntou à galeria de maravilhas que capturou a imaginação das crianças e jovens sessentistas. Capaz ainda de se comunicar e controlar as formigas com seu capacete cibernético, o Dr.Pym se juntou a Thor, Hulk, Homem de Ferro e, juntos fundaram a equipe dos Vingadores em 1963 (The Avengers #1), assim batizados pela Vespa, a única heroína do grupo e namorada do Dr.Pym. A Vespa fez sua primeira aparição em “Tales to Astonish” #44 a princípio a socialite Janet Van Dyne,  que compartilha os poderes das partículas Pym, mas que evolui com o passar do tempo vindo a se tornar uma das mais queridas heroínas da Marvel, até mesmo liderando os Vingadores por um período. No novo filme a heroína vem a ser interpretada por Michelle Pfeiffer.

MICHELLE MA BELLE VES´PA

MICHELLE PFEIFFER É A VESPA ORIGINAL

             Os anos de história que se seguiram, no entanto, judiaram bastante do personagem que sentindo-se inferiorizado perante o poder dos outros membros da equipe, ganha estatura descomunal como o “Gigante” (Tales to Astonish #49 / Novembro 1963), e “Golias” (Avengers #28 / Maio 1966), mudanças de identidade que seriam explicadas mais tarde como uma esquizofrenia gerada como efeito colateral da absorção da mesma formula que lhe concedia os poderes, ora de encolhimento ora de aumento de tamanho. O personagem ainda mudaria para Jaqueta Amarela (The Avengers #59 / Dezembro 1968) anos mais tarde, e seria o responsável pela criação do vilão Ultron (nos filmes atribuída a Tony Stark) personificando o clichê do cientista genial ora do bem ora do mal.

TALES TO ASTONISH

A CLÁSSICA HQ DO HERÓI

           Recuperado de seus atos, o Dr.Pym deu sua benção para que o ladrão Scott Lang o substituísse como Homem Formiga a partir de Março e Abril de 1979 quando David Micheline e John Byrne criaram o personagem que cairia no gosto popular. Outro personagem que compartilharia o poder da formula Pym foi o Dr. Bill Foster criado por Stan Lee e Don Heck (The Avengers #32 / Setembro 1966) que, depois de ajudar Pym, vem a se tornar o segundo Gigante, e mais tarde o “Golias Negro”. Foster chega às telas no novo filme vivido por Lawrence Fishburne.

ALEX ROSS GIANT

ALEX ROSS PINTA O GIGANTE EM “MARVELS”

          Todos esses personagens surgem nas telas desde o lançamento de “Homem Formiga” (2015), que acabou dirigido por Peyton Reed (Sim Senhor), depois que diferenças criativas afastaram Edgar Wright. O filme teve mudanças no tom pretendido inicialmente por Wright, que manteve crédito como co-autor do roteiro, que ainda teve contribuições de Joe Cornish, Adam McKay e do próprio Paul Rudd, intérprete do herói. Uma das discordâncias que levaram a saída de Edgar Wright era que este pretendia fazer um filme isolado, sem conexão com os demais do Estúdio Marvel. Além disso, a participação da Vespa seria praticamente nenhuma, e a jovem Hope (Evangeline Lily), filha do Dr.Pym (Michael Douglas) tinha passagem menor na trama. Um dos grandes feitos da mudança para a direção de Peyton Reed foi fazer do filme uma eficiente trama de assalto, valorizando a jornada de Lang como bandido regenerado que também luta para ser um pai melhor. Nos quadrinhos, Hank Pym descobriu depois de muito tempo que tinha uma filha chamada Nadia Van Dyne, de seu primeiro casamento, antes de conhecer a Janet. Curiosamente tanto Nadia quanto Hope significam “Esperança”, respectivamente em inglês e russo !!

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SURGE O GIGANTE

             O orçamento estimado em US$130 milhões tornou-se uma bilheteria mundial de mais de US$500 milhões coroando o fim da Fase Dois da Marvel. Peyton Reed assegurou assim seu retorno na sequência “Homem Formiga & Vespa”, mas ficou desapontado quando Scott vira o Gigante em sua segunda aparição nas telas em “Capitão América: Guerra Civil” (2016) já que o diretor queria que a estreia desse poder ficasse para o segundo filme solo do herói. O curioso é que o vilão escolhido para o novo filme, a “Fantasma” (Hannah John-Kamen), nos quadrinhos era inimigo do Homem de Ferro (Iron Man #219 / Junho 1987). Já o Agente secreto Jimmy Woo (Randall Park) apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em “Yellow Claw” #1 (1956) pela Editora Atlas, antecessora da Marvel.

MDO

MICHAEL DOUGLAS È HANK PYM

              Com altos e baixos em sua vida, o herói Hank Pym, vivido por Michael Douglas, é um dos primeiros criados pela clássica colaboração Stan Lee-Jack Kirby, tendo este último celebrado ano passado seu centenário, um gênio não tão badalado quanto Stan Lee. Provando que a soma das partes é maior que seus componentes, suas criações continuam a encantar gerações e parece longe de parar pois seja o incrível homem ou a mulher, eles encolheram mas a diversão é gigante!

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MICHELLE … MA BELLE !

Michelle Pfeiffer

              Nos anos 80 ela disputava a atenção dos olhares masculinos com nomes como Kim Basinger, mas soube se sobressair em papéis tão diferentes que não há como duvidar que, além de uma estonteante beleza, seu talento a tornou uma das melhores de sua geração, tendo completado em 29 de abril desse ano 60 anos.

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         Michelle Marie Pfeiffer sempre soube o que dizer como atriz para se provar mais do que apenas um rosto bonito. Começou na Tv no final dos anos 70 em séries como “A Ilha da Fantasia” e “Chip’s”, além de outras produções menores que serviram para chamar a atenção para a jovem atriz, que aos 24 anos protagonizou seu primeiro filme no cinema “Grease 2 – Os Tempos da Brilhantina Continuam” (1982), sequência do grande sucesso da década anterior que naufragou nas bilheterias, mas mostrou que o mundo precisaria conhecer mais daquela bela jovem que cantou e encantou ao som de “Cool Rider”. A canção não é memorável, mas a voz de Michelle e o modo como a câmera parecia captar o brilho de seus olhos e seu sorriso radiante fez o mundo entender que muito ainda havia a dizer. Mesmo em um papel menor foi uma presença fundamental ao lado de Al Pacino na refilmagem de Brian DePalma para “Scarface” (1983) . Dois anos depois fez um cavaleiro medieval uivar em “O Feitiço de Áquila” (Ladyhawke) de Richard Dooner, tosando as belas madeixas que fizeram de Isabeau uma das mais lembradas heroínas da década.

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              Mostrando o desejo de se mostrar versátil, se juntou às divas Cher e Susan Sarandon em “As Bruxas de Eastwick” (1987), uma experiência que relatou depois ter sido agradável e sem a guerra de egos típica do encontro de grandes estrelas. Em seguida fez a comédia leve “De Caso com a Mafia” (Married to the Mob) e dividiu a cena com Mel Gibson e Kurt Russell no tenso “Conspiração Tequila” (Tequila Sunrise). Sua primeira indicação ao Oscar veio com “Ligações Perigosas” (Dangerous Liasions) como a frágil e apaixonada Madame de Tourvel. No ano seguinte, sua segunda indicação veio com sedução e música em “Suzie & Os Baker Boys” (The Fabulous Baker Boys) se deitando sobre o piano dos irmãos Beau e Jeff Bridges. Imprimindo nas telas sua figura capaz de ser sensual sem jamais cair na vulgaridade, Michelle Pfeiffer recusou papeis que exigissem nudez ou que fossem de violência extrema. Por isso recusou o papel de Clarice Sterling, que foi para Jodie Foster em “O Silêncio dos Inocentes” (Silence of the Lambs), preferindo atuar ao lado de Sean Connery em “A Casa da Russia” (The Russia House) de 1990, e logo em seguida preencheu as fantasias de adolescentes e marmanjos vestindo uma roupa de couro e miando para Michael Keaton como a Mulher Gato em “Batman o retorno” (Batman Returns). O sucesso estrondoso alimentou a mídia da época com rumores de que Michelle teria um filme solo da vilã felina, o que acabou não se concretizando.

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                 A medida que a fama crescia, a atriz procurou sempre se manter à parte de qualquer escândalo, mantendo uma vida particular discreta, sem exageros típicos de grandes astros. Adotou uma menina mestiça mostrando que o amor não dependia de etnias e casou-se com o produtor/roteirista de TV David E.Kelly (Picket Fences, Chicago Hope). Não parou de diversificar os papeis escolhidos fazendo uma dona de casa dos anos 60 em “Barreiras do Amor” (Love Field) atraída pela mensagem anti-racista que sempre foi para ela uma causa a ser defendida; voltou a trabalhar ao lado de Jack Nicholson em “Lobo” (Wolf) de 1993 e Al Pacino em “Frankie & Johnny” (1991), este um papel totalmente desglamourizado, o de uma garçonete solitária e desacreditada no amor. Estava grávida de seu segundo filho (primeiro natural) quando fez a professora idealista de “Mentes Perigosas” (Dangerous Minds), espécie de versão feminina do clássico “Ao Mestre com carinho”. Se seguiram o papel de repórter ascendente ao lado de Robert Redford em “Íntimo & Pessoal” (Upclose & Personal) ; dona de casa frustrada no casamento ao lado de Bruce Willis em “A Historia de Nós Dois” (A Story of Us); mulher ameaçada por um assassino ao lado de Harrisson Ford em “A Revelação” (What Lies Beneath); e um papel Shakespereano em “Sonhos de uma Noite de Verão” (A Midsummer Night’s Dream) entre outros. Voltou a atuar e cantar dublando a amada esposa de Moises na animação “O Principe do Egito” (The Prince of Egypt) de 1998. Com o final da década da 90 se afastou das telas para ficar mais próxima da família, escolhendo a dedo os papeis que faria já mostrando no belo rosto as marcas da idade. Ainda assim estava belíssima como a bruxa de “Stardust” (2007), a gótica matriarca de “Sombras da Noite” (Dark Shadows) , e voltou a cantar e dançar em “Hairspray” (2007). Ano passado atuou com destaque em “Mãe” (Mother) de Dareen Aaronovsky, e “Assassinato no Expresso do Oriente” (Murder on the Orient Express) de Kenneth Branagah, roubando a cena em meio a um elenco estelar, e cantando a canção dos créditos de encerramento.Em 2017 foi indicada ao Globo de Ouro pela produção de TV “O Mago das Mentiras” (The Wizard of Lies), terceira vez atuando ao lado de Robert DeNiro. Esse ano, a atriz ainda aparecerá muito em breve como uma super heroína em “Homem Formiga & Vespa” (Antman and the Wasp), entrando para o time multi estelar de astros a participar do bem sucedido Universo Cinemático Marvel, se reapresentando para uma nova geração.

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         Seja voando como um falcão, miando como uma gata ou mostrando os belos dotes musicais, falta a Academia lhe reconhecer o talento e lhe conceder a honraria de um Oscar. Ou seria o Oscar quem deveria de conceder a honrar de ir para as mãos de uma das melhores atrizes dos últimos trinta anos, ainda atuante, ainda linda e como diz a canção dos Beatles, as únicas palavras que encaixam tão bem, que todos nós conhecemos e compreendemos como Michelle, nossa Michelle Pfeiffer… Miauu !!!!!!!

CLÁSSICO REVISITADO : GREASE NOS TEMPOS DA BRILHANTINA – 40 ANOS

          A juventude significa lembranças de tempos mais ingênuos, da sensação de que o tempo está em nossas mãos. Nos anos 50 significa também corridas de racha movidas a Rock ‘n roll, e brilhantina (precursor do gel de cabelo) … Pois mesmo depois de 40 anos essa ainda é a palavra.

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          Hoje um dos maiores musicais do cinema, “Grease” nasceu no circuito off-Broadway, escrita por Jim Jacobs e Warren Casey. Ambos embarcaram na mais pura nostalgia representada pela virada dos anos 50 para 60 para contar a história de amor de dois adolescentes  que estão no último ano da escola Rydell High. Na peça o cenário é o meio oeste do país, mas para o filme foi mudado para a California de 1959. Outra mudança foi no tom já que no texto original a história era mais áspera e menos romântica, focando na rebeldia de jovens que se agrupam em gangs de deliquentes, segregados socialmente e se identificando com o então recém nascido Rock ‘n’roll.

         A peça teve seu debut em 7 de fevereiro de 1971 no circuito off-Broadway, popularizando-se em Chicago antes de partir para Nova York. Foi nessa ocasião que foi assistida pelo produtor Alan Carr, que se interessou em adaptá-la para o cinema. Os direitos, no entanto, já haviam sido adquiridos por Ralph Bakshi (animador de “Fritz The Cat”) mas estes expiraram em pouco tempo permitindo que Carr os adquirisse por US$200,000, levando o projeto à Paramount onde se associou ao produtor Barry Diller. Ambos se odiavam, mas fizeram alterações suavizando temas como gravidez na adolescência, deliquência juvenil e rivalidade entre gangs, tudo que foi elaborado a partir da vivência dos autores. Foi Carr quem contratou o diretor Randal Keiser, que havia sido colega de quarto de George Lucas na Universidade. Também foi Carr quem contratou a romancista Bronte Woodward para ajudá-lo a escrever o roteiro refinando os temas abordados na peça. A principio eles fariam de Danny Zuko um frentista de posto de gasolina e trariam o ator Paul Lynde (Tio Arthur do clássico seriado “A Feitiçeira” como o diretor da Ryder High). Estaria previsto nessa primeira versão do roteiro que Lynde faria um numero musical de Carmen Miranda e os Beach Boys ficariam com a canção “Greased Lightnin” encenado na garagem.

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AH ! AQUELAS NOITES DE VERÃO

        Já Diller, representando a Paramount, teria convidado Henry Winkler (o Fonzie do seriado “Happy Days“, muito popular na época) para o papel de Danny Zuko. Contudo, o papel do protagonista caiu nas mãos de John Travolta, então com 22 anos, já que este já era conhecido do diretor com quem havia trabalhado no filme de Tv “O Rapaz da Bolha de Plástico” (The Boy in the Plastic Bubble) de 1976, além de ter trabalhado com o produtor Robert Stigwood em “Os Embalos de Sábado a Noite” (Saturday Night Fever), que na ocasião ainda nem havia sido lançado nos cinemas. Travolta brilhou no filme, e usou de seu recém-criado prestígio para garantir que estrelasse  o número solo “Greased Lightnin’” que fora planejado para o personagem de Jeff Conaway.

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A VIRADA DE SANDY

            Já o papel de Sandy quase foi para Carrie Fisher, que na época filmava “Star Wars Episode IV” com George Lucas, e depois ainda foi cogitado a atriz Susan Dey (Laurie Partridge do seriado “A Familia Dó Re MI“). A inglesa Olivia Newton John já tinha uma carreira como cantora, mas havia tido uma má experiência como atriz em sua terra natal (a sci-fi B “Toomorrow” de 1970) quando foi cogitada para co-protagonizar o filme, tendo o apoio imediato de John Travola que ajudou a convencê-la a se juntar ao elenco. Como seu sotaque inglês era indisfarçável, o roteiro foi modificado fazendo Sandy uma estudante australiana já que Olivia morou dez anos na Austrália. Rizzo, a líder das “Garotas Rosadas” estava previsto para Lucy Arnaz (filha de Lucille Ball), mas ficou afinal com Stockard Channing, enquanto Kenickie foi vivido por Jeff Conaway que já conhecia a peça original pois interpretou Danny na montagem da Broadway. A mais curiosa das alterações de elenco foi Frankie Avalon no papel do anjo no sonho de Frenchy. Inicialmente, o anjo seria Elvis Presley mas a morte do ator/cantor levou a mudanças, inclusive na letra da canção “Look at me, I’m Sandra Dee” que foi gravada no dia em que a morte de Elvis foi anunciada, por isso teve o nome do rei do Rock incluida na letra ( “Elvis Elvis let me be! Keep that pelvis far from me! ).

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O CASAL 20 DOS ANOS 70

          Do elenco contratado os únicos com idade mais próxima de seus personagens (colegiais em torno dos 16 anos) eram Dinah Mannof (Marty) que tinha 19 anos e Lorenzo Lamas (o atleta Tom) também com 19 anos. Esse foi um dos pontos que incomodou o renomado crítico Roger Ebert na época de lançamento do filme: John Travolta (Danny) tinha 22, Olivia Newton-John (Sandy) 29, Jeff Conaway (Kenickie) 26, Jamie Donnelly (Jan) 30, Susan Buckner (Patty) 25, Michael Tucci (Sonny) 31, Kelly Ward (Putzie) 20 e a mais velha era Stockard Channing (Rizzo) 33. Segundo a própria atriz, Alan Carr teria pintado sardas em seu rosto para maquiá-la de forma a disfarçar sua idade. A escalação mais polêmica foi a de Harry Reems, ator pornô que co-estrelou o polêmico “Garganta Profunda” (Deep Throat), para o papel do treinador Calhoun. A rejeição e a reação dos executivos da Paramount fizeram Carr desistir e colocar o comediante Sid Ceasar no lugar. Carr teria inclusive pago US$5,000 de seu próprio bolso a Reems pelo desconforto causado.

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MICHELLE PFEIFFER EM “GREASE 2”

         Das 20 canções originais, somente algumas foram utilizadas no filme, algumas das quais ficando como música de fundo, e quatro canções novas foram escritas só para a adaptação: a canção da abertura “Grease”, escrita por Barry Gibb dos Bee Gees e gravada por Frank Valli, “Sandy” parea John Travolta; “Hopelessly Devoted to You” gravada por Olivia Newton depois de terminada as filmagens e indicada ao Oscar e “You the One That I Want” que traz a inversão final dos papeis: Danny comportado em um casaco escolar e Sandy em roupa de couro colada no corpo. Para gravar a cena, a roupa teve que ser costurada no corpo de Olivia Newton-John fazendo a virginal Sandy se tornar uma vamp sedutora. Desconforto maior foi a gravação do baile na escola devido ao intenso calor que fazia no local. A sequência da corrida de carros na galeria de esgoto deixou alguns membros do elenco passando mal. O filme, no entanto, tornou-se a maior bilheteria de 1978 com 167 milhões de dólares, acima de “Superman o Filme” e “Tubarão 2”.

           Inegável que o sucesso de “Grease” levou a filmes como “High School Musical” e mostrou a Hollywood que o universo teen guardava boas histórias a serem exploradas. Gerações cantam “Summer Nights”, meninos se imaginam um T-Bird e meninas uma Pink Lady, ao menos os que se permitem se deixar levar pelas melodias contagiantes que conduzem a narrativa. O sucesso levou à sequência “Grease 2” de 1982 que trazia uma outra história transcorrida da mesma escola com outro grupo de jovens e trazendo Michelle Pfeiffer como protagonista. Em 2016 a Fox transmitiu ao vivo o especial “Grease Live”, uma nova montagem com Aaron Tveit (Danny), Julianne Hough (Sandy) e Vanessa Hudgens (de “High School Musical” como Rizzo).

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ELENCO REUNIDO

           O apelo da história de Danny e Sandy permanece em nossa memória afetiva seja por representar tempos mais inocentes seja por trazer os rebolados ardentes de John Travolta e Olivia Newton John, cada um ícone de tempos e lugares melhores em que uma pudica Sandra Dee pode viver um belo romance com um rebelde com pinta de um selvagem Marlon Brando. Assim sacudiram todos nós e nos instigam a continuar a indagar “Tell me more !Tell me more” (Conte nós mais).

 

GOLDEN GLOBE 2018 – OS INDICADOS

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DIVULGADO ONTEM A LISTA DOS INDICADOS PARA O “GOLDEN GLOBE 2018”  CUJA CERIMÔNIA SERÁ REALIZADA EM 7 DE JANEIRO PRÓXIMO EM LOS ANGELES, SENDO APRESENTADA PELO COMEDIANTE SETH MEYERS. OS ATORES ALFRE WOODARD, KRISTEN BELL, GARRET HEDLUND E SHARON STONE ANUNCIARAM A LISTA DOS FILMES E PROFISSIONAIS QUE SERÃO HONRADOS NO BEVERLY HILTON HOTEL E QUE SEMPRE GERA EXPECTATIVA COMO PRÉVIA DO OSCAR VINDOURO. A LISTA A SEGUIR:

Melhor filme – Drama

“Me chame pelo seu nome”
“The Post: A guerra secreta”
“Dunkirk”
“A forma da água”
“Três anúncios para um crime”

Melhor filme – Comédia e musical

“Artista do Desastre”
“Corra!”
“I, Tonya”
“Lady Bird: É Hora de Voar”
“O Rei do Show”

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MARGOT ROBBIE EM “I TONYA”

Melhor diretor

Christopher Nolan – “Dunkirk”
Guillermo del Toro – “A Forma da Água”
Martin McDonagh – “Três Anúncios Para um Crime”
Ridley Scott – “All the Money in the World”
Steven Spielberg – “The Post: A Guerra Secreta”

Melhor roteiro

“A Forma da Água” – Guillermo del Toro
“A Grande Jogada” – Aaron Sorkin
“Lady Bird: É Hora de Voar”- Greta Gerwig
“The Post: A Guerra Secreta” – Liz Hannah, Josh Singer
“Três Anúncios Para um Crime” – Martin McDonagh

Melhor atriz de filme – Drama

Frances McDormand – “Três Anúncios Para um Crime”
Jessica Chastain – “A Grande Jogada”
Meryl Streep – “The Post: A Guerra Secreta”
Michelle Williams – “All the Money in the World”
Sally Hawkins – “A Forma da Água”

FORMA DA AGUA

A FORMA DA ÁGUA

Melhor atriz de filme – Comédia ou musical

Emma Stone – “A Guerra dos Sexos”
Helen Mirren – “The Leisure Seeker”
Judi Dench – “Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha”
Margot Robbie – “I, Tonya”
Saoirse Ronan – “Lady Bird: É Hora de Voar”

Melhor ator de filme – Drama

Daniel Day-Lewis – “Trama Fantasma”
Denzel Washington – “Roman J. Israel, Esq.”
Gary Oldman – “O Destino de uma Nação”
Timothée Chalamet – “Me Chame pelo Seu Nome”
Tom Hanks – “The Post: A Guerra Secreta”

Melhor ator – Musical ou comédia

Ansel Elgort – “Em Ritmo de Fuga”
Daniel Kaluuya – “Corra!”
Hugh Jackman – “O Rei do Show”
James Franco – “Artista do Desastre”
Steve Carell – “A Guerra dos Sexos”

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O REI DO SHOW

Melhor ator coadjuvante

Armie Hammer – “Me Chame pelo Seu Nome”
Christopher Plummer – “All the Money in the World”
Richard Jenkins – “A Forma da Água”
Sam Rockwell – “Três Anúncios Para um Crime”
Willem Dafoe – “Projeto Flórida”

Melhor atriz coadjuvante

Allison Janney – “I, Tonya”
Hong Chau – “Pequena Grande Vida”
Laurie Metcalf – “Lady Bird: É Hora de Voar”
Mary J. Blige – “Mudbound”
Octavia Spencer – A Forma da Água”

Melhor animação

“Com Amor, Van Gogh”
“O Poderoso Chefinho”
“O Touro Ferdinando”
“The Breadwinner”
“Viva: A Vida é uma Festa”

Melhor trilha sonora para filme

“A Forma da Água” – Alexandre Desplat
“Dunkirk” – Hans Zimmer
“The Post: A Guerra Secreta” – Vários
“Trama Fantasma” – Jonny Greenwood
“Três Anúncios Para um Crime” – Carter Burwell

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THE POST – A GUERRA SECRETA

Melhor filme língua estrangeira

“Em Pedaços”
“First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers”
“Loveless” (Nelyubov)
“The Square”
“Uma Mulher Fantástica”

Melhor série de TV – Drama

“Game of Thrones”
“The Handmaid’s Tale”
“Stranger Things”
“The Crown”
“This Is Us”

Melhor ator em série limitada ou filme feito para TV

Robert De Niro – “O mago das mentiras”
Ewan McGregor – “Fargo”
Geoffrey Rush – “Genius”
Jude Law – “The Young Pope”
Kyle MacLachlan – “Twin Peaks”

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MICHEELE PFEIFFER & ROBERT DENIRO

Melhor filme para TV ou série limitada

“Big Little Lies”
“Fargo”
“Feud”
“The Sinner”
“Top of the Lake”

Melhor série – Musical ou comédia

“Black-ish”
“Master of None”
“SMILF”
“The Marvelous Mrs. Maisel”
“Will& Grace”

Melhor ator de série de TV – Musical ou comédia

Anthony Anderson – “Black-ish”
Aziz Ansari – “Master of None”
Eric McCormack – “Will & Grace”
Kevin Bacon – “I Love Dick”
William H. Macy – “Shameless”

Melhor ator de série de TV – Drama

Bob Odenkirk – “Better Call Saul”
Freddie Highmore – “The Good Doctor”
Jason Bateman – “Ozark”
Liev Schreiber – “Ray Donovan”
Sterling K. Brown – “This Is Us”

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FREDDIE HIGHMORE – THE GOOD DOCTOR

Melhor atriz de série de TV – Drama

Caitriona Balfe – “Outlander”
Claire Foy – “The Crown”
Elisabeth Moss – “The Handmaid’s Tale”
Katherine Langford – “13 Reasons Why”
Maggie Gyllenhaal – “The Deuce”

Melhor atriz de minissérie ou filme feito para TV

Jessica Biel – “The Sinner”
Jessica Lange – “Feud”
Nicole Kidman – “Big Little Lies”
Reese Witherspoon – “Big Little Lies”
Susan Sarandon – “Feud”

Melhor atriz de série de TV – Musical ou comédia

Alison Brie – “GLOW”
Frankie Shaw – “SMILF”
Issa Rae – “Insecure”
Pamela Adlon – “Better Things”
Rachel Brosnahan – “The Marvelous Mrs. Maisel”

Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV

Ann Dowd – “O Conto da Aia”
Chrissy Metz – “This Is Us”
Laura Dern – “Big Little Lies”
Michelle Pfeiffer – “O Mago das Mentiras”
Shailene Woodley – “Big Little Lies”

Melhor ator coadjuvante para série, minissérie ou filme feito para TV

Alexander Skarsgård – “Big Little Lies”
Alfred Molina – “Feud”
Christian Slater – “Mr. Robot: Sociedade Hacker”
David Harbour – “Stranger Things”
David Thewlis – “Fargo”

 

ESTREIAS DA SEMANA: 30 DE NOVEMBRO

ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE

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(Murder on the Orient Express) Reino Unido / 2017. Dir: Kenneth Brannagah. Com Kenneth Brannaagh, Johnny Depp, Penelope Cruz, Michelle Pfeiffer, Josh Gad, Daisy Ridley, Judy Dench, William Dafoe, Derek Jacobi. Suspense. 

Demorou para que o cinema redescobrisse as obras da Rainha do Crime (Vide matéria abaixo) graças a Kenneth Brannagah, herdeiro de Laurence Olivier que sempre equilibrou seus filmes entre adaptações teatrais como “Hamlet” (1996) ou “Henrique V” (1989) com trabalhos mais comerciais como “Thor” (2011) e “Cinderella” (2015). Tendo nas mãos o roteiro de Michael Green (roteirista de “Logan”, “Blade Runner 2049, da série “Sex & The City” e produtor da série “Heroes”), Brannagah traduz o engenhoso quebra cabeças da autora que se passa a bordo do luxuoso trem (Agatha Christie viajou no verdadeiro expresso do oriente para escrever sua obra) onde o detetive belga Hercule Poirot (um dos pilares do gênero policial, tão importante quanto Holmes) investiga os passageiros suspeitos da morte de um homem rico esfaqueado durante uma tempestade de neve). Poirot é tão genial quanto Holmes, e tão peculiar quanto este em suas deduções e modus operandi. Brannagah dirige e interpreta o personagem que protagonizou diversas obras da autora. Seu elenco multi-estelar é um espetáculo à parte (destaque para Michelle Pfeiffer) , cada um sendo uma peça inestimável com a qual Agatha Christie traça um painel da natureza humana, o que o diretor sabe como explorar mostrando que o cinema não precisa ser resumido a franquias de super herois e blockbusters. A Fox já anunciou oficialmente a volta de Brannagh como Poirot em “Morte no Nilo” em breve, mostrando que se na vida real o crime não compensa, ao menso na literatura e no cinema ele o faz brilhantemente.

 

HALLOWEEN 2015 – PARTE 3: AS BRUXAS

A Feitiçeira            Nada mais justo que encerrar essa série de artigos sobre o Halloween, falando dos próprios seres que batizam a data. No imaginário popular, as bruxas  são retratadas como mulheres velhas, narigudas, que voam em vassouras vestidas de preto e com um chapéu pontiagudo. Sua existência já foi contada em livros e filmes das mais variadas formas, ora como as vilãs ou até mesmo no papel de heroínas.

A Bruxa de Blair

A Bruxa de Blair

Em tempos medievais, a tradição oral fez notória a história de João e Maria (Hansel & Gretel) nas florestas germânicas fala de uma bruxa que os aprisiona e os alimenta com intenção de devorá-los. Os Irmãos Grimm escreveram a versão escrita que veio a ser publicada no início do século XIX. Em 1937, o escritor Monteiro Lobato incluiu a história no livro de contos “Histórias de Tia Anastácia”. O próprio autor paulistano deixou sua imaginação fluir e criou a Cuca, uma feiticeira em um corpo de Jacaré que se tornou a vilã nas histórias do “Sitio do Pica-pau Amarelo” escritas entre 1920 e 1947. Também da era medieval, uma das bruxas mais notórias é Morgana, também uma das personagens centrais nas lendas arturianas transpostas da tradição oral para o papel por Sir Thomas Mallory no livro “Le Morte d’Arthur” de 1947, um dos primeiros livros publicados na Inglaterra com o advento da imprensa. Que não fique, no entanto, a impressão de que a era medieval foi o berço desses personagens mágicos. A antiga Grécia já relatava a ação de bruxas junto a grandes eventos como Circe, uma poderosa feiticeira presente na “Odisséia” de Homero. O dramaturgo William Shakespeare as retratou como profetizas na obra clássica “Macbeth”, escrita no século XVII. A história registra um episódio particular ocorrido por volta de 1692 em Salem, Massachussets, o lendário julgamento de bruxas. Movidos pela ignorância e pela superstição os regentes do povoado acusaram mais de 100 mulheres de práticas ligadas à magia negra, incluindo curandeiras e qualquer uma cujo comportamento indicasse algum desvio de comportamento. Vinte pessoas, na maioria mulheres, foram submetidas a torturas até que confessassem e morreram, executadas pelos dirigentes de Salem

As Brumas de Avalon

As Brumas de Avalon

Muitos séculos depois, a cultura pop viria a mostrar as bruxas sob um aspecto diametralmente oposto: O seriado “A Feitiçeira” (Bewitched)  trazia Elizabeth Montgomery no papel de Samantha Stevens, uma bruxa que abdicara de uma vida de mágica para ser dona de casa, mas seus poderes e a presença de seus familiares tumultuava a paz de de seu marido, o publicitário James Stephens (Dick York). O seriado durou 8 temporadas e a bruxaria serviu como metáfora para um casamento entre classes sociais opostas. Na década de 90, a atriz Melissa Joan Hart interpretou uma bruxa adolescente no seriado “Sabrina, aprendiz de feiticeira” (Sabrina The Teenage Witch), e em seguida veio “Charmed” que trazia bruxas que lutavam contra as forças das trevas tal qual heroínas de histórias em quadrinhos. Na literatura, diversos autores souberem ser inventivos para explorar as possibilidades da magia. O século XX começou com o escritor norte-americano L.Frank Baum, que fez da bruxa vilã de sua fábula em série “O Mágico de OZ” (The Wonderful Wizard of Oz), onde a heroína Dorothy acidentalmente mata a bruxa malvada do leste e desperta a ira de sua irmã, a bruxa malvada do oeste. O teatrólogo americano Arthur Miller escreveu em 1953 “As Bruxas de Salém” (The Crucible) e fez das bruxas metáforas para a paranoia macartista que tomou conta da sociedade americana na década de 50. Em 1979, Marion Zimmer Bradley deu às mulheres do ciclo arturiano o devido destaque nos quatro volumes entitulados “As Brumas de Avalon” (The MIsts of Avalon). Se em outras versões Morgana era uma bruxa ambiciosa e fria, Marion a fez vítima de circunstâncias atenuantes, uma sacerdotisa de um período em que o paganismo chegava a um ponto final. Anne Rice deixou de lado os vampiros para falar de bruxaria em dois livros que se completam formando um painel geração após geração da vida de uma família de feiticeiras em “A Hora da Bruxaria” (The Witching Hour), dividido em dois volumes, ambos publicados em 1990. Digno de nota também é o romance de John Updike “As Bruxas de Eastwick” (The Witches of Eastwick) de 1984 que fez da bruxaria uma alegoria para falar de libertação, sedução e feminismo.

As Bruxas de Eastwick

As Bruxas de Eastwick

O cinema contou com adaptações dessas obras, mas ainda assim sempre recorre à figura da bruxa como um instrumento do demônio, como na farsa arranjada por Edward Sanchéz e Daniel Myrink que usaram de uma campanha viral na internet, até então sem precedentes, para convencer a todos que existia a tal bruxa nas florestas de Maryland, praticamente um fake-lore, um folclore forjado para entreter o suposto documentário filmado por três estudantes. No período clássico bom lembrar de Kim Novak em “Sortilégios de Amor” (Bell, book na candle) no qual interpreta uma sedutora feiticeira que usa de porções e feitiços para conquistar o coração de James Stewart. Sedução também é a maior mágica das irmãs interpretadas por Sandra Bullock e Nicole Kidman em “Da Magia a Seduçao” (Practical Magic) de 2003. A Lista é grande e não podem faltar Michelle Pfeiffer em “Stardust – O Mistério da Estrela” (Stardust), Eva Green em “A Bussola de Ouro” (The Golden Compass) e Bette Midler acompanhada de Sarah Jessica Parker e Katrhy Najimy em “Abracadabra” (Hocis Pocus). A magia não está no caldeirão, mas na imaginação humana. Feliz Halloween!!!