MOLLY RINGWALD 50 ANOS

MR1             Alguém lembra como era ser adolescente nos anos 80 ? Não havia internet, celulares, smart TVs ou computadores. Horrível e impensável para quem hoje está com 15 ou 16 anos. Mas, ainda que fosse assim, a juventude da década de Rocky e Rambo foi divertida e curtida adoidado por quem viveu a época. Não tínhamos redes sociais com milhares de “amigos”, mas nos entrosávamos em brincadeiras de rua, paquerávamos em festas embaladas ao som de RPM, Cindy Lauper, Sting, Madonna e Michael Jackson. Não éramos fissurados em nos mostrar em selfies, mas registrávamos nossos momentos em Polaroid. Nessa época jogávamos Atari ou Genius que nem de longe lembram o que é hoje um X Box ou Play Station, mas era o máximo.

a garota de rosa shocking

        O diretor, roteirista e produtor John Hughes registrou em película os anseios, os medos e as alegrias de toda uma geração em vários filmes como “O Clube dos Cinco” (The Breakfast Club) de 1985, “Mulher Nota 1000” (Weird Science) de 1985 e “Gatinhas & Gatões” (Sixteen Candles) lançados no circuito brasileiro há mais de 30 anos. A história do filme girava em torno de Samantha Baker (Molly Ringwald)  às vésperas de completar dezesseis anos. Samantha é apaixonada pelo mauricinho da escola, o jovem Jake Ryan (Michael Schoeffling) que namora a patricinha metida a besta Carolyn (Haviland Morris). Como se não bastasse o fato de que se sente de lado pois a irmã mais velha está para se casar e está atraindo toda a atenção para si, o garoto mais esquisito da escola, o nerd Ted (Anthony Michael Hall), está lhe assediando.

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         John Hughes demonstrou sensibilidade e equilíbrio para tratar de humor e drama ao lidar com assuntos como virgindade, popularidade, abandono e sexualidade juvenil. Curioso, assistir ao filme e comparar com a atual juventude “fone no ouvido e celular na mão” e ver o quanto tanta coisa mudou, não apenas entre os jovens, mas em sua forma de interagir com o mundo ao seu redor. Conflitos entre gerações sempre existiram e Hughes sabia como tratar o assunto sem ofender a inteligência de ninguém. O filme seguinte do diretor, “O Clube dos Cinco”, aprofundaria ainda mais essas interações. Molly Ringwald foi a atriz símbolo dessa geração, nossa musa que nesse mês completou 50 anos (dia 18). Molly encarnou o estereotipo da garota comum, e por isso mesmo atraente para nossos olhos. Podia ser ingênua (A Garota de Rosa Shocking), virginal (O Clube dos Cinco) ou uma debutante sonhadora (Gatinhas & Gatões), Molly nos fazia querer ser o primeiro na fila para chamar sua atenção, e por isso foi membro valioso do “Brat Pack”, a geração de jovens atores na década de “Thriller” e “Like A Virgin”, quando o jovem ganhou uma expressividade maior, mostrando que podiam ter conflitos mas não eram vazios. A atriz alcançou o auge com a Andie de “A Garota de Rosa Shocking” (Pretty in Pink) e foi nesse ano capa da revista “Time”

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         O papel de Samantha Baker em “Gatinhas & Gatões” curiosamente quase ficou com Ally Sheedy, mas Sheedy e Ringwald contracenariam depois em “O Clube dos Cinco” já no ano seguinte. Também estaria junto com elas em “O Clube dos Cinco”, Anthony Michael Hall, o incansável nerd que corteja Samantha e de quem sai a fala que foi incluída pelo AFI (American Film Institute) entre as 100 frases mais memoráveis do cinema: “Pode me emprestar sua calçinha, por favor ?”, diz um desesperado Ted a Samantha que com isso vai impressionar os colegas de escola a alcançar uma sonhada popularidade. Curiosamente, nos bastidores de “Gatinhas & Gatões”, Molly e Anthony não se deram muito bem, mas depois de levados pelo diretor Hughes para visitar uma loja de discos (o precursor do CD), eles começaram a se confraternizar ao descobrir as afinidades que não sabiam ter. O filme ainda tem John Cusack (2012, O Juri) em papel menor.

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          A parceria Ringwald e John Hughes quando este se magoou quando a atriz se recusou a fazer o papel de Amanda Jones em “Alguém Muito Especial” (Some Kind of Wonderful), papel que iria para Lea Thompson. Molly ainda teve um papel importante ao lado de um jovial Robert Downey Jr em “O Rei da Paquera” (The Pick Up Artist) de 1987. Na década seguinte, Molly recusou dois papeis importantes: o de Vivian em “Uma Linda Mulher” (Pretty Woman) que foi para Julia Roberts e o e Sally em “Harry & Sally Feitos Um Para o Outro” (When Harry Met Sally) que foi para Meg Ryan. Mais tarde fez teste mas perdeu o papel  da xará Molly em “Ghost” que foi para Demi Moore. Na década de 90 sua carreira caiu no ostracismo com papeis pouco ou nada relevantes na TV ou no cinema. Casou-se pela primeira vez em 1999 com o romancista francês Valéry Lameignére mas o casamento durou só três anos. Em 2007, casou-se novamente com o editor de livros Panio Gianopoulos com quem teve três filhos. Essa ruiva Californiana se reinventou nos anos 2000 escrevendo um livro de memórias em 2010 entitulado “Molly Ringwald: Getting The Pretty Back Friendship, Family and Finding The Perfect Lipstick”, iniciando uma modesta carreira nas letras, que dois anos depois levou ao romance “Molly Ringwald: When It Happens To You – A Novel in Stories”. Em 2008 voltou a atuar com relativo sucesso fazendo o papel de mãe de Shailene Woodley na série “The Secret Life of the American Teenager”. Em 2013 gravou dois Cds com talento herdado do pai, um pianista de Jazz que era cego.

             Lamentável que a juventude atual não tenha no cinema uma musa como Molly Ringwald que nos faça lembrar que só se tem dezesseis anos uma vez na vida, nos faça sentir gatões mas que sobretudo deixe uma marca tão positiva que nos faça sentir aquele amor platônico, uma namoradinha que se tivéssemos ainda nos faria eternamente jovem, e nem precisaria vir de Rosa Shocking.