A CHEGADA DO HOMEM NA LUA – 50 ANOS DEPOIS O QUE O CINEMA MOSTROU

               Desde tempos imemoriais o homem tem olhado para o céu e procurado respostas para questões como “Quem somos ?”, “Estamos sozinhos ?”, “O que existe além do que os olhos revelam?”. Há exatos 50 anos Neil Armstrong deu um pequeno passo, que para todos nós significou um grande salto, a primeira vez que o homem chegou à lua. Juntamente com Buzz Aldrin e Michael Collins, o comandante Neil Armstrong levou os sonhos e aspirações humanas a um novo patamar a bordo do módulo da Apolo 11. Richard Nixon era o presidente dos Estados Unidos e a corrida espacial convivia com o movimento hippie, com a Guerra do Vietnã e com o compasso do Rock n’ roll. Na literatura e no cinema, no entanto, a alusinagem já havia acontecido.

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PEQUENO PASSO PARA O HOMEM, GRANDE SALTO PARA A HUMANIDADE

            Coube ao escritor francês Jules Verne (1828-1905) o primeiro romance a retratar uma viagem ao nosso satélite. “Da Terra à Lua” (De la terre à la lune), publicado em 1865, antecipou em quase 100 anos a viagem da Apolo 11. Em vez de um foguete, Verne imaginou um módulo em forma de bala disparado por um canhão, logo depois do final da Guerra Civil Americana (1861-1865). O canhão, chamado no livro de Columbiad, foi o precursor da Apolo 11 e mostra que Verne estava no caminho certo ao pensar na necessidade de gerar uma velocidade de aceleração que rompesse a atmosfera terrestre e vencesse a força gravitacional. A inspiração foi tanta que a NASA batizou de Columbia o módulo de comando da missão Apolo 11. Mostrando que a vida imita a arte, Laika a cadelinha enviada pelos russos a bordo do Sputnik 2 em 1957 foi antecipada também por Verne que inclui dois cães, Diana e Satélite, em sua viagem imaginária. O impacto cultural foi tanto que Neil Armstrong, em 23 de Julho de 1969, mencionou o nome do autor francês durante uma transmissão de Tv. E foi com a história de Verne que o cinema de ficção científica foi inaugurado quando o ilusionista George Meliés filmou e lançou “Le Voyage dans la lune” em 1902 , primeira adaptação do romance, que imprimiu para a posteridade a imagem da lua com o projétil encrustado em sua superfície em forma de um rosto.

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A LUA DE GEORGE MELIES.

            Em 1901 foi a vez do escritor britânico H.G.Wells (1866 – 1946) publicar “Os primeiros homens na lua” (The First Me non the Moon). A história imaginou um módulo de viagem levantado no ar pela Carvorita, um fictício minério anti-gravitacional. Levando seus astronautas a uma lua habitada por uma raça insectóide, os Selenitas, que ocupam uma área subterrânea com atmosfera própria. Também em 1964, a história de Wells foi adaptada para o cinema em uma produção B valorizada pelos efeitos do mestre Ray Harryhausen (1920-2013). A ficção se adiantou à realidade em várias produções do gênero, sendo que a mais realista chegou às telas um ano antes da chegada da missão Apolo 11, fruto da união dos talentos do diretor Stanley Kubrick (1928 – 1999) e do autor inglês Arthur C.Clarke (1917 – 2008). Ambos deram um status de realismo e seriedade à ficção científica, inédito até então, e mostraram o misterioso monólito negro na superfície lunar no impressionante “2001 Uma Odisseia no espaço” (1968).

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OS VERDADEIROS HEROIS DA APOLLO 11

         Claro que a conquista do solo lunar dava aos norte-americanos a dianteira da corrida espacial, superando o vôo orbital do russo Iuri Gagarin em 1961, e ainda que teorias conspiratórias especulem que a bandeira americana não passa de encenação, o fato é que ela alimentou a imaginação e a adoração até dos antigos gregos que nomearam Selene como a deusa da Lua. Muitos romances já foram banhados sob sua face iluminada, e o cinema nunca cansou de usá-la muito além do cientificismo especulativo. James Stewart ameaçou laçá-la para sua amada em “A Felicidade não se compra” (1946), o menino Elliot voou em uma bicicleta tendo a lua como pano de fundo mexendo com nossas fantasias em “E.T o Extraterrestre” (1981), e o que dizer do plano mirabolante do vilão reformado Gru em “Meu Malvado Favorito” (2010) de encolher a lua.

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A LUA NA FANTASIA SPIELGUINIANA

         Todo esse fascínio é constantemente renovado no imaginário popular e a história é revistada como em “Apolo 13” (1995) reconstituindo a desastrosa missão que levou três astronautas a lutarem por suas vidas quando seu módulo apresenta defeitos nas comunicações com Houston, na energia e no oxigênio disponível. Mais recentemente, o diretor Damien Chazalle adaptou a biografia do próprio Neil Armstrong em “Primeiro Homem” (2018) mostrando os sacrifícios e os obstáculos nos bastidores do lançamento histórico de 16 de Julho de 1969. Impressionou a todo o mundo, teve suas imagens transmitidas ao Brasil no final do governo de Costa e Silva, um mundo pré internet, no qual a televisão era a maior fonte de informações.

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          Enquanto amostras eram colhidas e trazidas à Terra, músicas eram compostas e ainda são até hoje, na voz de Billy Holiday “Blue Moon”, a banda Echo & The Bunnyman “The Killing Moon”, Frank Sinatra “Fly me to the Moon”, Caetano Veloso “Lua de São Jorge”, Cidade Negra “A Lua & eu”, Bruno Mars “Talking to the moon” entre outros que a usaram de forma poética inflamando ainda mais nossa visão romântica.

          Indubitável que a data merece celebração e que sua realização aponta um divisor de águas na área cientifica, bem como um indicativo das potencialidades do desejo humano na busca pelo conhecimento, de ir além dos limites físicos impostos por nossa condição, aterrados no mundo físico mas livres na mente. O escritor norte americano Ray Bradbury (1920-2012) dizia que somos uma impossibilidade num universo impossível. A história prova que a ciência é o combustível que nos move,  e a data nos inspira, com a força com a qual nos faz lembrar do brado de Buzz Lightyear, cujo nome vem do astronauta Buzz Aldrin, “Ao infinito e além !”.

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 1º DE OUTUBRO

PERDIDO EM MARTE

PERDIDO EM MARTE

(The Martian) EUA 2015. Dir: Ridley Scott. Com Matt Damon, Jessica Chastain, Jeff Daniels, Chiwitel Eliojor, Sean Bean, Kristin Wigg. Ficção Cientifica. Com a recente declaração da NASA da descoberta de água em Marte, o novo filme de Ridley Scott ganha impulso diante do público. A história adaptada do livro de Andy Weir lembra a premissa do filme B “Robinson Crusoe em Marte” (Robinson Crusoe on Mars) de 1964 que trazia Adam West, o Batman da Tv, em situação semelhante: Um astronauta ilhado no planeta vermelho, tendo que sobreviver enquanto aguarda o resgate. Claro que guardam-se as devidas proporções, já que a história do filme de Ridley conta com um orçamento bem mais inflado e um super elenco para contar a história do astronauta Mark Watney, membro de uma expedição para Marte, deixado para trás e forçado a lutar árduamente pela sobrevivência até que uma missão de resgate o leve de volta. A obstinação e a criatividade deste para sobreviver em Marte reserva ótimas surpresas no roteiro que equilibra o embasamento científico da NASA com liberdades poéticas que estão lá para impulsionar a dramaticidade como a tempestade em Marte ou a rapidez com a qual Mark contata a Terra. Outras até guardam um grau de verossimilhança sem querem ser chato pois estamos falando de Hollywood. Ridley Scott demonstra maior desenvoltura com o roteiro de Drew Goddard, mais eficiente do que em “Prometheus”. Se não é uma obra prima, consegue ao menos ser uma eficiente aventura dentro do gênero que abraça.

VAI QUE COLA – O FILME

VAI QUE COLA FILME

Bra 2015. Dir: Cesar Rodrigues. Com Paulo Gustavo, Samantha Schmutz, Emiliano D’Avila, Catarina Abdala,Cacau Potassio, Fiorella Matheus  Comédia.

Adaptação da divertidísssima sitcom exibida na tv pelo Multishow. Valdomiro é um trambiqueiro de primeira que se refugia da policia na pensão da Dona Jo quando perde todo seu dinheiro em um golpe. Agora vê uma chance de reaver seu antigo status sendo que tem que levar toda a turma da pensão consigo. Paulo Gustavo é muito talentoso e engraçado e está cercado de um super elenco capaz de divertir na tela grande.