PIRATAS DO CARIBE, DA LITERATURA & DO CINEMA.

        Quando criança adorava histórias de piratas e uma das primeiras que vi foi a adaptação de “Pluft – o Fantasminha” da Maria Clara Machado, que trazia o ator Flavio Migliaccio como o malvado pirata da perna de pau. Histórias desses saqueadores dos mares datam desde a Odisséia de Homero, mas a imagem que mais se popularizou no imaginário popular foi a do bandido com papagaio no ombro e tapa-olho,  que atravessou os mares nos séculos XVII e XVIII.

TREASURE ISL

A literatura clássica romantizou os feitos dos piratas como donos de um código próprio de camaradagem temperado com a ganância desmedida e a caça ao tesouro. O autor escossês Robert Louis Stevenson (1850-1894) publicou em 1883 “A Ilha do Tesouro” (Treasure Island) , já adaptado para o cinema diversas vezes desde a época do cinema mudo, sendo a versão mais famosa a realizada pela Disney em 1950. No Brasil, tivemos nossa própria versão em “O Trapalhão na Ilha do Tesouro” (1975), divertida paródia com Renato Aragão & Dedé Santana. O livro é narrado pelo menino Jim Hawkins, que conta suas aventuras ao lado do pirata Long John Silver. A obra de Stevenson tornou-se referência no tema, sendo a primeira vez que surgiu a clássica imagem do mapa do tesouro com um “X” marcado.

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CAPITÃO BLOOD

       Durante várias décadas, o cinema Hollywoodiano  fez da pirataria um filão rentável com Douglas Faibanks esbanjando um sorriso provocante em “O Pirata Negro” (The Black Pirate) de 1926, ainda durante o período mudo. Os duelos de espada ensaiados e coreografados pelo mestre Fred Cavens ofereciam o realismo necessário para as plateias ávidas por ação. A chegada do som trouxe Errol Flynn e Tyrone Power como os mais célebres representantes dessa figura sedutora, viril e rebelde, muitas vezes em filmes extraídos dos livros do escritor italiano Rafael Sabatini (1875 – 1950) como “Capitão Blood” (Captain Blood) de 1935, “O Gavião do Mar” (The Sea Hawk) de 1940 e “O Cisne Negro” (Black Swan) de 1941. Os dois últimos, no entanto, foram adaptações nada fieis ao livro adaptado, mas fixaram a imagem de Flynn e Power como os expoentes do filão, modelo para os aventureiros retratados nas telas por atores como Cornel Wilde, Douglas Fairbanks Jr, Louis Hayward e Burt Lancaster, que emprestou ao tipo suas incríveis habilidades atléticas de sua experiência circense em filmes como “O Pirata Sangrento” (The Crimson Pirate) de 1952. Da década de 50, quando o gênero começou a entrar em declínio, alguns exemplares merecem destaque como “Contra Todas as Bandeiras” (Against All Flags) de 1952, com Errol Flynn, Anthony Quinn  e Maureen O’Hara (uma belíssima pirata, aliás).  Aqui, mostra-se uma variedade da pirataria, o “bucaneiro”, que se refugiava em lugares remotos e atacavam qualquer embarcação de forma violenta, agregando a suas fileiras ex-presidiarios, ex-escravos, qualquer um que fosse marginalizado. Estes pilhavam principalmente as embarcações espanholas. Além de Maureen O’Hara, outra pirata mulher que vagou pelos mares caribenhos foi Anne Providence, interpretada pela igualmente bela Jean Peters em “A Vingança dos Piratas” (Anne of the INdies) de 19651. Já a figura do corsário, ou seja, um pirata cuja atividade era tributada em favor de seu reino, teve a figura histórica do Capitão Francis Drake vivido por Rod Taylor em “O Pirata Real” (Seven Seas to Calais) de 1963. O notório Edward Teach ganhou o famoso apelido Barba Negra e apareceu em diversos filmes já vivido por Robert Newton, Peter Uistnov, e mais recentemente Ian McShane em “Piratas do Caribe: Navegando em Aguas Misteriosas” (2011). Curiosa mezcla de gêneros foi feito por Vincent Minnelli em 1948 no musical “O Pirata” (The Pirate ) com Gene Kelly se fazendo passar por um perigoso elemento para conquistar Judy Garland, ao som de canções de Cole Porter.

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O PIRATA : GENE KELLY & JUDY GARLAND

              Nas décadas de 70 e 80, o tema foi inutilmente ressucitado resultando em fiascos de bilheteria como “Piratas das Ilhas Selvagens” (Nate & Hayes) de 1983. Roman Polanksi também fracassou com “Piratas” (Pirates) de 1986 chegando ao ponto de construir a fragata “Neptune”, mostrada no filme, e levá-la para a abertura do Festival de Cannes no citado ano, ancorando próximo ao local, uma extravagância promocional que nada ajudou na bilheteria da produção. Desastroso também foi o filme de Renny Harlin “A Ilha da Garganta Cortada” (Cutthroat Island) de 1995. Na verdade, até que Johnny Depp surgisse como o Capitão Jack Sparrow no primeiro “Piratas do Caribe” (Pirates of the Caribbean) de 2003, o gênero parecia extinto. Claro que depois de quatro sequências, sendo a última “A Vingança de Salazar”, parece que ainda teremos tempo para fazer um brinde com rum e dizer HO HO HO.

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PIRATAS DO CARIBE: KEIRA KNIGHTLY, ORLANDO BLOOM & JOHNNY DEPP

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MEMÓRIAS DE UM CINÉFILO : MINHA INFÂNCIA COM OS TRAPALHÕES.

            Ô DA POLTRONA. OS BONS TEMPOS ESTÃO AQUI, OS TRAPALHÕES VOLTARAM AO CINEMA. A TRUPE FORMADA POR RENATO ARAGÃO, DEDÉ SANTANA, MUSSUM &  ZACARIAS TRANSFORMAVA O TRISTE FIM DE DOMINGO EM UMA DIVERSÃO. MINHA GERAÇÃO PASSOU INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA INDO AO CINEMA DUAS VEZES POR ANO (GERALMENTE NAS FÉRIAS) PARA ASSISTIR AOS FILMES DOS TRAPALHÕES, FORAM MAIS DE 40 FILMES SENDO 5 DELES (OS TRAPALHÕES NAS MINAS DO REI SALOMÃO , OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES, OS TRAPALHÕES NA GUERRA DOS PLANETAS, OS TRAPALHÕES NA SERRA PELADA, E O CINDERELO TRAPALHÃO) FIGURAM ATÉ HOJE NA LISTA DAS 13 MAIORES BILHETERIAS NACIONAIS CONTABILIZANDO MAIS DE 5 MILHÕES DE INGRESSOS VENDIDOS, DE ACORDO COM OS DADOS DA ANCINE (AGÊNCIA NACIONAL DE CINEMA).

             MINHA PRIMEIRA VEZ NO CINEMA FOI EM 1977 JUSTAMENTE PARA ASSISTIR “O TRAPALHÃO NAS MINAS DO REI SALOMÃO” , DE J.B.TANKO, DIRETOR DE ONZE FILMES DO GRUPO. AO FINAL DO FILME, ERA INEVITÁVEL DERRAMAR UMA TÍMIDA LÁGRIMA QUANDO LUPA, O CÃO FIEL AMIGO DE DIDI, MORRE EM UMA CENA PARA RESSUCITAR DEPOIS GRAÇAS AO PÓ MÁGICO DA BRUXA (VERA SETTA, A MÃE DA ATRIZ MORENA BACCARIN). A PRIMEIRA FORMAÇÃO DOS TRAPALHÕES, NO ENTANTO, COMEÇOU ENTRE 1966 E 1967 NA TV EXCELSIOR, COMPOSTA POR RENATO ARAGÃO, TED BOY MARINO, IVON CURY E WANDERLEY CARDOSO. O PROGRAMA SE CHAMAVA “ADORÁVEIS TRAPALHÕES” E ERA FEITO AO VIVO. EM 1971, ARAGÃO TEVE PASSAGEM PELA TV RECORD NO PROGRAMA HUMORÍSTICO “OS INSOCIÁVEIS” DIVIDINDO A CENA COM MANFRIED SANTANA, O DEDÉ, COM QUEM JÁ HAVIA TRABALHADO NO FILME “NA ONDA DO IÊ IÊ IÊ” (1966).

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VERA SETTA & CARLOS KURT : AI, QUE MEDA !!!!

      POR VOLTA DE 1972, O GRUPO RECEBEU ANTONIO CARLOS BERNARDES GOMES, O MUSSUM – NOME DE UM PEIXE COMPRIDO DAÍ O APELIDO DADO NA VERDADE POR GRANDE OTELO. MUSSUM  ERA CARIOCA E MÚSICO INTEGRANTE DOS ORIGINAIS DO SAMBA. SEU PRIMEIRO FILME COMO TRAPALHÃO FOI “O TRAPALHÃO NO PLANALTO DOS MACACOS” DE 1976. O SUCESSO DO GRUPO PASSOU PARA A TV TUPI ONDE EM 1975 TEVE O ACRÉSCIMO DE MARIO GONÇALVES, O ZACARIAS – APELIDO DADO POR RENATO ARAGÃO. ESTAVA COMPLETO ENTÃO A TRUPE QUE NOS CINEMAS SEGUIA COM SUAS DIVERTIDAS PARÓDIAS, ATRAINDO MULTIDÕES PARA ASSISTIR “OS TRAPALHÕES NA GUERRA DOS PLANETAS” EM 1978. OS TRAPALHÕES ERAM RECRUTADOS PARA AJUDAR EM UMA REVOLUÇÃO EM OUTRO PLANETA CONTRA O MALVADO ZUCCO, INTERPRETADO POR CARLOS KURT, COADJUVANTE USUAL NOS FILMES DO GRUPO, UMA DIVERTIDA IMITAÇÃO DE DARTH VADER, VERSÃO BRASILEIRA.NESSA ALTURA, OS TRAPALHÕES JÁ HAVIAM INVADIDO AS HQS, COM DIVERTIDAS EDIÇÕES PUBLICADAS A PRINCIPIO PELA BLOCH EDITORES, E MAIS TARDE PELA EDITORA GLOBO. EU COMPRAVA E LIA TUDO.

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O REI & OS TRAPALHÕES: É FRIA NO MARROCOS, TURMA !!!!

         COM A POPULARIDADE CRESCENTE, OS TRAPALHÕES AMPLIARAM OS ESPAÇOS E OS RECURSOS A DISPOSIÇÃO. ASSIM, VIAJARAM AO MARROCOS PARA FILMAR “O REI & OS TRAPALHÕES” DE 1979 E ESTIVERAM NOS ESTUDIOS DE HOLLYWOOD PARA FILMAR “OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES” GRAVANDO BELÍSSIMO NUMERO MUSICAL COM LUCINHA LINS COM DIREITO A GRAVAÇÕES COM O TUBARÃO DE SPIELBERG E OS ROBÔS CILÔNIOS DE “GALACTICA”. EM UMA SEQUÊNCIA DE EXTREMA INVENTIVIDADE, DIDI ENCARA UM COWBOY QUE DIZ “THE GIRL IS MINE”, AO QUE DIDI RESPONDE DIZENDO “CUMA?”.

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LUCINHA LINS E OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES

       SÃO VÁRIOS OS MOMENTOS HILÁRIOS GRAVADOS NA MEMORIA AFETIVA DE TODOS, SEJA NA TV OU NO CINEMA: ZACARIAS COM RENATO CANTANDO “PAPAI EU QUERO ME CASAR”; MUSSUM CAINDO EM UMA MINA E CUSPINDO UMA “PEPITIS” EM “OS TRAPALHÕES NA SERRA PELADA” (1982); A TRUPE VESTIDA DE SUPER HEROIS COM MUSSUM DE FANTASMA, DIDI DE SUPERMAN, DEDÉ DE BATMAN E ZACARIAS DE ROBIN;  DIDI DE MARIA BETÂNIA CANTANDO TEREZINHA COM MUSSUM ENTRANDO COM MÉ NA MÃO OU A VERSÃO DA SUÁTI, POPULAR SERIADO POLICIAL DOS ANOS 70 QUE GEROU O FILME “ATRAPALHANDO A SUATI” EM 1983, SEM RENATO ARAGÃO, QUE TEMPORARIAMENTE HAVIA SE SEPARADO DOS DEMAIS.

A MORTE DE ZACARIAS EM 1990 E MUSSUM EM 1994 ACABOU COM UMA ERA DE OURO DE HUMOR ORIGINAL, GENIAL EM TODAS AS SUAS INSTÂNCIAS. ERA COMÉDIA CIRCENSE , SEM CONCESSÕES, COMPROMETIDA EM DIVERTIR DIFERENTES GERAÇÕES JÁ QUE AGRADAVAM CRIANÇAS E ADULTOS. NECESSÁRIO SERIA UM ESPAÇO MAIOR ONDE COMENTAR TANTAS LEMBRANÇAS QUE REMONTAM MINHA INFÂNCIA,  E DE MILHARES COMO EU QUE NÃO DESLIGAVAMOS A TV DAS SETE DA NOITE AOS DOMINGOS E APRENDEMOS QUE MULHER ERA BICHO BOM, CACHAÇA ERA MÉ, DINHEIRO ERA ARAME OU BUFUNFA. SE HAVIA PARA ALGUNS UM MOMENTO FAVORITO, BOM AÍ VAREIA. SE VOCÊ NÃO ENTENDE ESSE PORTUGUÊS, UM DIA DESCOBRIRÁ PORQUE OS TRAPAS SÃO FOREVIS. OBRIGADO, RENATO, DEDÉ, MUSSUM & ZACARIAS.

ESTREIAS DA SEMANA : A PARTIR DE 19 DE JANEIRO

XXX – REATIVADO

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(XXX – THE RETURN OF XANDER CAGE) EUA 2017. Dir: D.J. CARUSO. COM VIN DIESEL, NINA DOBREV, SAMUEL l. JACKSON, TONY JAA, DONNIE YEN, NEYMAR. AÇÃO

XANDER CAGE, EX ATLETA DE ESPORTES RADICAIS, RETOMA A VIDA DE AGENTE SECRETO EM MISSÃO DE RECUPERAR A CAIXA DE PANDORA, UMA PODEROSA ARMA DAS MÃOS DE UM VILÃO CHINÊS. TERCEIRO FILME DO FRANQUIA, MAS O SEGUNDO ESTRELADO POR VIN DIESEL QUE NÃO QUIS CONTINUAR NO PAPEL EM “XXX – STATE OF THE UNION” DE 2005. ESTE TEVE ICE CUBE NO PAPEL CENTRAL COMO O AGENTE DARIUS STONE, QUE INCLUSIVE APARECE BREVEMENTE NESTE NOVO FILME. O VILÃO SERIA VIVIDO POR JET LI, QUE SEM EXPLICAR SUAS RAZÕES SE RETIROU DO PAPEL QUE FICOU COM DONNIE YEN. CONFORME MUITO DIVULGADO, O JOGADOR DE FUTEBOL NEYMAR TEM PASSAGEM COMO ATOR NESSE FILME, RECHEADO DE SEQUÊNCIAS DE AÇÃO DE SALTAR OS OLHOS DOS FANS DO GÊNERO, COMO VIN DIESEL SURFANDO … EM UMA MOTO. JOGUE A VEROSSIMILHANÇA FORA E SE DEIXE LEVAR PELO CLIMA DE AÇÃO OU IGNORE-O SE VOCÊ NÃO FOR ENTUSIASTA DO GÊNERO.

LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES

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(LA LA LAND) EUA 2016. DIR: DAMIEN CHAZELLE. COM RYAN GOSLING, EMMA STONE, J.K.SIMMONS, ROSEMARIE DEWITT. MUSICAL.

GRANDE CAMPEÃO DE PREMIAÇÕES NO GOLDEN GLOBE, O FILME ESCRITO E DIRIGIDO POR DAMIEN CHAZELLE (O MESMO DE “WHIPLASH”) É UMA HOMENAGEM AOS CLÁSSICOS MUSICAIS HOLLYWODIANOS COM ROMANTISMO TÍPICO DE UM “CANTANDO NA CHUVA”. RYAN GOSLING VIVE UM PIANISTA DE JAZZ VAIDOSO E PRESUNÇOSO QUE SE APAIXONA POR UMA ASPIRANTE A ATRIZ, A BELA MIA (EMMA STONE), COM QUEM VIVE OS ALTOS E BAIXOS DE UMA RELAÇÃO TEMPERADA PELA BUSCA PELO SUCESSO E PELA REALIZAÇÃO DE SEUS SONHOS E AMBIÇÕES. É O TERCEIRO FILME EM QUE GOSLING E STONE TRABALHAM JUNTOS (AMOR A TODA PROVA DE 2011, E CAÇA AOS GANGSTERS DE 2013) . O FILME FAZ UM ADORAVEL TOUR PELA LOS ANGELES DE HOJE SEMPRE SE ASSUMINDO COMO A RETOMADA DE UM GÊNERO, NÃO COM PRETENSÕES, MAS COM A INTENÇÃO DE RESGATAR EMOÇÕES QUE TRAZEMOS ADORMECIDOS NUM MUNDO REAL POR DEMAIS CÍNICO. HÁ MUITAS PESSOAS QUE NÃO GOSTAM DE VER ATORES SUBINDO PELOS CARROS DA RUA, CANTANDO E DANÇANDO, MAS QUE TALVEZ SE SURPREENDAM  E QUEM SABE, SE PERMITAM EXPERIMENTAR UMA MAGIA QUE NO PASSADO TEVE NOMES COMO GENE KELLY, FRED ASTAIRE E JUDY GARLAND COMO GRANDES EXPOENTES. TUDO BEM QUE NÃO SEJA TÃO ESPETACULAR QUANTO OS FILMES DE OUTRORA, MAS NÃO PRECISA SER. BASTA NOS LEMBRAR DA IMPORTÂNCIA DE NOSSA BUSCA POR SONHOS, E JÁ TERÁ FEITO VALER A PENA O PREÇO DO INGRESSO.

OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES – RUMO A HOLLYWOOD

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BRA 2017. DIR; JOÃO DANIEL TIKHOMIROFF. COM RENATO ARAGÃO, DEDÉ SANTANA, LIVIAN ARAGÃO, ALINNE MORAES, MARCOS VERAS. COMÉDIA MUSICAL.

PEGANDO EMPRESTADO DE MEU PRÓPRIO COMENTÁRIO NO FILME ACIMA, PERSEGUIR SONHOS E ACREDITAR NELES FOI UMA BELA MENSAGEM EM MINHA INFÂNCIA DEIXADA PELO “SALTIMBANCOS TRAPALHÕES” ORIGINAL DE 1981. MAIS DE 30 ANOS DEPOIS, O FILME DO GRUPO, ADAPTADO DE UMA PEÇA DE CHICO BUARQUE, FOI RETOMADO EM UMA PEÇA DE TEATRO , E AGORA VOLTA ÀS TELAS COM DIDI E DEDÉ REPETINDO OS PAPEIS DE ARTISTAS DE CIRCO AMEAÇADOS POR UM CHEFÃO E UM MÁGICO INESCRUPULOSOS. AGUARDEM QUE POSTAREI EM BREVE NO BLOG UM ARTIGO SOBRE OS TRAPALHÕES, DEPOIS CLARO QUE MINHA EMOÇÃO ME PERMITIR POIS O NOVO FILME TRAZ DE VOLTA AQUELE GOSTINHO DE QUE OLHANDO DAQUI OU PARA ALI, VEMOS UM MUNDO ENCANTADO, NOSSA PRÓPRIA HOLLYWOOD, A ARTE CIRCENSE E O TALENTO MARCANTE DE RENATO ARAGÃO E DEDÉ SANTANA. SAUDADES CLARO DE MUSSUM E ZACARIAS.

MANCHESTER À BEIRA MAR

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(MANCHESTER BY THE SEA) EUA 2016. DIR: KENNETH LONERGUN. COMM CASEY AFFLECK, MICHELLE WILLIAMS, KYLE CHANDLER. DRAMA.

CASEY AFFLECK (IRMÃO MAIS NOVO DE BEN) IMPRESSIONOU E LEVOU O GLOBO DE OURO DE MELHOR ATOR EM DRAMA POR ESSE PAPEL, O DE UM HOMEM EM LUTO PELA PERDA DE SEU IRMÃO E QUE TEM QUE CRIAR O SOBRINHO ADOLESCENTE, COM QUEM NÃO CONSEGUE LIDAR BEM. HISTÓRIA BONITA, FEITA PARA EMOCIONAR, QUE FIGUROU DURANTE ANOS NA LISTA NEGRA DE MELHORES ROTEIROS NÃO FILMADOS, NO CASO ASSINADO E DIRIGIDO POR KENNETH LONERGUN.

OS PENETRAS 2 -QUEM DÁ MAIS ? 

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BRA 2016. DIR: ANDRUCHA WADDINGTON. COM EDUARDO STERBLICTCH, MARCELO ADNET, DALTON MELLO, STEPAN NECESSIAN, MARIANA XIMENES, COMEDIA.

BETO (STERBLITCH) SAI DE HOSPITAL PSIQUIATRICO E VOLTA A SE ENVOLVER COM AS ARMAÇÕES DO MALANDRO MARCO (ADNET) QUE ENVOLVEM UM MILIONARIO SEDUTOR E UM MAFIOSO RUSSO.

IN MEMORIAN: BUD SPENCER

Bud Spencer

Com tristesa nos despedimos de Bud Spencer (1929 – 2016), a outra metade de um divertida dupla formada com Terence Hill. Eu assisti a vários dos dezesseis filmes que fizeram juntos, muitos deles exibidos pela Rede Globo aos domingos na segunda metade dos anos 80. Carlo Perdesoli, nascido em Napoli,  foi atleta olímpico e um fantástico nadador, ganhador de medalhas de ouro nos anos 50. Teve pequena participação no clássico “Quo Vadis” (1951), e pouco depois papeis menores se seguiram, nem sempre sendo creditado mas chamando a atenção por seu porte avantajado. Seu nome artistico juntou o nome da cerveja que adorava (Budweiser) e o nome de seu ídolo, o ator Spencer Tracy.

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Ao lado de Terence Hill

Sua primeira parceria com Hill foi no western spaghethi “Deus Perdoa … Eu Não” (Dio Perdona . Io no) de 1967, mas o sucesso maior veio com “Chamam-me Trinity” (Lo chiamavano Trinitá). Ambos esbanjavam química como dois irmãos cowboys trambiqueiros mas que recorriam mais aos próprios punhos do que a revolveres. Criaram um estilo juntos, o de violência de desenho animado com humor e ação, entende-se muita pancadaria que encontrou admiração entre o público das duas décadas seguintes. Hill fazia o trambiqueiro galã e Bud o parceiro grandalhão invocado mas de bom coração. Repetiam a fórmula fosse como policiais relutantes (Dois Tiras Fora de Ordem em 1977), piratas (O Corsário Negro em 1971), agentes secretos (Dois Loucos com Sorte em 1983) etc.. Estiveram no Brasil em 1984 para filmar “Eu Você Ele & Os Outros” (Non c’é due senza quattro) sobre dois sosias de uma dupla de bilionários que toma seus lugares. Na passagem pelo nosso país participaram do programa dos Trapalhões na Tv Globo, e quebraram o pau em uma simulação das cenas de briga de seus filmes.

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Embora estivessem esquecidos pelo grande público, muitos ainda se recordam com carinho daquelas divertidas tardes em que assistiamos a dupla de Trinity. Vez ou outra Bud e Hill faziam filmes separados como “Banana Joe” (1982) em que fazia um ingênuo plantador de bananas.Também fez um divertido gêniuo da lâmpada brigão em “Aladim” (Superfantagenio) em 1986.  Falava o Português (além de espanhol e outros idiomas) tendo morado com a familia no Brasil durante um periodo de sua vida. escreveu sua auto-biografia e se reuniu com Hill uma última vez em 1994 em “A Volta de Trinity” (Botte di Natali) que , apesar da tradução em Português, não era uma sequência de Trinity. Em 2010 receberam o prêmio David di Donatelo pelo conjunto de sua obra. Era humilde e sempre dizia que não era ator, seu amigo Terence Hill de fato atuava. Essa humildade não impediu Bud de trabalhar de roteirista ocasionalmente. Fica a memória de uma figura carismática que soube divertir uma geração da qual fiz orgulhosamente parte. Faleceu de pneumonia nesta segunda dia 27, conforme comunicado por seu filho. Segundo este antes de seu último suspiro teria dito “Obrigado”. Que descanse em paz !

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O Campeão Olímipico Carlo Perdesoli, futuro Bud Spencer em 1950.