CLÁSSICO REVISITADO : OS 60 ANOS DE “O PLANETA PROIBIDO”

Um dos maiores clássicos da ficção científica completou esse ano 6 décadas , sendo lamentavelmente um dos menos reprisados na TV, o que afastou o grande público de uma das melhores obras do gênero. Eu assisti a esse filme cult de ficção cientifica quando eu era um adolescente, e achei impressionante a semelhança com “Star Trek”: A tripulação de uma nave espacial viajando a um planeta longínquo onde enfrenta uma ameaça que jamais imaginariam. O formato Cinemascope deu ao filme um atrativo a mais na época de seu lançamento, quando a ficção científica ainda era vista como um filme B, sem grandes pretensões da parte dos estúdios. A Metro, no entanto, investiu cerca de US$1.900,000, uma quantia alta para um filme do gênero em 1956.

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O cartaz original do filme na época trazia  Robby O Robô carregando a atriz Anne Francis nos braços. O impacto dessa imagem mexeu com o imaginário popular e Robby, o robô tornou-se uma celebridade na ficção científica aparecendo no cinema (Depois de “O Planeta Proibido”, o personagem apareceu ainda em “O Menino Invisivel” de 1957), e principalmente na Tv em episódios de séries como “Columbo”, “Além da Imaginação” e “Perdidos no Espaço” (sendo que esta teve Robert Kinoshita, o criador de Robby,  como responsável pela direção de arte da série de Irwin Allen).

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O roteirista Cyril Hume buscou inspiração na clássica história “ A Tempestade”, considerada a última peça escrita por William Shakespeare. Nela, Próspero e Miranda habitam uma ilha remota, onde foram exilados por Antonio, irmão de Próspero, que lhe usurpara o trono de seu reino. O ex monarca atrai Antonio e os demais traidores para a ilha como forma de se vingar de todos, e devolver o trono a sua filha, a legítima herdeira. No filme, dirigido por Fred M. Wilcox, Próspero e Miranda são respectivamente o Dr.Morbius (Walter Pidgeon) e sua filha Altaira (Anne Francis), últimos sobreviventes da nave Belerofonte (nome do herói mitológico que derrotou a quimera) que chegaram há algum tempo no distante planeta Altair IV. A história do filme começa com o resgate empreendido pelo Capitão J.J.Addams (Leslie Nielsen) à bordo da nave C57D. Addams, no entanto, encontra Morbius relutante pelo resgate e obcecado em desvendar os mistérios dos Krell, a antiga civilização nativa há muito extinta, mas que deixou maravilhas tecnológicas.

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Na peça do Bardo de Stratford Upon Avon Caliban é o nome do criado obediente e disforme de Próspero, que no filme torna-se Robby, uma figura mais condizente com o ano de 2200, e também mais atraente para a imaginação do grande público fascinada por robôs, e estimulada na literatura por livros como “Eu Robô” de Isaac Azimov, publicada seis anos antes de filme. Os poderes mágicos de Próspero que manipulam, criam ilusões e até invocam a tempestade do título shakespeariano, ganham no filme a forma de uma terrível e misteriosa força destrutiva que ameaça a vida de todos. Esta ganhou no filme a sustentação da teoria freudiana, segundo a qual o ser humano é movido por pulsões relacionadas ao sexo e à agressividade instintiva, inerente à nossa natureza. No filme, a bela Altaira representa o primeiro, enquanto a energia do id representa o segundo. A história faz uso das noções freudianas que retratam a formação da psique humana, dividida entre projeções de instinto e auto-controle, a dicotomia entre o intelecto superior e o ódio destrutivo que podem vitimar um individuo ou uma civilização inteira. O questionamento advindo conduz a um vislumbre dos limites de desenvolvimento científico e do freio moral a que somos submetidos.

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Indicado para o Oscar de efeitos especiais, o filme perdeu para “Os Dez Mandamentos” , tendo sido também indicado ao Saturn Awards. Em 2013, o filme foi escolhido para ser preservado pela comissão de historiadores do National Film Preservation Board. Foi também o primeiro grande filme de estúdio a utilizar inteiramente na trilha musica eletrônica, composta por Louis Barron e Bebe Barron em apenas três meses. O sucesso de “O Planeta Proibido” veio a trazer maior respeitabilidade para a ficção científica no cinema, afastando o estigma de filme B, o que seria coroado em definitivo 12 anos depois com “2001 Uma Odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick.

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O diretor Fred M. Wilcox não tinha em seu currículo outros filmes do gênero, vindo de filmes da cadela Lassie. Walter Pidgeon (1897 – 1984) era ator de prestígio no cinema. Já Leslie Nielsen (1926 – 2010) começou a carreira como galã, mas ficou mundialmente conhecido com as comédias feitas na década de 80 e 90 como “Apertem os Cintos o Piloto Sumiu” e “Corra que a Polícia Vem Aí”.  Warren Stevens se tornou rosto conhecido em papeis secundários geralmente na TV e no cinema. A bela Anne Francis surgiu aqui como jovem estrela em ascenção, e na década de 60 estrelou a série “Honey West”, mas fora isso não teve carreira mais ilustre apesar da beleza. O filme vem sendo constantemente citado como possível refilmagem, o que caberia bem nas mãos de um realizador criativo como J.J.Abbrams ou Christopher Nolan. Contudo, nada foi ainda concretizado, ficando a esperança que o filme original possa ser redescoberto pela nova geração.

 

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ENPE – OS SERIADOS DE TV NO YOU TUBE

Amigos do blog nas últimas semanas chegou ao you tube um programa sobre seriados de Tv clássicos, o ENPE (E no p´roximo episódio) apresentado por Roosevelt Garcia e Leonardo Bussadori. O programa tem o papel de perpetuar a memória dos grandes seriados que já passaram em nossas Tvs. Eles mostram cenas de bastidores, contam a história do seriado, comentam sobre os episódios e detalham o excelente trabalho de dublagem feito no Brasil. É um programa que certamente apaixonará quem tem mais de 30 anos e traz a oportunidade para os pais apresentarem aos filhos séries que marcaram gerações como “I Love Lucy”, “Tunel do Tempo” etc… todas prometidas para breve. Já foram feitos dois programas, o primeiro sobre “Perdidos no espaço” e o segundo sobre “Jornada nas estrelas”. Vale a pena assistir e constatar como a TV  já foi mais inteligente, mais divertida, mais criativa.