CLÁSSICO REVISITADO: 40 ANOS DE “O EXPRESSO DE CHICAGO”

A recente passagem de Gene Wilder ocorreu em um momento em que eu já planejava escrever um artigo sobre essa comédia  de ação a que assisti pela primeira vez pela saudosa Rede Manchete. O filme é uma divertida e movimentada paródia ao estilo hithcockiano, dirigido por Arthur Hiller (falecido poucas semanas antes de Gene Wilder) e roteirizado por Collin Higgins (1941-1988) que faria outro filme nessa mesma linha em “ Golpe Sujo” (Foul Play).

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O FILME EM DVD

Em “Expresso de Chicago” (Silver Streak) Gene Wilder vive George Caldwell, um editor de livros que viaja de trem de Los Angeles para Chicago. Durante a viagem conhece o vendedor de vitaminas Bob Sweet (Ned Beatty) e Hilly Burns (Jill Clayburgh), secretária de um renomado historiador, o Professor Schreiner que está prestes a lançar um livro sobre o pintor holandês Rembrandt. Enquanto se envolve com Hilly, George investiga por conta própria o assassinato do professor cujo corpo foi jogado para fora do trem, embora ninguém acredita em George, nem mesmo Hilly. A bela jovem, na verdade, é refém de Roger Devereaux (Patrick McGoohan), rico negociador de artes que mandou matar o professor pois este tinha posse de provas de que as pinturas de Rembrandt negociadas por Deveaurex eram falsificações.

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GENE WILDER & JILL CLAYBURGH

A principio, George é auxiliado por Bob, que é um agente do FBI disfarçado, mas quando este também é morto pelos capangas de Devearaux (Stefan Gierach, Ray Walston e Richard Kiel) e a culpa recai em George, que é forçado a pular para fora do trem fugindos dos assassinos que querem acabar com ele. Quando o xerife local (Clifton James) se recusa a acreditar em sua inocência, George recebe a ajuda de Grover Muldoon (Richard Pryor), ladrão e trambiqueiro que leva George de volta ao trem de onde é novamente jogado para fora até conseguir voltar com Grover para salvar Hilly.

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WILDER & PRYOR EM UMA DAS CENAS MAIS ENGRAÇADAS DO FILME

O filme explora a ideia do homem comum envolvido inadvertidamente em trama criminosa, papel decalcado de Cary Grant em “Intriga Internacional”. Segundo o próprio Wilder, em entrevista, ele teria sido interpelado pelo próprio Cary Grant, que depois de ter assistido o filme reconhecera várias passagens inspiradas em seu filme dirigido por Hithcock, Com orçamento de US$ 6,5 milhões, o filme foi um grande sucesso de bilheteria com indicações a prêmios como o Golden Globe (para Wilder). Os exteriores do trem foram gravados no Canadá porque a rede ferroviária de Chicago não aprovou. A trilha sonora assinada por Henry Mancini (criador do tema de “A Pantera Cor de Rosa) acentua todas as reviravoltas da história seja acentuando a ação ou o humor criado por várias situações como George passando graxa no rosto para se disfarçar de negro para fugir da perseguição da polícia. Para filmar essa cena, Richard Pryor se irritou porque o fato de George, um branco convencer como negro seria uma caricatura de mal gosto e sem efeito cômico real. Por insistência sua, George caminha com um rádio enorme no ombro, pintado de preto, e sendo olhado sem convencer negros que passam pela estação.

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DUPLA GENIAL: O LADRÃO & O MATADOR

Essa foi a primeira de quatro parcerias entre Gene Wilder e Richard Pryor. Estes deveriam ter filmado juntos “Banze no Oeste” (Blazzing Saddlers) de Mel Brooks dois anos antes, que o próprio Richard Pryor co-roteirizou, mas acabou não acontecendo. Richard Kiel, um dos capangas de Deveareax viveu o assassino Jaws em dois filmes de 007 feitos nos anos seguintes “007 O Espião que me Amava” (The Spy who loved me) e “007 Contra o Foguete da Morte” (Moonraker). Outro dos capangas foi feito por Ray Walston, ator que ficou famoso na década anterior na Tv como o Tio Martin da série  “Meu Marciano Favorito”. A cena final mostrando a locomotiva invadindo a estação foi realizada em um hangar de avião arrumado para parecer uma estação de trem e custou sozinha em torno de US$500,000 sendo o clímax do filme com duração de apenas 14 segundos na tela.

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O CLÍMAX APOTEOTICO

É lamentável que apesar de ter sido incluído pelo AFI (American Film Institute) como uma das 100 melhores comédias do cinema (posição nº95), o filme não seja tão conhecido do grande público, até por não ter sido tão reprisado na Tv quanto outros filmes. Fica aqui a sugestão para os que não o conhecem, assistir essa criativa homenagem ao mestre do suspense valorizado pela ,maravilhosa dupla Wilder-Pryor, que poderiam ser cegos, surdos ou loucos de dar nó, artistas que deixaram saudade e um vazio na arte cinematográfica Hollywoodiana.

IN MEMORIAN : GENE WILDER

GENE WILDER

Senti muito a passagem de Gene Wilder, noticiada ontem. Eu o adorava. Ele foi afinal o Wolly Wonka de minha geração. Tinha um olhar terno, mas capaz de fazer rir sempre. Fosse como membro da troupe de Mel Brooks, ao lado de Richard Pryor (em 4 ótimos filmes) ou como o homem perseguido injustamente como em “Expresso de Chicago” (1976), “Hanky Panky” (1982) entre outros. Foi ao som de Stevie Wonder cantando I just called to say I love you que conquistou Kelly Le Brock em “A Dama de Vermelho” (1984). Sua versatilidade lhe garantiu atuar, escrever (é dele por exempo o roteiro de “O Jovem Frankenstein”), produzir (“O Maior Amante do Mundo” de 1977, e dirigir, o que o fez quatro vezes. Já estava afastado das telas um tempo, mas experimentou a Tv, tendo até uma sitcom por tempo curto “Something Wilder” (1994-1995) e ganhou um Emmy pela participação em “Will & Grace” (2002). Em breve, aqui no blog vou abordar uma materia sobre um dos seus filmes favoritos para mim. Que descanse em paz, Gene.