VINGADORES ULTIMATO – CHEGOU A HORA !!

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Quando o primeiro trailer de “Vingadores Ultimato” foi divulgado, este tornou-se o primeiro a alcançar 1000 likes em menos de 4 horas no You Tube. Também obteve visualização recorde, com mais de 289 milhões, superando o filme anterior da franquia “Vingadores Guerra Infinita”. Não resta dúvida que tais números servem de termômetro para a chegada do filme que serve de ápice a um planejamento cuidadoso iniciado há 11 anos, e depois de 21 filmes que prepararam o público, incluindo os que nunca leram um quadrinho, mas que passaram a admirar o universo desses heróis.

     Os heróis Marvel já vinham colecionando bons momentos nos cinemas no início dos anos 2000 com o sucesso do “Homem Aranha” de Sam Raimi pela Sony, e dos “X Men” pela Fox, mas criar um universo compartilhado, subdividido em fases, ao longo de todo esse tempo, foi uma aposta audaciosa dos estúdios Marvel. A cada cena pós-crédito o público vibrava com os desdobramentos que se seguiram a partir de “Homem de Ferro” (Iron Man) de 2008, que inclusive reascendeu a carreira de Robert Downey Jr, hoje figura central nas aventuras dos Vingadores.

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      O primeiro filme da equipe, chamada nos quadrinhos de “os maiores heróis do mundo”, chegou às telas em 2012 depois de filmes solos bem-sucedidos com Thor, Capitão América e Homem de Ferro; assim como aconteceu quando Stan Lee inovou a nona arte lançando esses personagens ao longo da década de 60, e depois reunindo-os em uma equipe de pesos pesados para enfrentar a ameaça de Loki, o meio-irmão de Thor. O grande vilão Thanos só viria a surgir em 1973, criado não por Lee, mas pelo autor norte-americano Jim Starlin, que o concebeu como um personagem menor na revista “Iron Man” #55. Starlin desenvolveu as origens e motivações de Thanos ao longo dos anos seguintes confrontando-o com outros heróis como “Homem Aranha”, “Quarteto Fantástico” e “Capitão Marvel” até finalmente envolver os Vingadores. Nos quadrinhos, a derrota de Thanos veio nas mãos de Adam Warlock, um ser artificial criado por cientistas renegados.

      No cinema Thanos ficou um longo tempo como um observador oculto nos bastidores tramando se apoderar das jóias do infinito. Joss Whedon dirigiu o filme dos Vingadores e sua sequência “Vingadores: A Era de Ultron”, de 2015 onde os heróis enfrentam o robô Ultron, criado nos quadrinhos em 1968 por Roy Thomas e John Buscema. O vilão foi uma experiência frankensteniana do Dr.Hank Pym, mergulhado em complexo de Édipo. No filme, no entanto, essa essência se perdeu, e o personagem foi resumido a uma criação mal-sucedida de Tony Stark.

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      Nesse meio tempo, a Marvel teve seus altos e baixos: Aproveitou bem personagens menos conhecidos como “Guardiões da Galáxia” (2014 e 2017) e “Homem Formiga” (2015 e 2018), cada qual com características próprias funcionando perfeitamente, vistos isolados ou como parte de um plano maior. Mesmo com sucesso comercial nem tudo funcionou com perfeição na passagem das hqs para as telas: o vilão Mandarim foi mal aproveitado em “Homem de Ferro 3” (2012) , e o Hulk foi reduzido a coadjuvante da luxo nos filmes sem protagonizar uma aventura solo à altura de décadas de excelentes histórias, apesar de duas tentativas em 2003 e 2008.

      Contrabalançando tudo os resultados foram triufantes em “Capitão América Soldado Invernal” (2014) e “Capitão América Guerra Civil” (2016), flertando com tramas conspiratórias e de espionagem que mostram que o gênero podia ter um conteúdo além da simplória luta entre o bem e o mal. Os filmes da Marvel acertaram em buscar representatividade e lançaram “Pantera Negra” (2018) e “Capitã Marvel” (2019), explorando valores que já eram diferenciais quando Stan Lee deu vida a todo um universo, e o fez com talentos do quilate de Jack Kirby, John Buscema, Jim Steranko, Roy Thomas, Len Wein, Don Heck, Steve Englehart, Steve Dikto entre outros. O produtor Kevin Fiege, o homem forte do estúdio, conseguiu trazer o Homem Aranha para os filmes compartilhados, fez do “Dr.Estranho” (2017) um sucesso explorando elementos místicos em um contexto em que a linguagem da ficção cientifica trata de universos, dimensões paralelas e alienígenas. Personagens como Nick Fury (Samuel L.Jackson), Viúva Negra (Scarlett Johanson), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e outros tornaram-se conhecidos pelo público em geral, não apenas pelos aficionados, que se importam com o destino dos personagens.

          Com “Guerra Infinita” ano passado, a Marvel reuniu um multi-elenco de  mais de 30 personagens desfilando pela tela em uma história apocalíptica. Resta saber como os heróis sobreviventes reagirão ao estalar de dedos que, há um ano, vem criando uma gigantesca expectativa, fazendo fãs evitarem spoilers com o mesmo empenho com o qual vem acompanhando passo a passo a jornada desses heróis, uma verdadeira odisseia que se transformou em objeto de adoração e culto na cultura pop, ícones de um moderna mitologia que começou, na verdade, quando Stan Lee – imaginamos – disse algo como “Tenho uma ideia!” Assim se fez a luz, com papel e nanquim e agora em cenas digitais de um jogo que não chega exatamente a um fim, mas a um novo começo.

VINGADORES: GUERRA INFINITA

            Leitores de quadrinhos foram conquistados pela continuidade no Universo Marvel quando a editora nasceu ainda na primeira metade da década de 60. A ideia de que eventos na história de um herói seriam conectados a eventos de outros ajudou a reforçar o tom dramático pretendido, além de prender a atenção do leitor. Reproduzir essa conexão em filmes sequenciados foi um desafio vencido pela editora, hoje um estúdio dos mais bem sucedidos, e agora prestes a entregar um dos mais aguardados filmes do gênero, que ajudou a consolidar na Hollywood moderna.

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           São mais de 60 personagens em cena (entre principais, coadjuvantes e participações especiais) reunidos em uma batalha épica que servirá de um longo epílogo para sua atual fase. Inicialmente anunciado como um filme dividido em duas partes, ao menos até que os irmãos Anthony e Joe Russo anunciaram que Vingadores 3 e 4 seriam filmes independentes porem interligados. O desafio dos diretores é manter a coesão em um elenco diverso, geralmente repleto de egos inflados, e a coerência com um total de 18 filmes iniciado há dez anos quando Jon Favreau ressuscitou a carreira de Robert Downey Jr entregando-lhe o papel de Tony Stark em “Homem de Ferro” (Iron Man). Ao final deste, a presença de Samuel L. Jackson como Nick Fury na primeira de várias cenas pós créditos que se tornaram marca registrada dos filmes da Marvel.  Como os personagens mais populares da editora já estavam sendo filmado por outros estúdios (Homem Aranha na Sony, X Men na Fox), a decisão foi aproveitar os outros heróis do catalogo e, na primeira fase, estes foram apresentados ao público, nos filmes “O Incrível Hulk” (lançado dois meses depois do filme de Jon Favreau), “Homem de Ferro 2”, já no ano seguinte, seguido de “Thor” e “Capitão América: O Primeiro Vingador” (ambos de 2011). Ao final deste, Steve Rogers desperta no mundo atual dando sinal verde para a reunião de todos em “Vingadores” (2012), hábilmente dirigidos por Joss Whedon. Mostrando que tudo era apenas uma pequena amostra do poder de fogo do estúdio, Whedon só encerra o filme depois que após os créditos surge a figura sinistra de Thanos como o arquiteto da batalha vencida pela equipe que ainda inclui em suas fileiras o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e o Hulk (Mark Ruffalo substituindo Edward Norton). Desde então o confronto com Thanos tem sido uma ameaça constante, mas velada a medida que o estúdio seguia deixando para trás uma série de adaptações mal sucedidas como o “Quarteto Fantastico” de Roger Corman ou o seriado do “Homem Aranha” nos anos 70, período cuja única exceção foi a série do “Incrível Hulk” com Bill Bixby e Lou Ferrigno.

Infinity-Gauntlet-600x400-im-des             A Marvel passou a colecionar sucessos com personagens desconhecidos do grande público como “Guardiões da Galáxia” (2014) e “Homem Formiga” (2015), além de construir trilogias individuais com Homem de ferro, Thor e Capitão América. Grande triunfo foi o acordo entre a Sony e a Marvel que permitiu que o Homem Aranha, seu herói mais popular, fosse integrado ao assim chamado “Universo Cinemático Marvel”, a partir de “Capitão América: Guerra Civil” (2016), e em seguida “Homem Aranha Volta ao Lar” (2016).  A venda da editora para a Disney só aumentou o poder de fogo dos heróis da editora, mesmo que desentendimentos com a Universal tenham impedido a realização de mais um filme solo do “Hulk”, fazendo do gigante verde uma espécie de coadjuvante de luxo de filmes como “Thor Ragnarok” (2017), sub aproveitando a trama da hq “Planeta Hulk” diluída no filme do Deus do Trovão.

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             A cada filme a trama tecida apontava um plano maior com as joias do infinito, artefatos de grande poder que reunidos em uma manopla, podem destruir o universo. O Tessaract é a joia do espaço, a primeira mostrada em “Thor” e em seguida “Capitão América: O Primeiro Vingador”; A joia da mente é a que foi entregue a Loki no cetro usado pelo vilão asgardiano em “Vingadores” (2012) e que foi depois usada para criar o sintozóide Visão em “Vingadores: A Era de Ultron” (2015); o éter de “Thor: Mundo Sombrio” (2013) é a joia da realidade, introduzida pouco antes da joia do poder em “Guardiões da Galáxia” (2014); e a joia do tempo é o olho de Agamotto apresentado em “Dr.Estranho” (2016). Falta apenas uma, a joia da alma, cujo paradeiro certamente será revelado agora com a chegada de Thanos na Terra.

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              A estratégia conduzida por Kevin Fiege, presidente da Marvel, foi aproveitar tramas oriundas dos quadrinhos, mesclando material clássico (a origem dos heróis, o robô Ultron, as joias do infinito) com histórias mais recentes (guerra civil, o soldado invernal) reunindo atores renomados para papeis periféricos (Anthony Hopkins, Michael Douglas, Cate Blanchett, Kurt Russell, Robert Redford) com talentos mais jovens (Chris Evans, Chris Hemsworth, Tom Holland, Benedict Cumberbatch, Chris Pratt) – incluindo claro a pedra fundamental do elenco, Robert Downey Jr cujo salário de 44 milhões coroa seu carisma diante do público que tem correspondido com devoção a cada sucesso do estúdio como o recente “Pantera Negra”, cuja bilheteria doméstica  já desbancou até mesmo filmes como “Titanic” (1998). Tendo em mente o orçamento milionário do novo Vingadores, este estará à altura da ameaça representada pelo vilão criado por Jim Starlin em “Iron Man #55” de 1973. Thanos é um alienígena de Titã, lua de Saturno, apaixonado pela morte e, que emprega todas suas ações homicidas com o propósito de agradá-la. Os confrontos com os heróis se seguiram por vários anos até atingir seu ápice em 1977, publicado pela primeira vez no Brasil, no título da Editora Abril “Grandes Heróis Marvel #1”, seis anos depois. O apetite genocida do vilão voltou quando este ressuscita em 1990 com a missão de apagar metade dos seres vivos do universo, e aí surge a ideia da manopla com as joias do infinito reunida em “Thanos: Em Busca do Poder” alcançando os poderes de um Deus, levando à mini-série “Desafio Infinito” de 1991, onde estão todas as ideias exploradas no roteiro deste terceiro filme dos Vingadores. Nos quadrinhos, Thanos só foi derrotado porque inconscientemente ele assim desejou terminando por se aliar aos heróis contra uma ameaça em comum nas sequências “Guerra Infinita” (1992) cujo plot é totalmente diferente do filme homônimo, e “Cruzada Infinita” (1993). Anos mais tarde novas histórias dariam prosseguimento à jornada do vilão em sua devoção à própria morte, que aliás é o significado de seu nome vindo do grego Thánatos.

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           O novo filme ainda aproveita outras fases dos heróis da editora como a nova identidade de Steve Rogers, que depois dos eventos de “Capitão América: Guerra Civil” deixou a barba crescer, largou o escudo e assumiu o codinome “Nômade”, refletindo o que herói fizera originalmente em 1974 nas páginas de “Captain America #180”. Nos quadrinhos Steve Rogers ainda abandonaria sua famosa identidade heroica outras vezes. Mortes são esperadas para esse capítulo, um desfecho arquitetado desde o começo dos estúdios Marvel, mudanças serão sentidas, mas certamente a chegada do filme representará um novo patamar para o filme de super herói, um que nem mesmo o criativo Stan Lee teria imaginado quando criou a primeira hq do “Quarteto Fantástico”, o título que iniciou a casa das maravilhas e que ainda demonstra fôlego para muito mais, que dez anos depois do primeiro Homem de Ferro é celebrado com toda a pompa e circunstância que faz dos Vingadores

TRAILLER: VINGADORES GUERRA INFINITA

A ESPERA É GRANDE, UM DOS MAIS AGUARDADOS DO ANO, ANUNCIADO DESDE O PRIMEIRO FILME DA EQUIPE EM 2012 QUANDO O VILÃO CÓSMICO THANOS SURGIU APÓS OS CRÉDITOS MOSTRANDO AO PÚBLICO O QUE ESTARIA POR VIR. AGORA É PRA VALER E MAIS DE 60 PERSONAGENS ESTÃO PARA PASSAR NAS TELAS, UM FEITO E TANTO PARA UM FILME DO GÊNERO, E ADMIRAVEL POR REUNIR SEMPRE EGOS INFLADOS. A HARMONIA DE CONCILIAR TUDO COUBE AOS IRMÃOS RUSSOS, QUE REALIZARAM UM DOS MELHORES FILMES DO MARVEL STUDIOS (CAPITÃO AMÉRICA SOLDADO INVERNAL) E, DEPOIS O CONFRONTO QUE DIVIDIU OS FÃS EM TIME CAP E TIME STARK (CAPITÃO AMERICA GUERRA CIVIL). O CLIMA É DE QUE MORTES OCORRERÃO, LÁGRIMAS SERÃO DERRAMADAS E TUDO PODE ACONTECER QUANDO HOMEM ARANHA, HULK, DR.ESTRANHO, VINGADORES E GUARDIÕES DA GALAXIA UNIREM FORÇAS PARA ENFRENTAR O FIM DE TUDO NO UNIVERSO. BASTA VER A CENA EM QUE O CAPITÃO PARA A MÃO DE THANOS AO FINAL DO TRAILLER PARA SE TER UMA IDEIA DO DELÍRIO QUE O FILME PROVOCARÁ NO PÚBLICO. A DC QUE SE CUIDE !!!!

MOLLY RINGWALD 50 ANOS

MR1             Alguém lembra como era ser adolescente nos anos 80 ? Não havia internet, celulares, smart TVs ou computadores. Horrível e impensável para quem hoje está com 15 ou 16 anos. Mas, ainda que fosse assim, a juventude da década de Rocky e Rambo foi divertida e curtida adoidado por quem viveu a época. Não tínhamos redes sociais com milhares de “amigos”, mas nos entrosávamos em brincadeiras de rua, paquerávamos em festas embaladas ao som de RPM, Cindy Lauper, Sting, Madonna e Michael Jackson. Não éramos fissurados em nos mostrar em selfies, mas registrávamos nossos momentos em Polaroid. Nessa época jogávamos Atari ou Genius que nem de longe lembram o que é hoje um X Box ou Play Station, mas era o máximo.

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        O diretor, roteirista e produtor John Hughes registrou em película os anseios, os medos e as alegrias de toda uma geração em vários filmes como “O Clube dos Cinco” (The Breakfast Club) de 1985, “Mulher Nota 1000” (Weird Science) de 1985 e “Gatinhas & Gatões” (Sixteen Candles) lançados no circuito brasileiro há mais de 30 anos. A história do filme girava em torno de Samantha Baker (Molly Ringwald)  às vésperas de completar dezesseis anos. Samantha é apaixonada pelo mauricinho da escola, o jovem Jake Ryan (Michael Schoeffling) que namora a patricinha metida a besta Carolyn (Haviland Morris). Como se não bastasse o fato de que se sente de lado pois a irmã mais velha está para se casar e está atraindo toda a atenção para si, o garoto mais esquisito da escola, o nerd Ted (Anthony Michael Hall), está lhe assediando.

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         John Hughes demonstrou sensibilidade e equilíbrio para tratar de humor e drama ao lidar com assuntos como virgindade, popularidade, abandono e sexualidade juvenil. Curioso, assistir ao filme e comparar com a atual juventude “fone no ouvido e celular na mão” e ver o quanto tanta coisa mudou, não apenas entre os jovens, mas em sua forma de interagir com o mundo ao seu redor. Conflitos entre gerações sempre existiram e Hughes sabia como tratar o assunto sem ofender a inteligência de ninguém. O filme seguinte do diretor, “O Clube dos Cinco”, aprofundaria ainda mais essas interações. Molly Ringwald foi a atriz símbolo dessa geração, nossa musa que nesse mês completou 50 anos (dia 18). Molly encarnou o estereotipo da garota comum, e por isso mesmo atraente para nossos olhos. Podia ser ingênua (A Garota de Rosa Shocking), virginal (O Clube dos Cinco) ou uma debutante sonhadora (Gatinhas & Gatões), Molly nos fazia querer ser o primeiro na fila para chamar sua atenção, e por isso foi membro valioso do “Brat Pack”, a geração de jovens atores na década de “Thriller” e “Like A Virgin”, quando o jovem ganhou uma expressividade maior, mostrando que podiam ter conflitos mas não eram vazios. A atriz alcançou o auge com a Andie de “A Garota de Rosa Shocking” (Pretty in Pink) e foi nesse ano capa da revista “Time”

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         O papel de Samantha Baker em “Gatinhas & Gatões” curiosamente quase ficou com Ally Sheedy, mas Sheedy e Ringwald contracenariam depois em “O Clube dos Cinco” já no ano seguinte. Também estaria junto com elas em “O Clube dos Cinco”, Anthony Michael Hall, o incansável nerd que corteja Samantha e de quem sai a fala que foi incluída pelo AFI (American Film Institute) entre as 100 frases mais memoráveis do cinema: “Pode me emprestar sua calçinha, por favor ?”, diz um desesperado Ted a Samantha que com isso vai impressionar os colegas de escola a alcançar uma sonhada popularidade. Curiosamente, nos bastidores de “Gatinhas & Gatões”, Molly e Anthony não se deram muito bem, mas depois de levados pelo diretor Hughes para visitar uma loja de discos (o precursor do CD), eles começaram a se confraternizar ao descobrir as afinidades que não sabiam ter. O filme ainda tem John Cusack (2012, O Juri) em papel menor.

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          A parceria Ringwald e John Hughes quando este se magoou quando a atriz se recusou a fazer o papel de Amanda Jones em “Alguém Muito Especial” (Some Kind of Wonderful), papel que iria para Lea Thompson. Molly ainda teve um papel importante ao lado de um jovial Robert Downey Jr em “O Rei da Paquera” (The Pick Up Artist) de 1987. Na década seguinte, Molly recusou dois papeis importantes: o de Vivian em “Uma Linda Mulher” (Pretty Woman) que foi para Julia Roberts e o e Sally em “Harry & Sally Feitos Um Para o Outro” (When Harry Met Sally) que foi para Meg Ryan. Mais tarde fez teste mas perdeu o papel  da xará Molly em “Ghost” que foi para Demi Moore. Na década de 90 sua carreira caiu no ostracismo com papeis pouco ou nada relevantes na TV ou no cinema. Casou-se pela primeira vez em 1999 com o romancista francês Valéry Lameignére mas o casamento durou só três anos. Em 2007, casou-se novamente com o editor de livros Panio Gianopoulos com quem teve três filhos. Essa ruiva Californiana se reinventou nos anos 2000 escrevendo um livro de memórias em 2010 entitulado “Molly Ringwald: Getting The Pretty Back Friendship, Family and Finding The Perfect Lipstick”, iniciando uma modesta carreira nas letras, que dois anos depois levou ao romance “Molly Ringwald: When It Happens To You – A Novel in Stories”. Em 2008 voltou a atuar com relativo sucesso fazendo o papel de mãe de Shailene Woodley na série “The Secret Life of the American Teenager”. Em 2013 gravou dois Cds com talento herdado do pai, um pianista de Jazz que era cego.

             Lamentável que a juventude atual não tenha no cinema uma musa como Molly Ringwald que nos faça lembrar que só se tem dezesseis anos uma vez na vida, nos faça sentir gatões mas que sobretudo deixe uma marca tão positiva que nos faça sentir aquele amor platônico, uma namoradinha que se tivéssemos ainda nos faria eternamente jovem, e nem precisaria vir de Rosa Shocking.

TRAILLER: VINGADORES GUERRA INFINITA

Finalmente o aguardado trailler de “Vingadores Guerra Infinita” (Avengers Infinity War). O filme, que será lançado em 26 de Abril de 2018, trará o adiado confronto entre o vilão Thanos (Josh Brolin) e os heróis Marvel, não apenas os Vingadores, mas também o Dr.Estranho (Benedict Cumberbatch), Homem Aranha (Tom Holland) e os Guadiões da Galaxia. O clima apocaliptico anuncia a proximidade do fim do Universo Marvel nas telas iniciado em 2008 com o primeiro filme do Homem de Ferro. Ainda teremos “Vingadores 4” em 2019, mas não há como afastar um sentimento de pesar pela morte de personagens queridos, ainda especula-se quais apesar de ser esperado que ao menos Chris Evans (Capitão America) e Robert Downey Jr (Homem de Ferro) venham em um futuro próximo a se despedir de seus personagens já que seus contratos estão chegando a um fim. Veremos em breve.

AÍ VEM O AMIGO DA VIZINHANÇA: O HOMEM ARANHA DE VOLTA AO LAR

            A lembrança mais antiga que tenho de minha infância é meu pai me levando a um posto de vacinação, enquanto eu chorava muito de medo. A coragem surgiu, e o choro parou, quando meu pai me comprou  “Homem Aranha #20” da editora Bloch. Na capa o herói estava algemado a J.Jonah Jameson em uma sala inundada.  Se o herói podia romper as algemas e sobreviver, eu poderia enfrentar qualquer coisa. Naquele momento me tornei Peter Parker.

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AQUI DESCOBRI QUEM EU ERA

           O personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko, em agosto de 1962, na revista “Amazing Fantasy #15” toca cada um de uma forma. Mas a sua volta ao lar anunciada no novo filme apresenta algumas diferenças em relação às primeiras histórias do cabeça de teia. O Homem Aranha não foi pupilo de Tony Stark, e o primeiro encontro de ambos só se deu no título “Marvel Team Up #9” (1973), publicado pela primeira vez no Brasil em março de 1980 na revista “Super Herois Marvel #9”. A história “Tomorrow War” foi escrita por Gerry Conway e desenhada por Ross Andru, apresentando os heróis em uma parceria acidental, movida pelas circunstâncias, e não a de mestre–aprendiz. Poucas vezes ambos se encontrariam ao longo das décadas seguintes. Esta relação somente foi mudada a partir de uma reformulação que a editora americana começou a fazer a partir de 2004, quando o Homem Aranha passou a fazer oficialmente parte dos Vingadores, tudo orquestrado por Brian Michael Bendis e David Finch. Preparando o terreno para a vindoura guerra civil, Peter se muda para a Torre Stark passando a ser seu protegido.

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SURGE O ABUTRE – POR STAN LEE & STEVE DITKO

            Ned, o amigo de Peter no filme, é uma adaptação da figura de Ned Leeds, repórter do Clarim Diário nas hqs originais, surgido em “Amazing Spider Man #18 (Novembro de 1964). Já o vilão Abutre, alcunha de Adrian Toomes, foi criado pela dupla Lee & Ditko como um brilhante engenheiro eletrônico que cria um artefato anti-gravidade que valeria milhões se comercializado. Ao descobrir que vinha sendo roubado por seu sócio nos negócios, Toomes resolve usar sua criação para roubar e, claro, se vingar de seu ex-sócio. A primeira aparição do vilão foi em “Amazing Spider Man #2” (Maio de 1963) junto com outro vilão, o Consertador (Michael Chernus), que também aparece no novo filme. Nos quadrinhos o Abutre sempre foi um dos vilões mais recorrentes do herói, aparecendo poucos meses depois, já em “Amazing Spider #7” (Dezembro de 1963). A galeria de vilões do Aranha sempre foi bastante rica e criativa, tanto quanto a do Batman da concorrente DC Comics. Assim, o novo filme ainda introduz a figura de Mac Gargan, o Escorpião (Michael Mondo) de “Amazing Spiderman #20”, outro inimigo clássico do herói e o Shocker (Logan Marshall-Green), saído das páginas de “Amazing Spiderman #46”, quando o herói já era desenhado por John Romita.

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HOMEM ARANHA – O ELENCO DA SÉRIE DOS ANOS 70

           Tom Holland é o quarto ator a viver Peter Parker. O primeiro foi o ator Nicholas Hammond (O Friedrich, uma das crianças de “A Noviça Rebelde”) no seriado de TV “Homem Aranha” (Spider Man) produzido originalmente para a grade de programação da CBS onde estreou em setembro de 1977. No Brasil, o filme passou nas salas de cinema, assim como dois outros filmes “Homem Aranha Volta a Atacar” (Spiderman: Deadly Dust) e “Homem Aranha & O Desafio do Dragão” (Spiderman: The Chinese Web), estes sendo a junção de episódios da série da CBS que teve 14 episodios, exibidos irregularmente entre 1978 e 1979, e que no Brasil foi exibido inicialmente pela Rede Globo. Os efeitos eram toscos, com a teia sendo uma “cordinha” saída dos lançadores de pulso do herói que quase nada falava quando usva a roupa, não trazia nenhum vilão das HQs e explorava muito pouco dos costumeiros coadjuvantes das histórias, Tia May (Irene Tedrow) só apareceu por umas duas ocasiões, nada de Mary Jane ou Gwen Stacy, mas ao menos a figura do mal-humorado chefe J. Jonah Jameson (David White no piloto e Robert F.Simon na série). Como na época a CBS exibia outras séries de super heróis (Hulk, Mulher Maravilha, Shazam etc) , a emissora decidiu cancelar todas as séries mesmo que os índices de audiência fossem regulares. Foram mais duas décadas até que rumores apontavam para o interesse de James Cameron em dirigir um novo filme do herói que se diz “O amigo da vizinhança”, tal qual na clássica animação de 1967 cuja popular canção (Spider man, spider man, does whatever a spider can …) chegou a ser regravada pelos Ramones.

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QUEM É SEU PREFERIDO? O MEU AINDA É O MAGUIRE.

             A bem sucedida trilogia dirigida por Sam Raimi entre 2002 e 2007 trouxe Tobey Maguire e Kirsten Dunst nos papeis centrais, conseguindo transpor para as telas a riqueza dos trabalhos de Lee, Ditko e Romita, fazendo das HQs originais um storyboard extenso e bem elaborado agradando aos fãs, apesar do fraco terceiro filme. Andrew Garfield trocou a imagem nerd e retraída de Maguire por um estilo mais leve e descolado nos dois filmes dirigidos por Marc Webb em 2012 e 2014. Estes no entanto falharam em imprimir nas telas o charme das HQs do popular personagem, repetiram a já batida origem do personagem, se perdendo na tentativa de dar um novo enfoque às aventuras já adaptadas. A talentosa Emma Stone foi o que melhor se sobressaiu desses filmes.

                O filme novo vem a integrar o universo cinemático da Marvel e a coroar a volta de um dos heróis mais queridos dos quadrinhos. Como muitos, eu me apaixonei por Gwen Stacy e Mary Jane, me pendurei pelos móveis de casa brincando que eu tinha aqueles poderes. Fui um garoto tímido e descobri minha coragem quando percebi que eu também era Peter Parker.

CLASSICO REVISITADO : OS 30 ANOS DE “O ENIGMA DO PIRÂMIDE” 

o ENIGMA DA PIRAMIDE                   Todos reconhecem a figura de Sherlock Holmes e ninguém duvida que o personagem está mais popular do que nunca : Dois filmes dirigidos por Guy Ritchie estrelados por Robert Downey Jr, série de sucesso da BBC estrelada por Benjamim Cumberbatch, além da versão americana “Elementary” estrelada por Johnny Lee Miller e Lucy Liu. Há 30 anos, antes de jovens bruxos ou revolucionários em distopias, houve um Sherlock Holmes adolescente produzido por ninguém menos que Steven Spielberg.

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Nicholas Rowe em foto recente

Em 4 de Dezembro de 1985 quando o filme “O Enigma da Pirâmide” (Young Sherlock Holmes) estreou nos Estados Unidos, o célebre detetive ainda não era de domínio público. O filme reuniu os talentos de Steven Spielberg (produtor executivo), Chris Columbus (roteirista) e Barry Levinson (direção). Columbus, que dirigiu os dois primeiros filmes da franquia Harry Potter, e mais recentemente, “Pixels” com Adam Sandler, foi extremamente respeitoso à obra de Conan Doyle. O roteiro imagina como Holmes e Watson teriam se conhecido mais jovens já que em “Um Estudo em Vermelho” (A Study in Scarlett), primeira aventura literária de Holmes, o detetive e seu fiel escudeiro já são homens adultos.

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O filme, que estreou em dezembro de 1985, é narrado por um Watson recém chegado a um colégio interno de prestígio na Londres Vitoriana e conhece seu colega de quarto, Sherlock Holmes, um estudante brilhante mas considerado arrogante demais. Ambos são mostrados como se estivessem entre seus 15 e 18 anos, sendo Holmes um jovem que embora seja capaz de brilhantes deduções, ainda se permite sentir emoções e mantém um namoro com Elizabeth Hardy (Sophie Ward), sobrinha do renomado Professor Waxflatter (Nigel Stock). Seu grande rival na escola é o almofadinha Dudley (Earl Rhodes) que divide as atenções de Elizabeth e que está constantemente desafiando Holmes. Contudo, a maior aventura deste seria vivida além dos muros da escola quando o jovem suspeita que há uma bizarra ligação entre mortes misteriosas de figuras de respeito na sociedade londrina. Apesar de ter seu raciocínio desprezado pelo Sargento Lestrade (futuro Inspetor da Scotland Yard nos livros de Conan Doyle), Holmes e Watson investigam as pistas e descobrem que as mortes são causadas pelo Rami Tap, um culto egípcio que busca vingança de uma expedição arqueológica que no passado profanou a tumba de princesas egípcias. A medida que a investigação se aprofunda vários elementos das histórias Sherlockianas (o chapéu, o cachimbo etc…) são introduzidos, sempre seguindo os cânones escritos por Conan Doyle, tudo precisamente … elementar.

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Nada é o que parece 

Mesmo a abertura do filme com sombras caminhando nas ruas vitorianas é uma homenagem aos filmes estrelados por Basil Rathbone ao longo da década de 40. O desenrolar da trama (que não ousarei estragar aqui apesar de ser um filme já reprisado bastante na TV) revelará vários traços das histórias do personagem: As razões para sua personalidade fria e distante, a cumplicidade com Watson e, sobretudo, a gênese de seu arquiinimigo o Professor Moriarty. No Brasil, o filme chegou em Maio de 1986, e causou surpresa com a primeira imagem em CGI usada no cinema : O cavaleiro medieval saído do vitral da igreja na alucinação do padre Duncan Nesbitt (Donald Eccles). O efeito foi desenvolvido depois de quatro meses pelo talentoso John Lasseter que anos depois viria a se tornar um dos homens fortes da Pixar, e responsavel por “Toy Story”. Foi o primeiro filme de cinema produzido pelo ator Henry Winkler (o Fonzie da clássica série de tv “Happy Days” e co-produtor da igualmente clássica “MacGyver”), o filme foi premiado com o “Saturn Awards” e indicado ao Oscar de melhor efeitos. O orçamento de $18.000.000 não se tornou nenhum fenômeno de bilheteria e chegou a ser criticado por muitos como uma versão menor de “Indiana Jones e o templo da perdição”, já que Holmes enfrenta uma seita profana bem similar.

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Nicholas Rowe, o Sherlock, era escossês e tinha 19 anos na época. O ator se afastou do circuito Hollywoodiano apesar de alguns papeis de menor proporção como recentemente em “Mr. Holmes” em que o grande detetive é interpretado por Sir.Ian Mckellan. Já Watson foi vivido, aos 15 anos,  por Alan Cox, filho do ator Brian Cox (A Supremacia Bourne, REDS Aposentados & Perigosos), se tornou produtor e ator em várias produções de TV.

Em meio a vários filmes protagonizados por jovens ou adolescentes heroicos como em franquias milionárias do tipo “Maze Runner”, “Jogos Vorazes” ou “Harry Potter”, o público poderia ter tido sequências desse Sherlock juvenil, aprovado na época pela própria Jean Conan Doyle, filha do criador do detetive que alcançou uma importância indelével no imaginário popular.