ISTO ERA HOLLYWOOD: A ESPIONAGEM DE GUERRA

casablanca..jpeg

Casablanca

             Algumas combinações parecem funcionar tão bem nas telas que são temas recorrentes, principalmente quando bem explorados. Robert Zemeckis decidiu reviver o clima do clássico “Casablanca”, de Michael Curtiz vestindo Brad Pitt e Marion Coitillard com os arquétipos de uma história de amor e intriga em meio às incertezas da Segunda Guerra. Quando o filme estrelado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman foi lançado nos cinemas norte-americanos, os Estados Unidos já haviam entrado no conflito, tendo enviado assistência militar direta ao norte da África. Há várias histórias, no entanto, que o cinema contou tendo a Segunda Guerra como pano-de-fundo.

        Imitando a vida, a arte cinematográfica dramatizou um plano mirabolante para assassinar Adolph Hitler no auge de seu poder. Oficiais de alto escalão liderados pelo Conde Claus Von Stauffenberg discordando dos excessos do Fuhrer, decidiram dar um golpe de estado plantando uma bomba em seu QG. Na verdade, ao todo existiram 15 planos para matar Hitler e encerrar o sangrento Terceiro Reich. O plano de Stauffenberg foi entitulado “Operação Valquíria” e o resultado foi prematuramente anunciado pela rádio. Hitler se salvou, os conspirados foram executados e membros da resistência, bem como simpatizantes desta, igualmente mortos como retaliação. O filme de mesmo nome foi lançado em 2008 e trazia Tom Cruise como Stauffenberg. Em um dado momento do filme o Coronel Mertz (Christian Berkel) comenta sobre o uso de explosivos e diz “O truque é não estar por perto quando eles explodiram”. Esta mesma fala foi usada por David Niven em um clássico do gênero “Os Canhões de Navarone” (The Guns of Navarone) de 1961.

les canons de Navarone

Os Canhões de Navarone

            Este é uma adaptação do livro de Alistair MacLean, superficialmente baseado na Batalha de Leros, na Grécia. Nela, os alemães saíram vitoriosos contra os ingleses devido a sua superioridade aérea, e não haviam nenhuma artilharia de canhões. Esta foi a última grande vitória alemã, já que o território grego em questão continuou com os alemães até o final da guerra. No filme a fictícia ilha de Navarone, serve como base para uma avançados canhões nazistas que controlam o Mediterrâneo, importante acesso para as tropas de ambos os lados. O filme, dirigido por J.Lee Thompson, trazia uma força-tarefa enviada para destruir os canhões sob o comando do Capitão Keith Mallory, que no livro é inglês e no filme ganhou as feições americanas do astro Gregory Peck. O elenco ainda inclui os nomes de peso de David Niven (que no livro é ex- policial perito em explosivos e no filme tornou-se um ex professor de química) e Anthony Quinn (cujo nome foi usado para batizar uma Baía da ilha de Rodes, que foi usado como locação para as filmagens). Mais focado na ação direta do que em intrigas diplomáticas, o filme de Thompson é um dos mais renomados do gênero e, apesar de tiros, explosões e traições, foi interpretado pelo astro Gregory Peck como um filme não sobre guerra, mas sobre a necessidade de paz.

the-eagle-has-landed-800-75

A Águia Pousou

             Reimaginar os eventos da segunda guerra foi o que fez o autor Jack Higgins (um dos vários pseudônimos do escritor britânico Harry Patterson). Inspirando-se na excelência dos paraquedistas alemães, Higgins escreveu “A Águia Pousou” (The Eagle Has Landed) sobre uma audaciosa e hipotética missão : Um pelotão de soldados nazistas se passa por soldados poloneses refugiados chegando a Norfolk, no norte da Inglaterra para capturar vivo ou morto o primeiro ministro Winston Churchill. A história é narrada do ponto de vista dos alemães liderados pelo Coronel Steiner seguindo as ordens do alto escalão alemão. O filme dirigido por John Sturges (É dele a direção do “Sete Homens & Um Destino” original e a adaptação do livro de Higgins foi seu último antes de se aposentar do cinema) chegou às telas um ano depois da publicação do livro. Muito importante na trama é a presença de Liam Devlin (Donald Pleasance), agente do IRA que toma parte da  missão. Este vem a se tornar personagem recorrente em outros livros do mesmo autor, incluindo “A Águia Voou”, publicado em 1985, que dá sequência mostrando Devlin descobrindo que Steiner está vivo e parte em seu resgate. “A Àguia Pousou” serve de exemplo de como a segunda guerra continua a estimular a imaginação mesmo depois de tantos anos passados após a derrota dos nazistas.

        Outra história hábil por mesclar fatos históricos e ficção foi “O Buraco da Agulha” (The Eye of the Needle) , escrito pelo autor britânico Ken Follet em 1978, vencedor do prêmio Edgar no ano seguinte, e adaptado para o cinema em 1981. Nele Donald Sutherland faz o papel de Heinrich Faber, codinome “Agulha” , um espião nazista infiltrado no Reino Unido que descobre tudo sobre o desembarque das tropas aliadas no chamado Dia – D. Foi em 6 de junho de 1944 que cerca de 155 mil soldados chegaram à costa da Normandia, na França, uma operação batizada de “Operação Overload”. Ken Follet imaginou como seria se um espião nazista tivesse posse desses planos e se desdobrasse para retornar para a Alemanha, sendo perseguido implacável mente pelos agentes ingleses. Ao se refugiar em uma ilha escosesa conhece uma bela mulher (Kate Nelligan) por quem se apaixona. Ainda assim, não permitirá que esse sentimento se interponha em sua missão. Na vida real, os alemães acreditaram que o local de desembarque dos aliados seria em Calais, ao norte da França e por esse erro estavam vulneráveis à invasão da Normandia.

james-garner-rod-taylor-36-hours-photo.jpg

36 Horas

        Uma reimaginação curiosa do fato fez o filme “36 Horas” (36 Hours), de 1964. Nele, os alemães capturam  o Major Jefferson Pike (James Garner) e o convencem de que ficara em coma durante muitos anos, tendo a guerra acabado. O objetivo é fazê-lo revelar tudo sobre a “Operação Overload”, mas o Major começa a desconfiar das aparências e planeja fugir. A história é bem criativa, mas  que os roteiristas e os produtores não sabiam é que o escritor Road Dahl (autor de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”) já havia escrito o conto “Beware of the dog” , que trazia essencialmente a mesma história. Coincidentalmente, o filme viria a ser oferecido a Dahl, para que este o roteirizasse. Patricia Neal, esposa de Dahl, descobriu a semelhança e por isso o estúdio da Metro precisou pagar Dahl pelos direitos. Curioso é que Patricia Neal foi convidada para o papel da enfermeira que se apaixona pelo Major Pike, mas recusou o convite e o papel ficou com Eve Marie Saint.

     Todas essas histórias revelam o quanto a Segunda Guerra continua a inflamar a imaginação de escritores, para os quais o conflito mundial ainda pode render uma boa diversão, mostrando que no amor, assim como na guerra, ou no campo da ficção – quando bem escrita claro –  vale tudo.

ESTREIAS DA SEMANA: A PARTIR DE 16 DE FEVEREIRO

A CURA

a-cura

(A Cure for Wellness) EUA 2017. Dir:Gore Verbinski. Com Dane DeHaan, Jason Isaacs, Adrian Schiller. Suspense.

Há mais de dez anos o diretor Gore Verbinski provocou bons sustos com “O Chamado“. Desde então, outros projetos se seguiram e agora o diretor, afastado depois do fiasco comercial de “O Cavaleiro Solitário” (2013), volta com um thriller a la Hithcock. Dane DaHaan (Lembrem dele como Duende Verde em “O Espetacular Homem Aranha :A Ameaça de Elektro“) interpreta um jovem executivo ambicioso  que viaja aos Alpes Suiços para pegar seu chefe (Isaacs) que se internou em um spa que guarda segredos relacionados a uma “doença” misteriosa. A fotografia do filme é bem usada como forma de realçar o clima soturno e o terror psicologico que acompanha a investigação em um local em que até as paredes parecem sugerir algo. As filmagens foram feitas na Alemanha e os interiores do spa são na verdade o Castelo  Hohenzollern, que precisou ficar fechado alguns dias para visitação pública de forma que a equipe de filmagem pudesse trabalhar. O filme tem seu público e certamente desperta a curiosidade.

JOHN WICK – UM NOVO DIA PARA MORRER

johnwick

(John Wick – Chapter 2) EUA 2017. Dir: Chad Stahelski. Com Keannu Reeves, Lawrence Fishburne, Commom, Ian McShane, Ruby Rose, John Leguizamo. Ação.

Confesso que eu não me interessei pelo primeiro John  Wick (2014) na época de seu lançamento. Me surpreendi com o anuncio de sua sequência, e digo que – de fato – tem seu valor como filme de ação, não pela inventidade mas pela diversão. O filme começa cinco dias depois dos eventos do primeiro filme. John (Reeves) é o matador chamado para enfrentar uma organização secreta de assassinos quando acaba por ter um preço colocado por sua cabeça. O diretor foi um dos dublês da trilogia Matrix, estrelada por Keannu Reeves e Lawrence Fishburne. Os dois atores voltam a se encontrar em cena, embora por pouco tempo. Já foi anunciado a intenção de se fazer um terceiro filme em breve, o que a julgar pela alta bilheteria do primeiro filme, é bem possível.

ALIADOS

aliados

(Allied) EUA 2017. Dir:Robert Zemeckis. Com Brad Pitt, Marion Coitllard, Jared Harris, Lizzy Caplan, August Diehl. Espionagem.

Eu sempre lamento quando o lançamento de um filme é ofuscado por fatores pessoais. Foi divulgado ano passado que durante as filmagens Brad Pitt teria tido um caso com a belíssima atriz francesa Marion Coitllard, o que causou a separação de Pitt e Angelina Jolie. Isso prejudicou a bilheteria quando o filme foi lançado nos Estados Unidos em novembro passado, ficando em torno de US$ 40 milhões para um orçamento de US$ 85 milhões. A história mistura romance e e espionagem colocando Pitt no papel de Max Votan, um oficial da inteligência canadense que se envolve com uma agente francesa da resistência em uma missão para eliminar um embaixador nazista no Marrocos. Eles se casam e tempos depois ele descobre evidências de que ela é uma espiã nazista. O filme foi indicado ao Oscar de melhor figurino.

ESTREIAS DA SEMANA: A PARTIR DE 26 DE JANEIRO

RESIDENT EVIL 6 : O CAPÍTULO FINAL

Resident Evil 6.jpg

RESIDENT EVIL 6: THE FINAL CHAPTER. EUA 2016. DIR: PAUL W.S.ANDERSON. COM MILA JOJOVICH, ALI LARTER, SHAWN ROBERTS. AÇÃO & TERROR.

CONFESSO QUE NUNCA FUI FÃ DA FRANQUIA, MAS QUE É RESPEITÁVEL O SUCESSO DOS FILMES INICIADOS EM 2002 NÃO NEGO. A SIMPATIA DE SUA ESTRELA TAMBÉM É ALGO NOTÁVEL, EMBORA ISSO NÃO GARANTA ORIGINALIDADE À TRAMA, CRIADA A PARTIR DE UM POPULAR VIDEOGAME. ALIÁS, PODEMOS AFIRMAR QUE É O FILME DO GÊNERO MELHOR SUCEDIDO, VIDE A RECEPÇÃO MORNA, RECENTEMENTE, DADA AO ESPERADO “ASSASSIN’S CREED”. JOJOVICH INTERPRETA ALICE, A SALVADORA DO MUNDO PÓS APOCALÍPTICO TOMADO PELO VIRUS QUE CRIA OS ZUMBIS. PROMETENDO SER O ÚLTIMO CAPÍTULO, ALICE ENCONTRA UMA CHANCE DE ACABAR COM A UMBRELLA CORPORATION, A EMPRESA CRIADORA DO VIRUS. NA COMIC CON EXPERIENCE, NO FINAL DO ANO PASSADO, A ESTRELA E SEU MARIDO, O DIRETOR PAUL W.S ANDERSON ESTIVERAM NO BRASIL PARA PROMOVER O FILME, QUER CHEGA ÀS TELAS QUASE CINCO ANOS DEPOIS DO FILME ANTERIOR. O INTERVALO FOI GRANDE ASSIM DEVIDO À GRAVIDEZ DA ATRIZ QUE ESTÁ EM SEU SEGUNDO REBENTO COM O DIRETOR COM QUEM É CASADA DESDE 2009. UMA ÚLTIMA COISA, PARA QUEM FOR FÃ DA SÉRIE (JÁ CANCELADA) “HEROES”, A PERSONAGEM CLAIRE É INTERPRETADA PELA ATRIZ ALI LARTER, QUE FAZIA NIKKI NA SÉRIE.

BELEZA OCULTA

beleza-oculta

COLLATERAL BEAUTY. EUA 2017. DIR: DAVID FRANKEL. COM WILL SMITH, LEIRA KNIGHTLY, KATE WINSLET, EDWARD NORTON, HELEN MIRREN. DRAMA.

HOWARD É UM PUBLICITÁRIO QUE ENTRA EM DEPRESSÃO DEPOIS DE UMA TRAGÉDIA E COMEÇA A ESCREVER CARTAS PARA A MORTE, O TEMPO E O AMOR. ESTAS ASSUMEM FORMAS HUMANAS (RESPECTIVAMENTE HELEN MIRREN, JACOB LATIMORE E KEIRA KNIGHTLY) PARA TENTAR ENSINAR A HOWARD O VALOR DA VIDA. O FILME TRATA DE QUESTÕES MORAIS E FILOSÓFICAS QUE RESVALAM NOS CLICHÊS DO GÊNERO E É IM POSSÍVEL NÃO LEMBRAR DA HISTÓRIA DE “A FELICIDADE NÃO SE COMPRA”, MAS SEM A MAGIA CAPRIANIANA CLARO. O FILME, ENFIM, ESTÁ INTERESSADO EM PROVOCAR AQUELA LÁGRIMA, AQUELA EMOÇÃO ESCONDIDA, O QUE TEM SEU VALOR CATÁRTICO.

A BAILARINA

a-bailarina-thumb

BALLERINA. FRA 2017. DIR: ERIC SUMMER & ERIC WARRIN. VOZES DE ELLE FANNING, DANE DEHAAN, MEL MAIA. ANIMAÇÃO.

ACHO LEGAL QUANDO UM FILME EUROPEU CHEGA ÀS NOSSAS TELAS E NOS MOSTRA QUE O CINEMA DIVERSÃO NÃO TEM QUE SER OBRIGATORIAMENTE NORTE-AMERICANO. ESSA ANIMAÇÃO TRAZ A HISTÓRIA DE FÉLICIE, UMA JOVEM ORFÃ DETERMINADA A SE TORNAR UMA BAILARINA NA PARIS DE 1869. A MENINA CONSEGUE INGRESSAR NO GRAND OPERA HOUSE SE PASSANDO POR OUTRA PESSOA.  O FILME É DOS MESMOS PRODUTORES DO EXCELENTE “INTOCÁVEIS” (2011) COM UM ORÇAMENTO DE us$30 MILHÕES.

ATÉ O ÚLTIMO HOMEM

ate-o-ultimo-homem

HACKSAW RIDGE. EUA 2016. DIR: MEL GIBSON. COM ANDREW GARFIELD, SAM WORTHINGTON, TERESA PALMER, VINCE VAUGH, HUGO WEAVING, DRAMA DE GUERRA.

DEZ ANOS DEPOIS DE “APOCALYPTO”, MEL GIBSON PASSOU POR UMA FASE DIFÍCIL EM SUA VIDA PESSOAL QUE RESVALECEU EM SUA VIDA PROFISSIONAL. MUITOS APOSTAVAM QUE SERIA O FIM DE SUA CARREIRA QUE  RENDEU ATRÁS DAS CÂMERAS FILMES DE SUCESSO DE PÚBLICO E CRÍTICA COMO “CORAÇÃO VALENTE” (1995) OU FILMES POLÊMICOS COMO ” A PAIXÃO DE CRISTO” (2004). SEU RETORNO COM “ATÉ O ÚLTIMO HOMEM” RECEBEU APLAUSOS DE PÉ NO FESTIVAL DE VENEZA, EM SETEMBRO ÚLTIMO, QUE DURARAM NOVE MINUTOS E 48 SEGUNDOS. O FILME É A HISTÓRIA REAL DE DESMOND T.ROSS (GARFIELD) QUE LUTOU NA SEGUNDA GUERRA SE RECUSANDO A USAR UMA ARMA DE FOGO E MATAR OS INIMIGOS. SUAS CRENÇAS PACIFISTAS BATERAM DE FRENTE COM SEUS SUPERIORES. NA BATALHA DE OKINAWA, SUAS AÇÕES SALVARAM 75 SOLDADOS,E LHE VALERAM TEMPOS DEPOIS UMA MEDALHA DE HONRA DO CONGRESSO AMERICANO. O FILHO DO VERDADEIRO DESMOND ASSISTIU AO FILME DE GIBSON E SE EMOCIONOU COM A ATUAÇÃO DE ANDREW GARFIELD (LEMBRAM DELE EM “O ESPETACULAR HOMEM ARANHA”?). CURIOSIDADE, ESSE É O FILME DE ESTREIA COMO ATOR DE MILO GIBSON, SEXTO FILHO DE MEL, QUE TEVE O FEITO DE TER CONSEGUIDO FILMAR A HISTÓRIA DE DESMOND, UM PROJETO QUE DEMOROU DESDE 2002 PARA SAIR DO PAPEL DE ACORDO COM A CONCEITUADA REVISTA “VARIETY”.

ESQUADRÃO SUICIDA : NOSSOS VILÕES FAVORITOS

Brave_and_the_Bold_v.1_25

Em tempos em que os heróis não são mais retratados como modelos de perfeição e que muitos valores são distorcidos nada mais natural que vilões assumam papel de destaque na preferência de fãs. No cinema, a ideia não é nova se lembramos “Os Doze Condenados” (1967) de Robert Aldrich em que um grupo de criminosos são reunidos para uma missão suicida nos idos da Segunda Guerra. Poucos sabem, inclusive, que o filme foi transformado em série de TV em 1988. Nas Hqs, a mesma premissa já havia sido empregada na revista “The Brave & The Bold #25” (1959). Essa edição, que na época custou meros 10 centavos, hoje vale mais de US$ 1,000. A história de Robert Kanigher e Ross Andru não trazia nenhum supervilão, mas condenados de alta periculosidade que, em troca de sua liberdade. Liderada pelo Capitão Richard Flag Sr, o pelotão assumia missões que destacavam o teor patriótico típico dos quadrinhos de guerra publicados na época.

Suicide_Squad_Vol_1_1

Quando os quadrinhos desse gênero começaram a perder espaço e popularidade, as aventuras da equipe seriam eventualmente descontinuadas. A ideia, no entanto, foi reformulada em 1986 quando a DC comics reformulou seu universo (pela primeira vez) na mega saga “Crise nas Infinitas Terras” (1985). A editora, movida por um espírito de reestruturação, publicou a mini-série “Lendas” (Legends) em que os heróis são desmoralizados publicamente e proibidos de atuarem por conta de um plano do vilão Darkseid. Os roteiristas Len Wein e John Ostrander escreveram o roteiro com desenhos de John Byrne e introduziram uma nova versão da equipe, liderada por Rick Flagg Jr e formada pelos supervilões Capitão Bumerangue, Arrasa Quarteirão, Magia, Tigre de Bronze e Pistoleiro. Sancionados em segredo por Amanda Waller, funcionária de alto escalão do governo, a equipe é reunida para lutar contra ameaças à segurança nacional durante o evento. Com o fim de “Lendas”, a equipe ganhou uma série própria publicada a partir de 1987. “Suicide Squad” (1987) começou com roteiros de John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel e durou  cinco anos com tramas que mesclavam espionagem com ação fantasiosa em sequências interligadas aos demais títulos da Dc Comics. Praticamente, todos os eventos da editora tinham interligação com o título do Esquadrão como “Milênio” (1988) centrada no Lanterna Verde ou “Invasão” (1989) em que uma armada alienígena decide dominar a Terra. Os integrantes da equipe também mudariam constantemente e vários vilões seriam recrutados de acordo com a natureza das missões. O Pistoleiro (Deadshot) se tornaria um dos mais populares assumindo posição de destaque e ganhando até uma mini-série própria em 1989.  A Arlequina só se juntaria ao grupo a partir do relançamento do título após o evento dos Novos 52 ,em 2013, que mais uma vez reformulou os heróis da editora.

MARGOT ROBBIE ARLEQUINA

A personagem, que ganhou enorme popularidade nos anos 90, foi criada para o desenho de TV “Batman The Animated Series” de Paul Dini e Bruce Timm. Tendo trabalhado no Arkham Asylum como psiquiatra, a Dra Harley Quinzel tratou do Coringa, mas em vez de curar a insanidade do vilão, se apaixonou por ele e enlouqueceu. Incorporada à continuidade das HQs na edição “Batman: Mad Love” em 1994, a Arlequina tornou-se nas HQs um personagem mais independente do Coringa e parte ativa de várias aventuras do grupo em tempos recentes.

suicide-squad-cast.jpg

O Esquadrão Suicida teve sua popularidade reacesa aparecendo no seriado “Arrow” e no jogo “Batman: Assault on Arkham”. Sua adaptação para o cinema certamente traz a equipe para o centro das atenções criando a oportunidade de criar novos fãs com uma cronologia menos complexa que no material original, mas ainda divertida ao mostrar que entre bravos e ousados, velozes e furiosos, a vilania e o heroísmo acabam sendo duas faces da mesma moeda. Nossos malvados favoritos das hqs  ainda têm muito fôlego para mostrar.