DIÁRIO DE BORDO DATA ESTELAR: 1986 JORNADA NAS ESTRELAS IV – A VOLTA PARA A TERRA

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Imaginem Eddie Murphy interpretando um cientista desacreditado que acredita em disco voador e vem a testemunhar a aparição de uma nave de rapina Klingon na São Francisco de 1986. A visão acidental leva o personagem de Murphy a auxiliar o Capitão Kirk e sua tripulação a resgatar baleias jubartes que podem ajudar a terra no futuro. Se ninguém assistiu a esse filme é porque simplesmente ele não foi feito. Apesar de tudo parecer arranjado, Eddie Murphy veio a desistir do projeto e preferiu fazer “O Rapto do Menino Dourado” (The Golden Child). Em seu lugar entrou a atriz Catherine Hicks como a biologa marinha Gilliam Taylor. Assim em 1986 a tripulação da Enterprise embarcou em uma viagem no tempo no quarto filme da franquia    “JORNADA NAS ESTRELAS IV – A VOLTA PARA A TERRA”.

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A história de uma viagem no tempo já era ideia de Gene Roddenberry desde a época de realização do segundo filme, mas Gene queria levar a Enterprise de volta aos anos 60 em juma tentativa de evitar a morte de John Kennedy. Sua ideia era rejeitada pela Paramount que trouxe de volta Harve Bennet e Leonard Nimoy para o roteiro. Depois das fortes emoções geradas pela morte e resgate de Spock, Nimoy queria uma filme mais leve e divertido. Tendo sido um defensor do meio ambiente, Nimoy utilizou a ideia de fazer da extinção das baleias o elemento catalisador da história. No futuro, uma sonda alienígena vaporiza os mares da terra em busca da presença das baleias há muito extintas. A única solução para salvação da terra é voltar ao passado e resgatar um casal de baleias para repopulacionar os mares do futuro.

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COMPUTADOR !!!!!!

Nimoy voltou a sentar na cadeira de diretor, e a história se desenrola sem uma figura de  antagonista, mas perfeitamente conduzida aproveitando o choque cultural entre os homens do futuro e os habitantes do século XX: Spock põe para dormir um punk irritante, os tripulantes conversam com uma mulher à procura de energia nuclear (A resposta dela foi uma improvisação bem vinda na cena), Scotty cria alumínio transparente (o que viria a acontecer na vida real em 2009) e fala com um mouse de computador ,  e McCoy cura uma mulher com problemas renais. Uma parte da história previa mostrar Saavik grávida de Spock, como consequência do Pon Fah no filme anterior, mas esta não dá explicações maiores para sua permanência em Vulcano ainda no inicio do filme, que é dedicado às vítimas da explosão do ônibus espacial Challenger. Outra cena que foi prevista mas não filmada mostraria uma criança oriental passando pela tripulação  e que seria o tataravô de Sulu. Como a criança não parava de chorar, a cena acabou desconsiderada para não atrasar as filmagens. Em aparições rápidas temos Sarek (Mark Lenard), o pai do Spock, Amanda (a atriz Jane Wyatt em sua última aparição nas telas), a mãe de Spock, Janice Rand (Grace Lee Witney) que era a ordenança da série original como comandante e Vijay Armitrage que era campeão de tennis profissional e tentava uma carreira no cinema.

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Quando o filme finalizava suas filmagens, a Paramount aprovou uma nova série de Star Trek dando continuidade às viagens originais. Assim, tanto o quarto filme quanto a estreia de “Jornada Nas Estrelas : A Nova Geração” na Tv serviriam para celebrar os 20 anos da saga de Gene Roddenberry. O filme foi a maior bilheteria de um filme da franquia até então, e o melhor resultado comercial estrelado pela tripulação original. Ao final do filme, os atos de insurreição no terceiro filme são julgados resultando em anistia, no rebaixamento de Kirk de Almirante para Capitão e na designação de uma nova missão a bordo de uma reformada Enterprise. Todos estavam finalmente em casa.

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Em Breve : A Estreia de Star Trek Sem Fronteiras dia 1º de Setembro

Em Breve: Artigo sobre os filmes 5 e 6 de Jornada Nas Estrelas aqui no blog

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DIÁRIO DE BORDO DATA ESTELAR 1966 : STAR TREK A SÉRIE ORIGINAL

De agora até a estreia de “Star Trek Sem Fronteiras” vamos a cada semana rever o que foi “Jornada nas estrelas” desde sua estreia na Tv até hoje passando pelos seis filmes de cinema com a tripulação que nos fez sonhar que a humanidade pode ser um dia melhor do que já foi.

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Descobri “Star Trek” aos 12 anos, na época exibida pela Tv Bandeirantes (Hoje Band). Foi meu primo quem me convenceu a embarcar na nave estelar Enterprise embalado pelo tema de  Alexander Courage ouvido quando o narrador anunciava “O Espaço a fronteira final…”. Minha tela de TV movida a válvulas me teleportava aos confins do espaço acompanhando audaciosamente as viagens capitaniadas por Kirk, Spock e McCoy, à frente de uma tripulação multi-etnica cujo compromisso é o conhecimento adquirido onde nenhum homem jamais esteve. Me identificava com o heroísmo de Kirk, a humanidade de McCoy e o conflito interno de um personagem mestiço, metade humano e metade alienígena, Sr.Spock. Além da eficiente caracterização dos personagens, a série impressionava pela inventividade dos roteiros que driblavam a rígida censura de uma época marcada pela guerra fria, pela luta pelos direitos civis, por conflitos nas ruas, mas sobretudo pela corrida espacial. O homem voltava seus olhos para cima imaginando o que existiria além de nosso mundo. Em 8 de Setembro de 1966, quando a série estreou, ela passou a nos mostrar que a raça humana poderia deixar de lados suas diferenças mesquinhas e concentrar seus esforços em mútua colaboração. Essa pretensão de significar algo mais do que apresentar o monstro da semana era o diferencial entre a criação de Gene Roddenberry e os demais produtos da TV que eram exibidos a cada semana.

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EPISODIO PILOTO : ONDE NENHUM HOMEM JAMAIS ESTEVE

Foram três temporadas com colaboradores ilustres como Gene Coon, D.C Fontana e Harlan Ellison que souberam como criar parábolas dessa dura realidade e compensar com criatividade o orçamento apertado da NBC. Assim o episódio “A Private Little War” discutia a validade ideológica de um conflito armado, “A Taste of Armageddon” alertava a respeito de uma humanidade que permitia que máquinas determinassem seu destino, “The Doomsday Machine” assustava com a possibilidade de se criar uma arma de destruição de massa definitiva, “Let there be your last battlefield” discutia as diferenças étnicas e o racismo levado a últimas consequências. O papel de “Star Trek” era tão envolvente que o próprio Martin Luther King a assistia e convenceu a atriz Nichelle Nichols, a Uhura, a fazer parte do elenco. Muitas das vezes a ação permitia discussões filosóficas como a natureza do bem e do mal (The Enemie Within), o papel corruptor do poder (Patterns of force) ou a moralidade de mudar a história  (o icônico episódio “City on the edge of forever).

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EPISODIO : CIDADE À BEIRA DA ETERNIDADE – WILLIAM SHATNER COM JOAN COLLINS

Em um mundo bipolarizado, as viagens da tripulação da Enterprise eram esperança e alerta do que poderíamos realizar discutindo a condição humana. William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, James Doohan, George Takie, Nichelle Nichols, Walter Koening e Majel Barret certamente não desconfiavam que seu trabalho de ator os levaria audaciosamente a se tornarem símbolos dessa audácia. As falas de seus personagens tinham o efeito de torpedos fotônicos e phasers no imaginário popular e mesmo depois de 78 episódios, a série teve sequência em quadrinhos da GoldKey (No Brasil, a Ebal e a Abril publicaram HQs da série), além da animação da Filmation hoje considerada rara e que prosseguia com a missão original da série. Esta mexeu com todas as áreas: sociológica, religiosa, filosófica, até a igreja católica se sentiu incomodada com o alienígena de orelhas pontudas que, ainda que não demonstrando emoções, foi o que maior apelo teve com o público.

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EPISODIO : SEMENTE DO ESPAÇO COM RICARDO MONTALBAN, O VILÃO KHAN

A série entrou para o Livro Guiness de Records, criou uma legião de fans que entre anônimos no mundo inclui celebridades como o físico Stephen Hawkings, fora a inegável influência para desenvolvimento de uma ciência mais avançada: Embora não possamos nos teleportar ainda, o celular que usamos é o comunicador portátil e até o tricorder já se mostrou viável. A cultura pop incorporou esse universo utópico e hoje cinquenta anos depois nos mostra que o futuro poderá certamente ser melhor se ousarmos como Gene Roddenberry fez, a ir onde nenhum homem jamais esteve.