ADILSON CINEMA – STAR WARS EPSIODIO IX – A ASCENÇÃO SKYWALKER

         Há 4 anos estamos acompanhando a trilogia final de uma “space opera” que entrou para a cultura popular, marcou a história da ficção cientifica e já se desdobra em gerações que, assim como eu, empunhamos um sabre de luz imaginário e n os juntamos à filosofia Jedi. Esse capítulo final vem com a missão de atar as pontas soltas, revelar o destino final de personagens e reconquistar os fãs divididos após o resultado do filme anterior, dirigido por Rhian Johnson.

          Com tantos objetivos a atingir, a tarefa de J.J.Abrams e do roteirista Chris Terrio (Batman x Superman, Liga da Justiça) ao adaptar a história inicial de Colin Trevorrow, que foi demitido por diferenças criativas antes do início das filmagens. O episódio IX é essencialmente uma satisfação aos fans saudosistas, seja na estrutura narrativa ou no direcionamento da história que não se preocupa em explicar como o Imperador Palpatine (Ian McDiarmid) sobreviveu aos eventos de “Star Wars: O Retorno de Jedi” (1983). O vilanesco Darth Sidous é a mão por trás dos eventos que se desenrolaram desde a ascenção da Primeira Ordem, como já adiantado pelo trailler final. Sem necessidade de dar spoilers, o filme entrega o que os fãs desejam, o confronto final entre Rey (Daisy Ridley) e  Kylo Ren (Adam Driver), a verdade sobre as origens de Rey entre outras. O roteiro final tenta equilibrar a nova geração, o trio Rey-Finn-Poe com a antiga geração graças às rápidas aparições de rostos conhecidos como o contrabandista Lando Calrisian (Billy Dee Williams), a aparição de Luke para Rey (você não achava que Mark Hamil ficaria fora do capítulo final?), e claro esperada despedida de Leia, realizada com imagens gravadas desde a época de “O Despertar da Força” (2015), funcionando como uma emocionante homenagem à atriz Carrie Fisher falecida na ocasião do lançamento do episódio VIII …

LEIA ESTA MATÉRIA INTEGRAL NA MINHA COLUNA NO SITE “DVDMAGAZINE.COM.BR” E ASSISTA AO VIDEO DO CANAL “ADILSON CINEMA” ONDE COMENTO OS DETALHES DO FINAL DA TRILOGIA STAR WARS.

MEMORIAS DE UM CINÉFILO: A ERA DAS VIDEOLOCADORAS

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HÁ UMA SEMANA FOI DIVULGADO QUE DUAS LOJAS DA REDE BLOCKBUSTER FECHARAM AS PORTAS NOS ESTADOS UNIDOS, RESTANDO AGORA APENAS UMA NO ESTADO DO OREGON. SE PEGARMOS UMA MÁQUINA DO TEMPO E VOLTARMOS PARA 25 ANOS EXPERIMENTARÍAMOS UMA FORMA DIFERENTE DE ASSISTIR FILMES EM CASA LIVRES DAS RESTRITAS PROGRAMAÇÕES DE TV… ERAM AS LOCADORAS DE VÍDEO.

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LEMBRO NITIDAMENTE QUANDO COMPREI MEU PRIMEIRO VIDEOCASSETE, UM GRADIENTE COM DUAS CABEÇAS PARA REPRODUÇÃO. ERA O INÍCIO DOS ANOS 90 E O MAIOR PROGRAMÃO FAMÍLIA DA ÉPOCA ERA SE ASSOCIAR A UMA LOCADORA, CADA ESQUINA TINHA UMA. EU PRÓPRIO PERTENCIA A UMA QUATRO OU CINCO, CADA UMA CONTANDO COM SEU ACERVO. NOS FINAIS DE SEMANA, FAZÍAMOS UM PACOTE COM UMAS TRÊS OU QUATRO FITAS. ERA UM BARATO PEGAR AS CAPAS DAS FITAS, ALGUMAS DAS QUAIS BELÍSSIMAS COMO FOI A FITA VHS DE “JURASSIC PARK – PARQUE DOS DINOSSAUROS” COM UM CURIOSO LAYOUT PRÉ-HISTÓRICO.

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FOI UM ACHADO INESQUECÍVEL QUANDO AS LOCADORAS RECEBERAM A TRILOGIA ORIGINAL DE “STAR WARS” REMASTERIZADAS. FOI UMA MARATONA  ASSISTIR AOS EPISÓDIOS 4, 5 E 6 SEM INTERVALOS DE TV E COM AQUELA “QUALIDADE”!!!! LEMBRO QUE EU MAIS GOSTAVA ERA DESCOBRIR AQUELES FILMES QUE NÃO ERAM EXIBIDOS NA TV, ATÉ MESMO DESCONHECIDOS DO GRANDE PÚBLICO E POR ISSO MESMO FICAVAM DISPONÍVEIS NAS PRATELEIRAS. FOI ASSIM QUE ASSISTI PELA PRIMEIRA VEZ A EXCELENTE COMÉDIA “SHERLOCK & EU” (WITHOUT A CLUE) COM MICHAEL CAINE E BEN KINGSLEY. ALUGUEI A FITA EM UM DOS PACOTES DE CARNAVAL, TÍPICO NAQUELA ÉPOCA. PARA DIVERSIFICAR, MUITAS LOCADORAS TAMBÉM OFERECIAM JOGOS E CDS, ENFIM TINHAM DE TUDO, PARA TODOS OS GOSTOS.

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A CEREJA DO BOLO ERAM OS LANÇAMENTOS, QUE NAQUELA ÉPOCA TINHAM UMA JANELA BEM MAIOR. JANELA É O PERÍODO ENTRE A EXIBIÇÃO DO FILMES NAS SALAS DE PROJEÇÃO E SUA CONSEQUENTE EXPLORAÇÃO EM OUTRAS MÍDIAS. SIM, ACREDITE, EXISTIU UMA ÉPOCA SEM NETFLIX, SEM DOWNLOAD, SEM YOU TUBE. DO CINEMA, QUASE UM ANO DEPOIS VINHAM OS LANÇAMENTOS EM VHS PARA SÓ DEPOIS PASSAREM PARA A TV POR ASSINATURA, E ENFIM… A TV CONVENCIONAL. ERA UM INTERVALO BEM MAIOR COMPARADO A HOJE E A CHEGADA DE CERTOS FILMES NAS LOCADORAS ERAM UM VERDADEIRO EVENTO COMO NO CASO DE “TITANIC” DE JAMES CAMERON, “A LISTA DE SCHINDLER” DE STEVEN SPIELBERG, “FORREST GUMP” DE ROBERT ZEMECKIS ENTRE OUTROS TÍTULOS DISPUTADOS A TAPA NAS PRATELEIRAS.

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A PROPOSITO O PRIMEIRO FILME EM VHS QUE ALUGUEI FOI “007 CONTRA GOLDFINGER“. A LOCADORA TINHA TODOS OS FILMES DE CONNERY E MOORE E COMEÇEI ASSISTINDO AOS TÍTULOS QUE NUNCA HAVIA ASSISTIDO ANTES, ATÉ TINHAM PASSADO NA TV MAS EU TINHA PERDIDO OU NÃO LEMBRAVA DE TER VISTO. ALGUÉM LEMBRA O PRIMEIRO FILME QUE ALUGOU ?? FORAM BONS TEMPOS SEM DÚVIDA, PRINCIPALMENTE PORQUE COMEÇEI A GRAVAR FILMES NA TV. LOGO VIERAM OS APARELHOS DE VIDEOCASSETE DE QUATRO E SEIS CABEÇAS E O INÍCIO DE UMA COLEÇÃO QUE TIVE QUE CHEGOU A 800 FITAS. NÃO DEMOROU MUITO PARA VIREM OS DVDS E BLU RAYS. MAS AÍ GRADATIVAMENTE A INTERNET FOI SURGINDO COMO OPÇÃO E AS LOCADORAS FORAM PERDENDO A FORÇA, MAS AINDA ASSIM MARCARAM SUA ÉPOCA COMO UM HÁBITO DE TRAZER O CINEMA EM CASA COM UM GOSTO PRÓPRIO, QUEM VIVEU VIU.

 

GRANDE ESTREIA: HAN SOLO UMA HISTÓRIA DE STAR WARS

          Na década de 80 Harrisson Ford reinou nas telas como herói de ação fosse manejando o chicote de Indiana Jones ou pilotando a Millenium Falcon em Star Wars. Seu personagem nesta novela espacial é um contrabandista simpático e hábil com sua pistola laser, buscando lucro e diversão, com um sorriso de cafajeste estampado no rosto tal qual um Errol Flynn das estrelas. Ao longo da história virou comandante da rebelião, conquistou o coração de uma princesa e tornou-se um dos maiores heróis do cinema.  Com a franquia revitalizada pela Disney, sai de cena Harrisson Ford, de 76 anos, e Han Solo ganha o rosto do californiano Alden Ehrenreich, de 29 anos. Nomes como Ansel Elgort, Aaron Taylor-Johnson, Scott Eastwood, Rami Malek e Logan Lerman, entre outros, chegaram a ser cogitados para o papel nesse segundo derivado de Star Wars ( sendo o primeiro o bem sucedido “Rogue One”) que chega aos cinemas 35 anos depois do episódio VI “O Retorno de Jedi”.

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         A Disney foi hábil em não revelar os detalhes da história com os trailers divulgados. Sabe-se que a história se passa dez anos antes dos eventos do episódio IV “Uma Nova Esperança, e que o roteiro de Lawrence Kasdan (pela quarta vez escrevendo um episódio da saga) e seu filho Jonathan Kasdan explorarão os primeiros passos do personagem em uma vida de aventuras, o início de sua lealdade com o wokkie Chewbacca (Joonas Suotamo no lugar de Peter Mayhew) e seu encontro com o jogador Lando Calrissian (Donald Glover no lugar de Billy Dee Williams). No qual adquirirá a nave Millenium Falcon. Entre os personagens novos temos Woody Harrelson como Tobias Beckett (o mentor de Solo, papel que foi inicialmente pensado para Christian Bale); Emília Clarke (a Daenerys de “Game of Thrones” ) como Qi’Ra o principal papel feminino e interesse romântico do herói; Thandie Newton (Westworld) como Val, parceira de Tobias Beckett; além de Paul Bettany (o Visão dos Vingadores) como o vilanesco Drydes Vos, um gangster espacial. O elenco ainda tem nomes famosos como Jon Favreau (diretor dos dois primeiros “Homem de Ferro”), e Warwick Davis reunindo-se com o diretor Ron Howard com quem trabalho há mais de 30 anos em “Willow”. Será, no entanto, o primeiro filme da franquia que não terá os personagens droids R2D2 e C3PO, que sempre foram parte essencial dos eventos desdobrados nesta galáxia fictícia imaginada por George Lucas.

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         Han Solo é um dos personagens mais amados na saga “Star Wars”, tendo sido eleito 14º entre os 50 maiores heróis do cinema pelo AFI (American Film Institute), e já protagonizou aventuras individuais no universo estendido dos livros e hqs que já eram publicados antes que a Disney comprassem a LucasFilms. Essas histórias passaram a ser chamadas de “Lendas” e, portanto, desconsideradas do que seria oficial, deixando a Disney livre para criar novas histórias, como está fazendo com os novos filmes. Ainda houve o curta “Han Solo – A Smuggler’s Life” (2016) com Jaime Costa no papel central, realizado pelo fã Keith Allen, e que está disponível pelo You Tube, usando a mesma ideia de explorar a juventude de Solo. O filme centrado em Han Solo, que chega agora aos cinemas, começou a ser filmado ano passado por Phil Lord e Christopher Miller, que dirigiram “Anjos da Lei” (2012) e “Uma Aventura Lego” (2014). A dupla deixou a Disney insatisfeita ao conduzir as filmagens na base de muito improviso e imprimindo um resultado mais próximo de “Guardiões da Galáxia” (2014) do que da saga criada por George Lucas nos anos 70. Devido a essas diferenças criativas, Lord e Miller foram substituídos por Ron Howard (Uma Mente Brilhante, Código Da Vinci, Rush no limite da Emoção), primeiro diretor oscarizado a assumir um título da franquia. Curiosamente, Howard atuou no segundo filme de George Lucas (American Graffitte, de 1973), e dirigiu para ele “Willow na Terra da Magia” (1988). O destino parece ter conspirado a favor já que Ron Howard havia sido um dos nomes cotados para assumir a direção do episódio I “A Ameaça Fantasma” em 1999. Quando assumiu o derivado, o diretor refilmou grande parte do material já feito, mais de 80% segundo divulgado o site imdb. A trilha sonora de John Powell (quadrilogia Jason Bourne e animações como “Era do Gelo” e “Como Treinar seu Dragão”) recebeu a colaboração do mestre John Williams, compositor da trilha original, em uma das faixas buscando se conectar com o espírito dos episódios anteriores. O filme mal chega às telas e já se fala em um filme estrelado por Obi Wan Kenobi, e rumores ainda apontam uma sequência para as aventuras do jovem Solo, direcionando o personagem até o momento em que este encontra Luke e Obi Wan na cantina mostrada no episódio IV.

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            O encanto dessa história tem renovado seu público ao longo das últimas 3 décadas, e se mantido como um dos maiores expoentes da cultura pop ocidental, desde que Lucas (este completou 74 anos em 14 de Maio) sonhou com essa galáxia muito, muito distante onde a força continua a despertar.

 

CLÁSSICO REVISITADO : GREASE NOS TEMPOS DA BRILHANTINA – 40 ANOS

          A juventude significa lembranças de tempos mais ingênuos, da sensação de que o tempo está em nossas mãos. Nos anos 50 significa também corridas de racha movidas a Rock ‘n roll, e brilhantina (precursor do gel de cabelo) … Pois mesmo depois de 40 anos essa ainda é a palavra.

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          Hoje um dos maiores musicais do cinema, “Grease” nasceu no circuito off-Broadway, escrita por Jim Jacobs e Warren Casey. Ambos embarcaram na mais pura nostalgia representada pela virada dos anos 50 para 60 para contar a história de amor de dois adolescentes  que estão no último ano da escola Rydell High. Na peça o cenário é o meio oeste do país, mas para o filme foi mudado para a California de 1959. Outra mudança foi no tom já que no texto original a história era mais áspera e menos romântica, focando na rebeldia de jovens que se agrupam em gangs de deliquentes, segregados socialmente e se identificando com o então recém nascido Rock ‘n’roll.

         A peça teve seu debut em 7 de fevereiro de 1971 no circuito off-Broadway, popularizando-se em Chicago antes de partir para Nova York. Foi nessa ocasião que foi assistida pelo produtor Alan Carr, que se interessou em adaptá-la para o cinema. Os direitos, no entanto, já haviam sido adquiridos por Ralph Bakshi (animador de “Fritz The Cat”) mas estes expiraram em pouco tempo permitindo que Carr os adquirisse por US$200,000, levando o projeto à Paramount onde se associou ao produtor Barry Diller. Ambos se odiavam, mas fizeram alterações suavizando temas como gravidez na adolescência, deliquência juvenil e rivalidade entre gangs, tudo que foi elaborado a partir da vivência dos autores. Foi Carr quem contratou o diretor Randal Keiser, que havia sido colega de quarto de George Lucas na Universidade. Também foi Carr quem contratou a romancista Bronte Woodward para ajudá-lo a escrever o roteiro refinando os temas abordados na peça. A principio eles fariam de Danny Zuko um frentista de posto de gasolina e trariam o ator Paul Lynde (Tio Arthur do clássico seriado “A Feitiçeira” como o diretor da Ryder High). Estaria previsto nessa primeira versão do roteiro que Lynde faria um numero musical de Carmen Miranda e os Beach Boys ficariam com a canção “Greased Lightnin” encenado na garagem.

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AH ! AQUELAS NOITES DE VERÃO

        Já Diller, representando a Paramount, teria convidado Henry Winkler (o Fonzie do seriado “Happy Days“, muito popular na época) para o papel de Danny Zuko. Contudo, o papel do protagonista caiu nas mãos de John Travolta, então com 22 anos, já que este já era conhecido do diretor com quem havia trabalhado no filme de Tv “O Rapaz da Bolha de Plástico” (The Boy in the Plastic Bubble) de 1976, além de ter trabalhado com o produtor Robert Stigwood em “Os Embalos de Sábado a Noite” (Saturday Night Fever), que na ocasião ainda nem havia sido lançado nos cinemas. Travolta brilhou no filme, e usou de seu recém-criado prestígio para garantir que estrelasse  o número solo “Greased Lightnin’” que fora planejado para o personagem de Jeff Conaway.

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A VIRADA DE SANDY

            Já o papel de Sandy quase foi para Carrie Fisher, que na época filmava “Star Wars Episode IV” com George Lucas, e depois ainda foi cogitado a atriz Susan Dey (Laurie Partridge do seriado “A Familia Dó Re MI“). A inglesa Olivia Newton John já tinha uma carreira como cantora, mas havia tido uma má experiência como atriz em sua terra natal (a sci-fi B “Toomorrow” de 1970) quando foi cogitada para co-protagonizar o filme, tendo o apoio imediato de John Travola que ajudou a convencê-la a se juntar ao elenco. Como seu sotaque inglês era indisfarçável, o roteiro foi modificado fazendo Sandy uma estudante australiana já que Olivia morou dez anos na Austrália. Rizzo, a líder das “Garotas Rosadas” estava previsto para Lucy Arnaz (filha de Lucille Ball), mas ficou afinal com Stockard Channing, enquanto Kenickie foi vivido por Jeff Conaway que já conhecia a peça original pois interpretou Danny na montagem da Broadway. A mais curiosa das alterações de elenco foi Frankie Avalon no papel do anjo no sonho de Frenchy. Inicialmente, o anjo seria Elvis Presley mas a morte do ator/cantor levou a mudanças, inclusive na letra da canção “Look at me, I’m Sandra Dee” que foi gravada no dia em que a morte de Elvis foi anunciada, por isso teve o nome do rei do Rock incluida na letra ( “Elvis Elvis let me be! Keep that pelvis far from me! ).

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O CASAL 20 DOS ANOS 70

          Do elenco contratado os únicos com idade mais próxima de seus personagens (colegiais em torno dos 16 anos) eram Dinah Mannof (Marty) que tinha 19 anos e Lorenzo Lamas (o atleta Tom) também com 19 anos. Esse foi um dos pontos que incomodou o renomado crítico Roger Ebert na época de lançamento do filme: John Travolta (Danny) tinha 22, Olivia Newton-John (Sandy) 29, Jeff Conaway (Kenickie) 26, Jamie Donnelly (Jan) 30, Susan Buckner (Patty) 25, Michael Tucci (Sonny) 31, Kelly Ward (Putzie) 20 e a mais velha era Stockard Channing (Rizzo) 33. Segundo a própria atriz, Alan Carr teria pintado sardas em seu rosto para maquiá-la de forma a disfarçar sua idade. A escalação mais polêmica foi a de Harry Reems, ator pornô que co-estrelou o polêmico “Garganta Profunda” (Deep Throat), para o papel do treinador Calhoun. A rejeição e a reação dos executivos da Paramount fizeram Carr desistir e colocar o comediante Sid Ceasar no lugar. Carr teria inclusive pago US$5,000 de seu próprio bolso a Reems pelo desconforto causado.

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MICHELLE PFEIFFER EM “GREASE 2”

         Das 20 canções originais, somente algumas foram utilizadas no filme, algumas das quais ficando como música de fundo, e quatro canções novas foram escritas só para a adaptação: a canção da abertura “Grease”, escrita por Barry Gibb dos Bee Gees e gravada por Frank Valli, “Sandy” parea John Travolta; “Hopelessly Devoted to You” gravada por Olivia Newton depois de terminada as filmagens e indicada ao Oscar e “You the One That I Want” que traz a inversão final dos papeis: Danny comportado em um casaco escolar e Sandy em roupa de couro colada no corpo. Para gravar a cena, a roupa teve que ser costurada no corpo de Olivia Newton-John fazendo a virginal Sandy se tornar uma vamp sedutora. Desconforto maior foi a gravação do baile na escola devido ao intenso calor que fazia no local. A sequência da corrida de carros na galeria de esgoto deixou alguns membros do elenco passando mal. O filme, no entanto, tornou-se a maior bilheteria de 1978 com 167 milhões de dólares, acima de “Superman o Filme” e “Tubarão 2”.

           Inegável que o sucesso de “Grease” levou a filmes como “High School Musical” e mostrou a Hollywood que o universo teen guardava boas histórias a serem exploradas. Gerações cantam “Summer Nights”, meninos se imaginam um T-Bird e meninas uma Pink Lady, ao menos os que se permitem se deixar levar pelas melodias contagiantes que conduzem a narrativa. O sucesso levou à sequência “Grease 2” de 1982 que trazia uma outra história transcorrida da mesma escola com outro grupo de jovens e trazendo Michelle Pfeiffer como protagonista. Em 2016 a Fox transmitiu ao vivo o especial “Grease Live”, uma nova montagem com Aaron Tveit (Danny), Julianne Hough (Sandy) e Vanessa Hudgens (de “High School Musical” como Rizzo).

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ELENCO REUNIDO

           O apelo da história de Danny e Sandy permanece em nossa memória afetiva seja por representar tempos mais inocentes seja por trazer os rebolados ardentes de John Travolta e Olivia Newton John, cada um ícone de tempos e lugares melhores em que uma pudica Sandra Dee pode viver um belo romance com um rebelde com pinta de um selvagem Marlon Brando. Assim sacudiram todos nós e nos instigam a continuar a indagar “Tell me more !Tell me more” (Conte nós mais).

 

ESTREIAS DA SEMANA: 22 DE JUNHO

MEUS 15 ANOS

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Bra 2017. Dir: Carolini Fioratti. Com Larissa Manoela, Rafael Infante, Bruna Tatar, Anitta, Bruno Peixoto. Comédia.

A jovem Bia não é nem um pouco popular na escola. Seus pais planejam uma festa de 15 anos e convidam todos para transformar sua filha na estrela da noite. Larissa Manoela começou a carreira da atriz nas novelas “Carrossel” e “Cúmplices de um Resgate”, no SBT, alcançando grande popularidade, e agora protagoniza seu primeiro filme.

O CIRCULO

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(The Circle) EUA 2017. Dir: James Ponsonldt. Com Emma Watson, Tom Hanks, Karen Gillian, John Boyega, Bill Paxton, Gleanne Headly. Suspense.

Jovem (Watson) é contratada para o trabalho de seus sonhos, em uma empresa de tecnologia chamada “O Circulo”. A principio entusiasmada, ela vem a descobrir uma trama conspiratoria que envolve quebra de sigilo e invasão de privacidade. O filme adapta o livro de Dave Eggars, que também co-roteirizou o filme junto ao diretor. A história chega em momento oportuno em que a tecnologia parece não respeitar a privacidade e a individualidade. Foi o ultimo filme dos atores Bill Paxton e Gleanne Hedley, recentemente falecidos.

MEMÓRIAS DE UM CINÉFILO : MINHA INFÂNCIA COM OS TRAPALHÕES.

            Ô DA POLTRONA. OS BONS TEMPOS ESTÃO AQUI, OS TRAPALHÕES VOLTARAM AO CINEMA. A TRUPE FORMADA POR RENATO ARAGÃO, DEDÉ SANTANA, MUSSUM &  ZACARIAS TRANSFORMAVA O TRISTE FIM DE DOMINGO EM UMA DIVERSÃO. MINHA GERAÇÃO PASSOU INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA INDO AO CINEMA DUAS VEZES POR ANO (GERALMENTE NAS FÉRIAS) PARA ASSISTIR AOS FILMES DOS TRAPALHÕES, FORAM MAIS DE 40 FILMES SENDO 5 DELES (OS TRAPALHÕES NAS MINAS DO REI SALOMÃO , OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES, OS TRAPALHÕES NA GUERRA DOS PLANETAS, OS TRAPALHÕES NA SERRA PELADA, E O CINDERELO TRAPALHÃO) FIGURAM ATÉ HOJE NA LISTA DAS 13 MAIORES BILHETERIAS NACIONAIS CONTABILIZANDO MAIS DE 5 MILHÕES DE INGRESSOS VENDIDOS, DE ACORDO COM OS DADOS DA ANCINE (AGÊNCIA NACIONAL DE CINEMA).

             MINHA PRIMEIRA VEZ NO CINEMA FOI EM 1977 JUSTAMENTE PARA ASSISTIR “O TRAPALHÃO NAS MINAS DO REI SALOMÃO” , DE J.B.TANKO, DIRETOR DE ONZE FILMES DO GRUPO. AO FINAL DO FILME, ERA INEVITÁVEL DERRAMAR UMA TÍMIDA LÁGRIMA QUANDO LUPA, O CÃO FIEL AMIGO DE DIDI, MORRE EM UMA CENA PARA RESSUCITAR DEPOIS GRAÇAS AO PÓ MÁGICO DA BRUXA (VERA SETTA, A MÃE DA ATRIZ MORENA BACCARIN). A PRIMEIRA FORMAÇÃO DOS TRAPALHÕES, NO ENTANTO, COMEÇOU ENTRE 1966 E 1967 NA TV EXCELSIOR, COMPOSTA POR RENATO ARAGÃO, TED BOY MARINO, IVON CURY E WANDERLEY CARDOSO. O PROGRAMA SE CHAMAVA “ADORÁVEIS TRAPALHÕES” E ERA FEITO AO VIVO. EM 1971, ARAGÃO TEVE PASSAGEM PELA TV RECORD NO PROGRAMA HUMORÍSTICO “OS INSOCIÁVEIS” DIVIDINDO A CENA COM MANFRIED SANTANA, O DEDÉ, COM QUEM JÁ HAVIA TRABALHADO NO FILME “NA ONDA DO IÊ IÊ IÊ” (1966).

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VERA SETTA & CARLOS KURT : AI, QUE MEDA !!!!

      POR VOLTA DE 1972, O GRUPO RECEBEU ANTONIO CARLOS BERNARDES GOMES, O MUSSUM – NOME DE UM PEIXE COMPRIDO DAÍ O APELIDO DADO NA VERDADE POR GRANDE OTELO. MUSSUM  ERA CARIOCA E MÚSICO INTEGRANTE DOS ORIGINAIS DO SAMBA. SEU PRIMEIRO FILME COMO TRAPALHÃO FOI “O TRAPALHÃO NO PLANALTO DOS MACACOS” DE 1976. O SUCESSO DO GRUPO PASSOU PARA A TV TUPI ONDE EM 1975 TEVE O ACRÉSCIMO DE MARIO GONÇALVES, O ZACARIAS – APELIDO DADO POR RENATO ARAGÃO. ESTAVA COMPLETO ENTÃO A TRUPE QUE NOS CINEMAS SEGUIA COM SUAS DIVERTIDAS PARÓDIAS, ATRAINDO MULTIDÕES PARA ASSISTIR “OS TRAPALHÕES NA GUERRA DOS PLANETAS” EM 1978. OS TRAPALHÕES ERAM RECRUTADOS PARA AJUDAR EM UMA REVOLUÇÃO EM OUTRO PLANETA CONTRA O MALVADO ZUCCO, INTERPRETADO POR CARLOS KURT, COADJUVANTE USUAL NOS FILMES DO GRUPO, UMA DIVERTIDA IMITAÇÃO DE DARTH VADER, VERSÃO BRASILEIRA.NESSA ALTURA, OS TRAPALHÕES JÁ HAVIAM INVADIDO AS HQS, COM DIVERTIDAS EDIÇÕES PUBLICADAS A PRINCIPIO PELA BLOCH EDITORES, E MAIS TARDE PELA EDITORA GLOBO. EU COMPRAVA E LIA TUDO.

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O REI & OS TRAPALHÕES: É FRIA NO MARROCOS, TURMA !!!!

         COM A POPULARIDADE CRESCENTE, OS TRAPALHÕES AMPLIARAM OS ESPAÇOS E OS RECURSOS A DISPOSIÇÃO. ASSIM, VIAJARAM AO MARROCOS PARA FILMAR “O REI & OS TRAPALHÕES” DE 1979 E ESTIVERAM NOS ESTUDIOS DE HOLLYWOOD PARA FILMAR “OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES” GRAVANDO BELÍSSIMO NUMERO MUSICAL COM LUCINHA LINS COM DIREITO A GRAVAÇÕES COM O TUBARÃO DE SPIELBERG E OS ROBÔS CILÔNIOS DE “GALACTICA”. EM UMA SEQUÊNCIA DE EXTREMA INVENTIVIDADE, DIDI ENCARA UM COWBOY QUE DIZ “THE GIRL IS MINE”, AO QUE DIDI RESPONDE DIZENDO “CUMA?”.

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LUCINHA LINS E OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES

       SÃO VÁRIOS OS MOMENTOS HILÁRIOS GRAVADOS NA MEMORIA AFETIVA DE TODOS, SEJA NA TV OU NO CINEMA: ZACARIAS COM RENATO CANTANDO “PAPAI EU QUERO ME CASAR”; MUSSUM CAINDO EM UMA MINA E CUSPINDO UMA “PEPITIS” EM “OS TRAPALHÕES NA SERRA PELADA” (1982); A TRUPE VESTIDA DE SUPER HEROIS COM MUSSUM DE FANTASMA, DIDI DE SUPERMAN, DEDÉ DE BATMAN E ZACARIAS DE ROBIN;  DIDI DE MARIA BETÂNIA CANTANDO TEREZINHA COM MUSSUM ENTRANDO COM MÉ NA MÃO OU A VERSÃO DA SUÁTI, POPULAR SERIADO POLICIAL DOS ANOS 70 QUE GEROU O FILME “ATRAPALHANDO A SUATI” EM 1983, SEM RENATO ARAGÃO, QUE TEMPORARIAMENTE HAVIA SE SEPARADO DOS DEMAIS.

A MORTE DE ZACARIAS EM 1990 E MUSSUM EM 1994 ACABOU COM UMA ERA DE OURO DE HUMOR ORIGINAL, GENIAL EM TODAS AS SUAS INSTÂNCIAS. ERA COMÉDIA CIRCENSE , SEM CONCESSÕES, COMPROMETIDA EM DIVERTIR DIFERENTES GERAÇÕES JÁ QUE AGRADAVAM CRIANÇAS E ADULTOS. NECESSÁRIO SERIA UM ESPAÇO MAIOR ONDE COMENTAR TANTAS LEMBRANÇAS QUE REMONTAM MINHA INFÂNCIA,  E DE MILHARES COMO EU QUE NÃO DESLIGAVAMOS A TV DAS SETE DA NOITE AOS DOMINGOS E APRENDEMOS QUE MULHER ERA BICHO BOM, CACHAÇA ERA MÉ, DINHEIRO ERA ARAME OU BUFUNFA. SE HAVIA PARA ALGUNS UM MOMENTO FAVORITO, BOM AÍ VAREIA. SE VOCÊ NÃO ENTENDE ESSE PORTUGUÊS, UM DIA DESCOBRIRÁ PORQUE OS TRAPAS SÃO FOREVIS. OBRIGADO, RENATO, DEDÉ, MUSSUM & ZACARIAS.

IN MEMORIAN : CARRIE FISHER

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ESTA É UMA NOTICIA QUE EU GOSTARIA DE NUNCA TER QUER POSTAR AQUI, MAS COMO TODOS JÁ DEVEM ESTAR SABENDO, PERDEMOS A ATRIZ CARRIE FISHER. APESAR DE MINHA TRISTEZA, NOSSA TRISTEZA, FICA PARA A ETERNIDADE O TALENTO DE UMA ATRIZ QUE MESMO VINDO DE UMA FAMILIA DE ARTISTAS, SENDO FILHA DE DEBBIE REYNOLDS (ATRIZ DO CLÁSSICO “CANTANDO NA CHUVA”) E DO CANTOR EDDIE FISHER, TRILHOU SEU PRÓPRIO CAMINHO SEJA COMO SEU ICÔNICO PAPEL DE PRINCESA LEIA ORGANA OU COMO ESCRITORA. SEU LIVRO “POSTCARDS FROM THE EDGE” NO QUAL NARRA SEUS CONFLITOS COM A MÃE FAMOSA VIROU O FILME “LEMBRANÇAS DE HOLLYWOOD” (1990)ESTRELADO POR MERYL STREAP E SHIRLEY MACLAINE. RECENTEMENTE PUBLICOU ” MEMORIAS DE UMA PRINCESA: OS DIARIOS DE CARRIE FISHER”, SEU OITAVO LIVRO, NO QUAL REVELA TER TIDO UM CASO COM HARRISSON FORD DURANTE AS FILMAGENS DE STAR WARS. RESPIRANDO POR APARELHOS DESDE SEXTA FEIRA PASSADA QUANDO FOI SOCORRIDA, CARRIE TEVE UMA SEGUNDA PARADA CARDIACA QUE A LEVOU DESSE PLANO. PARA MIM É COMO SE EU TIVESSE PERDIDO AQUELA NAMORADINHA DE INFÂNCIA, QUANDO AOS 19 ANOS ESTRELOU O PRIMEIRO FILME, ENTÃO CHAMADO DE “GUERRA NAS ESRELAS”, E EU COM 8 ANOS QUERIA SER HAN SOLO, EMPUNHAR UM SABRE DE LUZ COMO LUKE E BEIJAR A BELA PRINCESA QUE SALVOU AQUELA GALÁXIA HÁ MUITO MUITO TEMPO ATRÁS. SAUDADES FICAM E ANO QUE VEM SEU ULTIMO FILME, O OITAVO EPISODIO DE STAR WARS. QUE SUA PASSAGEM SEJA DE LUZ BELA PRINCESA. VOCÊ NOS DEU A FORÇA E ESTA JAMAIS A ABANDONARÁ.

ESTREIAS DA SEMANA: 15 DE DEZEMBRO DE 2016

ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA STAR WARS

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ROGUE ONE. EUA 2016. DIR: GARETH EDWARDS. COM FELICITY JONES, MADS MIKKELSEN, ALAN TUDYK, FORREST WHITAKER. FICÇÃO CIENTÍFICA.

QUANDO A DISNEY ADQUIRIU A FRANQUIA “STAR WARS” MOSTROU-SE NÃO SÓ CAPAZ DE DAR CONTINUIDADE À HISTÓRIA DE ONDE ELA PAROU EM “O RETORNO DE JEDI” COMO TAMBÉM DISPOSIÇÃO PARA APOSTAR EM DERIVADOS COMO ESSE “ROGUE ONE” E, EM BREVE, UM FILME MOSTRANDO A JUVENTUDE DE HAN SOLO. ESSE “ROGUE ONE” NA VERDADE É UMA AVENTURA EM UM HIATO EXISTENTE ENTRE O EPISÓDIO III – A VINGANÇA DOS SITH E O EPISÓDIO IV – UMA NOVA ESPERANÇA. O PLOT MOSTRA COMO A ALIANÇA REBELDE VEM A ROUBAR OS PLANOS DA ESTRELA DA MORTE QUE LEVARÁ OS REBELDES AO TRIUNFO MOSTRADO AO FINAL DO QUARTO EPISODIO. CLARO QUE LORD VADER TEM APARIÇÃO, PORÉM RÁPIDA DEMAIS PARA SATISFAZER SEUS FANS, MAS O FILME TRAZ PERSONAGENS NOVOS PARA MOVIMENTAR A AÇÃO. FELICITY JONES (A TEORIA DE TUDO) E A FILHA DO CIENTISTA CRIADOR DA ESTRELA DA MORTE (MIKKELSEN) E UM REBELDE RADICAL (WHITAKER) ENTRE OS NOVOS PERSONAGENS. ESTES CONDUZEM A TRAMA COM O PROPÓSITO DE LHE CONFERIR IDENTIDADE PRÓPRIA, LOGO NO FILME NÃO HÁ JEDIS NEM A CLÁSSICA TRILHA DE JOHN WILLIAMS NA ABERTURA. O FILME SE SUSTENTA COMO UM PRODUTO DE AÇÃO, SEM SE LIVRAR DO ESTILO VIDEO GAME NAS CENAS DE BATALHA E, PORTANTO, BEM AO GOSTO DA GERAÇÃO X BOX, MAS DIVERTE TAMBÉM AOS FANS DA TRILOGIA QUE INJETOU NOVO GÁS NO GÊNERO FICÇÃO CIENTÍFICA, E ALIMENTA NERDS COMO EU QUE ACREDITAM QUE A FORÇA ESTÁ CONOSCO. CLARO, ESTÁ COM A DISNEY, QUE GANHA MAIS UM PRODUTO MILIONÁRIO PARA LUCRAR, MAS ISSO É OUTRA HISTÓRIA.

SULLY – O HERÓI DO RIO HUDSON

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(SULLY) EUA 2016. DIR: CLINT EASTWOOD. COM TOM HANKS, AARON ECKHART, LAURA LINNEY. BIOPIC.

BASEADO NO LIVRO DE MEMORIAS “HIGHEST DUTY: MY SEARCH FOR WHAT REALLY MATTERS” (2011) DE CHESLEY SULLENBERG (OU SIMPLESMENTE SULLY), ESCRITO JUNTO A JEFFREY ZUSLOW E NARRANDO O EPISODIO REAL EM QUE O PRIMEIRO, PILOTO AEREO CONSEGUIU POUSAR SUA NAVE NO RIO HUDSON, EM NOVA YORK, DEPOIS DE UMA PANE NO MOTOR E , DEPOIS DE UMA OUSADA MANOBRA, SALVOU TODOS À BORDO. O FILME IA ESTREAR HÁ DUAS SEMANAS, MAS FOI ADIADO EM RESPEITO ÀS VÍTIMAS E FAMILIARES DESTAS APÓS O DESASTRE QUE VITIMOU O TIME DE FUTEBOL CHAPECOENSE. GOSTO DE CLINT EASTWOOD E SUA VERSATILIDADE JÁ GEROU FILMES QUE CONSGUEM SER ORA OBRAS PRIMAS COMO “OS IMPERDOAVEIS” ORA DIVERSÕES GARANTIDAS COMO “COWBOYS DO ESPAÇO”. NÃO É A PRIMEIRA VEZ QUE O EX DIRTY HARRY ENVEREDA PELO TERRENO DAS CINEBIOGRAFIAS, MAS CERTAMENTE ESTE ESTÁ ENTRE SEUS FILMES BEM SUCEDIDOS JUNTO AO PÚBLICO E CRÍTICA, AO MENOS NOS ESTADOS UNIDOS. RECENTEMENTE, O ASTRO TOM HANKS DECLAROU QUE EASTWOOD TRATA OS ATORES NO ESTUDIO COMO SE FOSSEM CAVALOS, O QUE CAUSOU CERTO MAL-ESTAR MAS NADA DE DIMENSÃO CAPAZ DE APAGAR O TALENTO DE HANKS, MAIS ENVELHECIDO PARA O PAPEL, OU O TALENTO DE SEU DIRETOR.

NERUDA

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ARG / CHI / ESP / FR 2016. DIR: PABLO LARRAIN. COM LUIS GNECCO, GAEL GARCIA BERNAL, ALEJANDRO GOIC, ALFREDO COSTA, BIOPIC.

EXIBIDO NO FESTIVAL DE CANNES DESSE ANO, ESSA CINEBIOGRAFIA FAZ UM RECORTE NO TEMPO DE VOLTA AOS ANOS 40 QUANDO O POETA CHILENO PABLO NERUDA SE JUNTA AO PARTIDO COMUNISTA E POR CONTA DISSO PASSA A SER PERSEGUIDO PELO INSPETOR PELENCHONNEAU (BERNAL) COMO SE FOSSE UM RELES CRIMINOSO. O FILME INTERESSARÁ A UM PÚBLICO MENOR, MAS FAZ VÁRIAS REFERÊNCIAS HISTORICAS AO MOMENTO POLÍTICO SOCIAL NÃO SÓ DO CHILE MAS DA AMERICA LATINA NO PERIODO RETRATADO.

CLÁSSICO REVISITADO: OS 30 ANOS DE “LABIRINTO – A MAGIA DO TEMPO”

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DAVID BOWIE ENTRE GEORGE LUCAS & JIM HENSON

Recentemente foi divulgada a notícia da passagem do ator e cantor David Bowie, um grande artista. Por conta da notícia, reascendeu o interesse por uma refilmagem de ” LABIRINTO – A MAGIA DO TEMPO ” (Labyrinth) que completa esse ano 30 anos de seu lançamento original nas telas. O filme foi resultado do trabalho de um “dream team”: Produzido por George Lucas (dispensa comentários), roteirizado por Terry Jones (do grupo Monty Python), dirigido por Jim Hanson (criador dos Muppets), também co-autor da história que trazia no papel central o próprio Ziggy Stardust, o ator e cantor David Bowie, que também assina as letras e a música das maravilhosas canções do filme. Este conta a aventura de Sarah, a bela jovem de 16 anos (idade real da atriz Jennifer Connelly) que é deixada contra a gosto para tomar conta de seu irmão Toby. À noite, em um acesso de ciúme e impaciência com o choro do pequeno Toby, Sarah deseja que os duendes o levassem para longe provando a máxima que diz “cuidado com o que você deseja!”. Eis que Jareth, o rei dos duendes (Bowie) surge na janela de seu quarto, leva o garoto e a desafia a resgatá-lo dentro de 13 horas ou seu irmão será definitivamente transformado em um duende. Para chegar ao castelo de Jareth, Sarah terá que atravessar um misterioso labirinto, cheio de perigos. Para isso conta com a ajuda de Hoggle, o anão mal humorado para desvendar os enigmas que surgem em sua travessia.

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Sarah redescobre o amor pelo seu irmão e, ainda mais inesperado um misto de fascínio e atração por Jareth, como na minha sequência favorita,  a balada “As The World Falls Down” que toca na sequência do baile no castelo de Jareth. Este tenta enganá-la o tempo todo, mas deixa escapar um sentimento de solidão, escondido por trás de sua aura ameaçadora. Apesar de um excelente filme, indicado a vários prêmios (BAFTA, Hugo, Saturn Awards), o filme não foi bem sucedido nas bilheterias, tendo custado cerca de 25 milhões de dólares, mas arrecando apenas 12,5 milhões. Com o passar do tempo, jpa na era do home video, o filme foi redescoberto tornando-se um grande cult. A príncipio não seria David Bowie a interpretar Jareth. Michael Jackson, e depois Sting teriam sido considerados seriamente antes que os filhos de Jim Henson convencessem o diretor que David Bowie seria perfeito para o papel.

Os efeitos especiais utilizaram miniaturas, bonecos, animatronics, fantasias, cenários rebuscados e uma das primeiras sequências em CGI, a coruja que voa no início do filme. Para a sequência em que Jareth movimenta três esferas, o técnico Michael Moschen esticou seus braços por trás de Bowie para executar o truque. Lamentável a perda de David Bowie, mais lamentável ainda é que muitos não conheçam a beleza dessa fantasia, último filme de Henson, que amargou profunda depressão depois  e morreu quatro anos depois do filme. A magia deste, no entanto, ainda resiste… ao tempo.

STAR WARS : A FORÇA SEMPRE ESTEVE CONOSCO

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Eu tinha 7 anos (a idade que hoje minha filha tem) quando conheci o que era “Star Wars”, que na época chamávamos de “Guerra Nas Estrelas”. Na essência parecia uma história medieval de cavaleiros e magos, mas com uma roupagem futurista, encenada em planetas distantes. O apelo visual era irresistível, estimulado pela magnífica trilha sonora de John Williams. Foi então um fenômeno sem precedentes aparecendo na capa de revistas e jornais muito antes do surgimento da ideia de uma franquia, antes da popularização do termo trilogia, bebendo de diversas fontes: literárias (a influência de “O Senhor dos Aneis” foi admitida pelo próprio George Lucas), cinematográficas (os antigos seriados da Republic) e HQs (Flash Gordon de Alex Raymond). A mistura desses elementos se deu na mente do Californiano George Walton Lucas Jr, fantasias muito além das limitações de espaço do rancho em que foi criado.

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Há  38 anos atrás em uma galáxia muito distante

Foi Francis Ford Coppola quem abriu as portas do mundo do entretenimento para George Lucas. Este trabalhou como assistente de Coppola em “Caminhos mal-traçados” (The Rain People). Coppola lhe ensinou tudo sobre os bastidores do cinema, produziu seu primeiro filme como diretor “THX 1138” e usou de seu prestígio para conseguir para Lucas o financiamento necessário para “Loucuras de Verão” (American Graffite) em 1973, já com o selo da “LUCASFILM LTD”. Com o sucesso desse filme (vencedor do Golden Globe e indicado ao Oscar), Lucas obteve a moral necessária para escrever “Star Wars” dividindo sua história em nove capítulos. Montou a “Industrial Light & Magic” para desenvolver os efeitos especiais e conseguiu um acordo com a 20th Century Fox que lhe garantiu a permanência dos direitos autorais, que o enriqueceu.
No Brasil, o filme “Star Wars – Uma Nova Esperança” era um risco pois nada naquela proporção havia sido feita com sucesso em Hollywood, por isso foi comercialmente melhor rebatizar o filme como “Guerra nas Estrelas”, omitindo o fato de que este era o quarto episodio da história. Lançado no Brasil em 18 de Novembro de 1977 (seis meses depois do lançamento original nos Estados Unidos) tendo contado com um orçamento de cerca de onze milhões de dólares (custo bem baixo para uma produção do tipo). Lucas sempre foi uma pessoa difícil de se trabalhar de acordo com histórias de bastidores e depoimentos dos envolvidos nas filmagens que ocorreram em estudios na Inglaterra e no deserto da Tunísia.

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O trio central da história foi feito por atores desconhecidos na época: Mark Hammil como Luke Skywalker, Carrie Fisher (filha da atriz Debbie Reynolds) como Princesa Leia e Harrison Ford como o mercenário Han Solo, um tipo com a estirpe de um Errol Flynn, cafajeste mas de bom coração. Na história, rebeldes lutam contra o Império Galático representado pelo maligno Grand Moff Tarkin (o icônico Peter Cushing) e o maior vilão dos cinemas, Darth Vader (David Prowse dublado por James Earl Jones) uma postura de nobre mas ameaçadora e misteriosa tal qual a figura de um Drácula espacial. A luta pela libertação de todo um sistemas galático move os personagens que sobrevivem a perigos sucessivos, todos guiados pela sabedoria extinta dos Jedis (antigos guardiães da paz) representada pela figura de Sir Alec Guiness no papel de Obi Wan Kenobi. O ator britânico de renomada passagem pelo teatro e pelo cinema (Dr.Jivago, Lawrence da Arábia, A Ponte do Rio Kwai, Os Farsantes) guarda histórias conflitantes: Algumas fontes atestam que Guiness detestava estar envolvido no filme odiando suas falas e a história que consideraria muito inferior. Contudo, outros como o próprio George Lucas, declararam que a relação de Guiness era amistosa e profissional com todos os colegas de equipe. Apesar do trio de heróis rebeldes, é a figura de Guiness como Obi Wan que guia o desenrolar da história e explica a natureza da “Força”, o campo de energia vital que se torna tanto uma conduta religiosa como uma arma defensiva tão eficiente como os charmosos sabres de luz, herdeiros das cimitarras e espadas dos antigos épicos de cavalaria.

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Uma das cenas mais icônicas

Três anos depois do sucesso deste veio “O Império Contra Ataca” (The Empire Strikes Back) dirigido por Irving Keshner, quase uma unanimidade entre os fãs como o melhor filme da série. Na verdade, sendo o episódio cinco, o filme de Keshner desenvolve os personagens continuando exatamente de onde o anterior parou. Aos heróis se somam a figura de Lando Calrissian (Billy Dee Williams), chefe de uma colônia de mineração no espaço e Yoda (Frank Oz), mestre Jedi de 900 anos que será responsável pela continuidade do treinamento de Luke e que guarda um segredo que guiará os rumos da história. Entre lutas e perseguições, fica mais evidente que o triângulo Luke-Lea-Han Solo será desfeito conforme as verdades de cada um surgem, culminando com Solo congelado ao final para ser entregue a Jabba com uma declaração de amor de Leia (Fisher) a qual Solo responde “Eu Sei”, conforme o próprio Harrison Ford insistiu em vez do obvio “Eu te amo também”. Nada mais impactante, contudo, do que a esperada luta entre Luke e Darth Vader em que este revela que é pai do jovem Jedi. No intervalo de filmagens entre os episodios IV e V Mark Hammil sofreu um acidente de carro que desfigurou seu rosto e o levou a uma cirurgia de reconstituição plástica. Por isso seu rosto está tão diferente em “O Império Contra Ataca”, o que foi justificado no início do filme quando Luke enfrenta uma criatura no planeta Hoth.
Em 1985, exatos trinta anos atrás, a trilogia se encerraria com “O Retorno de Jedi” (The Return Of Jedi) dirigido desta vez por Richard Marquand, e que quase foi batizado de “Revenge of the Jedi” (A Vingança dos Jedi). O filme fecha as pontas soltas e decide o destino dos personagens com o combate final entre os rebeldes e o Império; a luta entre Luke e o maligno Imperador (Ian McDiarmind ) , a surpresa de que Luke e Lea são irmãos deixando o caminho livre para o romance entre Lea e Han Solo, o que contrariou as expectativas de Harrison Ford que queria que seu personagem morresse no final. Claro, que a cereja do bolo seria a luta decisiva entre pai e filho, essencial para fazer a galáxia pender para o bem ou para o mal. O último filme ainda trouxe uma Leia mais sensual, em trajes de escrava de Jabba e os Ewoks, que ganharam até um filme solo. Com o final deste, a saga tomou novos rumos: continuidade em HQs e livros, games, uma nova trilogia contando os episódios 1,2 e 3 e a remasterização feita por Lucas que modificou cenas, inseriu novos cortes, corrigiu os efeitos que evoluíram desde 1977, mas desagradou a vários fans porque mexeu em sequencias inteiras como removendo David Prowse para incluir Hayden Christesen no final de “O Retorno de Jedi”.

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O impacto cultural de Star Wars foi além da industria cinematográfica, reviveu o interesse de Hollywood pela ficção cientifica que abandonou a aura de “filme B” , criou imitadores em seu rastro e parodias como “SOS Tem um Louco Solto No Espaço” (Spaceballs) de Mel Brooks e o nacional “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” com Renato Aragão, Dede Santana, Mussum e Zacarias (foi o primeiro filme reunindo o quarteto). Foi assim que tudo começou, com “Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante”, uma modernização do clássico “Era Uma Vez’ que ditou os rumos da cultura pop descobrindo os desígnios da Força. Assim também todos nós, incluindo este que vos escreve.