TUBARÕES NO CINEMA

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SPIELBERG NA BOCA DE BRUCE

                   O cinema nunca se cansa de mostrar filmes sobre tubarões. Não importa o quanto os biólogos tentem defendê-lo, o cinema cuidou de explorar bem o medo inconsciente que temos desse predador que vive há aproximadamente 400 milhões de anos em nossos mares. Nas telas ele protagoniza praticamente um sub- gênero do típico filme de monstro, o que mostra o quanto o público está disposto a ver pessoas sendo devoradas por esse vilão marinho.

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BRUCE ENFRENTA ROY SCHEIDER

                 Mesmo que mais de 200 espécies de tubarão estejam sob o risco de extinção, de acordo com a “International Shark Foundation”, eles estão no topo da cadeia alimentar e nós estamos no topo do cardápio. Assim o cinema e a Tv fizeram tudo para vilanizá-lo mostrando tubarões gigantes, tubarões inteligentes e tubarões vingativos. Peter Benchley enriqueceu com o livro “Tubarão” (Jaws), a história de um grande branco que ataca as praias da fictícia Amity, ilha na costa leste dos Estados Unidos. Adaptado ao cinema, este tornou o nome de Steven Spielberg mundialmente conhecido, abocanhando as bilheterias e inaugurando para uma geração o conceito de blockbuster de verão. Seu filme seguiu a cartilha hithcockiana de mostrar pouco e sugerir muito, estimulando a imaginação com o tema de duas notas de John Williams. Foi uma forma criativa de disfarçar as deficiências técnicas de Bruce, o tubarão mecânico batizado pelo diretor com o nome de seu advogado, um monstro sorrateiro que não faz concessões, movido por uma fome insaciável: O peixe ou o advogado ?! Ainda mais voraz é a fome de lucro dos produtores que realizaram mais 3 sequências, nenhuma das quais dirigidas por Spielberg: “Tubarão 2” (1978) repetiu Roy Scheider a contragosto no papel do Chefe Brody; “Tubarão 3” (1983) em 3D que acentua ainda mais suas deficiências, e “Tubarão IV – A Vingança” (1987) que trouxe de volta Lorraine Gary, do elenco original, quando  o tema já estava desgastado. O único desses que consegue trazer alguma informação respeitosa é o filme de 1978 quando o Chefe Brody comenta que os Tubarões seguem sensorialmente os impulsos elétricos dos corpos em movimento na água. Entre todos o filme de Spielberg se mantém superior a todos, uma envolvente história ainda capaz de mexer com o público.

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BRUCE SEM A MAGIA DA CÂMERA DE SPIELBERG

               Até lá, no entanto, claro que outros estúdios invadiram essa praia e investiram em filmes B. Em 1976 “Mako – O Tubarão Assassino” (Mako – The Jaws of Death) mostrava um homem com o poder de se comunicar com um tubarão dessa espécie hoje ameaçada pela caça predatória. Outro caso curioso é a co-produção anglo-mexicana “Tintorera” (1977) baseado no livro do oceanógrafo Ramón Bravo. O nome de origem espanhola se refere ao tubarão-tigre, que despertou o interesse de Bravo que observou como estes peixes ficam em estado adormecido no fundo do mar em “Isla Mujeres” no Caribe. O ataque da referida espécie é secundário, já que o filme dirigido por Rene Cardona Jr está mais para uma aventura erótica destacando os corpos curvilíneos das atrizes Susan George e Fiona Lewis. Na época, o filme foi bem popular aqui no Brasil, além de ter se tornado parte da coleção particular do renomado Quentin Tarantino que o exibiu no 8ª Festival Internacional de Filmes de Morella, no México.

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Tintorera

             Outra pérola que nadou por essas águas foi o italiano Enzo Castellari em “O Último Tubarão” (L’Ultimo Squalo) de 1981. Este não se preocupou em disfarçar o plágio em cima do filme de Spielberg. O ator James Francisco interpreta um personagem chamado de Peter Benton (semelhança com Benchley não é mera coincidência), o mesmo papel de Roy Scheider, da mesma maneira que Vic Morrow faz o experiente pescador tal qual Quint (Robert Shaw) no filme de 1975. Todos os momentos icônicos do filme original são absurdamente imitados, até a maneira como o peixe é morto. Com isso tudo, o filme de Castellari foi proibido de ser exibido nos Estados Unidos, embora possa ser facilmente encontrado no You Tube ou à venda pela Amazon. Diferente do filme de Spielberg, o filme de Castellari é, no mínimo, risível usando um tubarão mecânico ainda mais tosco que Bruce. Dando um sabor brasileiro, ainda tivemos uma paródia brasileira: “Bacalhau”, de 1975, dirigida por Adriano Stuart e estrelado por Helio Souto e Mauricio do Vale. Essa pérola de nossa cinematografia mostra uma cidade no litoral paulista atacada pelo peixe do título. O bacalhau usado nas filmagens ainda traz a marca “Made in Ribeirão Preto”.Surpreendentemente foi um dos filmes brasileiros de maior bilheteria em 1976.

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NOSSA VERSÃO BRASILEIRA

            Na segunda metade da década de 70 ainda tivemos variações no tema “monstros aquáticos” enfurecidos. A mais notável é a paródia assumida de Joe Dante “Piranha” (1978) que ganhou duas refilmagens: uma em 1995 e outra em 2010. Ainda tivermos a baleia azul de “Orca – A Baleia Assassina” (Orca The Killing Whale) de 1977 e o polvo gigante da produção italiana “Tentáculos” (Tentacoli) no mesmo ano. Quando já se pensava que o mar seria seguro, os produtores arranjavam um jeito de atrair o público, mas o efeito final está mais para o ridículo. Em tempos mais recentes tivemos tubarões inteligentes (Deep Blue Sea), habitantes das areias (Sand Shark) fora as inusitadas versões de TV que constantemente aparecem na telinha como “Tubarão Fantasma” (Ghost Shark) ou “Sharkanado” e suas inacreditáveis sequências, todas realizadas pelo sci-fi channel.

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O ÚLTIMO TUBARÃO

            Quando a pergunta é se ainda há espaço para alguma produção respeitosa sobre esses animais, merece menção o caso de “Águas Rasas” (The Shallows) de 2016, que tornou-se uma grande sucesso de bilheteria. O filme de Jaume-Collet Serra serviu como “Tubarão” de uma nova geração, trocando o modelo mecânico pela computação gráfica. Eficiente suspense com sua abordagem psicológica, o filme mostrou um fato no mínimo questionável quando a personagem de Blake Lively nada no meio de águas-vivas sugerindo que o tubarão branco teria medo destas mesmo tendo uma pele extremamente grossa. Ainda tivemos ano passado “Medo Profundo” (47 Meters Down) onde duas irmãs ficam presas em uma gaiola no fundo do mar em águas infestadas de tubarões. Fala-se até de uma provável sequência a ser filmada no Brasil, e agora o “MegaTubarão” (The Meg) com Jason Statham.

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ÁGUAS RASAS

           Feras desalmadas, devoradores, ou animais vulneráveis, mal-compreendidos, vítimas da má-propaganda de Hollywood, não importa pois as pessoas parecem não perder o interesse por eles sendo notável o acesso às mídias digitais que perpetuam filmagens e relatos de ataques. Certamente virão mais filmes já que o filão constantemente se renova com o público. Admito ainda assim, eu nunca consigo ir à praia e entrar na água sem que em minha mente eu ouça aqueles os tensos acordes daquelas notas. Tudo culpa de John Williams, Peter Benchley e Steven Spielberg. Boa diversão e bom apetite !

GRANDE ESTREIA : JURASSIC WORLD REINO AMEAÇADO.

             É curioso que esses gigantescos repteis gerem tanto fascínio tendo sido extintos há cerca de 65 milhões de anos. Eu próprio tinha um dinossauro de brinquedo tipo o Rex de “Toy Story” e nunca me liguei que dinossauros e seres humanos, na verdade nunca co-existiram no planeta. Imaginar esse encontro é recorrente no cinema e o escritor Michael Crichton (1942/2008) soube explorar essa fantasia e adicionar à receita do entretenimento os temores provocados pela engenharia genética, e assim a pré-história revive.

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           O embrião para o livro que Crichton escreveu do assunto começou com um roteiro de 1983 sobre um pterodátilo clonado, mas foi rejeitado pelos estúdios. Muitos anos depois o escritor e ex-médico norte americano juntou à história o cenário de um parque temático, coisa que já havia explorado em “Westworld”, filme de 1973 e atualmente série da HBO de muito sucesso. O mundo havia mudado em 1990 e já pronto para receber os dinossauros renascidos em meio a discussões filosóficas sobre a teoria do caos. Ação e conteúdo eram bem equilibradas e os estúdios se interessaram pelo livro “Jurassic Park – Parque dos Dinossauros” antes mesmo de sua publicação inicial em 1990, inspirado nos trabalhos dos paleontólogos Robert Bakker e Jack Horner. A Universal conseguiu os direitos garantindo o interesse de Steven Spielberg. O grande triunfo técnico foi o uso eficiente de animatrônicos e efeitos digitais que tornaram os dinossauros rápidos e mortais, distantes dos efeitos stop motion que acompanharam durante anos os filmes do gênero. Impressionantes no realismo em cenas como o ataque do T-Rex ou a perseguição dos Velociraptores.

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             O sucesso do filme despertou diversas discussões sobre o comportamento dos dinossauros e um aumento considerável no interesse de jovens por paleontologia, área de estudo do Dr. Alan Grant (Sam Neill) e Dra. Ellie Sattler (Laura Dern) dupla central na história que se junta ao matemático Ian Malcolm (Jeff Goldblum) em uma visita surpresa a uma ilha que abriga dinossauros renascidos pelo milagre da clonagem, a partir do sangue coletado de um mosquito encontrado preso em âmbar. O Dr. Malcolm com sua ironia e postura questionadora serve como voz para o escritor discursar suas teorias sobre a natureza e a postura dos cientistas de se colocarem irresponsavelmente como Deus. O dono do lugar é o milionário John Hammond (Richard Altenborough) que leva seus netos para o passeio que vem a se tornar um grande pesadelo para todos. Hammond e Malcolm representam esses polos respectivos de esperança (vestido em branco) e caos (vestido em preto) frente ao avanço da ciência. O filme realizado em 1993 obteve uma bilheteria milionária e levou Crichton a escrever a sequência “The Lost World – Jurassic Park” cujo subtítulo vem para evitar confusão com um romance homônimo escrito por Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes. Novo livro levou claro a novo filme lançado em 1997 com várias passagens que homenageiam clássicos como “King Kong” e “Goldzilla”. Curioso que o livro seja centrado no Dr.Malcolm (Goldblum), personagem que morreu no primeiro livro (no filme ele sobrevive), mas aparece miraculosamente vivo nas páginas do segundo livro. A história ainda guarda espaço para romance entre o Dr.Malcom (Goldblum) e a Dra Sarah Harding (Julianne Moore) e uma sequência eletrizante de safari com os dinos tecnicamente tão elogiosa quanto John Wayne caçando os animais selvagens em “Hatari” (1962).

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               Em 2001, um terceiro capítulo foi dirigido por Joe Johnston (Capitão America Primeiro Vingador), sendo o primeiro não baseado em um livro de Michael Crichton. “Jurassic Park III” tras o Dr.Alan Grant ajudando a uma família a recuperar seu filho perdido na Ilha Sorna, cheia de dinossauros perigosos. Como novidade, os pteredátilos que estão presentes no primeiro livro, mas não chegaram a ser usados no primeiro filme, protagonizam diversas cenas de ação junto a um elenco humano que ainda inclui William H.Macy e Tea Leoni. A bilheteria milionária da franquia deixava claro que os dinos não deixariam as telas, mesmo levando-se conta que o animal no logo do filme na verdade não pertence ao período jurássico (200 a 155 milhões de anos), e sim ao período cretáceo (145 a 65 milhões de anos).

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          As licenças poéticas voltam a povoar a imaginação quando o diretor Colin Trevorrow ressuscitou mais uma vez os grandes lagartos em “Jurassic World – Mundo dos Dinossauros” (2015), realizado sete anos depois da morte do autor. Carregado de referências aos filmes anteriores e com o casal Chris Pratt (Starlord de “Guardiões da Galaxia”) e Bryce Dallas Howard a frente do elenco. O filme ainda aproveitou alguns elementos da história original como o diálogo entre o Dr. Wu (BD Wong) e o Sr. Masrani (Irffan Khan). A chegada do Indominus Rex como o monstro da vez é aterrador e impulsiona a história tanto quanto o ataque do T Rex no primeiro filme. Na receita entram novas considerações sobre o avanço impensado da ciência e famílias partidas (os sobrinhos de Claire) lutando para não serem devoradas. Uma das ideias não aprovadas para a retomada da franquia foi o uso de soldados híbridos metade humanos, metade repteis.

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         A chegada do novo título “Jurassic World II – Reino Ameaçado” vem com a certeza de que a franquia deve em breve gerar outros. A cultura pop sempre acolheu bem esses animais pré históricos, até mesmo o genial Mauricio de Souza criou o simpático filhote de T Rex Horácio que é um sucesso nas hqs. Divertido como descer pela cauda de um brontossauro e gritar “IABADABADUU”!

TRAILLERS: MEGATUBARÃO

MEGATUBARÃO (THE MEG) EUA 2018. DIR: JOHN TURTELBAUB. COM JASON STATHAM, RUBY ROSE, LI BINGBING, CLIFF CURTIS. ESTREIA PREVISTA PARA 9 DE AGOSTO, ESTE FILME DE AÇÃO E SUSPENSE QUE REVISITA O CLÁSSICO DE SPIELBERG MISTURADO A “JURASSIC PARK”. NELE UM EXPERIENTE MERGULHADOR É CONTRATADO POR UM OCEANOGRAFO QUANDO DESCOBREM UM MEGALODON VIVO. UM MEGALODON É UM TUBARÃO PRE HISTORICO, DE GRANDES DIMENSÕES (MAIS DE 20 METROS). O PROJETO EXISTE DESDE 2006 ADAPTADO DO LIVRO DE STEVE ALTEN. PUBLICADO ORIOGINALMENTE EM 1997. PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DA WARNER BROTHERS.

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ESTREIAS DA SEMANA: 29 DE MARÇO DE 2018

UMA DOBRA NO TEMPO

DOBRA NO TEMPO

(A WINKLE IN TIME) EUA 2018, DIR: AVA DUVERNAY. COM STORM REID, DERIC MCCABE, LEVI MILLER, REESE WINTHERSPOON, OPRAH WINFREY, MINDY KAILING, CHRIS PINE, MICHAEL PEÑA, ZACH GAILIFIANAKIS, DAVID OYELOWO. FANTASIA.

DOIS IRMÃOS (REID & MCCABE) PROCURAM PELO PAI DESAPARECIDO, UM CIENTISTA QUE INVESTIGA UMA NOVA FORMA DE VIAGEM ESPACIAL. ÀS CRIANÇAS DE JUNTAM O AMIGO ESQUISITO CALVIN (MILLER) E TRÊS MULHERES COM PODERES MÁGICOS (WINTHERSPOON, WINFREY & KAILING)

A CO-AUTORA DO ROTEIRO É JENNIFER LEE, QUE ESCREVEU AS ANIMAÇÕES “DETONA RALPH” (2012), “FROZEN” (2013) E “ZOOTOPIA” (2016), SENDO ESTE SEU PRIMEIRO TRABALHO LIVE-ACTION, TAMBÉM ASSINADO POR JEFF STOCKWELL DE “PONTE PARA TERABÍTIA” (2007) E “DISTRITO 9” (2009). OS DOIS AUTORES REALIZARAM A PRIMEIRA ADAPTAÇÃO DO ROMANCE INFANTO-JUVENIL DE MADELEINE L’ENGLE, JÁ TENDO HAVIDO UMA ADAPTAÇÃO PARA A TV EM 2003.

PARECE QUE A DISNEY MIROU EM UM FILME QUE FALASSE DE QUESTÕES BEM ATUAIS COMO O EMPODEIRAMENTO FEMININO ATRAVÉS DAS TRES BRUXAS (WINTHERSPOON, WINFREY & KAILING) E DAS QUESTÕES INTER RACIAIS, ESSAS AUSENTES NO LIVRO. O FILME CARREGA O MÉRITO DE SER O PRIMEIRO COM ORÇAMENTO DE NOVE DÍGITOS A SER DIRIGIDO POR UMA MULHER NEGRA, AVA DUVERNAY, QUE NOS TROUXE EM 2015 O ÓTIMO “SELMA – UMA LUTA PELA IGUALDADE” PROTAGONIZADO POR DAVID OYELEWO, QUE DÁ VOZ AO VILÃO DE “UMA DOBRA NO TEMPO”, UM TÍTULO CURIOSO PARA UMA HISTÓRIA QUE FALA DE VIAGEM NO ESPAÇO,.E NÃO DO TEMPO.

O FILME NÃO É REGULAR, CARREGANDO NOS CLICHÊS E SEU RITMO DEIXA A DESEJAR MAS A MENSAGEM PRETENDIDA ESTÁ LÁ: FORA COM O BULLYING E A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO PAI-FILHOS, O QUE MOVE A PLATEIA COM UMA TRILHA SONORA QUE INCLUI SADE E DEMI LOVATO, EM IMAGENS FILMADAS EM LOCAÇÕES NA NOVA ZELÂNDIA. EMBORA O FILME NÃO TENHA IDO BEM NA BILHETERIA, A DIRETORA AVA DUVERNAY PARECE ESTAR SENDO SONDADA PELA WARNER PARA ASSUMIR UMA ADAPTAÇÃO DA HQ “NOVOS DEUSES” CRIADA POR JACK KIRBY. AGUARDEMOS NOVIDADES A RESPEITO.

NADA A PERDER – CONTRA TUDO E POR TODOS

NADA A PERDER

BRA 2018. DIR: ALEXANDRE AVANCINI. COM PETRONIO GONTIJO, BETH GOULART, EDUARDO GALVÃO, ANDRÉ GONÇALVES. BIOPIC.

CINEBIOGRAFIA DO PASTOR EDIR MACEDO, LÍDER DA IGREJA UNIVERSAL DE DEUS E EMPRESÁRIO MIDIÁTICO (DONO DA REDE RECORD). O ROTEIRO ADAPTA A SUA AUTOGIOGRAFIA E NÃO POUPA ADJETIVAÇÃO PARA RETRATA-LO DE FORMA IDEALISTA, QUASE QUE MESSIÂNICA. O PROTAGONISTA É MOSTRADO COMO UM PREDESTINADO QUE DESPERTA SEGUIDORES COM A MESMA INTENSIDADE QUE COLECIONA INIMIGOS.

O FILME, DIRIGIDO PELO MESMO ALEXANDRE AVANCINI QUE FEZ “OS DEZ MANDAMENTOS” PARA A EMPRESA DE MACEDO, É NITIDAMENTE VOLTADO PARA ANGARIAR NOVOS SEGUIDORES, E REAFIRMAR A FÉ COMO UMA VERDADE ABSOLUTA. SE POR UM LADO A LIBERDADE DE EXPRESSÃO JUSTIFICA VÁRIAS DAS NUANCES MOSTRADAS, POR OUTRO ESTA MESMA LIBERDADE CAREÇE DA SUSTENTAÇÃO DE UMA REFLEXÃO QUE SERVISSE COMO O OUTRO LADO DO LIVRE ARBITRIO.

COMO FILME É CONVENCIONAL, E ÓBVIO NAS SUAS INTENÇÕES SERVINDO COMO PROPAGANDA RELIGIOSA  E NADA MAIS.

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(READY PLAYER #1) EUA 2018. DIR: STEVEN SPIELBERG. COM TY SHERIDAN, OLIVIA COOKE, BEN MENDELSOHN,  SIMON PEGG, 

EM 2044, AS PESSOAS SE CONECTAM AO OASIS, UM MUNDO EM REALIDADE VIRTUAL CUJO CRIADOR MORRE DEIXANDO UMA FORTUNA. PARA DESCOBRÍ-LA É NECESSÁRIO PASSAR POR UMA SÉRIE DE FASES RECHEADAS DE ENIGMAS BASEADAS NA CULTURA POP DOS ANOS 80, O QUE O JOVEM WADE (SHERIDAN) DOMINA MUITO BEM.

O FILME RESGATA O PODER SPIELBERGUIANO DE CRIAR UMA FANTASIA QUE FALE PARA TODAS AS IDADES COM O GOSTINHO DAS REFERÊNCIAS AOS ANOS 80, DÉCADA DA QUAL O DIRETOR FEZ PARTE. BASEADO NO LIVRO DE ERNEST CLINE, O FILME LEMBRA UM POUCO A PREMISSA DE “A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE”, E O PRÓPRIO SPIELBERG TERIA CONVIDADO GENE WILDER (O WILLY WONKA ORIGINAL) PARA FAZER UMA PARTICIPAÇÃO, MAS ESTE DECLINOU DEVIDO AO SEU ESTADO DE SAUDE. O LIVRO DE CLINE É RECHEADO DE REFERÊNCIAS AOS FILMES DE SPIELBERG, MAS ESTE PEDIU QUE O ROTEIRO ELIMINASSE TAIS REFERÊNCIAS.

O FILME INTEIRO É COMO UMA SUCESSÃO DE EASTER EGGS, INCLUINDO “O ILUMINADO”, “DE VOLTA PARA O FUTURO”, “TOMB RAIDER” , “TRON” ETC…, O PROJETO MAIS DIFICIL DA CARREIRA DO DIRETOR DESDE “O RESGATE DO SOLDADO RYAN” NAS PALAVRAS DO PRÓPRIO.

 

 

HISTÓRIAS DO OSCAR

           Hoje – véspera da 90ª cerimônia de entrega dos Academy Awards – decidi dividir com vocês histórias desse que é o mais famoso dos prêmios da indústria cinematográfica e que coleciona em sua história uma longa lista de injustiças e reconhecimentos que o tornaram popular mesmo entre os não cinéfilos. Estes tem no prêmio uma referência do que vale a pena ou não assistir, e a industria se movimenta abrindo oportunidades para carreiras que disputam a honraria tal qual um santo graal da sétima arte. Sou da época em que os agraçiados eram anunciados com a frase “And tthe winner is …”, hoje e já há bastante tempo trocada por “And the Oscar goes to”.

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            Vários foram os mestres de cerimônias das premiações que acompanhei: Chevy Chase, Billy Cristal, Whoopi Goldberg, Steve Martin etc.. cada um com a inglória missão de equilibrar animosidades, apaziguar nervosismos e conduzir plateia e telespectadores ao redor do mundo, muitas das vezes com piadinhas que nem sempre funcionam, claro !!! Indicado 9 vzes, Paul Newman ganhou na sétima vez por “A Cor do Dinheiro” (The color of money) de 1986. Quando ganhou, Newman nem compareceu à cerimônia dizendo a um reporter “Ganhar um Oscar é como paquerar uma linda mulher por anos até que ela se rende um dia e você diz – Desculpe agora estou cansado.” Al Pacino venceu em “Perfume de Mulher” (Scent of a woman) de 1993, sua 8ª indicação. Caso de grande embaraço foi de Judy Garland que era apontada como a grande vitoriosa da noite de 30 de março de 1955, na 27º edição do evento, quando uma equipe de jornalistas montou câmeras no quarto do hospital onde Judy estava internada, acreditando também que sua atuação em “Nasce uma Estrela” (A Star is Born) seria premiada. Contudo, a vencedora foi Grace Kelly por “Amar é sofrer” (The Country Girl). Houve aqueles que se recusaram o prêmio como Marlon Brando em sua segunda vitória por “O Poderoso Chefão” (The Godfather). Na noite de 27 de março de 1973, no Dorothy Chandler Pavillion, Brando enviou uma representante vestida de india para recusar o prêmio em protesto contra o descaso e o mal tratamento dado aos nativos americanos ao longo do tempo. Pouco antes foi a vez de George C. Scott que desistiu do prêmio conquistado por “Patton – Rebelde ou Herói” (Patton) ficando em casa assistindo jogo de hoquei.

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ROGER MOORE & LIV ULMANN ENTREGAM O OSCAR RECUSADO POR MARLON BRANDO A UMA INDIA

            Incrível como é longa a lista dos grandes nomes, atores, atrizes e diretores que deixaram sua marca no cinema sem nunca terem sido agraçiados com a estatueta dourada: Charles Chaplin, Alfred Hithcock, Orson Welles, Roddy MacDowell, Jerry Lewis, Tony Curtis, Kirk Douglas, Natalie Wood, Amy Adams, Glenn Close, Jamie Lee Curtis, Liam Neeson, John Malokvich só para citar alguns, sendo que houve aqueles que mesmo deixados de fora das premiações competitivas vieram a receber Oscars honorários pelo conjunto da obra, prêmios de consolação para carreiras maiores que a Academia.Entre esquecidos e vencidos o Oscar atravessou décadas desde sua primeira edição em 1929 e chega a sua 90ª edição com o recorde inabalável de Meryl Streap com sua 21ª indicação ao prêmio pelo seu papel em “The Post – A Guerra Secreta” (The Post). Esse ano, movido pelo movimento #metoo o Oscar ganhará uma atmosfera contestatória, desafiadora que o o apresentador Jimmy Kimmel terá que mediar diante de todo o mundo. Vamos conferir o que virá amanhã a partir das 20hs com transmissão pela TNT contando com os comentários sempre sábios do homem do Oscar, Rubens Ewald Filho, um mestre no que se trata de cinema.

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MERYL STREAP TRÊS VEZES VENCEDORA E AGORA 21 VEZES INDICADA

ESTREIAS DA SEMANA : 25 DE JANEIRO 2018

MAZE RUNNER – A CURA MORTAL

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( MAZE RUNNER – THE DEATH CURE ) EUA 2017. Dir : Wes Ball. Com Dylan O’Brian, Kaya Scodelario. Giancarlo Esposito, Barry Pepper. Ficção Científica.

Os “Jogos Vorazes” já se encerraram, “Divergente” foi cancelado e parece que o modismo das distopias infanto-juvenis encerra seu ciclo com o lançamento tardio do último capítulo da trilogia de James Dasher, adaptado por Wes Ball. O filme ficou quase dois anos parado devido ao acidente sofrido pelo ator Dylan O’Brien, além da gravidez da atriz Kaya SDcodelario, mas finalmente os fãs dos corrredores do Labirinto poderão ver o fim da saga. A organização C.R.U.E.L fecha o cerco contra os fugitivos depois da traição de Teresa (Scodelario) no final do filme anterior. O tempo está curto para encontrar a cura para a praga que vitimou a humanidade, e a narrativa corrida procura mostrar os lados antagonicos desta luta. Se a bilheteria responder, não se surpreenda se vierem a investir na adaptação de mais dois livros ligados à saga que servem de prólogo à trilogia.

THE POST – A GUERRA SECRETA

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(The Post) EUA 2018. Dir:Steven Spielberg. Com Tom Hanks, Meryl Streap, Sarah Poulson, Bruce Greenwood, Mathews Ifhys. Drama.

Analista americano percebe a futilidade da ação do governo no Vietnã além de um jogo político orquestrando os eventos. este resolveu copiar documentos secretos que viriam a se chamar os Pentagon Papers (Papeis do Pentágono). Kay, a dona do jornal Washington Post está assumindo a direção do jornal quando o jornal mais famoso dos EUA, o New York Times publica parte desses papéis e por causa disso são perseguidos pelo governo que os acusa e faz ameaças. Por uma série de circunstancias, um dos jornalistas do Post, vivido pelo ótimo Bob Odenkirk (o Saoul) consegue acesso ao colega e assim obtém as muitas páginas que ainda faltavam (basicamente revelando como todos os presidentes americanos que se sucederam foram canalhas para fingirem que estão ganhando a guerra, mesmo que isso significasse sacrificar soldados norte-americanos). Esses papeis então publicados pelo Post são altamente polêmicos, mas reais e cabe a Kay arriscar publicá-los, correndo o risco de falir seu jornal. O tema é de difícil degustação para o público brasileiro que desconhgece os fatos mostrados. Além de arrastad0, o filme tem narrativa confusa só se salvando pela presença sempre positiva de Meryl Streap, pela primeira vez tgrabalhando com Steven Spielberg. Em tempos de presidência Trump o filme de Spielberg surge como um recado para o atual ocupante da Casa Branca: A imprensa está de olho, os presidentes mentem e sacrificam tudo para se manter no poder. Nesse sentido o filme torna-se um curioso relato do passado com vistas para o presente.

NUNCA ESTIVEMOS SOZINHOS – CONTATOS ALIENIGENAS NO CINEMA & NA LITERATURA

Nossa vã filosofia sempre ponderou sobre a existência de vida em outros planetas, matematicamente aceito mas nunca cientificamente provado. O cinema e a literatura costumam se apropriar da ideia e explorá-la ao sabor da criatividade e da ilimitada imaginação.

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Em 1953 Arthur C.Clarke (autor de “2001 – Uma Odisséia no Espaço”) publicou “O Fim da Inocência” (Childhood Ends) sobre uma invasão de extraterrestres que cria na Terra um governo global, único e pacífico. Os seres jamais são vistos e proíbem as viagens espaciais além de banir as armas de fogo, relegando a humanidade a uma existência dedicada às artes e ciência. Um grupo de resistência se forma para buscar a verdade sobre os visitantes. Publicado em pelo período da guerra fria, o livro de Arthur C. Clarke questiona o preço da paz, na mesma medida que tanto investiga a natureza dos visitantes quanto discorre a respeito de nossa própria natureza ao sermos confrontados com o fim do livre-arbítrio. Em 2015, uma mini-série de Tv foi produzida adaptando a obra, que ainda não teve uma versão para o cinema à altura desta ou de seu autor. Dois anos antes da publicação do livro, Robert Wise filmou e lançou “O Dia em que a Terra Parou” (The Day The Earth Stood Still) mostrando a chegada do alienígena Klaatu, que vem  ao nosso planeta para trazer um importante alerta do qual depende o futuro da raça humana. Muito melhor que a refilmagem de 2008 com Keanu Reeves, o filme de 1951 causou grande assombro com sua mensagem anti-belicista em plena era do Macartismo. O escritor britânico H.G.Wells foi o primeiro, no entanto, a mostrar os efeitos de uma vista extraterrestre no clássico “A Guerra dos Mundos” (The War of The Worlds) publicado em 1898, e adaptado em 1953 e 2005. Mas, em vez de divagações filosóficas sobre a vida em outros planetas, o livro de Welles traça um paralelo crítico do imperialismo inglês. Outro contato devastador com alienígenas foi narrado pelo autor Jack Finney em “Invasores de Corpos” (The Body Snatchers) de 1955. Nele, os extraterrestres são incorpóreos e assumem a forma humana quando as pessoas adormecem. A história já foi filmada várias vezes, mas as melhores versões são as filmadas em 1956 e 1978.

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A ufologia, ciência não reconhecida devido ao seu caráter especulativo, já serviu de inspiração para o campo da ficção como na série “Arquivo X”, tratando de avistamentos, abduções, experiências secretas e outros fenômenos não explicados pela ciência. O renomado cientista norte americano Professor J. Allen Hynek (1910-1986) formulou uma gradação para medir os fenômenos ufológicos considerando primeiro grau para os avistamentos à distância, segundo grau para os efeitos físicos gerados pelo encontro e terceiro grau para a comunicação com os eventuais tripulantes de um disco voador. Deste último, Steven Spielberg aproveitou-se para o ótimo “Contatos Imediatos do 3º Grau” (Close Enconters of the Third Kind) de 1978, que teve o próprio Professor Hynek como um dos consultores. O realismo e a seriedade com que o tema é tratado impressiona, assim como foi o romance “Contato” (Contact) escrito por Carl Sagan em 1983 e filmado em 1997. Na obra de Sagan ceticismo e fé formam dois polos conflitantes em torno dos quais os personagens se veem divididos quando uma mensagem vinda do distante sistema Veja chega à Terra.

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AGRÓGLIFO

Mensagens de seres de outros mundos são como são tomados as Linhas de Nasca na Cordilheira dos Andes e os agróglifos (círculos nas plantações) observados em várias partes do mundo, principalmente no Reino Unido, e que já ganharam versão romanceada no cinema em “Sinais” (2003) de M.Nigh Shymalan. Há registros de tais círculos desde o século 17, mas sua popularização se deu a partir da década de 70, embora nunca tenham sido provados como sendo de origem extraterrestre, os belos desenhos vistos do alto já foram associados a fenômenos naturais, ação do homem, ou alienígenas. Estes, entraram definitivamente para cultura pop e conforme “Homens de Preto” (Men in Black) de 1997, já estão entre nós há muito tempo. Os afeitos a tramas conspiratórias acreditam que o governo americano mantem seres de outro planeta em cativeiro e que manipulam em segredo tecnologia alienígena. Casos como Roswell, Tunguska e até mesmo em Varginha, Minas Gerais inflamam a mente embora o governo negue a todo momento, mas ainda assim fazem pesquisas na misteriosa Área 51 no deserto de Nevada, onde qualquer um que se aproxima é fuzilado em nome da segurança nacional. O roteirista e ator Simon Pegg curtiu a ideia de invadir as imediações do local e encontrar um genuíno ser extraterrestre em “Paul – O Alien Fugitivo” (Paul) de 2011, uma parodia do “E.T” (1982) de Steven Spielberg.

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A verdade, que buscamos, está em algum lugar e um dia chegará e talvez possamos encontrar um sentido similar à saudação KLATU BARADA NIKTO, ou ainda esteja para ser escrito, encenado, montado no campo da ficção uma visão mais próxima da chegada desse futuro.

ESTREIAS DA SEMANA : 28 DE JULHO

JASON BOURNE. (Jason Bourne) EUA 2016. Dir: Paul Greengrass. Com Matt Damon, Tommy Lee Jones, Alicia Vikander, Vincent Cassell, Julia Stiles. Ação.

jason bourne

Quarta aventura de Matt Damon como o espião Jason Bourne em um roteiro original co-assinado pelo diretor. Faz mais sentido para quem viu os filmes anteriores (A Identidade Bourne de 2002, A Supremacia Bourne de 2004 e O Ultimato Bourne de 2007), lembrando que ainda existe uma franquia derivada iniciada em 2014 com Jeremy Renner no papel do espião Aaron Cross (O Legado Bourne) e que em breve terá sequência independente dos filmes estrelados por Damon . Nesse quarto exemplar, Bourne se vê levado a sair do anonimato para desvendar verdades escondidas ligadas ao seu passado e relacionados a uma misteriosa operação governamental. Atentem para uma excelente sequência de perseguição de carros em Las Vegas que durou cinco semanas para ser filmada ao custo de 170 carros destruídos.

O BOM GIGANTE AMIGO (The Big Friends Giant) EUA 2016. Dir: Steven Speilberg. Com Ruby Darnhill, Mark Rylance, Bill Hader. Fantasia.

o bom gigante

Lançado pouco tempo atrás nos Estados Unidos, o filme de Spielberg teve uma péssima recepção de público e naufragou nas bilheterias. A história é adaptada do livro homônimo de Road Dahl (o mesmo autor de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” e “Matilda”) publicado em 1982. A história mostra Sophie, uma menina orfã (Ruby Barnhill) que faz amizade com um gigante de bom coração e embarcam em uma jornada onde enfrentarão gigantes maus devoradores de pessoas. A fábula de Dahl segue a linha do escritor em trazer uma mensagem positiva ao final, moralizante. O autor sabia como escrever histórias capazes de tocar o coração de crianças e adultos. A personagem Sophie foi inclusive batizada com o nome da neta de Dahl, que completaria 100 anos em setembro desse ano. O filme reune Spielberg com Melissa Mathison, roteirista de E.T. Em 1989, já havia acontecido uma adaptação em forma de animação.

MAKE & REMAKE : A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE

A partir de agora estarei ocasionalmente postando artigos sobre as refilmagens de grandes filmes. Para começar escolhi uma das obras literárias que mais me encantou quando criança e que vim a assistir na fase áurea da “Sessão da Tarde” : A história de um chocolateiro recluso em sua fábrica que mais parece um parque de diversões. Cinco crianças são escolhidas ao acaso para entrar nesse mundo mágico onde ao final receberão um prêmio inestimável, cada uma delas um reflexo da educação distorcida recebida, menos uma cuja vida será modificada para sempre. Falar em linhas gerais assim não permite alcançar a magia ou a mensagem de seu autor, o galês Road Dahl, que completa seu centenário em setembro desse ano, data aguardada por seus herdeiros e fãs com um grande evento, o “Road Dahl Day” conforme anunciado no site oficial “roaddahl.com”.

WILLY WONKA

VERSÃO DE 1971 : WILLY WONKA – GENE WILDER

A história da fábrica de chocolate foi publicada em 1964, traduzido para mais de 30 idiomas e adaptado duas vezes para o cinema, tendo se tornado uma das fábulas mais amadas de duas gerações : As que tiveram Gene Wilder como Willy Wonka em 1971 e, mais de 30 anos depois, aqueles que a conheceram com a performance de Johnny Depp. Sua criação, no entanto, foi em parte influenciada por fatos reais vividos por seu autor.

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WILLY WONKA – VERSÃO JOHNNY DEPP

Por volta dos treze anos, Dahl estudava na Repton School, em Derbyshire, que costumava receber caixas de chocolate da tradicional fábrica Cadbury, a marca preferida dos ingleses e, mundialmente, uma das maiores concorrentes de nomes como a Nestlé, Hershey ou a Ferrero Rocher. As crianças escolhidas provavam os produtos antes de sua comercialização, e em retribuição, a Cadbury dava a Dahl e aos demais os deliciosos produtos da empresa. Dhal, inclusive,  sonhava  em inventar uma nova barra de chocolate que chamasse a atenção da empresa fundada por John Cadbury no final do século XIX. O episódio  foi a inspiração anos mais tarde para que Dahl escrevesse a história de Charlie Bucket, o menino, que junto a  outras quatro crianças, é sorteado com o bilhete dourado que os levará a um passeio pela fábrica do recluso chocolateiro Willy Wonka.

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NÃO É FILME. É REAL. DOCETERIASABORPERFEITO

Road Dahl repudiou a adaptação cinematográfica de 1971. A princípio, o próprio autor ficara a cargo da adaptação do texto, mas a demora em cumprir os prazos fez com que ele fosse substituído por David Seltzer. As mudanças que se seguiram na história desagradaram muito ao autor. Primeiro, ele repudiou a escolha do ator americano Gene Wilder para o papel de Willy Wonka, que para o autor não era o principal personagem e foco da narrativa, e sim o menino Charlie. Como a Quaker Oats era a patrocinadora do filme para o qual investira 3 milhões de dólares, chegando a produzir barras de chocolate Wonka como parte da campanha promocional, o título do filme veio a ser rebatizado “Willy Wonka and The Chocolate Factory”. Lamentavelmente, as barras de chocolate derretiam muito rápido e tiveram que ser recolhidas das lojas antes que estragassem. Das canções escritas pelo próprio Dahl, somente uma delas foi usada, sendo as demais canções compostas exclusivamente para o filme. Na sequência em que a menina Veruca é eliminada da competição, o texto original traz esquilos que separam as nozes boas das ruins. A menina Veruca invade a sala dos esquilos porque quer ter um dos animais e, por isso, é jogada fora da sala pelos próprios animais. No filme de 1971, os esquilos são trocados por gansos e as nozes por ovos. Na versão de Tim Burton de 2005, os esquilos e as nozes são mantidos. As filmagens foram feitas na Alemanha e foi difícil para o departamento de elenco encontrar pessoas de baixa estatura para interpretar os divertidos Oompa Loompas, pois durante a era nazista anões e outras pessoas consideradas imperfeitas eram simplesmente mortas. Os pequeninos, incluindo entre eles uma mulher, não falavam inglês e tiveram grande dificuldade para cantarolar os números musicais. Além disso, os cenários extremamente coloridos despertaram comentários maldosos de que o filme parecia uma viagem psicodélica de drogas. Mais de 150 mil litros de água misturada com creme e chocolate foram usadas para criar o rio de chocolate, o que resultou em uma mistura que com pouco tempo passava a exalar um cheiro desagradável incomodando a atores e equipe, atrasando as filmagens.

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Caixinha de Chocolate

Quando Tim Burton refilmou, conseguindo permissão dos herdeiros de Road Dahl , prometeu corrigir tudo o que o filme de Mel Stuart modificou. Além de ter mantido o título original (Charlie & The Chocolate Factory), Burton foi mais fiel ao texto. A escolha de Johnny Depp, que era alérgico a Chocolate quando criança,  para o papel de Wonka, no entanto, deu ao personagem um visual por demais caricatural e preso aos maneirismos do ator. Ainda assim, a fidelidade do filme à obra é mais visível e ganha uma exata dimensão na tela a cada criança eliminada. As canções originais de Dahl foram utilizadas (quatro delas) e a sequência dos esquilos, trocados por gansos no filme anterior, mantida tal qual no livro. Para os Oompas Loompas Burton usou o ator Deep Roy multiplicado digitalmente para parecer que são centenas de individuos, sendo dublado  nas sequências musicais  por Danny Elfman, cantor, compositor e eventual colaborador de Burton. O papel de Wilbur Wonka (Christopher Lee), pai de Willy, foi escrito especificamente para o filme, não existindo portanto no livro.

A carreira de Dahl, no entanto, foi ainda maior que a de um escritor de histórias infantis, tendo escrito contos de terror e até roteiros de filmes como “Com 007 só se vive duas vezes” com Sean Connery. Recentemente, o livro “O Bom Gigante Amigo” (The Big Friendly Giant) que Dahl escrevera em 1982, e para o qual batizou a protagonista com o nome de sua neta Sophie, recebeu adaptação feita por Steven Spielberg. Nele, o autor fala da inusitada amizade entre uma menina humana e um gigante de bom coração, voltando a falar dos rejeitados, dos obstáculos impostos em uma realidade misturada à fantasia, conseguindo agradar crianças e adultos.

Surpreendam-se mas temos nossa própria versão de Willy Wonka no site “doceteriasaborperfeito.com”. Ana Paula Pires cria deliciosos bolos e tortas de chocolate, além de outras surpresas. Ela disfarça que seu sobrenome real é Wonka e emprega genuínos Oompa Loompas para criar sua própria fábrica fantástica de bolos e doces. Experimentem acessar o site. Até Johnny Depp já o fez !

CLASSICO REVISITADO : OS 30 ANOS DE “O ENIGMA DO PIRÂMIDE” 

o ENIGMA DA PIRAMIDE                   Todos reconhecem a figura de Sherlock Holmes e ninguém duvida que o personagem está mais popular do que nunca : Dois filmes dirigidos por Guy Ritchie estrelados por Robert Downey Jr, série de sucesso da BBC estrelada por Benjamim Cumberbatch, além da versão americana “Elementary” estrelada por Johnny Lee Miller e Lucy Liu. Há 30 anos, antes de jovens bruxos ou revolucionários em distopias, houve um Sherlock Holmes adolescente produzido por ninguém menos que Steven Spielberg.

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Nicholas Rowe em foto recente

Em 4 de Dezembro de 1985 quando o filme “O Enigma da Pirâmide” (Young Sherlock Holmes) estreou nos Estados Unidos, o célebre detetive ainda não era de domínio público. O filme reuniu os talentos de Steven Spielberg (produtor executivo), Chris Columbus (roteirista) e Barry Levinson (direção). Columbus, que dirigiu os dois primeiros filmes da franquia Harry Potter, e mais recentemente, “Pixels” com Adam Sandler, foi extremamente respeitoso à obra de Conan Doyle. O roteiro imagina como Holmes e Watson teriam se conhecido mais jovens já que em “Um Estudo em Vermelho” (A Study in Scarlett), primeira aventura literária de Holmes, o detetive e seu fiel escudeiro já são homens adultos.

O ENIGMA DA PIRAMID 4 FOTOS

O filme, que estreou em dezembro de 1985, é narrado por um Watson recém chegado a um colégio interno de prestígio na Londres Vitoriana e conhece seu colega de quarto, Sherlock Holmes, um estudante brilhante mas considerado arrogante demais. Ambos são mostrados como se estivessem entre seus 15 e 18 anos, sendo Holmes um jovem que embora seja capaz de brilhantes deduções, ainda se permite sentir emoções e mantém um namoro com Elizabeth Hardy (Sophie Ward), sobrinha do renomado Professor Waxflatter (Nigel Stock). Seu grande rival na escola é o almofadinha Dudley (Earl Rhodes) que divide as atenções de Elizabeth e que está constantemente desafiando Holmes. Contudo, a maior aventura deste seria vivida além dos muros da escola quando o jovem suspeita que há uma bizarra ligação entre mortes misteriosas de figuras de respeito na sociedade londrina. Apesar de ter seu raciocínio desprezado pelo Sargento Lestrade (futuro Inspetor da Scotland Yard nos livros de Conan Doyle), Holmes e Watson investigam as pistas e descobrem que as mortes são causadas pelo Rami Tap, um culto egípcio que busca vingança de uma expedição arqueológica que no passado profanou a tumba de princesas egípcias. A medida que a investigação se aprofunda vários elementos das histórias Sherlockianas (o chapéu, o cachimbo etc…) são introduzidos, sempre seguindo os cânones escritos por Conan Doyle, tudo precisamente … elementar.

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Nada é o que parece 

Mesmo a abertura do filme com sombras caminhando nas ruas vitorianas é uma homenagem aos filmes estrelados por Basil Rathbone ao longo da década de 40. O desenrolar da trama (que não ousarei estragar aqui apesar de ser um filme já reprisado bastante na TV) revelará vários traços das histórias do personagem: As razões para sua personalidade fria e distante, a cumplicidade com Watson e, sobretudo, a gênese de seu arquiinimigo o Professor Moriarty. No Brasil, o filme chegou em Maio de 1986, e causou surpresa com a primeira imagem em CGI usada no cinema : O cavaleiro medieval saído do vitral da igreja na alucinação do padre Duncan Nesbitt (Donald Eccles). O efeito foi desenvolvido depois de quatro meses pelo talentoso John Lasseter que anos depois viria a se tornar um dos homens fortes da Pixar, e responsavel por “Toy Story”. Foi o primeiro filme de cinema produzido pelo ator Henry Winkler (o Fonzie da clássica série de tv “Happy Days” e co-produtor da igualmente clássica “MacGyver”), o filme foi premiado com o “Saturn Awards” e indicado ao Oscar de melhor efeitos. O orçamento de $18.000.000 não se tornou nenhum fenômeno de bilheteria e chegou a ser criticado por muitos como uma versão menor de “Indiana Jones e o templo da perdição”, já que Holmes enfrenta uma seita profana bem similar.

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Nicholas Rowe, o Sherlock, era escossês e tinha 19 anos na época. O ator se afastou do circuito Hollywoodiano apesar de alguns papeis de menor proporção como recentemente em “Mr. Holmes” em que o grande detetive é interpretado por Sir.Ian Mckellan. Já Watson foi vivido, aos 15 anos,  por Alan Cox, filho do ator Brian Cox (A Supremacia Bourne, REDS Aposentados & Perigosos), se tornou produtor e ator em várias produções de TV.

Em meio a vários filmes protagonizados por jovens ou adolescentes heroicos como em franquias milionárias do tipo “Maze Runner”, “Jogos Vorazes” ou “Harry Potter”, o público poderia ter tido sequências desse Sherlock juvenil, aprovado na época pela própria Jean Conan Doyle, filha do criador do detetive que alcançou uma importância indelével no imaginário popular.

BOND 12 : 007 SOMENTE PARA SEUS OLHOS

Depois de 4 filmes consecutivos de Roger Moore como James Bond, o público começava a se cansar do clima de deboche que diluía demais as tramas dos filmes. Na verdade, o próprio Roger Moore nitidamente se levava nada a sério na figura de um super-espião, transformando-o em um bon-vivant que, casualmente salvava o mundo. O ator repudiava qualquer cena que mostrasse Bond matando a sangue frio. No início da década de 80, Broccoli – agora com o comando absoluto dos filmes – decidiu fazer uma aventura mais séria, com o pé no chão, se aproveitando  de um dos contos do 8º livro escrito por Ian Fleming, lançado originalmente em 1960.Este foi o primeiro de duas coletâneas de contos de 007, dos quais os roteiristas Richard Maibum e Michael G.Wilson se aproveitaram dos contos “For Your Eyes Only” (o assassinato dos Havelock e a busca de vingança de sua filha Judy), e “Rísico” (o vilão Kristatos e o contrabandista Colombo).

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No filme, o casal de arqueólogos gregos, os Havelock, auxiliam o governo britânico a localizar o ATAC, um moderno aparelho comunicador capaz de controlar mísseis nucelares. São assassinados e sua filha Melina (Judy no livro) se junta a Bond em sua busca de vingança contra o vilão Kristatos, um agente duplo que planeja vender o ATAC a quem pagar mais. Desde a década anterior, Broccoli tentava entrar em acordo com Kevin McClory que tinha os direitos autorais de Brofeld e da Spectre, elementos dos livros de Bond que criara em conjunto com Ian Fleming. O letígio entre Fleming e McClory deu a este último a palavra final sobre a utilização desses elementos e ainda o direito de refilmar “007 Contra a Chantagem Atômica”, o que viria a acontecer nos anos seguintes. Não chegando a um acordo, Brocolli apenas deixa insinuar que o vilão morto por Bond no início do filme é Brofeld, através da aparência física, mas sem jamais usar o nome. Bond também visita o túmulo de Tereza, sua esposa morta em “007 A Serviço de Sua Majestade”. O vínculo criado entre os filmes já aponta que o roteiro leva Bond por uma narrativa mais séria, ao som da canção tema cantada pela cantora Sheena Easton.

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MELINA NÃO ERA APENAS MAIS NOVA QUE BOND MAS ERA DURONA E VINGATIVA.

No elenco, Roger Moore já demonstrava estar cansado do papel, mas renegociou seu contrato por uma valor nunca revelado. A atriz francesa Carole Bouquet, então com 24 anos, fez uma Bondgirl mais ativa na ação, independente do heroico super-espião. Curiosente, no filme Bond dispensa os avanços sensuais de Bibi (a atriz e patinadora profissional  Lynn Holly Johnson)  que era, na verdade, apenas um ano mais nova que Bouquet, ambas mais novas que o já cinquentão Roger Moore.  A personagem da Contessa Lisl era interpretada por Cassandra Harris, na época casada com o futuro James Bond Pierce Brosnan. Cassandra morreu pouco depois de câncer, o mesmo mal que consumira o ator Bernard Lee, o M que por isso não aparece no filme, sendo este o único filme de Bond sem o personagem. Broccoli o homenageou alegando que M estava de ausente devido a uma licença.

ROGER MOORE PASSPOU MAUS BOCADOS POR SEU MEDO DE ALTURA AO FAZER ESSA CENA AINDA QUE TENHA TIDO DUBLÊ.

ROGER MOORE PASSOU MAUS BOCADOS POR SEU MEDO DE ALTURA AO FAZER ESSA CENA AINDA QUE TENHA TIDO DUBLÊ.

O filme foi um estrondoso sucesso de bilheteria, rendendo mais que o dobro de seu orçamento estimado de $ 28 milhões, chegando a mais de $ 100 milhões internacionalmente, o que salvou o estúdio da United Artists que estava às portas da falência depois do fracasso de “O Portal do Paraíso” (Heaven’s Gate) de Michael Cimino). De qualquer forma, o filme funciona, tem um roteiro envolvente e ótima performance de Roger Moore, sendo superior ao filme anterior “007 Contra o Foguete da Morte” e ao filme seguinte “007 Contra Octopussy”. Quase que “007 Somente Para Seus Olhos” (For Your Eyes Only) foi dirigido por Steven Spielberg, que chegou a conversar com Broccoli. No entanto, este recusou as investidas de Spielberg alegando que queria manter um diretor britânico para a série. Foi com a recusa amarga que Spielberg juntou-se a George Lucas para criar Indiana Jones. Isso é claro é outra história.

BOND VOLTA AO BLOG EM SEGUIDA COM “007 CONTRA OCTOPUSSY”

REENCONTRO : ELENCO DE “DE VOLTA O FUTURO”

CHRISTOPHER LLOYD (DR. EMMET BROWN), LEA THOMPSON (LORRAINE ) & MICHAEL J.FOX (MARTY MCFLY) HOJE.

CHRISTOPHER LLOYD (DR. EMMET BROWN), LEA THOMPSON (LORRAINE ) & MICHAEL J.FOX (MARTY MCFLY) HOJE.

” O passado é prólogo”, disse certa vez o ator Christopher Lloyd ao ator Michael J.Fox quando ambos se reencontraram no estudio de filmagem da sitcom “Spin City”, que Fox estrelou na segunda metade da década de 90. A citação se faz valer mais uma vez já que o elenco original do filme “DE VOLTA PARA O FUTURO” (Back to the Future) se reencontrou em evento em Londres no último dia 17, 30 anos depois do lançamento original do filme que se tornou uma elogiosa trilogia dirigida por Robert Zemeckis e produzida por Steven Spielberg. O filme chegou aos cinemas norte americanos em 3 de Julho de 1985 e constantemente reprisado na Tv, relançado em várias mídias, renovando seus fans e criando, ao menos em nossas mentes e corações, que um dia possamos viajar no tempo e corrigir o que foi errado. Continuamos a olhar para o futuro !!

CLÁSSICO REVISITADO : OS 40 ANOS DE “TUBARÃO”

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Tenho que confessar: Desde que assisti “Tubarão” “  (Jaws) – quando criança – desenvolvi um medo irracional de água. Acredito que outros como eu já foram à praia e ouviram os acordes do tema orquestrado por John Williams, uso maestro da sinestesia, trocando o visual pelo áudio para manipular nossas sensações. Assim como Hithcock magistralmente fez, a expectativa guiada, manipulada até atingir um ponto em que realidade e a fantasia tornam-se uma única dimensão em nossas mentes. Spielberg conseguiu dominar a cena, da mesma forma, forçado pelas limitações técnicas naquela primeira metade da década de 70. O tubarão mecânico (apelidado por Spielberg de “Bruce”) simplesmente não funcionava, e quando filmado tornava várias tomadas risíveis. Logo, Spielberg guarda o visual da criatura para o terço final do filme, um embate a la “Moby Dick” protagonizado pelo trio central da trama: O biólogo Hooper (Richard Dreyfuss), o chefe de polícia Brody (Roy Scheider)  e o caçador Quint (Robert Shaw), este um tipo similar ao Capitão Ahab amargurado, psicótico e obsecado. A cena em que o Chefe Brody diz “Vai precisar de um barco maior” (You’re gonna need a bigger boat) preconiza que os papéis de caçador e caçado, predador e presa se inverterão e dá o primeiro vislumbre à plateia de que a missão não será tão simples. A voracidade do animal que os caça espelha a obsessão de Quint e ambos tornam-se igualmente ameaçadores para a sobrevivência do grupo.

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A obra original, o livro de Peter Benchley foi adaptado pelo próprio em parceria com Carl Gotlieb, que fizeram algumas mudanças na história: No livro, o Xerife Brody não percebe que sua obstinação em matar o monstro do mar o afasta da família e sua esposa Ellen (Lorraine Gary no filme) se permite seduzir pelo oceanógrafo Hopper com quem vem a ter um caso de amor. Hopper demonstra não ter escrúpulos e também morre, devorado pela fera. O clima de suspense do filme é diluído no livro que se preocupa bem mais em desenvolver a personalidade conflitante de seus personagens, suas qualidades e defeitos. Não que essas diferenças signifiquem o que é melhor ou pior, mas são enfoques curiosos para quem gosta de comparar o original e sua adaptação. Benchley queria Paul Newman, Robert Redford e Steve McQueen para o trio central, mas a Universal rejeitou dados os problemas que McQueen tinha na época em estrelar um filme junto ao rival Paul Newman. Cahrlton Heston chegou a ser cogitado para o papel de Quint mas Spielberg recusou pois a figura de Heston era forte demais como o salvador do mundo.

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Steven Spielberg era um profissional promissor na ocasião, tendo chamado a atenção por seu trabalho na TV, no telefilme “Encurralado” (Duel)  – que muitos consideram um embrião para as filmagens de “Tubarão” – e no cinema onde filmou “Louca Escapada” (Sugarland Express). O sucesso do filme fez bem mais do que apenas  catapultar a carreira de Spielberg, praticamente criou o conceito de “Blockbuster” como o conhecemos hoje. O filme foi lançado despretensiosamente pelo estúdio (A Universal), que não acreditava no potencial do filme e planejava inicialmente lançá-lo no final do ano com olho nas indicações ao Oscar. Com o acumulo dos problemas durante as filmagens, não apenas de natureza técnica como também transtornos com o elenco. Robert Shaw hostilizava o tempo todo Richard Dreyfuss de forma que a tensão entre seus personagens era genuína. Além disso, o problema de Robert Shaw com álcool causava vários transtornos para Spielberg durante as filmagens. A cena em que Quint fala sobre o incidente com o USS Indianápolis foi feita somente depois que um arrependido Shaw pediu a Spielberg para tentar mais uma vez depois que Shaw estragou todas as tomadas por estar completamente embriagado, chegando a enfurecer Richard Dreyfuss que arrancou um copo de sua mão e o atirou ao mar.

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Antes de “Tubarão” não havia a visão do verão americano (Entre Maio e início de Agosto) como plataforma de grandes lançamentos comerciais. Mesmo “Star Wars” de George Lucas viria a ser lançado dois anos depois de “Tubarão”. O filme foi lançado em Junho de 1975, e no Brasil seis meses depois provocando efeito curioso: Inversamente proporcional ao esvaziamento das praias, os cinemas lotavam para assisitir ao filme, movidos pela propaganda boca a boca (Lembremos que não exisitia na época a Internet e suas campanhas virais). O orçamento de 8 milhões de dólares se multiplicou além das expectativas, ultrapassando a marca dos 100 milhões de lucro. Claro, que vieram sequências, nenhuma delas dirigida por Spielberg (Tubarão 2 de 1978, Tubarão 3 de 1983 e Tubarão A Vingança de 1987) além de inúmeras imitações como o italiano “O Último Tubarão” (L’Ultimo Squalo) que chegou ao ponto de copiar sequencias inteiras isso sem mencionar nas retomadas do tema feitas em plena era da computação gráfica como “Do Fundo do Mar” (Deep Blue Sea) de 2003 ou a recente produção do Sci Fi Channel “Sharknado”. Nenhuma delas eficiente em criar com criatividade e estilo o que Spielberg fez em 1975. Benchley se arrependeu de ter escrito o livro, pois acredita ter deturpado a noção sobre os Tubarões, John Williams ganhou o Oscar em uma cerimônia em que ele próprio conduzia a orquestra da Academia, Spielberg ganhou o apelido de Midas das telas, a fala de Roy Scheider (Vai precisar de um barco maior) tornou-se a 35ª entre as melhores do cinema de acordo com o AFI (American Film Institute), a Entertainment Weekly o escolhei o 6º filme mais assustador de todos os tempos. Sem duvida nenhuma, ninguém suspeitava há 40 anos atrás que esse seria um filme maior. Mas o meu medo da água permanece.

CLÁSSICO REVISITADO : OS 30 ANOS DE “OS GOONIES”

Eu tinha 15 anos e assistia ao Fantástico que exibia o mais novo clip da cantora Cindy Lauper “The Goonies ‘r good enough”. Aquela voz deliciosamente estridente dava o tom de uma divertida aventura cinematográfica, que na época estava prestes a estrear no Brasil. Era dezembro de 1985, seis meses depois da estreia nos Estados Unidos. Os realizadores eram um time em perfeita harmonia : A produção de Steven Spielberg, a direção de Richard Dooner e o roteiro de Chris Columbus (futuro diretor dos dois primeiros filmes de Harry Potter). Juntos, eles trouxeram para as telas uma aventura para toda a família, capaz de empolgar os jovens e, ao mesmo tempo, despertar a criança interior de qualquer adulto.

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Claro que o elenco infantil era um achado: Mickey (Sean Astin), Dado (Ke Huy Quan), Bocão (Corey Feldman) e Gordo (Jeff Cohen) formam o grupo dos Goonies (em referência às docas Goon, lugar onde os personagens moram na área costeira da cidade de Astoria, no estado americano do Oregon). Quando a família de Mickey é ameaçada de despejo por falta de pagamento da hipoteca, os garotos partem em busca do tesouro de Willie Caolho, um pirata que habitou a região há séculos. Ao grupo se junta, Brandt, o irmão mais velho de Mickey e as meninas Andy e Stef, que vivem a aventura de um vida pelos subterrâneos da cidade até a caverna em que o Inferno, o galeão de Willie o caolho guarda uma fortuna em pedras preciosas e joias. Além das armadilhas ao longo do caminho, o grupo ainda precisa driblar os Fratelli, uma família de gangsters procurada pela polícia. Mas, recebem a inesperada ajuda de Sloth ( o ex jogador de futebol americano Paul Mazursky, já falecido) , membro rejeitado dos Fratelli de força física descomunal mas a mentalidade de uma criança. Sloth faz amizade logo com o Gordo com quem compartilha de uma paixão…. CHOCOLATE !!!!!!!.

SLOTH QUER CHOCOLATE !!!

SLOTH QUER CHOCOLATE !!!

Durante 1 hora e 54 minutos, somos levados a uma contagiante aventura que basicamente reúne um time de batutinhas em uma aventura  tal qual clássicos como “A Ilha do Tesouro”. O filme não esconde a intenção de homenagear as antigas matinês como por exemplo o galeão de Willie o Caolho, construído por inteiro pelos técnicos dos estúdios Warner para ser uma réplica do navio usado por Errol Flynn no clássico “O Gavião do Mar”. Para assegurar autenticidade e espontaneidade de seu elenco, Dooner não mostrou o navio para ninguém antes das filmagens da sequência final. Outra pegadinha é quando Sloth tira a camisa e revela o sinal do Superman no peito, uma brincadeira com seu diretor Richard Dooner que realizou o primeiro filme do herói de Krypton com Christopher Reeve em 1978. A Família Fratelli, os vilões da história, é inspirada na famigerada Mãe Parker que nos anos 30 aterrorizava Chicago com seus filhos assaltantes. Anne Ramsey, a Mama Fratelli, é mais lembrada por seu papel em “Joga a Mamãe do Trem” (1987) de Danny DeVito. Robert Davi, o Jake Fratelli chegou a ser vilão de filme de James Bond e já foi cantor de Ópera, logo quando canta no filme, é sua própria voz. Entre as crianças, somente Cohen, o Gordo, não teve carreira no cinema apesar de frequentes aparições em seriados de TV da época. A sequência em que chora ao ser interrogado pelos Fratelli e admite, inocentemente, a autoria de várias estripulias infantis é antológica. O ator coreano Ke Quan foi o Short Round de “Indiana Jones & O Templo da Perdição”, filmado um ano antes. Corey Feldman teve carreira prolífica na década de 80 em vários filmes antes de naufragar sua vida e carreira nas drogas, das quais veio muito depois a se recuperar. Os dois Goonies mais conhecidos depois de adultos foram os irmão Walsh: Sean Astin (o Mickey) foi o Hobbit Samwise na trilogia “O Senhor dos Anéis” e Josh Brolin (Brandt) trabalhou em filmes como “Homem de Preto 3” e “Onde os Fracos Não tem Vez”.

oS gOONIES EM 1985

oS gOONIES EM 1985

Rumores de uma continuação constantemente surgem, geralmente apontando que os filhos dos personagens originais seriam os protagonistas de uma nova aventura. De qualquer forma, “Os Goonies” tornou-se um dos filmes mais cultuados de sua época, entrou para a memória afetiva de quem o assistiu nos cinemas ou nas reprises da Sessão da tarde global. Quem sabe ainda possamos mostrar aos nossos filhos a magia voltar, novos tesouros a encontrar. Eu, do meu lado, sou hoje um Goonie de 45 anos ainda à procura do tesouro de Willie Caolho, e como diz o personagem de Sean Astin, do nosso próprio tempo.

OS GOONIES HOJE

OS GOONIES HOJE