GRANDE ESTREIA : DUMBO

             A Disney vem sendo bem-sucedida em suas transposições da animação para o live-action. Embora já tivesse feito uma tentativa com “101 Dálmatas” (1990) foi mais recentemente que a casa de Mickey Mouse passou a explorar efetivamente o filão. Foram mais de $200 milhões com “Cinderela” em 2015, mais de $300 milhões com “Mogli” em 2016 e mais de $500 milhões com “A Bela & A Fera” em 2017, e isso em termos de bilheteria doméstica (território americano) de acordo com o site “boxoffice mojo”. Só esse ano ainda já temos programado “Aladim”, “Rei Leão” e estreando agora “Dumbo”, reunindo Michael Keaton e Danny DeVito com Tim Burton, além de Eva Green, Colin Farrell e Alan Arkin.

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             A história do filhote de elefante com orelhas enormes se conecta com um mundo onde estamos constantemente debatendo temas como bullying e intolerância com o que é diferente. A história, no entanto, data de um livro infantil publicado em 1939 e escrito pelo casal Helen Aberson e Harold Pearl. Reza a lenda que a história já havia sido usada no formato “rool-a-book”, espécie de livro com slides, mas nenhuma cópia deste existe. O filme de Tim Burton se baseia mais no livro do casal Aberson-Pearl que na clássica animação de 1941, o que significa algumas diferenças serão observadas, como a falta de animais falantes. Assim como Dunga em “Branca de Neve & Os Sete Anões” (1938) ou Gideon o gato de “Pinoquio”, o simpático elefantinho não verbaliza, mas é mais humano em seus sentimentos que os homens que exploram os animais no circo. O pequeno elefante recebe seu nome como um trocadilho de Jumbo com “Dumb”, que em inglês significa “Estúpido”. Mesmo com o dom de vôo graças a suas orelhas, o animal conhece a indiferença e, depois, a ganância do homem que explora os animais do circo e que tem na figura de Michael Keaton a personificação da vilania. Fica claro, à medida que a história segue, que o que nos faz ser atacados também pode ser transformado em superação e força.

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         Quando o próprio Walt Disney tomou conhecimento do livro não se interessou a princípio, mas foi convencido e, assim, viu a oportunidade de transpor para as telas a belíssima mensagem por trás de seu protagonista, além de se recuperar financeiramente dos altos gastos que tivera com “Fantasia” um ano antes. A época de sua realização o mundo estava atravessando a Segunda Guerra e a indústria do entretenimento não poderia arcar com grandes gastos já que o governo pressionava os estúdios em nome do “esforço de guerra”. Com um orçamento inferior, em relação aos outros lançamentos do estúdio, “Dumbo” foi um feliz sucesso de bilheteria com bilheteria acima da alcançada com “Pinoquio” (1940) e “Fantasia” (1940) somados. Percebe-se que o desenho é de fato mais simples, tendo os animadores do estúdio estudado os movimentos dos animais, e o fundo de várias cenas chegou a usar cores de aquarela (sim, computação gráfica não existia na época). Custou cerca de US$ 813 mil dólares e arrecadou US$1,6 milhões, mesmo depois de vários obstáculos para sua realização. O estúdio Disney foi pressionado por uma greve de cinco semanas dos cartunistas, que estourou durante a realização da película, destruindo a atmosfera amistosa que era marca do estúdio. Outra luta de bastidores se deu quando a RKO Radio Pictures, que distribuía as produções do estúdio, tomou conhecimento da metragem de 64 minutos, e forçou Disney a filmar mais material que o aumentasse ou reduzi-lo como um curta, mas ele se recusou a ambos e conseguiu garantir seu lançamento.

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          A animação de “Dumbo” tornou-se o 4º trabalho do estúdio no gênero e foi também o menor em termos de duração, contando apenas 64 minutos de projeção original. O Rato Timotheo rouba as cenas várias vezes como fiel companheiro de Dumbo, e foi criado pelo estúdio já que no livro original é um pássaro quem ajuda o herói de quatro patas. A escolha de um rato funcionou já que a sabedoria popular sempre coloca que elefantes temem ratos.

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         Público e crítica apaixonaram-se pela história do elefantinho voador quando sua estreia em outubro de 1941, chegando aos jornais e revistas especializadas como a “Variety” e o “New York Times”.  Meses depois, o personagem chegou a ser escolhido como capa da revista “Time”, que escolhia a cada ano uma foto que representasse o personagem do ano. Contudo, o ataque a Pearl Harbor mudou o rumo dos eventos, levando os Estados Unidos a ingressar no conflito e com Dumbo sendo substituído pelo General McArthur, comandante das forças americanas. A edição da Time, todavia, publicou em suas páginas internas a imagem do elefante. No ano seguinte, a belíssima canção “Baby Mine”, ouvida quando a mãe de Dumbo usa sua tromba através das grades da jaula para ninar o pequeno filhote, perdeu o Oscar de melhor canção, mas ao menos a produção triunfou como melhor trilha sonora para Frank Churchill e Oliver Wallace.

          “Dumbo” está entre os trabalhos mais apreciados pelo estúdio Disney, e o próprio pai de Mickey e Donald dizia que era um de seus favoritos. Na segunda metade dos anos 2000 John Lasseter, homem forte da Disney, chegou a considerar fazer uma sequência da animação, que acabou não acontecendo. O filme de Burton vem com a missão de trazer esta comovente história para a nova geração, e nisso reside o encanto dessas refilmagens. Em 2017, a animação original foi escolhida pela Biblioteca do Congresso Americana para ser preservado como um Tesouro Nacional. O filme de Burton, assim sendo, tem como missão resgatar um espirito nostálgico, reforçado pela ambientação logo após o final da Primeira Guerra, e a inocência de um personagem que voa com suas orelhas mas nos encanta com seu coração.

           Em breve, falarei de “Aladim” !!!

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BICENTENARIO DE FRANKENSTEIN

       IMPACTO INDELÉVEL DA OBRA DE MARY SHELLEY NAS MIDIAS E NA ARTE.

  Algumas obras literárias ultrapassam todas as barreiras de espaço e tempo além de inspirar um misto de horror e fascínio no imaginário popular. Uma autora grafou seu nome na eternidade com a mesma ousadia do personagem cujo nome ostenta o título de um dos maiores clássicos da literatura que, duzentos anos depois de sua publicação, ainda nos assombra. A criatura … Frankenstein, a criadora… Mary Shelley… este legado é nosso.

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BORIS KARLOFF: A CARACTERIZAÇÃO DEFINITIVA

 

A CIÊNCIA FRANKENSTEINIANA

          A história nasceu em uma noite de tempestade, depois de uma sugestão do poeta britânico Lord Byron (1788 – 1824), que passava um final de semana junto com o casal Percy & Mary Shelley em uma casa em Genebra, Suiça. Byron sugeriu que cada um escrevesse um conto sobrenatural para passar o tempo. Na mente de Mary povoavam ideias sobre reanimação dos mortos, inflamadas por calorosas discussões ocorridas na casa em que morava com seu pai, William Goodwin, filósofo, escritor e jornalista, que constantemente se reunia com a nata da intelectualidade de sua época.

           Era maio de 1816, e o termo cientista ainda nem existia, quando Frankenstein nasceu na imaginação de Mary Shelley, que revisitou o mito grego de Pigmalião, o escultor que dá vida à estátua de uma bela mulher. Assim, Victor Frankenstein mostra um poder similar vindo de uma ciência hipotética, identificada com as teorias galvanistas que estudavam como uma corrente elétrica se propaga em um corpo. O próprio Dr. Luigi Galvani a chamava de “eletricidade animal” pois acreditava que esta viesse dos corpos. Em 1803, em Londres, Giovanni Aldini (sobrinho de Galvani) realizou experiência similar na prisão londrina de Newgate, com o corpo de George Foster, um notório criminoso que havia sido executado. Mais tarde Alessandro Volta empregou dois arcos de metal para gerar eletricidade e mostrou que o corpo era apenas um condutor e não o gerador da eletricidade.

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CHRISTOPHER LEE : FRANKENSTEIN PELA HAMMER FILMS

A FILOSOFIA DE FRANKENSTEIN

             Mary não entrou em detalhes e imbuiu sua narrativa de divagações filosóficas sobre a vida e a morte. A autora trabalha com o arquétipo do homem da ciência que questiona a natureza com seu intelecto desprovido do freio da moralidade. A história se tornou um precursor da literatura de ficção-científica, muitas décadas à frente de Jules Verne e H.G.Wells, os pais do gênero.

            A história de Mary recebeu o subtítulo “O Moderno Prometeu” , referência ao titã da mitologia grega que roubou o fogo de Héstia para dá-lo aos homens. Como punição Zeus o acorrentou ao cume do monte Cáucaso, onde todos os dias uma ave (águia em algumas versões e corvo em outras) devorava seu fígado, que se regenerava para no dia seguinte ser devorado novamente. Este foi o preço a pagar pela ousadia de ir além dos limites estabelecidos por forças superiores, e Frankenstein encarna esse papel, fascinado pela possibilidade de criar vida.

          Sua falta de um senso de responsabilidade segue o imperativo categórico kantiano. Victor age como se bastasse seu intelecto para justificar suas ações, e nesse sentido suas ações são coerentes com sua postura de que os fins justificam os meio, é sua forma de enxergar o mundo e a si próprio, mas ao perceber o que fez, abandona a criatura. Esta, sendo um ser deformado, desperta o medo e o ódio da sociedade. Nesse momento da história, Mary Shelley bebe da fonte de Jean Jacques Rousseau (1712 / 1778) , que diz que o homem nasce puro, mas é corrompido pela sociedade. O bom selvagem do filósofo francês habita grande parte da história de Mary Shelley sempre que a criatura sofre mal tratos dos homens, o desprezo de seu criador e a incompreensão de sua própria existência. Então, a criatura inominada busca sua vingança e metonimicamente chega mesmo a usurpar o nome de seu criador. Até hoje muitos pensam que o título da obra se refere ao monstro. Quando publicado originalmente o nome da autora foi suprimido, mas a mãe de “Frankenstein” se recusou a usar um pseudônimo masculino que facilitasse sua publicação. Somente na reedição de 1823 seu nome veio a ser creditado como a autora.

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ROBERT DE NIRO NA VERSÃO MAIS FIEL À OBRA DE SHELLEY

OS FOCOS NARRATIVOS

           A narrativa de Mary se divide em três pontos de vista que conduzem o leitor pela história: Começa com o Capitão Robert Walton que encontra Victor Frankenstein à deriva no Ártico, o acolhe e ouve sua história, relatando-a depois à sua irmã Margareth através de cartas. O foco muda da terceira para a primeira pessoa quando um Victor Frankenstein moribundo conta com suas próprias palavras os infortúnios sofridos nos levando de Geneva a Ingolstad na Alemanha a medida que revela sua profana experiência. Nova mudança ocorre quando Mary Shelley dá voz ao monstro, que conta o que se sucedeu desde o momento de seu “nascimento” no laboratório de Frankenstein, quando cria consciência de sua existência e em surpreendente auto-didatismo desenvolve linguagem observando uma família. A autora ainda faz uso da intertextualidade através de “Paradise Lost” de John Milton. Shelley possibilita assim que o leitor crie seu próprio julgamento a respeito dos papeis de criador e criatura, sobre quem é o verdadeiro monstro: o cientista egocêntrico que abandona a sua criação, a sociedade que rejeita o monstro como algo diferente,  ou a criatura abandonada e rejeitada.

             A mesma essência é mais tarde retomada em obras de outros autores que fizeram da obra de Shelley  fonte de inspiração e referência como os replicantes de Phillip K.Dick em “Do the Androids dream of electronic sheep?”, obra que inspirou o filme “Blade Runner”, o protagonista de “Edward Mãos de Tesoura” de Tim Burton, entre outras que exploraram o tema tão recorrente na vida real através da engenharia genética, da clonagem, do emprego das células tronco, do desenvolvimento de inteligência artificial, entre outros avanços discutidos na atualidade sob a luz da ética.

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FRANKENSTEIN NOS QUADRINHOS

AS ADAPTAÇÕES

                A ficção de Shelley foi levado ao cinema ainda no período do cinema mudo, em 1910, produzida pela produtora de Thomas Edison (o inventor da lâmpada), dirigida por J.Searle Dawley e com o ator Charles Ogle no papel do monstro. O filme de 16 minutos é uma raridade que ficou perdida por muito tempo até que uma cópia foi encontrada em Wiscosin em meados da década de 70. A criação do monstro é mostrada de forma atípica: Produtos químicos e poções são misturados para seu nascimento, lembrando que na época em que Mary Shelley escreveu o livro houve avanço notável na química, que foi alçado a um posto de ciência sem nenhuma ligação com a alquimia ou a própria medicina graças ao tratado de Lavosier no final do século XVIII. No filme, o efeito de criação do monstro foi conseguido queimando um boneco e rolando o filme de trás para a frente. Mais curioso ainda é o fim do monstro, que simplesmente desaparece no ar!!

               O choque elétrico gerado por uma noite de tempestade foi liberdade poética tomada pela sua adaptação cinematográfica mais famosa, de 193, estrelada por Boris Karloff. Como a descrição física da criatura é vaga no livro,  coube ao maquiador Jack Perkins elaborar o visual que se fixou no imaginário popular: Corpo descomunal e desajeitado, cabeça achatada com cicatriz enorme na testa, eletrodos nas laterais do pescoço e botas pesadas retardando os movimentos. Outra diferença entre o livro e os filmes, em geral, é que a criatura literária é inteligente e articula bem as palavras, enquanto que o cinema costuma retratá-la como um ser privado de raciocínio, reagindo apenas instintivamente. Karloff interpretou o monstro três vezes.

            No final da década de 50, a produtora inglesa Hammer Films ressucitou o monstro em um ciclo de filmes com Peter Cushing no papel de Victor Frankenstein e, inicialmente com Christopher Lee como o monstro em “A Maldição de Frankenstein” (The Curse of Frankenstein) em 1957. A melhor versão da obra de Shelley, contudo, embora muito subestimada, é “Frankenstein de Mary Shelley” (Mary Shelley’s Frankenstein) de 1995 com Robert De Niro como o monstro e Kenneth Branagah como Victor Frankenstein. O filme foi a primeira adaptação a procurar respeitar a obra original. O filme foi produzido por Francis Ford Coppola, que a principio também o dirigiria assim como fizera poucos anos antes com “Dracula de Bram Stoker”. Branagah assumiu a direção, e foi duramente criticado pela sua pretensão.        Recentemente houve “Victor Frankenstein” que traz James McAvoy e Daniel Radcliff em uma releitura modernizada do livro. Entre 2015 e 2017 houve a série britânica “As Crônicas de Frankenstein” (The Frankenstein Chronicles) reimaginando a obra da autora, que ganhou nova roupagem também na série “Penny Dreadul” (2014 a 2016), na animações “Hotel Transilvania” de 2012 e, “Frankweenie” (2012) de Tim Burton.

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A VERSÃO DE 1910 RECENTEMENTE RESTAURADA

          Tantas adaptações e readaptações mostram que a riqueza da obra continua a refletir  nossos medos como naquela noite de tempestade em Genebra, o sonho de vencer a lei natural tomando para si o poder da vida e a morte, o que nas palavras de sua autora vão além de qualquer limite vivo, ainda vivo !!!

MICHELLE … MA BELLE !

Michelle Pfeiffer

              Nos anos 80 ela disputava a atenção dos olhares masculinos com nomes como Kim Basinger, mas soube se sobressair em papéis tão diferentes que não há como duvidar que, além de uma estonteante beleza, seu talento a tornou uma das melhores de sua geração, tendo completado em 29 de abril desse ano 60 anos.

Michelle Pfeiffer Ladyhawke

         Michelle Marie Pfeiffer sempre soube o que dizer como atriz para se provar mais do que apenas um rosto bonito. Começou na Tv no final dos anos 70 em séries como “A Ilha da Fantasia” e “Chip’s”, além de outras produções menores que serviram para chamar a atenção para a jovem atriz, que aos 24 anos protagonizou seu primeiro filme no cinema “Grease 2 – Os Tempos da Brilhantina Continuam” (1982), sequência do grande sucesso da década anterior que naufragou nas bilheterias, mas mostrou que o mundo precisaria conhecer mais daquela bela jovem que cantou e encantou ao som de “Cool Rider”. A canção não é memorável, mas a voz de Michelle e o modo como a câmera parecia captar o brilho de seus olhos e seu sorriso radiante fez o mundo entender que muito ainda havia a dizer. Mesmo em um papel menor foi uma presença fundamental ao lado de Al Pacino na refilmagem de Brian DePalma para “Scarface” (1983) . Dois anos depois fez um cavaleiro medieval uivar em “O Feitiço de Áquila” (Ladyhawke) de Richard Dooner, tosando as belas madeixas que fizeram de Isabeau uma das mais lembradas heroínas da década.

Michelle Pfeiffer Suzy

              Mostrando o desejo de se mostrar versátil, se juntou às divas Cher e Susan Sarandon em “As Bruxas de Eastwick” (1987), uma experiência que relatou depois ter sido agradável e sem a guerra de egos típica do encontro de grandes estrelas. Em seguida fez a comédia leve “De Caso com a Mafia” (Married to the Mob) e dividiu a cena com Mel Gibson e Kurt Russell no tenso “Conspiração Tequila” (Tequila Sunrise). Sua primeira indicação ao Oscar veio com “Ligações Perigosas” (Dangerous Liasions) como a frágil e apaixonada Madame de Tourvel. No ano seguinte, sua segunda indicação veio com sedução e música em “Suzie & Os Baker Boys” (The Fabulous Baker Boys) se deitando sobre o piano dos irmãos Beau e Jeff Bridges. Imprimindo nas telas sua figura capaz de ser sensual sem jamais cair na vulgaridade, Michelle Pfeiffer recusou papeis que exigissem nudez ou que fossem de violência extrema. Por isso recusou o papel de Clarice Sterling, que foi para Jodie Foster em “O Silêncio dos Inocentes” (Silence of the Lambs), preferindo atuar ao lado de Sean Connery em “A Casa da Russia” (The Russia House) de 1990, e logo em seguida preencheu as fantasias de adolescentes e marmanjos vestindo uma roupa de couro e miando para Michael Keaton como a Mulher Gato em “Batman o retorno” (Batman Returns). O sucesso estrondoso alimentou a mídia da época com rumores de que Michelle teria um filme solo da vilã felina, o que acabou não se concretizando.

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                 A medida que a fama crescia, a atriz procurou sempre se manter à parte de qualquer escândalo, mantendo uma vida particular discreta, sem exageros típicos de grandes astros. Adotou uma menina mestiça mostrando que o amor não dependia de etnias e casou-se com o produtor/roteirista de TV David E.Kelly (Picket Fences, Chicago Hope). Não parou de diversificar os papeis escolhidos fazendo uma dona de casa dos anos 60 em “Barreiras do Amor” (Love Field) atraída pela mensagem anti-racista que sempre foi para ela uma causa a ser defendida; voltou a trabalhar ao lado de Jack Nicholson em “Lobo” (Wolf) de 1993 e Al Pacino em “Frankie & Johnny” (1991), este um papel totalmente desglamourizado, o de uma garçonete solitária e desacreditada no amor. Estava grávida de seu segundo filho (primeiro natural) quando fez a professora idealista de “Mentes Perigosas” (Dangerous Minds), espécie de versão feminina do clássico “Ao Mestre com carinho”. Se seguiram o papel de repórter ascendente ao lado de Robert Redford em “Íntimo & Pessoal” (Upclose & Personal) ; dona de casa frustrada no casamento ao lado de Bruce Willis em “A Historia de Nós Dois” (A Story of Us); mulher ameaçada por um assassino ao lado de Harrisson Ford em “A Revelação” (What Lies Beneath); e um papel Shakespereano em “Sonhos de uma Noite de Verão” (A Midsummer Night’s Dream) entre outros. Voltou a atuar e cantar dublando a amada esposa de Moises na animação “O Principe do Egito” (The Prince of Egypt) de 1998. Com o final da década da 90 se afastou das telas para ficar mais próxima da família, escolhendo a dedo os papeis que faria já mostrando no belo rosto as marcas da idade. Ainda assim estava belíssima como a bruxa de “Stardust” (2007), a gótica matriarca de “Sombras da Noite” (Dark Shadows) , e voltou a cantar e dançar em “Hairspray” (2007). Ano passado atuou com destaque em “Mãe” (Mother) de Dareen Aaronovsky, e “Assassinato no Expresso do Oriente” (Murder on the Orient Express) de Kenneth Branagah, roubando a cena em meio a um elenco estelar, e cantando a canção dos créditos de encerramento.Em 2017 foi indicada ao Globo de Ouro pela produção de TV “O Mago das Mentiras” (The Wizard of Lies), terceira vez atuando ao lado de Robert DeNiro. Esse ano, a atriz ainda aparecerá muito em breve como uma super heroína em “Homem Formiga & Vespa” (Antman and the Wasp), entrando para o time multi estelar de astros a participar do bem sucedido Universo Cinemático Marvel, se reapresentando para uma nova geração.

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         Seja voando como um falcão, miando como uma gata ou mostrando os belos dotes musicais, falta a Academia lhe reconhecer o talento e lhe conceder a honraria de um Oscar. Ou seria o Oscar quem deveria de conceder a honrar de ir para as mãos de uma das melhores atrizes dos últimos trinta anos, ainda atuante, ainda linda e como diz a canção dos Beatles, as únicas palavras que encaixam tão bem, que todos nós conhecemos e compreendemos como Michelle, nossa Michelle Pfeiffer… Miauu !!!!!!!

PLANETA DOS MACACOS – A SAGA

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     “Os maníacos ! Vocês finalmente explodiram tudo ! Malditos sejam !” Com essas palavras, em pungente ira, Charlton Heston protagonizou um dos desfechos de maior impacto no cinema, imaginado por Rod Serling e Michael Wilson na adaptação do livro de Pierre Boulle “O Planeta dos Macacos” (Le Planète dês Singes), publicado em 1963. O autor francês inverteu as leis darwinistas criando uma parábola crítica sobre as ações do homem como raça dominante. O produtor norte-americano Arthur P.Jacobs (1922/1973) vinha do insucesso comercial de “Dr.Doolittle” (1967) quando Serling deu o tratamento inicial para o roteiro e se interessou pelo projeto, que chegou a atrair a atenção de Blake Edwards (A Pantera cor de rosa). Como este roteiro, seguindo o original de Boulle, mostrava uma sociedade símia avançada com edifícios e automóveis, o que aumentava o orçamento. Foi aí que Michael Wilson, roteirista que havia trabalhado na adaptação de “A Ponte do Rio Kwai” (outro livro do mesmo autor), decidiu retratar o mundo dos macacos de forma mais primitiva, sem tecnologia moderna, reduzindo assim os custos substancialmente. Ainda assim vários estúdios recusaram o filme até que Jacobs conseguisse um acordo com Richard Zanuck, da Twentieth Century Fox. Isso foi possível depois que o nome de Charlton Heston (Ben Hur) fosse atrelado ao projeto, que ainda previa Edward G.Robinson como Dr.Zaius, mas o estado de saúde deste era delicado, e o papel foi para Maurice Evans. As extensas 4 horas de maquiagem foram um processo revolucionário criado por John Chambers, tendo sido premiada com o primeiro Oscar do gênero, antes que a Academia tivesse criado a categoria do gênero. O triunfo desta a levou ao livro Guiness de Recordes, e tornou-se um marco empregando a técnica de Chambers que aplicava um material emborrachado camada por camada para simular testa, cabelo, nariz e queixo progressivamente no rosto e, depois braços e mãos dos atores. O sucesso do filme fez renascer a ideia de sequências gerando mais 4 filmes, além de seriado de TV live action, animação, quadrinhos, invadindo todas as mídias. Depois de uma refilmagem desastrosa em 2001 por Tim Burton, a história foi reimaginada para o público. A saga símia originalmente iniciada em 1968 era mergulhada na guerra fria e na paranoia de uma hecatombe nuclear, enquanto que a segunda iniciada em 2011 usa a engenharia genética como o gatilho que levaria os símios à supremacia no planeta.

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Linha narrativa original:

1) O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes), 1968Dir: Franklin J.Schaffner. Com Charlton Heston, Roddy McDowell, Kim Hunter, Maurice Evans, Linda Harrison. Rodado em pleno verão norte americano, o filme já começa com tom crítico quando o astronauta George Taylor, monólogo de Charlton Heston, observa a fragilidade da natureza humana diante do infinito, questionando o porquê do homem ainda promover a guerra entre seus próprios irmãos. Sua queda a bordo da nave Ícaro simboliza a queda do homem tal qual o personagem da mitologia grega. O diretor Franklin J. Schaffner  entrou no projeto indicado por Charlton Heston, e conduz o filme brilhantemente ludibriando o público acerca do ponto em que homens e macacos divergiram na escala evolucionária. Roddy McDowell e Kim Hunter visitaram o zoológico para estudar o comportamento dos chimpazés, sendo que o papel da Dra Zira foi inicialmente pensado para Ingrid Bergman, que recusou o papel e mais tarde teria se arrependido.

2)De Volta ao Planeta dos Macacos(Beneath the Planet of the Apes) 1970 Dir: Ted Post. Com James Franciscus, Linda Harrison, Kim Hunter, Maurice Evans, David Watson, Natalie Trundy, James Gregory. Pierre Boulld não considerava “Planeta dos Macacos” seu melhor trabalho, mas escreveu um roteiro para uma possível sequência entitulada “Planet of the Men” continuando a história 14 anos depois com Taylor liderando a raça humana a recuperar seu domínio. O roteiro de Paul Dehn a principio previa que Taylor (Heston), Brent (Franciscus) e  Nova (Harrison) conseguiriam estabelecer uma co-existência pacífica entre homens e macacos. O astro Charlton Heston estava relutante em voltar ao papel de Taylor, e sugeriu o desfecho utilizado (sem spoilers para os que nunca viram o filme). Roddy McDowell não trabalhou nesse segundo filme, pois estava rodando “The Ballad of Tam Lin” na Escócia, e foi substituído por David Watson no papel de Cornelius. O filme repete a perseguição aos humanos fugitivos acrescentando humanos mutantes que adoram a uma bomba de nêutrons.

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3)Fuga do Planeta dos Macacos. (Escape from the Planet of the Apes)1971. Dir: Don Taylor. Com Roddy McDowell, Kim Hunter, Bradford Dillman, Natalie Trundy, Sal Mineo, Ricardo Montalban. O terceiro filme é bem superior que o segundo invertendo a premissa original: Cornelius e Zira voltam à São Francisco do passado e com isso acabam dando início aos eventos que levariam no futuro ao declínio da raça humana. Foi o último filme de cinema do ator Sal Mineo. A atriz Natalie Trundy aparece interpretando a veterinária que ajuda Cornelius e Zira. A atriz veio a se casar com o produtor Arthur P.Jacobs.

4)A Conquista do Planeta dos Macacos.(Conquest of the Planet of the Apes)1972   Dir: J.Lee Thompson. Com Roddy McDowell, Natalie Trundy, Ricardo Montalban. Curiosa reentrada na saga símia focado na figura de Cesar, o filho de Cornelius & Zira, interpretado pelo mesmo Roddy McDowell. Foi esse filme que serviu de ponto de partida para o reboot de 2011. Extremamente violento e pessimista, chegando por isso a ter a sequência inicial do script não filmada por mostrar um macaco sendo violentamente morto. A atriz Natalie Trundy assume o papel da chimpazé Lisa, seu terceiro papel na saga. Curioso é o fato de que o filme tornou-se um sucesso em pleno ciclo da blackexploitation quando a comunidade afro descendente se identificou com a luta de Cesar para libertar sua raça.

5) A Batalha do Planeta dos Macacos (Battle for the Planet of the Apes) 1973  Dir: J.Lee Thompson. Com Roddy McDowell, Natalie Trundy, Claude Akins, John Houston. McDowell e Trundy retornam aos papeis de Cesar e Lisa uma década após os eventos do filme anterior quando uma guerra nuclear destruiu a civilização humana. O tom mais leve do filme é sentido a medida que Cesar busca a verdade de sua origem. O produtor Arthur P.Jacobs morreu dias depois do lançamento desse filme, que ainda traz o diretor John Houston na figura do Legislador. Com a morte de Jacobs, a atriz Natalie Trundy, herdeira deste, vendeu os direitos da saga para a Twentieth Century Fox. Esta viria a produzir um seriado de TV em 1974 com Roddy McDowell novamente por trás da maquiagem de macaco, mas como um personagem diferente. O seriado foi muito popular no Brasil mas teve vida curta, com apenas 14 episodios. Ainda haveria na década de 70 um seriado em animação produzido pelo estúdio De-Patie Frelang (o mesmo do desenho da Pantera Cor de Rosa) e com o traço de Doug Wildey, o criador do clássico Jonny Quest. A excelente dublagem dessa animação teve as belas vozes de Andre Filho e Juraciara Diacovo, que fizeram juntos o seriado do “Casal 20”.

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O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes) 2001.  A refilmagem de Tim Burton foi um equívoco na tentativa de recriar o filme de 1968, mesmo tentando se aproximar mais do final do livro de Pierre Boulle. Apesar do bom elenco reunido e da maquiagem, o filme falha em imprimir o impacto da narrativa e seu subtexto metafórico.

Planeta dos Macacos : A Origem (Rise of the Planet of the Apes) 2011 Dir: Rupert Wright. Com Andy Serkis, James Franco, John Lightgow. Promissor reinicio da franquia com referências ao lançamento da nave Icaro ao espaço. Um primor técnico da era digital, o macaco Cesar torna-se o centro da narrativa e o talento de Andy Serkis, o ator que dera vida ao Smegal de “O Senhor dos Aneis”.

Planeta dos Macacos : O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes) 2014 . Dir: Matt Reeves. Com Andy Serkis, Gary Oldman. O filme se aprofunda na história de Cesar e sua luta para libertar seus semelhantes, mas acreditando em uma co-existência pacífica com os humanos sobreviventes do extermínio causado por um vírus na atmosfera. É melhor que o filme anterior graças ao equilibrio alcançado por Matt Reeves na condução de ação e drama.

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      No Brasil, a saga dos macacos sempre foi bastante popular incluindo a publicação de quadrinhos publicado pela editora Bloch na década de 70. A TV teve a popularização da figura de Socrates, o macaco crítico criado pelo humorista Orival Pessini e até mesmo uma paródia “O Trapalhão no Planalto dos Macacos” de 1976 que reunia pela primeira vez Mussum ao grupo de Renato Aragão e Dede Santana. O novo filme “Planeta dos Macacos –  A Guerra” encerra uma trilogia, mas certamente não é o capítulo final da saga. Esta se deixou uma mensagem após todo esse tempo é a de nos fazer refletir nossa postura, nossas ações no mundo com nossos semelhantes e com as demais espécies. O planeta é de todos.

LUZ CÂMERA DIREÇÃO: TIM BURTON

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Quando alguém pensa em Tim Burton, automaticamente vem à mente seu estilo gótico que marcou vários de seus filmes. Assim que pensaram em adaptar o livro “O Lar das Crianças Peculiares” de Ransom Riggs, o nome de Burton veio logo foi ligado ao projeto. O próprio Burton teria dito “Vão pensar que eu também escrevi o livro”. A identificação levou ao filme, recentemente lançado nos cinemas, conectado à concepção visual típica dos filmes desse Californiano, nascido em 25 de Agosto de 1958, cuja infência e adolescência introspectiva lhe conferiu a aura de exquisitão. Quando ainda cursava a escola de ensimo fundamental  criou um cartaz para ser usado pela empresa de coleta de lixo. Estudou artes na universidade e, depois de graduado, já conseguiu emprego como animador dos Estudios Disney onde trabalhou nas animações “O Cão & a Raposa” (1982) e “O Caldeirão Mágico” (1985). Entre os dois trabalhos, realizou o curta animado “Vincent” (1982) sobre um garoto que queria ser o ator Vincent Price. Narrado pelo próprio Price, o curta recebeu prêmios e aplausos da crítica. Dois anos depois realizou outro curta, fazendo uma adaptação de Mary Shelley em “Frankenweenie”, que anos mais tarde transformaria em longa. A primeira chance como diretor de um filme se deu com “As Aventuras de Pee Wee” (1985), mas o filme que colocaria o nome de Tim Burton diante dos holofotes veio em 1988, “Os Fantasmas Se Divertem” (Bettlejuice), uma comédia de humor negro de grande sucesso que até hoje alimenta boatos de uma possível sequência.

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FILMOGRAFIA BURTONIANA

Pouco depois o nome de Burton se tornou uma escolha natural  da Warner para comandar a adaptação de “Batman” (1989) para o cinema com Michael Keaton, Jack Nicholson  e Kim Basinger. A impressionante cenografia de Anton Furst foi um triunfo  que fez de Gotham City um personagem dentro da história que trazia falhas no roteiro como fazer do Coringa o assassino dos pais de Bruce Wayne.  O sucesso levou a “Batman o Retorno” (Batman Returns) de 1991, até hoje a única sequência dirigida por Burton. Este parecia à vontade em retratar personagens soturnos, ecos dos delírios sombrios do diretor. O sucesso comercial dos dois filmes do Batman lhe deu a moral para experimentar o que quisesse, e assim vem seu filme mais lírico “Edward Mãos de Tesoura” (Edward Scissorhands) em que teve a oportunidade de trabalhar com um de seus ídolos, o ator Vincent Price, este então com 79 anos. Também aqui trabalhou pela primeira vez com o astro Johnny Depp que parece compartilhar com o diretor uma atração por personagens bizarros. Ao todo fizeram juntos 8 filmes.

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JOHNNY DEPP & TIM BURTON

O melhor deles foi “Ed Wood” (1994), cinebiografia do pior cineasta de todos os tempos que deu o Oscar de melhot ator coadjuvante para Martin Landau, este em uma impressionante caracterização de Bela Lugosi. Depois vieram “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” (Sleepy Hollow) de 1999 (onde teve a oportunidade de conhecer outro ídolo, o ícone Christopher Lee), “A Fantástia Fábrica de Chocolate” (Charlie & The Chocolate Factory) de 2005, “A Noiva Cadaver (The Corpse Bride) de 2005, “Sweeney Todd” (2007), “Alice no País das Maravilhas” (Alice in the Wonderland) de 2010, “Sombras da Noite” (Dark Shadows) de 2012.

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O ESTRANHO MUNDO DE JACK

No início da década de 90 teve um insucesso quando transformou em filme uma série de trading cards clássica que colecionara. Assim foi com “Marte Ataca” (Mars Attacks) de 1996 que sofreu comparações inevitáveis com “Independence day” , lançado um ano antes. Apesar do elenco estelar que incluiu Jack Nicholson, Pierce Brosnan, Michael J. Fox entre outros, o filme pecava por um humor negro que parece não encontrar o caminho certo para se conectar com o público. Também fez bons trabalhos como produtor em filmes como “O Estranho Mundo de Jack” ( The Nightmare Before Chrstmas) de 1993, “Batman Eternamente” (Batman Forever) de 1995 e, mais recentemente  “Alice Através do Espelho” (Alice Through The Looking Glass) de 2016. Mostrou outros caminhos com a cinebiografia da pintora Margareth Keane em “Grandes Olhos” (2015) com Amy Addams. Tim Burton parece à vontade com sua imagem presa ao estilo gótico, o que certamente o faz previsivel para análise de muitos, tão vítima de seus delírios quanto Hithcock de su câmera, o que claro não denigre de forma alguma o talento que o levou a se um dos grande diretores do cinema Hollywoodiano.

 

EDITORIAL : OUTUBRO 2016

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OLÁ AMIGOS E CINÉFILOS DO BLOGCINEONLINE. OUTUBRO CHEGOU E COMO TODO ANO TEMOS AQUI NO BLOG ARTIGOS RELACIONADOS AO HALLOWEEN (FESTA DA QUAL SOU GRANDE FÃ) E TEMOS ESSE ANO DATAS A COMEMORAR NA SEÇÃO “CLÁSSICOS REVISITADOS” COMO “A PROFECIA”, “ALIENS O RESGATE”, “O PLANETA PROIBIDO” & “DRÁCULA O PRÍNCIPE DAS TREVAS”. DUAS NOVAS SEÇÕES NO BLOG:TEREMOS “LUZ CÂMERA DIREÇÃO” INAUGURANDO COM A CARREIRA DE TIM BURTON, QUE CHEGOU ÀS NOSSAS TELAS NO FINAL DO MÊS ANTERIOR COM “O LAR DAS CRIANÇAS PECULIARES”. ALÉM DISSO, UMA COISA QUE SEMPRE ME ENCANTA É DESCOBRIR AS DIFERENÇAS ENTRE A HISTÓRIA REAL E A HISTÓRIA REPRESENTADA NO CINEMA NOS CHAMADOS FILMES BASEADOS EM FATOS REAIS. PARA INAUGURAR O ESPAÇO, TRATAREI O CASO DO JULGAMENTO DAS BRUXAS EM SALEM (BEM APROPRIADO PARA A DATA) NA SEÇÃO QUE BATIZES DE “FATOS & FILMES”. NAS TELAS TEREMOS EM BREVE A ESTREIA DE “INFERNO”, ADAPTAÇÃO DO DAN BROWN QUE TRAZ DE VOLTA TOM HANKS NO PAPEL DO PROFESSOR ROBERT LANGDON. TAMBÉM TEMOS NO MÊS A ESTREIA DE “O MESTRE DOS GÊNIOS”, BIOPIC QUE MOSTRARÁ A VIDA DO EDITOR QUE TRABALHOU COM GÊNIOS DA LITERATURA COMO ERNEST HEMINGWAY E F.SCOTT FITZGERALD. É CLARO, COMO NÃO PODERIA DEIXAR DE SER …. FILMES DE TERROR. TUDO ISSO E MAIS AO LONGO DO MÊS AQUI, JUNTOS, TODOS  AMANTES DA SÉTIMA ARTE. GRATO A TODOS. KLATU BARADA NIKTO !!!!

ESTREIAS DA SEMANA : 29 DE SETEMBRO

O LAR DAS CRIANÇAS PECULIARES. (Miss Peregrine’s home for peculiar children) EUA 2016. Dir: Tim Burton. Com Eva Green, Asa Butterfield, Terence Stamp, Rupert Everett, Milo Parker, Samuel L.Jackson, Judi Dench. Fantasia.

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Adaptação do primeiro livro do autor Ransom Riggs (parte de uma trilogia) sobre um lugar mágico que abriga crianças com habilidades especias, rejeitadas pelo mundo e caçadas pelos terríveis etéreos. O jovem Jacob (Butterfield de “A Invenção de Hugo Cabret) chega ao local depois da morte de seu avô (Stamp) e descobre o passado dos peculiares protegidos pela misteriosa Srta Peregrine (Green) e ameaçados pelo diabolico Barron (Jackson). Vide artigo sobre o livro na postagem anterior.

O BEBÊ DE BRIGET JONES (Bridget Jones’s Baby) EUA 2016. Dir: Sharon Maguire. Com Renee Zellweger, Patrick Dempsey, Colin Firth, Jim Broadbent. Comédia Romãntica.

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Depois de um longo tempo em desenvolvimento (desde 2009), finalmente chega o terceiro filme , o primeiro não saído do livro de Helen Fielding, mas cujos eventos se situam após o terceiro livro (Bridget Jones:  Mad about the Boy). A própria autora co-escreveu o roteiro desse novo exemplar. Renné Zellweger retoma a personagem grávida aos 40 anos, sem saber qual dos dois homens acima na foto é o pai de seu rebento. Patrick Dempsey (da série “Grey’s Anatomy) é o novo rival do galã Colin Firth pelo coração de Bridget, depois que o personagem de Hugh Grant ficou de fora dessa sequência.

MEU AMIGO: O DRAGÃO (Pete’s Dragon) EUA 2016. Dir: David Lowry. Com Aaron Jackson, Robert Redford, Karl Urban, Bryce Dallas Howard. Fantasia.

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Não está bem de bilheteria essa adaptação de uma animação da Disney de 1977 sobre um amigável dragão que trava amizade com um menino. A amizade entre eles é ameaçada quando as pessoas começam a acreditar que a criatura é perigosa. O elenco ainda traz a presença de Robert Redford, Karl Urban (o Dr MacCoy de “Star Trek” e Bryce Dallas Howard (Jurassic World).

BEST SELLERS : O LAR DAS CRIANÇAS PECULIARES

livro-o-orfanato-da-srta-peregrine-para-criancas-peculiares-ransom-riggs-5550356                  Que tipo de sentimentos evoca imagens como uma criança flutuando, outra se contorcendo com a cabeça entre as pernas ou um homem erguendo uma enorme rocha com uma única mão ?  Imagine que elas sejam parte de uma história e você se sentirá convidado a entrar em uma realidade mágica criada pela mente do escritor norte americano Ramson Riggs, hoje com 37 anos. Este reuniu uma variedade de fotografias antigas com a intenção de fazer um livro de fotos, mas acatou a sugestão de seu editor da Quirk books para usar as fotos para compor uma narrativa. Riggs foi hábil pois as fotos não são meramente ilustrativas, mas integram a história e seu impacto conduz o leitor pela bizarrice de algumas delas. O livro, que se passa durante a Segunda Guerra, é narrado em primeira pessoa pelo personagem Jacob, que depois que seu avô é morto em circunstâncias terríveis, viaja para uma ilha na costa do país de Gales, onde seu avô vivera. Lá encontra as ruínas de um orfanato, que no entanto existe em uma espécie de limbo temporal, é dirigido pela  misteriosa Sra Peregrine. As crianças do lugar não são comuns, e assim como Jacob, possuem habilidades especiais como invisibilidade, super-força, vôo, pirotecnia etc.. Apesar desses poderes, suas vidas estão em constante perigo pois há seres que caçam as crianças como o cruel Barron.

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A história de Riggs se desdobra em três livros, sendo “Hollow City” (Cidade dos Etéreos) o segundo, seguido de “Library of Souls” (Biblioteca das Almas). Sua essência se conecta com o discurso da aceitação das diferenças, mesclando fantasia e realidade mas não no sentido de criar uma fábula moralizante. As crianças peculiares estão mais próximas dos heróis mutantes do Professor Xavier, não casualmente já que Jane Goldman, a roteirista, foi a responsável pelos filmes “X Men Primeira Classe” e “X Men Dias de um Futuro Esquecido”, além de “Stardust”e “Kick Ass”. Talvez por isso pode-se encontrar paralelos do orfanato da Sra Peregrine com a Escola para jovens superdotados do Professor Xavier. Contudo, a medida que a história se desenvolve o leitor se vê mais próximo do universo mágico de Harry Potter. De qualquer forma, o livro de Ransom Riggs se conecta com o público jovem, mas tem essa habilidade de rejuvenescer o adulto, desde seu lançamento em 2012.

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O filme que estreia agora em nossas salas tem a assinatura de Tim Burton, que encontrou no material de Riggs um eco de sua atração pelo incomum. O próprio teria dito “Vocês têm certeza de que não fui eu quem escreveu esse livro?”. A Srta Peregrine do livro é uma mulher de mais idade e bem feia se comparada com Eva Green e seu olhar intimidador, atrevido. Os poderes de Emma (fogo) e Olive (flutuar no ar) estão invertidos no filme conforme pode ser visto na capa da edição da Leya. Também a idade de Olive (a mais jovem) e Bronwyn (a mais velha) estão invertidas. A personagem do Dr.Golan é um homem no livro, mas no filme é uma mulher. O final do livro é também diferente do filme e não criem muitas expectativas de ver Tim Burton na sequência, caso ela venha a ser feita. Burton não gosta de dirigir sequências de seus filmes e só abriu exceção em Batman (1989) e Batman O Retorno (1991). O diretor, de fato, dá sua assinatura visual a uma obra que parece ter sido escrita sob medida para ele, que empregou o mínimo de efeito digitais, preferindo efeitos mais físicos forjando assim a autenticidade necessária para nos fazer crer no sobrenatural, no mágico, que – acreditem se quiser – está onde menos se espera.

MAKE & REMAKE : A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE

A partir de agora estarei ocasionalmente postando artigos sobre as refilmagens de grandes filmes. Para começar escolhi uma das obras literárias que mais me encantou quando criança e que vim a assistir na fase áurea da “Sessão da Tarde” : A história de um chocolateiro recluso em sua fábrica que mais parece um parque de diversões. Cinco crianças são escolhidas ao acaso para entrar nesse mundo mágico onde ao final receberão um prêmio inestimável, cada uma delas um reflexo da educação distorcida recebida, menos uma cuja vida será modificada para sempre. Falar em linhas gerais assim não permite alcançar a magia ou a mensagem de seu autor, o galês Road Dahl, que completa seu centenário em setembro desse ano, data aguardada por seus herdeiros e fãs com um grande evento, o “Road Dahl Day” conforme anunciado no site oficial “roaddahl.com”.

WILLY WONKA

VERSÃO DE 1971 : WILLY WONKA – GENE WILDER

A história da fábrica de chocolate foi publicada em 1964, traduzido para mais de 30 idiomas e adaptado duas vezes para o cinema, tendo se tornado uma das fábulas mais amadas de duas gerações : As que tiveram Gene Wilder como Willy Wonka em 1971 e, mais de 30 anos depois, aqueles que a conheceram com a performance de Johnny Depp. Sua criação, no entanto, foi em parte influenciada por fatos reais vividos por seu autor.

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WILLY WONKA – VERSÃO JOHNNY DEPP

Por volta dos treze anos, Dahl estudava na Repton School, em Derbyshire, que costumava receber caixas de chocolate da tradicional fábrica Cadbury, a marca preferida dos ingleses e, mundialmente, uma das maiores concorrentes de nomes como a Nestlé, Hershey ou a Ferrero Rocher. As crianças escolhidas provavam os produtos antes de sua comercialização, e em retribuição, a Cadbury dava a Dahl e aos demais os deliciosos produtos da empresa. Dhal, inclusive,  sonhava  em inventar uma nova barra de chocolate que chamasse a atenção da empresa fundada por John Cadbury no final do século XIX. O episódio  foi a inspiração anos mais tarde para que Dahl escrevesse a história de Charlie Bucket, o menino, que junto a  outras quatro crianças, é sorteado com o bilhete dourado que os levará a um passeio pela fábrica do recluso chocolateiro Willy Wonka.

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NÃO É FILME. É REAL. DOCETERIASABORPERFEITO

Road Dahl repudiou a adaptação cinematográfica de 1971. A princípio, o próprio autor ficara a cargo da adaptação do texto, mas a demora em cumprir os prazos fez com que ele fosse substituído por David Seltzer. As mudanças que se seguiram na história desagradaram muito ao autor. Primeiro, ele repudiou a escolha do ator americano Gene Wilder para o papel de Willy Wonka, que para o autor não era o principal personagem e foco da narrativa, e sim o menino Charlie. Como a Quaker Oats era a patrocinadora do filme para o qual investira 3 milhões de dólares, chegando a produzir barras de chocolate Wonka como parte da campanha promocional, o título do filme veio a ser rebatizado “Willy Wonka and The Chocolate Factory”. Lamentavelmente, as barras de chocolate derretiam muito rápido e tiveram que ser recolhidas das lojas antes que estragassem. Das canções escritas pelo próprio Dahl, somente uma delas foi usada, sendo as demais canções compostas exclusivamente para o filme. Na sequência em que a menina Veruca é eliminada da competição, o texto original traz esquilos que separam as nozes boas das ruins. A menina Veruca invade a sala dos esquilos porque quer ter um dos animais e, por isso, é jogada fora da sala pelos próprios animais. No filme de 1971, os esquilos são trocados por gansos e as nozes por ovos. Na versão de Tim Burton de 2005, os esquilos e as nozes são mantidos. As filmagens foram feitas na Alemanha e foi difícil para o departamento de elenco encontrar pessoas de baixa estatura para interpretar os divertidos Oompa Loompas, pois durante a era nazista anões e outras pessoas consideradas imperfeitas eram simplesmente mortas. Os pequeninos, incluindo entre eles uma mulher, não falavam inglês e tiveram grande dificuldade para cantarolar os números musicais. Além disso, os cenários extremamente coloridos despertaram comentários maldosos de que o filme parecia uma viagem psicodélica de drogas. Mais de 150 mil litros de água misturada com creme e chocolate foram usadas para criar o rio de chocolate, o que resultou em uma mistura que com pouco tempo passava a exalar um cheiro desagradável incomodando a atores e equipe, atrasando as filmagens.

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Caixinha de Chocolate

Quando Tim Burton refilmou, conseguindo permissão dos herdeiros de Road Dahl , prometeu corrigir tudo o que o filme de Mel Stuart modificou. Além de ter mantido o título original (Charlie & The Chocolate Factory), Burton foi mais fiel ao texto. A escolha de Johnny Depp, que era alérgico a Chocolate quando criança,  para o papel de Wonka, no entanto, deu ao personagem um visual por demais caricatural e preso aos maneirismos do ator. Ainda assim, a fidelidade do filme à obra é mais visível e ganha uma exata dimensão na tela a cada criança eliminada. As canções originais de Dahl foram utilizadas (quatro delas) e a sequência dos esquilos, trocados por gansos no filme anterior, mantida tal qual no livro. Para os Oompas Loompas Burton usou o ator Deep Roy multiplicado digitalmente para parecer que são centenas de individuos, sendo dublado  nas sequências musicais  por Danny Elfman, cantor, compositor e eventual colaborador de Burton. O papel de Wilbur Wonka (Christopher Lee), pai de Willy, foi escrito especificamente para o filme, não existindo portanto no livro.

A carreira de Dahl, no entanto, foi ainda maior que a de um escritor de histórias infantis, tendo escrito contos de terror e até roteiros de filmes como “Com 007 só se vive duas vezes” com Sean Connery. Recentemente, o livro “O Bom Gigante Amigo” (The Big Friendly Giant) que Dahl escrevera em 1982, e para o qual batizou a protagonista com o nome de sua neta Sophie, recebeu adaptação feita por Steven Spielberg. Nele, o autor fala da inusitada amizade entre uma menina humana e um gigante de bom coração, voltando a falar dos rejeitados, dos obstáculos impostos em uma realidade misturada à fantasia, conseguindo agradar crianças e adultos.

Surpreendam-se mas temos nossa própria versão de Willy Wonka no site “doceteriasaborperfeito.com”. Ana Paula Pires cria deliciosos bolos e tortas de chocolate, além de outras surpresas. Ela disfarça que seu sobrenome real é Wonka e emprega genuínos Oompa Loompas para criar sua própria fábrica fantástica de bolos e doces. Experimentem acessar o site. Até Johnny Depp já o fez !

BATMAN A PIADA MORTAL

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O CORINGA ATIRA NA BATGIRL

Lançada em Março de 1988, a Graphic Novel “Batman The Killing Joke” foi escrita pelo britânico Alan Moore e desenhada por Brian Bolland. Moore ganhou destaque na segunda metade da década de 80 nas HQs do Monstro do Pântano (Swamp Thing) além de duas histórias icônicas do Superman que serviram de canto do cisne para o personagem pré-crise. Com o Batman, Moore dividiu a história em duas linhas temporais: O embate entre o homem morcego e o Coringa e , em paralelo, o passado do vilão insano adaptando livremente a clássica história “The Man Behind The Red Hood”  (Fevereiro de 1951) que tratava da origem do Coringa. Moore mergulha fundo na psique dos dois antagonistas, mostrados como reflexos distorcidos um do outro.

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LOUCURA TOTAL

O Coringa vai até a casa do comissário Gordon, atira em sua filha Bárbara (a Batgirl) e a sequestra depois de tirar várias fotos. O Palhaço leva pai e filha ao um parque de diversão abandonado, onde acorrenta o Comissário obrigando-o a ver as fotos de Barbara ferida e nua. O propósito do vilão é provar que qualquer um pode enlouquecer se tiver um mau dia. Batman persegue o vilão determinado a acabar com ele e o que se segue é um embate não só físico, mas também psicológico entre os personagens.

A história é tratada por Moore com teor adulto, sem fazer concessões e reforçada pela magnífica arte de Brian Bolland, em cores berrantes que transmitem a loucura do herói e do vilão, cada um movido pelos respectivos papéis de agente da ordem e caos, forjados pelas tragédias que lhes ocorreram no passado. O impacto da graphic novel foi incorporado pela continuidade mostrando depois que Barbara Gordon ficara paraplégica, e impossibilitada de voltar a ser a Batgirl, criando para si a identidade da hacker Oráculo, mas isso já é outra historia. “Batman A Piada Mortal” foi publicada quando Batman comemorava 50 anos de sua criação por Bob Kane e Bill Finger, tendo o Coringa sido criado por estes com o artista Jerry Robinson. Pouco antes, Frank Miller havia recontado a origem de Batman em “Ano Um” junto do artista David Mazzuchelli e projetado seu futuro na icônica “Batman O Cavaleiro das Trevas” Juntamente com a história de Moore, estas exerceriam grande influência no tratamento que o cinema e  TV dariam em diversas adaptações como filmes ( Tanto Tim Burton quanto Christopher Nolan admitiram ter se inspirado na versão do Coringa de Moore) , a clássica animação “Batman Animated Series” e , mais tarde, em jogos.

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No Brasil a graphic novel chegou pela primeira vez em 1989 publicada pela Editora Abril, tornando-se um sucesso de vendas, e sendo republicada tempos depois. Curiosamente, seu autor sempre renegou a obra uma vez que seu relacionamento com a editora se deteriorou ao longo do tempo. Moore hoje com 62 anos declarou que detesta a história, tendo escrito apenas uma história centrada em dois personagens sem nenhuma conexão com a vida real. Apesar de seu desdém, Moore foi maestro em fazê-lo, deixando o final em aberto, mexendo com a imaginação dos leitores. O autor também escreveu outras obras adaptadas para o cinema como “V de Vingança”, “A Liga Extraordinária” , “Watchmen” e “Do Inferno”, e sempre alegou não ter gostado de nenhuma. Houve quem criticasse a graphic novel acusando Moore de sádico e violento, o que este simplesmente ignorou.

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ALAN MOORE O MAGO DAS HQS

A animação feita agora traz de volta os dubladores Kevin Conroy (Batman) e Mark Hamil (Coringa) – sim o mesmo ator que interpreta Luke Skywalker – para as vozes  dos personagens. Para muitos essa é a história definitiva sobre o Coringa, para outros uma das melhores mas o que fica é a certeza que sanidade e loucura é separada por uma fina linha divisória, uma que não importa se você se veste de morcego ou se pinta de palhaço, você caminha por ela e quando percebe o abismo já o engoliu