TRAILLER: VINGADORES GUERRA INFINITA

Finalmente o aguardado trailler de “Vingadores Guerra Infinita” (Avengers Infinity War). O filme, que será lançado em 26 de Abril de 2018, trará o adiado confronto entre o vilão Thanos (Josh Brolin) e os heróis Marvel, não apenas os Vingadores, mas também o Dr.Estranho (Benedict Cumberbatch), Homem Aranha (Tom Holland) e os Guadiões da Galaxia. O clima apocaliptico anuncia a proximidade do fim do Universo Marvel nas telas iniciado em 2008 com o primeiro filme do Homem de Ferro. Ainda teremos “Vingadores 4” em 2019, mas não há como afastar um sentimento de pesar pela morte de personagens queridos, ainda especula-se quais apesar de ser esperado que ao menos Chris Evans (Capitão America) e Robert Downey Jr (Homem de Ferro) venham em um futuro próximo a se despedir de seus personagens já que seus contratos estão chegando a um fim. Veremos em breve.

AÍ VEM O AMIGO DA VIZINHANÇA: O HOMEM ARANHA DE VOLTA AO LAR

            A lembrança mais antiga que tenho de minha infância é meu pai me levando a um posto de vacinação, enquanto eu chorava muito de medo. A coragem surgiu, e o choro parou, quando meu pai me comprou  “Homem Aranha #20” da editora Bloch. Na capa o herói estava algemado a J.Jonah Jameson em uma sala inundada.  Se o herói podia romper as algemas e sobreviver, eu poderia enfrentar qualquer coisa. Naquele momento me tornei Peter Parker.

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AQUI DESCOBRI QUEM EU ERA

           O personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko, em agosto de 1962, na revista “Amazing Fantasy #15” toca cada um de uma forma. Mas a sua volta ao lar anunciada no novo filme apresenta algumas diferenças em relação às primeiras histórias do cabeça de teia. O Homem Aranha não foi pupilo de Tony Stark, e o primeiro encontro de ambos só se deu no título “Marvel Team Up #9” (1973), publicado pela primeira vez no Brasil em março de 1980 na revista “Super Herois Marvel #9”. A história “Tomorrow War” foi escrita por Gerry Conway e desenhada por Ross Andru, apresentando os heróis em uma parceria acidental, movida pelas circunstâncias, e não a de mestre–aprendiz. Poucas vezes ambos se encontrariam ao longo das décadas seguintes. Esta relação somente foi mudada a partir de uma reformulação que a editora americana começou a fazer a partir de 2004, quando o Homem Aranha passou a fazer oficialmente parte dos Vingadores, tudo orquestrado por Brian Michael Bendis e David Finch. Preparando o terreno para a vindoura guerra civil, Peter se muda para a Torre Stark passando a ser seu protegido.

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SURGE O ABUTRE – POR STAN LEE & STEVE DITKO

            Ned, o amigo de Peter no filme, é uma adaptação da figura de Ned Leeds, repórter do Clarim Diário nas hqs originais, surgido em “Amazing Spider Man #18 (Novembro de 1964). Já o vilão Abutre, alcunha de Adrian Toomes, foi criado pela dupla Lee & Ditko como um brilhante engenheiro eletrônico que cria um artefato anti-gravidade que valeria milhões se comercializado. Ao descobrir que vinha sendo roubado por seu sócio nos negócios, Toomes resolve usar sua criação para roubar e, claro, se vingar de seu ex-sócio. A primeira aparição do vilão foi em “Amazing Spider Man #2” (Maio de 1963) junto com outro vilão, o Consertador (Michael Chernus), que também aparece no novo filme. Nos quadrinhos o Abutre sempre foi um dos vilões mais recorrentes do herói, aparecendo poucos meses depois, já em “Amazing Spider #7” (Dezembro de 1963). A galeria de vilões do Aranha sempre foi bastante rica e criativa, tanto quanto a do Batman da concorrente DC Comics. Assim, o novo filme ainda introduz a figura de Mac Gargan, o Escorpião (Michael Mondo) de “Amazing Spiderman #20”, outro inimigo clássico do herói e o Shocker (Logan Marshall-Green), saído das páginas de “Amazing Spiderman #46”, quando o herói já era desenhado por John Romita.

HARANHA SERIE

HOMEM ARANHA – O ELENCO DA SÉRIE DOS ANOS 70

           Tom Holland é o quarto ator a viver Peter Parker. O primeiro foi o ator Nicholas Hammond (O Friedrich, uma das crianças de “A Noviça Rebelde”) no seriado de TV “Homem Aranha” (Spider Man) produzido originalmente para a grade de programação da CBS onde estreou em setembro de 1977. No Brasil, o filme passou nas salas de cinema, assim como dois outros filmes “Homem Aranha Volta a Atacar” (Spiderman: Deadly Dust) e “Homem Aranha & O Desafio do Dragão” (Spiderman: The Chinese Web), estes sendo a junção de episódios da série da CBS que teve 14 episodios, exibidos irregularmente entre 1978 e 1979, e que no Brasil foi exibido inicialmente pela Rede Globo. Os efeitos eram toscos, com a teia sendo uma “cordinha” saída dos lançadores de pulso do herói que quase nada falava quando usva a roupa, não trazia nenhum vilão das HQs e explorava muito pouco dos costumeiros coadjuvantes das histórias, Tia May (Irene Tedrow) só apareceu por umas duas ocasiões, nada de Mary Jane ou Gwen Stacy, mas ao menos a figura do mal-humorado chefe J. Jonah Jameson (David White no piloto e Robert F.Simon na série). Como na época a CBS exibia outras séries de super heróis (Hulk, Mulher Maravilha, Shazam etc) , a emissora decidiu cancelar todas as séries mesmo que os índices de audiência fossem regulares. Foram mais duas décadas até que rumores apontavam para o interesse de James Cameron em dirigir um novo filme do herói que se diz “O amigo da vizinhança”, tal qual na clássica animação de 1967 cuja popular canção (Spider man, spider man, does whatever a spider can …) chegou a ser regravada pelos Ramones.

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QUEM É SEU PREFERIDO? O MEU AINDA É O MAGUIRE.

             A bem sucedida trilogia dirigida por Sam Raimi entre 2002 e 2007 trouxe Tobey Maguire e Kirsten Dunst nos papeis centrais, conseguindo transpor para as telas a riqueza dos trabalhos de Lee, Ditko e Romita, fazendo das HQs originais um storyboard extenso e bem elaborado agradando aos fãs, apesar do fraco terceiro filme. Andrew Garfield trocou a imagem nerd e retraída de Maguire por um estilo mais leve e descolado nos dois filmes dirigidos por Marc Webb em 2012 e 2014. Estes no entanto falharam em imprimir nas telas o charme das HQs do popular personagem, repetiram a já batida origem do personagem, se perdendo na tentativa de dar um novo enfoque às aventuras já adaptadas. A talentosa Emma Stone foi o que melhor se sobressaiu desses filmes.

                O filme novo vem a integrar o universo cinemático da Marvel e a coroar a volta de um dos heróis mais queridos dos quadrinhos. Como muitos, eu me apaixonei por Gwen Stacy e Mary Jane, me pendurei pelos móveis de casa brincando que eu tinha aqueles poderes. Fui um garoto tímido e descobri minha coragem quando percebi que eu também era Peter Parker.

ESTREIA : NO CORAÇÃO DO MAR

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NO CORAÇÃO DO MAR (IN THE HEART OF THE SEA) EUA 2015. DIR: RON HOWARD, COM CHRIS HEWSWORTH, BENJAMIM WALKER, TOM HOLLAND, BEN WINSHAW.  

Todo mundo conhece a história do capitão com perna de pau que atravessa os mares a caça de uma gigantesca baleia branca. O que muitos não sabem é que o livro em questão, um clássico da literatura mundial escrito por Herman Melville (1819 -1891), foi inspirado em fatos reais: O naufragio do navio Essex nos idos de 1820, depois de ter encontrado uma enorme baleia. “No Coração do Mar” (In the Heart of the Sea) de Ron Howard adapta o livro homônimo escrito por Nathaniel Philbrick que narra o fato por trás da ficção, logo não espere ver a mesma história, não há Ahab nem Ismael mas logo no começo do filme você verá o próprio Melville, interpretado por Ben Whishaw (o Q de “007 contra Spectre”) entrevistando Thomas Nickerson, o último sobrevivente do Essex,  (Brendan Gleeson) para colher dados para o livro que viria a ser “Moby Dick”. Passado o prólogo, o filme nos conduz à história verídica do navio e seus três personagens principais: O Capitão George Pollard (Benjamim Walker de “Abbraham Lincon Caçador de Vampiros”), Owen Chase (Chris Hemsworth de “Thor”) e o próprio Nickerson (Tom Holland, o futuro Homem Aranha) que faz o papel de narrador da história.

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O roteirista Charles Leavitt (o mesmo de “Diamantes de Sangue”) e o diretor Ron Howard (“O Código DaVinci” e “Rush – No Limite da Emoção”) não fazem da enorme cachalote branca a protagonista, mas sim a luta pela própria sobrevivência no mar, onde não apenas a baleia como as intempéries do meio guiam os rumos dos personagens. Tanto este quanto a obra literária de Melville fazem  da baleia a expressão personificada da própria natureza humana, suas ambições, suas obsessões e sua fragilidade diante da hostilidade do meio e das limitações impostas por este. Enfim, um curioso estudo que faz deste não um filme de ação, nem uma aventura, mas a possibilidade de observar o que nos faz animais, seja a gigantesca baleia ou a nossa postura diante de um destino implacavel.

Na próxima postagem vou trazer curiosidades a respeito da obra de Melville, aguardem.

 

CLÁSSICO REVISITADO : 0S 30 ANOS DE “A HORA DO ESPANTO”

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Sempre fui um grande fã de filmes de vampiros, um entre milhões que tiveram o prazer de assistir na TV os clássicos da Hammer estrelados pelo saudoso Christopher Lee. Contudo, em 1985, já com 16 anos, a figura do vampiro já estava muito desgastada. O público abraçara os serial-killers indestrutíveis tipo Michael Myers e Jason promovendo um pastiche de sangue com adolescentes incautos. Provando o clichê de que vampiros voltam à vida, estes ganharam uma nova chance nas telas quando o diretor e roteirista Tom Holland lançou em Agosto de 1985 (nos Estados Unidos) o filme “A Hora do Espanto” (Fright Night) que prometia em seu poster que teríamos bons motivos para se ter medo doe escuro. A promessa foi mantida.

O filme contava a história de Charley Brewster, um adolescente como outro qualquer, doido para arrastar sua namorada para a cama, a bela Amy Peterson (Amanda Bearse). A vida de Charley vira literalmente um inferno quando começa a vigiar os hábitos estranhos de seu novo vizinho, tal qual uma versão juvenil de James Stewart do clássico “A Janela Indiscreta”, sendo que o que Charley descobre inadvertidamente é que seu vizinho, Jerry Dandridge (Chris Saradon) é um vampiro com centenas de anos de idade. Ninguém acredita nela, nem a polícia, sua mãe, Amy ou o amigo freak “Evil Ed” (Stephen Geoffreys) que, a princípio, aceita ajudar Charley mesmo assim em troca de algum dinheiro. As sucessivas e mal-sucedidas tentativas de expor Jerry colocam Charley em risco de vida e, por isso, sua única esperança acaba sendo pedir ajuda a um especialista no assunto, o notório caçador de vampiros Peter Vincent (Roddy McDowall) que não passa de um ator solitário já de certa idade que perdeu o emprego na Tv porque o público prefere alienígenas e monstros do espaço do que vampiros. O filme ganha assim uma irônica metalinguagem mostrando Peter como nada além de um descrente ator que fez de seu personagem um meio de vida que agora foi posto de lado pela modernidade. Lógico que o que se segue é um embate entre o bem e o mal, com Peter Vincent ganhando uma segunda chance, agora letalmente real, de provar seu valor.

A dança dos Vampiros

A dança dos Vampiros

A produção da Columbia custou em torno de 6 milhões de dólares, rendendo muito mais e superando a expectativa de todos já que o estúdio também produzia na época “A Hora do Pesadelo 2 – a Vingança de Freddy”, que recebia bem mais atenção mas que não chegou à metade do que “A Hora do espanto” lucrou. O filme brinca com os clichês do gênero sempre com a intenção de prestar uma homenagem, de recuperar o prestígio deste criando uma aventura movimentada, focada no público jovem. O trio Charley-Amy-Evil Ed assume o papel da geração dos anos 80 mais descrente, cínica, descobrindo que para tudo funcionar, é preciso acreditar, que a fé seja verdadeira como alerta Jerry ao confrontar seus adversários. Peter Vincent é um show do veterano ator Roddy McDowall (1928 – 1998), uma homenagem aos ícones Peter Cushing (curiosamente ex interprete de Van Helsing) e Vincent Price. Apesar de reciclar os elementos das histórias de vampiros (o medo da cruz, a entrada na casa só quando convidado, a vulnerabilidade à luz do sol), o filme adiciona novos elementos à luz da década em que foi produzido: Jerry Dandridge deixa escapar sau bissexualidade e ironiza os humanos ao descer a escadaria de sua mansão assobiando o clássico de Frank Sinatra “Strangers in the Night”, a trilha sonora é recheada de músicas pop defendidas por bandas da época, que se mesclam à ação e o clima soturno de um subúrbio norte-americano como outro qualquer em que o inusitado deixa as sombras para materializar os arquétipos de morte e sexo, como na sequência em que Jerry dança com Amy na discoteca ao som de “Give it up” de Everlyn “Champagne” KIng. A maquiagem foi primorosa e inovadora realizada por Richard Edlund, o mesmo responsável por “Os Caça Fantsmas”

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Lançado no Brasil somente em Maio de 1986, ” Hora do espanto” guarda um fato curioso causado pelo seu enorme sucesso. A distribuidora batizou diversos filmes de terror como “A Hora de …” (A Hora dos Mortos Vivos, A Hora do Pesadelo, A Hora da Zona Morta”, filmes sem nenhuma conexão entre si mas batizados por aqui como exemplares da “ESPANTOMANIA”. O filme gerou uma sequência (A Hora do espanto 2 -de 1989) além de uma recente refilmagem, esta dispensável. Curiosamente, no mesmo ano que “A Hora do espanto”, a ariz Amanda Bearse trabalhou ao lado de Stephen Geofrreys em “Férias da Pesada” (Fraternity Vacation) e logo depois, entrou para o elenco da longeva sitcom “Married With Children”, que ficou no ar por mais de 10 anos. Nada mal para um filme despretensioso mas que figura tranquilamenbte em qualquer lista de melhores do gênero. Ao menos em minha lista. “So cool, Brewster!!”.