IN MEMORIAN: ROGER MOORE

ROGER MOORE

LAMENTAMOS TODOS A MORTE DO ATOR ROGER MOORE. EU O CONHECI ANTES DE SUBSTITUIR SEAN CONNERY NO PAPEL DE 007. ERA A SÉRIE “PERSUADERS”, UMA PÉROLA DOS ANOS 70 NA QUAL O ATOR BRITÂNICO ATUAVA AO LADO DE TONY CURTIS. TAMBÉM LEMBRO DELE COMO SIMON TEMPLAR, O LADRÃO SOFISTICADO DE “O SANTO”. SIR ROGER MOORE FOI O INTÉRPRETE MAIS PROLÍFICO DE BOND, ATUANDO AO TODO EM 7 FILMES ENTRE 1973 E 1985. SEU CINISMO E PERSONALIDADE “LIGHT” FIRMARAM O PERSONAGEM AO LONGO DE UMA DÉCADA E MEIA. FOI O BOND QUE MENOS SE LEVAVA A SÉRIO, MAS QUE PARECIA SE DIVERTIR MAIS. SE POR UM LADO SALVAVA O MUNDO NOS FILMES, NA VIDA REAL TAMBÉM TENTAVA TENDO SE TORNADO EMBAIXADOR DA UNICEF, EM PROL DA CAUSA DAS CRIANÇAS DO MUNDO. QUE DESCANSE EM PAZ, O ESPIÃO QUE TODOS NÓS AMAVAMOS.

FELIZ ANIVERSÁRIO SIDNEY POITIER

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Parabéns hoje para Sidney Poitier. Hoje, o mestre completa 90 anos de uma carreira ilustre. O primeiro filme dele que assisti foi o clássico “Ao Mestre com Carinho” (To sir with love) – o qual eu já tratei aqui no blog. Sir Sidney Poitier, título que sempre se recusou a usar, nasceu em Miami, embora seja nativo das Bahamas. Teve infância muito pobre e alcançou o status de ícone ão só de sua geração, mas da luta pela igualdade racial. Foi o primeiro ator negro a ganhar um prêmio da Academia, em 1963 por “Uma Voz nas Sombras” (Lilies of the Past), em plena época de conflitos pelos direitos civis. Atuações memoráveis também ele teve ao lado de Tony Curtis em “Acorrentados” (The Defiant Ones) de 1958, de Spencer Tracy e  Katherine Hepburn em “Advinhe quem vem para o Jantar” (Guess who’s coming to dinner) de 1967, e contracenando com Rod Steiger no maravilhoso “No Calor da Noite” (In the Heat of the Night) no qual tem a inesquecível fala “Call me Mr.Tibbs“, impondo com dignidade respeito por uma etnia que vinha sendo humilhada ao longo de décadas, séculos e que teve em Poitier a personificação de seu orgulho não só da sua cor, mas sobretudo de sua humanidade. Dirigiu filmes nas décadas de 70 e 80, ganhou um Oscar por conjunto da carreira em 2002. Poucos atores representam tanto dentro e foras das telas. Feliz Aniversário. Para o mestre com carinho.

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CLÁSSICO REVISITADO : OS 6O ANOS DE “TRAPÉZIO”

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BURT LANCASTER & GINA LOLLOBRIGIDA

Ocasionalmente é bom deixarmos de lado os filmes mais badalados e descobrimos uma pérola não badalada entre o público em geral, e por isso mesmo uma delícia trazer um artigo que apresente os atrativos do filme em questão. Sendo assim, como primeiro “Clássico Revisitado” do ano, falemos sobre “TRAPÈZIO“.

Lançado em Maio de 1956, portanto há quase 60 anos, “TRAPÈZIO” é adaptado do romance “The Killing Frost“, publicado em 1950. Este gira em torno de um triângulo amoroso entre os artistas circenses Mike Ribble (Burt Lancaster), Tino Orsini (Tony Curtis) e Lola (Gina Lolobrigida). Ribble é um ex-trapezista que ficou manco depois de um acidente e único capaz de executar um salto triplo. Ganhando a vida nos bastidores do espetáculo circense, a vida de Ribble toma novo rumo quando chega ao circo o jovem Tino Orsini, filho de artistas de circo e que sonha em aprender o salto triplo de forma a se tornar o melhor trapezista do mundo e, para isso, convence Ribble a formarem uma dupla. Após exaustivos treinos, o experiente e amargurado Ribble e o impetuoso Tino começam a ajustar a personalidade divergente de ambos e a estabelecer não apenas os papéis respectivos de mentor e aprendiz,mas de amizade. Esta será severamente testada com a chegada de Lola, ambiciosa artista que não medirá esforços para alcançar as alturas do sucesso. Esta se envolverá com ambos, o que trará consequências para o destino dos trio.

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LANCASTER, LOLLOBRIGIDA & CURTIS

O filme foi produzido pela Hill Hetch Lancaster, a produtora do astro Burt Lancaster (então com 43 anos) e distribuída pela United Artists. O próprio Burt Lancaster realizou as cenas no trapézio pois o ator já havia trabalhado em circo em sua juventude. Somente o salto triplo não foi executado pelo ator pois os técnicos do estudio temiam por sua segurança. Assim, Nick Cravat, dublê e amigo pessoal de Lancaster, efetuou a proeza em cena. Vários filmes do período tomaram proveito da excelente forma física do ator e “Trapézio” não foi diferente. Seu vigor e virilidade perpassam por todo o filme e formando uma química e tanto com a sensual atriz italiana Gina Lollogrigida, na época grande rival de Sophia Loren em Hollywood. O papel de Tino Orsini seria feito inicialmente por Montgomery Cliff, mas acabou com Tony Curtis (então com 31 anos), emprestado à United Artists pela Universal. Apesar de todo o cuidado dos técnicos, acidentes ocorreram durante as filmagens: A dublê de Gina Lollobrigida morreu após uma queda de cerca de 12 metros, e outra quebrou o nariz sendo substituida por Willy Krause, amigo de Lancaster.

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O filme teve o orçamento estimado em torno de $4 milhões e rendeu mais de $7 milhões nas bilheterias americanas. O roteirista David Fuchs processou a produtora de Lancaster alegando que havia escrito, anos antes, o roteiro de “Trapézio”, creditado a James R.Webb e  Liam O’Brian, e que não recebera nada por isso. Mesmo Ben Hetch, sócio de Lancaster teria participado do roteiro apesar de não ser creditado por isso. Dois anos depois, o processo foi resolvido na corte com um acordo não divulgado. O roteiro em questão teve limado as referências de que haveria uma relação homossexual entre Ribble e Tony Orsini.

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O FILME EM DVD

Assisti o filme há muito tempo atrás na Tv Globo pela Sessão da Tarde e o revi, muito depois em home video. Tudo o que senti na primeira vez permanecera : O fascínio pela romantização do circo, a presença em cena de Burt Lancaster e Tony Curtis e a sensualidade de Gina Lollobrigida. Mesmo não sendo um dos melhores a mostrar o mundo do circo (este título atribuo a “O Maior Espetáculo da Terra” / The Greatest Show on Earth de 1952), “Trapézio”, dirigido por Carol Reed (também diretor de “O Terceiro Homem” e “Agonia & Êxtase”) é uma agradável abordagem do estrelato, da busca por sucesso , da necessidade de se sobrepor os obstáculos e do vazio ao constatar que ao chegar no topo tudo o que você queria parece perder o sentido uma vez sendo alcançado. A cena final com Burt Lancaster caminhando pelas ruas solitário indica que o maior desafio não é representado pelo perigo das alturas de um trapézio, mas pelo lento e doloroso caminhar da vida.