GALERIA DE ESTRELAS : RITA RAYWORTH

RHAY

            Me apaixonei por Rita Hayworth em dois filmes, seu papel como a sedutora Dona Sol em “Sangue & Areia” (Blood & Sand) e a musa Terpsichore em “Quando os Deuses Amam” (Down to Earth). De fato, faz-se juz a frase que acompanhou um de seus maiores êxitos “Nunca houve uma mulher como Rita Hayworth”, que há 30 anos nos deixou.

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GILDA

              Somente quando me tornei adulto assisti “Gilda” (1945), papel título que interpretou ao lado de Glenn Ford, um dos 3 filmes que fizeram juntos, o papel de uma mulher infiel, sedutora ao extremo e que imortalizou a sequência de um streaptease somente insinuado, mas que arrancou suspiros dos homens de seu tempo. Margarita Carmen Cansino (1918 – 1987) tinha um notável sex appeal, um sorriso cativante e generosas curvas que lhe conferiram o apelido de “deusa do amor”. Nascido em talentosa família, seu pai era um dançarino espanhol que iniciou os primeiros passos de Rita que aos 12 anos já se juntava ao seu pai nos palcos. Em um desses espetáculos foi descoberta por um figurão da Fox que lhe ofereceu um contrato já aos 16 anos. Assinando como Rita Cansino ficou no estúdio por cinco filmes e durante esse tempo casou-se aos 19 anos com o empresário Edward Judd, que a levou à Columbia Pictures onde mudou seu sobrenome para Hayworth e mudou seu cabelo. Emprestada à Warner, fez “Uma Loira com Açucar” (The Strawberry Blonde) em 1941 trabalhando ao lado de James Cagney e Olivia DeHavilland. DE volta a Columbia estrelou “Ao Compasso do Amor” (You’ll never get rich) brilhando como o par de Fred Astaire ao lado de quem voltou a trabalhar em “Bonita como Nunca” (You were never lovelier). Rita foi uma elegante e charmosa parceira para a classe de Astaire, mas também acompanhou os passos atléticos e sensuais de Gene Kelly em “Modelos” (Covergirls) de 1944.

Rita-Hayworth-Dancing

MODELOS

      Um anos antes casou-se com Orson Welles que desconstruiu sua imagem, tosando-lhe as belas madeixas  no obscuro “A Dama de Shanghai” (The lady from Shanghai) de 1947. O curto relacionamento com Welles lhe deu seu primeiro filho, mas alguns anos depois seu fim favoreceu o romance com o príncipe Aly Khan, que se tornou seu terceiro marido. Muito antes de Grace Kelly, foi Rita a primeira atriz a se tornar uma princesa de verdade. Mas não abandonou o cinema, mesmo com o nascimento de sua filha Yasmin, e em 1953 viveu o papel da princesa judia “Salomé”.

RITA SORRISO

QUANDO OS DEUSES AMAM

              Nesse mesmo ano divorciou-se de Khan e sua carreira estagnou. Ainda brilhou ao lado de Frank Sinatra e Kim Novak, nova estrela da Columbia,  em “Meus Dois Carinhos” (Pal Joey) de 1957. Paralelo a sua carreira, sua vida pessoal também parecia declinar em maios dois casamentos, nenhum deles lhe trazendo a felicidade pretendida. Costumava dizer “Os homens se deitam com Gilda, mas acordam comigo.” Esteve ao lado de John Wayne em “O Mundo do Circo” (Circus World) de 1964, de Anthony Quinn em “O Heroico Lobo do mar” (L’avventuriero) de 1965 mas seu prestígio e glamour pareciam não mais encantar as plateias dos anos 60 e veio a fazer seu último filme “A Divina Ira” (The Wrath of God) em 1972, quando estava com 54 anos. Sua saúde já mostrava sinais de problemas quando em 1980 foi diagnosticada com Alzeihmer, mal que na época pouco se sabia a respeito e que tomou sua vida até 14 de maio de 1987, aos 68 anos. O mundo chorou então a perda da deusa Hawyworth, que fosse em preto e branco ou cores ensinou o mundo que sedução e graça nos movimentos tem a mais ver com que se sugere do que o que se mostra. No fim, sempre fomos seus súditos bela Rita, e eu ainda gostaria de estar na pele de Tyrone Power, que em “Sangue & Areia” esteve a seus pés.  Ainda a tempo, em 1983 a atriz Lynda Carter (a Mulher Maravilha da TV) interpretou Rita Hayworth em um filme de TV.

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SANGUE & AREIA : AQUI EU QUERIA SER TYRONE POWER

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PIRATAS DO CARIBE, DA LITERATURA & DO CINEMA.

        Quando criança adorava histórias de piratas e uma das primeiras que vi foi a adaptação de “Pluft – o Fantasminha” da Maria Clara Machado, que trazia o ator Flavio Migliaccio como o malvado pirata da perna de pau. Histórias desses saqueadores dos mares datam desde a Odisséia de Homero, mas a imagem que mais se popularizou no imaginário popular foi a do bandido com papagaio no ombro e tapa-olho,  que atravessou os mares nos séculos XVII e XVIII.

TREASURE ISL

A literatura clássica romantizou os feitos dos piratas como donos de um código próprio de camaradagem temperado com a ganância desmedida e a caça ao tesouro. O autor escossês Robert Louis Stevenson (1850-1894) publicou em 1883 “A Ilha do Tesouro” (Treasure Island) , já adaptado para o cinema diversas vezes desde a época do cinema mudo, sendo a versão mais famosa a realizada pela Disney em 1950. No Brasil, tivemos nossa própria versão em “O Trapalhão na Ilha do Tesouro” (1975), divertida paródia com Renato Aragão & Dedé Santana. O livro é narrado pelo menino Jim Hawkins, que conta suas aventuras ao lado do pirata Long John Silver. A obra de Stevenson tornou-se referência no tema, sendo a primeira vez que surgiu a clássica imagem do mapa do tesouro com um “X” marcado.

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CAPITÃO BLOOD

       Durante várias décadas, o cinema Hollywoodiano  fez da pirataria um filão rentável com Douglas Faibanks esbanjando um sorriso provocante em “O Pirata Negro” (The Black Pirate) de 1926, ainda durante o período mudo. Os duelos de espada ensaiados e coreografados pelo mestre Fred Cavens ofereciam o realismo necessário para as plateias ávidas por ação. A chegada do som trouxe Errol Flynn e Tyrone Power como os mais célebres representantes dessa figura sedutora, viril e rebelde, muitas vezes em filmes extraídos dos livros do escritor italiano Rafael Sabatini (1875 – 1950) como “Capitão Blood” (Captain Blood) de 1935, “O Gavião do Mar” (The Sea Hawk) de 1940 e “O Cisne Negro” (Black Swan) de 1941. Os dois últimos, no entanto, foram adaptações nada fieis ao livro adaptado, mas fixaram a imagem de Flynn e Power como os expoentes do filão, modelo para os aventureiros retratados nas telas por atores como Cornel Wilde, Douglas Fairbanks Jr, Louis Hayward e Burt Lancaster, que emprestou ao tipo suas incríveis habilidades atléticas de sua experiência circense em filmes como “O Pirata Sangrento” (The Crimson Pirate) de 1952. Da década de 50, quando o gênero começou a entrar em declínio, alguns exemplares merecem destaque como “Contra Todas as Bandeiras” (Against All Flags) de 1952, com Errol Flynn, Anthony Quinn  e Maureen O’Hara (uma belíssima pirata, aliás).  Aqui, mostra-se uma variedade da pirataria, o “bucaneiro”, que se refugiava em lugares remotos e atacavam qualquer embarcação de forma violenta, agregando a suas fileiras ex-presidiarios, ex-escravos, qualquer um que fosse marginalizado. Estes pilhavam principalmente as embarcações espanholas. Além de Maureen O’Hara, outra pirata mulher que vagou pelos mares caribenhos foi Anne Providence, interpretada pela igualmente bela Jean Peters em “A Vingança dos Piratas” (Anne of the INdies) de 19651. Já a figura do corsário, ou seja, um pirata cuja atividade era tributada em favor de seu reino, teve a figura histórica do Capitão Francis Drake vivido por Rod Taylor em “O Pirata Real” (Seven Seas to Calais) de 1963. O notório Edward Teach ganhou o famoso apelido Barba Negra e apareceu em diversos filmes já vivido por Robert Newton, Peter Uistnov, e mais recentemente Ian McShane em “Piratas do Caribe: Navegando em Aguas Misteriosas” (2011). Curiosa mezcla de gêneros foi feito por Vincent Minnelli em 1948 no musical “O Pirata” (The Pirate ) com Gene Kelly se fazendo passar por um perigoso elemento para conquistar Judy Garland, ao som de canções de Cole Porter.

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O PIRATA : GENE KELLY & JUDY GARLAND

              Nas décadas de 70 e 80, o tema foi inutilmente ressucitado resultando em fiascos de bilheteria como “Piratas das Ilhas Selvagens” (Nate & Hayes) de 1983. Roman Polanksi também fracassou com “Piratas” (Pirates) de 1986 chegando ao ponto de construir a fragata “Neptune”, mostrada no filme, e levá-la para a abertura do Festival de Cannes no citado ano, ancorando próximo ao local, uma extravagância promocional que nada ajudou na bilheteria da produção. Desastroso também foi o filme de Renny Harlin “A Ilha da Garganta Cortada” (Cutthroat Island) de 1995. Na verdade, até que Johnny Depp surgisse como o Capitão Jack Sparrow no primeiro “Piratas do Caribe” (Pirates of the Caribbean) de 2003, o gênero parecia extinto. Claro que depois de quatro sequências, sendo a última “A Vingança de Salazar”, parece que ainda teremos tempo para fazer um brinde com rum e dizer HO HO HO.

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PIRATAS DO CARIBE: KEIRA KNIGHTLY, ORLANDO BLOOM & JOHNNY DEPP

GALERIA DAS ESTRELAS : CENTENÁRIO DE TYRONE POWER

Carisma em cena.

Carisma em cena.

Quando Tyrone Edwards Power nasceu em Cincinatti, Ohio a 5 de Maio de 1914 o cinema ainda não tinha som, o mundo estava prestes a mergulhar no primeiro conflito de proporções globais e o rádio era a maior mídia da época. Nascido com a veia artística vinda de seu pai, Tyrone Power Sr, também pertencente a uma linhagem de atores teatrais iniciada com o bisavô de Tyrone. Logo após nascer, problemas de saúde levaram a família a se mudar para San Diego, na Califórnia para cuidar do pequeno Tyrone. Este se interessou desde cedo pela atuação e o futuro grande astro chegou até mesmo a atuar nos palcos junto com seu pai. Quando o pai de Tyrone foi contratado para o filme “The Miracle Men” de 1932, logo levou seu filho para as filmagens, já pensando em conseguir colocá-lo no meio, mas passou mal e morreu nos braços do filho, aos 44 anos, de infarto. A perda foi dura para o jovem Tyrone de 18 anos, mas este nunca desistiu de seguir os passos de seu pai. O jovem, então usando o nome artístico de Tyrone Power Jr fez pontas em diversos filmes no início da década de 30, mas depois de vários insucessos mudou-se para Nova York em busca de trabalho nos palcos e também seguiu o conselho do amigo, o ator Don Ameche,  fazendo rádio em Chicago por um curto tempo. Em 1936, foi para Hollywood onde conseguiu um contrato com a 20th Century Fox fazendo papéis pequenos e inexpressivos até que o corajoso ator entrou no escritório do diretor Henry King para pedir uma chance melhor. Contrariando a vontade de Darryl F. Zanuck, o todo poderoso da Fox, King – que se tornou grande amigo de Tyrone e com quem veio a trabalhar outras vezes – quem deu ao novato o papel que seria de Don Ameche em “Lloyd’s of London”. Ainda que em preto em branco, seu belo rosto, sua presença em cena e sua impostação de voz o fizeram ser notado e abriram as portas para novas oportunidades em filmes como “Na Velha Chicago” (1937) e “Maria Antonietta” (1938), onde fez par romântico com a já consagrada estrela Norma Shearer. Em 1939, sua condição já era de grande astro ascendente quando se casou com a atriz francesa Annabelle, uma relação que duraria por cinco anos. No mesmo ano teve uma excelente atuação como protagonista de “Jesse James”, versão romanceada do notório pistoleiro do velho oeste, trabalhando ao lado de Henry Fonda. A escalação de Tyrone, que já havia retirado o “Jr” de seu nome artístico, foi perfeita para transformar a figura de um violento fora-da-lei em um carismático rebelde com o qual o público poderia se identificar. O filme, dirigido pelo mesmo Henry King que lhe havia aberto as portas do sucesso, foi duramente criticado pela violência e pela distorção dos fatos relativos a um personagem moralmente questionável. As bilheterias aprovaram e o público se rendeu de vez ao charme de Tyrone, o que levou o estúdio a fazer a sequência “A Volta de Frank James”, sem Tyrone, no ano seguinte.

O primeiro Zorro do cinema falado.

O primeiro Zorro do cinema falado.

1940 foi definitivo para a carreira de Tyrone Power quando a Fox lhe entregou o papel do herói mascarado Zorro, criado por Johnston McCaulley, que havia sido vivido por Douglas Fairbanks no período do cinema mudo. Apesar de sua descedência irlandesa, Tyrone parecia convincente como o herói de origem espanhola que defendia seu povo dos abusos da tirania. Em cena ao seu lado, Basil Rathbone fazia seu antagonista, o Capitão Esteban e juntos protagonizam uma das melhores cenas de esgrima do período, tendo recebido a orientação de Fred Cavens, o melhor instrutor do gênero que trabalhou as lutas de outros filmes. Durante as filmagens, a habilidade de esgrimista de Rathbone era superior a de Power, mas ainda assim este o elogiou muito por sua desenvoltura em cena. Power soube como trabalhar a dualidade de seu personagem, afetado e sensível como Dom Diego mas audaz e determinado como Zorro. Satisfeitíssima com o carisma de Tyrone Power, a Fox o escalou para outro papel de natureza latina, o toureiro arrogante Juan Gallardo de “Sangue & Areia” (1941) – refilmagem do clássico que marcou a carreira de Rodolfo Valentino no cinema mudo, baseado no clássico da literatura espanhola de Vicente Basco Ibanez. O filme foi um grande sucesso e imortalizou a química entre Tyrone e a então novata Rita Hayworth como a sedutora Dona Sol.

Tyrone & Rita : Caliente !

Tyrone & Rita : Caliente !

Apesar se experimentar a comédia em “Esposas Ciumentas” (Day-Time Wife) de 1939, ano que foi coroado o “Rei das Bilheterias”,  e o drama em “Um Yankee na R.A.F” (A Yankee in R.A.F – 1940), a Fox continuava a explorar a imagem de sedutor e herói das matinês em colocou Tyrone no papel de pirata em “O Cisne Negro” (The Black Swam) em 1942, superficialmente adaptado do romance de Rafael Sabatini. Ao lado da belíssima Maureen O’Hara e antagonizado pelo excelente Anthony Quinn, Tyrone foi fantástico. Lamentavelmente, interrompeu sua carreira nesse período para ingressar nas forças armadas e lutar na Segunda Guerra Mundial, recusando qualquer tratamento especial. Dando baixa como Tenente, Tyrone retomou a carreira com um novo contrato com a Fox no drama “O Fio da Navalha” (Razor’s Edge) de 1946, adaptado do Best-seller de W.Somerset  Maughan. O papel era interessante para Tyrone para se distanciar dos papéis de herói romântico. Nessa fase de sua vida, se separou de Annabelle e pouco depois casou-se novamente com a também atriz Linda Christian com quem teve duas filhas: Romina em 1951 e Taryn em 1953.

Tyrone & Maureen O'Hara: Belos & talentosos.

Tyrone & Maureen O’Hara: Belos & talentosos.

Aceitou voltar ao gênero aventura em “O Capitão de Castela” (Captain from Castille) em 1947, outro papel a lhe impor o rótulo de herói latino, trabalhando  ao lado do amigo Cesar Romero. Apesar de bom ator, Tyrone Power foi subestimado em Hollywood, rotulado demais por mais que demonstrasse talento inegável nos palcos, sendo um dos atores favoritos de Charles Laughton que o escalava para suas peças, sempre elogiando sua dicção. Tyrone, contudo, buscou papéis diferenciados nas telas, trabalhando até para outros estúdios, porém nunca conquistando um Oscar. Separado de Linda Christian em 1955, Tyrone teve excelente desempenho ao lado de Errol Flynn e Ava Gardner em “E Agora Brilha o Sol” (The Sun Also Rises) de 1957, adaptação da obra de Ernest Hemingway e dirigido pelo velho amigo Henry King. Chegou a recusar o papel de Leonard Vole em “Testemunha de Acusação” (Witness For The Prosecution), do mesmo ano,  mas foi convencido pelo diretor Billy Wilder.

O Ultimo Filme

O Ultimo Filme

Power brilhou nessa adaptação da peça de Agatha Christie, atuando ao lado de Charles Laughton e Marlene Dietrich. Nesse mesmo ano conheceu e se casou pela terceira vez , com Deborah Ann Montgomery que logo veio a engravidar. Em 1958, Power gravava em Madrid “Solomon & Sheba”, dirigido por King Vidor, quando sofre um infarto fulminante enquanto filmava uma cena de luta com George Sanders e  – assim como seu pai – morreu. Seu filho, Tyrone Power IV nasceu no ano seguinte. O filme foi terminado com Yul Brinner entrando no lugar de Tyrone. Prematuro fim para um grande ator que deixou sua marca na história do cinema. Descrito pelos que o conhecera como um homem gentil e de grande empatia, Tyrone Power completaria 100 anos nesta data e, certamente, preenche hoje o firmamento como uma das maiores estrelas de sua geração.

Tyrone e sua ultima esposa nos bastidores do inacabado "Solomon & Sheba"

Tyrone e sua ultima esposa nos bastidores do inacabado “Solomon & Sheba”