GRANDE ESTREIA: GODZILLA O REI DOS MONSTROS

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          Desde tempos imemoriais a crença em monstros tem feito parte do folclore de várias civilizações. Como a figura do Kraken (uma espécie de lula gigante) que aterrorizou os antigos gregos. Na época das grandes navegações, eram incontáveis os relatos de serpentes marinhas. E até hoje, turistas viajam a Escócia à procura de algum sinal do lendário monstro de Loch Ness. Por isso é lógico que a ideia de um animal de proporções colossais que destrói tudo por onde passa seja explorada pelo cinema.

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            A estreia da nova versão de Godzilla em 2014 coincidiu com os 60 anos do personagem. No filme original, um gigantesco lagarto pré-histórico cujo hálito pode cuspir fogo foi despertado pela ação de testes com armas nucleares que provocaram uma mutação em sua natureza jurássica. O rastro de destruição que acompanha seus passos acaba com Tóquio até que o sacrifício de um cientista põe um fim na marcha mortífera da criatura. Dirigido por Ishiro Honda, Godzilla representou para a terra do sol nascente um demônio a ser exorcizado: a radiação nuclear e a queda da bomba atômica em Hiroshima & Nagasaki eram como um flagelo incutido na memória coletiva do povo japonês e personificado na figura de Godzilla, ou no original Gojira, aglutinação de duas palavras nipônicas : Gorira (gorila) e Kujira (baleia). O filme da Toho Company chegou a ser indicado para melhor filme pela Japanese Academy Awards, mas perdeu o prêmio para Os Sete Samurais de Akira Kurosawa. Curiosamente, os efeitos especiais não receberam a mesma honraria, apesar da competência do técnico Eiji Tsuburaya, o mesmo que anos depois criaria o herói Ultraman para a TV. Tsuburaya se recusou a empregar a técnica de stop-motion (usada no clássico King Kong, por exemplo) e fez uso do que foi depois chamado de suitmotion, ou seja, um ator usa uma fantasia especial se movimentando com auxílio de aparatos mecânicos por um cenário de miniaturas e maquetes mescladas a cenas de multidão. A roupa de Godzilla pesava em torno de 90 kilos e o ator que a vestia, Haruo Nakajima, se movimentava com grande dificuldade pelos cenários, não conseguindo andar mais que 9 metros com a vestimenta.

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             A ideia de um universo compartilhado de monstros, que a Warner vem desenvolvendo, não é uma novidade exatamente, apenas há agora o investimento de uma superprodução e o melhor da tecnologia para dar vida a Godzilla, Mothra, Rodan, King Ghidorah e outras criaturas que tiveram filmes B extremamente populares, chegando até a enfrentar Godzilla.  Vejamos alguns: Em 1956, o mesmo Ishiro Honda dirigiu Rodan, o Monstro do Espaço (Sora no daikaju Radon) em que um pterosauro mutante aterroriza Tóquio. Primeiro filme japonês de monstro a cores, o pterosauro teve o nome modificado no ocidente, do original Radon (redução no Japão para puteranodon) para Rodan porque havia nos Estados Unidos um sabonete com o mesmo nome. Outra mudança na versão americana foi a voz do Professor Kashiwagi que foi redublado (embora sem ter sido creditado por isso) por George Takei, o Sr.Sulu de Jornada nas Estrelas. Mudanças como esta se tornaram comuns para a ocidentalização dos monstros japoneses. Sendo assim, a mariposa gigante Mosura do filme de 1961 virou Mothra, a Deusa Selvagem, novamente dirigida por Ishiro Honda, nesta altura já reconhecido em sua terra como um especialista em Kaiju Eiga ou Daikaiju Eiga como são chamados no Japão os filmes de monstros. Mothra foi o primeiro filme japonês de monstro em que a criatura surge não como um avatar do mal, mas com uma divindade idolatrada pelos habitantes da ilha Beiru, onde cientistas exploram a região e sequestram duas mulheres nativas, despertando assim a ira de Mothra que parte em seu resgate. Sua popularidade não demorou para que os produtores a colocassem em um mesmo filme que Godzilla. Não demoraria também para que além da Toho, outro estúdio se interessasse pelo gênero. Em 1965, os estúdios Daiei lançam Gamera, uma tartaruga gigantesca vinda do ártico para destruir Tóquio, último filme do gênero no Japão a ser filmado em preto e branco. O sucesso dele também seria seguido por uma série de outros filmes.

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           Alegorias da mente humana, defensores ou destruidores, essas criaturas ganharam imensa popularidade a medida que expurgavam os fantasmas da radiação atômica que atormentavam os japoneses. No ocidente a aparição dessas criaturas, bem como de alienígenas, espelhavam seus outros medos, mais adequados ao temor da guerra fria. Té a Inglaterra também embarcou no gênero e criou seu próprio lagarto gigante em Gorgo (1961) de Eugene Lourie, praticamente uma cópia britânica de Godzilla com Londres no lugar de Tokio. O mesmo diretor já havia filmado em 1953 O Monstro do Mar (The Beast from 20000 Fathoms) , baseado em uma história curta de Ray Bradbury, e que trazia a mesma premissa de Godzilla: a do monstro pré-histórico despertado por testes atômicos no Atlântico Norte e que vem a atacar a cidade de Nova York. Por ter sido feito um ano antes de Godzilla, muitos o consideram a inspiração para o filme de Ishiro Honda.

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          O sucesso e a popularidade de Godzilla sempre foi superior a dos demais tendo retornado em diversas continuações, e refilmagens em um total de 30 filmes, sendo que 7 deles tiveram a direção de Honda incluindo os curiosos King Kong vs. Godzilla(1962), Mothra vs. Godzilla (1964), Ghidrah, o Monstro Tricefálo (1964) que também trazia Rodan, A Guerra dos Monstros (1965) e Terror Contra Mechagodzilla (1975). Com exceção do primeiro Godzilla de 1954, o lagartão com barbatanas dorsais e pele cinzenta e áspera que deu vida aos pesadelos dos japoneses deixou de ser seu algoz para ser defensor da humanidade nas sequências feitas, entrando em combate com outros monstros, e até com alienígenas, para salvar a Terra. Dessa forma, Godzilla tornou-se um fenômeno popular tanto no oriente quanto no ocidente onde foi americanizado com uma nova versão dois anos depois de seu lançamento original. O filme de Ishiro Honda foi remontado para lançamento internacional e com acréscimo de um novo personagem, o repórter Steve Martin (Raymond Burr) que é enviado ao Japão para cobrir o ataque de Godzilla. O processo que incluía dublagem das vozes originais se repetiu constantemente com Mothra e os demais filmes do gênero que ganhariam lançamento internacional.

           Mesmo que na década de 70 e 80, o gênero já estivesse desgastado na América; no Japão o rei dos monstros é recriado para uma nova geração em The Return of Godzilla (1984), muito antes que o reboots se tornassem comum. Dirigido por Koji Hahimoto, esse filme recupera a figura da fera como vilão. O ator Akhiko Hirata, que no filme original interpretou o Dr. Serizawa, que cria a fórmula usada para matar Godzilla, foi quase incluído nesse novo filme, mas infelizmente um câncer de garganta o matou antes. O filme, contudo, não teve um impacto tão grande assim apesar de outros exemplares continuarem a ser feitos no Japão. Uma nova tentativa de  ocidentalizar o monstro foi feita em 1998 pelo diretor Rolland Emmerich, que havia realizado o blockbuster de sucesso Independence Day. Emmerich aceitou recriar Godzilla depois de garantir a liberdade de promover as mudanças que desejasse, incluindo no visual da criatura já que admitira na época nunca ter sido fã do personagem. Apesar do bom elenco que incluía Matthew Broderick e Jean Reno, o resultado foi insatisfatório com um roteiro que mais parecia um amálgama de toda a série Jurassic Park. A perseguição dos filhotes de Godzilla no estádio, por exemplo,  lembrava a perseguição dos velociraptores.  Embora em termos financeiros o filme não tenha sido ao contrário do que se pensou desastroso, não agradou ao público e muito menos a critica. As sequências de ação não empolgavam e abusavam demais do bom senso como Godzilla desfilando por entre os edifícios de Nova York , a perseguição na ponte suspensa ou a criatura cavando tuneis, todas extremamente exageradas para um animal de tais dimensões. A decepção com o resultado desestimulou os planos do estúdio para continuações. Em 2000, o Japão retomou o personagem ignorando o filme de Emmerich em Godzilla 2000, que teve lançamento internacional, mas não o impacto esperado. A fórmula do grande monstro, no entanto,  nunca se esgotou no cinema sendo ocasionalmente revisitada como J. J.Abraams em Cloverfield (2008) ou Guilhermo del Toro em Círculo de Fogo (2012).

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           O novo filme, que agora dá sequência ao filme de 2014, traz um elenco de nomes que inclui Vera Farmiga (de “Invocação do Mal”) e Milli Bobby Brown (a Eleven de “Stranger Things”), mas o elenco humano não tem muito o que fazer, por mais que haja a nítida intenção de dramatizar quando o que todos querem assistir é o embate de monstros já que é disto que se trata o gênero Kaiju, como é chamado na terra do sol nascente. Não espere, no entanto, que este seja o ultimo filme pois a Warner já planeja para o ano que vem “Godzilla Vs Kong“, e não saiam da sala antes de ver a cena pós-crédito. A popularidade de ambos os monstros sempre garantiu seu lugar na cultura pop, o que ganhou espaço em animações e HQs. No imaginário popular, todos aprendemos a temer e a adorar o monstrengo, e por isso mesmo justifica-se sua alcunha de “Rei dos Monstros”

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A VOLTA DE KING KONG

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O FILME ORIGINAL (1933) NO TOPO DO EMPIRE STATE BUILDING

           King Kong de 1933 é uma das maiores obras-primas do cinema e isso é inegável. Refilmado mais de uma vez, o gorila é reinventado para a nova geração como parte de um “Monsterverse” planejado pela Legendary Pictures em conjunto com a Warner. Hora de revermos a evolução desse personagem que há 84 anos fascina o público. A ideia dessa releitura de “A Bela & A Fera” partiu do diretor Merian C.Cooper que imaginou um gorila gigante no topo do Empire State Building, então o prédio mais alto do mundo. Para criar a história que conduzisse a esse momento peculiar, pediu ao escritor norte-americano Edgar Wallace (1875 – 1932), escritor de livros de mistério,  que criou o argumento. Este fez as linhas gerais, mas vindo a falecer aos 57 anos não concluiu o trabalho que passou para as mãos de James Creelman. Na época, a sociedade americana vivia a lenta recuperação do new deal de Roosevelt e o público se conectou com um inusitado romance entre Ann Darrow, uma jovem atriz aspirante e um gigantesco gorila, que na verdade era um boneco de 45,72 cm feito com esqueleto de metal revestido com borracha, espuma e pele de coelho, animado quadro a quadro pelo técnico Willis O’Brien. Cooper e  Ernest B.Shoedsack dirigiram juntos o filme para o qual pensaram em Jean Harlow para o papel de Ann Darrow, que acabou ficando com a atriz canadense Fay Wray, então com 26 anos. Wray na verdade era morena e usou uma peruca que ajudou a criar o visual de sua personagem, uma mistura de vulnerabilidade e sensualidade. Com um custo em torno de $670,000, a produção rendeu nove vezes mais na época de seu lançamento original, um fato surpreendente para um momento em que os Estados Unidos se recuperavam de uma recente depressão econômica. Seu sucesso salvou a RKO da falência, um milagre gerado por um filme B.

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VOCÊ SERIA TIME KONG OU TIME GODZILLA?  EMBATE PRESTES A GANHAR REFILMAGEM TAMBÉM.

             Os produtores se apressaram em criar a sequência “O Filho de Kong” (The Son of Kong) no mesmo ano. Do elenco original somente quatro atores retornaram, incluindo Robert Armstrong que reprisou o papel de Carl Dehnam, convencido a voltar à Ilha da Caveira onde encontra o filho do gorila, igualmente gigante,mas de temperamento mais dócil. Sem Ann Darrow ou Jack Driscoll, o casal humano central, pouco ficou de interessante na história a ser contada e rodada às pressas para ser lançada seis meses depois do Kong original. Desta Willis O’Brien se envolveu menos no projeto, pois de acordo com o site imdb, havia mais interferência dos produtores no processo de “stop-motion”, e além disso, uma tragédia pessoal se abateu sobre O’Brien quando sua esposa atirou nos filhos do casal e tentou se suicidar em seguida. Nos anos seguintes o filme original veio a ser relançado outras vezes nas telas, com acréscimos de algumas cenas inicialmente apagadas da versão exibida em 1933. Os japoneses descobriram Kong e vieram a ser os primeiros a fazer um filme colorido com o símio em “King Kong vs Godzilla” (Kingu Kongu tai Gojira) de 1962, que teve os efeitos especiais realizados por Eiji Tsuburaya ( o criador do herói  Ultraman). Este usou stop-motion somente em duas cenas, vestindo atores como Kong e Godzilla lutando sobre um cenário de maquetes. Em 1967, a empresa Toho produz “ A Fuga de Kong” (Kingu Kongu no gyakushu) onde Kong enfrenta sua cópia robótica gigante chamada Mechakong. Após esse filme, a Toho perdeu os direitos adquiridos sobre Kong mas o impacto do personagem perdurou através das sucessivas reprises televisivas. Cópias e homenagens também não faltaram, sendo digno de nota a animação “A Festa do Monstro Maluco” (Mad Monster Party) de 1967, dirigida por Jules Bass, que reproduz a luta do gorila gigante contra aviões.

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O FILME DE 1976 É INFERIOR, MAS JESSICA LANGE, HMMMM !

          Em 1976, o produtor Dino de Laurentis e o diretor John Guilhermin resolveram se aventurar a refilmar a história de Kong com várias modificações em relação ao original: Não há menção à Ilha da Caveira, a expedição à ilha busca reservas desconhecidas de petróleo, não há Carl Dehnam nem Ann Darrow, substituídos pelos personagens Fred Wilson e Dwan, esta vivida pela então estreante Jessica Lange, aos 27 anos. O Gorila deixa de ser uma miniatura em stop-motion, empregando um gorila mecânico de mais de 12 metros (que chegou a ser enviado ao Brasil para promover o filme) construído por Carlo Rambaldi, além de gigantescos braços hidráulicos e até mesmo um ator vestido de gorila (Rick Baker), não creditado. A cena final troca o Empire State pelo World Trade Center (aquele mesmo destruído em 11 de setembro de 2001). O filme foi indicado para três Oscars técnicos e chegou a ganhar o de melhor efeitos especiais. 11 anos depois, DeLaurentis realizou uma infeliz sequência entitulada “King Kong Lives”, dirigida também por John Guilhermin. Parecia que ninguém se interessaria mais pela história quando em 2005, depois do sucesso em dirigir a trilogia “O Senhor dos Aneis” (The Lord of the Rings) deu ao diretor Peter Jackson carta branca para recontar o filme original, usando todo o requinte dos efeitos digitais. Naomi Watts fez a nova versão de Ann Darrow, com Jack Black e Adam Brody respectivamente nos papeis de Carl Dehnam e Jack Driscoll. Desta vez a tecnologia de captura digital de movimentos (empregada em “O Senhor dos Aneis” e na nova versão de “O Planeta dos Macacos”) dá vida a Kong a partir do ator Andy Serkis.

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A RESPEITOSA REFILMAGEM DE PETER JACKSON

             Apesar de toda a tecnologia e de seu mérito em apresentar Kong a uma nova geração, o impacto do filme de 1933 é indelével, graças ao pioneirismo de seus realizadores que conseguiram humanizar uma miniatura sem se render aos clichês do maniqueísmo. Ora monstro assustador, ora herói apaixonado, Kong transita no imaginário cinéfilo como a mais humana das feras, um ícone que renasce a cada geração.

ENPE – PROGRAMA 7 : ULTRAMAN & ULTRASEVEN

O novo programa do ENPE já está no ar no “You Tube”. Especializado em seriados clássicos de Tv e desenhos, o programa apresentado com muito bom humor e descontração por Roosevelt Garcia e Leonardo Bussadori traz em sua sétima edição tudo sobre os clássicos seriados de Tv ” Ultraman” e “Ultraseven”, que eu assisti quando criança no programa do saudoso Capitão Aza, e depois no SBT no Bozo e na TV Poww ! Ninguem sabe do que eu estou falando não é ? Bom quem tem mais de 30 anos sabe muito bem e poderáa matar as saudades de uma época em que a TV era mais ingênua e divertida, tanto quanto brincar, quando criança, que se eu corresse eu também iria me transformar no meu favorito, o Hideki Go, com dreito àqueles gritinhos de luta com os monstros. Um barato pois recordar é viver !!!!!!