NETFLIX: BIRD BOX – ÀS CEGAS

Faz algumas semanas que assisti a “Bird Box” e devo dizer que aos meus olhos, sem querer fazer piadinha, é um filme bem regular mas nada tão genial quanto se fez parecer depois do burburinho pela internet. Entendam: A história, adaptada do livro de Josh Malerman, tem seus momentos em cena e consegue ser de fato angustiante conforme acompanhamos a jornada de Malorie (Sandra Bullock), relutante em sua maternidade e progressivamente transformada pelas circunstâncias trágicas de uma insanidade global provocada por estranhos seres. O confronto de personalidades dos sobreviventes presos em uma casa traz a tona sentimentos e reações com as quais podemos nos identificar, principalmente Malorie.

A decisão de conduzir o telespectador sem jamais revelar o visual das criaturas é seu ponto forte, mas em dado momento acaba sendo previsível e frustrando as expectativas, até mesmo porque nada é explicado. De onde vem as criaturas ? Por que elas estão aqui ? Por que estão exterminando a raça humana de forma tão impiedosa ? Essas e outras perguntas ficam sem resposta, eficientes metáforas para o terror pretendido mas decepcionantes artifícios da narrativa à medida que a história segue deixando, para o cinéfilo atento, pistas de qual será o destino dos personagens. A sequência do rio também prende a atenção no terço final da história, mas confesso que duas mortes mexeram mais comigo, mas se eu mencionasse ficaria spoiler para quem ainda não viu o filme e está lendo o artigo.

A diretora dinamarquesa Susanne Bier, de 58 anos, mostra-se competente na condução dos atores, sempre deixando Sandra Bullock brilhar como a heroína Malorie, que descobre em uma realidade pós-apocalíptica um instinto materno que não acreditava ter. Ambas jã foram oscarizadas, Bier em 2011 com o prêmio de melhor filme estrangeiro por “Haeven”, e Sandra com o prêmio de melhor atriz em 2010 por “Um Sonho Possivel”. O sempre excelente John Malkovich também está no elenco mas muito no automático se comparado a outros papeis vivido pelo ator.

É inevitável comparar a narrativa de “Bird Box” com a história de “Um Lugar Silencioso” (2018) onde sobreviventes se escondiam de criaturas guiadas pelo som. Contudo, os filmes guardam características próprias que também os diferençia. “Um Lugar Silencioso” é centrado em torno de uma familia unida oprimida pelo fim do mundo, enquanto “Bird Box” reconstrói uma noção perdida de maternidade e o sentimento de familia renasce a partir e apesar do fim do mundo. Ambos tratam de esperança diante do fim aparentemente inevitável da raça humana, mas John Krazinski de “Um Lugar Silencioso” é mais eficiente em fazer do silêncio uma ferramenta em prol da atmosfera de suspense. Susanne Bier envereda pelo mesmo caminho de “Alien o oitavo passageiro” (1979) de Ridley Scott e “Tubarão” (1976) de Steven Spielberg. Ela esconde o visual das criaturas, segundo divulgado para evitar risos involuntários que comprometeriam o resultado. A cena em que um dos monstros aparece chegou a ser filmada, mas cortada na montagem final.

De qualquer forma, o filme consegue ser regular, mas não me imprimiu o efeito que , por exemplo, Hithcock conseguiu em “Os pássaros”, tratando de tema semelhante. Claro, que você que lê esse artigo pode desconsiderar todas as comparações, e se fixar apenas em um filme competente, que isso sim é digno de elogio desde que lembremos que devemos deixar o filme na tela e não cair nas idiotices dos desafios propostos por quem se propõe a sair por ai de olhos vendados, conforme divulgado em vários sites de noticia. Para isso, não se esqueça que viver no mundo real já significa estar de olhos vendados, cercados de monstros que não vem do espaço mas são reflexos de nossa própria humanidade.

CRITIC’S CHOICE AWARDS 2019 – OS VENCEDORES

CINEMA

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MELHOR FILME
Roma

MELHOR ATOR
Christian Bale – Vice

MELHOR ATRIZ (deu empate)
Glenn Close – A Esposa
Lady Gaga – Nasce uma Estrela
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali – Green Book – O Guia

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Regina King – Se a Rua Beale Falasse
MELHOR TALENTO JOVEM
Elsie Fisher – Eighth Grade
MELHOR ELENCO
A Favorita
MELHOR DIRETOR
Alfonso Cuarón – Roma
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
First Reformed

cch2

EMPATE: LADY GAGA & GLENN CLOSE

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Se a Rua Beale Falasse
MELHOR FOTOGRAFIA
Roma
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Pantera Negra
MELHOR MONTAGEM
O Primeiro Homem
MELHOR FIGURINO
Pantera Negra
MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
Vice
MELHORES EFEITOS VISUAIS
Pantera Negra
MELHOR ANIMAÇÃO
Homem-Aranha no Aranhaverso
MELHOR FILME DE AÇÃO
Missão Impossível: Efeito Fallout
MELHOR COMÉDIA
Podres de Ricos
MELHOR ATOR EM FILME DE COMÉDIA
Christian Bale – Vice

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MELHOR ATRIZ EM FILME DE COMÉDIA
Olivia Colman – A Favorita
MELHOR FILME DE TERROR OU FICÇÃO CIENTÍFICA
Um Lugar Silencioso
MELHOR FILME DE LÍNGUA ESTRANGEIRA
Roma
MELHOR CANÇÃO
“Shallow” – Nasce uma Estrela
MELHOR TRILHA
O Primeiro Homem

 

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EMILY BLUNT PARABENIZA O MARIDO JOHN KRAZINSKI

TELEVISÃO

MELHOR DRAMA
The Americans
MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA
Matthew Rhys – The Americans
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA
Sandra Oh – Killing Eve
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMA
Noah Emmerich – The Americans
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMA
Thandie Newton – Westworld
MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
The Marvelous Mrs. Maisel
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Bill Hader – Barry
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Rachel Brosnahan – The Marvelous Mrs. Maisel

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RAMI MALEK & REGINA KING

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Henry Winkler – Barry
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Alex Borstein – The Marvelous Mrs. Maisel
MELHOR SÉRIE LIMITADA
The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story

MELHOR TELEFILME
Jesus Christ Superstar Live in Concert
MELHOR ATOR EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Darren Criss – The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME (deu empate)
Amy Adams – Sharp Objects
Patricia Arquette – Escape at Dannemora
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Ben Whishaw – A Very English Scandal
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Patricia Clarkson – Sharp Objects
MELHOR SÉRIE ANIMADA
BoJack Horseman

 

OS MELHORES & OS PIORES DE 2018 NO CINEMA

OS PIORES DO ANO 2018

1- UMA DOBRA NO TEMPO. SEM DUVIDA O PIOR FILME DO ANO. CHEGA A SER CONSTRANGEDOR VER BONS ATORES COMO REESE WINTHERSPOON E OPRAH WINFREY EM UMA HISTÓRIA EM QUE NADA FUNCIONA. SIMPLESMENTE NUNCA SE CONECTA COM O PÚBLICO ALVO NEM CONSEGUE IMPRIMIR AQUELE TOM CAPAZ DE FAZER OS ADULTOS EMBARCAREM EM UMA FÁBULA E QUERER VOLTAR A SER CRIANÇA.

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2- TOMB RAIDER -A ORIGEM. SE PROPÕE A SER UM REBOOT MAS NÃO CONVENCE, NÃO INFLAMA E NÃO AJUDA O FATO DE QUE ALICIA VIKANDER NÃO AGRADA. NÃO É POR COMPARAÇÃO COM ANGELINA JOLIE, MAS PORQUE O ROTEIRO NÃO AJUDA A FAZER LARA CROFT UMA PERSONAGEM INTERESSANTE.

3- SOBRENATURAL 3 – A ÚLTIMA CHAVE. PODERIA SER UMA BOA IDEIA UM TERCEIRO FILME QUE VOLTASSE AO PASSADO DA PROTAGONISTA MAS TUDO QUE O FILME MOSTRA É MAIS DO MESMO E AS SITUAÇÕES NÃO DEIXAM AQUELA ATMOSFERA ASSUSTADORA. É TUDO PRETENSO MAS JAMAIS ALCANÇADO ATÉ O FINAL.

4- A MALDIÇÃO DA CASA WINCHESTER. HELEN MIRREN É EXCELENTE ATRIZ MAS SEU TALENTO É JOGADO FORA EM UMA HISTÓRIA RECHEADA DE CLICHÊS ONDE NÃO UM UNICO MOMENTO QUE NÃO SEJA PREVISIVEL. O PIOR PARA UM FILME DE TERROR É NÃO CONSEGUIR DAR UM SUSTO. LAMENTÁVEL PARA UMA CONHECIDA HISTÓRIA ADAPTADA DE UM CASO REAL.

5 -HAN SOLO – UMA HISTORIA DE STAR WARS. SOU MUITO FÃ DA SAGA MAS O FILME DEU SONO. A TRAMA É FRACA DEMAIS QUANDO DEVERIA DE SERVIR PARA FAZER DE “HAN SOLO JOVEM” UMA FRANQUIA PARALELA. A TROCA DE DIREÇÃO PODE TER PREJUDICADO O RESULTADO FINAL, MAS CREIO QUE A OVERDOSE DE UM FILME DE STAR WARS POR ANO, CONFORME PRETENDIDA PELA DISNEY, CANSA QUALQUER PÚBLICO E NÃO DÁ MANTER A QUALIDADE NOS ROTEIROS.

OS MELHORES DO ANO 2018

1- A FORMA DA ÁGUA. GUILHERMO DEL TORO CONSEGUE EQUILIBRAR COM PERFEIÇÃO HUMOR, DRAMA, MUSICAL E FICÇÃO CIENTIFICA SEM JAMAIS PERDER O OBJETIVO DE CONTAR UMA HISTÓRIA APARENTEMENTE ESQUISITA, MAS JÁ MOSTRADA EM VÁRIOS FILMES DE MONSTRO, FAZENDO DO SER HUMANO O VERDADEIRO MONSTRO, INVERTENDO PAPEIS COMUNS AO GÊNERO E SOBRETUDO EMOCIONANDO, ENVOLVENDO O PUBLICO COMO POUCOS CONSEGUEM.

2- AQUAMAN. GRATA SURPRESA QUE FAZ A AVENTURA DE UM HEROI QUE DURANTE MUITO TEMPO FOI RIDICULARIZADO, RELEGADO A TERCEIRO PLANO NO PANTEÃO DOS SUPER HERÓIS DA DC COMICS. O FILME DE JAMES WAN É  MOVIMENTADO E ENGRAÇADO NA MEDIDA CERTA, É ÉPICO E INSTIGANTE COMO JULES VERNE E SUAS 20000 LÉGUAS CLASSICAS.

3- UM LUGAR SILENCIOSO. INVENTIVO E ASSUSTADOR COMO POUCOS FILMES DO GÊNERO CONSEGUEM SER. JAMAIS ESBARRA NO MONÓTONO APESAR DE UMA PREMISSA EM QUE O SILENCIO ANGUSTIANTE ATRAVESSA O TEMPO TODO A HISTÓRIA E FAZ O ÓTIMO ELENCO ATUAR COM OLHARES E GESTOS SEM JAMAIS CAIR NO CARICATO OU EXAGERADO.

4-PANTERA NEGRA. CONSEGUE O MESMO MÉRITO DE “CAPITÃO AMERICA SOLDADO INVERNAL”, OU SEJA, FAZER UM FILME DE SUPER HEROI QUE FOGE AO LUGAR COMUM. FALA DE POLITICA, DE QUESTÕES SOCIAIS, DE TRADIÇÃO E SOBRETUDO MOSTRA RIQUEZA CULTURAL NAS QUESTÕES ENVOLVENDO O REINO DE WAKANDA E O MUNDO EXTERNO.

GAGA

5-NASCE UMA ESTRELA. BRADLEY COOPER E LADY GAGA RESGATARAM O LADO HUMANO, EMOTIVO, ROMÂNTICO QUE O CINEMA PERDEU AO LONGO DAS DÉCADAS. É PUNGENTE E CATARTICO O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO E DESCONSTRUÇÃO QUE O CASAL DE PROTAGONISTA PASSA. TOCA QUALQUER UM E UM DESEMPENHO DE AMBOS OS ATORES DIGNOS DE QUALQUER PREMIAÇÃO.