UNIVERSO DE MONSTROS

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         Quando Criança meu universo compartilhado de monstros era assistir a sitcom “The Munsters” (1964-1966) que trazia Fred Gwynne e Yvonne DeCarlo como um simpático casal, ele a criatura de Frankenstein e ela uma vampira, filha do próprio Drácula, um vovô bonachão, interpretado por Al Lewis. Tempos mais inocentes quando os monstros clássicos dos filmes de terror já não assustavam tanto. Nos primórdios do cinema, no entanto, a casa destes era o estúdio da Universal que tornou-se especialista em dar forma aos pesadelos do inconsciente humano.

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FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEN

            A frase “Bem vindo a um mundo novo de deuses e monstros” que agora anuncia a chegada do “Dark Universe” do estúdio na verdade é uma retomada pois o estúdio, na ativa desde a era do cinema mudo, já investira no passado na ideia de um universo compartilhado. Nomes como Lon Chaney (pai e filho), Boris Karloff e Bela Lugosi formavam um elenco talentoso na arte de explorar o medo, mais sugerido que explicito. Entre 1923, data da primeira filmagem de “O Corcunda de Notre Dame” com Lon Chaney até o final da década de 50, o Universal Studios chefiada por Carl Laemmle soube se especializar em filmes de custo baixo mas que davam grande retorno de bilheteria durante os loucos anos vinte (os chamados roaring twenties) criando uma reputação que continuou a explorara em meio aos difíceis anos da grande depressão que se seguiu. A Universal foi o primeiro estúdio a investir em sequências, muitas das vezes reaproveitando cenários, tomadas e falas, se beneficiando do talento desses atores, diretores como Tod Browning e James Whale e da habilidade do maquiador Jack Pierce para moldar personagens saídos dos pesadelos mais sombrios. A Universal deu vida a Drácula, Frankenstein, lobisomem, múmia e várias outras criaturas que se popularizaram com um público que encontrava deleite nas sombras da alma humana representadas em preto e branco, herdeiros das lições do expressionismo cultivadas por Murnau e Lang.

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A CASA DE FRANKENSTEIN

          A ideia de juntar mais de um monstro em um único filme surgiu quando, depois de 4 filmes de Frankenstein (os três primeiros com a criatura interpretada por Boris Karloff) o roteirista Curt Siodmark sugeriu ao produtor  George Wagner que fizessem “Frankenstein meets the Wolfman”, recebendo sinal verde para o projeto que veio a ser dirigido por Roy William Neill e lançado em 1943. O filme mostra Larry Talbot (Lon Chaney Jr) procurando uma cura para sua maldição e se confrontando a criatura de Frankenstein interpretada por Bela Lugosi, que fica em cena apenas por pouco mais de cinco minutos sendo ocasionalmente substituido por um dublê devido a problemas de saúde. O filme funcionou como uma sequência tanto para os eventos mostrados em “O Lobisomen” de 1941 como em “A Alma de Frankenstein” (The Ghost of Frankenstein) de 1942. Para atrair o público, o estúdio anunciou o nome de Lon Chaney, sem o Jr, para confundir a todos já que o nome de Lon Chaney pai (falecido em 1930) ainda era então extremamente conhecido. A ideia inicial era de ter Chaney filho fazendo tanto o papel do lobisomen como do monstro de Frankenstein, mas deixada de lado já que falamos de décadas anteriores à tecnologia digital. O resultado satisfatório animou a Universal a reunir mais monstros, o que levou à realização de “A Casa de Frankenstein” (The House of Frankenstein) de 1944. Neste novo exemplar, Boris Karloff retorna ao universo de monstros mas como o cientista louco que manipula Dracula (John Carradini), o monstro de Frankenstein (o ex cowboy Glenn Strange) e o Lobisomen (Chaney Jr) para se livrar de seus desafetos. Originalmente, a múmia Kharis seria incluída no filme, mas por motivos de orçamento ficou de fora. Mesmo as cenas com Drácula acabaram sendo filmadas em separado sem que este contracenasse com o lobisomen de Chaney e o Frankenstein de Strange. O filme ainda incluiria a figura do corcunda apaixonado (J.Carrol Nash) por uma dançarina cigana (Elena Verdugo) emulando a narrativa de “O Corcunda de Notre Dame”, embora não sejam os mesmos personagens. A Segunda Guerra se aproximava de seu fim, mas o público vivia a incerteza desta e de suas consequências. O ciclo da Universal oferecia a catarse ideal para esse medo real, palpável e o estúdio soube como tirar proveito disso levando a “A Casa de Drácula” (The House of Dracula) de 1945 reunindo esse “Nightmare Team” uma última vez, desta vez sem Karloff que teve o personagem substituído por outro cientista, o Dr.Edelmann (Onslow Stevens) a quem Drácula e Larry Talbolt procuram em busca de uma cura. O filme incluiu uma novidade na figura de uma mulher corcunda, Nina (Jane Addams). O filme também marcou a última aparição de Lon Chaney Jr sob contrato com a Universal, embora o ator tenha voltado ao papel mas na comedia “Abbot & Costello Meet Frankenstein” (1948) que reuniria além do próprio Bela Lugosi como Dracula e Glenn Morgan como Frankenstein.

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A CASA DE DRÁCULA

         Quando a década de 50 chegou o interesse dos estúdios passou a ser filmes de monstros do espaço e discos voadores, o que deixou os monstros clássicos de lado mas não esquecidos graças à iniciativa da Universal de levá-los para a Tv como um pacote de filmes  que foi apresentado a uma nova geração de jovens que redescobriu os mestres do pavor sobrenatural. Provando que estes sempre renascem, o estúdio promete novas versões em filmes interligados, reintroduzindo o conceito para uma geração acostumada a jogos de vídeo game e filmes de super heróis. Como promete o slogan, um mundo – não tão novo assim – de deuses, monstros e efeitos digitais modernos.

A VOLTA DE KING KONG

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O FILME ORIGINAL (1933) NO TOPO DO EMPIRE STATE BUILDING

           King Kong de 1933 é uma das maiores obras-primas do cinema e isso é inegável. Refilmado mais de uma vez, o gorila é reinventado para a nova geração como parte de um “Monsterverse” planejado pela Legendary Pictures em conjunto com a Warner. Hora de revermos a evolução desse personagem que há 84 anos fascina o público. A ideia dessa releitura de “A Bela & A Fera” partiu do diretor Merian C.Cooper que imaginou um gorila gigante no topo do Empire State Building, então o prédio mais alto do mundo. Para criar a história que conduzisse a esse momento peculiar, pediu ao escritor norte-americano Edgar Wallace (1875 – 1932), escritor de livros de mistério,  que criou o argumento. Este fez as linhas gerais, mas vindo a falecer aos 57 anos não concluiu o trabalho que passou para as mãos de James Creelman. Na época, a sociedade americana vivia a lenta recuperação do new deal de Roosevelt e o público se conectou com um inusitado romance entre Ann Darrow, uma jovem atriz aspirante e um gigantesco gorila, que na verdade era um boneco de 45,72 cm feito com esqueleto de metal revestido com borracha, espuma e pele de coelho, animado quadro a quadro pelo técnico Willis O’Brien. Cooper e  Ernest B.Shoedsack dirigiram juntos o filme para o qual pensaram em Jean Harlow para o papel de Ann Darrow, que acabou ficando com a atriz canadense Fay Wray, então com 26 anos. Wray na verdade era morena e usou uma peruca que ajudou a criar o visual de sua personagem, uma mistura de vulnerabilidade e sensualidade. Com um custo em torno de $670,000, a produção rendeu nove vezes mais na época de seu lançamento original, um fato surpreendente para um momento em que os Estados Unidos se recuperavam de uma recente depressão econômica. Seu sucesso salvou a RKO da falência, um milagre gerado por um filme B.

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VOCÊ SERIA TIME KONG OU TIME GODZILLA?  EMBATE PRESTES A GANHAR REFILMAGEM TAMBÉM.

             Os produtores se apressaram em criar a sequência “O Filho de Kong” (The Son of Kong) no mesmo ano. Do elenco original somente quatro atores retornaram, incluindo Robert Armstrong que reprisou o papel de Carl Dehnam, convencido a voltar à Ilha da Caveira onde encontra o filho do gorila, igualmente gigante,mas de temperamento mais dócil. Sem Ann Darrow ou Jack Driscoll, o casal humano central, pouco ficou de interessante na história a ser contada e rodada às pressas para ser lançada seis meses depois do Kong original. Desta Willis O’Brien se envolveu menos no projeto, pois de acordo com o site imdb, havia mais interferência dos produtores no processo de “stop-motion”, e além disso, uma tragédia pessoal se abateu sobre O’Brien quando sua esposa atirou nos filhos do casal e tentou se suicidar em seguida. Nos anos seguintes o filme original veio a ser relançado outras vezes nas telas, com acréscimos de algumas cenas inicialmente apagadas da versão exibida em 1933. Os japoneses descobriram Kong e vieram a ser os primeiros a fazer um filme colorido com o símio em “King Kong vs Godzilla” (Kingu Kongu tai Gojira) de 1962, que teve os efeitos especiais realizados por Eiji Tsuburaya ( o criador do herói  Ultraman). Este usou stop-motion somente em duas cenas, vestindo atores como Kong e Godzilla lutando sobre um cenário de maquetes. Em 1967, a empresa Toho produz “ A Fuga de Kong” (Kingu Kongu no gyakushu) onde Kong enfrenta sua cópia robótica gigante chamada Mechakong. Após esse filme, a Toho perdeu os direitos adquiridos sobre Kong mas o impacto do personagem perdurou através das sucessivas reprises televisivas. Cópias e homenagens também não faltaram, sendo digno de nota a animação “A Festa do Monstro Maluco” (Mad Monster Party) de 1967, dirigida por Jules Bass, que reproduz a luta do gorila gigante contra aviões.

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O FILME DE 1976 É INFERIOR, MAS JESSICA LANGE, HMMMM !

          Em 1976, o produtor Dino de Laurentis e o diretor John Guilhermin resolveram se aventurar a refilmar a história de Kong com várias modificações em relação ao original: Não há menção à Ilha da Caveira, a expedição à ilha busca reservas desconhecidas de petróleo, não há Carl Dehnam nem Ann Darrow, substituídos pelos personagens Fred Wilson e Dwan, esta vivida pela então estreante Jessica Lange, aos 27 anos. O Gorila deixa de ser uma miniatura em stop-motion, empregando um gorila mecânico de mais de 12 metros (que chegou a ser enviado ao Brasil para promover o filme) construído por Carlo Rambaldi, além de gigantescos braços hidráulicos e até mesmo um ator vestido de gorila (Rick Baker), não creditado. A cena final troca o Empire State pelo World Trade Center (aquele mesmo destruído em 11 de setembro de 2001). O filme foi indicado para três Oscars técnicos e chegou a ganhar o de melhor efeitos especiais. 11 anos depois, DeLaurentis realizou uma infeliz sequência entitulada “King Kong Lives”, dirigida também por John Guilhermin. Parecia que ninguém se interessaria mais pela história quando em 2005, depois do sucesso em dirigir a trilogia “O Senhor dos Aneis” (The Lord of the Rings) deu ao diretor Peter Jackson carta branca para recontar o filme original, usando todo o requinte dos efeitos digitais. Naomi Watts fez a nova versão de Ann Darrow, com Jack Black e Adam Brody respectivamente nos papeis de Carl Dehnam e Jack Driscoll. Desta vez a tecnologia de captura digital de movimentos (empregada em “O Senhor dos Aneis” e na nova versão de “O Planeta dos Macacos”) dá vida a Kong a partir do ator Andy Serkis.

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A RESPEITOSA REFILMAGEM DE PETER JACKSON

             Apesar de toda a tecnologia e de seu mérito em apresentar Kong a uma nova geração, o impacto do filme de 1933 é indelével, graças ao pioneirismo de seus realizadores que conseguiram humanizar uma miniatura sem se render aos clichês do maniqueísmo. Ora monstro assustador, ora herói apaixonado, Kong transita no imaginário cinéfilo como a mais humana das feras, um ícone que renasce a cada geração.

DR.ESTRANHO NAS HQS E NA TV

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Com o sucesso mundial de Harry Potter na literatura e no cinema, nada mais relevante que haja um super- herói com poderes de um bruxo. Não foi, no entanto, Stan Lee quem criou o primeiro herói místico das HQs, mas sem dúvida seu toque de Midas se fez sentir em Junho de 1963, quando foi publicado o título “Strange Tales #110”. A estreia do mago supremo do universo Marvel não teve alarde, dividindo as páginas da revista com o já popular Tocha Humana. A história de 8 páginas, contudo, não mostrava sua origem. Esta só foi publicada 4 meses depois: Stephen Vincent Strange era um conceituado e arrogante neurocirurgião que sofre um terrível acidente que incapacita o movimento de suas mãos. Inconformado com a situação e relutante em se tornar um mero clínico, Strange busca um tratamento alternativo para reverter sua condição, quando descobre no Tibet a figura do Ancião, um homem sábio com poderes sobrenaturais. A visita abala a visão de mundo de Strange, que descobre que o Barão Mordo, discípulo do Ancião, planeja matá-lo depois de ter sido seduzido pelo poder maligno de Dormammu, senhor absoluto de uma dimensão do mal. Strange é enfeitiçado para não poder revelar o que descobriu, e por gratidão ao Ancião, pede que este o treine. Assim começa o caminho de Strange pelas artes místicas, tudo maravilhosamente diagramado pela arte de Steve Dikto.

AS INFLUÊNCIAS

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ESTREIA DO PERSONAGEM NO BRASIL

Segundo o próprio Lee, foi de Dikto (co- criador do Homem Aranha) a ideia para criação do personagem místico, um herói não saído da pseudociência de Lee, mas da magia. Antes do bom doutor, no entanto, outros heróis já demonstravam habilidades sobrenaturais como o “Dr.Oculto” (Doctor Ocult), criado em 1935 por Jerry Siegel e Joe Shuster (os criadores do Superman) ou o mágico “Mandrake” de Lee Falk de 1934. Estes, no entanto, agiam em suas histórias como um detetive com habilidades mágicas. Ainda houve em 1940 o “Senhor Destino” (Dr. Fate) , criado pela dupla Gardner Fox e Howard Sherman, um feiticeiro super poderoso que se aliou a outros herois para combater as forças do mal. Contudo, ao lapidar a ideia de Dikto, Stan Lee buscou inspiração mesmo em “Chandu – o Mágico”, programa de rádio que, por volta de 1932 , seria transformado em seriado interpretado pelo hoje desconhecido Edmund Lowe,  e depois, por Bela Lugosi. Chandu era um ilusionista que age em segredo como espião fazendo uso de suas habilidades.

 O PROCESSO CRIATIVO

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O PERSONAGEM DE MÁSCARA

Lee adicionou frases de efeito para dramatizar os encantamentos do mago que, em suas histórias, frequentemente invocava as faixas escarlates de Cyttorak, os sete anéis de Raggadorr ou o olho de Agamotto, um poderoso amuleto que amplia os poderes do mago. O herói também usa o livro de Vishanti que contem vários feitiços que o Dr.Estranho conjura e o manto da levitação que lhe permite voar. A principio as histórias de Estranho eram secundárias, contadas em breves páginas, já que o Tocha Humana era a estrela de “Strange Tales”. O personagem ainda nem mesmo usava seu manto de levitação.

Lee e Ditko ficaram juntos por três anos explorando roteiros dramáticos, diálogos bem conduzidos em cenários e cores psicodélicas para retratar limbos, universos paralelos e até o próprio inferno. A arte de Dikto explorava tons surrealistas que, de acordo com o historiador Bradford Wright, lembra as pinturas de Salvador Dali. Com a saída de Dikto, e posteriormente do próprio Stan Lee, substituído por Roy Thomas, o personagem foi desenhado por Bill Everett (criador de Namor), Marie Severin e Gene Colan que assume o título solo do herói (renomeando a antiga “Strange Tales” a partir de Fevereiro de 1969), que dura apenas 15 edições. As histórias do período refletem todo um interesse por misticismo que se seguiu ao final dos anos 60, e as aventuras de Strange envolvendo divindades egípicias ou sumérias ecoavam o interesse do ocidente pelas religiões orientais. Na edição “Doctor Strange #177” Thomas & Colan, em uma tentativa de estimular as vendas do título colocam uma máscara no herói feiticeiro fazendo sutis modificações em seu uniforme, que perdurariam por sete edições.

 AS AVENTURAS

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DR.OCULTO – PREDECESSOR DO DR. ESTRANHO

Na década de 70, o personagem perdeu seu primeiro título solo passando a ser publicado em dois títulos : “Marvel Premiere” (entre 1972 e 1974) e na “Marvel Feature” onde o herói se juntou ao Hulk e Namor e formaram a equipe dos Defensores, criado por Roy Thomas. Mas, diferente dos populares Vingadores, os Defensores pareciam se hostilizar e sua união só se justificava pela conveniência  de uma ameaça em comum, sem o espírito de camaradagem da equipe do Capitão América. Mais tarde, o roteirista Steve Englehart assumia o título da equipe e escreveria um confronto clássico “Vingadores X Defensores”.

A década de 70 ainda teria o segundo título solo do heroi “Dr.Strange: Master of the Mystical Arts”, que duraria 81 edições. Nessa fase, o mago enfrentaria Drácula, se apaixonaria pela discípula Clea e viajaria pelo tempo em mais de uma ocasião. As artes de Frank Brunner e Gene Colan se destacaram pela inventividade. O primeiro, junto com Steve Englehart, causaria um embaraço à Marvel quando em um arco de histórias entitulado “Sise-Neg” (Genesis escrito ao contrário) Strange, depois da morte do ancião, assume o manto de mago supremo,  viaja ao início do universo e encontra Deus. Os editores da Marvel pediram que os autores se desculpassem em carta e alegassem que não Deus. Englehart e Brunner escreveram uma carta falsa à editora enviada do Texas de um pastor fictício elogiando a história, levando os editores a desistir da ideia.

Na década de 80, o roteirista Roger Stern ficou à frente do título do herói com vários desenhistas se revezando como Paul Smith, Marshall Rogers, Bret Blevings, Kerry Gammill, Michael Golden, Sal Buscema, Gene Colan entre outros. Stern soube equilibrar a vida pessoal de Stephen Strange com aventuras cósmicas. O autor conseguiu explorar bem o elenco coadjuvante das histórias como o assistente Wong, a namorada Clea e introduziu uma nova personagem, Morgana Blessing, que vem a se tornar discípula de Strange. Na edição # 53 de “Doctor Strange”, publicado em “Heróis da TV #91”, o Dr.Estranho viaja ao passado e revisita o primeiro encontro do Quarteto Fantástico com o Faraó Rama Tut, reproduzindo a história originalmente publicada em “Fantastic Four #19” de outubro de 1963, colocando o mago na posição de um observador do futuro. Coube a Stern também uma das melhores histórias do herói, desenhada por Mike Mignola (o criador de Hellboy). Na graphic novel “Triunfo & Tormento” Estranho se alia ao Doutor Destino (inimigo mortal do quarteto fantástico) em uma jornada ao inferno para resgatar a alma da mãe do vilão.

Mais recentemente, Strange juntou-se aos Novos Vingadores, esteve envolvido com os Ilumminati (grupo secreto de heróis) e perdeu o título de mago supremo da terra para o Irmão Vudu. Após os eventos Guerra Civil e Invasão Secreta, muita coisa mudou no status quo dos personagens Marvel e com o Dr.Estranho não foi diferente. O roteirista Jason Aaron mudou o visual do mago colocando um machado em sua mão.

O HEROI NO BRASIL

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O DR. ESTRANHO NA TV

No Brasil, o herói foi rebatizado de “Dr.Mistério” quando publicado pela Editora M&C, mas a revista só durou duas edições. Quando ressurgiu pela primeira vez com seu nome corrigido foi no título “Os Defensores” (The Defenders) #1 da Editora Bloch. Em Abril de 1979, a RGE trouxe o personagem ao Brasil em aventuras solo, primeiro no título “Almanaque Marvel #1”, da Editora RGE, em uma aventura conjunta com o Homem-Aranha extraído de “Marvel Team Up #21” originalmente publicada em 1974. O curioso dessa história é que os dois heróis encontram … Xandu, o mágico. No mês seguinte a RGE publicou a clássica “Dr.Strange #169” em “Almanaque Marvel #2”. O material da “Marvel Premiere” veio a ser publicado pela Editora Abril em 1982 no título “Superaventuras Marvel” a partir da segunda edição desta. A origem do herói, no entanto, apareceu nas páginas da edição comemorativa “Herois da TV #100”(segunda série), da Editora Abril. O mesmo título publicou na década de 80 as elogiosas histórias escritas por Roger Stern.

 A PRIMEIRA ADAPTAÇÃO

A década de 70 ainda teve a primeira tentativa de adaptar o personagem para um filme live-action. Em 1978, a MCATV, divisão televisa dos estúdios Universal vinha tendo muito sucesso com a série do “Incrível Hulk” estrelada por Bill Bixby e Lou Ferrigno. Com intenção de realizar um série do Doutor Estranho, a MCA encomendou um piloto dirigido por Philip Deguerre com consulta do próprio Stan Lee. O ator Peter Hooten fez o papel principal com várias mudanças em relação à HQ: No filme, Stephen Strange é psiquiatra e não neurocirurgião, não há a figura do Ancião, o uniforme do herói ostenta uma estrela no peito, desenvolvido pelo próprio Frank Brunner, um dos melhores artistas a trabalhar com o personagem. Seu antagonista é a mitológica bruxa Morgana (Jessica Walters), das lendas Arturianas. Dos coadjuvantes das HQs estão apenas o assistente Wong (Clyde Kusatsu) e a discípula e namorada Clea (Anne Marrie Martin). Na história do filme, Morgana possui o corpo de Clea em uma tentativa de matar o mago supremo e tomar seus poderes no processo. A fraqueza de Morgana é se apaixonar por Strange. Na época, Stan Lee estava bastante entusiasmado com o filme, sendo que o resultado foi muito abaixo do esperado, principalmente levando em conta que o filme foi exibido no mesmo dia e horário que a premiada mini-série “Raízes” (Roots). No Brasil, o filme chegou a ser exibido pela Rede Globo. A chegada do novo filme estrelado por Benedict Cumberbatch certamente popularizará o personagem diante de uma nova geração, mas que ninguém duvide que o verdadeiro mago supremo da terra sempre foi Stan Lee.

 

PRIMEIRA IMAGEM : A MÚMIA

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A UNIVERSAL JÁ ESTÁ SE MEXENDO EM CRIAR SEU UNIVERSO COMPARTILHADO DE MONSTROS, MESMO DEPOIS DA MORNA RECEPÇÃO DE “DRACULA UNTOLD” EM 2014. A IMAGEM ACIMA É DA ATRIZ SOFIA BOUTELLA COMO A RAINHA EGIPÍCIA DESPERTADA DE SEU SONO MILENAR PARA ATERRORISAR A LONDRES MODERNA. O FILME TERÁ TOM CRUISE NO PRINCIPAL PAPEL MASCULINO E AINDA TRARÁ RUSSELL CROWE NO PAPEL DE DR. jEKYLL (DE O MEDICO E O MONSTRO).

CAPITÃES AMERICA

CA 77 - 01                     Algumas coisas sobre o Capitão América que nem todos conhecem: Ele não foi criado por Stan Lee, mas sim por Joe Simon & Jack Kirby. Datado de Março de 1941 (embora tivesse sido distribuído no final do ano anterior), a revista “Captain America” #1 foi publicada quase um ano antes do bombardeio japonês em Pearl Harbor que levou os Estados Unidos a entrar na Segunda Guerra. Também não foi o primeiro a explorar um caráter ufanista já que antes já havia sido publicado o herói “O Escudo” (The Shield) na revista “Pep Comics” #1, publicada vários meses antes, e que já trazia um uniforme baseado na bandeira norte-americana. Chris Evans não é o primeiro ator a viver o herói, e sim o quarto ator a personificá-lo.


Em 1944, um ano antes do fim da Segunda Guerra, Dick Purcell estrelou um seriado da Republic (Aqueles que eram divididos em 15 capítulos antes do filme principal) onde seu nome não era Steve Rogers, mas sim Grant Gardner, um promotor público. Seu uniforme não trazia as asinhas da máscara e empunhava um revólver em vez do vistoso escudo. Seu inimigo era o vilão Escaravelho, cuja identidade era conhecida do público para criar envolvimento da plateia. O orçamento do seriado “Captain America” (1944) era maior que as produções do gênero e foi o último trabalho de Purcell, que falecera de ataque cardíaco poucos meses depois de terminadas as filmagens. Essa versão é possível de ser encontrada em DVD. Demorou um longo tempo para uma nova adaptação, e mesmo nos quadrinhos o herói passou por um período de baixas. Com o fim do conflito mundial, os comunistas substituíram os nazistas como vilões, mas mesmo assim o gênero parecia cair em decadência até que o título do herói foi cancelado.

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Capitão America : Dick Purcell nos anos 40

Somente em 1964 em “Avengers” #4 que Stan Lee ressucitou o sentinela da liberdade substituindo o ufanismo do passado pelo anacronismo. Despertado de sono criogênico, Steve Rogers é um homem deslocado no tempo, representante de um ideal de liberdade utópico e com valores morais ultrapassados. Lee foi genial em trazer o herói em uma época em que a America perdia a inocência depois das mortes de Kennedy e Martin Luther King e, entrando a década de 70 em que teve um elogioso arco de histórias escrito por Steve Englehart e desenhado por Sal Buscema no qual enfrenta a organização “Império Secreto”, reflexo direto da década do escândalo de Watergate e da queda de Nixon.

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Capitão America na TV dos anos 70

Em 1979, a Universal gozava com o sucesso da série de Tv do Incrível Hulk, estrelado por Bill Bixby e Lou Ferrigno, uma adaptação inspirada no material impresso da Marvel, mas absolutamente livre das referências originais do personagem. Pensava-se em fazer o mesmo com o Capitão América e, assim a CBS levou ao ar dois filmes pilotos estrelados pelo ex jogador de futebol americano Reb Brown, então com quase 30 anos. Os telefilmes “Captain America” e “Captain America II – Death Too Soon” traziam Steve Rogers como desenhista publicitário sem nenhuma relação com o exército ou com a segunda guerra. Após sofrer em um atentado devido às relações de seu falecido pai com o governo, Steve tem a vida salva por um soro que lhe dá super força e velocidade. Seu uniforme parecia com o das HQs (ficou melhor no segundo filme) mas tinha dois detalhes: Sua máscara era composta por um capacete de motoqueiro e seu escudo era transparente. O resultado foi abaixo do esperado para justificar a produção de uma série, mas trazia um atrativo a presença do veterano Christopher Lee (Drácula) no segundo filme. Apesar do orçamento restrito, as cenas de ação conseguem empolgar e foram para os que como eu, assistiram na TV Globo quando criança, uma aventura no mínimo agradável. Na França o segundo telefilme chegou a ser exibido nos cinemas. Aqui no Brasil, foi pelo SBT.
Precisou de mais de dez anos para um novo filme. Nas HQs, Steve Rogers foi temporariamente trocado por outro quando se recusou a ser um operativo oficial do governo, e descobriu que seu arquiinimigo, o Caveira Vermelha, não apenas ainda vivia como ocupava um corpo clonado de Steve Rogers. Os autores Mark Gruenwald e Kyeron Dywer deixavam claro que, apesar do patriotismo inerente a sua identidade heroica, Steve Rogers se recusava a ser um peão do governo.

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Matt Salinger, Capitão America nos anos 90

Paralelamente, os produtores Menahem Golan e Yaram Globus realizaram uma nova adaptação do herói com pretensão de serem fiéis às HQs originais, dividindo o filme em duas épocas: Um prólogo na Segunda Guerra onde enfrenta o Caveira Vermelha e depois um salto no tempo para os anos 90 onde volta a enfrentar o Caveira Vermelha para salvar a vida do presidente dos Estados Unidos. O orçamento foi novamente abaixo do necessário para um resultado melhor, a nacionalidade do Caveira Vermelha passa a ser italiana com o canastrão Scott Paulin transformando-o em um gangster moderno. O papel do herói foi vivido por Matt Salinger, filho do escritor J.D Salinger (o autor de “O Apanhador no campo de centeio) e a direção ficou a cargo do fraco Albert Pyun. No Brasil, “Capitão America” nem chegou a ser lançado no circuito comercial, sendo diretamente lançado em VHS.
Chris Evans já apareceu como o herói em 5 filmes (o que inclui uma ponta em “Thor Mundo Sombrio”) desde 2011 e agora enfrenta seu maior desafio em “Capitão America :Guerra Civil”, uma história inspirada na polêmica mini-série escrita por Mark Miller em 2009. Nela, o governo promulga uma lei para obrigar qualquer super herói a revelar sua identidade secreta e acatar as ordens do governo se quiser agir. De um lado, o Homem de Ferro lidera aqueles que aceitam a imposição e, por outro o Capitão America lidera os que se opõem à medida que infringe os direitos civis e a liberdade de atuação. As implicações da história foram profundas no universo Marvel, e por isso mesmo estarão contidas no filme que se propõe a ser uma continuação dos eventos de “Soldado Invernal” (2014) e “A Era de Ultron” (2015) e ainda servir de ponto de partida para a fase 3 que se desenvolverá nos filmes da Marvel Studios. Escolha um lado e divirta-se. Cap fOREVER !!!!!