REVENDO A FRANQUIA : A VOLTA DOS FURIOSOS.

 the-fast-and-the-furious-2001.jpg              Impressionante como há dezesseis anos o público continua acelerando com a franquia “Velozes & Furiosos”, uma das mais rentáveis para a indústria do cinema, sobrevivendo a idas e vindas do elenco, tramas recicláveis, ainda que divertidas, e mesmo à morte de Paul Walker, um dos protagonistas. Curioso que todo esse sucesso de bilheteria tenha vindo de forma despretensiosa. Quando o primeiro filme foi feito em 2001, dirigido por Rob Cohen, tanto Vin Diesel quanto Paul Walker eram desconhecidos. Diesel tinha tido uma ponta em “O Resgate do Soldado Ryan” (Saving Private Ryan), de 1998, e protagonizou “Eclipse Mortal” (Pitch Black) em 2000. Já Paul Walker vinha de papéis na Tv e alguns menores no cinema como em “A Vida em Preto & Branco” (Pleasantville) de 1998. O orçamento estimado em torno de US$ 38 milhões gerou um lucro maior que o triplo só no mercado interno norte-americano. Diesel & Walker ganharam o prêmio de melhor dupla no MTV Awards daquele ano, mostrando o quanto a geração videoclip aprovou o clima do filme com seus motores envenenados, cores berrantes e … roteiro raso. As cenas de ação empolgaram com mais de 1.500 veículos na cena da corrida que teve a adesão de pilotos reais. Desde então, não dava para se levar a sério o plot de um agente infiltrado na gangue de durões de Dominic Toretto, ao som do hip hop. Sem nenhuma preocupação com os diálogos, o filme é conduzido para a ação inebriante dos rachas, tão insano quanto o segundo episódio do desenho do “Pica Pau” (The Screwdriver), de 1941.

PICA PAU RACHADOR

              Em 2003, o diretor John Singleton foi contratado para uma sequência e “+ Velozes + Furiosos” (2 Fast 2 Furious) sem Diesel mas com Paul Walker reprisando seu papel de Brian O’Conner. A Universal chegou a ter dois roteiros diferentes para o filme, sendo um destes com o personagem de Toretto caso Vin Diesel retornasse. Apesar da bilheteria ter sido regular, o filme chegou a ser indicado para o Framboesa de Ouro. O diretor tailandês Justin Lin (o mesmo que dirigiu o último Star Trek) injetou sangue novo diante das recusas de Diesel e Walker para retornarem em “Velozes & Furiosos: Desafio em Toquio” (The Fast & The Furious: Tokyo Drift) de 2006. Apesar de uma ponta de Diesel, o plot se desenrola independente dos eventos dos primeiros filmes e investe em uma ação inócua que mesmo a mudança de ares não ajuda. Apesar de ter seus admiradores, esse terceiro filme perde de longe para qualquer episódio do clássico anime “Speed Racer”.

GAL FURIOSOS

GAL GADOT – A MULHER MARAVILHA

              A partir de 2009,  no quarto filme “Velozes & Furiosos 4” (Fast & Furious), a dinâmica do filme muda o tom fazendo dos modernos robin hoods uma grande família, com o acréscimo da personagem Gisele, estreia da atriz Gal Gadot, a Mulher Maravilha do vindouro filme. Outra mudança é o que o personagem Brian O’Conner retoma sua vida no FBI no começo do filme, só para no final se juntar à família de Toretto, assumindo uma vida ao lado de Mia (Jordana Brewster). A bilheteria milionária aponta novas sequências, e os salários de Diesel e Walker os torna estrelas dos blockbusters hollywoodianos. Mas, com a morte da personagem Letty (Michelle Rodriguez) e com o personagem de Walker definitivamente do lado dos foras-da-lei, seria necessário reabastecer para seguir adiante. Assim o reforço chegou com a adesão do popular Dwayne Johnson como o agente do F.B.I Luke Hobbs, novo perseguidor do grupo. De acordo com Vin Diesel, o papel foi pensado para Tommy Lee Jones, mas uma fã chamada Jan Kelly teria sugerido o nome de Johnson. O filme em questão “Velozes & Furiosos 5: Operação Rio” (Fast Five) trouxe as filmagens para o Brasil com locações no Morro Dona Morta e Copacabana.

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         Contudo, as filmagens acabaram se desenrolando em Porto Rico para baratear os custos, o que eliminou uma sequência inicialmente prevista de perseguição na Ponte Rio Niteroi. Se desde o início, as peripécias sobre rodas já eram irreais, a partir daqui elas passam a dar inveja nas proezas mais mentirosas de um filme de 007. Carros voam, cofres são arrastados pelas ruas entre outras inverossimilhanças, faltando só os carros falarem como no seriado “A Super Máquina”. Com aprovação de 78% do Rotten Tomatoes, seria lógico prever que a franquia aceleraria em velocidade turbo, com Diesel passando ao cargo de produtor executivo dos filmes, e resgatando a personagem Letty (Michelle Rodrigues) em “Velozes & Furiosos 6” (Fast & Furious 6) de 2010, também dirigido por Justin Lin.

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             Agora o personagem de Hobbs faz um pacto de mutua ajuda com a família de Toretto para enfrentarem o vilão Owen Shawn, interpretado por Luke Evan, o Gaston do recente “A Bela & A Fera” (Beauty & The Beast).  Com a bilheteria milionária no mundo e diversidade de merchandising levando o filme para o universo dos games, nada mais natural que a Universal quisesse um sétimo filme, que apesar de ter tido seu lançamento atrasado devido á trágica morte de Paul Walker teve desempenho satisfatório nas bilheterias. “Velozes & Furiosos 7” (Fast & Furious 7) teve a direção de James Wan (de “Invocação do Mal” e do vindouro “Aquaman”) e o vingativo vilão Deckard Shawn, na pele de Jason Statham, inglês astro dos filmes de ação. O elenco ainda teve o acréscimo de Kurt Russell e da ex campeã de MMA Ronda Rousey. O resultado foi uma recepção bem favorável do público e de sites como o Metacritic e o Rotten Tomatoes, celebrando esse show de testosterona temperado com humor para suavizar a despedida de Paul Walker realizada com auxílio de seus irmãos e truques digitais.

               A chegada do oitavo filme não causou surpresa e Diesel promete ainda mais dois filmes, o que seguindo a formula de sucesso da franquia, não é difícil acreditar que ainda não é hora de frear.

 

 

 

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ESTREIAS DA SEMANA: 13 DE ABRIL DE 2017

VELOZES & FURIOSOS 8

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(The Fate of the Furious ) EUA 2017. Dir:F. Gray Gray.  Com Vin Diesel, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Jason Statham, Charlize Theron, Helen Mirren, Tyrese Gibson, Kurt Russell, Scott Eastwood, Luke Evan. Ação.

Confesso que duvidei muito de como a franquia “Velozes & Furiosos” seguiria após a morte de Paul Walker. Parece que os roteiristas Chris Morgan e Gary Scott Thompson encontraram um artifício (não se preocupem não darei spoilers) que é justamente o motivo misterioso que fará Dominic Toretto (Diesel) abandonar a lua de mel com Letty (Michelle Rodriguez) e trair sua família ao se aliar a uma cyber terrorista, a belíssima Cipher (Charlize Theron. Para impedir Dom de se apropriar de ogivas nucleares, Letty convoca todo o grupo, o que inclui Luke Hobbs (Dwayne Johnson), o sorridente Mr.Nobody (Kurt Russell) e os irmãos Shaw (Luke Evan e Jason Statham), reforçados pela mãe destes, uma participação pequena porém memorável de Helen Mirren. Com a saída dos personagens de Paul Walker e Jordana Brewster, o elenco dos furiosos ainda recebe o acréscimo do piadista Little Nobody (Scott Eastwood). A franquia “Velozes & Furiosos” é do tipo ame ou odeie, mas sua popularidade é inegável, bem como o clima de absurdo das sequências de ação, que agora inclui chuva de carros e uma perseguição de um submarino aos carros. O humor, outra característica da franquia, está de volta como nas farpas trocadas entre os personagens de Dwayne Johnson e Jason Statham. Respire fundo e mergulhe na ação desenfreada, ao menos serve de descompromissado escapismo, assim como nos filmes anteriores nada é sério demais, mas a figura de uma família como centro da ação permanece. Aproveitando a volta do blogcineonline, sugiro que leiam o artigo que recapitula os filmes predecessores da franquia, isto é, se a velocidade não te deixar atordoado.

 

ESTREIAS DA SEMANA : A PARTIR DE 19 DE JANEIRO

XXX – REATIVADO

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(XXX – THE RETURN OF XANDER CAGE) EUA 2017. Dir: D.J. CARUSO. COM VIN DIESEL, NINA DOBREV, SAMUEL l. JACKSON, TONY JAA, DONNIE YEN, NEYMAR. AÇÃO

XANDER CAGE, EX ATLETA DE ESPORTES RADICAIS, RETOMA A VIDA DE AGENTE SECRETO EM MISSÃO DE RECUPERAR A CAIXA DE PANDORA, UMA PODEROSA ARMA DAS MÃOS DE UM VILÃO CHINÊS. TERCEIRO FILME DO FRANQUIA, MAS O SEGUNDO ESTRELADO POR VIN DIESEL QUE NÃO QUIS CONTINUAR NO PAPEL EM “XXX – STATE OF THE UNION” DE 2005. ESTE TEVE ICE CUBE NO PAPEL CENTRAL COMO O AGENTE DARIUS STONE, QUE INCLUSIVE APARECE BREVEMENTE NESTE NOVO FILME. O VILÃO SERIA VIVIDO POR JET LI, QUE SEM EXPLICAR SUAS RAZÕES SE RETIROU DO PAPEL QUE FICOU COM DONNIE YEN. CONFORME MUITO DIVULGADO, O JOGADOR DE FUTEBOL NEYMAR TEM PASSAGEM COMO ATOR NESSE FILME, RECHEADO DE SEQUÊNCIAS DE AÇÃO DE SALTAR OS OLHOS DOS FANS DO GÊNERO, COMO VIN DIESEL SURFANDO … EM UMA MOTO. JOGUE A VEROSSIMILHANÇA FORA E SE DEIXE LEVAR PELO CLIMA DE AÇÃO OU IGNORE-O SE VOCÊ NÃO FOR ENTUSIASTA DO GÊNERO.

LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES

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(LA LA LAND) EUA 2016. DIR: DAMIEN CHAZELLE. COM RYAN GOSLING, EMMA STONE, J.K.SIMMONS, ROSEMARIE DEWITT. MUSICAL.

GRANDE CAMPEÃO DE PREMIAÇÕES NO GOLDEN GLOBE, O FILME ESCRITO E DIRIGIDO POR DAMIEN CHAZELLE (O MESMO DE “WHIPLASH”) É UMA HOMENAGEM AOS CLÁSSICOS MUSICAIS HOLLYWODIANOS COM ROMANTISMO TÍPICO DE UM “CANTANDO NA CHUVA”. RYAN GOSLING VIVE UM PIANISTA DE JAZZ VAIDOSO E PRESUNÇOSO QUE SE APAIXONA POR UMA ASPIRANTE A ATRIZ, A BELA MIA (EMMA STONE), COM QUEM VIVE OS ALTOS E BAIXOS DE UMA RELAÇÃO TEMPERADA PELA BUSCA PELO SUCESSO E PELA REALIZAÇÃO DE SEUS SONHOS E AMBIÇÕES. É O TERCEIRO FILME EM QUE GOSLING E STONE TRABALHAM JUNTOS (AMOR A TODA PROVA DE 2011, E CAÇA AOS GANGSTERS DE 2013) . O FILME FAZ UM ADORAVEL TOUR PELA LOS ANGELES DE HOJE SEMPRE SE ASSUMINDO COMO A RETOMADA DE UM GÊNERO, NÃO COM PRETENSÕES, MAS COM A INTENÇÃO DE RESGATAR EMOÇÕES QUE TRAZEMOS ADORMECIDOS NUM MUNDO REAL POR DEMAIS CÍNICO. HÁ MUITAS PESSOAS QUE NÃO GOSTAM DE VER ATORES SUBINDO PELOS CARROS DA RUA, CANTANDO E DANÇANDO, MAS QUE TALVEZ SE SURPREENDAM  E QUEM SABE, SE PERMITAM EXPERIMENTAR UMA MAGIA QUE NO PASSADO TEVE NOMES COMO GENE KELLY, FRED ASTAIRE E JUDY GARLAND COMO GRANDES EXPOENTES. TUDO BEM QUE NÃO SEJA TÃO ESPETACULAR QUANTO OS FILMES DE OUTRORA, MAS NÃO PRECISA SER. BASTA NOS LEMBRAR DA IMPORTÂNCIA DE NOSSA BUSCA POR SONHOS, E JÁ TERÁ FEITO VALER A PENA O PREÇO DO INGRESSO.

OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES – RUMO A HOLLYWOOD

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BRA 2017. DIR; JOÃO DANIEL TIKHOMIROFF. COM RENATO ARAGÃO, DEDÉ SANTANA, LIVIAN ARAGÃO, ALINNE MORAES, MARCOS VERAS. COMÉDIA MUSICAL.

PEGANDO EMPRESTADO DE MEU PRÓPRIO COMENTÁRIO NO FILME ACIMA, PERSEGUIR SONHOS E ACREDITAR NELES FOI UMA BELA MENSAGEM EM MINHA INFÂNCIA DEIXADA PELO “SALTIMBANCOS TRAPALHÕES” ORIGINAL DE 1981. MAIS DE 30 ANOS DEPOIS, O FILME DO GRUPO, ADAPTADO DE UMA PEÇA DE CHICO BUARQUE, FOI RETOMADO EM UMA PEÇA DE TEATRO , E AGORA VOLTA ÀS TELAS COM DIDI E DEDÉ REPETINDO OS PAPEIS DE ARTISTAS DE CIRCO AMEAÇADOS POR UM CHEFÃO E UM MÁGICO INESCRUPULOSOS. AGUARDEM QUE POSTAREI EM BREVE NO BLOG UM ARTIGO SOBRE OS TRAPALHÕES, DEPOIS CLARO QUE MINHA EMOÇÃO ME PERMITIR POIS O NOVO FILME TRAZ DE VOLTA AQUELE GOSTINHO DE QUE OLHANDO DAQUI OU PARA ALI, VEMOS UM MUNDO ENCANTADO, NOSSA PRÓPRIA HOLLYWOOD, A ARTE CIRCENSE E O TALENTO MARCANTE DE RENATO ARAGÃO E DEDÉ SANTANA. SAUDADES CLARO DE MUSSUM E ZACARIAS.

MANCHESTER À BEIRA MAR

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(MANCHESTER BY THE SEA) EUA 2016. DIR: KENNETH LONERGUN. COMM CASEY AFFLECK, MICHELLE WILLIAMS, KYLE CHANDLER. DRAMA.

CASEY AFFLECK (IRMÃO MAIS NOVO DE BEN) IMPRESSIONOU E LEVOU O GLOBO DE OURO DE MELHOR ATOR EM DRAMA POR ESSE PAPEL, O DE UM HOMEM EM LUTO PELA PERDA DE SEU IRMÃO E QUE TEM QUE CRIAR O SOBRINHO ADOLESCENTE, COM QUEM NÃO CONSEGUE LIDAR BEM. HISTÓRIA BONITA, FEITA PARA EMOCIONAR, QUE FIGUROU DURANTE ANOS NA LISTA NEGRA DE MELHORES ROTEIROS NÃO FILMADOS, NO CASO ASSINADO E DIRIGIDO POR KENNETH LONERGUN.

OS PENETRAS 2 -QUEM DÁ MAIS ? 

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BRA 2016. DIR: ANDRUCHA WADDINGTON. COM EDUARDO STERBLICTCH, MARCELO ADNET, DALTON MELLO, STEPAN NECESSIAN, MARIANA XIMENES, COMEDIA.

BETO (STERBLITCH) SAI DE HOSPITAL PSIQUIATRICO E VOLTA A SE ENVOLVER COM AS ARMAÇÕES DO MALANDRO MARCO (ADNET) QUE ENVOLVEM UM MILIONARIO SEDUTOR E UM MAFIOSO RUSSO.

PRIMEIRA IMAGEM: VELOZES & FURIOSOS 8

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DIVULGADA A PRIMEIRA IMAGEM DE “VELOZES & FURIOSOS 8” (FAST 8) ANUNCIADO PARA ABRIL DE 2017. APÓS O FALECIMENTO DE PAUL WALKER, A FRANQUIA SEGUE COM A VOLTA DE DWAYNE JOHNSON, VIN DIESEL, JORDANA BREWSTER, MICHELLE RODRIGUEZ, KURT RUSSELL, JASON STATHAM ALÉM DA CHEGADA DE NOVOS NOMES COMO SCOTT EASTWOOD, HELEN MIRREN & CHARLIZE THERON. A IMAGEM DIVULAGADA COM THE ROCK EM TRAJE DE PRISIONEIRO DESPERTA PERGUNTAS. O FILME SERÁ O PRIMEIRO A SER FILMADO EM CUBA.

 

ESTREIAS DA SEMANA: 29 DE OUTUBRO DE 2015

GRACE DE MÔNACO

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(Grace of Monaco) EUA 2014. Dir: Olivier Dahan. Com Grace Kelly, Tim Roth, Frank Languella, Paz Veja, Robert Lindsay. Biopic. Olivier Dahan já havia produzido uma excelente biopic (o filme biográfico) com a vida da cantora Edith Piaf (Piaf – Um Hino ao Amor) em 2007. Sua tarefa aqui foi filmar o roteiro de Arash Amel, um dos que figuravam em 2011 em uma lista negra de melhores roteiros não filmados em Hollywood. Não se trata de um filme biográfico  tradicional, mas um recorte concentrado no período inicial de sua vida no Principado de Mônaco quando este passava por uma séria crise diplomática já que o presidente francês Charles deGaulle exigia um substancial aumento de impostos que Rainier se recusava a pagar. Foi Grace quem usou de seu prestígio e diplomacia para evitar o pior. O filme mistura os clichês melodramáticos com uma trama política que certamente faz concessões e toma liberdades, contudo nada ofensivo para justificar a polêmica que envolveu o filme de Dahan quando foi exibido no Festival de Cannes de 2014. Na ocasião, a família real de Mônaco (os filhos de Kelly, Albert II, Caroline e Stephanie) anunciaram o boicote ao filme. O elenco está ótimo, em especial o casal formado por Nicole Kidman e Tim Roth. Nicole está confortável no papel, compondo uma Grace de personalidade, e que apesar de duvidas e questionamentos, toma o rumo da própria vida, ao passo que Tim Roth faz um Rainier distante, até hesitante diante do contexto. O ator Frank Languella rouba a cena no papel de um padre que funciona muitas das vezes como a consciência do casal Grace-Rainier. De qualquer forma, nada tão ofensivo que justifique a polêmica ou o desagrado dos herdeiros da família Grimaldi, afinal de contas apesar de entrado para a história como a encarnação de uma fábula, a vida real está sempre muito longe de ter um “felizes para sempre”, principalmente em meio a protocolos de conduta e nos bastidores do poder. Apesar de ser um relato fantasioso construído em cima de um momento na vida da princesa, não é nenhuma bomba comparada a outros similares, desde que você tenha em mente que a ficção se sobrepõe a qualquer traço de verdade que foi diluído em favor de um filme convencional, mas cujas atuações tornam interessante.

OS 33

33

(The 33) EUA 2015. Dir:Patricia Higgis. Com Rodrigo Santoro, Antonio Banderas, James Brolin, Lou Diamond Philips, Juliet Binoche. Drama Em 2010, no Chile, um grupo de mineiros ficou preso nos subterrâneos de uma mina durante 69 dias, lutando pela vida enquanto aguardavam a possibilidade de resgate. Economizam os recursos de comida e água, os mineiros despertaram comoção internacional e tiveram o fato adaptado para o livro “Deep Down Dark” do jornalista Héctor Tobar. Um dos roteiristas do filme é o mesmo responsável pelo roteiro de “Diários de Motocicleta”. Quem assistir, procure lembrar de Lou Diamond Philips, o Ritchie Valens de “La Bamba”, sucesso no final da década de 80. Destaco aqui também a presença do talentoso Rodrigo Santoro cuja carreira internacional vai cada vez melhor.

O ÚLTIMO CAÇADOR DE BRUXAS

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(The Last Witchhunter) EUA 2015. Dir: Breck Eisner. Com Vin Diesel, Rose Leslie, Michael Caine, Julie Engebretch, Elijah Wood. Ação. Bem apropriado para o Halloween essa história que mistura ação com elementos de sobrenatural. Vin Diesel é um caçador de bruxas que precisa se aliar a uma de suas inimigas (Leslie de “Game of Thrones”) para frustrar os planos da Rainha das bruxas (Engebretch) que pretende usar um artefato místico que pode destruir a raça humana. O filme, orçado em torno de US$ 90 mihões, é co-produzido pelo próprio Vin Diesel e ficou durante muito tempo aguardando o interesse de algum estúdio, figurando entre os melhores roteiros não filmados de 2010. Se a bilheteria justificar poderemos ter uma nova franquia para o astro de “Velozes & Furiosos”, mesmo que ele seja como diz o título “O Último”.

BETINHO – A ESPERANÇA EQUILIBRISTA.

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(Bra 2015). Dir:Victor Lopes. Documentário. A trajetório do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho desde sua infância em Minas Gerais até  sua morte por AIDS, contraída em uma das transfusões de sangue necessárias já que era hemofílico. Betinho teve participação ativa na luta contra a ditadura e mobilizando milhões de pessoas com campanhas contra a fome e a AIDS. A canção “O Bêbado & O Equilibrista” de Elis Regina foi composta em cima de sua persona idealista, lutadora. O documentário foi exibido no Festival do Rio desse ano e agora chega ao grande circuito como uma boa oportunidade de servir de exemplo para a sociedade caótica em que vivemos e sem seres humanos dispostos a tudo pelo amor ao próximo.