BOND 6 – 007 A SERVIÇO DE SUA MAJESTADE

O sexto filme de James Bond tem duas estreias : O diretor Peter Hunt e o sucessor de Sean Connery, o australiano George Lazenby. Ambos a serviço de uma das melhores aventuras de 007, ao contrário do que se convencionou falar. Hunt, era diretor de segunda unidade e montador de todos os filmes anteriores do agente secreto criado por Ian Fleming. A historia foi adaptada do 11º livro de Fleming e mostra Bond salvando a vida de Tracy Draco (Diana Rigg), filha de um chefão do crime internacional, que tenta cometer suicídio. Em gratidão, Marc Draco (Gabrielle Ferzetti) revela a Bond o esconderijo de Brofeld (Telly Savalas) nos Alpes Suiços e, com sua ajuda, descobre que os planos do líder da Spectre apontam para uma arma biológica capaz de eliminar a vida animal e vegetal, obrigando os governos mundiais a se dobrarem a seus pés. Em um desdobramento impensável, Bond se casa com Tracy, mas não há “felizes para sempre” pois Brofeld mata Tracy a sangue frio na frente de Bond. A adaptação segue fielmente o livro de Fleming.

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Até o lançamento de “Cassino Royale” em 2006, “007 A Serviço de Sua Majestade” era o filme mais longo de James Bond (142 minutos) e, ao contrário do que se pensa não foi um fracasso de bilheteria apesar da rejeição do público ao substituto de Connery.  O ex vendedor de carros e ex modelo  George Lazenby, então com 29 anos (o ator mais novo a interpretar o personagem já que Sean Connery tinha 33 anos quando começou) assinou um contrato para vários filmes, mas a rejeição do público não foi a única coisa que abreviou sua carreira no papel. Lazenby não se sentiu à vontade no papel e admitiu em entrevistas concedidas muito tempo depois que achava o papel pouco interessante comparado à produção cinematográfica da época. Se medirmos sua atuação, isento de favoritismo, percebemos que fisicamente seu Bond é convincente, apesar do carisma zero do ator. Também tornou-se notório os desentendimentos entre o novato Lazenby e os produtores. As diferenças envolviam também Lazenby e Rigg, sua co estrela. O próprio diretor muitas vezes se comunicava com Lazenby através de seu assistente.  Contudo, a história se sustenta apesar disso com movimentação frenética equilibrada com o inesperado romance entre Bond e Tracy. O papel de Tracy Draco, a única Bond girl que levou 007 para o altar quase ficou com Brigitte Bardot ou Catherine Deneuve, mas foi Diane Rigg que vinha da série de Tv inglesa “The Avengers” (nada a ver com os Vingadores dos quadrinhos Marvel) quem ficou com o papel e fez uma Bond girl no ponto certo, adequado à trama que se desenrola. Telly Savalas está maravilhosamente odiável como o antagonista, vestindo a pele de um Brofeld mais físico na trama. O ator, que anos mais tarde ganharia a fama na Tv no papel do detetive “Kojak”, da série de TV, se tornou o segundo rosto do vilão nas telas (Anthony Dawson não mostrou o rosto como Brofeld, apenas as mãos e Donald Plesance viveu o personagem de corpo inteiro no filme anterior “Com 007 Só se Vive Duas Vezes” . A luta contra Brofeld, ao final do filme, é eletrizante culminando com uma excelente perseguição na neve.

TELLY SAVALAS COMO BROFELD ANTES DE KOJAK

TELLY SAVALAS COMO BROFELD ANTES DE KOJAK

A trilha da abertura ficou na belíssima voz rouca de Louis Armstrong (mais lembrado pela comovente “What a Wonderful World”). O tema de Armstrong para o filme dá o tom de emotividade e fatalidade ao romance de Bond e Tracy e sua belíssima melodia está entre as melhores da série, sendo a última gravação na voz de Louis Armstrong, que morreu dois anos depois.

TODO O TEMPO DO MUNDO NÃO É O BASTANTE

TODO O TEMPO DO MUNDO NÃO É O BASTANTE

O filme teve um custo estimado em torno de 7 milhões de dólares, rendendo surpreendentemente quatro vezes mais internacionalmente. O filme foi lançado em uma movimentada premiere em 18 de dezembro de 1969, chegando aos cinemas brasileiros em Janeiro do ano seguinte. Um resultado muito bom considerando que Lazenby era um intérprete desacreditado. Chegaram a considerar incluir no roteiro a justificativa de que Bond teria feito cirurgia plástica para passar incógnito em suas novas missões, mas logo foi deixado de lado. Contudo, os produtores incluíram uma piadinha logo depois dos créditos iniciais quando Bond se vira e diz “This never happened to the other fellow “ (Isto nunca aconteceu com o outro cara). Necessário dizer algo mais ?

BOND RETORNA AO BLOG EM ALGUNS DIAS COM “007 OS DIAMANTES SÃO ETERNOS”

ESTREIA DE “VINGADORES : A ERA DE ULTRON” – AVANTE VINGADORES: HQS &FILME

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Um dos maiores sucessos dos estúdios Marvel há dois anos foi o filme “Os Vingadores” (The Avengers), ápice do plano desenvolvido pacientemente através dos filmes solo de seus integrantes – O Homem de Ferro, o Capitão América,Thor & Hulk, tendo esse último trocado Edward Norton por Mark Ruffalo. O plano era audacioso e as apostas altas despertando a curiosidade do público a cada cena pós-crédito. Em termos do gênero “filme de super-herói”, nada do porte já havia sido feito antes no cinema. Nos quadrinhos, pelo contrário, a Sociedade da Justiça nos anos 40 e a Liga da Justiça nos anos 60, da divina concorrente da Marvel, foi quem inaugurou a ideia de juntar em uma equipe os principais heróis de uma editora. Afinal, se eram personagens que vendiam bem em títulos separados, imagine todos juntos.

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A PRIMEIRA EQUIPE. Dois anos depois da estreia da Liga da Justiça publicada no título “The Brave & The Bold” #28 (Fevereiro-Março de 1960), e um ano depois do nascimento do universo Marvel com o lançamento do “Quarteto Fantástico” (Fantastic Four #1), Stan Lee chamou o colega Jack Kirby para reunir os heróis peso pesados da Marvel na equipe batizada de “Vingadores”, lançada em título próprio (o que era incomun na época) em Setembro de 1963. Não havia ainda a Viúva Negra e nem o Gavião Arqueiro e mesmo o Capitão América só entraria para o time na edição #4 do título. A primeira formação era Homem de Ferro, Thor, Homem Formiga, Vespa & Hulk, sendo que este já deixaria a equipe na edição seguinte, devido a sua instabilidade emocional. O QG da equipe, a Mansão dos Vingadores representaria uma Camelot moderna com os heróis formando uma távola redonda tendo o Capitão América, que logo centralizaria as atenções do grupo, assumindo uma figura tal qual um Rei Arthur, nobre e líder nato. Foi o patriótico Steve Rogers que reestruturou a equipe a partir da edição #16, quando os membros fundadores debandaram para cuidar de assuntos próprios e aí são recrutados os irmãos mutantes Feitiçeira Escarlate e Mercúrio, além do temperamental Gavião Arqueiro, todos ex-vilões em busca de redenção. As fileiras dos assim chamados “maiores super-heróis da Terra” sempre foram se modificando ao sabor do gosto dos roteiristas e dos leitores. Uma dinâmica acentuada pelos conflitos de temperamento e personalidade de seus integrantes. O Homem Aranha, mesmo sendo o herói mais popular da Marvel, só entrou para a equipe oficialmente em tempos mais recentes apesar de aparições esporádicas desde a edição #11.

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Chegada de Mercurio & Feitiçeira Escarlate na equipe.

HERÓIS NO BRASIL. A equipe dos Vingadores sempre foi marcada pela entrada e saída de diversos personagens com mais de 90 integrantes reunidos ao todo ao longo de seus mais de 50 anos de publicação. No Brasil é curioso que a editora Ebal, que introduziu os heróis Marvel em terras tupiniquins, não tenha publicado suas aventuras. O primeiro título dos vingadores em nosso país veio a ser publicado pela primeira vez entre novembro de 1975 e agosto de 1976 pela editora Bloch, que embora não tivesse qualidade gráfica em sua impressão, trazia ao menos as primeiras histórias do grupo desenhadas por Jack Kirby, e depois por Don Heck. Depois de um longo tempo pela editora Abril onde tinham suas histórias publicadas nos títulos “Heróis da TV”, “Capitão América” e “Grandes Heróis Marvel”, os Vingadores só voltaram a ter título próprio no país quando passaram para a Panini Comics, que inicialmente os publicou em outros títulos mix até fevereiro de 2004, quase dez anos antes da estreia do filme de Joss Whedon.

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HERÓIS & VILÕES. A Viuva Negra (Scarlet Johansson) é de popularidade inegável e já se especulou a possibilidade da heroína protagonizar um filme solo, mas o que poucos talvez saibam é que a personagem em suas primeiras aparições, desde “Tales Of Suspense” #52 (1964) em uma história do Homem de Ferro, era uma vilã e só entrou para a equipe dos heróis em “Avengers” #101 em 1973. O sintozóide Visão que será vivido no filme por Paul Bettany passou a fazer parte da equipe em “Avengers” # 57 de 1968 e chegou, tempos depois, a se tornar líder da equipe, casou com a Feitiçeira Escarlate (que será vivida pela atriz Elizabeth Olsen) e quase dominou os computadores do mundo. Sua criação foi, nos quadrinhos, fruto das ações do vilão que enfrenta a equipe no segundo filme, o robô Ultron (voz de James Spader).

Uma diferença fundamental é que nos quadrinhos Ultron foi criado pelo Dr.Hank Pym (O Homem Formiga que ganhou um filme solo que estreia em breve) e não pelo milionário inventor Tony Stark como mostrado no filme. Nas Hqs originais, escritas por Roy Thomas e desenhadas por John Buscema, Ultron é uma inteligência artificial de corpo indestrutível misto de mito frankensteniano com complexo de Édipo já que não apenas quer sempre matar seu criador como também chega a criar uma companheira cibernética com os padrões de Janet Van Dyne, a heroína Vespa, esposa do Dr.Pym. A estreia do vilão se deu em “Avengers” #55 de 1968, apesar de ter sutilmente manipulado os eventos ocorridos na edição anterior. A gênese do vilão subverte as leis robóticas Azimovianas, e faz das formas de vida orgânicas um diretriz de eliminação primordial, como no filme em que ganha a voz poderosa de James Spader que promete abalar os heróis desde o primeiro trailler divulgado ano passado em ameaça “No strings on me !” (Não há cordas em mim) como uma versão maligna de Pinóquio cuja fala ele recita para em seguida partir para sua missão destrutiva cujas ações repercutirão nas tramas de “Capitão América: Guerra Civil”, “Avengers – Guerra Infinita” e provavelmente nos demais filmes do universo cinematográfico da Marvel.

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Algum mistério recentemente se criou na possibilidade de haver aparições surpresas de outros personagens conhecidos da editora com os nomes de Julie Delpy e Linda Cardelini aparecendo no elenco divulgado, mas sem que seus papéis sejam mencionados. Em tempos de constantes vazamentos de informações pela internet, spoilers e copias piratas, é compreensível que a tal insinuação movimente o bate boca que sempre pode vir a significar um aumento na bilheteria, que já se prevê como sendo alta, tendo tido um orçamento estimado em mais de 250 milhões de dólares. As filmagens se estenderam durante vários meses no ano passado ajustando o cronograma à gravidez da atriz Scarlett Johasson. O ator Andy Serkis, que faz um dois vilões que prometem voltar futuramente (tudo indica que no aguardado filme do Pantera Negra) também auxiliou com a tecnologia de captura de movimento que tornou-se seu referencial com o sucesso de seus personagens virtuais em filmes como “O Hobbitt” e “Planeta dos Macacos” entre outros. Nerds de plantão aguardem a sempre esperada aparição de Stan Lee, pai do universo de heróis Marvel, mas esqueçam cena pós-crédito, já que foi anunciada que dessa vez a Marvel não a utilizará como de costume. Será ? O jeito é aguardar a estreia do filme em 23 de Abril e bradar aos quatro ventos “AVANTE VINGADORES” !!