MISSÃO IMPOSSÍVEL: SÉRIE ORIGINAL & FILMES.

            O sucesso de “Missão: Impossível” vem muito antes do agente Ethan Hunt e conta mais de 50 anos desde a primeira vez em que uma gravação seguida de uma contagem regressiva anunciava a aventura embalada pelo instigante tema musical do argentino Lalo Schifrin que marcou gerações.

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Da direita para a esquerda: Peter Graves, Barbara Bain, Peter Lupus, Greg Morris e Martin Landau.

            No Brasil a extinta Tv Excelsior trouxe a série “Missão: Impossível” (Mission: Impossible) para as noites de segunda-feira em junho de 1967, quase um ano depois de sua estreia pela CBS. A história, criada pelo roteirista norte-americano Bruce Gellar, foi filmada pela Desilu Productions, o estúdio fundado em 1951 pela comediante Lucille Ball e seu marido Desi Arnaz. Inicialmente, o projeto intitulado “Brigg’s Squad” mostraria um grupo de agentes recrutados para missões de alto risco nas quais o governo não poderia se envolver abertamente. As características dos personagens seriam refinadas por Gellar, que se recusou a criar um passado para cada um, mantendo uma aura de mistério em torno destes. O que importava era a habilidade de cada membro da equipe: Rollis Hand (Martin Landau) era o mestre dos disfarces, Cinnamon (Barbara Bain) era a espiã irresistivelmente sedutora, Barney Collier (Greg Morris) era o expert em eletrônica, Willy Armitage (Peter Lupus) era o braço forte e Dan Briggs (Steven Hill) o líder da equipe. As missões chegavam até Briggs em um gravador que relatava os detalhes da missão que, caso aceita, seria realizada sem apoio oficial do governo que negaria conhecimento caso tudo desse errado. Bruce Gellar se indispôs com a CBS, e depois com a Paramount que comprara o estúdio Desilu, para manter seu controle criativo. “Missão: Impossível” era um produto inteligente demais para as intenções de baixo custo e lucro imediato dos produtores de TV. As missões da equipe de Briggs tratavam de espionagem internacional, política externa e guerra fria. Cada membro agia nas sombras, de acordo com seus próprios dons, manipulando os eventos de forma que o alvo cometesse algum erro que o fizesse se entregar.

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Leonard Nimoy, Greg Morris, Peter Graves e Peter Lupus.

            As filmagens da primeira temporada foram prejudicadas por constantes atrasos já que Steven Hill, o ator principal, era judeu ortodoxo e se recusava a filmar nos fins de semana. Em seu contrato o ator só poderia trabalhar até as 16 horas de sexta feira, e muitas das vezes o cronograma das filmagens invadia os finais de semana, até mesmo os feriados. Quando a segunda temporada foi aprovada Hill foi substituído por Peter Graves interpretando o novo líder, Jim Phelps, que ficou fixo no elenco à medida que, nas temporadas seguintes, outros agentes entravam e saíam. Greg Morris também se manteria fixo, mas disputas contratuais levaram Martin Landau e Barbara Bain (eram casados na vida real) a deixar a série na quarta temporada. Leonard Nimoy, Leslie Ann Warren, Lynda Day George, Sam Elliot, Lee Meriwether e Barbara Anderson se revezariam ao longo das temporadas (sete ao todo) que se seguiam com progressivo perda de controle por Gellar, vítima dos executivos que não se preocupavam em descaracterizar a série com roteiros que se distanciavam da visão de seu criador. Da mesma maneira que ocorrera com Gene Roddenberry em “Star Trek”, Bruce Gellar foi posto de lado jamais sendo consultado ou respeitado até que a série foi cancelada em março de 1973.

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Phil Morris, Thaad Penghlis, Peter Graves, Jane Badler e Anthony Hamilton.

            Bruce Gellar morreu em um acidente aéreo em 1978, mas sua criação colecionava admiradores graças às constantes reprises na Tv, fora as imitações que surgiam na telinha tentando reproduzir a formula de contragolpe com a qual os agentes capturavam os vilões. Ao longo da década de 80, a Paramount tentou diversas vezes adaptar a série para o cinema, mas os roteiros eram escritos e reescritos sem se chegar a um resultado satisfatório. Em 1988, devido a uma greve dos roteiristas, a Paramount aprovou a retomada da série com novo elenco, refilmando alguns episódios e mantendo o personagem Jim Phelps, de Peter Graves, que deixava a aposentadoria para liderar uma nova equipe: Anthony Hamilton, Terry Markwell, Jane Badler, Thaad Panghlis e Phil Morris, filho do veterano Greg Morris. A retomada da série se sustentou no ar por duas temporadas mas desprovida do prestígio do passado.

             Quando o astro Tom Cruise adquiriu os direitos da série para adaptá-la ao cinema modificou um elemento essencial da série. Em vez de ações regidas em equipe, a ação ficou concentrada no personagem de Cruise, o agente Ethan Hunt, único sobrevivente de uma missão em Praga. O ator Martin Landau chegou a ser convidado a repetir o papel de Rollis Hand mas declinou quando descobriu que a equipe original seria morta logo no início do filme. A ideia permaneceu mesmo sem a participação dos atores da série, incluindo Peter Graves que ficou contrariado ao descobrir que seu personagem seria transformado em um traidor. Al Pacino, Michael Douglas e Robert Redford foram considerados para o papel de Jim Phelps, que veio a ficar com Jon Voight. A direção de “Missão: Impossível” – o filme (1996) , ficou com Brian De Palma, que anos antes havia alcançado feito impressionante ao adaptar “Os Intocáveis”, outra série de TV. O tema musical da série de Lalo Schifrin foi remixado por Larry Mullen Jr. e Adam Clayton do U2. A essência da série, no entanto, estava ausente, pois nesta o foco era maior na tensão psicológica envolvendo os agentes e seus alvos, enquanto no filme o agente Ethan Hunt monopolizava a ação. A bilheteria do filme garantiu a sequência de 2000 “Missão Impossível 2” (Mission: Impossible 2) dirigido por John Woo. Este já começa o filme mostrando Hunt se pendurando em um penhasco, cena realizada pelo próprio ator dispensando dublês, e que se tornaria marca registrada na série. A história mostra Hunt na trilha de um ex-agente que negocia a venda de um vírus mortal. O vilão Dougray Scott na época foi inicialmente escalado para o papel de Wolverine em “X Men”, mas as filmagens demoradas da nova missão de Cruise impediram Scott de ficar com o papel do herói mutante, que acabou indo para Hugh Jackman.

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Jonathan Rhys Myers, Ving Rhames, Tom Cruise e Maggie Q.

         O espírito da série foi parcialmente recuperado quando J.J.Abrams assumiu a cadeira de diretor em “Missão:Impossível III” (2006). A missão de capturar um traficante de armas (o saudoso Philip Seymour Hoffman) reúne Cruise com Keri Russell, Jonathan Rhys Myers, Maggie Q e Simon Pegg. Apesar de Cruise ainda ser o centro da trama, a ação em equipe ganha mais espaço , e ainda inclui Luther Stickwell (Ving Rhames), único membro a estar presente em todos os filmes, além do próprio Cruise.

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Paula Patton e Tom Cruise em “Protocolo Fantasma”.

         Em 2011, Brad Bird, o diretor da animação “Os Incríveis” dirige a volta de Hunt em “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” (Mission: Impossible – Ghost Protocol) que substitui o esperado IV por um subtítulo repetindo Rhames e Pegg na equipe, mas trazendo Paula Patton e Jeremy Renner para o time. O trabalho em equipe é ainda mais ampliado a medida que o carisma inegável de Cruise garante um resultado notável da bilheteria. O filme foi o primeiro da série filmado em IMAX, valorizando o impacto da imagem como na cena em que Cruise, dispensando dublês mais uma vez, se pendura do lado de fora de um arranha-céu de 160 andares em Dubai. O filme foi um triunfo para o público e a crítica especializada como o renomado Roger Ebert quer comparou o filme a uma “poesia do gênero”. A diversão só melhora quando chega o quinto filme, dirigido por Christopher McQuarrie “Missão: Impossível – Nação Secreta” (Mission: Impossible – Rogue Nation) que retoma outro elemento da série original: o Sindicato, uma anti IMF empenhada em formentar o caos no mundo. A equipe recebe o apoio da bela atriz sueca Rebecca Fergunson no papel de Ilsa Faust, uma agente dupla que não se resume a interesse romântico, mas se junta a Hunt para desbaratar os planos de Solomon Lane (Sean Harris), líder do Sindicato. A personagem de Fergunson impulsiona a trama graças à habilidade da atriz de se mostrar moralmente dúbia, outra característica inserida originalmente por Bruce Gellar.

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Rebecca Fergunson e Tom Cruise em “Nação Secreta”

                  A chegada do sexto filme certamente confirma que o público está bastante receptivo a novas proezas do agente Hunt. Seguindo o ritmo das sequências de resgatar elementos da série, adaptando-os aos novos tempos, podemos contar com novas aventuras, seja centrada em Hunt, ou em outro agente disposto a se pendurar em aviões, descer por cabos ou saltar em cinco, quatro, três, dois, um, … antes que essa mensagem se auto-destrua.

TRAILLER: VINGADORES GUERRA INFINITA

A ESPERA É GRANDE, UM DOS MAIS AGUARDADOS DO ANO, ANUNCIADO DESDE O PRIMEIRO FILME DA EQUIPE EM 2012 QUANDO O VILÃO CÓSMICO THANOS SURGIU APÓS OS CRÉDITOS MOSTRANDO AO PÚBLICO O QUE ESTARIA POR VIR. AGORA É PRA VALER E MAIS DE 60 PERSONAGENS ESTÃO PARA PASSAR NAS TELAS, UM FEITO E TANTO PARA UM FILME DO GÊNERO, E ADMIRAVEL POR REUNIR SEMPRE EGOS INFLADOS. A HARMONIA DE CONCILIAR TUDO COUBE AOS IRMÃOS RUSSOS, QUE REALIZARAM UM DOS MELHORES FILMES DO MARVEL STUDIOS (CAPITÃO AMÉRICA SOLDADO INVERNAL) E, DEPOIS O CONFRONTO QUE DIVIDIU OS FÃS EM TIME CAP E TIME STARK (CAPITÃO AMERICA GUERRA CIVIL). O CLIMA É DE QUE MORTES OCORRERÃO, LÁGRIMAS SERÃO DERRAMADAS E TUDO PODE ACONTECER QUANDO HOMEM ARANHA, HULK, DR.ESTRANHO, VINGADORES E GUARDIÕES DA GALAXIA UNIREM FORÇAS PARA ENFRENTAR O FIM DE TUDO NO UNIVERSO. BASTA VER A CENA EM QUE O CAPITÃO PARA A MÃO DE THANOS AO FINAL DO TRAILLER PARA SE TER UMA IDEIA DO DELÍRIO QUE O FILME PROVOCARÁ NO PÚBLICO. A DC QUE SE CUIDE !!!!

PANTERA NEGRA:A COR DO HEROÍSMO

Na cerimônia de entrega dos Golden Globes deste ano Oprah Winfrey tornou-se a primeira atriz negra agraciada com o prêmio Cecil B DeMille, ocasião que aproveitou para lembrar do impacto da premiação em 1964 quando Sidney Poitier ganhou o Oscar de melhor ator por “Uma Voz nas Sombras”. Era a época da luta pelos direitos civis, um ano depois do histórico discurso “I have a dream” de Martin Luther King, nove anos depois da costureira Rosa Parks ousar dizer não a um ato de segregação racial, e um ano antes do assassinato do ativista Malcom X. Se esses representaram a luta pela igualdade racial no mundo real, faltava um símbolo que trouxesse a questão para o campo da ficção. Coube a Stan Lee e Jack Kirby a criação do Pantera Negra, primeiro super herói das HQs.

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          É verdade que antes do Pantera Negra, já existia o Lothar, braço direito do mágico Mandrake (1934) de Lee Falk, mas a imagem era por demais estereotipada. Em 1947 foi publicado a revista “All-Negro comics” com os personagens Ace Harlem e Lion Man, mas esta ficou restrita ao numero um. Em 1954 ainda houve “Waku, Príncipe dos Batu”, da Timely Comics (Antecessora da Marvel), mas poucas histórias do personagem foram publicadas no título “Jungle Tales”. O Pantera Negra quebrou essas barreiras, pois mostrava um homem negro com super poderes e inteligência extraordinária, herdeiro do trono da fictícia nação africana de Wakanda. Sua primeira aparição foi na edição #52 do “Quarteto Fantástico”, de Julho de 1966, na qual somos apresentados ao príncipe T’Challa, um homem culto (foi educado nas melhores escolas da Europa e América) que precisou superar o desejo de vingança quando seu pai, o Rei T’Chaka foi morto pelo vilão Garra Sônica, que planeja se apoderar do valioso metal Vibranium, existente apenas em Wakanda.

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         Dois meses depois da criação do personagem foi fundado o Partido dos Panteras Negras, grupo extremista que por causa 20 anos confrontou a polícia e demais instituições na luta contra atos racistas. Temendo qualquer associação inicial Stan Lee chegou a rebatizar o personagem de “Black Leopard”, mas não demorou muito para reverter para o nome original. Depois de sua aparição inicial, o personagem ingressou nos Vingadores, levando a ganhar o título “Jungle Action featuring The Black Panther” a partir de 1973.

Pantera Negra no Brasil

    Em 1969 Pelé marcou seu milésimo gol pelo Santos derrotando o Vasco no Maracanã marcando 2 a 1. Era um negro alcançando um marco nos esportes, no mesmo ano em que Grande Otelo venceu como melhor ator no Festival de Brasília por seu papel em “Macunaíma”. Em meio a essas conquistas chegou a nossas bancas a revista “Homem de Ferro & Capitão América” #19 trazendo a história “The Claws of the Panther” originalmente publicada em “Tales of Suspense” #98. Foi o primeiro contato do leitor brasileiro com o príncipe T’Challa. Somente em 1974, a clássica história publicada originalmente no título do Quarteto Fantástico chegaria no Brasil na revista do “Homem Aranha” # 66, pela editora Ebal. Muitos anos depois, o personagem ganhou maior destaque no Brasil quando os heróis Marvel começaram a ser publicados pela Editora Abril a partir de “Superaventuras Marvel” #7 (Janeiro 1983). A Princesa Shuri, a irmã do Pantera Negra só seria conhecida a partir de 2005 quando o escritor Reginald Hudlin e o desenhista John Romita Jr assumiram um novo título para o heroi. Nos quadrinhos T’Challa é voltado para a ciência enquanto Suri é mais voltada para as crenças espirituais de seu povo. No filme os papeis foram invertidos fazendo de Shuri uma inventora e levando T’Challa a dimensão espiritual onde se comunica com seu pai falecido. Outro momento marcante do personagem no Brasil é a história do casamento do herói com a Tempestade dos X Men nas páginas de “Marvel Action” #8 (Agosto de 2007). Mais tarde, a Marvel reverteria tudo separando os personagens.

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Outros Herois Negros

       Com o caminho aberto pelo Pantera, outros super heróis negros seriam lançados: Em 1969 Sam Wilson, o Falcão tornou-se o parceiro do Capitão América, chegando a substituí-lo recentemente. Em meio a Blackexplotation (série de filmes com elenco e equipe essencialmente com artistas negros) surgiu o icônico detetive Shaft, interpretado por Richard Roundtree em 1971, e revivido por Samuel L.Jackson em 2000. Em 1972 a Marvel publicou “Luke Cage Hero For Hire”, que chegou ao Brasil um ano depois pela editora Górrion. Nesta ocasião, enquanto Luke Cage tinha o poder de ser incrivelmente forte e de pele indestrutível, na vida real o boxeador Muhammed Ali suportou 12 assaltos com o maxilar quebrado em luta contra Ken Norton. Em 1979, a DC Comics chegou a publicar a icônica história “Superman Vs Muhammed Ali”. A mesma editora contribuiu com dois personagens de peso: Em 1972 surgiu John Stewart o primeiro Lanterna Verde negro (extremamente popular na animação da “Liga da Justiça”) e em 1977 surgiu Raio Negro que viria mais tarde a ingressar na Liga da Justiça. Entre as heroínas, a Marvel tinha a mutante Tempestade (1975) e a rival DC tinha Vixen (1978) capaz de mimetizar as habilidades de vários animais. Nos anos 80 estrearam a “Capitã Marvel” (1982) e Cyborg (1980) que originalmente fazia parte dos Titãs, e depois foi reformulado para a Liga da Justiça. Um dos personagens mais populares nos anos 90 foi o “Super Choque” (Static), criado pelo roteirista Dwayne McDuffie em 1993, e que chegou a ter uma animação de sucesso na TV. McDuffie juntou-se a vários artistas afro-americanos e criou um universo de personagens negros na editora Milestone.

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          Os quadrinhos contribuíram com uma respeitosa representação étnica, mas devemos nos lembrar que o meio reflete os esforços de artistas desbravadores como a atriz Hattie MCDaniel que foi a primeira negra a ganhar um Oscar (atriz coadjuvante) em 1939 por “E O Vento Levou”, a gravadora Motown quer abriu espaço para artistas como Michael Jackson, Isaac Hayes, Marvin Gaye, ou em tempos mais recentes atores como Samuel L.Jackson, Morgan Freeman, Viola Davis, Idris Elba, Whopi Goldberg, Halle Berry, Denzel Washington entre outros. Sua voz e a nossa são uma só, a de nos lembrar que seja na ficção ou na vida real somos iguais, humanos, e precisamos ser super heróis para vencer o racismo e fazer todo o mundo lembrar que se ébano ou marfim, o equilíbrio real é conviver com as diferenças.

TRAILLER: JACK REACHER SEM RETORNO

Previsto para 20 de outubro a sequência de “Jack Reacher – O Último Tiro” que se chamará “Jack Reacher – Sem Retorno” trará mais uma vez Tom Cruise, o Ethan Hunt de “Missão Impossivel” como e ex militar que se tornou investigador. Ao seu lado Cobie Smulders, a Maria Hill de “Os Vinagdores”. O filme é a adaptação do 18º livro do personagem criado pelo autor britânico Lee Child, pseudônio de Jim Grant. Na direção Edward Zwick, que já trabalhou com Tom Cruise em “O Último Samurai”.

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