GRANDE ESTREIA: MIB – HOMENS DE PRETO INTERNACIONAL

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MIB INTERNACIONAL. EUA 2019. DIR: F. GARY GRAY. COM CHRIS HEMSWORTH, TESSA THOMPSON, LIAM NEESON, EMMA THOMPSON, REBECCA FERGUSON. FICÇÃO CIENTIFICA / COMÉDIA.

                Há 22 anos fomos apresentados a uma organização secreta que monitora a atividade extraterrestre no mundo. Os agentes J (Tommy Lee Jones) e K (Will Smith) foram os personagens centrais por três filmes MIB de 1997 a 2012, uma parceria de opostos, o sisudo Jones e o falastrão Smith defenderam o planeta de ameaças alienígenas em uma criativa mistura de comédia e ficção cientifica. Natural que a franquia necessitasse de novos rumos com o desinteresse dos astros originais em retornar para seus papeis. A principio, no entanto, era que ambos reprisassem os papeis de J & K em um quarto filme. Falou-se até em um possível cross-over com “Anjos da Lei”  que seria chamado MIB 23 até que o estudio Sony decidiu fazer um spin-off, com ares de reboot disfarçado, elevando a agência a uma grau de atividade mais global e com dois novos agentes interpretados por Hemsworth e Thompson, Thor e Valquiria dos filmes do Universo Cinematico Marvel. Em tempos de empoderamento feminino nada mais compreensível que a nova dupla de MIB tenha um homem e uma mulher, sendo esta não uma escada para a figura masculina mas alguem tão ou, talvez, ainda mais importante que ele.

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                     A história do novo MIB mostra o experiente agente H (Hemsworth) treinando a novata agente M (Thompson), que teve uma experiência com extraterrestres quando criança, às voltas com a descoberta de um traidor entre eles. Claro que a nova aventura vem com referências aos filmes originais: Frank, o pug faz uma rápida aparição, e os agentes J e K aparecem em uma pintura no escritório londrino numa clara alusão aos eventos do primeiro filme. Tornou-se marca registrada dos filmes apontar celebridades  como alienígenas residentes no planeta. Assim foi com Elvis Presley, Michael Jackson, Steven Spielberg e Sylvester Stallone, desta vez Donald Glover e até Sergio Mallandro entraram para a lista.

men-in-black-01.jpg               Toda essa inventividade é uma adaptação das histórias em quadrinhos. “Homens de Preto” foi publicado pela primeira vez em 1990 pela Aircel Comics, depois vendida para a Malibu Comics,  que seria adquirida pela Marvel Comics. Nas histórias originais, escritas por Lowell Cunnigham, a organização que mistura o visual dos Irmãos Cara de Pau com o clima de Arquivo X investiga todo tipo de fenômenos, não apenas os de origem alienígenas, mas também sobrenatural e paranormal. Nas hqs, vampiros, zumbis e fantasmas também estão na mira e os agentes não medem esforços, chegando até mesmo a usar meios questionáveis para atingir seu objetivo de manter a população à margem de tudo.  

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                 O filme ainda traz em seu elenco de apoio Emma Thompson, que no filme anterior já fazia o papel da líder da organização, Liam Neeson e a bela Rebecca Ferguson da franquia “Missão Impossivel”. Se você é fã desses divertidos agentes da lei intergalatica, divirta-se com a trivia abaixo:

  1. Na época do primeiro filme os papeis de J & K foram inicialmente oferecidos a Clint Eastwood e Chris O’Donell.
  2. O primeiro filme, 1997, recebeu o Oscar de melhor maquiagem.
  3. Esse quarto filme é o primeiro filme da franquia não dirigido por Barry Sonnefield.
  4. Quando o segundo filme foi lançado, 2002, cenas que mostravam de longe o World Trade Center foram editadas devido ao ataque de 11 de Setembro.
  5. A hq original também foi adaptada para a Tv em uma série animada e para jogos de computador.

ALADDIN – MAIS QUE MIL & UMA NOITES

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TEXTO DE AGATHA MATTOS DE CARVALHO SANTOS & ADILSON DE CARVALHO SANTOS

É COM MUITO ORGULHO QUE PUBLICO ABAIXO O PRIMEIRO ARTIGO ESCRITO A QUATRO MÃOS, COM A COLABORAÇÃO DE MINHA FILHA AGATHA. NÃO A TOA O TEMA DO FILME É A MÁGICA, AFINAL DE CONTAS ELA REALIZA MÁGICAS EM MINHA VIDA.

        “Dez mil anos ali dentro te deixam com um terrível torcicolo”, foi com essa frase bem irônica que um gênio azul se apresenta na fantástica animação da Disney de 1992. Um triunfo dirigido por John Musker e Ron Clements com auxilio de um time de animadores e técnicos que mesclaram as técnicas tradicionais do gênero com o melhor em computação gráfica disponível então. O apelo dessa história atravessa gerações, fixa em nosso imaginário valores de amor, lealdade e bravura como nas palavras de uma criança  :

      “A história de Aladim surgiu na antiga Pérsia mostrando um rapaz humilde que se apaixona pela princesa Jasmine, mas eles não podiam ficar juntos porque Jasmine era filha do Sultão, rica, e Aladim era plebeu. Ele encontra uma lâmpada mágica que trazia um gênio capaz de realizar três desejos. Assim, Aladim chama a atenção do Sultão, enfrenta o malvado Jafar e conquista o coração de Jasmine. Aladim é jovem e corajoso pois enfrenta todos os perigos da caverna das maravilhas, e ainda os planos do maligno Jafar para se apossar do reino. Jasmine não tinha liberdade para escolher seu destino, mas mesmo que triste não se permite ter medo de Jafar. O gênio é piadista, falante, divertido e como Aladim e Jasmine, também tem um sonho, a sua liberdade. Juntos esse trio vive mil e uma aventuras e, assim, é o melhor filme da Disney com melodia emocionante. Muito legal a mensagem de que precisamos acreditar em nossos sonhos, nossos desejos, mesmo não tendo na vida real um gênio de verdade ao nosso lado”.

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ANIMAÇÃO E LIVE ACTION

          Pois esta história compõe uma coletânea que remonta tempos imemoriais levadas ao ocidente pelo francês Antoine Galland por volta de 1704. Este reuniu diversas histórias atribuídas à figura da Rainha Sherazade, esposa do rei Shariar que matava todas as mulheres com quem casava desde que fora traído por sua primeira esposa. Ao casar-se com o rei, Sherazade passou a contar-lhe uma série de histórias (dentre elas Ali Babá e os 40 ladrões, Simbad o marujo entre outras) cuja inventividade e desenrolar mantiveram o rei entretido por mil e uma noites, ao final dos quais o rei abandonou sua sede de matança. Sherazade tornou-se um ícone como poder feminino já que usou o poder de suas palavras para mudar um reino. Sua façanha é mencionada em manuscritos datados do século IX e em diversas variações literárias reunindo contos folclóricos provenientes da Índia, do Oriente Médio e outras regiões próximas. A própria história original de Aladim se passa na China, e muitos historiadores acreditam que Galland modificou e acrescentou vários elementos por conta própria.

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O ALADDIN DO CINEMA MUDO COM ATORES INFANTIS

            A reconstrução do conto em uma cidade árabe já aparece em “Aladdin and the magical lamp”, adaptação de 1917. Nela, assim como no conto, a princesa não se chama Jasmine, mas Badr al-badur, e tanto ela quanto Aladim são interpretados por crianças. Em 1924, uma variação do mesmo conto das mil e uma noites gerou “O Ladrão de Bagda” (The Thief of Bagda) veículo para o estrelato de Douglas Fairbanks que impressionou as plateias do passado ao levitar sobre o tapete mágico. Em 1940, o mesmo foi refilmado com o ator indiano Sabu no papel do ladrão Abu que substitui Aladim como o bravo herói a desafiar o grão-vizir Jafar. O filme ganhou três Oscars: Melhor fotografia, direção de arte e efeitos especiais, estes de fato triunfantes ao mostrar Rex Ingram no papel do gênio. Em 1945, a Columbia Pictures realizou uma versão ainda mais livre do conto em “Aladim & A Princesa de Bagda” (A Thousand & One Nights) fazendo de Aladim um cantor sedutor que se apaixona pela princesa Armina (Adele Jergens). Entre as liberdades tomadas, o gênio é uma mulher (Evelyn Keyes) e Aladim ganha a companhia de um amigo trambiqueiro, Abdullah, interpretado por Phil Silvers, comediante de língua ferina extremamente popular nos anos 40 e 50. Silvers faz um personagem descolado e anacrônico portando óculos que ainda não tinham sido inventados e disparando a todo momento o irônico comentário de que nasceu mais de 1000 anos antes de seu tempo. Essa versão acabou se tornando uma pérola da antiga Hollywood.

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NA VERSÃO DE 1945 O GÊNIO É A ATRIZ EVELYN KEYES MAS É O COMEDIANTE PHIL SILVERS QUEM ROUBA A CENA COM SEU HUMOR FALASTRÃO

                Ainda tivemos uma versão brasileira da lenda estrelada por Renato Aragão e Dedé Santana em 1974 e dirigido pelo saudoso J.B Tanko. Entitulada “Aladim & A Lâmpada Maravilhosa”, o filme foi gravado no Rio de Janeiro e São Paulo e alcançou uma das dez maiores bilheterias nacionais. Outra versão livre intitulada simplesmente foi “Aladdin” de 1986 que teve Bud Spencer (da hoje esquecida dupla Trinity) no papel do gênio e com a ação transferida de Badga para a Miami oitentista.

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RENATO ARAGÃO, DEDÉ SANTANA & MONIQUE LAFOND NA VERSÃO BRASILEIRA DE ALADDIN

               Foi, no entanto, a versão de Disney de 1992 que se beneficiou do talento de um dos astros mais queridos do cinema americano, o ator Robin Williams, que roubou a cena no papel do gênio. A presença de Williams, maior que a tela, fez do gênio um dos pontos mais altos da animação, improvisando a maior parte de suas falas. Ainda que o público brasileiro tenha ouvido a excelente dublagem de Marcio Simões para o gênio, a personalidade histriônica de Robin Williams é contagiante. O ator, infelizmente, teve problemas posteriores com a Disney devido ao uso de sua imagem no personagem, mas é inegável que os animadores Ward Kimball e Freddie Moore souberam explorar a figura de Williams adaptando seu talento com as cores e formas múltiplas que o gênio assume ao longo da história. Williams, falecido em 2014, deixou um enorme legado com sua capacidade de extrair emoção e risadas com sua presença em cena, e o gênio é um de seus maiores feitos. Para o desenho de Aladdin, os animadores usaram o rosto de Tom Cruise como inspiração e acrescentaram os trejeitos do então, igualmente popular, Michael J.Fox (De Volta Para o Futuro). O resultado, além de bilheteria milionária, foi a conquista do Oscar de melhor trilha sonora, e de melhor canção para “A Whole New World” .

Robin Williams dubla genio

ROBIN WILLIAMS O GÊNIO QUE FEZ UM GÊNIO

              A refilmagem que traz Will Smith no papel do gênio mostra a grande mágica dessa história que, há gerações, vem nos divertindo com uma mistura de ação, humor e emoção pois todos se sentem atraídos por histórias que exploram grandes desafios, lugares fantásticos perdidos no tempo e no espaço mas encontrados no imaginário popular, um lugar ideal onde a mágica nunca deixou de existir e tampouco ficou limitada a três desejos. Como nas palavras de Robin Williams, O gênio que fez UM gênio, “Sou história, não sou mitológico, não importa… ei sou livre !!!” Livre com o poder do talento e de uma imaginação que atravessa bem mais do que mil e uma noites.

PANTERA NEGRA:A COR DO HEROÍSMO

Na cerimônia de entrega dos Golden Globes deste ano Oprah Winfrey tornou-se a primeira atriz negra agraciada com o prêmio Cecil B DeMille, ocasião que aproveitou para lembrar do impacto da premiação em 1964 quando Sidney Poitier ganhou o Oscar de melhor ator por “Uma Voz nas Sombras”. Era a época da luta pelos direitos civis, um ano depois do histórico discurso “I have a dream” de Martin Luther King, nove anos depois da costureira Rosa Parks ousar dizer não a um ato de segregação racial, e um ano antes do assassinato do ativista Malcom X. Se esses representaram a luta pela igualdade racial no mundo real, faltava um símbolo que trouxesse a questão para o campo da ficção. Coube a Stan Lee e Jack Kirby a criação do Pantera Negra, primeiro super herói das HQs.

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          É verdade que antes do Pantera Negra, já existia o Lothar, braço direito do mágico Mandrake (1934) de Lee Falk, mas a imagem era por demais estereotipada. Em 1947 foi publicado a revista “All-Negro comics” com os personagens Ace Harlem e Lion Man, mas esta ficou restrita ao numero um. Em 1954 ainda houve “Waku, Príncipe dos Batu”, da Timely Comics (Antecessora da Marvel), mas poucas histórias do personagem foram publicadas no título “Jungle Tales”. O Pantera Negra quebrou essas barreiras, pois mostrava um homem negro com super poderes e inteligência extraordinária, herdeiro do trono da fictícia nação africana de Wakanda. Sua primeira aparição foi na edição #52 do “Quarteto Fantástico”, de Julho de 1966, na qual somos apresentados ao príncipe T’Challa, um homem culto (foi educado nas melhores escolas da Europa e América) que precisou superar o desejo de vingança quando seu pai, o Rei T’Chaka foi morto pelo vilão Garra Sônica, que planeja se apoderar do valioso metal Vibranium, existente apenas em Wakanda.

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         Dois meses depois da criação do personagem foi fundado o Partido dos Panteras Negras, grupo extremista que por causa 20 anos confrontou a polícia e demais instituições na luta contra atos racistas. Temendo qualquer associação inicial Stan Lee chegou a rebatizar o personagem de “Black Leopard”, mas não demorou muito para reverter para o nome original. Depois de sua aparição inicial, o personagem ingressou nos Vingadores, levando a ganhar o título “Jungle Action featuring The Black Panther” a partir de 1973.

Pantera Negra no Brasil

    Em 1969 Pelé marcou seu milésimo gol pelo Santos derrotando o Vasco no Maracanã marcando 2 a 1. Era um negro alcançando um marco nos esportes, no mesmo ano em que Grande Otelo venceu como melhor ator no Festival de Brasília por seu papel em “Macunaíma”. Em meio a essas conquistas chegou a nossas bancas a revista “Homem de Ferro & Capitão América” #19 trazendo a história “The Claws of the Panther” originalmente publicada em “Tales of Suspense” #98. Foi o primeiro contato do leitor brasileiro com o príncipe T’Challa. Somente em 1974, a clássica história publicada originalmente no título do Quarteto Fantástico chegaria no Brasil na revista do “Homem Aranha” # 66, pela editora Ebal. Muitos anos depois, o personagem ganhou maior destaque no Brasil quando os heróis Marvel começaram a ser publicados pela Editora Abril a partir de “Superaventuras Marvel” #7 (Janeiro 1983). A Princesa Shuri, a irmã do Pantera Negra só seria conhecida a partir de 2005 quando o escritor Reginald Hudlin e o desenhista John Romita Jr assumiram um novo título para o heroi. Nos quadrinhos T’Challa é voltado para a ciência enquanto Suri é mais voltada para as crenças espirituais de seu povo. No filme os papeis foram invertidos fazendo de Shuri uma inventora e levando T’Challa a dimensão espiritual onde se comunica com seu pai falecido. Outro momento marcante do personagem no Brasil é a história do casamento do herói com a Tempestade dos X Men nas páginas de “Marvel Action” #8 (Agosto de 2007). Mais tarde, a Marvel reverteria tudo separando os personagens.

Luke Cage 1

Outros Herois Negros

       Com o caminho aberto pelo Pantera, outros super heróis negros seriam lançados: Em 1969 Sam Wilson, o Falcão tornou-se o parceiro do Capitão América, chegando a substituí-lo recentemente. Em meio a Blackexplotation (série de filmes com elenco e equipe essencialmente com artistas negros) surgiu o icônico detetive Shaft, interpretado por Richard Roundtree em 1971, e revivido por Samuel L.Jackson em 2000. Em 1972 a Marvel publicou “Luke Cage Hero For Hire”, que chegou ao Brasil um ano depois pela editora Górrion. Nesta ocasião, enquanto Luke Cage tinha o poder de ser incrivelmente forte e de pele indestrutível, na vida real o boxeador Muhammed Ali suportou 12 assaltos com o maxilar quebrado em luta contra Ken Norton. Em 1979, a DC Comics chegou a publicar a icônica história “Superman Vs Muhammed Ali”. A mesma editora contribuiu com dois personagens de peso: Em 1972 surgiu John Stewart o primeiro Lanterna Verde negro (extremamente popular na animação da “Liga da Justiça”) e em 1977 surgiu Raio Negro que viria mais tarde a ingressar na Liga da Justiça. Entre as heroínas, a Marvel tinha a mutante Tempestade (1975) e a rival DC tinha Vixen (1978) capaz de mimetizar as habilidades de vários animais. Nos anos 80 estrearam a “Capitã Marvel” (1982) e Cyborg (1980) que originalmente fazia parte dos Titãs, e depois foi reformulado para a Liga da Justiça. Um dos personagens mais populares nos anos 90 foi o “Super Choque” (Static), criado pelo roteirista Dwayne McDuffie em 1993, e que chegou a ter uma animação de sucesso na TV. McDuffie juntou-se a vários artistas afro-americanos e criou um universo de personagens negros na editora Milestone.

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          Os quadrinhos contribuíram com uma respeitosa representação étnica, mas devemos nos lembrar que o meio reflete os esforços de artistas desbravadores como a atriz Hattie MCDaniel que foi a primeira negra a ganhar um Oscar (atriz coadjuvante) em 1939 por “E O Vento Levou”, a gravadora Motown quer abriu espaço para artistas como Michael Jackson, Isaac Hayes, Marvin Gaye, ou em tempos mais recentes atores como Samuel L.Jackson, Morgan Freeman, Viola Davis, Idris Elba, Whopi Goldberg, Halle Berry, Denzel Washington entre outros. Sua voz e a nossa são uma só, a de nos lembrar que seja na ficção ou na vida real somos iguais, humanos, e precisamos ser super heróis para vencer o racismo e fazer todo o mundo lembrar que se ébano ou marfim, o equilíbrio real é conviver com as diferenças.

ESTREIAS DA SEMANA: A PARTIR DE 26 DE JANEIRO

RESIDENT EVIL 6 : O CAPÍTULO FINAL

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RESIDENT EVIL 6: THE FINAL CHAPTER. EUA 2016. DIR: PAUL W.S.ANDERSON. COM MILA JOJOVICH, ALI LARTER, SHAWN ROBERTS. AÇÃO & TERROR.

CONFESSO QUE NUNCA FUI FÃ DA FRANQUIA, MAS QUE É RESPEITÁVEL O SUCESSO DOS FILMES INICIADOS EM 2002 NÃO NEGO. A SIMPATIA DE SUA ESTRELA TAMBÉM É ALGO NOTÁVEL, EMBORA ISSO NÃO GARANTA ORIGINALIDADE À TRAMA, CRIADA A PARTIR DE UM POPULAR VIDEOGAME. ALIÁS, PODEMOS AFIRMAR QUE É O FILME DO GÊNERO MELHOR SUCEDIDO, VIDE A RECEPÇÃO MORNA, RECENTEMENTE, DADA AO ESPERADO “ASSASSIN’S CREED”. JOJOVICH INTERPRETA ALICE, A SALVADORA DO MUNDO PÓS APOCALÍPTICO TOMADO PELO VIRUS QUE CRIA OS ZUMBIS. PROMETENDO SER O ÚLTIMO CAPÍTULO, ALICE ENCONTRA UMA CHANCE DE ACABAR COM A UMBRELLA CORPORATION, A EMPRESA CRIADORA DO VIRUS. NA COMIC CON EXPERIENCE, NO FINAL DO ANO PASSADO, A ESTRELA E SEU MARIDO, O DIRETOR PAUL W.S ANDERSON ESTIVERAM NO BRASIL PARA PROMOVER O FILME, QUER CHEGA ÀS TELAS QUASE CINCO ANOS DEPOIS DO FILME ANTERIOR. O INTERVALO FOI GRANDE ASSIM DEVIDO À GRAVIDEZ DA ATRIZ QUE ESTÁ EM SEU SEGUNDO REBENTO COM O DIRETOR COM QUEM É CASADA DESDE 2009. UMA ÚLTIMA COISA, PARA QUEM FOR FÃ DA SÉRIE (JÁ CANCELADA) “HEROES”, A PERSONAGEM CLAIRE É INTERPRETADA PELA ATRIZ ALI LARTER, QUE FAZIA NIKKI NA SÉRIE.

BELEZA OCULTA

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COLLATERAL BEAUTY. EUA 2017. DIR: DAVID FRANKEL. COM WILL SMITH, LEIRA KNIGHTLY, KATE WINSLET, EDWARD NORTON, HELEN MIRREN. DRAMA.

HOWARD É UM PUBLICITÁRIO QUE ENTRA EM DEPRESSÃO DEPOIS DE UMA TRAGÉDIA E COMEÇA A ESCREVER CARTAS PARA A MORTE, O TEMPO E O AMOR. ESTAS ASSUMEM FORMAS HUMANAS (RESPECTIVAMENTE HELEN MIRREN, JACOB LATIMORE E KEIRA KNIGHTLY) PARA TENTAR ENSINAR A HOWARD O VALOR DA VIDA. O FILME TRATA DE QUESTÕES MORAIS E FILOSÓFICAS QUE RESVALAM NOS CLICHÊS DO GÊNERO E É IM POSSÍVEL NÃO LEMBRAR DA HISTÓRIA DE “A FELICIDADE NÃO SE COMPRA”, MAS SEM A MAGIA CAPRIANIANA CLARO. O FILME, ENFIM, ESTÁ INTERESSADO EM PROVOCAR AQUELA LÁGRIMA, AQUELA EMOÇÃO ESCONDIDA, O QUE TEM SEU VALOR CATÁRTICO.

A BAILARINA

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BALLERINA. FRA 2017. DIR: ERIC SUMMER & ERIC WARRIN. VOZES DE ELLE FANNING, DANE DEHAAN, MEL MAIA. ANIMAÇÃO.

ACHO LEGAL QUANDO UM FILME EUROPEU CHEGA ÀS NOSSAS TELAS E NOS MOSTRA QUE O CINEMA DIVERSÃO NÃO TEM QUE SER OBRIGATORIAMENTE NORTE-AMERICANO. ESSA ANIMAÇÃO TRAZ A HISTÓRIA DE FÉLICIE, UMA JOVEM ORFÃ DETERMINADA A SE TORNAR UMA BAILARINA NA PARIS DE 1869. A MENINA CONSEGUE INGRESSAR NO GRAND OPERA HOUSE SE PASSANDO POR OUTRA PESSOA.  O FILME É DOS MESMOS PRODUTORES DO EXCELENTE “INTOCÁVEIS” (2011) COM UM ORÇAMENTO DE us$30 MILHÕES.

ATÉ O ÚLTIMO HOMEM

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HACKSAW RIDGE. EUA 2016. DIR: MEL GIBSON. COM ANDREW GARFIELD, SAM WORTHINGTON, TERESA PALMER, VINCE VAUGH, HUGO WEAVING, DRAMA DE GUERRA.

DEZ ANOS DEPOIS DE “APOCALYPTO”, MEL GIBSON PASSOU POR UMA FASE DIFÍCIL EM SUA VIDA PESSOAL QUE RESVALECEU EM SUA VIDA PROFISSIONAL. MUITOS APOSTAVAM QUE SERIA O FIM DE SUA CARREIRA QUE  RENDEU ATRÁS DAS CÂMERAS FILMES DE SUCESSO DE PÚBLICO E CRÍTICA COMO “CORAÇÃO VALENTE” (1995) OU FILMES POLÊMICOS COMO ” A PAIXÃO DE CRISTO” (2004). SEU RETORNO COM “ATÉ O ÚLTIMO HOMEM” RECEBEU APLAUSOS DE PÉ NO FESTIVAL DE VENEZA, EM SETEMBRO ÚLTIMO, QUE DURARAM NOVE MINUTOS E 48 SEGUNDOS. O FILME É A HISTÓRIA REAL DE DESMOND T.ROSS (GARFIELD) QUE LUTOU NA SEGUNDA GUERRA SE RECUSANDO A USAR UMA ARMA DE FOGO E MATAR OS INIMIGOS. SUAS CRENÇAS PACIFISTAS BATERAM DE FRENTE COM SEUS SUPERIORES. NA BATALHA DE OKINAWA, SUAS AÇÕES SALVARAM 75 SOLDADOS,E LHE VALERAM TEMPOS DEPOIS UMA MEDALHA DE HONRA DO CONGRESSO AMERICANO. O FILHO DO VERDADEIRO DESMOND ASSISTIU AO FILME DE GIBSON E SE EMOCIONOU COM A ATUAÇÃO DE ANDREW GARFIELD (LEMBRAM DELE EM “O ESPETACULAR HOMEM ARANHA”?). CURIOSIDADE, ESSE É O FILME DE ESTREIA COMO ATOR DE MILO GIBSON, SEXTO FILHO DE MEL, QUE TEVE O FEITO DE TER CONSEGUIDO FILMAR A HISTÓRIA DE DESMOND, UM PROJETO QUE DEMOROU DESDE 2002 PARA SAIR DO PAPEL DE ACORDO COM A CONCEITUADA REVISTA “VARIETY”.

ESTREIAS DA SEMANA : 4 DE AGOSTO

ESQUADRÃO SUICIDA

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(Suicide Squad) EUA 2016. Dir:David Ayer. Com Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Carla Delavigne, Joel Kinnaman, Scott Eastwood, Adam Beech, Jared Leto. Ação.

A oficial do governo Amanda Waller (Davis) ordena a reunião dos piores criminosos do país para combater uma entidade maligna que pode destriuir o mundo. A premissa não é novidade em termos de cinema se lembrarmos de clássicos como “Os Doze Condenados”(1967), mas nas hqs ela foi usada antes (veja matéria publicada anteriormente). A ideia de compor a equipe com supervilões veio em 1986,  e funcionou gerando grande popularidade. A Dc Comics tem tido dificuldade para firmar seu universo cinemático, em parte porque a crítica especializada tem sido dura demais, e em parte devido a atitudes desastrosas da Warner. No caso, as críticas devastadoras a “Batman vs Superman” levou a Warner a remontar o filme e refilmar várias cenas de forma a acrescentar mais humor. A supervalorização dos bastidores do filme com noticias dos desatinos de Leto que teria incorporado o Coringa mesmo fora das filmagens. De qualquer forma, em filmes que trazem dinâmicas de grupo, raros são aqueles que conseguem desenvolver um equilibrio na trama capaz de valorizar todos os personagens e não é diferente dessa vez. A Arlequina rouba a cena, Viola Davis é ótima e não me surpreende que Jared Leto não tenha atingido a melhor das performances como Coringa depois de atuações marcantes como as de Heath Ledger e Jack Nicholson. Curiosamente o filme chega às telas no 50º aniversário da primeira encarnação do Coringa  vivido por um ator, no caso o célebre Cesar Romero na série de Tv do “Batman”. Como cinéfilo sempre suspeito dos extremos, seja os filmes aclamados ou os execrados. Talvez estejamos errando justamente por comparar, a Marvel e a Dc pois ambas tem erros e acertos. O orçamento de US$ 175 milhões é mais sóbrio que o de “Batman VS Superman” e justamente por não serem personagens com pretensões de serem baluartes de moral e altruísmo acrescenta algo novo ao gênero dos super herois, não inovador, apenas algo diferente do usual, mas que pode divertir sem gerar grandes pretensões. O público é claro que dirá. Atentem para a cena pós creditos envolvendo Ben Affleck e Viola Davis. No mais boa diversão.

A INTROMETIDA

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(The Meddle) EUA 2016. Dir: Lorena Scafaria. Com Susan Sarandon, Rose Byrne, J.K.Simmons, Casey Wilson, Laura San Giacomo. Comédia.

Mulher víuva decide se mudar para perto da filha em Los Angeles mas começa a interferir na vida dela até conhecer o vizinho da filha. O filme integrou o Festival de Toronto em 2015 e traz Susan Sarandon em elogiosa atuação. O filme mescla doses de drama e comédia e pode agradar ao público adulto.

UM NEGÓCIO DAS ARÁBIAS

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(A Hologram for the King) EUA 2016. Dir: Tom Twyker. Com Tom Hanks, Ben Whishaw, Tom Skerrit.

Adaptação do livro “Um Holograma Para o Rei”, de David Eggars, roteirizado e dirigido por Tom Twyker que foi autor do roteiro de “A Viagem” (Cloud Atlas) estrelado também por Hanks. A história gira em torno de homem de negócios que perdeu sua fortuna que pretende enriquecer de novo vendendo um holograma para um rei da Arabia Saudita.

ESQUADRÃO SUICIDA : NOSSOS VILÕES FAVORITOS

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Em tempos em que os heróis não são mais retratados como modelos de perfeição e que muitos valores são distorcidos nada mais natural que vilões assumam papel de destaque na preferência de fãs. No cinema, a ideia não é nova se lembramos “Os Doze Condenados” (1967) de Robert Aldrich em que um grupo de criminosos são reunidos para uma missão suicida nos idos da Segunda Guerra. Poucos sabem, inclusive, que o filme foi transformado em série de TV em 1988. Nas Hqs, a mesma premissa já havia sido empregada na revista “The Brave & The Bold #25” (1959). Essa edição, que na época custou meros 10 centavos, hoje vale mais de US$ 1,000. A história de Robert Kanigher e Ross Andru não trazia nenhum supervilão, mas condenados de alta periculosidade que, em troca de sua liberdade. Liderada pelo Capitão Richard Flag Sr, o pelotão assumia missões que destacavam o teor patriótico típico dos quadrinhos de guerra publicados na época.

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Quando os quadrinhos desse gênero começaram a perder espaço e popularidade, as aventuras da equipe seriam eventualmente descontinuadas. A ideia, no entanto, foi reformulada em 1986 quando a DC comics reformulou seu universo (pela primeira vez) na mega saga “Crise nas Infinitas Terras” (1985). A editora, movida por um espírito de reestruturação, publicou a mini-série “Lendas” (Legends) em que os heróis são desmoralizados publicamente e proibidos de atuarem por conta de um plano do vilão Darkseid. Os roteiristas Len Wein e John Ostrander escreveram o roteiro com desenhos de John Byrne e introduziram uma nova versão da equipe, liderada por Rick Flagg Jr e formada pelos supervilões Capitão Bumerangue, Arrasa Quarteirão, Magia, Tigre de Bronze e Pistoleiro. Sancionados em segredo por Amanda Waller, funcionária de alto escalão do governo, a equipe é reunida para lutar contra ameaças à segurança nacional durante o evento. Com o fim de “Lendas”, a equipe ganhou uma série própria publicada a partir de 1987. “Suicide Squad” (1987) começou com roteiros de John Ostrander e desenhos de Luke McDonnel e durou  cinco anos com tramas que mesclavam espionagem com ação fantasiosa em sequências interligadas aos demais títulos da Dc Comics. Praticamente, todos os eventos da editora tinham interligação com o título do Esquadrão como “Milênio” (1988) centrada no Lanterna Verde ou “Invasão” (1989) em que uma armada alienígena decide dominar a Terra. Os integrantes da equipe também mudariam constantemente e vários vilões seriam recrutados de acordo com a natureza das missões. O Pistoleiro (Deadshot) se tornaria um dos mais populares assumindo posição de destaque e ganhando até uma mini-série própria em 1989.  A Arlequina só se juntaria ao grupo a partir do relançamento do título após o evento dos Novos 52 ,em 2013, que mais uma vez reformulou os heróis da editora.

MARGOT ROBBIE ARLEQUINA

A personagem, que ganhou enorme popularidade nos anos 90, foi criada para o desenho de TV “Batman The Animated Series” de Paul Dini e Bruce Timm. Tendo trabalhado no Arkham Asylum como psiquiatra, a Dra Harley Quinzel tratou do Coringa, mas em vez de curar a insanidade do vilão, se apaixonou por ele e enlouqueceu. Incorporada à continuidade das HQs na edição “Batman: Mad Love” em 1994, a Arlequina tornou-se nas HQs um personagem mais independente do Coringa e parte ativa de várias aventuras do grupo em tempos recentes.

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O Esquadrão Suicida teve sua popularidade reacesa aparecendo no seriado “Arrow” e no jogo “Batman: Assault on Arkham”. Sua adaptação para o cinema certamente traz a equipe para o centro das atenções criando a oportunidade de criar novos fãs com uma cronologia menos complexa que no material original, mas ainda divertida ao mostrar que entre bravos e ousados, velozes e furiosos, a vilania e o heroísmo acabam sendo duas faces da mesma moeda. Nossos malvados favoritos das hqs  ainda têm muito fôlego para mostrar.

SAN DIEGO COMIC CON 2016 – COBERTURA

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CHEGOU AO FIM ONTEM (23 DE JULHO) A SAN DIEGO COMIC CON, UM DOS MAIORES EVENTOS DA CULTURA POP E DA INDUSTRIA DE BLOCKBUSTERS HOLLYWOODIANA. DURANTE QUATRO DIAS EM MEIO A COSPLAYERS E PERSONALIDADES DO CINEMA, HQS E GAMES MILHARES DE PESSOAS SE AMONTARAM EM FILAS INTERMINÁVEIS PARA AVERIGUAR AS NOVIDADES CUJO LANÇAMENTO TEM ALCANÇE INTERNACIONAL.

luke cage

MIKE COULTER – O LUKE CAGE

 

JEPH LOEB QUE HOJE É PRESIDENTE DA MARVEL TELEVISION APRESENTOU O ATOR MIKE COULTER ANUNCIADO COMO O PROTAGONISTA DA VINDOURA SÉRIE DO “LUKE CAGE” QUE EM BREVE SE JUNTARÁ À LISTA DA NETFLIX QUE JÁ INCLUI JESSICA JONES E DEMOLIDOR. ESTA TEVE ANUNCIADA OFICIALMENTE A TERCEIRA TEMPORADA ALEM DA SÉRIE DOS DEFENSORES. ENTRE OS TRAILLERS QUE CAUSARAM FUROR ENTRE OS FÂS ESTAVAM OS DOS FILMES DA “MULHER MARAVILHA” , “LIGA DA JUSTIÇA”, “ESQUADRÃO SUICIDA” , “DOUTOR ESTRANHO”, “GUARDIÕES DA GALÁXIA 2” E “HOMEM ARANHA : VOLTA AO LAR”.

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CHRIS PRATT & ZOE SALDANA DOS GUARDIÕES DA GALAXIA 2

OUTRA SENSAÇÃO FOI A APARIÇÃO DE BRIE LARSON (O QUARTO DE JACK) OFICIALIZADA COMO A HEROÍNA CAPITÃ MARVEL NO VINDOURO FILME HOMONIMO DO MARVEL STUDIOS. FALANDO EM MARVEL O EVENTO TAMBÉM CONTOU COM A PRESENÇA DE BENJAMIM CUMBERBATCH (O DR. ESTRANHO) E A CONFIRMAÇÃO DA QUARTA TEMPORADA DE SHERLOCK HOLMES COM O ATOR. KEVIN FEIGE, O CHEFÃO DO MARVEL STUDIOS. TAMBÉM TROUXE AS NOVIDADES PARA “THOR RAGNAROK” E EXIBIRAM UM DOCUMENTARIO FAKE MOSTRANDO CHRIS HEMSWORTH ZOANDO COM TUDO E TODOS NOS BASTIDORES E MOSTRANDO O PORQUÊ DE SUA AUSÊNCIA EM GUERRA CIVIL.

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BENJAMIM CUMBERBATCH & CHWITEL ELIJOFOR

HOUVE SURPRESA QUANDO FOI EXIBIDO O TRAILLER DE “A BRUXA DE BLAIR 3” QUASE VINTE ANOS DO FILME ORIGINAL TER VIRALIZADO. GRANDE EXPECTATIVA TAMBÉM HAVIA COM A AVANT PREMIERE DE “STAR TREK SEM FRONTEIRAS” QUE CELEBRA OS 50 ANOS DA MAIOR ODISSEIA DA FICÇÃO CIENTIFICA. OUTRO TRAILLER BEM RECEBIDO FOI O DE “KONG – A ILHA DA CAVEIRA ” .

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SIMON PEGG E SOFIA BOUTELLA EM STAR TREK BEYOND

ESSAS ENTRE OUTRAS ATRAÇÕES ESTIVERAM EM EVIDÊNCIA E NOS DÃO A CERTEZA DE QUE NÓS NERDS HERDAREMOS O MUNDO. SE ATÉ HENRY CAVILL (SUPERMAN) TIETOU WILL SMITH NO PAINEL DO ESQUADRÃO SUICIDA, ENTÃO POR QUE NÃO IMAGINARMOS QUE NO PRÓXIMO ANO ESTAREMOS LÁ TAMBÉM PARA TIETAR, PEDIR AUTOGRÁFOS E VIVER A MAGIA DA COMIC CON.

 

 

INVASÕES ALIENÍGENAS NO CINEMA E NA LITERATURA

 

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A GUERRA DOS MUNDOS NA REVISTA PULP “AMAZING STORIES”

Acaloradas discussões, infinitas probabilidades matemática ou campo fértil para os filósofos, a existência de vida em outros planetas sempre foi usada exaustivamente pelo cinema e pela literatura, e muitas das vezes rende histórias envolventes que instigam nosso questionamento que nos faz voltarmos nossos olhos para os céus à procura de sinais e inflam nossa imaginação com os eventuais efeitos colaterais desse contato. Coloquemos de lado as visões positivas e utópicas desse contato. A mente do genial físico britânico Stephen Hawking, em seu livro “Uma Breve História do Tempo” (A Brief History of Time) já alerta para o perigo de um contato com seres de outro planeta cuja visita poderia ser mais nociva que amigável dada a riqueza de nossos recursos naturais. Mais ou menos como mostrada em “Independence Day” (1995) que afastou de nosso imaginário a figura dócil de “E.T” (1982) de Steven Spielberg ou a aura heroica do lógico Sr.Spock em “Star Trek” (série e filmes).

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VERSÃO DE STEVEN SPIELBERG PARA “A GUERRA DOS MUNDOS”

O primeiro impacto de uma invasão foi retratado pelo escritor inglês H.G.Wells em 1898, quando publicou a primeira história do gênero, o clássico “A Guerra dos Mundos” (The War of the Worlds). Nela, os marcianos levam um rastro de destruição pela Inglaterra Vitoriana servindo como metáfora para a crítica de seu autor à expansão imperialista. Revistas pulps adaptaram o material antes do cinema e implantam no inconsciente popular a imagem das implacáveis naves disparando seus raios desintegradores, só vencidas ao final graças aos germes em nossa atmosfera. O rádio fez uma histórica adaptação em 1936 quando um jovem Orson Welles transmitiu a história em tom de narrativa jornalística na véspera do Halloween de 1936. O resultado foi o pânico generalizado dos cidadãos que acreditaram em Wellles, provando o poder manipulador da mídia. O cinema não demorou a explorar o potencial da obra e a adaptou em 1958 com direção de Byron Haskin, transferindo a ação da Londres de fins do século XIX  para uma cidade americana típica, mas mantendo todo o mais fiel ao livro original. Steven Spielberg fez uma nova adaptação em 2003 acrescentando por conta própria a história do operário, pai de família, interpretado por Tom Cruise, lutando para proteger sua família durante sua fuga dos algozes marcianos.

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A década de 50 gerou duas histórias bem singulares: Em 1953, o escritor Arthur C. Clarke publicou “O Fim da Infância” (Childhood Ends) mostrando visitantes alienígenas que nunca mostram seus rostos enquanto guiam a raça humana a um novo patamar de existência, sem doenças ou guerras. O problema nessa aparente utopia é que os visitantes escondem interesses e intenções nada amistosas para a raça humana. Embora o livro de Clarke (mesmo autor de 2001 Uma Odisséia no Espaço) nunca tenha tido uma adaptação para o cinema, sua premissa pode ser encontrada em séries de Tv como “Earth Final Conflict” e ‘V”. Outro  exemplar da mesma década é o livro “Invasores de Corpos” (The Body Snatchers) de 1955, escrito pelo norte-americano Jack Finney. Nele, os alienígenas entram em nossos corpos durante o sono e se apossam de nossa forma física, contudo não têm emoções, tornando-se copias frias e insensíveis de nossa natureza e perfeita parábola para a paranoia comunista disseminada no período da guerra fria. A história dessa invasão silenciosa foi adaptada quatro vezes: Em 1956, 1978, 1993 e 2003, mas somente as duas primeiras, respectivamente entituladas “Vampiros de Almas” e “Invasores de Corpos” de fato são relevantes, funcionando como leitura metafórica para a desumanização dos valores ou como um envolvente suspense. Sem dúvida, a obra de Finney inspirou várias histórias e podemos sentir um clima paranoico em exemplares como “Sinais” (Signs) de 2003, de M. Night Shymalan, que trata dos misteriosos círculos nas plantações de milho, associados a aterrisagens de discos voadores,  ou no criativo “Eles Vivem” (They Live) de John Carpenter em que um par de óculos especiais revela quem são os invasores espaciais misturados entre nós.

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DONALD SUTHERLAND EM INVASORES DE CORPOS

Aclamada no gênero é o livro de 1979 “O Guia do Mochileiro das Galáxias” (The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy) que tornou-se o primeiro de uma série do escritor Douglas Addams, adorado pelos aficcionados e que se tornou filme em 2003. Nele, a Terra é destruída por seres de outro planeta e o último sobrevivente pega carona numa viagem interestelar. Ameaças vindas por seres extraterrestres interessadas em nosso extermínio também são o tema de “O Jogo do Exterminador” (The Ender’s Game) de Orson Scott Card, escrito em 1985 e adaptado em 2014, e o recente “A Quinta Onda” (The Fifth Wave) de Rick Yancey. Ambos deram origem a populares séries com o público nerd. No livro de Orson Scott Card um jovem torna-se a única esperança de uma guerra entre a raça humana e uma raça de insectoides. Já no livro de Yancey, que um pulso eletromagnético é seguido de tsunamis e armas biológicas espalhadas com o propósito de provocar nosso extermínio. Ambos tornaram-se bastante populares entre os leitores e ganharam as telas com resultados medianos. Até mesmo Stephanie Mayer, autora da série “Crepúsculo” chegou a enveredar pelo tema de aliens entre nós em “A Hospedeira” (The Host), adaptado em 2013. No campo da sátira são digna de nota duas pérolas: “Marte Ataca” (Mars Attacks) de Tim Burton e “Paul o Alien Fugitivo” (Paul) de Simon Pegg, sendo este último rico em referências às cultura pop criada em torno dos contatos com extraterrestres.

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O SIMPÁTICO PAUL O ALIEN FUGITIVO

A Ufologia (estudo sobre avistamentos de naves espaciais) já coletou diversos dados não oficiais que alimentam a imaginação de quem volta os olhos para os céus em busca de algo. Tramas de conspirações envolvendo os governos com civilizações inteligentes ganharam força no já clássico “Arquivos X” de Chris Carter, na forma de série de TV e dois filmes para o cinema que nos instigam a acreditar que lá fora pode haver algo além do que podemos supor. A misteriosa Área 51, no deserto do Arizona, alimenta ainda mais nossa vã filosofia. Talvez não seja uma questão de estarmos sozinhos no universo mas se nós somos dignos do lindo mundo que temos e que destruímos com nossas ações. Se os inimigos são os ETs na ficção, na vida real nós somos nossos próprios adversários, ou como disse o simpático Paul, tremendos bobões.

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INDEPENDENCE DAY – O RESSURGIMENTO

ESTREIAS DA SEMANA : 6 DE JUNHO – O GRANDE GATSBY

o NOVO Gatsby

o NOVO Gatsby

Nos anos 20, os norte-americanos viviam um período de prosperidade ímpar. Embalados pelo jazz tocado nas festas e no rádio, principal mídia da época, as pessoas se deslumbravam pelo glamour e pelo materialismo ditado por hábitos de uma sociedade cega ao naufrágio dos valores morais. Foi nesse contexto ambíguo, de um lado a opulência e do outro a falência moral, que F.Scott Fitzgerald (1896/1940) escreveu “O Grande Gatsby” (The Great Gatsby) , que na época de seu lançamento (1925) pouco chamou a atenção do público leitor. Foi a posteridade quem delegou ao livro o título de uma mais maiores obras literárias do século XX, e isso quando Fitzgerald já havia morrido, desacreditado da força de suas próprias obras. Fitzgerald era ele próprio assíduo frequentador das mesmas festas retratadas na história de Jay Gatsby, um homem rico de passado misterioso que usa de seu prestígio e posição social abastada para reconquistar um antigo amor, a insegura Daisy hoje casada com um homem igualmente rico mas que a trai e maltrata. A história é contada do ponto de vista de Nick Carraway, primo de Daisy, jovem escritor que faz o narrador onisciente que vislumbra o mundo dos ricos e sofisticados com admiração e que serve de alter ego do próprio autor. É Nick quem desnuda para o leitor as falhas da sociedade americana daqueles anos loucos, como ficou convencionado chamar a era do Jazz (The Roaring Twenties).

Redford & Farrow

Redford & Farrow

Já houveram três adaptações do livro: 1926, 1949 e 1974 sendo esta última a versão mais famosa com Robert Redford, Mia Farrow e Sam Waterson nos respectivos papéis de Gatsby, Daisy e Nick, papeis esses que agora são representados por Leonardo DiCaprio, Carey Mulligan e Tobey MacGuire, todos dirigidos por Baz Luhrmann. Sua batuta costuma mezclar o clássico e o pop em cores e som de exuberante esplendor e até exagero, como foi em “Romeo + Julieta” (1996) também protagonizado por Leonardo diCaprio e o bem sucedido “Moulin Rouge” (1998). Essa mesma abordagem pode ser sentida nessa releitura do clássico de Fitzgerald apesar do ótimo texto, o que pode ser tanto curiosa como cansativa nas telas. O filme foi exibido no Festival de Cannes desse ano, mas fora da mostra competitiva e não arrecadou muito da bilheteria americana quando estreou em 10 de Maio último, com pouco mais de $50,000,000 contra um investimento total de $131,103,000. Ainda assim, sua refilmagem aponta a força das palavras de seu autor que procurou registrar o comportamento humano em um determinado período de tempo ainda visto por muitos como um período de glamour, mas que também mostra o início do fim para uma sociedade quando o ter sobrepõe a importância do ser.